Deficientes têm de fazer dezenas de quilómetros para votar no Distrito de Bragança

Os eleitores do Distrito de Bragança que necessitem de acompanhante para votar no domingo vão ter de se deslocar dezenas de quilómetros para conseguirem um atestado médico que o comprove, alertou hoje o presidente da Câmara de Vinhais.

Américo Pereira disse à agência Lusa que a Autoridade Regional de Saúde do Norte decidiu que nestas autárquicas só estarão disponíveis, durante o período em que funcionam as urnas, em quatro dos 13 concelhos da região médicos para passagem de atestados a cidadão portador de deficiência que implique o acompanhamento por terceira pessoa para exercer o direito de voto.

Contactado pela Lusa, o delegado distrital de saúde, Victor Lourenço confirmou o número de médicos, mas estranhou que "os autarcas não tenham dado conta que já nas últimas eleições europeias e legislativas" aconteceu o mesmo e não houve protestos.

O ofício da Autoridade Regional de Saúde do Norte, assinado pelo delegado distrital, chegou hoje à Câmara de Vinhais e dá conta de que entre os treze concelhos abrangidos pela Unidade Local de Saúde do Nordeste, apenas em quatro haverá médico disponível para atestar a necessidade de acompanhante.

Os médicos vão estar, entre as 08:00 e as 19:00 de domingo, em centros de saúde de Bragança, Mirandela, Macedo de Cavaleiros e Torre de Moncorvo, obrigando os utentes dos restantes oito concelhos do distrito de Bragança e do de Vila Nova de Foz Coa, na Guarda, a deslocarem-se a estes locais.

"É uma vergonha, os portadores de deficiência já têm dificuldade para se deslocar às assembleias de voto quanto mais a outra terra", declarou o autarca de Vinhais, o socialista Américo Pereira, que se recandidata ao lugar.

Segundo disse, só no concelho de Vinhais, "já houve eleições em que 50 pessoas necessitaram destes atestados".

O documento assinado pelo médico serve para comprovar aos membros da mesa de voto que o eleitor, devido a qualquer deficiência, necessita de acompanhante para poder votar".

"Sem o atestado, mesmo que a pessoa não veja ou tenha outro problema qualquer, só pode votar se os membros da mesa quiserem", observou.

O delegado distrital de Saúde, Victor Lourenço, explicou à Lusa que esta organização resulta da restruturação que houve há três anos em que acabaram as subdelegações de saúde e o Nordeste Transmontano, que tinha 25 médicos de carreira nesta especialidade, ficou apenas com quatro.

O responsável fez a comparação com outros distritos do país como, por exemplo "Viana do Castelo que tem sete concelhos e onze médicos" enquanto a área da Unidade Local de Saúde do Nordeste abrange 13 concelhos e tem apenas quatro médicos.

O delegado distrital de saúde não soube quantificar quantos atestados para este fim foram passados na região em outros atos eleitorais.

Garantiu apenas que "nas eleições autárquicas é quando há sempre mais procura".

Fonte: RTP

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