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sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

A minha luta chega ao ensino superior

A minha luta como tema para um trabalho de faculdade. O trabalho é referente à UC de Politica Social II do 3º ano de Ciências Sociais/Serviço Social da Universidade Aberta:

“A actuação da Política Social dirige-se à promoção e garantia do bem-estar social. Essa é a finalidade da Política Social. Mas em nenhuma sociedade existe uma concepção unânime de bem-estar social. Deparamo-nos com diferentes percepções da realidade social e do que se entende como necessidade de intervenção na sociedade em nome dessa finalidade. São diferenças que assentam em distintos posicionamentos ideológicos, em diferentes interesses económicos ou sociais, que se traduzem na defesa de diferentes soluções para problemas sociais existentes ou em diferentes percepções na forma como os poderes públicos devem actuar para os prevenir ou evitar. Encontramo-nos, portanto, num terreno normativo. E é neste plano que teremos de situar a actuação dos poderes públicos.” (Pereirinha 2008: 71).

A partir desta afirmação, que revela e realça o conteúdo normativo da Política Social, deve elaborar um comentário crítico onde analisa as respostas sociais integradas na proteção social das pessoas com deficiência face às reivindicações de cidadãos seus destinatários, designadamente através das iniciativas em prol de uma vida independente protagonizadas por Eduardo Jorge e relatadas no blog Nós tetraplégicos

http://tetraplegicos.blogspot.pt/2014/08/concavada-lisboa-em-cadeira-de-rodas.html ; vd.

também http://sicnoticias.sapo.pt/pais/2014-09-23-180Km-de-cadeira-de-rodas-ate-Lisboa.

Obs.: Eduardo Jorge possui a Licenciatura em Ciências Sociais/Serviço Social, tendo concluído as UC de Política Social I e II).

Para conhecer as respostas sociais, aceda ao guia da proteção social das pessoas com deficiência, disponível na turma ou mediante o seguinte endereço:

http://www4.seg-social.pt/documents/10152/157117/Protecao_social_pessoas_deficiencia.

Sobre a iniciativa protagonizada por Eduardo Jorge, refira-se sinteticamente que a

reivindicação a uma vida independente é baseada, entre outos aspetos, na ausência de respostas sociais adequadas aos cidadãos deficientes que desejam manter-se na sua residência e rejeitam a institucionalização num lar residencial; o apoio monetário a um cidadão que opte pela residência autónoma é considerado muito insuficiente para uma vida digna, sendo um valor inferior ao apoio destinado às instituições de acolhimento. Esta é uma avaliação feita pelas próprias pessoas que sentem necessidades e que as expressam mediante a reivindicação de direitos em prol do seu bem-estar, nem sempre coincidentes com os conceitos e as normas que sustentam as políticas.

Constitui, assim, um estudo de caso muito interessante para analisar a relação complexa entre a definição do que são necessidades sociais, do que é um problema social, que direitos e necessidades devem ser assegurados para garantir o bem-estar social, e a definição de políticas de promoção do bem-estar social.

Permite, assim, analisar as definições de bem-estar social que são expressas por ambas as partes – cidadãos seus beneficiários/destinatários versus poder político/legislador – e refletir sobre os conteúdos normativos da Política Social.

Enviado por Paulo Gonçalves

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Câmara de Lisboa juntou-se à luta de muitos cidadãos com deficiência por uma vida independente e lançou um projecto-piloto

Com uma greve de fome junto ao Parlamento e uma viagem de 180 quilómetros numa cadeira de rodas, o tetraplégico Eduardo Jorge tornou-se o rosto da luta pelo direito das pessoas com deficiência a uma vida independente. O apelo que fez ao Governo para que lançasse um projecto-piloto nessa área ficou sem resposta, mas a Câmara de Lisboa vestiu a camisola e lançou uma iniciativa com a qual promete alternativas à institucionalização.

“É uma pedrada no charco”, avalia Jorge Falcato, o técnico municipal que assumiu a coordenação do Projecto Vida Independente, defendendo que está em causa “uma mudança radical no que é habitual fazer”. Até ao dia 3 de Fevereiro está aberto “um período de auscultação da Comunidade de Pessoas com Deficiência para recolher opiniões e sugestões” sobre a proposta camarária, que foi recentemente apresentada pelo vereador dos Direitos Sociais da Câmara de Lisboa, João Afonso.

Na prática, aquilo que a câmara pretende fazer é concretizar um projecto-piloto que envolva, por um período mínimo de dois anos, cinco a dez pessoas “com deficiência, com limitações físicas que impeçam a realização autónoma de tarefas da vida diária”. A essas pessoas será dada a oportunidade de contratarem, com verbas disponibilizadas pelo município, assistentes pessoais que lhes dêem o apoio de que necessitam em casa, evitando a institucionalização.

