domingo, 9 de agosto de 2015

Resposta do INR à minha ida para o Centro de Apoio Social da Carregueira

Exmo. Sr. Eduardo Jorge,

Na sequência do correio eletrónico de V. Exa de 9 de julho, que muito agradecemos, vimos manifestar o nosso respeito pela manifestação da sua autodeterminação e dignidade com que sempre se apresentou pelos valores em que acredita, designadamente pela igualdade de oportunidades e valorização das pessoas, em particular das pessoas com deficiência, valores comuns para a prossecução da missão do INR,I.P.

Informamos ainda que na esteira do que tem sido a atuação deste Instituto, continuam a ser envidados esforços no sentido de se tornar efetiva a possibilidade de escolha por parte das pessoas com deficiência no que concerne à sua inclusão na sociedade, bem como a oportunidade de plena participação na vida pública em condições de igualdade com as demais pessoas.

Desejamos-lhe rápida recuperação e sucesso para o novo desafio profissional.

Com os melhores cumprimentos,
P’Conselho Diretivo
UCGP - Unidade de Coordenação e Gestão de Parcerias
inr@inr.msess.pt
Av. Conde de Valbom, 63 | 1069-178 Lisboa
Tel: (+351) 217 929 500 | Fax: (+351) 217 929 596 | Website: www.inr.pt

EU: O INR é uma entidade pública responsável pela área da deficiência cuja missão é promover os direitos das pessoas com deficiência. Nas minhas reuniões tidas com o Governo fez-se sempre representar pelo seu presidente, Drº José Serôdio, por isso o assunto Vida Independente não  lhe é estranho, mas assim como o Governo, limita-se a prometer e não cumprir.  

Reação da APD à minha institucionalização

Exmo. Senhor Eduardo Jorge,

O Secretariado Executivo da Direcção Nacional da Associação Portuguesa de Deficientes lamenta que tenha sido obrigado a tomar uma decisão contrária à sua vontade e que decorre da ausência de medidas tomadas pelos sucessivos governos de Portugal que assegurasse a autonomia e independência dos cidadãos com deficiência.

Temos a firme convicção de que nos voltaremos a cruzar na luta pela promoção e defesa dos direitos das pessoas com deficiência.

Com os melhores cumprimentos

O Secretariado Executivo da
Direcção Nacional
O Vice-Presidente
Ricardo Silva


Associação Portuguesa de Deficientes
Largo do Rato, 1B - 1250-185 Lisboa
Tele: Geral: 213889883/4; Directo: 210965791; Fax: 213871095;
info-sede@apd.org.pt APD Lisboa APD - Associação Portuguesa de Deficientes | Facebook

Organização Não Governamental, fundada em 1972, com Estatuto de Utilidade Pública. Agraciada com o Prémio Direitos Humanos 2009 e e com o título de Membro-Honorário da Ordem do Mérito da República Portuguesa em 2014.

EU: Referem que nos voltaremos a cruzar na luta pelo direito das pessoas com deficiência. Estão equivocados, que me lembre nunca responderam positivamente aos vários convites que lhes enderecei. 

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

A adaptar-me à nova casa...

Cá estou eu a conhecer os cantos á minha nova casa. Como previa esta nova etapa da minha vida não tem sido fácil. 1º dia foi o mais difícil e o momento que mais mexeu comigo pela negativa foi a entrada no refeitório para jantar. Durante o dia estive a arrumar a "casa"com a ajuda dos meus afilhados e não houve tempo para pensar ou sentir.

Mas ao deitar sentia-me perdido, com a cabeça "oca", sem forças sequer para raciocinar. Não me recordo de alguma vez ter passado por algo do género. Foi muito estranho. Desejei como nunca a chegada da meia noite para me virarem e refugiar-me no sono. Felizmente consegui. Acordei algumas vezes durante a noite mas consegui repousar o suficiente para acordar com outras forças. O segundo dia serviu para explorar com outros olhos todo o espaço e começar a criar rotinas. Momento das refeições já foi encarado com outra naturalidade, assim como o meu relacionamento com o espaço. No 3º dia comecei a aceitar a mudança.

