Mostrar mensagens com a etiqueta Desporto adaptado. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Desporto adaptado. Mostrar todas as mensagens

domingo, 22 de setembro de 2024

A importância de jogar simples

Num país onde o desporto é rei, e onde, felizmente, temos os melhores dos melhores, cresci a ver Cristiano, Madjer, Ricardinho, Nélson Évora, João Sousa e muitos outros, assim inicia Tiago Maia a apresentação do seu projeto “Joga Simples” ao Access Lab. Sou apaixonado por desporto, tenho uma deficiência e uso cadeira de rodas para me movimentar desde os 15/16 anos. Foi nessa altura que despertei também, para a existência do desporto paralímpico. Sonhei, desde aí, com poder jogar ténis em cadeira de rodas.

Cumpri o sonho. Sou, neste momento, atleta de ténis em cadeira de rodas, no AHEAD CT, em Alverca do Ribatejo. À partida, parece, e é, uma história feliz. Ainda assim, fica uma parte da história por contar. Começo por dizer que vi esse sonho demorar quase 5 anos a concretizar-se, devido às dificuldades latentes que se encontram quando se procura por clube e local adaptado para treinar, por treinadores com conhecimento para treinar alguém com deficiência, por material que permita a prática (no caso uma cadeira de rodas desportiva) e por uma logística de transporte facilitada.

A abordagem à questão pode ser feita ainda num outro prisma de forma simples e direta: toda a dificuldade em encontrar clube fez com que perdesse a importante fase de formação juvenil, no que diz respeito ao aspeto técnico-tático e físico, no âmbito do crescimento muscular. É possível ainda ver que esta falta de meios associados à iniciação à prática, leva à falta de competitividade do desporto adaptado nacional. No ténis, todo o top-4 nacional apresenta uma idade acima dos 40 anos, e bastantes dificuldades a competir internacionalmente. Eu, com 21 anos, sou o tenista mais novo em competição, algo que não deveria acontecer. Todo este processo é dificílimo, uma vez que as informações disponibilizadas pelas entidades e pelos meios existentes em Portugal eram, até há bem pouco tempo, insuficientes, incompletas e desatualizadas e incorretas. Foi assim que criei, em conjunto com uma equipa a trabalhar de forma voluntária, o projeto “Joga Simples”. O objetivo passa por recolher e agregar o máximo de informações relevantes à prática do desporto adaptado num único website/plataforma.

Pretendeu-se assim, debelar falhas e obter informações que permitam: Criar um mapa atualizado com os clubes e locais onde se pode praticar desporto adaptado; Identificar responsáveis, contactos, condições de acessibilidades e de material em cada clube; Inventariar o material disponível gratuitamente ou que possa ser cedido pelos clubes e federações a cada praticante; Trabalhar com os praticantes e simplificar o processo de iniciação, efetuando os contactos se o atleta não quiser passar pela burocracia.

Neste momento, o projeto conta com o apoio de 8 federações e 15 entidades relacionadas com o desporto adaptado e a deficiência. O mapa interativo já tem em lista 120 clubes e associações onde pessoas com deficiência podem praticar desporto. A importância de jogar simples passa por dispor de mais informação que simplifique o acesso à prática desportiva. Para que o desporto seja realmente para todos finaliza Tiago Maia fundador da plataforma que pode conhecer em: https://www.jogasimples.com.pt/

Minha crónica no Jornal Abarca

quinta-feira, 2 de setembro de 2021

Paralimpicos

Iniciou dia 24 de agosto mais uma edição dos jogos paralímpicos. Desta vez no Japão. Japão 2020. Portugal está representado no evento por 33 atletas nas modalidades de atletismo, badminton, boccia, canoagem, ciclismo, equestre, judo e natação. As esperanças em medalhas e grandes resultados continuam em alta, até porque Portugal já nos habitou a grandes feitos. Sempre receberam menos e fizeram mais.



Os nossos atletas já conquistaram ao todo 92 medalhas desde a nossa primeira participação em 1972. Os atletas olímpicos 28 medalhas desde 1924. Os jogos paralímpicos nasceram há mais de 60 anos devido à vontade de Ludwig Guttmann, médico e refugiado de guerra judeu que se deparou com muitos soldados mutilados devido aos combates na II guerra mundial e tudo fez para mostrar que embora muitos deles se encontrassem paralisados na maioria dos casos paraplégicos e tetraplégicos devido a lesões medulares, também deveriam competir e ter oportunidade de mostrar as suas capacidades.

Desde o início impõe uma lógica nova no tratamento de paraplégicos e tetraplégicos. Até essa altura, os lesionados na coluna eram tratados como irrecuperáveis, vidas que a medicina não conseguia melhorar. Sedados e imobilizados nas camas 24 horas por dia e, por vezes, engessados dos pés à cabeça, tinham uma esperança de vida de dois anos. Morriam não por causa da paralisia, mas devido aos tratamentos. As feridas devido à imobilidade na cama infetavam e acabavam por levar a complicações que resultavam na morte. Um cenário que Guttmann quis mudar.

Contrariando o conhecimento médico da altura e, por vezes, a vontade dos próprios doentes, começou a tratá-los como pessoas com muito para dar. Obrigou as enfermeiras a mudarem-nos de posição a cada duas horas, tirou-lhes o gesso, fê-los sentarem-se e exercitarem as partes do corpo que controlavam. Por fim, fê-los desenvolverem competências como carpintaria ou datilografia que permitissem recuperá-los para o mercado de trabalho.

E não foi preciso esperar muito tempo até que Guttmann subisse a fasquia. Depois de ver alguns pacientes em cadeira de rodas a jogar hóquei com muletas, reparou que o espírito competitivo destes doentes, grande parte deles veteranos de guerra, estava intato. Incentivou-os a aprenderem arco e flecha e arremesso do dardo, e nos jogos olímpicos de 1948 em Londres houve um evento paralelo: os Jogos de Stoke Mandeville, com 16 atletas.

