Apenas três escolas pediram voluntários


Escola de Vil de Soito, em Viseu, abre vagas pelo segundo ano consecutivo. Outras duas só este ano pediram reformados

No Agrupamento de Escolas de Vil de Soito, em Viseu, desde o ano passado que duas professoras reformadas vão duas horas por semana à escola dar apoio aos alunos com necessidades educati- vas especiais e ajudar no estudo acompanhado. As docentes voltaram à escola ao abrigo do Regime de Voluntariado, que desde 2009 permite este regresso, mas que ainda poucas escolas parecem estar a aproveitar.

Neste ano lectivo, apenas três instituições, incluindo a de Vil de Soito, publicaram o aviso de concurso para recrutar professores voluntários. No Agrupamento de Escolas de Canedo, Santa Maria da Feira, o concurso foi aberto pa- ra este ano lectivo e terá havido apenas dois candidatos, mas que ainda não começaram a traba-lhar. Já na Escola Secundária de Arouca, o concurso foi aberto na terça-feira e, segundo as declarações da directora da escola ao jornal i, ainda ninguém se mostrou interessado.

As direcções regionais de educação são responsáveis por elaborar relatórios anuais sobre actividade voluntária dos professores, mas disseram ao DN não ter re-gisto de nenhum concurso deste tipo. Também a Direcção-Geral dos Recursos Humanos da Educação (DGRHE) não conhece concursos de professores voluntários, isto porque as escolas podem abrir as vagas individualmente ou através de projectos em parceria com outras entidades, sem obrigato-riedade de publicitar o concurso na DGRHE, conforme referiu ao DN fonte deste serviço.

Os professores voluntários não podem dar aulas, estando limitados a actividades de apoio para alunos ou professores (ver caixa). No caso da Escola de Vil de Soito, as docentes que regressaram estão na escola duas horas por semana. "As professoras trabalharam aqui. Uma delas está apontada há pouco tempo e a outra já está há uns seis ou sete anos", explica ao DN Hernâni Oliveira, adjunto do director. São os alunos do 5.º e 6.º anos que beneficiam do acompanhamento e da ajuda destas duas professoras, acrescenta o responsável da escola.

A opção do agrupamento em contratar professores voluntários não ficou a dever-se a problemas financeiros, como acontece na Secundária de Arouca. Neste último caso, a directora Adília Cruz reconheceu, citada pelo jornal i, que lançava as vagas para poder concretizar um projecto de cidadania para o qual falta dinheiro para a contratação de professores.

Já na Escola de Vil de Soito a ligação com os antigos professores sempre foi grande, confessa Hernâni Oliveira, e foi daí que surgiu a ideia de pedir voluntários. "Não só os antigos professores nos convidam para as suas actividades como nós os convidamos para vir à escola." E as próprias docentes acabam por ser "uma mais-valia ao contribuir com os seus conhecimentos", acrescenta o elemento da direcção da escola.

O trabalho de voluntário não prevê remunerações para os docentes. Podendo apenas ser compensados nas despesas de deslocação, mas as professoras de Vil de Soito "abdicaram dessa ajuda". Um gesto que Hernâni Oliveira reconhece não ser comum. "Nem toda a gente tem este espírito, e a prova disso é que não houve muita gente a responder ao concurso." DN

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