Crescemos juntos" no factor X: "deficientes", "normais", gordos, magros, inteligentes e os 'assim assim'...

"O meu amor tem um jeito manso que é só seu", canta Chico Buarque. E é verdade. Quem tem a experiência de um grande Amor sabe, na carne, que ele tudo abraça, tudo espera, tudo crê. O melhor e o não tanto. O que se percebe e o que não se percebe. Só assim as lágrimas cheiram de alegria. 

Cai ao colo de uma mãe, uma filha diferente dos seus outros três. Com uma grave deficiência. A avó arregaça as mangas, vende o que tem, pede o que não tem, e Acontece (faz uns meses) a "Associação Crescemos Juntos" e o "Colégio Alegria" , que já aqui referi noutra crónica. A avó quis "fazer" uma obra para todos. Para "fazer" felizes as pessoas diferentes, o que é afinal "qualquer um", porque cada um de nós tem um "factor X".

Hoje refiro dois eventos que se passam este fim de semana no Colégio, e digo uma palavras sobre Educação Especial. Pedi ajuda a uma especialista na matéria. Não que eu não experimente as minhas diferentes "deficiências". Mas não estou a brincar: eu não tenho a paralisia cerebral que "ela" tem e que a quer prender num lugar que não faço ideia o que é. O que é que ela sente? Sorri. Olha-me. E eu sorrio e digo palavras que não sei. Tenho apenas a Certeza que dependemos do mesmo Amor e de o que nos distingue - de forma tão violenta - não tem a última palavra. "O meu amor tem um jeito manso que é só seu". Os gestos que trocamos não são morais, são belos. Não sei bem o que se passa, que Beleza é esta, mas tenho a certeza que o caminho passa por crescer juntos.

A especialista falou-nos, ontem, da sua experiência no terreno da Educação Especial. Não gosta de citar os "mestres" nesta matéria, embora os conheça a todos: ela é um deles, já que auto-estima e conhecimento não lhe faltam. Esclarece-nos que o objectivo principal dessa educação é a inclusão, a qual nos situa num lugar onde não há espaço para confusões inúteis. Troca por miúdos: "Incluir quer dizer 'inserir num ou fazer parte de um grupo'; em educação também quer dizer fazer parte activa de um grupo de pares; quem de nós, em algum momento da nossa vida, já não se sentiu excluído??? Lembram-se da sensação que é???"

A educadora começa a falar e não se cala: "E em contrapartida, quem já teve o prazer de se sentir incluído??? Do sentimento de pertença a um grupo??? Lembram-se como é???" E arremata: "Pois é!!! Todos somos diferentes, duma maneira ou outra, e crescemos e enriquecemo-nos nessa diferença." Isto é: "nada garante que alguém aprenda mais com outro exactamente igual a ele...; antes pelo contrário, são as diferenças que nos despertam...e assim a inclusão é válida para TODOS!!!"

E para que não restem dúvidas: "o sentido da inclusão é o de que ela é válida para todos, mais e menos diferentes. E uma vez que todos o somos de uma forma ou de outra, a deficiência é vista como uma diferença, que se integra; como se faz com os gordos, os magros, os inteligentes e os assim assim. " A exclusão pertence "ao antigamente": deseja ela, e desejo eu. Quem não deseja?

E como isto "custa" e é preciso "pedir sempre", o Colégio tem este fim de semana um Leilão e um Open Day. Sábado, amanhã, o Leiria Nascimento faz um leilão de quadros (18h- 20h) a reverter a favor da Associação. Entre outras, há obras de João Paramés e Nuno Santiago. Até dia 28 de Outubro, alguns quadros de João Paramés estarão, desde amanhã, nas paredes do Colégio (e podem ser comprados).

Domingo é o Open Day (10h-17h): dar a conhecer serviços e atividades extra curriculares. Para mães, pais e avós com interesse em inscrever o seu filho no Colégio ou nessas atividades extracurriculares. Para pessoas do meio envolvente conhecerem o espaço e encontrarem nele uma "solução" para os "seus".

Fonte: Expresso

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