Atualmente existem 23 modalidades paralímpicas, nesta edição que está a decorrer no Japão participam 131 países no total. O Brasil lidera com 253 atletas, seguido da China, com 230, e do Comitê Paralímpico Russo, com 181 atletas, Portugal como já foi referido levou 33 atletas.

Minha crónica no jornal Abarca  

Fonte e mais informações: https://paralimpicos.pt/home

sábado, 29 de fevereiro de 2020

Já arrancou o projeto Surfing4Inclusion

É noticia no ericeiramag.pt a iniciativa Surfing4Inclusion, um projecto piloto de inovação social e desportiva que visa, entre outros objectivos, criar um núcleo de Surf adaptado no seio do Ericeira Surf Clube (ESC), como havíamos avançado em Outubro.


A praia do Matadouro foi, no dia 10 de Fevereiro, o palco escolhido para o ESC, a Apercim Mafra e a Universidade da Beira Interior – UBI, com o apoio do Grupo Norte PT, darem o pontapé de saída para este projecto pioneiro.

Além da referida criação de um núcleo de Surf adaptado no Ericeira Surf Clube, o Surfing4Inclusion tem por base outros grandes eixos de acção:
- Desenhar metodologias e programas de treino de surf específicos e certificados para varias tipologias e graus de deficiência – mental, motora, visual, auditiva e múltipla
- Desenvolver soft skills e competências técnicas essenciais para o desenvolvimento da prática desportiva de surfing adaptado e detetar talentos que possam vir a federar-se e a competir a um nível nacional e internacional
- Socializar o surf como ferramenta de inclusão social, proporcionando a pessoas com deficiência e/ou com necessidades especiais a possibilidade de experimentar as várias modalidades de surfing
- Certificar professores e treinadores de surf, assim como técnicos de reabilitação em metodologias de treino e de acompanhamento de pessoas com deficiência e/ou com necessidades especiais em contexto desportivo e social
- Desenvolver uma rede de surf adaptado potenciada pela rede mundial de surf cities (World Surf Cities), de forma a acelerar a partilha de inovação e de boas práticas, de intercâmbio de técnicos, formadores, treinadores e atletas que permitam o desenvolvimento integrado do surf adaptado aos níveis europeu e mundial.

Serão integrados no Surfing4Inclusion 14 pessoas com deficiência, utentes da APERCIM, com idades entre os 20 e 40 anos, que serão divididas em 2 grupos e cujos praticantes/atletas possuem Deficiência Intelectual, Trissomia 21, Paralisia Cerebral, Deficiência Visual e Deficiência Motora. Durante a fase piloto (12 meses) estão previstas sessões técnicas indoor (ginásio e piscina) e outdoor (mar e rio) cujo acompanhamento técnico e de avaliação científica será efectuado por alunos de doutoramento do Departamento de Desporto da Universidade da Beira Interior.

Surfing4Inclusion visa, também, replicar boas praticas em prol do desenvolvimento do surfing adaptado e da inclusão por via do surf

Estão igualmente previstas a realização de sessões pontuais a alargar aos restantes utentes da APERCIM e de outras ONGPDs parceiras, assim como workshops técnicos, seminários e intercâmbios nacionais e internacionais com outros projectos similares, de forma a fomentar-se a partilha de conhecimento e a inovação relativa a metodologias e programas técnicos que permitam replicar boas práticas em prol do desenvolvimento do surfing adaptado e da inclusão por via do surf.

Para breve estão previstos mais desenvolvimentos deste projecto que tem tudo para ser ganhador e transformador da vida de muitas pessoas.

domingo, 15 de dezembro de 2019

Campo de treinos e Festival DE+ Ginástica com Todos

A Associação Algarvia de Pais e Amigos de Crianças Diminuídas Mentais (AAPACDM) irá desenvolver um encontro único e verdadeiramente inclusivo, onde através da ginástica, pessoas com e sem deficiência convivem, aprendem e demonstram novas destrezas e capacidades, noticia o jornal + algarve.


Com a colaboração da Associação de Ginástica do Algarve, da Associação Recreativa Cultural da Che Lagoense, do Nobel Internacional School Algarve, da Autarquia de Lagoa, do Agrupamento de Escolas Rio Arade e sendo cofinanciado pelo programa de financiamento a projeto do Instituto Nacional de Reabilitação, I.P. realizar-se-á nos dias 18, 19 e 20 de dezembro o primeiro Campo de Treino DE+ Ginástica com Todos, que culminará num Festival Gímnico (dia 20 com inicio às 19:30), onde a inclusão e a ginástica dão as mãos para desenharem verdadeira arte inclusiva!

Esta é a primeira iniciativa gímnica após a consagração internacional do projeto Ginástica com Todos, como um dos grandes vencedores do Beinclusive EU Sport Awards, concurso desenvolvido pela União Europeia, e que destacou este projeto algarvio de entre 144 destinados à inclusão através do desporto, de toda a europa.

Serão 3 dias intensos de atividade no Pavilhão da Escola Básica Prof. João Cónim, Estômbar – Lagoa e 2 noites de convivo, diversão e alegria nas instalações de internato da Nobel Internacional School Algarve (antigo Hotel Levante).

Este encontro visa criar um espaço de partilha, conexão e reflexão entre as diferentes entidades que abraçam o Projeto Ginástica com Todos.

A CHE (ACD Che Lagoense), como referência impar no concelho de Lagoa, assume um papel fulcral na coorganização desta iniciativa, assim como, a Autarquia de Lagoa (cidade inclusiva 2019) que apadrinharam e deram forma ao 1º Campo de Treinos e Festival DE+ Ginástica com Todos.

Fonte: + algarve

domingo, 17 de novembro de 2019

Pessoas com deficiência já têm cadeira para esquiar na Serra da Estrela

A Federação de Desportos de Inverno de Portugal (FDIP) apresentou hoje, na gala anual, uma cadeira que permite a pessoas com deficiência e mobilidade reduzida fazerem esqui na estância da Serra da Estrela.

O equipamento fica disponível, gratuitamente, assim que a estância abrir, pode ser utilizada de forma autónoma ou com monitores e foi oferecida pela Fundação do Desporto, que financiou na totalidade a cadeira, no valor de seis mil euros.