A ideia, como se pode ler no documento disponível para consulta no endereço lisboasolidaria.cm-lisboa.pt, é que este projecto-piloto “seja promovido e gerido colectivamente pelos futuros utilizadores e outras pessoas com deficiência com mais experiência, organizadas num Centro de Vida Independente (CVI)”. No entendimento da câmara, esse centro “deve ser uma organização sem fins lucrativos, constituída e dirigida por pessoas com deficiência”.

Aquilo que se propõe é que o CVI assuma funções como o apoio ao recrutamento dos assistentes pessoais, à identificação das suas necessidades de formação e à gestão da relação laboral entre o utilizador e o assistente. A esta estrutura deverá também caber a definição e gestão dos “aspectos colectivos da prestação de assistência pessoal”, nomeadamente em relação aos “valores de referência, processos de pagamentos de impostos e contribuições e seguros de trabalho”.

A câmara compromete-se a ceder as instalações necessárias à prossecução do trabalho do CVI. Além disso, atendendo a que, “para muitas pessoas com deficiência, a mudança para uma habitação própria é um passo indispensável para a emancipação”, o município promete disponibilizar aos participantes no projecto que tenham essa necessidade habitações, devidamente adaptadas para os receber.

De acordo com os cálculos da câmara, a contratação dos assistentes pessoais “não deverá ultrapassar os 13 mil euros anuais por utilizador”, verba que, segundo o vereador João Afonso, está assegurada. “O projecto-piloto vai existir”, garante o autarca dos Cidadãos por Lisboa, acrescentando que a sua expectativa é que no próximo Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, a 3 de Dezembro de 2015, se tenha já passado da teoria à prática.

Questionado sobre se a autarquia não está com esta iniciativa a assumir aquilo que competiria ao Governo, o vereador responde: “Sim, está. Este é um modelo possível daquilo que o Governo devia fazer.” “A câmara está a dar um empurrão. Às vezes, o que custa é dar o primeiro passo”, acrescenta depois, notando que “talvez seja mais fácil a quem está na base” fazê-lo.

Mudar a qualidade de vida
Para João Afonso, ficar de braços cruzados e não dar o contributo possível para “as pessoas terem a possibilidade da livre escolha, independentemente da sua condição física”, não era uma opção. “Não podemos continuar a achar normal que uma pessoa que é institucionalizada receba 950 euros e que uma que fica em casa com a família receba 88 euros [para pagar a assistência por 3.ª pessoa]”, critica o autarca.

Tanto João Afonso como o coordenador do projecto-piloto agora lançado sublinham que esta ideia da vida independente é tudo menos nova, tendo já sido posta em prática com sucesso em vários pontos do globo, designadamente na cidade espanhola de Barcelona. Já em Portugal, lamenta-se, no documento que está em auscultação pública, que a orientação política oficial tenha passado "pela delegação das responsabilidades do Estado nas famílias que integram pessoas com deficiência, ou pela sua institucionalização”.

Para Jorge Falcato, a iniciativa vai permitir, através de “uma mudança radical naquilo que é habitual fazer”, que “a qualidade de vida” das pessoas envolvidas “aumente radicalmente” mas também pela própria metodologia.

“Normalmente, impõem-se soluções, mas os técnicos não sabem tudo sobre a vida das pessoas nem sobre as suas necessidades”, constata o coordenador do projecto-piloto, sublinhando a importância dos dois meses de auscultação da proposta e das três sessões públicas sobre a mesma, que prevê realiza,r e também o papel que terá o CVI.

“Tenho esperança neste primeiro projecto pela vida independente. É fantástico que alguém tenha tomado a iniciativa”, diz por sua vez Eduardo Jorge. Em Setembro, o tetraplégico viajou de Abrantes para Lisboa numa cadeira de rodas para exigir ao Ministério da Solidariedade, Emprego e Segurança Social o lançamento de um projecto-piloto a nível nacional e a criação de um grupo de trabalho para o concretizar. Hoje continua à espera de uma resposta e promete realizar uma nova greve de fome se ela não chegar. 

Fonte: Púbblico

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Vida Independente. Minha entrevista à Plural & Singular

O que representam 180 quilómetros percorridos de cadeiras de rodas entre Concavada, em Abrantes, e Lisboa? É o preço da visibilidade que um tetraplégico português quer dar a uma causa que se tornou quase uma questão de vida ou de morte. É o preço que arriscou pagar por uma luta que não é só dele, mas de todos os que, como ele, procuram que o Estado faça jus ao artigo 19.º da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência que ratificou em 2009.

Plural & Singular (P&S) - Depois do descanso merecido e de um maior distanciamento, que balanço faz da viagem de protesto que completou a 25 de setembro?
Eduardo Jorge (EJ) – Um balanço positivo, principalmente por ter conseguido chegar ao destino sem nenhum problema de maior.