Depois do forte impacto emocional causado pela institucionalização, o processo de adaptação tem evoluído dentro da normalidade. Embora a instituição tudo esteja a fazer para me proporcionar uma adaptação em pleno, continua a ser complicado para mim, pois a perda do vínculo afectivo com as pessoas que faziam parte do meu círculo social e da minha comunidade, assim como o meu desenraizamento e a sensação de perda de identidade, e de estar a sofrer uma punição continuam presentes.

 Mas também sei que já tinha uma história antes de entrar para a estrutura residencial. Agora é dar continuidade a essa história e aos meus desejos e ambições. Não vim para aqui, para ver passar os dias sem perspectivas de futuro. Quero continuar a sentir-me útil, por isso já comecei a definir objectivos e metas a atingir.

Bem sei que as necessidades funcionais de uma estrutura residencial e as necessidades individuais dos seus clientes nem sempre são coincidentes e compatíveis. No que toca ao Centro de Apoio Social daCarregueira (CASC) sinto-me tratado com muito respeito e carinho por todos. Um dos exemplos que comprovam esse respeito acontece quando solicito algo, pedem-me que seja eu a guia-los e não o oposto. É muito bom sentir que respeitam a minha individualidade. E não se passa somente comigo, noto o mesmo procedimento por parte dos colaboradores com todos os outros idosos.

No CASC, o “cuidar” não se resume somente a uma prestação de serviços, envolve também uma relação afectiva assente no interesse e consideração por nós enquanto pessoas.

Além do factor bem cuidar, existe a vantagem do espaço ser novo e possuir excelentes condições. O CASC possui duas valências: Apoio Domiciliário já existente há alguns anos e estrutura residencial com capacidade para 53 idosos recentemente inaugurada. Maioria dos quartos que compõem a estrutura são individuais. São quartos amplos com wc adaptado e privativo, ar condicionado, camas e colchões adequados e possuem duas portas, sendo uma delas de vidro com acesso ao espaço exterior.

Quanto á alimentação embora não seja dos mais exigentes, posso adiantar que possui sabor e as sopas não costumam ser o que sobra do almoço com o acréscimo de uma grande  quantidade de água como geralmente acontece neste género de instituição. Uma certeza tenho, não encontraria melhor Instituição que esta para me receber, por isso resta-me olhar em frente e continuar a minha história e luta. 

A minha despedida

Foi muito estranho entrar no recinto e ver tanta gente amiga à minha espera. Nunca pensei que 70 e tal amigos se dessem ao trabalho de se irem despedir de mim. Foi inesquecível. Um momento muito emotivo que ficará para sempre no meu coração. Alguns percorreram centenas de quilómetros para estarem presentes como foi o caso da Cristina, Mário, Maria, Eduardo Carrêlo, Sara Batista.


 Esteve tudo perfeito. Obrigado a todos os presentes, à União das Freguesias de Alvega e Concavada pelas lembranças e Vina Mourato e Sónia Guerreiro pelo trabalho despendido na organização, assim como a todos que colaboraram para este almoço de homenagem.

Em video...


quarta-feira, 15 de julho de 2015

Tetraplégico de Abrantes confessa-se vencido pelo sistema

Eduardo Jorge, o tetraplégico de Abrantes que se tem destacado na luta pela implementação do processo legislativo da Vida Independente, vai ser institucionalizado no Centro de Apoio Social da Carregueira (CASC), concelho da Chamusca, no próximo dia 21 de julho.

Num longo texto publicado no seu blog pessoal, o próprio explica que se viu praticamente obrigado a tomar esta decisão contra a sua vontade, depois de vários anos a lutar pelo direito dos cidadãos portadores de deficiência permanecerem nas suas casas e ambientes familiares.

"Sinto-me como se estivesse a fazer algo muito errado, a desiludir alguém, a entregar os pontos e a dar-me como vencido", desabafa Eduardo Jorge, que explica que não pode continuar a viver sozinho 16 horas por dia, num estado de saúde frágil que necessita de acompanhamento permanente.

Além da dependência, o CASC ofereceu emprego a Eduardo Jorge, que inicia funções no próximo dia 1 de agosto, deixando assim de prestar serviço na União das Freguesias de Alvega e Concavada, concelho de Abrantes, onde terminou um estágio de inserção profissional.

No texto, Eduardo Jorge agradece a "humanidade" e a forma como tem sido tratado e acompanhado pelos responsáveis do CASC, que conheceu aquando da sua viagem de protesto a Lisboa.

