Vias Aéreas e Ventilação no politraumatizado

Introdução

A impossibilidade de suprir o cérebro e outras estruturas vitais de sangue oxigenado é o fator que mais rapidamente causa morte no paciente politraumatizado. Esta hipoxemia é causada primeiramente por obstrução das vias aéreas e em seguida pela perda da capacidade do indivíduo respirar, baseando-se nesta observação foi criado o ABCDE do trauma, ou seja, um método que visa a melhor avaliação e atendimento do politraumatizado; sendo o “A” referente a Vias Aéreas e o “B”, ao controle da Respiração. Deste modo, as vias aéreas protegidas e desobstruídas e uma ventilação adequada são etapas que merecem prioridade absoluta sobre todas as demais.

O politraumatizado pode ter suas vias aéreas obstruídas devido a queda da língua quando se encontra inconsciente, devido a presença de corpos estranhos como pedaços de próteses ou mesmo avulsões dentárias, presença de restos alimentares, sangue ou hematomas; lesões do pescoço também podem causar obstrução em conseqüência à ruptura de laringe ou de traquéia, ou ainda por compressão das vias aéreas devido à hemorragia ou edema por trauma direto nas partes moles do pescoço.

Desta maneira, deve-se suspeitar de impermeabilidade das vias aéreas principalmente naqueles pacientes com traumatismo cranioencefálico, bucomaxilofacial e com trauma em região cervical. Pacientes que se recusarem a permanecer deitados pode indicar dificuldades na manutenção das vias aéreas. É importante observar se o paciente está agitado ou torporoso, agitação sugere hipóxia e assim, ele pode se encontrar insolente ou agressivo, estas situações são facilmente confundidas com confusão mental causada por drogas; torpor sugere hipercápnia, este fator tem especial importância quando associado a um Trauma Crânio-Encefálico, pois o aumento da pressão parcial de dióxido de carbono (pCO2)promove grande vasodilatação cerebral e congestão circulatória com conseqüente extravasamento de líquido para o interstício agravando uma possível Hipertensão Intracraniana. Cianose indica hipoxemia pela oxigenação inadequada, este sinal clínico deve ser investigado pela inspeção dos leitos ungueais e da coloração da pele ao redor dos lábios, mas é importante ficar atento pois na presença de hemorragia maciça a cianose pode não estar presente.

Outro modo para pesquisar a itegridade das vias aéreas e da respiração, é verificar a presença de ruídos aéreos anormais. Respiração ruidosa significa obstrução da faringe; roncos, respiração estridulosa e disfonia (rouquidão) implicam em obstrução da laringe.

Ao exame físico palpando a traquéia deve-se verificar, durante o esforço respiratório, se esta apresenta-se em posição mediana no pescoço conferindo normalidade.

Durante a avaliação inicial das vias aéreas, o “paciente falante” é uma garantia, pelo menos momentânea, de que as vias aéreas estão permeáveis. Portanto, a medida inicial mais importante é falar com o paciente e estimulá-lo a uma resposta verbal. Uma resposta verbal adequada sugere vias aéreas permeáveis com ventilação e perfusão cerebrais eficientes.

Quando identificada a impermeabilidade das vias aéreas, devem ser instituídas medidas imediatas para melhorar a oxigenação, e deste modo retirar o paciente do perigo de morte.

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