Pesquisadores russos desenvolvem nova técnica para utilização de células estaminais em lesões da medula

Cientistas russos da Sibéria desenvolveram uma técnica única de tratamento de pacientes vítimas de acidentes de trânsito, quedas, ferimentos por arma de fogo, lesões na medula espinhal, entre outros, e que perderam o movimento de parte do corpo.


Ela se baseia na surpreendente capacidade das células estaminais de se transformar em células de outros órgãos. Vale notar que cada transformação se opera segundo um esquema individual, pois cada organismo tem um conjunto único de sinais para pôr em ação uma cadeia de metamorfoses.

Por enquanto, os cientistas não conhecem todos os sinais, mas aprenderam a comandar as células do sistema nervoso. Usando diferentes sinais químicos, eles aprenderam a transformar as células-tronco em elementos do sistema nervoso, principalmente nos neurônios que conduzem sinais nervosos aos músculos, glândulas, pele e membranas mucosas.

Em princípio, os maiores laboratórios mundiais também sabem transformar células estaminais em células nervosas da medula espinhal. Mas, como acontece frequentemente na ciência, um método muito bem conhecido em teoria pode não funcionar na prática.

Segundo um cientista do projeto, no caso das células estaminais, a causa é a seguinte: cultivadas em uma matriz especial, as células são retiradas e transferidas para uma região afetada da medula espinhal. Mas essa transferência é prejudicial às células estaminais. Como resultado, muitas delas perdem suas funções ou até a vida.
“Aprendemos a evitar perdas. Transferimos as células sem retirá-las da matriz.

Isso nos permite restaurar quase completamente as funções da medula espinhal danificada e devolver aos paraplégicos a capacidade de se mover”, disse o cientista.
“Fizemos experiências em animais com uma ruptura total da medula espinhal.

Eles estavam completamente paralisados. Após o transplante de uma matriz com células-tronco, os animais começaram a se mover e tiveram as funções da bexiga, reto e de outros órgãos completamente recuperadas”, disse à “Rossiyskaia Gazeta” Ígor Baríchnikov, professor catedrático da Universidade de Krasnoiarsk, na Sibéria.

Por enquanto, as experiências só estão sendo realizadas em animais. Para começar operações em seres humanos, os cientistas necessitam de equipamento mais sofisticado e materiais de consumo, o que exige financiamento.

De acordo com o cientista, os pesquisadores já sabem como aplicar essa tecnologia inovadora em seres humanos. Contudo, podem surgir problemas legais decorrentes do uso de células estaminais.

Fonte: Ser Lesado

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