Vida Independente. Minha entrevista à Plural & Singular

O que representam 180 quilómetros percorridos de cadeiras de rodas entre Concavada, em Abrantes, e Lisboa? É o preço da visibilidade que um tetraplégico português quer dar a uma causa que se tornou quase uma questão de vida ou de morte. É o preço que arriscou pagar por uma luta que não é só dele, mas de todos os que, como ele, procuram que o Estado faça jus ao artigo 19.º da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência que ratificou em 2009.

Plural & Singular (P&S) - Depois do descanso merecido e de um maior distanciamento, que balanço faz da viagem de protesto que completou a 25 de setembro?
Eduardo Jorge (EJ) – Um balanço positivo, principalmente por ter conseguido chegar ao destino sem nenhum problema de maior.

P&S – Que momentos lhe marcaram mais?
EJ – Foram muitos. Vivi emoções inesquecíveis e momentos ímpares. Mas destaco o momento em que senti o apoio das primeiras pessoas ao sair da minha casa, o carinho do povo do Tramagal e do grupo que me esperava no Rossio ao Sul do Tejo. Pensei: afinal não estou sozinho.

P&S – Como foi o apoio que teve ao longo do percurso?
EJ – Não consigo explicar por palavras. A solidariedade por parte das pessoas comoveu-me. Houve pessoas que me acompanharam a pé durante algum tempo, de bicicleta durante vários quilómetros, de cadeira de rodas…o grupo de utentes do Centro de Apoio Social da Carregueira, presentes na berma da estrada com cartazes de incentivo, a senhora com idade avançada que me entregou um envelope fechado que continha 20 euros, o José Dias que se disponibilizou para cuidar de mim durante a noite de 24 para 25, as autarquias do Tramagal, Abrantes, Alpiarça, Almeirim e Alverca do Ribatejo que
tudo fizeram para ajudar, as pizzas oferecidas pela Pizza-Massas de Almeirim, a comidinha e miminhos trazidos pelo casal Fátima e Davide Susca, o inesquecível bolo de chocolate e ginjinha oferecida pela Anabela Fernandes, outros mimos trazidos pela Cristina Miguel, Sara Dias, bolos de noiva pelas colegas Lúcia e Luísa, visita do João Ramalho em circunstâncias muito especiais, carta entregue pelo casal Carraço, a calorosa e animada receção da Mithós em Vila Franca de Xira, etc., etc. ,etc.

P&S – Como foi a chegada a Lisboa?
EJ – Foi um grande alívio. Uma sensação de missão cumprida. E muito reconfortante verificar que alguns amigos me aguardavam.

P&S – Em termos práticos, O seu protesto surtiu o efeito que pretendia? Que desenvolvimentos trouxe à luta pela Vida Independente?
EJ – Sim, o objetivo era entregar no Ministério e Solidariedade e Segurança Social uma carta aberta e isso aconteceu. Desenvolvimentos somente a publicação de um comunicado por parte do governo onde informa que estão a trabalhar na criação da figura dos Assistentes Pessoais para pessoas com deficiência.

P&S – E agora, qual é o próximo passo?
EJ – Aguardar durante os seis meses que dei ao governo para cumprir promessas. Caso não cumpra o prometido vou voltar à greve de fome e desta vez até morrer.

Leia a reportagem completa na 9ª edição da Plural & Singular.

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