Jorge Falcato o nosso deputado

Após a saída dos resultados das eleições legislativas do último 4 de Outubro, a frase “Jorge Falcato o Nosso Deputado” da autoria de Cristina Fernandes, começou de imediato a circular pela internet.
Essa frase continha a esperança de muitos cidadãos com deficiência. Parecia o soltar do grito preso na garganta há muitos e muitos anos. E foi mesmo. Obviamente que não somos ingênuos ao ponto de esperar e pensar que a sua eleição por si só, vai resolver os nossos problemas, os problemas que nenhum Governo quis resolver, não, não se trata disso, mas sim o simbolismo que representa.

A nós, excluídos dos excluídos, que de tudo nos privam, conseguir esta vitória numa altura tão complicada é algo inesquecível. Embora a maioria da sociedade e Estado não nos considere como tal, nós somos cidadãos de pleno direito como os demais, e embora sejamos constantemente e continuamente ignorados pelo Estado, temos muito orgulho na nossa Pátria, e o facto de termos um nosso representante num órgão de soberania como a Assembleia da República, deixa-nos muito orgulhosos, têm de nos ver e ouvir, somos todos nós naquela cadeira de rodas como referiu e bem Rui Machado no texto de apoio à sua candidatura.

E esta alegria e orgulho, não surge somente por ser um de nós, em cadeira de rodas, a ter o privilégio de ser escolhido pelos eleitores no Circulo Eleitoral de Lisboa a estar ali presente, mas por ser quem é, o cidadão Jorge Falcato, um ser humano humilde, justo, dado, honesto, apaziguador...e que tenho o prazer de conhecer há alguns anos, e ao seu lado ter travado duras batalhas pela inclusão das pessoas com deficiência. Confidencio que sempre que realizei as ações de protesto conhecidas da maioria, foi sempre a primeira pessoa a quem comuniquei as mesmas, e com quem me aconselhei.

Foi através do seu colega arquitecto, Pedro Homem de Gouveia, que o conheci pessoalmente, ao chegar ao pé daquele ser aparentemente frágil, logo o trato por arquitecto Jorge Falcato, imediatamente me diz que arquiteto coisa nenhuma, que o tratasse somente por Jorge Falcato. Na altura tive a oportunidade de lhe mostrar o meu agradecimento e admiração por tudo o que fez ao longo destes anos pela nossa causa. Admiro muito esta velha guarda que luta pelos nossos direitos há muitos anos, se agora é difícil imaginem como não seria naquela altura. Graças a todos estes lutadores incansáveis conseguimos ter agora muitas portas abertas. Facilitaram-nos sem dúvida a vida.

Basta referir que a sua paraplegia foi adquirida enquanto se manifestava pela liberdade em tempos de ditadura. Foi alvejado por um tiro vindo de um policia. Também relembro que o Projeto-piloto de Vida Independente levado a cabo pela Câmara Municipal de Lisboa é obra da sua autoria. E como bem sabemos o Jorge Falcato é paraplégico (costumo dizer-lhe na brincadeira que o meu sonho é ser paraplégico como ele), felizmente não precisa de apoio de 3ºs para as suas atividades da vida diária, eu e muitos outros precisamos, mas mesmo não sendo um projecto que o beneficiasse não deixou de se entregar de corpo e alma de modo a torná-lo uma realidade.

É razão para agradecer também ao Bloco de Esquerda por ter acreditado nele. Já que toco no assunto partidos...Certo dia ao falar-se em politica refere: “sabes que sou de esquerda!” Eu: “Não sabia e nem me interessa”, e expliquei-lhe que é-me indiferente a cor politica dos meus amigos. Era o que faltava estar a escolher as pessoas pela sua cor politica, religião, cor, etc. Interessa-me é o que eles representam para mim. Já agora assinalo que nunca votei em partidos mas sim em pessoas e programas.

Para finalizar, quero destacar que a sua eleição já começou a dar resultados (AQUI), mas não estamos perante um herói todo poderoso que vai resolver todos os nossos problemas, mas pelo que conheço de si, uma coisa tenho certeza, irá dar o seu melhor em prol dos nossos direitos como o sempre fez, mas desta vez num lugar diferente, e espero, com outros apoios, basta verificar que mesmo

Boa sorte amigo!

Eduardo Jorge

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