Centro de reabilitação de Alcoitão fecha camas por falta de médicos

Das 134 camas de internamento para adultos, cerca de um quarto encerrou por causa da falta de fisiatras. Santa Casa da Misericórdia de Lisboa diz que tem procurado contratar médicos para resolver o problema, mas não obteve resposta ao anúncio. Média de tempo de espera para internamento ronda seis a oito semanas.


O Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão (CMRA) fechou 32 das 134 camas de internamento para adultos, ou seja, cerca de um quarto, por causa da falta de médicos fisiatras. A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, a quem pertence esta unidade especializada na recuperação de doentes com lesões vertebro-medulares, amputações ou vítimas de acidentes vasculares cerebrais (AVC), diz que tem procurado contratar médicos para resolver o problema, mas não obteve resposta ao anúncio.

O internamento de Alcoitão, que aceita doentes referenciados pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS), está dividido em três enfermarias: uma para pediatria com 16 camas e duas de adultos que, no conjunto, fazem 134 camas. E foi nesta última que foram encerradas cerca de um quarto das camas por causa da falta de fisiatras.

“O problema está sobretudo na falta de fisiatras. Nos últimos cinco anos o número de médicos passou para cerca de metade. Actualmente são 15, sendo que apenas oito estão com um horário de 42 horas semanais em exclusividade. Há cerca de três meses encerraram 32 camas do internamento de adultos por causa da falta de médicos. Alcoitão é dos centros mais importantes que existem no país na resposta a doentes politraumatizados”, refere ao PÚBLICO o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Jorge Roque da Cunha.

O gabinete de comunicação da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) confirma “o encerramento de cerca de 30 camas por falta de fisiatras”, acrescentando que este é um problema que afecta não só o CMRA, mas vários hospitais do país. Quanto a enfermeiros, a unidade tem 114, “não havendo necessidade de contratação”.

O mesmo não se aplica aos médicos. “A contratação de mais fisiatras para Alcoitão permitirá aumentar a capacidade de resposta e, consequentemente, voltar a disponibilizar as camas que foram encerradas”, explica a SCML, que adianta que colocou um anúncio para recrutamento de médicos, mas “infelizmente, e atendendo à especificidade do Centro de Alcoitão e dos seus utentes, não se obteve qualquer candidatura”.

Na passada terça-feira, Alcoitão tinha 77 doentes em lista de espera (37 mulheres e 40 homens). A SCML garante que “o encerramento de camas não teve praticamente impacto no aumento da lista de espera para internamento, sobretudo devido ao esforço dos profissionais”. E sublinha que o número de doentes em lista de espera é dinâmico devido a reinternamentos e altas adiadas por agudização do estado clínico do doente.

“De referir ainda os casos sociais que têm vindo a aumentar significativamente, o que impede o hospital de conceder alta ao utente em tempo útil”, salienta a SCML. A média de tempo de espera para internamento ronda “seis a oito semanas”, podendo ser imediato se o caso clínico o justificar.

O centro de reabilitação está também a ser alvo de obras de melhoria, que deverão estar concluídas dentro de um ano. “A curto prazo serão realizadas obras de beneficiação na ala de internamento da pediatria e no serviço 3 de adultos (duas alas), contudo sempre de forma faseada para que sejam cumpridos todos os requisitos, por modo a assegurar os serviços clínicos e a causar o mínimo transtorno possível”, assegura a SCML.

Além de Alcoitão, existem mais quatro centros de reabilitação: o Centro de Reabilitação do Norte, o Centro de Reabilitação Rovisco Pais, no Centro, e o Centro de Reabilitação de S. Brás de Alportel, no Algarve. Questionada sobre se pretende abrir mais camas, a SCML responde que não, pois “dentro do número de centros de reabilitação a nível nacional, o CMRA é aquele que tem a maior taxa de ocupação”.
Reinício das negociações

Na quinta-feira, os dois sindicatos médicos — SIM e Federação Nacional dos Médicos — reuniram com o novo provedor da SCML, Edmundo Martinho, para reiniciar o processo de negociação da carreira médica na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

“O SIM está muito esperançoso com a intervenção do novo provedor”, adianta Jorge Roque da Cunha. No encontro, os sindicatos entregaram um documento com as questões que querem ver abordadas ao provedor, que irá responder posteriormente. O encontro aconteceu depois de vários pedidos de reunião e de uma carta enviada pelos dois sindicatos em Junho, onde referiam a necessidade de negociar a contratação colectiva.

Fonte: Público

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