Tetraplégicos superam limites

Lesões nas vértebras cervicais, como ocorreu com a ginasta brasileira Laís Souza, podem paralisar todo o corpo e exigir o uso de aparelho para respirar. O Terra entrevistou tetraplégicos que conseguiram reconstruir a vida mesmo diante de uma perspectiva tão diferente.
O português Eduardo Jorge perdeu o controle do veículo, capotou várias vezes e foi arremessado a vários metros de distância. Em 1991, o uso do cinto não era tão difundido e ele estava sem a proteção. Eduardo fraturou as C5, C6 e C7 e recebeu o diagnóstico de “tetraplegia traumática completa”. Ele ficou internado quase um ano, período que passou dia após dia sendo medicado com morfina para suportar as dores da implantação das placas e parafusos usadas na reconstrução das vértebras. Eduardo conseguiu reaver parte do movimento dos braços, mas sua vida nunca mais foi a mesma.

Lembro-me que logo após o acidente tinha muito sangue na boca, foi necessário virar o pescoço de lado para não me sufocar, e até esse movimento só foi possível com ajuda de terceiros.

“Não mudei minha visão sobre o mundo e nem me tornei mais ou menos justo e solidário, mas a experiência adquirida me permite compartilhá-la com outras pessoas na minha situação, e dentro do possível ser útil”, disse. Como deficiente físico, Eduardo decidiu atuar por melhores condições para ele e outros tetraplégicos. Passou a estudar a legislação para deficientes, se tornou ativista da causa, e criou os sites Tetraplégicos e Nós Tetraplégicos para compartilhar informações e direitos garantidos por lei. “Se antes eu precisava lutar muito para alcançar os meus objetivos e sonhos, agora preciso lutar muito mais e me superar a cada dia”, contou.

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