P&S – Que momentos lhe marcaram mais?
EJ – Foram muitos. Vivi emoções inesquecíveis e momentos ímpares. Mas destaco o momento em que senti o apoio das primeiras pessoas ao sair da minha casa, o carinho do povo do Tramagal e do grupo que me esperava no Rossio ao Sul do Tejo. Pensei: afinal não estou sozinho.

P&S – Como foi o apoio que teve ao longo do percurso?
EJ – Não consigo explicar por palavras. A solidariedade por parte das pessoas comoveu-me. Houve pessoas que me acompanharam a pé durante algum tempo, de bicicleta durante vários quilómetros, de cadeira de rodas…o grupo de utentes do Centro de Apoio Social da Carregueira, presentes na berma da estrada com cartazes de incentivo, a senhora com idade avançada que me entregou um envelope fechado que continha 20 euros, o José Dias que se disponibilizou para cuidar de mim durante a noite de 24 para 25, as autarquias do Tramagal, Abrantes, Alpiarça, Almeirim e Alverca do Ribatejo que
tudo fizeram para ajudar, as pizzas oferecidas pela Pizza-Massas de Almeirim, a comidinha e miminhos trazidos pelo casal Fátima e Davide Susca, o inesquecível bolo de chocolate e ginjinha oferecida pela Anabela Fernandes, outros mimos trazidos pela Cristina Miguel, Sara Dias, bolos de noiva pelas colegas Lúcia e Luísa, visita do João Ramalho em circunstâncias muito especiais, carta entregue pelo casal Carraço, a calorosa e animada receção da Mithós em Vila Franca de Xira, etc., etc. ,etc.

P&S – Como foi a chegada a Lisboa?
EJ – Foi um grande alívio. Uma sensação de missão cumprida. E muito reconfortante verificar que alguns amigos me aguardavam.

P&S – Em termos práticos, O seu protesto surtiu o efeito que pretendia? Que desenvolvimentos trouxe à luta pela Vida Independente?
EJ – Sim, o objetivo era entregar no Ministério e Solidariedade e Segurança Social uma carta aberta e isso aconteceu. Desenvolvimentos somente a publicação de um comunicado por parte do governo onde informa que estão a trabalhar na criação da figura dos Assistentes Pessoais para pessoas com deficiência.

P&S – E agora, qual é o próximo passo?
EJ – Aguardar durante os seis meses que dei ao governo para cumprir promessas. Caso não cumpra o prometido vou voltar à greve de fome e desta vez até morrer.

Leia a reportagem completa na 9ª edição da Plural & Singular.

domingo, 2 de novembro de 2014

Vida Independente. Porquê greve de fome até morrer

Amigos, após estas minhas duas entrevistas á comunicação social: À RTP e OBSERVADOR onde comunico que irei realizar greve de fome até morrer, caso o Governo, na voz do Sr Secretário de Estado da Solidariedade, Emprego e Segurança Social, Agostinho Branquinho, não cumpra dentro de 6 meses, o que prometeu no dia 6 de outubro de 2013, sinto que ficaram algumas dúvidas a esclarecer:

1º) Eu não não tenciono realizar uma nova greve de fome, mas sim reatar a iniciada no dia 7 de outubro de 2013 em frente à Assembleia da República, suspensa na altura, porque na reunião tida no mesmo dia na própria Assembleia da República, a convite do Sr Secretário de Estado do MSESS, Agostinho Branquinho e onde estiveram presentes além de mim, o Movimento (d)Eficientes Indignados representado pelo Jorge Falcato Simões e Manuela Ralha, a Cristina Capela como mãe e cuidadora de um filho com multideficiência, e por parte do Governo, o referido Secretário de Estado, o chefe do seu gabinete, ainda a sua assessora Dra Sónia Esperto, o presidente do Instituto Nacional para a Reabilitação, a comissão para a deficiência e também as senhoras deputadas do PSD ligadas à reabilitação, nessa reunião expus o porquê da minha ação, tendo apresentado condições para a suspender, condições essas que foram aceites, e que se resumiam a trabalharmos em conjunto na elaboração de uma Lei sobre Vida Independente;

2°) Para iniciar a elaboração da dita Lei, achou-se por bem também auscultar a população com deficiência, seus familiares e também organizações do sector, tendo-se criado um endereço de e-mail, colocado á disposição dos possíveis participantes no site do INR, para esse efeito. Infelizmente o baixo número de contributos para a elaboração da dita Lei, foram uma decepção. Ainda estou a visualizar a cara de satisfação do chefe de Gabinete do Sr Secretário de Estado, quando nos disponibilizou os dados.

3º) Acontece que vários meses depois nada tinha acontecido de relevante, a não ser um telefonema que existiu da parte da Dra Sonia Esperto, a informar-me que tinha iniciado a formação de 300 assistentes pessoais, através de um protocolo entre o MSESS, IEFP e União das Misericórdias.

