Projecto Simon. Lisboa prepara dísticos anti-fraude para pessoas com deficiência

Aos cerca de oito mil detentores de dístico de estacionamento para pessoas com mobilidade reduzida
em Lisboa, juntam-se todos os anos mais algumas dezenas, que aproveitam as regalias do cartão mesmo sem terem direito ao uso. Por ser um cartão fácil de falsificar ou mesmo por ser emprestado a familiares do utilizador, é muitas vezes aproveitado por quem não precisa.

Para promover a redução de fraudes no uso cartão de estacionamento em Lisboa, a EMEL - Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa - apresentou ontem o projecto Simon, que pretende promover a acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida. As soluções tecnológicas vão ser implementadas em Lisboa, Madrid e Parma, num projecto piloto, para que depois seja possível criar um sistema único em toda a União Europeia.

"As cidades europeias lutam há muito tempo contra a fraude neste sector. Além da parte financeira, o mais preocupante é que estão a ser retirados lugares a quem realmente precisa", explicou Stephan Wagner, fundador da Locoslab, empresa responsável pela modernização do dístico. De um cartão azul plastificado, o documento vai passar agora a ter um chip identificador, com a tecnologia NFC incorporada, que permite a comunicação entre aparelhos numa distância até dez centímetros. Assim, o condutor pode estacionar no local apropriado e colocar o dístico visível no tablier do carro para que o fiscal, através de um smartphone, possa identificar o cartão como válido. As tecnologias, no entanto, não se esgotam na fiscalização.

O utilizador poderá aceder a uma aplicação que, depois de desenvolvida, terá informações por georreferenciação, o que permite saber quais os locais de estacionamento mais próximos para pessoas com deficiência e a sua especificação (em espinha, paralelo à vias, em parque ou na via pública). A equipa de trabalho está ainda a tentar acrescentar à app informações sobre transportes da Carris com acesso a pessoas que se deslocam em cadeira de rodas.

Nuno Sardinha, do departamento de mobilidade da EMEL, explicou ao i que o objectivo inicial em Lisboa passa por angariar 1500 utilizadores de dísticos para participarem no projecto piloto. "Só assim teremos dados suficientes para provar a validade do projecto e prepará-lo para ser implementado nos restantes países europeus", acrescentou. O responsável lembra que Lisboa está a trabalhar no sentido de melhorar a acessibilidade e é a única cidade do país com todos os lugares de estacionamento disponíveis gratuitamente para pessoas com mobilidade reduzida.

O projecto está a ser desenvolvido em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa, cujo plano de acessibilidade conta já com algumas propostas no que respeita à acessibilidade de pessoas com mobilidade reduzida. João Carlos Afonso, vereador com o pelouro dos direitos sociais lembrou que não é a inclinação da cidade que impede a melhoria dos acessos. "Estamos a trabalhar para que todos possam ter o direito fundamental de andar na rua com segurança", salientou.

Fonte: Jornal i

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