Recorde-se que, em setembro de 2014, este tetraplégico de 52 anos cumpriu uma viagem de 180 quilómetros por estradas nacionais em cadeira de rodas entre a aldeia onde reside, Ribeira do Fernando, Concavada, concelho de Abrantes, e o Ministério da Solidariedade Social, em Lisboa.

Na capital, e acompanhado por outros cidadãos ligados ao movimento (d)Eficientes Indignados, Eduardo Jorge entregou um manifesto onde são reivindicadas alterações legislativas que permitam às pessoas com deficiência e necessidade de assistência permanecer em casa, contratar o seu próprio assistente e escapar ao internamento em lares de idosos.

"Estou a viver um turbilhão de sentimentos e sensações, pior de tudo é esta sensação de não estar a fazer o certo", escreve ainda o autor, para quem "é difícil não sentir uma sensação de derrota" e de ter sido vencido pelo sistema, uma vez que "é impossível continuar a viver nestas circunstâncias".

"Vou tentar resolver os problemas de saúde que me têm surgido, e criar condições para poder continuar ainda mais forte e convicto", acrescenta ainda Eduardo Jorge, garantindo que não vai desistir de lutar

"Minha grande angústia reside no facto de ainda não ter conseguido, através das ações de luta que me propus, alterar esta politica da institucionalização compulsiva levada a cabo pelo governo. Meu grande dilema não é institucionalização em si, mas o facto de ser obrigado a isso, de não existirem outras alternativas para quem depende do apoio de terceiros", conclui Eduardo Jorge.

Minha despedida

Estão todos convidados


quinta-feira, 9 de julho de 2015

Vou ser institucionalizado. O sistema venceu?

Há vários dias que procuro em vão palavras para iniciar este texto.

Até agora não surgiram.

Chego a sentir que estou a fugir do assunto, a adia-lo, que não o quero fazer, outras vezes penso que é necessário esperar o momento e o local certo...

mas hoje, dia 01/07/2015, 22h14, ao som do Rui Veloso, deitado como me deixou a Rafaela e até que a Euridice não me venha voltar a posicionar lá pela meia-noite, esboço um tentativa de finalmente começar a escrever.

Isto de deitar cá para fora através da escrita o que vai na alma pelos vistos não é fácil.
Ainda por cima quando se trata de resumir emoções desconhecidas. Estou a viver um turbilhão de sentimentos e sensações, pior de tudo é esta sensação de não estar a fazer o certo, sinto-me como se estivesse a fazer algo muito errado, a desiludir alguém, a entregar os pontos e a dar-me como vencido...neste momento é o que sinto, e magoar os outros, mas principalmente a mim, é algo que quero evitar.

A minha luta pela desinstitucionalização é conhecida por todos, mas eu vou institucionalizar-me dia 21 de Julho próximo. Esse facto está a fazer-me muito mal. É difícil não sentir uma sensação de derrota.

É muito complicado estar nesta posição. Sinto-me muito confuso.

Mas tenho que aceitar de uma vez por todas que continuar a viver sozinho, durante 16 horas do dia, neste estado frágil de saúde que me encontro não posso continuar. Suores persistem, escara idem, intestinos e bexiga não me dão sossego.

É impossível continuar a viver nestas circunstâncias.

Além do factor saúde e impossibilidade de continuar sozinho existiram outros motivos que me levaram a optar por me mudar para um lar. São eles: Uma fantástica e inesperada oferta de emprego que me foi dirigida pelo Centro de Apoio Social da Carregueira (CASC); a impossibilidade de continuar a trabalhar onde me encontro, com contrato após o término do estágio profissional que estou a realizar na União das Freguesias de Alvega e Concavada (UF), e o facto da proposta de emprego me ter sido dirigida por pessoas muito especiais e que têm a minha admiração pela maneira humana como administram a minha futura Instituição. Pessoas essas que conheci aquando da realização da minha viagem de protesto até Lisboa em cadeira de rodas.

Ter um trabalho hoje em dia é um enorme privilégio, ser-se desejado como foi o meu caso é uma sensação maravilhosa. Após adquirir a minha deficiência só tive direito a estágios ao abrigo dos programas de emprego subsidiados pelo IEFP e (contratos de emprego-inserção +) praticamente mendigando…sem dúvida que o factor emprego conta muito, mas não vou deixar de ser obrigado a habitar num lar de idosos.