4º) Visto isso, decidimos questionar o MSESS do porquê de nada estar a ser feito, tendo-se marcado uma reunião no MESS em Lisboa, reunião essa já sem o Sr Secretário de Estado, a desculpa do seu chefe de gabinete para o sucedido foi a permanência da Troika no Ministério. Iniciou-se a reunião com a minha presença, também do Movimento (d)Eficientes Indignados representados desta vez pelo Diogo Martins e Jorge Falcato Simões, pela parte do Governo, além do já referido chefe de gabinete do Sr Secretário de Estado, encontrava-se presente mais uma vez o Sr presidente do INR e a assessora do Sr Secretário de Estado Sónia Esperto.

Nessa reunião tudo começou a dar para o "torto". Para já a falta do Sr Secretário de Estado, fiquei com a ideia que só esteve presente na primeira reunião para me demover da greve de fome...nada de concreto tinham para nos apresentar, e tudo piorou quando nos informam que não poderíamos continuar a fazer parte do processo da criação da Lei sobre Vida Independente, por não existirmos juridicamente.

4º) Tentei argumentar que a questão de não existirmos juridicamente não foi obstáculo na altura que fui demovido a suspender a greve. Se não foi problema na altura, agora também não tinha de o ser. As regras não se iriam alterar no meio do jogo. Perante a minha ameaça de abandonar a reunião, ainda sugeriram que o presidente do INR mediasse uma reunião entre nós e comissão para a deficiência composta pela Associação Portuguesa de Deficientes, A HUMANITAS – Federação Portuguesa para a Deficiência Mental e a Associação dos Cegos e Ambliopes de Portugal. Obviamente que discordei. Não tinha que estar sujeito ao que a comissão bem entendia. Um dos factores para suspender a greve de fome foi nós sermos parte activa na elaboração da dita Lei. Vida Independente é isso mesmo, nós fazermos parte do rumo das nossas vidas. Agora iam-me tirar do "jogo"? Não foi isso o combinado.

Responderam que a Comissão representava-nos, a mim não me representam de certeza. Não me revejo na maioria das associações. Não me esqueço que enquanto na vigília em 2012, em frente á Assembleia da República, pela direito á atribuição justa de Produtos de Apoio, estávamos a dormir na rua, ao frio, e a APD encontrava-se nas nossas costas a negociar acordos com o Governo. Para já não referir que nunca os vemos ao nosso lado, seja em que circunstância for.

Para já não dizer que a comissão é convidada pelo Governo, logo, eles Governo, mandam, não têm que pedir-lhes autorização para nos aceitarem. Perante tudo isso abandonei a reunião, cortei relações com o Governo e afirmei que voltaria á luta de rua.

5º) De fevereiro até outubro de 2014, continuou a não acontecer nada. Lei nem vê-la. Assistentes pessoais idem...mas sobre a minha situação existiram novidades. Após negociações, o Centro Distrital da Segurança Social de Santarém, em julho de 2014, disponibilizou-me gratuitamente uma assistente pessoal, 5 dias úteis, e durante 8 horas por dia. É melhor que nada, mas e os fins-de-semana? Feriados? Durante a noite? Acompanhamento em viagens e tudo o resto?

Fui sempre bem claro, não seria pelo facto de me atribuírem uma assistente pessoal que iria suspender a luta, tanto que não o fiz e meses depois voltei á ação.

Concluindo: perante tudo isto, quero agradecer a todos que se têm preocupado comigo e apelar para que se juntem a mim nesta titânica luta, obviamente que não vos estou a convidar para se juntarem a mim na greve de fome, mas participarem ativamente da maneira que puderem. Temos que nos unir e mostrar que somos capazes. Somos gente amigos, temos de ser tratados como tal. Não aceitem estas condições miseráveis que nos oferecem e chamam vida, vida não é isto, vida é muito mais. Nós merecemos ser respeitados. Existimos. Vamos dar um BASTA e mostrar do que somos capazes?

Espero que tenha esclarecido o porquê da minha greve de fome. Eu nada de novo vou fazer. Só irei reiniciar o que deixei a meio. Não pensem que tomo atitudes de ânimo leve e por tomar. Desde Janeiro que penso na hipótese da viagem de protesto. Esperei quase um ano com serenidade, mas como verificaram nada aconteceu. Iria ficar quieto e aceitar a situação? Desistir? Nem pensem, quando me meti nesta "guerra" David contra Golias, sabia bem o que me esperava. Inclusive a morte. Não pensem que me quero suicidar. Tenho a minha deficiência bem resolvida como podem verificar. Mas também sei que assim não gosto de viver.

sábado, 25 de outubro de 2014

3ª e última parte: 180 km em cadeira de rodas pelo direito a uma Vida Inddependente

Após o relato do que se passou no primeiro e segundo dia da viagem, hoje deixo-vos um resumo do acontecido no dia 25, último dia.

