Ser deficiente é fixe!

Minha nova crónica no Jornal Abarca...

Take 1:
Toca o telefone, atendo-o, e do outro lado da linha... Está lá? É o Sr Eduardo Jorge? Sem dar sequer tempo para respostas, a pessoa continua...sou o fulano de tal e estou a ligar-lhe com a finalidade de diminuir o preço da sua fatura telefónica. Quanto paga mensalmente pelo uso do seu telefone?

Take 2: Está? Fala o Sr Eduardo Jorge? Respondo: Sim, diga coisas...Do outro lado da linha sem me permitir mais conversa, continua: parabéns, o seu número de telefone foi sorteado e acabou de ganhar um prémio no valor de €25 que poderá levantar durante o dia de hoje no endereço x.

Take 3: Estou a falar com o Sr Eduardo Jorge? Sim está, respondo. Sua esposa encontra-se? É que estou a ligar-lhe porque durante o dia x, estaremos no endereço x, a realizar um rastreio de...e a oferecer amostras gratuitas do nosso novo produto que tem feito muito sucesso. Estamos a convidar a sua esposa a estar presente.

É comum a todos estes telefonemas, logo que atendo o telefone um som ambiente ensurdecedor, principalmente mistura de várias vozes do outro lado da linha. São somente três exemplos dos vários tipos de telefonemas que recebo variadissimas vezes, durante o ano, a prometer isto e aquilo. Também gosto do telefonema a realizar-nos uma pergunta muito básica, que caso não se responda acertadamente á primeira, de certeza que teremos hipóteses ilimitadas. Tipo: Estamos no verão ou no inverno? Isto num dia escaldante em pleno mês de Agosto.

Como já dizia minha mãe, para grandes males grandes remédios. Logo que do outro lado da linha me permitem responder, utilizo de imediato o truque que aprendi e me resolve sem falhas o problema, ou seja, deixam-me imediatamente em paz, nalguns casos chega a ser tão eficaz que me desligam o telefone de imediato na cara. Querem saber qual é esse truque? Respondo: "Sou uma pessoa com deficiência..." e para compor o quadro ainda mais triste, acrescento que me desloco em cadeira de rodas. Ora aí está o truque meus amigos. Nada como ser "deficiente" e ainda por cima deslocar-se numa "cadeirinha", como geralmente se referem á nossa cadeira de rodas.

Merecem o meu respeito estas pessoas que somente estão a tentar ganhar uns trocos que podem fazer toda a diferença nas suas vidas, mas que são chatinhos lá isso são, por isso nestas horas ser deficiente é fixe e de que maneira. Claro está, que o que faz estas pessoas reagirem desta forma é a imagem que têm de nós, somos "deficientes", somos "coitadinhos", e claro não temos dinheirinho e nem lhes servimos para nada. Ah, e meus amigos "deficientes", podem usar e abusar deste estratagema porque vos garanto que a sua eficácia é garantida e além disso não cobro direitos de autor.




Eduardo Jorge

Comentários

  1. Edu, tiraste me um sorriso com essa cronica, que estava a precisar, depoisde várias horas com mau humor descontando na minha mãe, mas algumas que merecem ser ouvidas, porque não tenho que aceitar tudo. Bem, mas foi para agradecer, porque já uso este estratagema há muitos anos e resulta na perfeição. Reconheci-me no texto e ao ler, ri imenso.

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    1. Ainda bem que te fiz rir.
      Lol, afinal não sou o único a usar este truque.

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