Resposta à minha reclamação à falta de acessibilidades no Serviço Saúde Pública de Tomar. Revoltante.

No dia 23 de Novembro de 2009, desloquei-me até ao Centro de Saúde de Tomar/Serviço de Saúde Pública, em Tomar, para ser observado por uma junta médica e me atribuírem o grau de incapacidade para fins de Atestado Médico de Incapacidade Multiusos. Até parece que 20 anos depois deixaria de ser tetraplégico e voltava a andar por milagre. Mas isso é outro assunto…

Conseguir um estacionamento perto do edifício foi uma aventura. Não se entende como é possível um lugar existente para supostamente receber pessoas com deficiência não possuir locais próprios de estacionamento…essa foi a primeira dificuldade, mas o pior estava para vir. Ao começar a tirar a cadeira de rodas eléctrica do táxi, o funcionário do Centro de Saúde aborda-nos e avisa que a minha cadeira de rodas não conseguiria entrar no edifício e aconselhou-me a não sair do veiculo que iria ser examinado na via pública. Isso fiz, e minutos depois a equipa médica estava junto do táxi e com a porta lateral aberta começam a fazer-me perguntas, ver meus relatórios, exames de diagnóstico e pediram para abrir fecho das calças para se certificarem se tinha fralda e algália. Tudo isso a uns dois metros das mesas de uma esplanada. Terminaram o serviço e recebo meu Atestado Médico Multiusos com o grau de incapacidade de 90%. Na altura ainda estive para reclamar mas estava de táxi, confuso com tudo aquilo e muita pressa que fiquei para o fazer depois. Chegado a casa reclamo oficialmente para várias entidades incluindo ERS, INR, Centro de Saúde de Abrantes que sabendo que me deslocava em cadeira de rodas me enviou para lá, mas respostas zero. Dia 27 de Julho último, e aproveitando o Dia da Reclamação, uma iniciativa a nível nacional levada a cabo pelo Movimento (d)Eficientes Indignados, exactamente para exigirmos do Governo o cumprimento da lei das acessibilidades, desloco-me na companhia de outros amigos até ao local e procedo à reclamação oficial no livro de reclamações. Acabo de receber por parte do Diretor Executivo, Dr Fernando Siborro a resposta a essa reclamação. Nem queria acreditar no que estava a ler. Nunca pensei ser possível tamanha indiferença e falta de respeito pela humilhação que passei. No lugar de um pedido de desculpa e assumir os erros pela discriminação que fui sujeito, recebo uma resposta descabida e sem nexo como podem observar.

1 - Afirmam que nenhum de nós se chegou até á referida porta dos serviços. Não é verdade e a foto que tiramos na altura prova-o.
2 – Assumem que o edifício não tem acessibilidades, mas acrescentam que sempre que necessário é colocada uma rampa amovível que permite a entrada a utilizadores de cadeiras de rodas. Mas tem acessibilidades ou não? A dita rampa está mais que evidente que ultrapassa os 6% de inclinação que como sabemos é o limite imposto por lei e segundo funcionário foram necessários quatro anos para conseguir ter esta preciosidade. Sendo assim houve alturas que nem rampa existiu.

3 – Os lanços de degraus são realmente dois na entrada, e dois no interior do edifício, isto para não mencionarmos também a falta do passeio rebaixado. Convido-os a prestarem bem atenção no espaço após a rampa. Qualquer leigo se apercebe que mesmo conseguindo ultrapassar esse obstáculo que é a rampa inclinadíssima da entrada, não consegue ultrapassar o conjunto de degraus seguinte, a não ser que consigam suspender no ar a cadeira de rodas durante tempo suficiente para que alguém venha buscar a rampa à entrada, e a coloque por baixo da cadeira. Naquele espaço não cabe a cadeira e rampa.
4 – Também referem que a Presidente das Juntas Médicas afirma que se um utente com mobilidade reduzida não se conseguir dirigir até ao interior do edifício que para agilizar o acesso é examinado na via pública, mas sempre dentro do veiculo que o transporta. Mas onde ficamos? Por um lado afirmam que sempre que necessário é colocada uma rampa amovível que permite a entrada a utilizadores de cadeiras de rodas para qualquer uma das salas existentes, mas por outro lado afirmam que caso um utente com mobilidade reduzida não consiga entrar no edifício é examinado pela junta médica na rua. Mas se têm acessibilidades examinam utente na rua porquê? No final da carta afirmam que jamais observaram alguém na rua…

5 – No penúltimo parágrafo da resposta à minha reclamação desmentem-me. Afirmam que nunca examinaram ninguém na rua, mas mais uma vez se contradizem. Acima escrevem que caso existam casos em que os utentes com mobilidade reduzida não consigam entrar no edifício são observados no exterior do edifício. Será que abrir uma porta do veiculo e mandar descer as calças a uma pessoa, como foi o meu caso não é examinar na via pública? Fico sem ser esclarecido…E quanto a ser perto de uma esplanada também é fácil de provar. Ainda existe, e qualquer pessoa o pode confirmar.