Na chegada á Praça de São Pedro em Alverca, tinha à minha espera o pessoal da Mithós que me seguia desde Vila Franca de Xira, alguns amigos, e também o Srº presidente da União das Freguesias, Afonso Costa e secretária Manuela Santos com o convite para pernoitar no Centro Social São Pedro. Ficamos na confraternização enquanto a Manuela Santos e a responsável pelo Centro preparavam a nossa estadia. Rapidamente a noite, o forte vento de Alverca e o meu cansaço nos obrigou a recolher. Já na cama recebi a visita de muitos amigos. A Anabela Fernandes e família trouxeram um magnífico bolo de chocolate e deliciosa ginjinha caseira, a Cristina Miguel uns deliciosos pastelinhos de bacalhau…juntamente com a sopa de legumes trazida pela Fátima H. Figueiredo e marido, jantar ficou resolvido.

Todos colaboraram. Fui muito mimado em Alverca. Inclusive ganhei mais um cuidador. O José Dias juntou-se à minha cuidadora Cristina Fernandes, e ficou connosco durante a noite para a ajudar. Foi muito importante a sua ajuda. As forças da Cristina e as minhas estavam a esgotar-se. Era muita coisa junta.

 Noite correu bem. Logo cedo recebi a visita da Maria Letra e Sara Dias prontas para nos oferecerem o pequeno-almoço. Pelas 9h da manhã seguimos em direção a Lisboa. Sentia-me confiante e melhor fiquei quando surge o Zé Cunha, ciclista amador que já tinha percorrido 83 km, desde a Azinhaga, terra do nosso eterno José Saramago, para me acompanhar no último trajeto da viagem. Grande ser humano. Já fez o favor de me vir visitar a minha casa. Graças aos excelentes agentes da polícia que nos apoiavam o problema trânsito com mais ou menos dificuldade ficou resolvido e até Lisboa tudo correu dentro do previsto.

Na Praça de Alvalade tinha um grupo de amigos, e alguma imprensa a aguardar-me, e juntos seguimos até ao Ministério da Solidariedade e Segurança Social, onde juntamente com o Jorge Falcato do Movimento (d)Eficientes Indignados, entreguei uma carta aberta destinada ao Srº Secretário de  Estado Agostinho Branquinho, carta essa, que contém um prazo para cumprimento do que prometeu na primeira reunião tida na Assembleia da República em Outubro de 2013. Vou aguardar serenamente. Sabia que esta viagem de protesto não iria resolver a questão Vida Independente, mas siim para mostrar que não me esqueço do que foi prometido e que estou preparado para continuar a luta.




Esta viagem nunca poderia ter acontecido sem o grande apoio da Cristina Fernandes, Manuel Feijão, motorista João e todos os que de uma maneira ou de outra também colaboraram. A todos vocês o meu obrigado do fundo do coração.

Eduardo Jorge

sábado, 18 de outubro de 2014

Eu no programa "Agora Nós" da RTP


Ainda a minha viagem de protesto 180 km em cadeira de rodas.

Minha participação no programa "Agora Nós" da RTP, a partir do minuto 22.

http://www.rtp.pt/play/p1629/e168324/agora-nos/385609

Posição da ACAPO sobre o modelo de promoção da vida independente, anunciado recentemente pelo Governo

ACAPO marca posição sobre modelo de promoção da vida independente, anunciado recentemente pelo Governo.

Integrando, ao lado da Humanitas e Associação Portuguesa de Deficientes, a Comissão para a Deficiência, constituída no seio da Secretaria de Estado da Solidariedade e Segurança Social, a ACAPO teve oportunidade de conhecer as propostas do Governo quanto ao modelo de promoção da vida independente, o qual consiste na realização de formação de assistentes para pessoas com deficiência, para apoio em atividades da vida diária. Este programa de formação, que já se encontrava aprovado no passado mês de janeiro e que foi recentemente anunciado pelo Governo, será realizado em parceria com a União das Misericórdias Portuguesas. 

Quando recebeu o esboço do programa de formação proposto, a ACAPO teve a oportunidade de propor alterações ao mesmo, tendo em vista a inclusão, como matérias do curso, noções básicas de orientação e mobilidade, AVD’s e Braille. Quanto à realização e conteúdos da presente formação, a posição da ACAPO foi de não a obstaculizar, tendo em atenção que a mesma já havia obtido financiamento para avançar e, não sendo a solução adequada para fazer frente a este problema, seria um primeiro passo no sentido da formação de possíveis futuros assistentes pessoais. 

Contudo, deixou claro perante as instâncias governamentais que, tanto os conteúdos formativos, como o perfil dos candidatos a assistentes pessoais, não eram os mais indicados, devendo a solução experimental passar pela seleção de pessoas com maior proximidade aos destinatários destes serviços, bem como por um modelo de formação mais prático e direto entre prestador e destinatário. Por outro lado, entende igualmente, contrariamente ao defendido pelo Governo, que no âmbito do conceito de vida independente devia ser reconhecida à pessoa com deficiência, autonomia para decidir sobre a sua própria vida, devendo esta poder escolher o seu assistente pessoal, treiná-lo e avaliando o seu desempenho, poder até dispensá-lo. 