João Marrana, vice-presidente da Fundação do Desporto, sublinhou "o simbolismo" do momento, na gala realizada na Pousada da Juventude da Serra da Estrela, nas Penhas das Saúde, Covilhã.

"Significa que o desporto é para todos e é nossa função tentar encontrar a forma para que isso aconteça. O nosso desafio é que muita gente utilize esta cadeira, que muitas pessoas descubram as suas potencialidades e, se possível, que muitas pessoas se superem todos os dias no que têm para dar a si próprias", realçou o dirigente, em declarações à agência Lusa.

Pedro Farromba, presidente da FDIP, destacou a concretização de uma ambição antiga.

"É um sonho de há muito tempo, para podermos dar as mesmas condições a todas as pessoas de praticarem esqui e conseguimos, com o apoio da Fundação do Desporto. Foi um projeto conjunto, com Comité Paralímpico e o Instituto Nacional de Reabilitação", frisou João Marrana.

Pedro Farromba explicou que tanto os técnicos da federação como os da estância já receberam formação adequada para orientarem a utilização da cadeira.

Segundo o presidente da FDIP, a cadeira tem amortecedores que permitem mudar de direção "com a flexibilidade do corpo" e é possível a utilização "por pessoas de diferentes compleições físicas e para diferentes graus de deficiência".

Fonte: Noticias ao Minuto

domingo, 18 de agosto de 2019

Aeródromo de Évora recebe paraquedismo para pessoas deficientes

O Aeródromo Municipal de Évora vai ser palco, entre os dias 20 e 24 deste mês, de uma competição internacional de paraquedismo para pessoas deficientes, denominada “HandiFly International Challenge”, divulgou hoje o município.


O torneio, cujos saltos decorrerão entre as 05:30 e as 13:00, é organizado pela Federação Portuguesa de Paraquedismo e Câmara de Évora e tem como parceiros várias instituições e organismos locais.

No decorrer do evento “HandiFly”, competição que irá acontecer pela primeira vez em Portugal, irá ser fornecida a primeira formação de juízes e apoio médico no paraquedismo em Portugal.

Fonte: Sapo 24

sábado, 1 de junho de 2019

Crossability - O treino mais duro de sempre na Assembleia da República - "+Acesso para Todos"

Há um ano lançámos a app “+ 𝑨𝑪𝑬𝑺𝑺𝑶 𝒑𝒂𝒓𝒂 𝒕𝒐𝒅𝒐𝒔” como forma de quebrar barreiras e reclamar acessibilidades no nosso país. Mais de 800 denúncias depois, verifica-se que pouco mudou. A fiscalização ainda não está a acontecer e as excepções à lei são mais que muitas.
Para que todos vejam com os próprios olhos a dificuldade que sentimos sempre que um local não nos é acessível, vamos juntar-nos à frente da Assembleia da República para um treino de Crossability - uma modalidade que cruza a lógica dos exercícios de Crossfit com as dificuldades de acessibilidade que enfrentamos todos os dias.

Convidamos o 𝐒𝐫. 𝐏𝐫𝐢𝐦𝐞𝐢𝐫𝐨-𝐌𝐢𝐧𝐢𝐬𝐭𝐫𝐨 𝐞 𝐑𝐞𝐩𝐫𝐞𝐬𝐞𝐧𝐭𝐚𝐧𝐭𝐞𝐬 𝐝𝐨𝐬 𝐏𝐚𝐫𝐭𝐢𝐝𝐨𝐬 𝐏𝐨𝐥í𝐭𝐢𝐜𝐨𝐬 (a audiência mais dura de sempre) a juntarem-se ao treino mais duro de sempre.

Para que nos ouçam e dêem atenção às dificuldades de acessibilidade que enfrentamos. 𝐐𝐮𝐞𝐫𝐞𝐦𝐨𝐬 𝐮𝐦 𝐏𝐨𝐫𝐭𝐮𝐠𝐚𝐥 𝐚𝐜𝐞𝐬𝐬í𝐯𝐞𝐥 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐭𝐨𝐝𝐨𝐬.

Conheça melhor o Crossability no vídeo abaixo


𝐉𝐮𝐧𝐭𝐞-𝐬𝐞 𝐚 𝐧ó𝐬 𝐧𝐞𝐬𝐭𝐞 𝐭𝐫𝐞𝐢𝐧𝐨.

Fonte e mais informações: aqui

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Ficou tetraplégico com um tiro mas hoje é campeão de surf adaptado

Nuno Vitorino passa grande parte do tempo na praia de Carcavelos. Não passa despercebido entre o pessoal do surf, seja pela simpatia e boa disposição, seja por ser o primeiro atleta de surf adaptado a aparecer por aquelas bandas.


Tem 42 anos mas ninguém diz. "É a água que conserva", atira. Passou os últimos 20 anos numa cadeira de rodas devido a um acidente com uma arma. "Eu disse para o meu amigo: «queres dar um tiro, já que nunca deste um tiro, só para ouvires o barulho?». Ele não sabia que a arma estava carregada e disparou e acertou-me no pescoço", recorda.

A bala acertou-lhe na cervical e, aos 18 anos, ficou tetraplégico. "Quando sofri o acidente, disse ao meu amigo que o acidente não ia ser um casamento para o resto da vida. Obviamente os traumas psicológicos estão cá." Nuno Vitorino teve dois anos difíceis de reabilitação. Foi também um tempo de luto que se transformou em esperança, já que a lesão - uma tetraplegia incompleta - permitiu-lhe recuperar algum movimento de braços no Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão.

"Eu tive uma médica muito importante no meu percurso. Foi a doutora Maria da Paz que me disse: «Nuno, esquece. Nunca mais vais voltar a andar na vida, mas otimiza o bom que tens que são os teus braços. A partir daquele momento, em 1995, por muito que me custasse ouvir isto - e custou-me - eu percebi que ela tinha razão e comecei a trabalhar os meus braços».