Vamos aos factos: irei mudar-me para o CASC, no dia 21 próximo, e iniciarei funções a partir do dia 01/08/2015. Estive hoje na Instituição a escolher o quarto e a esclarecer últimas dúvidas.

Agora é preparar a mudança e retribuir com trabalho a confiança que a direcção do CASC depositou em mim.

DESISTI DE LUTAR?

Não, desistir nunca será uma opção, mas as minhas limitações levaram a melhor por enquanto. Vou tentar resolver os problemas de saúde que me têm surgido, e criar condições para poder continuar ainda mais forte e convicto.

Tinha a continuação da greve de fome programada para o passado dia 10/6, mas nestas condições e circunstâncias era impossível realiza-la, facto que me doeu muito e ainda dói.

TRISTEZA

Sair da minha casa e meu ambiente social, onde adoro viver e queria continuar. Separar-me dos meus cães Aramito com 5 anos, e Kiko com 1, assim como das plantas que me foram deixadas pela minha mãe e minha horta, está a ser muito doloroso.

AGRADECIMENTOS

Principalmente à população da Concavada e Ribeira do Fernando, assim como restantes moradores da União das Freguesias por tudo que me ensinaram.

Ficarão para sempre no meu coração.

Cá no fundo existe a esperança de voltar um dia, por isso deixo não um adeus mas um até breve.

Saio com a convicção de dever cumprido. Nunca esquecerei estes quase 4 anos de crescimento e aprendizagem, numa área que quanto a mim não é explorada como deveria ser no percurso académico, pois existe cada vez menos preocupação em promover a dignidade e o valor das pessoas no interior do nosso país, anos esses que me deixam com uma sensação de conquista e vontade de continuar a aprender e desafiar as minhas capacidades, desta vez noutro lugar.

Espera-me um novo desafio que será encarado com enorme orgulho e a mesma determinação e paixão de sempre.

Também não poderia deixar de agradecer ao anterior executivo da Junta de Freguesia da Concavada, assim como aos actuais membros que dirigem atualmente a recém criada União das Freguesias de Alvega e Concavada, pela oportunidade que me deram de trabalhar numa área que tanto prazer me dá (Serviço Social), a todos os meus colegas, Câmara Municipal de Abrantes, Centro de Reabilitação Infantil de Abrantes, principalmente Drº Humberto Lopes, e ainda a Dra Lurdes Botas do Serviço de Emprego de Abrantes pelo excelente trabalho que está a realizar em prol da empregabilidade das pessoas com deficiência no nosso Concelho.

Um obrigado muito especial ao Sr Joaquim Catarrinho pela sua dedicação e carinho ao  cuidar das minhas maleitas físicas e não só durante vários anos, e às minhas cuidadoras Lidia Correia, Euridice Varela e Rafaela Fialho pela paciência que tiveram comigo. Deveria agradecer a muitas mais pessoas, mas o espaço não o permite, sendo assim quero que saibam que ficarão sempre no meu coração. A todos vocês o meu muito obrigado!

Para finalizar quero deixar bem claro que me sinto um afortunado por poder continuar a trabalhar, e sou muito grato a quem me realizou o convite. Minha grande angústia reside no facto de ainda não ter conseguido, através das ações de luta que me propus, alterar esta politica da institucionalização compulsiva levada a cabo pelo nosso Governo. Meu grande dilema não é institucionalização em si, mas o facto de ser obrigado a isso, de não existirem outras alternativas para quem depende do apoio de terceiros, mas principalmente o facto de eu não ter ainda conseguido reverter esta situação através das ações de luta que tenho realizado.

Eduardo Jorge

quinta-feira, 2 de julho de 2015

A Vida Independente cada vez mais perto em Lisboa

Foi dado mais um importante passo para a concretização da Vida Independente em Portugal. Teve lugar ontem a eleição dos corpos sociais do Centro de Vida Independente, que irá gerir o Projecto-Piloto promovido pela Câmara Municipal de Lisboa.