O comunicado do Governo sobre este assunto poderá ser lido através do site www.portugal.gov.pt na área do Ministério da Solidariedade, Emprego e Segurança Social.

Fonte: ACAPO

domingo, 12 de outubro de 2014

2ª parte: 180 km em cadeira de rodas pelo direito a uma Vida Independente

Dias atrás contei-vos como foi o primeiro dia da minha viagem, desta vez irei fazer-vos um resumo do que aconteceu no segundo dia, no trajeto entre Almeirim e Alverca do Ribatejo.
A noite passada no átrio do edifício da CM em Almeirim, não deu para descansar o suficiente. Após uma higiene “à gato”, seguimos na companhia da Gracinda e Cláudia Constantino durante uns quarteirões, e lá fomos diretos a Benfica do Ribatejo que praticamente não deu pela nossa passagem. Neste segundo dia também se juntou a nós (eu, Cristina e Sr João) o Manuel Feijão no quadriciclo Canta.
Após Almeirim saído do nada surge uma senhora a incentivar-me e a correr ao meu lado. Soube muito bem a sua companhia durante uns metros. As surpresas continuam. Mais á frente uma grande emoção, vejo à beira da estrada o João Ramalho, uma pessoa que admiro, marido de uma pessoa muito especial para mim, e a passar por momentos muito difíceis, e de quem tenho muitas saudades. Foi a segunda vez durante o inicio da viagem em Concavada que parei. Aquele abraço trocado foi muito reconfortante.
Até ali ouvia esporadicamente buzinas dos veículos que se cruzavam connosco a tocar e gritos de incentivo, mas de repente começo também a ouvir com frequência a frase. “Força Eduardo Jorge!”. Foi muito estranho e surpreendente. Pensava para comigo, mas como sabem o meu nome? Ainda estou para o saber, mas que soube muito bem, soube. A juntar ao apoio dos condutores que se iam cruzando connosco, existiam também algumas pessoas paradas junto aos seus veículos a baterem palmas e tirar fotografias, mas se mesmo assim surgisse a solidão lá vinha a incansável Cristina Fernandes começar a cantar ao megafone o “alecrim aos molhos” e por aí fora. Eu acompanhava-a com gestos da cabeça. Era uma animação. Quando já não aguentava mais, levantava o braço esquerdo, encostava a cadeira á berma da estrada e segundos depois lá estava literalmente em cima de mim a Cristina a abraçar-me, beijar-me e preocupadíssima a perguntar se estava bem, o que queria, se era uma barrita de chocolate, água, despejar-me a bexiga…etc. E Sr João, nosso motorista, menos interventivo, mas a cobrir-me com seu olhar meigo e ternurento.
Um desses momentos foi à entrada de Muge. O braço que comandava o joystick da cadeira de rodas mais uma vez estava esgotado, ouvidos doíam sem parar, bexiga idem…mas todo esse desgaste é amenizado porque do nada surge outro banho de amor e solidariedade. Aparece a Fátima Henriques Figueiredo e marido com uma bela sopa para o almoço, uma senhora que nos tinha visto no noticiário da SIC a disponibilizar-nos a sua casa em Benavente para descansarmos, mais alguns carros que pararam e pessoas fizeram questão de me cumprimentar, e também carro de reportagem do CM para me realizar uma entrevista em direto. Antes de voltarmos à estrada combinou-se que desta vez o piquenique/almoço seria em Porto Alto.