Da natação ao surf
Antes de se dedicar ao surf, Nuno foi atleta paralímpico de natação, uma modalidade que sempre fez parte do seu dia-a-dia. "De facto, ser um atleta não é fácil."

Nuno queixa-se da falta de apoios, mas admite que o mais importante é a paixão pelo desporto. "A paixão está cá. Um atleta não pode ser atleta pela questão financeira. Um atleta tem que ser atleta pela paixão. Por isso é que Portugal é tão vencedor nos paralímpicos e no desporto adaptado. Todos nós temos muita paixão pelo que fazemos. E isso leva-nos a ganhar medalhas. A diferença não está no treino, nunca esteve no treino. A diferença está em querer mais e eu sou um atleta que tem sempre fome, tenho sempre fome de ganhar".

Ganhou muitas medalhas durante oito anos até perder o entusiasmo pela natação de competição. "Isto custa muito. Dói. Levantar às cinco da manhã para ir treinar, voltar à noite para o treino. Eu treinava quatro quilómetros por dia. Tenho nos meus ombros mais de 30 mil quilómetros. É muito." Com o fim da carreira nas piscinas, sentiu o chamamento do mar. "Um dia que estava nesta praia de Carcavelos e comecei a sentir um grande incómodo na minha barriga ao ver os outros a surfar."

Nuno Vitorino queria competir mas, desta vez, encontrou uma modalidade que ainda não estava preparada para receber atletas tetraplégicos. "Não havia nada disto no mundo. A partir daí e até hoje, nós nunca mais paramos. Eu fui sempre surfar. Fundei uma associação que é Associação Portuguesa de Surf Adaptado, em que colocamos, de Norte a Sul do país, outras pessoas com patologias dentro de água. O desporto agora é democrático. O surf é democrático. Dá para todos."

Em Viana do Castelo para ser o melhor
A Federação Portuguesa de Surf abriu as portas para os atletas com deficiência há quase cinco anos. O presidente, João Jardim Aranha, explica que a chegada de Nuno marcou o início do surf adaptado na federação. "O Nuno foi alguém que se apresentou desde o início como muito interessado. Já treinava, já mostrava um trabalho físico regular e um trabalho de treino regular. Por outro lado, é um atleta que vem dos paralímpicos de natação. É uma pessoa com uma história no desporto."

A federação tem cerca de 900 atletas, seis deles fazem parte da modalidade de surf adaptado. João Jardim Aranha admite que é pouco. "Não tem havido uma adesão como nós gostaríamos." João Jardim Aranha acredita que o Campeonato Europeu de Surf Adaptado, a decorrer em Viana do Castelo, pode ajudar a divulgar a modalidade, já que Portugal tem quatro atletas em competição.

Um deles é Nuno Vitorino, quarto melhor atleta do mundo na modalidade. O surfista, que foi o primeiro português a participar no Mundial de surf adaptado, não esconde que está na Praia do Cabedelo para se bater pelo primeiro lugar. "Eu tenho obrigação de não sair em quarto lugar, nem em terceiro, nem em segundo".

O EuroSurf Adaptive 2019 é organizado pela Câmara Municipal, pelo Surf Clube de Viana, Federação Europeia de Surf, Federação Portuguesa de Surf, Federação Portuguesa de Desporto para Pessoas com Deficiência, Instituto Português do Desporto e Juventude e pelo Comité Paralímpico de Portugal.

Fonte e reportagem em áudio: TSF

sábado, 11 de maio de 2019

Dia Paralímpico em Castelo Branco a 17 de maio

A cidade de Castelo Branco vai receber no próximo dia 17 de maio o Dia Paralímpico 2019. O evento de caráter nacional e periodicidade anual vai decorrer na Devesa entre as 10:00 e as 16:00 horas com 12 modalidades disponíveis para experimentação gratuita e foi apresentado esta tarde no salão nobre da Câmara Municipal de Castelo Branco em conferência de imprensa com o Vice-Presidente da autarquia, José Augusto Alves, e o Presidente do Comité Paralímpico de Portugal, José Manuel Lourenço.


José Augusto Alves referiu que "o emblema de Castelo Branco tem estado presente no desporto paralímpico" e destacou a intenção de que "todos os participantes possam vestir a camisola dos atletas com deficiência neste Dia Paralímpico". Já o Presidente do Comité Paralímpico de Portugal, José Manuel Lourenço, realçou que o evento insere-se "na estratégia de sensibilização para a importância da prática desportiva em pessoas com deficiência", numa "ação de inclusão pelo desporto em que todos os participantes poderão ver através dos próprios atletas paralímpicos que é possível praticar desporto".

Andebol em Cadeira de Rodas, Atletismo, Badminton, Basquetebol em Cadeira de Rodas, Boccia, Ciclismo, Curling, Judo, Ténis de Mesa, Ténis em Cadeira de Rodas, Tiro e Tiro com Arco são os desportos presentes e abertos à

experimentação de todas as pessoas, com ou sem deficiência, sob a orientação de técnicos especializados e com o envolvimento dos atletas Carla Oliveira do Boccia, Mário Trindade do Atletismo e ainda Pedro Herdeiro do Snowboard.

A sessão de abertura oficial está agendada para as 10 horas do dia 17 de Maio no local das atividades e tem as presenças já confirmadas do Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Paulo Rebelo, o Presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco, Luís Correia, e o Presidente do Instituto Nacional de Reabilitação, Humberto Santos, para além da natural presença do Presidente do Comité Paralímpico de Portugal, José Manuel Lourenço.

O Dia Paralímpico Castelo Branco 2019 tem ainda no seu programa três iniciativas complementares agendadas para o dia anterior, 16 de maio. O Colóquio "Movimento Paralímpico" irá decorrer entre as 10:00 e as 13:00 horas no auditório da Biblioteca Municipal e já na parte da tarde, entre as 14:00 e as 17:00 horas, o Pavilhão Municipal recebe uma Ação de Formação destinada a estudantes do município. Também no dia 16 de maio será inaugurada uma exposição fotográfica sobre desporto paralímpico no átrio da Biblioteca Municipal que se manterá ativa até ao final do dia seguinte.

