Carcavelos e as acessibilidades


Há barreiras arquitectónicas que Maria de Lurdes Silva não supera: a falta de uma casa de banho na casa mortuária da Igreja de S. José de Arneiro, Sassoeiros, a escada íngreme da repartição de Finanças de Carcavelos e até a alternativa encontrada – a porta das traseiras, é muito pesada.

Confrontada pelo CM a respeito da falta de acessos aos serviços financeiros de Carcavelos, a tutela explicou que as acessibilidades são uma prioridade da Direcção-Geral de Contribuições e Impostos, que tem levado a cabo um programa de renovação das instalações dos serviços financeiros. Nesse âmbito, os serviços de Finanças do concelho vão ser reorganizados, prevendo-se a deslocalização destes serviços para outras instalações, mais acessíveis.

A paróquia de S. Domingos de Rana, responsável pela Igreja de S. José de Arneiro, garante que cumpriu a legislação em vigor na construção da obra e explicou ao CM que junto ao centro de convívio para idosos, pertencente ao centro social paroquial de S. Domingos de Rana, existem instalações sanitárias adaptadas e acessíveis. A entidade condena não ter sido alertada para a presença de um deficiente motor, caso contrário teria facultado o acesso à casa de banho.

"COMO VOU CONSEGUIR TRABALHAR?"

As barreiras humanas são mais difíceis de ultrapassar, mais do que as físicas, e o bom de estar num jardim-de-infância é que posso educar pais e filhos". O desabafo é de Maria de Lurdes Silva, que sofre de síndrome de guillan-barré, uma doença progressiva e potencialmente fatal caracterizada por debilidade muscular, desencadeada após uma cirurgia a que foi submetida no Hospital Santa Maria, em Lisboa. Quando saí da operação quis mexer as pernas e os braços", recordou ao CM Maria de Lurdes, relembrando os tempos em que podia andar de bicicleta e dançar. "Sempre fui uma pessoa muito activa", conclui.

Aos 36 anos, Maria de Lurdes teve de reaprender a viver com as suas novas limitações. Após sete meses internada, foi no Centro Nuno Belmar da Costa, em Oeiras, que aprendeu a andar de cadeira de rodas. E o facto de estar fora de casa melhorou bastante a sua condição física.

A cadeira de rodas também não a impediu de fazer aquilo que mais gosta na vida – ensinar. "O meu primeiro pensamento foi ‘como é que eu vou trabalhar?’", confessou Maria de Lurdes, actualmente com 50 anos.

E foi a pensar nos seus meninos que pediu à Associação Salvador um forno para azulejos. "Ajuda a manter as crianças motivadas", justificou esta lutadora, acrescentando que os seus alunos adoraram o presente.

Fonte: CM

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