Em Benavente foi maravilhoso ver a Mónica Silva, uma amiga tetraplégica que não via há uns anos, como a troca de um abraço ou beijo entre tetras dá uma grande trabalheira, optei por cumprimenta-la através de uns carinhos na sua pernoca sem sensibilidade, mas aquele gesto, tenho a certeza que o sentiu. Em Marinhais/Salvaterra de Magos juntam-se a mim duas moças que faltaram ao trabalho para me acompanharem. Fizeram-no durante vários quilómetros. Iam-se revezando. E uma delas fez o favor de agravar a sua tendinite. Foram momentos muito especiais. Dois seres humanos movidos por causas. Quero muito voltar a vê-las.
Em Porto Alto paragem à beira da estrada para almoço/piquenique. Souberam muito bem as pizzas que sobraram do jantar em Almeirim, a sopa da Fátima e Davide reservou-se para o jantar. Já na saída surge uma amiga a correr ao meu lado com o carrinho da sua filha Carolina recém nascida, graças à paragem obrigatória junto aos agentes policiais que nos aguardavam para apoiar, foi possível conhecê-la. Desde a Chamusca que não tínhamos o apoio da polícia. Mas a sua simpatia e disponibilidade recompensou a ausência dos colegas. Até aquele momento praticamente não existiu interação entre mim e polícias de trânsito, eles limitavam-se a cumprir o seu serviço e eu o meu objetivo, mas com estes agentes tudo mudou. Foi como se mais alguém se juntasse à causa.
Na entrada para a reta do cabo junta-se a mim o Vitor Martins na sua cadeira de rodas. Penso para comigo, “estou em casa”. É muito bom sentir o apoio dos ditos normais, mas dos “coxos” como eu, ainda sabe melhor. Mas por mais que tentássemos ludibriar a Cristina, pondo-nos na cavaqueira, lá surgia ela com megafone em punho, “meninos é muito perigoso”, a pôr-nos literalmente em linha. Mal entro na reta, cadeira de rodas esgotou suas forças e foi complicado trocar de cadeira num lugar tão movimentado, mas o trânsito foi muito bem controlado pelo agentes e tudo correu bem. Lá seguimos, mas estava a ver que nunca mais chegava à ponte de Vila Franca de Xira. Que grande reta…é caso para dizer que valeu a pena esperar. As paisagens vislumbradas a partir da ponte são fantásticas.
Em Vila Franca de Xira, lá estava a Mithós em peso. Vi-os ao longe e comovi-me mais uma vez. Agradeço-lhes de coração aquela calorosa receção. Eram muitos e bons. Seguimos juntos até à porta da CM onde tínhamos a aguardar-nos o seu executivo. Tudo a correr tão bem, até que lá nos aparece uns bons metros daquele piso irregular que de tanta trepidação quase nos saltam as vísceras pela boca. Mas na companhia de tanta gente boa, até se fez bem. Gente boa que nos fez questão de acompanhar até Alverca, onde fomos recebidos maravilhosamente. Como tudo se passou contarei na última crónica sobre a viagem. Até lá.

Continua...
Eduardo Jorge


quarta-feira, 1 de outubro de 2014

1ª parte: 180 km em cadeira de rodas pelo direito a uma Vida Independente


Como vos conseguir passar tudo o que vivi nestes 3 dias de viagem? Foram tantas as emoções, acontecimentos, momentos bons e menos bons...adoraria contar-vos tudo, tipo estarmos juntos, em cavaqueira, como acontece com as crianças que saem pela primeira vez da proteção dos pais e chegam com muitas novidades para contar. Mas não pode ser e também não sei se teriam pachorra para me ouvirem. Por esse facto, vou tentar resumir a viagem em 3 partes, cada uma delas corresponderá a um dia de jornada.

Mas primeiro que tudo tenho de agradecer do fundo do meu coração á Cristina Fernandes minha cuidadora desde o primeiro minuto, ao Sr João motorista da carrinha de apoio e ao Sr Manuel Feijão, que me emprestou a carrinha.

DIA 23, PRIMEIRO DIA

Felizmente ao levantarem-me não surgiu a habitual queda de tensão daquelas que nos tiram até a força para respirar. Mas ao chegar á rua e começar a falar para a imprensa presente, estava a ver que não conseguia falar mais que um minuto seguido, mas consegui, e 1ª etapa estava resolvida. Sentir o apoio e carinho das pessoas que estavam a apoiar-me na saída da minha casa em Concavada, e o abraço do Mário Murcho (também em cadeira de rodas) foi um grande estímulo. Na localidade seguinte, Pego, existiam poucos apoiantes á beira da estrada, em compensação no Rossio ao Sul do Tejo foi a surpresa total, tinha um grupo a aguardar-me e a polícia apareceu pela primeira vez. Sentir aquele calor humano e verificar que afinal teria a proteção da polícia foi muito importante. A dúvida sobre se teria proteção ou não por parte das autoridades e se me obrigariam a circular pela esquerda da via pública, como informava parecer das Estradas de Portugal, estavam a preocupar-me.