Fonte: Record

2ºs jogos nacionais desporto adaptado ANDDI 2019



Fonte e mais informação: ANDDI

domingo, 31 de março de 2019

Novo regulamento do projeto de Desporto Adaptado nos Açores

O novo regulamento do projeto de Desporto Adaptado, que adequa e atualiza o que está em vigor desde 2015 às novas realidades e à evolução desta prática nos Açores, foi hoje publicado em Jornal Oficial.

O projeto de Desporto Adaptado visa “promover a prática regular da atividade física desportiva e do desporto codificado, orientada por agentes devidamente qualificados, junto da população portadora de deficiência, na persecução dos princípios da universalidade e da igualdade no acesso de todos os cidadãos ao desporto, sem discriminação”.

Os apoios previstos no regulamento agora publicado, e que entra sábado em vigor, destinam-se “às atividades que, por dificuldade de acesso, por inadequabilidade ou por opção da entidade beneficiária, não sejam enquadradas e dirigidas por associações ou federações desportivas do movimento associativo desportivo dotadas do estatuto de utilidade pública desportiva”.

Os clubes desportivos, os clubes desportivos escolares e outras entidades do associativismo sem fins lucrativos que desenvolvam este tipo de atividade física desportiva são os beneficiários dos apoios previstos neste novo regulamento.

O projeto de Desporto Adaptado compreende as duas tipologias de núcleos de atividade e ou modalidade, abrangendo os núcleos de atividade física desportiva adaptada e os núcleos de prática desportiva adaptada.

Os núcleos de atividade física desportiva adaptada devem desenvolver atividades recreativas e de lazer de pouca codificação e não enquadradas em quadros competitivos, que estimulem o desejo e o gosto pela atividade física desportiva e a criação de hábitos de vida saudável, podendo envolver diferentes tipos de atividade física desportiva e incluir praticantes de diferentes tipos e níveis de deficiência.

Por seu lado, os núcleos de prática desportiva adaptada podem desenvolver atividades caraterizadas pela prática regular de uma modalidade que, por dificuldade de acesso ou por inadequabilidade, não se integram na atividade desportiva regulamentada e dirigida por federações desportivas dotadas do estatuto de utilidade pública desportiva ou não cumprem os requisitos que determinam a possibilidade de acesso ao programa de apoio à atividade de treino e competição dos escalões de formação.

Devem ainda participar em atividade competitiva local, com regularidade preferencialmente mensal, tendo os seus praticantes de ser filiados/inscritos nas entidades responsáveis pela atividade competitiva ou respetiva associação nacional de deficiência e ou nas estruturas federativas, conforme as modalidades.

Podem candidatar-se as entidades beneficiárias que preencham cumulativamente vários requisitos, nomeadamente possuir técnico responsável licenciado na área das ciências do desporto ou similares ou detentor do título profissional de treinador de desporto, em presença permanente durante as atividades, e garantir um número mínimo de praticantes por cada núcleo de atividade e ou modalidade, entre outros tipificados no regulamento.

No novo regulamento determinam-se igualmente, entre outros, aspetos relacionados com a instrução e apresentação das candidaturas, com a contratualização, posterior acompanhamento e controlo, e com os apoios.

Fonte: Açores 24horas

domingo, 17 de março de 2019

Vela Sem Limites dia 13 de abril em Cascais


A Associação Salvador e o Clube Naval de Cascais, com o Projeto "Vela Sem Limites", convida-o(a) a participar no “Open Day de Vela em Cascais”, O evento terá lugar no sábado, dia 13 de abril (das 10h00 às 17h30), no clube naval de cascais.

Será um dia dedicado às atividades náuticas e de marinharia, onde poderá para passear ao sabor do vento numa das mais icónicas e bonitas baias Portuguesas.

Vamos contar ainda com a fantástica participação da OHficina um projeto com foco na Educação, Sustentabilidade Ambiental e nas Artes, que tem como base um laboratório de materiais improváveis.


Fonte e mais informações: Associação Salvador

sábado, 3 de novembro de 2018

V Encontro de Desporto Adaptado em Castelo Branco

A Associação de Apoio à Criança do Distrito de Castelo Branco (AACCB), vai trazer ao encontro da população Albicastrense o “V Encontro de Desporto Adaptado”, a decorrer entre os dias 14,15 e 16 de novembro de 2018, na cidade de Castelo Branco.
Este é um projeto cofinanciado pelo programa de financiamento do INR, I.P, que consistirá na realização de actividades lúdico desportivas adaptadas promovendo a prática desportiva inclusiva e levar o desporto a TODOS, desde as pessoas com deficiência à comunidade em geral, tendo em vista o incremento da prática da atividade física independentemente da idade, género e nível de (in)capacidades.

Fonte: CNIS

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Governo vai acabar com as diferenças nos prémios entre os atletas paraolímpicos e os olímpicos

Governo anunciou que, até ao final do ano, uma lei estará pronta para acabar com as diferenças de prémios concedidos a atletas paraolímpicos e olímpicos.

O governo vai acabar com as diferenças nos apoios atribuídos nos prémios de mérito desportivo entre os atletas paraolímpicos e os olímpicos. A garantia foi dada à provedora de Justiça pelo secretário de Estado da Juventude e do Desporto. Num comunicado, a provedor de Justiça explicou que recebeu uma queixa sobre esse tema, o que a levou a contactar o governo, que lhe assegurou que essas diferenças iriam acabar.

No mesmo documento, a provedora de Justiça congratulou a “intenção manifestada” pelo executivo de “alcançar uma equiparação total nos apoios concedidos aos universos olímpico e paraolímpico”.
A provedora de Justiça sublinhou ainda que “a atual diferenciação” pode “configurar uma situação de discriminação com base na deficiência, bem como violar a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência”.

José Manuel Lourenço, presidente do Comité Paraolímpico de Portugal, também aplaudiu a medida anunciada pelo executivo. Ao i, disse que esta alteração é “justa” e que “elimina a diferenciação que havia”. “É uma medida que nós aplaudimos e vemos com muita graça”, completou o responsável.

