Boccia - Portugal dá cartas no campo e na produção de material


Portugal é uma das grandes potências mundiais do boccia, uma modalidade destinada a atletas com deficiência, mas também “dá cartas” na produção e comercialização de todo o material de jogo, liderando o mercado, num negócio gerido on-line.

As bolas Boccas mostram-se em 2002, ano em que Portugal acolheu o campeonato do Mundo da modalidade. Desde então, a marca tem crescido, produzindo e comercializando todo o material de jogo como calhas, marcadores eletrónicos, capacetes, bancos para acompanhantes auxiliares e até compassos e fitas métricas.

“Os jogos de bolas eram produzidos apenas na Dinamarca e na Nova Zelândia. Pensei em começar a produzir jogos e mostrei o primeiro modelo na Póvoa de Varzim em 2002”, conta Luís Ferreira, proprietário da empresa e professor de educação física.

Depois do sucesso inicial das primeiras bolas, o negócio começou a crescer com muitos países a adquirirem jogos “made in Portugal”, compostos por 13 bolas, feitas em pele - cosidas à mão - e cheias com um material sintético.

Luís Ferreira, que trabalha na Associação do Porto de Paralisia Cerebral (APPC) com atletas de boccia, começou depois a produzir também calhas - para os atletas que não conseguem lançar a bola com os pés ou com as mãos - e outro

material de jogo.

Hoje, garante que o material português “tem muita procura” e assegura que a empresa, cuja montra é um site na internet, “é indiscutivelmente líder de mercado”.

Luís Ferreira acredita que a grande vantagem da Boccas é o facto de estar ligado à modalidade “e conhecer as necessidades dos atletas em termos de material”, e assegura que a melhor publicidade “é a do passa palavra”, embora ainda lembre os tempos em que ia a “competições a Espanha, numa autocaravana mostrar produtos”.

Na Taça do Mundo de boccia, que decorre em Belfast, muito do material utilizado pelas 31 seleções presentes é produzido pela empresa portuguesa, que, mesmo durante a competição, recebe encomendas de países tão diferentes como Coreia do Sul, Estados Unidos ou Austrália.

O Brasil, que nos Jogos Pequim2008 teve dois campeões paralímpicos - com bolas Boccas -, é um mercado em ascensão, que Luís Ferreira não quer perder de vista, ponderando mesmo a hipótese de produzir lá o material.

Com a empresa, que gere todo o negócio on-line, implantada no mercado, Luís Ferreira garante que o essencial “é estar sempre à frente, na perspetiva de fazer coisas novas e responder às necessidades dos atletas”.

Fonte: Corrreio do Minho

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