“Qualquer dia, amo-te”

No passado dia 5 de Novembro, o Fórum de Ermesinde foi palco de mais um evento à altura do local que se pauta por possibilitar momentos de cultura relevantes. Rui Machado lançou o seu terceiro livro, “Qualquer dia, amo-te”. Com sala cheia. O acontecimento mereceu a presença do Sr. Presidente da câmara municipal de Valongo Dr. José Manuel Ribeiro ( que elogiou a “resiliência” do autor)e da diretora da Biblioteca Municipal, Drª Laura Moreira.


A ilustração da obra esteve a cargo de Carla Monteiro, o prefácio é de Goreti Dias e foi editado pela Mosaico de Palavras Editora. A apresentação esteve a cargo de Goreti Dias com a colaboração do dizeur Dionísio Dinis. João Arezes e Li Viana deram voz a alguns poemas do autor. A Animação musical foi da responsabilidade do grupo Lado A’Lado (Adrián Perez e Sérgio Nascimento) e de Dinis Meirinhos.

Rui Machado nasceu em 1983 na cidade do Porto e reside em Ermesinde. Tem um percurso literário digno de nota com a publicação ( em 2014) do seu primeiro livro de poemas “Finalmente mar “, seguindo-se “Uma forma de continuar” em 2015, obras com ampla aceitação no mercado. Tem participado em imensas antologias de prosa e poesia. O seu terceiro livro é constituído por “comoventes poemas que giram à volta de amor –amor fugidio e escasso, fiel e resplandecente. Qualquer dia, amo-te revela o autor como um poeta sensível e talentoso”, nas palavras de Richard Zimler. “Andar ao redor do mundo, com o mundo atrelado ao pensamento, não mete medo a homens com a arte, a coragem e o esforço de gente como Rui Machado”, diz Goreti Dias no prefácio. Na apresentação, diz da obra a dado momento: “O inusitado deixa-nos entre a admiração e a incapacidade para lidar com certas instabilidades emocionais emanadas dos seus poemas. 

Um sujeito poético flutuante e instável que Rui Machado conseguiu criar neste percurso de 127 páginas… e, ainda assim, mantê-lo coerente. Ou não fosse, também ele, um homem do século XXI, conhecedor da brutalidade de cada um de nós, num tempo em que as necessidades imediatas não são as suas borboletas, mas sim a materialidade explícita da diversão imediata, no nosso exterior, numa degradação do sentimento e da alma em prol da destruição que, paradoxalmente, tentamos evitar a todo o custo. Uns mais que outros, é um facto. Mas somos sempre nós e o nosso contrário, nessa luta entre a sensibilidade e o utilitarismo. Sempre a borboleta e o cavalo do seu poema”.

Mas Rui Machado não é apenas um excelente escritor. É também um homem de atividade social intensa. Licenciado em Psicologia da Saúde e mestre em Psicologia clínica, une a sua formação académica a atividades em defesa das pessoas com deficiência. É membro da comissão coordenadora dos (d)Eficientes Indignados, da direção do Centro de Vida Independente, da Comissão de Ética da Associação do Porto de Paralisia Cerebral, do grupo “Sex and Relationships” da European Network on Independent Living e cocriador do movimento ligado à desmistificação da sexualidade das pessoas com diversidade funcional “Sim, nós fodemos”. Entre as suas variadas atividades ligadas a estas áreas, fez formação em Multimédia e trabalhou em publicidade.

No último ano, esteve envolvido no Projeto Janelas onde, junto de cuidadores e técnicos, se procurou promover o desenvolvimento psicoafectivo de pessoas com neurodiversidade.

Um autor cujo nome convém fixar.

Fonte: Jornal Novo de Valongo

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