A questão dos prémios de mérito desportivo já tinha sido alvo de aprovação para o Orçamento do Estado de 2017, onde se previa que, nesse ano, os prémios seriam igualados para paraolímpicos e olímpicos. Contudo, a norma não avançou para além do plano de Orçamento e por isso é que o governo tomou agora a decisão de propor esta alteração.

Para o responsável, o anúncio do governo não surpreendeu porque “a própria sociedade vai exigindo que haja este tipo de equiparações”. As mentalidades mudam e “a própria sociedade vai estando mais exigente relativamente àquilo que é a questão dos direitos” e da igualdade de condições para as duas dimensões desportivas.

Nesse sentido, para este caso concreto, José Manuel Lourenço reconheceu que esta mudança “é um sinal muito importante que o governo está a dar no sentido da equidade”. E não considera que a medida tenha chegado tarde, frisando que o que “importa agora é aplaudir a medida que está a ser tomada”. “Não acho que seja relevante dizer que é tarde ou que é cedo; o que importa é sublinhar que a medida está a ser tomada e o mérito tem de ser dado este governo, que está a fazer isso”, acrescentou.

Daqui para a frente, o que vai ser relembrado é esta data, explicou José Manuel Lourenço, referindo que este é um “momento histórico”.

Para além da garantia de que os prémios vão ser igualados, o governo disse também que já foi iniciado o procedimento legislativo que permitirá equiparar os valores dos prémios atribuídos aos universos olímpico e paraolímpico. Segundo o comunicado da provedora de Justiça, o secretário de Estado da Juventude e do Desporto revelou que “o respetivo procedimento legislativo se encontra em curso e que deverá estar finalizado” ainda este ano.

Verbas para bolsas e preparação são muito importantes
Apesar de se congratular por esta medida, o presidente do comité disse ao i que as verbas atribuídas para bolsas e para a preparação dos atletas são mesmo “determinantes”.

“Os prémios de mérito desportivo, sem dúvida, são muito importantes e não quero desvalorizá-los”, mas os valores utilizados na preparação das missões paraolímpicas são ainda mais importantes, referiu José Manuel Lourenço. Segundo o responsável, estas verbas “permitem criar condições” para que depois, mais à frente, os atletas conquistem “prémios de mérito desportivo”. E dá um exemplo: “Se um atleta em cadeira de rodas não tiver uma cadeira de rodas em condições e não tiver dinheiro para a comprar, jamais vai ganhar uma prova; portanto, nunca vai ganhar o prémio de mérito desportivo.”

O responsável explicou ainda que estas questões englobam um conjunto de situações que incluem o prémio de mérito, que é um reconhecimento do mérito que o atleta obteve no seu desempenho na prova, e a preparação, que ajuda a criar condições para que o atleta possa representar o país.

Contudo, o assunto da igualdade de direitos está longe de ser novo. No ano passado, o assunto voltou à mesa do executivo através de um projeto de lei - apresentado pelo Bloco de Esquerda - que pretendia igualar os valores atribuídos em bolsas e preparação para os atletas participarem nas competições olímpicas. A proposta acabou por ser chumbada em novembro de 2017, depois de o PS ter votado contra e de o PSD se ter abstido.

Na altura, o presidente do comité lamentou que a medida não tivesse sido aprovada, louvando a iniciativa parlamentar. Relativamente às bolsas, as diferenças são notórias: os atletas olímpicos recebem cerca de 30 mil euros anuais para a preparação das competições. Já a verba disponibilizada para os atletas paraolímpicos é de 8750 euros.

No início deste ano foi publicado em Diário da República o Contrato-Programa de Desenvolvimento Desportivo, celebrado entre o Instituto Português do Desporto e Juventude, o Instituto Nacional para a Reabilitação e o Comité Paraolímpico de Portugal.

Segundo o secretário de Estado da Juventude e do Desporto, este contrato “prevê a convergência, no ciclo 2018-2021, das condições dos universos olímpico e paraolímpico, designadamente quanto às bolsas e às verbas disponibilizadas para a preparação desportiva”. Para além de abranger atletas paraolímpicos, o contrato inclui “igualmente as bolsas atribuídas aos treinadores e aos técnicos assistentes/guias”.

José Manuel Lourenço referiu ao i que o contrato engloba um pacote financeiro que permite às entidades fazer a gestão das verbas. Por isso, o responsável prevê que, até 2021, “o valor das bolsas entre o nível de excelência do olímpico e do paraolímpico esteja equiparado”. Contudo, deixa a ressalva de que não existe “nada escrito em termos de legislação” de que o valor de preparação será igual para as duas dimensões desportivas, tratando-se apenas de um cenário hipotético.

Fonte: i

sábado, 1 de setembro de 2018

Surf adaptado: Há mar e mar, há ir e surfar

Paraplegia, paralisia cerebral ou Trissomia 21, não importa. No mar, em cima de uma prancha, são todos iguais; o radical Garrett McNamara, a antiga campeã nacional Teresa Abraços ou Nuno Vitorino, presidente da Associação Portuguesa de Surf Adaptado, que aos 18 anos sofreu um acidente que o colocou numa cadeira de rodas. Hoje percorrem juntos algumas das melhores praias do país e desafiam todos a surfar pequenas e grandes ondas, tenham seis ou 88 anos, "desde que acompanhados pelo pai".

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Crescimento dos apoios para paralímpicos vê-se nos resultados obtidos

Os números não mentem: o saldo final de 17 medalhas conquistadas, das quais sete de ouro, nos Campeonatos da Europa de atletismo adaptado, em Berlim, fazem desta “a melhor participação portuguesa de sempre em competições internacionais de atletismo paralímpico”, destacou a Federação Portuguesa de Atletismo. Um feito encorajador e que se enquadra na dinâmica de crescimento e afirmação do desporto paralímpico, que por estes dias também viu Floriano Jesus chegar a uma final A nos Mundiais de paracanoagem, em Montemor-o-Velho.

