Cuidadores: Recusou quimioterapia para cuidar das filhas

Helena Lagartinho, 56 anos, é o exemplo de uma "mãe coragem", que deixou tudo para cuidar das filhas gémeas, deficientes motoras. Os últimos 22 anos desta família são uma história de amor, inconformismo e superação. Recentemente, a mulher até recusou um tratamento de quimioterapia para não perder força e poder continuar a cuidar das filhas.


A vida de Helena Lagartinho, residente em Massamá, Sintra, tem sido uma luta constante por uma vida mais digna para as filhas. Graças aos seus esforços, as jovens fizeram o ensino secundário e estão prestes a concluir a, para muitos, "impensável" licenciatura. "Até na família me diziam que não valia a pena. Que, se nem para os que andam há empregos, quanto mais para elas", desabafa ao JN.

Movida pela força e pelo amor de uma mãe, continuou a desbravar caminho. Pelo caminho teve até um diretor de uma escola que lhe sugeriu que "inscrevesse as meninas numa CERCI", ou que a obrigou a fazer um seguro de acidentes pessoais para poder entrar na escola e levar as filhas às casas de banho no intervalo das aulas. Episódios que roçam o chocante, mas que não desarmaram a mulher que esta sexta-feira integrou o grupo que esteve no Parlamento a bater-se pela criação do estatuto do cuidador informal.

Inês e Rita foram duas das três gémeas nascidas a 7 de setembro de 1995, com 29 semanas de gestação. Ambas estiveram apenas 48 horas ligadas ao ventilador, ao contrário da irmã Carolina, que ficou um mês e meio. "Chamei a atenção da médica, que era cedo para respirarem sem assistência, mas respondeu-me que ela é que sabia e que um ventilador custava 280 contos (1400 euros) ao Estado por dia", recorda.

Ironia do destino, meses mais tarde quando Carolina, a terceira gémea, teve alta, os médicos dir-lhe-iam que as hipóteses de sobrevivência desta menina eram "mais reduzidas". "Chegaram a dizer-me para não me apegar muito a esta filha", conta. Afinal, foi a única que cresceu sem qualquer problema de saúde.

A Inês e a Rita acabou por ser diagnosticada uma lesão cerebral denominada leucomalácia. Helena Lagartinho, contabilista de profissão - "adorava o meu trabalho", recorda -, esteve três anos de licença sem vencimento e acabou por se despedir. Nunca mais trabalhou. "Escolhi cuidar das minhas filhas, em vez de as institucionalizar". De então para cá, não foi fácil a rotina. "Ia sempre à escola nos intervalos das aulas para as levar à casa de banho", conta. Em casa, a tarefa também não é fácil. "Se eu deitar a Inês para o lado direito e ninguém a for virar, ela fica naquela posição sempre", observa.

"O céu é o limite"
A mãe - que, além das três gémeas, tem mais duas filhas, de 26 e 38 anos - tem as tarefas bem delineadas. "Visto-as, dou-lhes banho, ajudo-as a comer, levo-as às atividades e volto a deitá-las".

Inês já escreveu um livro de poesia e Rita participa em provas nacionais e internacionais de dressage, desporto com cavalos. A primeira está no curso de Estudos Portugueses e a irmã em Comunicação e Cultura. Ambas têm já mais de metade dos créditos necessários. E não há limitação física que trave a ambição das jovens. Inês quer fazer Erasmus em Inglaterra, Rita conta chegar cada vez mais longe no Dressage.

A mãe não esconde o orgulho e considera que valeu a pena. A determinação é tão forte que nem desanimou quando lhe foi diagnosticado um problema oncológico: "Apenas recusei a quimioterapia para não perder força e poder continuar a cuidar delas". Afinal, para mãe e filhas, "o céu é o limite" - o espírito do livro escrito por Inês, com o título "Com Passos".

Fonte: JN

Comentários

  1. Boa noite grande mae corajosa,nem tem medo que o temor avance,so por amor as filhas,pois só Deus as pode proteger.Desejo- lhe toda a sorte do mundo parabéns

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