Junta médica 'tira' subsídio a deficiente

Diogo André Ferreira de Sousa tem 23 anos, e complicações no parto deixaram-no com uma deficiência motora e intelectual definitiva. Necessita de frequentar estabelecimento de Educação Especial, e está em situação de dependência "pelo que não pode praticar com autonomia os actos indispensáveis à satisfação das necessidades humanas básica".

Esta transcrição do relatório médico, efectuado em 2008, por um profissional do Centro de Segurança Social da Madeira (CSSM), 'colide' com as conclusões de uma junta médica do mesmo CSSM, que informou no final do mês passado a família do jovem, que esta iria deixar de receber o apoio dado a quem cuida de pessoas dependentes.

"Nós todos e, principalmente, a minha mãe, ficamos chocados com isto, porque o meu irmão é completamente dependente", disse Ana Sousa, explicando que estão em causa perto de 90 euros.

"O dinheiro faz sempre falta, ainda para mais nesta altura", lembrou, dizendo que o irmão não fala, sofre do Síndrome de Lennox-Gastaut (um tipo de epilepsia) e padece de constantes crises atónicas (queda súbita, sem perda de conhecimento).

"Por tudo isto, ele não pode tomar banho sozinho e sou eu e a minha mãe que ajudamos", afirmou, acrescentando que Diogo Sousa precisa de atenção e cuidados permanentes da mãe.

"A minha mãe sai mais cedo do trabalho para ir buscá-lo à escola, e agora fica sem subsídio", lamenta.

A decisão da junta médica além de 'contradizer' o atestado médico passado em 2008, que dá conta de uma doença que não só é definitiva como é evolutiva, permite ainda outra pergunta.

"Como é que o meu irmão continua a receber a pensão de invalidez, por ser dependente, e a minha mãe não recebe o apoio por cuidador de uma pessoa dependente?", questiona a irmã, dizendo que a família vai recorrer da decisão. O problema é que a mãe de Diogo Sousa já deixou de receber o tal apoio. Dnoticias.pt

Comentários

  1. O meu apoio de terceira pessoa já tiraram há muito tempo...desde da última Junta Médica que fui, que considero uma vergonha para o País o que sucedeu-se. A médica da junta não deixou minha mãe entrar comigo, perguntando: "A menina não fala?" Depois entrei e a doutora fez-me duas perguntas apenas: 1- A menina sai de casa? 2- Tem pais vivos? E mandou-me sair. Meu Deus, ela n fez uma única perunta sobre minha deficiencia, se usava fralds, augalias,medicação, nada!! E ter pais vivos, não significa q eles estão bem de saúde, ou até mesmo se moram comigo.
    Não deu chance para falar, quando ia abrir a boca, mandou-me sair.Carol

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  2. Incrível e revoltante o que contas, Carol! Nunca ouvi nada idêntico! Tu realmente tens sido brindada com tudo que há do pior...ufa!
    Tinhas 30 dias para recorrer.
    Não perguntaste à tua Assistente Social o porquê?
    Fica bem e sinto muito

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  3. Eu peço desculpa pela ironia, mas toda esta insensibilida, frieza e falta de humanismo que ouvimos todos os dias de testemunhos que vão às juntas médicas, faz-me recordar um sketch dos Gato-Fedorento...
    http://www.youtube.com/watch?v=-zhyeYYFxio
    É que se trata exactamente disso!!

    Abraço
    Sininho

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  4. Triste e desolador ver situações destas, Sininho! Os fracos, pelos vistos, é que pagam a crise.
    Os "Gato" estão no seu melhor...
    Fica bem

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