Perante esta decepcionante e despropositada resposta desafio o Sr Diretor Executivo Fernando Siborro, e a Sra Presidente das Juntas Médicas a acompanhar-me até ao edifício em causa, e provar o que afirmam. Faço questão que pessoalmente me expliquem como entrar no edifício e salas que referem.

Dificil entender porque o Sr Director ignora estes factos, e mais ainda a sua falta de sensibilidade, humanidade e falta de respeito para comigo. Quero deixar bem claro que jamais esquecerei a humilhação que passei, e esta resposta veio agravar ainda mais a minha revolta.

Eduardo Jorge

Comentários

  1. Urgente fazer algo e que provem o escrito!

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  2. bom dia
    n leves isso tao a peito caro colega de luta, há um ano na estaçao da cp de ovar o pica recusou-se a por-me dentro do comboio e seker a tirar a rampa amovivel, reclamei até hoje"NADA" com o vendedor de uma cadeira elect. invacare e com a invacare para estas duas entidades em portugal as garantias so sao 12 meses ao contrario da lei k diz serem 24 meses, mas tem mais na seg-social de ovar negaram-me a senha prioritaria e o respectivo atendimento, reclamei e os serviços de aveiro da mesma entidade em resposta da keixa dizem-me k o k eu reclamei foi mentira, k me deram senha e k eu so kiz ser atendido da parte da tarde, realmente so fui atendido de tarde porke de manha me negaram e como tinha reclamado no livro de reclamaçoes e apresentei keixa na policia e irei a tribunal veremos se kereram saber da verdade e n da maneira como a chefa de serviço se defendeu da minha reclamaçao.
    Abraço
    Viriato Percina

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    1. Mas que situação Viriato...sobre a Invacare era interessante se me pudesses enviar por email os pormenores. Eles fartam-se de ganhar milhões à nossa custa e de se intitularem como sendo os melhores...envia-me detalhes e provas que os contato e peço explicações. Sempre comprei à Sunrise Medical. A eles nada.
      Sobre a reclamação na CP ninguém te respondeu?
      Fazes bem reclamar. Com o tempo vamos lá.
      Fica bem

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    2. boas
      kuanto ha cadeira elect. n há mt a fazer a invacar sabe faze-las senao repare:

      Date: Thu, 31 May 2012 23:52:41 +0100
      From: ricardocasasnovas@vivermelhor.pt
      To: virper@hotmail.com
      Subject: Cadeira de Rodas

      Exmo. Sr. Viriato Percina,

      Fomos informados pela Invacare, que o Sr. lhes enviou um e-mail a solicitar esclarecimentos acerca da reparação da sua cadeira Mirage.
      Estou a responder-lhe, pois de acordo com a política de procedimentos da Invacare, a mesma não pode responder directamente aos clientes finais, pelo que essa é a n/ função enquanto representantes da marca.

      Relativamente às questões que colocou à Invacare, no que respeita à garantia da sua cadeira, as baterias possuem uma garantia de 1 ano. O restante equipamento encontra-se abrangido por uma garantia de 2 anos. A sua cadeira está abrangida por 2 tipos de garantia, a referente às baterias e a referente à restante estrutura da cadeira, cada uma delas abrange qualquer defeito de fabrico, nestes períodos de tempo.
      Relativamente ao facto do parafuso da roda ter saltado, não foi considerado um defeito de fabrico, segundo a análise da Invacare.

      Encontro-me disponível para quaisquer esclarecimentos que possa necessitar,


      --



      Melhores cumprimentos | Best regards,

      Ricardo Casas-Novas


      k eu saiba a cadeira n tem duas garantias e somente uma, k é geral, depois faz analiza e diz k o unico pasrafuso k se soltou n defeito de fabrico, mas como é numa roda e n encontri igual fikei sem hipotese, depois a fundaçao delta k me ofereceu a cadeira n me facultou a garantia nem factura, nem o vendedor o tal casas novas.
      por isso fikei sem poder fazer mt k fikem com a cadeira eu pagar n pago, vigarices n.
      abrço
      Viriato

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    3. Irei me informar sobre este assunto. Mas só o conseguirei fazer após voltarem de férias. Depois informo--te.
      Fica bem

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  3. Muito lamentável Eduardo! :(

    Insista na sua justa reclamação/queixa! Sugiro que apresente queixa à Tutela e ao Sr. Provedor de Justiça, anexando cópia deste Ofício que recebeu, documentando ainda, nomeadamente, com fotos, e indicando testemunhas.

    Alberto

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  4. Tens toda a razão em estar revoltado. É uma vergonha a falta de respeito que existe neste país para com todos os que têm a mobilidade condicionada!!

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  5. Sinceramente há coisas que não se percebem, esses senhores deviam ter um bocadinho mais de conhecimento sobre a realidade das instituições que representam e sobre os serviços que essas oferecem aos utentes. Se não são competentes, demitam-se!

