Deficiente desespera por ajuda para alimentar filhas

Manuel Quitério sofreu múltiplos Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC) em 2011, que, aliados a complicações de saúde anteriores, fizeram com que lhe fossem amputadas ambas as pernas. Com duas filhas menores – Beatriz, de 10 anos, e Carolina, 17 – e um rendimento mensal de 470 euros, a família não tem como pagar os seus tratamentos. Precisam de ajuda. Dia 13 de julho (a partir das 9h30), haverá uma festa de beneficência na antiga Escola Primária da Benedita.


“Pasola”, como é conhecido na Benedita, a sua terra natal, era camionista de longo curso e agora, aos 48 anos, está dependente da mulher, Graça, que deixou de trabalhar para o poder ajudar. "Tenho saudades de andar de camião. De ser livre. Que é aquilo que eu era e agora não sou. Estou aqui agarrado à cadeira [de rodas]" – lamenta.

Os AVCs provocaram danos neurológicos que comprometeram a sua capacidade de expressão e comunicação, além de lhe paralisarem o lado direito do corpo. E como se não bastasse, o facto de Manuel ser diabético e sofrer de degeneração cardiovascular fez com que a sua recuperação fosse muito lenta e mais complexa do que o esperado. Pior: “Pasola” foi mesmo obrigado a amputar as duas pernas, em apenas um mês.

"PASOLA" VIVE DEPENDENTE DA MULHER

Graça Quitério deixou de trabalhar para poder apoiar o marido. “Deixei de ser mãe [das duas filhas], porque a prioridade era salvar o pai. Passei a viver para ele e as minhas filhas foram viver para casa de uma tia. Chamam-lhe mãe.”

“Pasola” esteve internado em Coimbra durante dez meses. E Graça só saiu do seu lado na hora de ir dormir – quer fosse no carro, em casa de amigos, ou depois de uma longa viagem de volta às Caldas da Rainha, na sua própria casa. Durante todo este tempo, nos dias de semana, as filhas ficaram privadas do convívio com o pai e pouco viam a mãe: Estavam entregues aos cuidados de uma tia.

SEM DINHEIRO PARA OS TRATAMENTOS

Com um rendimento mensal baixo demais para alimentar uma família de quatro pessoas, Manuel Quitério já não tem forma de pagar os seus tratamentos. Graça não recebe qualquer apoio da Segurança Social, porque era trabalhadora independente, e Manuel tem direito a 470 euros por mês – de reforma e de pensão de invalidez. Acontece que só os medicamentos e terapias custam quase o dobro deste valor.

A comunidade da Benedita e de Santa Catarina – a localidade, nas Caldas da Rainha, onde mora o casal é que tem apoiado solidariamente esta família: "Temos sobrevivido com a ajuda das pessoas. O padeiro deixa o saco de pão à minha porta há um ano e não me cobra nada. O vizinho arranja-me umas cenouras, outra arranja umas couves e assim vamos vivendo" – conta Graça, que está grata por todo o apoio dado ao marido.

Este ano, para agravar toda a situação, alterações no regime da Segurança Social levaram a que Manuel passasse a ter metade das sessões de fisioterapia que precisa. Só que Manuel sabe que não pode ficar muito tempo sem fazer os exercícios que precisa. Esta é a única esperança para recuperar parte dos seus movimentos e da sua autonomia.

FESTA DE BENEFICÊNCIA

Com espírito lutador e muito apoio da família, amigos e da comunidade local, dia 13 de julho realiza-se uma festa de beneficência, no recinto da antiga Escola Primária da Benedita. O objectivo é angariar dinheiro para pagar os tratamentos de Manuel, mas também sensibilizar para a diabetes. Logo de manhã, a partir das 9h30, haverá uma caminhada para promover a prevenção desta doença e depois segue-se uma conferência. A festa prolonga-se até ao final do dia.

Graça defende que muitas pessoas e médicos só agem “quando já existe o problema e não agem de forma preventiva e com esta festa pretendemos alertar e dar a conhecer algumas das coisas que doentes com diabetes devem fazer para prevenir futuras complicações de saúde”.

A família abriu uma conta solidária no banco BCP para angariar fundos para apoiar os tratamento (acessível através do NIB 0033 0000 0007 11 35242 05). Existe também uma página de Facebook de apoio a "Pasola".
Fonte e reportagem em video: CM

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