Cláuidio Poiares


Cláudio Poiares não esconde a satisfação pela "boa ideia" que teve ao criar o seu próprio negócio. Aos 15 anos, tinha acabado o 9.º ano, era atleta federado de canoagem, queria ser professor de Educação Física, pensava casar-se e ter filhos. "Tinha ideias fixas, gostava de planear o meu futuro, tinha tudo delineado", confessa. Um mergulho no rio Douro, num intervalo dos treinos de canoagem, alterou-lhe alguns planos. O pescoço bateu no fundo do rio, percebeu imediatamente o que tinha acontecido. "Uma semana antes tinha visto uma reportagem sobre uma situação semelhante. Percebi que estava lixado." Ficou tetraplégico, dependente para quase tudo, praticamente só mexe a cabeça. Hoje, com 28 anos, é casado e tem um filho de oito anos. Entretanto decidiu estabelecer-se por conta própria, Cláudio Poiares Multimédia é o nome da empresa que criou em 2006. Restaura fotografias antigas, manipula imagens, passa cassetes VHS para DVD, decora vídeos festivos com composições gráficas e músicas. É através de um sensor que tem nos óculos que mexe o rato do computador. Fá-lo com desenvoltura para dar resposta às encomendas de familiares, amigos, amigos de amigos. A melhor publicidade é o passa-palavra. Mesmo assim, não está fácil. "Não dá para ganhar muito dinheiro", adianta.

De 1997 a 2006, desenvolveu o gosto pela fotografia, tirou uma formação em Informática e outra em Multimédia. O centro de emprego forneceu-lhe todo o material para o negócio. "Não acreditava que seria possível, achava que seria muito difícil criar o meu negócio porque em Portugal ninguém ajuda ninguém." Enganou-se. Trabalha em casa, a sua dependência é quase total, a mulher tem o seu emprego, o filho está na escola. Com um apoio financeiro, conseguiu contratar uma empregada que o ajuda durante a semana. Só com essa ajuda pôde morar com a mulher e o filho, deixando a casa dos pais.

É disciplinado, definiu o seu horário. "Trabalho sempre que posso, por vezes também ao fim-de-semana." Gosta de passear à beira-mar, ver filmes, estar com o filho, ver as canoas no rio. O clube de Zebreiros, Gondomar, baptizou um torneio com o seu nome. Cláudio tem mais um projecto nas mãos: está preparado para contar a sua história numa autobiografia. "Na minha situação, tetraplégico, com o meu grau de deficiência, não conheço ninguém que tenha conseguido arranjar emprego." As lembranças não se apagam. "Os primeiros meses foram muito duros e foi muito importante poder realizar-me como homem e como pai." Mais

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