A actividade do CVI não se esgotará na gestão do referido projecto-piloto. Os objectivos são mais vastos, tal como consta no regulamento interno, também ontem aprovado:

-Fomentar a inclusão social e a melhoria da qualidade de vida das pessoas com deficiência;

-Promover a filosofia de vida independente entre as pessoas com deficiência, público em geral, decisores políticos e administrações central, regionais e locais;
-Contribuir para a criação de Centros de Vida Independente e estimular a solidariedade e estabelecimento de redes entre eles.

Será esta a orientação geral da actividade do CVI e dos seus corpos sociais agora eleitos.

Fonte e mais informações: Vida Independente LX

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Não sou doente para ser obrigado a viajar de ambulãncia

Minha nova crónica no Jornal Abarca.
É isso mesmo, porque razão me obrigam a usar a ambulância como único meio de transporte se não sou doente? Resposta é óbvia. Sou obrigado a fazê-lo porque não existem outras alternativas. Moro numa aldeia (Concavada) a aproximadamente 20 km de Abrantes, nosso Concelho e cidade mais próxima. Escusado será dizer que assim como os demais, também tenho necessidade de me deslocar até lá, visto a maioria dos serviços de saúde, educação, lazer, institucionais e comércio se encontrar por lá.

Mas como viajar sem ser de ambulância, se não existem transportes públicos ou táxis adaptados? Adquirir um veículo adaptado às minhas necessidades está fora de questão por questões financeiras, pois não fica por menos de €65.000 Já se imaginaram nos tempos de hoje sem um transporte próprio? É difícil só de imaginar, mas com a maioria dos tetraplégicos isso ainda acontece. Connosco acontece isso e muito mais. A sociedade está repleta de barreiras para as pessoas com deficiência, a falta de transportes adaptados é mais uma delas, para nós, o simples sair de casa torna-se um desafio

Mas por aqui até as ambulâncias adaptadas são escassas. Só existe um veículo adaptado na delegação da Cruz Vermelha de Abrantes (20 km minha residência) e mais algumas ambulâncias pertencentes aos Bombeiros Voluntários de Constância (a 30 km de onde vivo). Táxi adaptado mais próximo, fica em Torres Novas, a aproximadamente 60 km da minha residência.

É caso para dizer que são poucos e caros os veículos adaptados. Os preços nas ambulâncias rondam os 0,75 cêntimos por quilómetro e €20 por cada hora de espera, o que faz com que uma simples viagem a Abrantes, cidade mais próxima, custe no mínimo €95, isto sem incluir valor da(s) hora(s) de espera, e preço para não sócios, pois os sócios beneficiam de um desconto de 20%. Já a viagem em táxi adaptado sem incluir valor horas de espera, ronda os €80.

Á dificuldade do preço, junta-se a proibição de viajarmos mais de duas pessoas em simultâneo nas ambulâncias, só permitem que viaje com um acompanhante, e tenho essa “regalia” porque sou dependente. Dividir as despesas por vários ocupantes seria uma maneira de tornar as viagens mais acessíveis financeiramente, mas está fora de questão, não é permitido nas ambulâncias, já o taxista permite-o. Nas ambulâncias, para além do motorista também sou obrigado a ser acompanhado por um socorrista, assim impõe a lei, isto porque supostamente este tipo de veículos só tem como funções o transporte de doentes. Aí, está, utilizo o transporte, sou um doente susceptível de necessitar de cuidados médicos e ponto final.

Mas não posso viajar sem ser num veículo adaptado? Sim, mas é muito mais complicado. Implica ter apoio de alguém que me consiga transferir para um veículo normal, geralmente é necessário mais do que uma pessoa, assim como possuir uma cadeira de rodas elétrica desmontável e de fácil manuseamento, e o veículo possuir um porta bagagens amplo que permita transporte da cadeira. Em cadeira de rodas manual simples, que seria mais fácil manusear e transportar, não consigo sentar-me e conduzi-la.

A juntar a tantos outros, a falta de transporte é mais um dos inúmeros fatores de exclusão das pessoas com deficiência no nosso país, e não se pense que esse fator só existe no interior do país, acontece também na maioria das nossas cidades. Como ter acesso ao emprego, educação etc, se nem de casa podemos sair?

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Parlamento debateu a petição sobre residências e melhoria dos cuidados prestados a pessoas com deficiência motora grave

Intervenções no Parlamento, dos deputados do Partido Comunista Português e Partido Socialista,  no âmbito da petição sobre residências e melhoria dos cuidados prestados a pessoas com deficiência motora grave apresentada pela SUPERA - Sociedade Portuguesa de Engenharia de Reabilitação e Acessibilidade.