No Rossio, o João Nisa inicia corrida ao meu lado. Soube mesmo bem ter alguém para conversar e para minha surpresa acompanhou-me durante vários quilómetros. Em Tramagal primeiro banho de emoções. Espantoso. Era gente por todo o lado. Estavam desde o inicio até ao final da localidade. Foi a minha primeira paragem para ser recebido pelas entidades locais, neste caso Sr presidente da Junta de Freguesia e Dra Celeste Simão, vereadora da ação social e educação, da CM de Abrantes, entreguei-lhes um documento onde resumidamente explicava o porquê da minha passagem pela sua localidade e realizei uma pequena palestra sobre o assunto aos presentes. Em troca fui presenteado com um galhardete representativo da localidade por parte do executivo local e um terço oferecido pela Elsa.
Se já me sentia confiante para enfrentar a grande jornada, mais ainda fiquei. Foi como se uma barreira psicológica fosse ultrapassada de vez. E lá continuei a viagem com o João Nisa em marcha ao meu lado e a acompanhar-me de carro a Guida Correia Pires, Jorge Pereira, Jorge Damas, Vitor Ferreira e José Lopes Peres que me acompanhou desde a Concavada, e grande apoio prestou nas minhas transferências na troca das cadeira de rodas, subi-las e desce-las dos veículos até a Almeirim, onde terminei a viagem do 1º dia..
Mas nem tudo foram rosas, além do frio que sentia, ao chegar a Santa Margarida, aconteceu o primeiro imprevisto. O motor da cadeira de rodas aqueceu em demasia e não foi possível continuar. Foi necessário transferirem-me para outra cadeira de rodas que só circula a 4 km/h. A cadeira mais potente foi transportada pela carrinha de apoio até ao Centro de Apoio Social da Carregueira onde ficou a recarregar as baterias e arrefecer os motores. Foi esse o sistema utilizado durante o resto do trajeto. Ia alternando a utilização das cadeiras. Última mudança aconteceu em Alpiarça e foi a CM que a foi buscar á estrada e fez o favor de carregar as baterias.

A primeira refeição aconteceu perto do miradouro de Almourol. A sandes saboreada à beira da estrada, com o Tejo como cenário de fundo soube muito bem. Ainda por cima apareceu a Carolina Marques com uns miminhos trazidos diretamente da sua Duplo Deleite. Nesta altura o frio, dor no braço direito, pescoço e nos ouvidos era cada vez maior.
 Próximas emoções fortes aconteceram na Carregueira. E que emoções…foi comovente a maneira como fui recebido pelos utentes do Centro de Apoio Social da Carregueira. Estava previsto não realizar paragens durante a viagem, a não ser as programadas, mas teve de acontecer, era o mínimo que poderia fazer para agradecer. Até direito a cartazes com incentivo eu tive, e no final da localidade lá estavam mais uma vez à beira da estrada a desejar-me boa sorte. Escusado será dizer que as lágrimas não me deixaram durante largos minutos.
Em Alpiarça tínhamos o executivo da CM à nossa espera com a cadeira de rodas já carregada e algumas lembranças (garrafa de vinho tinto Quinta dos Patudos já foi aberta).
Durante o percurso os agentes das autoridades iam-se substituindo, mas a partir da Chamusca deixaram de me acompanhar. Só os voltei a ver em funções, a partir do Porto Alto/Samora Correia. Muita falta me fizeram entre Alpiarça e Almeirim. Percorri os 8km de distância já durante a noite, numa cadeira sem luz, com muito frio e trânsito muito complicado. Houve até momentos de solidão. Cheguei a Almeirim completamente de rastos. Foram momentos muito difíceis. Felizmente a recepção foi muito calorosa e a CM de Almeirim pela voz do Sr vereador Joaquim Sampaio, tinha à nossa espera o átrio de entrada do Salão Nobre da CM para pernoitarmos. No dia seguinte recebemos a visita do Srº presidente que nos foi desejar boa sorte. Soube mesmo bem não ficar na rua ao frio, assim como soube muito bem a sopinha quente e pizzas trazidas pelo casal Fátima Henriques Figueiredo/Davide Susca e PizzaMassas. Assim como os bolinhos trazidos por duas ex colegas da faculdade que aproveitaram para me aquecer com a sua capa académica e uma massagem realizada pela enfermeira Pascal.

Para melhor podermos aceder á internet o casal Dr Hélder e Dra Ana Poupino, trouxeram duas pens de internet móvel novinhas em folha com internet ilimitada. Os primos Gracinda e marido, e neta Cláudia Constantino, foram também incansáveis no apoio. Que bem soube no dia seguinte tê-los ao acordar...a luz do local que estávamos impossibilitados de desligar e teve de ficar ligada a noite toda, barulho assustador do sistema de ar condicionado e a preocupação de estarmos despachadinhos antes de funcionários da autarquia começarem a chegar ao local para iniciar dia de trabalho, condicionou-nos, mas permitiu-nos dormir umas 4 horas. Cristina Fernandes dormiu no chão, e costas acusaram esse facto. De manhã estava cheia de dores.
Foi muito agradável ter recebido a visita no meio do trajeto do professor António Carraço e esposa,  Dra Lurdes Botas, já mencionada Carolina Marques, Fátima e marido de entre outros amigos, assim como o apoio do Armindo Silveira na véspera da partida.
Antes de iniciar a viagem tentei preparar o organismo para a viagem. Tomei antibiótico para a bexiga, trabalhei de maneira diferente o treino intestinal, etc., mas tudo poderia acontecer. Sentir a primeira etapa realizada, o 1º objetivo cumprido, mesmo de rastos, foi uma sensação fantástica. Umas barrinhas de Herbalife oferecidas pela Isa Barata, e uns pedacinhos de chocolate também fizeram milagres quando a força começava a desaparecer.

Continua...

Eduardo Jorge