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    1. Mas é-lhes indiferente. Eles são os todos poderosos que ajam com agirem nunca serão responsabilizados por nada.
      Obrigado pelo comentário

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  6. Querido Amigo, conta comigo.
    Há imagens que valem mais que mil palavras...Eu vou lá estar!
    Marquem o dia e a hora e "unidos venceremos!"
    Um abraço e mta Luz
    Isa

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  7. Compreendo a revolta e indigno-me com a situação!!!... As respostas às reclamações deviam, no mínimo, ser honestas e verdadeiras, o que neste caso não aconteceu.Vergonhoso que a solução tenha sido realizar o atendimento na via pública!!! Deviam ser sujeitos a uma situação vexatória semelhante para terem um mínimo de sensibilização mais humanizadora!!!... Tenho trabalhado na escola dita "normal" com alunos com diferentes tipos de incapacidades e sou testemunha que a acessibilidade está longe de ser a ideal e, pelo menos, aquela que permita uma circulação mais fácil e adequada! Nunca me calo nem calarei perante estas situações! Persistência na denúncia do não respeito pela lei e, mais importante, pelo indivíduo!
    Um abraço de solidariedade
    Guida Correia Pires

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    1. Obrigado pelas suas palavras Guida. Realmente não é fácil ter passado pela humilhação de ser examinado na rua e ainda obter uma resposta destas. Foi dose dupla.
      Estes senhores acham que ninguém tem o direito de os questionar. Tudo que fazem está correto e para eles aquele edificio cumpre todos os requisitos. Culpa não é deles, é minha.
      Fique bem e boa sorte

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  8. A hipocrisia dessa gente só faz sentir a raiva e a revolta a levantarem-se cada vez mais. E, por que há muitos anos, sozinho, me sentia insignificante, mais insignificante que uma melga nos olhos desses "crânios eleitos", também desisti de lutar. É muito feio dizê-lo, NUNCA deveria dizê-lo, mas cansei de lutar contra interesses e classes instaladas. Nós, para essa gente medíocre, somos uma verdadeira (mas simples) melga: se não vai lá com uma palmada bem aviada, trata-se a "coisa" com mentiras, escárnio e desprezo, bem próprios de quem está na poltrona dos poderes.

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    1. Obrigado pela sinceridade. Eu por enquanto mantenho a intenção de continuar a bater na mesma tecla. Quem sabe se água em pedra dura...
      A história está repleta de vitórias que pareciam impossiveis. Confio muito no passinho a passinho, grão a grão. As novas gerações parecem-me mais sensiveis à nossa causa. Temos que continuar a caminhada e ir denunciando estas injustiças. Quem cala consente Reis.
      Aparentemente os resultados são desanimadores, mas não é bem assim. O caminho faz-se caminhando e cabe-nos a nós cidadãos exercer nossa cidadania lutando por uma vidaem pleno.
      É muito bom ter-te por aqui.
      Fica bem e boa sorte.

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    2. A água é persistente, tenaz, boa, pura, tenho a certeza! Precisa e tem de seguir o seu caminho. A pedra, esse entulho morto onde cai, onde bate...
      Também acredito MUITO na malta nova e, esta coisa lindíssima da internet veio dar novas possibilidades de lutar por aquilo a que temos direito. Espero muito que agora ninguém se cale, como eu o fiz muitas vezes. Não por consentir, não por cobardia, mas apenas porque me sentia só, no meio do deserto, a pregar para... as cobras... que tentavam passar dissimuladas na imensidão da areia, também ela fugidia.
      Acredita que, durante muitos anos, lutei porque pensava que podia (e queria mesmo) mudar o mundo - que ingénuo! Mas, acreditava muito nessa utopia linda que, nas nossas diferenças, pudessemos e devessemos ser todos iguais.
      Um abraço!

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    3. Escreves muito bem. Parabéns.
      Temos que continuar a acreditar e sonhar. Eu continuo.
      Fica bem

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  9. Eduardo, li a 1.ª parte da tua "saga" hoje, e quero acrescentar algo... OK, somos os melhores do mundo nas leis que fazemos mas, a Lei das Acessibilidades funciona assim: faz-se uma leizeca para calar os "deficientes" & amigos e dá-se um período para adaptação à lei (prazo para a por em prática/período de tempo ao fim do qual é MESMO obrigatório cumprir), depois (aqui está o truque!!!!!!!!!=>) reformula-se a lei, com mais um toque ou outro, ANTES DO DITO PRAZO DE ADAPTAÇÃO À LEI ACABAR, e dá-se novo prazo para adaptação à lei!!!!!!!
    Resumindo: é giro, mas nunca se aplica............é uma volta-revolta-que-volta.................

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    1. Nem mais Sónia. Vais ver que em 2017 vão prolongar a data mais uma vez...pior é que sabemos que nos estão a chamar e tratar como se fossemos um grandes burros. Ai que raiva...rs
      Fica bem

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