Deputado David Costa do PCP


Deputada Idália Serrão do PS

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Últimas noticias sobre o Centro de Vida Independente de Lisboa


Adolf Ratzka – Sócio Honorário do CVI


Aproveitando a sua estadia em Portugal, para participar numa conferência promovida pelas Eurocidades, o Centro de Vida Independente (CVI) reuniu com Adolf Ratzka. Uma oportunidade para esclarecer muitas dúvidas e aprender com a longa experiência de alguém que é uma referência no Movimento Internacional de Vida Independente. Pelo contributo de uma vida na emancipação das pessoas com deficiência, decidiu o CVI que Adolf Ratzka fosse o seu primeiro sócio honorário. Dada a estima e consideração que todos temos por este exemplo de vida e pela pessoa, ficámos muito satisfeitos e honrados com a aceitação da distinção que propusemos. Para quem não está a par da actividade de Adolf Ratzka, aqui deixamos uma breve nota curricular:
Economista na área de Investigação no Royal Institute of Techonology, em Estocolmo, entre 1978 e 1994, foi também Coordenador do CIB (International Building Research and Documentation Council) – Building Non–Handicapping Environments, durante doze anos, tendo neste âmbito organizado conferências internacionais em Praga (1987), Tóquio (1988), Budapeste (1991), Harare (1992) e Montevideo (1992).

Até 1982 fez investigação nas áreas da desinstitucionalização de idosos e pessoas com deficiência, sistemas de assistência pessoal e apoio domiciliário e acessibilidade na habitação e nos edifícios públicos.

Como consultor da SHIA – Swedish Handicapped International Aid Founation, promoveu e concebeu um projecto para a produção de cadeiras de rodas em Manágua, Nicarágua, sendo a maior na América Central e ainda em laboração, desde 1984.

Director e fundador do Instituto de Vida Independente, na Suécia, é ainda Membro do Conselho do Swedish Ombudsman on Disability Issues, desde 1994.

Fundador e membro da Direcção da STIL, Stockolm Cooperative for Independent Living, entre 1984 e 1995, membro do World Institute on Disability, em Oakland, Califórnia, desde 1985. Fundador da ENIL, European Network on Independent Living, é ainda Secretário do Comité para a Vida Independente da Disabled People’s International.


Eleição dos corpos sociais do CVI

Depois de intenso trabalho na definição da futura actividade do Centro de Vida Independente (CVI) tendo-se legalizado a Associação e elaborado o regulamento interno e o manual de procedimentos do serviço de assistência pessoal, chegou a altura de eleger os corpos sociais do CVI. Vamos eleger a Mesa da Assembleia Geral, a Direcção e o Concelho Fiscal. É já na próxima 3ª Feira, dia 30 de Junho às 18h no Edifício Central da CML no Campo Grande nº 25. 

Se tem uma deficiência e quer associar-se ao CVI, é uma boa altura para aparecer. Recordamos que será o CVI que irá gerir o projecto-piloto de Vida Independente promovido pela Câmara Municipal de Lisboa

Junte-se a nós. Quantos mais formos a querer uma mudança na vida das pessoas com deficiência, mais cedo ela terá lugar.


CVI Procura Técnico Oficial de Contas

 
Procuramos Técnico Oficial de Contas (TOC) para ficar responsável pela contabilidade do Centro de Vida Independente. Dada a discriminação que existe no acesso ao emprego, nós fazemos discriminação positiva. Queremos alguém com deficiência.

Caso tenha uma deficiência, esteja inscrito na Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas e queira trabalhar connosco, envie email com o seu currículo para vidaindependente.lx@gmail.com.

Fonte e mais informações: Vida Independente LX

domingo, 7 de junho de 2015

Eu e a SUPERA juntos

Foi com muito prazer que recebi em minha casa o David Fonseca, presidente da SUPERA - Sociedade Portuguesa de Engenharia deReabilitação e Acessibilidade.

Veio dar-me a conhecer um projeto impressionante e convidar-me para fazer parte do mesmo. Convite que muito me honrou e aceitei de imediato.


Existirão mais detalhes em breve.