Leiria - Assembleia Municipal sem acessos

Falta de condições de segurança obriga a encerramento de elevador, o que impede munícipes portadores de deficiência física de assistirem à Assembleia Municipal de Leiria

As pessoas com mobilidade reduzida estão 'impedidas' de aceder a primeiro piso do Centro Associativo Municipal, não podendo assistir às reuniões de Assembleia Municipal que decorrem no auditório do edifício. Assim aconteceu na última sexta-feira, dia em que o elevador foi selado por falta de condições de segurança, não permitindo as pessoas que se desloquem em cadeira de rodas, por exemplo, ou com outras dificuldades de locomoção, de assistir à reunião.

O assunto foi levantado na sessão pela deputada municipal Clara Monteiro, do CDS-PP, que alertou aquele órgão para os problemas de acessibilidades no edifício, face ao encerramento do elevador, por falta de manutenção. O presidente de câmara, Raul Castro, esclareceu que o elevador foi selado, precisamente naquele dia, por falta de condições de segurança.

"Há problemas com o elevador e tivemos que o encerrar antes que caísse. Estamos a tentar resolver o problema", disse, ontem, o autarca ao nosso jornal.
O assunto já seria do conhecimento do presidente da Assembleia Municipal, Carlos André, uma vez que lhe foi colocado por um munícipe com mobilidade reduzida - desloca--se em cadeira de rodas -, que já na anterior sessão da Assembleia Municipal (AM) não compareceu à reunião, como é seu hábito, por falta de condições de segurança do elevador.

"De facto, já não fui à anterior reunião, pois os elevadores não apresentavam condições de segurança, pelo que alertei, nessa altura, o senhor presidente da AM para o facto e pedi-lhe que se assegurasse de que havia condições na futura reunião - a de sexta-feira" [dia 10]. O que não veio a acontecer. E por prever que a minha chamada de atenção ia cair em 'saco roto', como veio a acontecer, procurei informar-me, desta vez, do estado dos elevadores, razão pela qual nem compareci", disse ao nosso jornal Pedro Freitas.

O munícipe considera ainda que "a Câmara Municipal de Leiria [CML], enquanto proprietária do imóvel, tem responsabilidades acrescidas na manutenção dos seus edifícios, mas neste caso em particular quem marcou a reunião (e não foi a CML) devia ter optado por outro espaço que permitisse a presença de todos os cidadãos". Pedro Freitas sugere mesmo espaços alternativos para a realização da AM, no sentido de proporcionar o acesso a todos os cidadãos: "auditórios do Estádio, Nerlei, Instituto Politécnico de Leiria (IPL), Instituto Superior de Línguas e Administração (ISLA) de Leiria, Teatro José Lúcio da Silva, Salão Nobre da câmara".

"Enfim, foi uma forma desleixada de terminar este ano Europeu de Combate à Pobreza e à Exclusão Social. Tenho esperança que a próxima reunião já seja para todos", conclui Pedro Freitas. Diário de Leiria

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