As acessibilidades em Tomar : Ó da Guarda. Aqui,d’el Rei. Acudam, que os da Câmara dão cabo de mim

EU: Afinal já é costume este procedimento por parte da Câmara Municipal de Tomar contra as pessoas com deficiência.


Eduardo Jorge

(como se os políticos tivessem preocupações!.. Tenho que travar as minhas tendências para a generosidade).

Vem esta reza, outra vez, a propósito da desenvoltura com que a Câmara de Tomar troca a saúde e a capacidade produtiva dos deficientes motores por meia dúzia de tostões.

Assim: defronte da frente norte do Palácio da Justiça (hei-de interrogar-me um dia sobre a razão de ser da designação Palácio dada aos Tribunais. Palácio > Paço > Paço Real – lugar onde Sua Majestade Real concedia a benesse da justiça ao povo. Arbitrariamente. Fica para outra vez)… Começara a dizer que defronte da frente norte do Palácio da Justiça de Tomar existe um lugar para estacionamento de deficientes motores e muito visível e bem assinalado. Só que, quando vem uma Feira, a Câmara troca esse lugar para deficientes pelos euros que lhe paga quem lá instala uma barraca e mesas e cadeiras para servir vinho e petiscos aos feirantes e passantes. A Câmara de Abrantes fazia o mesmo quando realizava umas festas-feiras e uma feira defronte do Palácio da Justiça (noutro dia também me interrogarei sobre a razão de ser das decisões municipais de meterem os Tribunais dentro das feiras…).

E andei uns dias com canadianas (muletas; se fosse com canadianas do Canadá vá que não vá…), e andei uns dias de canadianas, porque na semana passada, a Câmara de Tomar fez-me andar, debaixo de chuva, mais de quinhentos metros para chegar ao Tribunal e outros tantos depois para chegar ao carro, porque só consegui estacionar para lá da estação dos comboios. E essas penosíssimas marchas agravaram as maleitas da esquerda (refiro-me à minha perna esquerda), de que só recuperei uma semana depois, e depois de muitas dores e duas bisnagas de voltaren.

E foi por isso, por causa do que gastei no voltaren, que me ocorreu fazer aos da Câmara a seguinte proposta: Já que os vossos cofres não podem prescindir dos cobres que nas feiras vos rendem aqueles 15 ou 20 m2 do estacionamento para deficientes, comprometo-me a cobrir a proposta do feirante de copos e petiscos – para se manter desocupado e livre de mesas e cadeiras o lugar destinado ao estacionamento de veículos de deficientes. Será bom negócio para a Câmara. E para mim também, porque presumo que o que me fazem gastar em remédios quando lá põem os petiscos chegará e sobrará para vos pagar.

P.S. – Não estranhem o tom risonho deste escrito, apesar do que sofri. Que nos salve o riso, porque, neste país, de quem levar a sério os políticos e as suas decisões o menos que se pode dizer é que ou é doido ou burro de todo.

Por Eurico Heitor Consciência

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