Ernesto Carvalhinho

O salão nobre da Câmara Municipal da Lousã foi pequeno para os (muitos) cidadãos que fizeram questão de estar presentes na cerimónia de cessação de mandato do provedor Municipal das Pessoas com Incapacidade, Ernesto Carvalhinho. Mas, mais do que isso, foi pequeno para a grande homenagem em que se transformou, desde os elogios francos da secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação, que não se coibiu de tratar o provedor por “caro amigo”, até à homenagem ao homem, para lá do projecto e à “visão de uma Lousã acessível”, como destacou António Fontes, do Grupo Técnico de Acessibilidade, da Provedoria Municipal do Cidadão com Incapacidade (PMCI).
«Não é fácil trabalhar com o Carvalhinho. É um indivíduo extremamente exigente, quer tudo para anteontem», disse o presidente da Câmara, Fernando Carvalho, frisando contudo, ser essa uma «das grandes virtudes» do provedor cessante que «fazia uma perseguição atroz aos técnicos da autarquia» para que as coisas se fizessem. «Termina aqui com muita pena nossa», disse o autarca, afirmando que para o provedor só tinha uma palavra: «obrigado».

“Fiquei com a alma cheia”
Já a secretária de Estado Idália Moniz enalteceu a humildade, «não subserviência» e a generosidade de Ernesto Carvalhinho, bem como o saber «olhar nos olhos das pessoas e criar compromissos». «É por isso que tem conseguido tanto ao longo da sua vida», destacou a governante.
O homenageado escusou-se a grandes discursos, entre os comentários de quem com ele privou e colaborou, lá ia explicando como a provedoria começou, e como o I Congresso do Turismo Acessível se tornou o berço de um projecto muito maior, o “Lousã – Destino de Turismo Acessível. «Ao fim deste tempo há uma grande diferença, há também uma semente, que já iniciou o seu crescimento e estou plenamente convencido que vai crescer ainda mais», disse um Ernesto Carvalhinho visivelmente emocionado, entre agradecimentos aqui e ali. «Foi um trabalho que adorei fazer, fiquei com a alma cheia».
À margem do evento, o provedor cessante confessou ao nosso jornal estar «muito satisfeito com o trabalho desenvolvido», e emocionado com o reconhecimento evidenciado na cerimónia. «Muito fica por fazer», referiu, salientando a criação de mais parcerias, mas «o balanço é positivo». Mesmo fora da provedoria, garantiu continuar atento e continuar a lutar pelos direitos dos cidadãos com deficiência, e diz que sai por defender que a provedoria deve ser renovada. «Nenhum provedor pode estar na provedoria durante anos e anos por estar», concluiu, satisfeito, ao fim de dois mandatos.
A PMPI foi criada pela Câmara Municipal, em 2003, sendo a segunda provedoria na área da reabilitação a surgir no país. É um organismo que funciona de forma autónoma, com a colaboração de 14 cidadãos portadores de defi-
ciência (órgão consultivo). Todos eles, bem como o provedor trabalham de forma voluntária e gratuita. Graças à provedoria, existem, actualmente, na Lousã 143 espaços com selo Lousã Acessível.

“A Lousã é um caso muito especial”
«A Lousã tem uma capacidade de empreender que os outros municípios não têm». Palavras de Idália Moniz, que sem “papas na língua” salientou o facto de o projecto “Lousã – Turismo Acessível ser «um exemplo que atravessa fronteiras».
«No fundo há toda uma dinâmica da sociedade civil que é introduzida pela Arcil e que faz com que um conjunto de famílias venham para aqui», disse, ainda, sustentando que tal é comprovado na demografia da Lousã, que «aumenta, enquanto outros municípios vão ficando vazios». «São as pessoas que fazem as instituições e aqui, são esses homens e essas mulheres que fazem a diferença», rematou a secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação.
Fonte: Diário de Coimbra

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