Cientistas brasileiros desenvolvem nervos artificiais

Um trabalho de cientistas brasileiros pode revolucionar o tratamento de pessoas que perderam a capacidade de movimento das mãos. A reportagem é de Guacira Merlin.

Até um pequeno corte no braço pode atingir um nervo e provocar seqüela. “Ele perde uma função motora e uma função sensitiva, ou seja, ele não sente a ponta dos dedos”, explicou o médico responsável pela pesquisa Jefferson Braga da Silva.

Para evitar problemas graves, o nervo precisa ser religado em até duas semanas. Quem não faz a cirurgia nesse prazo recupera, no máximo, 60% das funções da mão.

A técnica desenvolvida no laboratório quer aumentar as chances de recuperação de pacientes que perderam o movimento ou a sensibilidade das mãos. Os pesquisadores descobriram exatamente quais substâncias ajudam a regenerar o nervo afetado e colocaram tudo em um tubinho menor que um palito de fósforo. É o nervo artificial.

O tubo é formado por cavidades invisíveis a olho nu. “É uma dimensão 300 vezes menor que um vírus”, afirmou o físico Roberto Hübler.

Os espaços são preenchidos com os fatores de crescimento: substâncias criadas em laboratório iguais às fornecidas pelo organismo para regenerar tecidos. O tubo substitui o nervo que se rompeu. Ao longo de seis meses, os fatores de crescimento são liberados. O tubo é absorvido pelo organismo e, no lugar dele, um novo nervo se forma.

Testado em cobaias, o nervo artificial recuperou mais de 90% dos movimentos dos ratinhos. A técnica, uma parceria da universidade Montpellier, na França, e da PUC de Porto Alegre, foi apresentada no mais importante congresso de cirurgia da mão, na Europa.

Em setembro, será testada em pacientes do SUS. O próximo passo é tentar recuperar lesões ainda mais graves.

“Nós já estamos começando a fazer para o osso, para o músculo e para o tendão, só que daí são outros fatores de crescimento, são outros fatores que vão aumentar a regeneração destes outros tecidos”, destacou Jefferson Braga da Silva.

Noticia enviada por Mónica Bello

Fonte e vídeo: Jornal Nacional

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