De regresso a Portugal, na segunda-feira, a comitiva portuguesa que competiu em Berlim foi recebida em clima de euforia no aeroporto de Lisboa. Os atletas traziam o orgulho ao peito, pelas medalhas conquistadas e por mais uma etapa superada. Com um ouro, uma prata, e um bronze, Luís Gonçalves prometia não se ficar por aqui: “No próximo ano, nos Campeonatos do Mundo, vou dar 2000% e tenho a certeza que vou ter sucesso. Vou fazer o que o Cristiano Ronaldo disse, provar que um jogador ou um atleta, depois dos 30 anos, pode fazer o que os mais novos podem.”

Vários nomes que estiveram nos Campeonatos da Europa de atletismo adaptado, assim como Floriano Jesus, obtiveram resultados que lhes abrem perspectivas de ingressar no projecto paralímpico Tóquio 2020. Para que tal venha a ser uma realidade, é necessária uma candidatura que será avaliada pelo Comité Paralímpico de Portugal, de acordo com informação deste organismo ao PÚBLICO.

Na lista de atletas integrados no projecto de preparação paralímpica Tóquio 2020 já constavam 42 nomes divididos por seis modalidades (atletismo, tiro, ciclismo, equestre, natação e boccia), mas tudo indica que venha a aumentar o número de atletas e de modalidades. Isto é também um reflexo do crescente investimento no programa de preparação paralímpica. Os apoios atribuídos aos atletas aumentaram mais de 80% relativamente aos valores praticados para os Jogos do Rio de Janeiro 2016, com as bolsas a serem revistas anualmente tendo em vista o objectivo da equiparação das bolsas olímpicas e paralímpicas em 2021.

O contrato-programa assinado em Janeiro deste ano prevê um montante total superior a 6,9 milhões de euros para o programa de preparação paralímpica Tóquio 2020, financiado pelo Instituto Português do Desporto e Juventude e pelo Instituto Nacional para a Reabilitação. Uma diferença substancial relativamente aos 3,8 milhões contratados em 2014 para apoio à missão portuguesa aos Jogos Paralímpicos no Rio de Janeiro. Ainda assim, distante dos 18,5 milhões de euros do programa de preparação olímpica.

Da mesma forma, há quatro anos o documento assinado previa “três níveis de bolsas paralímpicas a atribuir aos participantes, ponderadas em função do currículo desportivo, bem como da expectativa relativamente à obtenção de resultados nos Jogos Paralímpicos do Rio 2016”:

518 euros mensais para os atletas no nível 1;
386 euros mensais para os atletas no nível 2;
225 euros mensais para os atletas no nível 3.

Estes valores foram revistos no novo contrato-programa e serão actualizados anualmente: em 2018 os valores das bolsas mensais são 688 euros (nível 1), 516 euros (nível 2) e 303 euros (nível 3). Em 2019 vão aumentar para 963 euros (nível 1), 722 euros (nível 2) e 424 euros (nível 3).

No horizonte do movimento paralímpico está a equiparação das bolsas de atletas olímpicos e paralímpicos em 2021, um objectivo assumido pela secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes. Em 2020 o valor do apoio mensal para o nível 1 será de 1169 euros, igualando no ano seguinte os 1375 euros da bolsa mensal do nível “top elite” do projecto olímpico Tóquio 2020.

A tendência de crescimento do desporto paralímpico vê-se também pelo interesse mediático que gera. Os Jogos Paralímpicos do Rio 2016 tiveram uma audiência televisiva acumulada de 4100 milhões de espectadores em mais de 150 países, o que os tornou nos mais vistos de sempre.

O crescimento anda de mão dada com o espírito de superação, sublinhava na segunda-feira, no aeroporto Humberto Delgado, Carolina Duarte (que trouxe um ouro e duas pratas de Berlim): “Quero muito que as pessoas percebam que, mesmo tendo uma deficiência, mais ou menos severa, conseguem sair de casa, conseguem ter amigos, conseguem integrar-se perfeitamente. Quero inspirar as pessoas a saírem de casa e praticarem desporto. Nem todos têm condições para serem atletas de alta competição, mas serem só atletas já será bom.

Fonte: Público

sábado, 11 de agosto de 2018

Alentejo: IPDJ disponibiliza equipamento desportivo a pessoas com deficiência

O IPDJ (Instituto Português do Desporto e da Juventude) vai disponibilizar equipamento desportivo a cidadãos com deficiência, no âmbito de um projeto do Orçamento Participativo Jovem (OPJ), denominado Banco de Ajudas Técnico-desportivas, apresentado por Maria Prudêncio.


Orçamentado em mais de 33 mil euros, este consiste na cedência gratuita e temporária de equipamentos adaptados para a prática desportiva para pessoas com deficiência, explica Miguel Rasquinho, presidente do IPDJ Alentejo, em declarações à Campanário.

Não se tendo verificado vencedores do Alentejo, foi requerido que este projeto vencedor de âmbito nacional fosse aplicado à região. Neste sentido, a Cerci de Portalegre surge como um parceiro que procederá a “ações de divulgação deste programa junto dos seus parceiros”. Financiadas pelo IPDJ, estas foram delegadas à instituição portalegrense por considerarem que tem o conhecimento no que concerne a pessoas com deficiência assim como das entidades envolvidas na área da motricidade e do desporto adaptado.

“Os equipamentos estarão no IPDJ (Alentejo) à disposição” de quem os quiser solicitar, junto dos serviços presentes nas três capitais de distrito da região, Évora, Portalegre e Beja. Assim, será preenchido um formulário, que será submetido a uma avaliação “para cedermos temporariamente esses equipamentos”.

Embora temporária, o projeto possibilitará às pessoas com deficiência experimentar a prática de alguns deportos e dos equipamentos subjacentes. O Banco de Ajudas Técnico-desportivas foi um dos vencedores da primeira edição do Orçamento Participativo Jovem, programa lançado em 2017 pelo IPDJ e pela Secretaria de Estado do Desporto e da Juventude.

