Sines: Novo lar e residência para pessoas com deficiência mental prontos a "abrir portas"

Um novo lar e uma residência autónoma, em Sines, para pessoas com deficiência mental e com capacidade para 29 utentes, já estão construídos e devem entrar em funcionamento em Fevereiro, divulgou hoje a entidade promotora da obra.

Com 10 quartos duplos e quatro individuais, o lar residencial tem capacidade para receber 24 utentes, além de ter ainda um quarto sempre reservado a “situações de excepção e emergência”, segundo a Cercisiago.

No mesmo edifício, mas anexada de forma independente, está instalada uma residência autónoma, equipada com três quartos (um individual e dois duplos), uma cozinha, uma sala e uma casa de banho, que vai passar a ser “a casa” de cinco pessoas.

Orçadas em cerca de um milhão de euros, as obras do novo edifício foram comparticipadas em 60 por cento pelo Programa de Alargamento da Rede de Equipamentos Sociais (PARES), através da Segurança Social, tendo a Câmara de Sines cedido o terreno, com cerca de 1 750 metros quadrados.

À Cercisiago (Cooperativa para a Educação e Reabilitação de Crianças Inadaptadas de Santiago do Cacém) cabe o financiamento dos restantes 400 mil euros.

A presidente da instituição, Margarida Baltasar, disse hoje à Agência Lusa que espera contar, em parte, com mais apoio financeiro das autarquias dos concelhos a que a Cercisiago dá resposta: Sines, Odemira e Santiago do Cacém.

Além disso, a instituição não tem estado de “braços cruzados”, tendo, nos últimos anos, promovido diversas iniciativas de angariação de fundos, como festas, que vai continuar a organizar continuar no futuro.

“É claro que a parte financiada por nós é de tal forma alta, que não é só com estas festas que conseguimos”, lamentou a responsável.

“Precisamos de uma ajuda muito maior”, apelou, afirmando que “não tem sido muito fácil” conseguir apoios.

De qualquer forma, observou, "a obra está pronta e agora é arregaçar as mangas e continuar a trabalhar, como a Cercisiago sempre fez”, acrescentou, otimista.

Atualmente, o novo lar já está equipado, faltando apenas as vistorias de várias entidades (Segurança Social, Delegação de Saúde, Bombeiros e Câmara Municipal) para preparar a recepção aos novos moradores.

A criação deste tipo de resposta social é considerada “essencial” por Margarida Baltasar, que, sem quantificar quantas pessoas estão em lista de espera, assegura que são “muitas”.

“Temos utentes com trissomia 21, com 55 e 60 anos, coisa que não acontecia anteriormente. A esperança de vida aumentou de tal forma que também para os nossos utentes isso aconteceu, o que significa que pais de utentes nossos hoje têm 80 e 90 anos e muitos já faleceram”, alertou.

Paredes pintadas com cores vivas, mas calmantes, escolhidas “a dedo”, mesas, camas e cadeiras, edredões e almofadas coloridas já estão à espera de serem estreados pelos 29 utentes, para os ajudar sentir-se “em casa”.

A Cercisiago, criada há 32 anos, tem sede em Santiago do Cacém, onde tem já a funcionar um lar para 14 pessoas, bem como um Centro de Atividades Ocupacionais (CAO), com 60 utentes inscritos, além de outras valências ligadas à intervenção precoce e ao ensino profissional. Diário Online

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