Considerando a importância da prática desportiva para os cidadãos com deficiência, na sua habilitação e reabilitação, o projeto visa conceder um acesso igualitário à prática desportiva. Esta promove a sua integração social e valorização pessoal, contribuindo para uma melhoria não só da condição física, como de fatores como a autoestima e a capacidade de superação.

O projeto apresenta equipamentos como Cadeira de Rodas para vários desportos, Calhas de Boccia, Barco a Remos e Handbike.

Fonte: Rádio Campanário

domingo, 8 de julho de 2018

Aventura adaptada à pessoas com deficiência. Radicalizando na inclusão.

A Aventura adaptada à pessoas com deficiência está presente em praticamente todas as modalidades. Para se realizar qualquer tipo de aventura, é sempre importante seguir normas de segurança. Atividades de aventura e esportes radicais são seguros, o perigo está quando os cuidados com a segurança não são respeitados.

Existem organizações internacionais como a ATTA (Adventure Travel Trade Association) e nacionais como a ABETA (Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura) que trabalham para a regulamentação e promoção das atividades de aventura.

A busca pela acessibilidade é incessante nesse segmento. A adaptação depende do tipo de atividade e o nível de dificuldade do praticante, e pode estar relacionada ao equipamento, ao modo de operação da atividade ou em ambos os casos. Às vezes encontramos equipamentos específicos, utilizados com propostas de segurança ou de conforto, mas em muitos os casos se utilizam os mesmos equipamentos de uma atividade convencional, da mesma forma, ou com pequenas modificações.

Veja abaixo, algumas das atividades de Aventura adaptada à pessoas com deficiência mais praticadas em todo o mundo. Algumas tem uma popularidade menos, mas todas já possuem iniciativas no Brasil.

Aventura adaptada à pessoas com deficiência no Brasil e exterior



Paraquedas
O salto de paraquedas duplo é feito com um instrutor treinado para este tipo de salto e com um paraquedas especial para duas pessoas. Antes do salto, é feito um pequeno treinamento e fornecido um macacão especial para vestir sobre a roupa. Você ficará conectado ao instrutor através de mosquetões entre os macacões. O salto é iniciado depois que o avião atingir a altura de 12.000 pés (aproximadamente 3.700 metros), em 45 segundos de queda livre a 200 km/h. Para saltar é preciso ter no mínimo 16 anos e peso aconselhado até 100 quilos. Não existe restrição em relação à deficiência para saltar, mas é importante informar antecipadamente a escola de paraquedismo na qual será feito o salto.



Rafting
Rafting é a descida de corredeiras de rios em equipe utilizando botes infláveis. São utilizados ainda, capacetes, coletes salva-vidas e remos. Existe 6 níveis de dificuldade, atribuídos aos rios. Antes da atividade, todos recebem instruções de segurança, e um treinamento para aprender como remar. Um guia orienta a todos, ficando na parte de trás do bote e dando a direção do bote. Para Aventura adaptada à pessoas com deficiência, até mesmo pessoas tetraplégicas podem participar, pois existem cadeirinhas desenvolvidas para dar estabilidade em relação ao bote, e coletes salva-vidas que mantém o rosto sempre para cima no caso de queda na água.



Asa Delta
A Asa Delta é considerada uma aeronave, e precisa de condições para decolagem, como uma rampa para atingir uma velocidade inicial, e vento suficiente para sustentação no ar. O piloto irá explorar as correntes de ar até decidir o melhor momento e local para aterrissagem. São utilizados equipamentos de segurança como capacetes e cintas, que irão conectá-lo à asa delta, deitado para baixo. É preciso ter mais do que 16 anos, e limite de peso aconselhável de até 90kg. Pessoas com deficiência podem necessitar de auxílio principalmente no momento da decolagem.



Mergulho com Cilindro
Para mergulhar com cilindro, primeiro é preciso passar por um treinamento teórico e pratico na piscina, e depois o batismo no mar. Os equipamentos básicos para mergulho são a máscara, lastro, nadadeiras, colete equilibrador, cilindro de ar comprimido, roupa de neoprene, regulador e Octopus. Por questões de segurança, o mergulho é feito com no mínimo duas pessoas, caso algum deles necessite de auxílio. Não é necessário saber nadar, e existe o mergulho adaptado para pessoas com deficiência que não possuem movimentos, tem auxílio de um instrutor. Existem ainda equipamentos auxiliares motorizados, chamados de scooter. Para um bom mergulho, a visibilidade da água é importante.



Bungee jumping
O Bungee Junpimping basicamente consiste em saltar de uma altura num vazio, amarrado por uma corda elástica. Dependendo do nível de emoção e segurança, a corda pode ser conectada no tornozelo, na cintura ou na parte superior do corpo com o auxílio de um colete. Também há pessoas com deficiência que saltam junto com a cadeira de rodas, onde o corpo e a cadeira de rodas recebem uma fixação especial à corda. Os locais para salto devem ser apropriados, e são escolhidos após um estudo, mas também existem empresas que realizam esta atividade em eventos, utilizando guindastes e um colchão de ar para segurança.




Downhill
Downhill é uma forma de ciclismo com o objetivo de descer o mais rápido possível um certo percurso. A prática surgiu em locais de montanha, mas já há variações urbanas onde se descem por escadas e superfícies acidentadas. Utilizam-se bicicletas reforçadas, com rodas mais grossas, freio a disco e outros acessórios apropriados. Para a Aventura adaptada à pessoas com deficiência, também utilizam uma espécie de bicicleta com quatro rodas para conseguir maior estabilidade.




Esqui aquático
O esqui aquático é praticado com uma lancha puxando uma pessoa por uma corda com um tamanho padrão de 18,25 metros, a partir de uma velocidade de 30 km/h. Pode ser executada utilizando um ou dois esquis, e para pessoas com deficiência física, existe um esqui adaptado, que basicamente é formado por uma assento acoplado a um esqui. Os locais ideais para a prática são lagos pequenos, abrigados de ventos, e por medida de segurança, sem o trânsito de outras lanchas.



Balonismo
Balões de ar quente tripulados, são os mais comuns utilizados para atividades turísticas. O balão sobe pelo aquecimento do ar de dentro do envelope (balão), através de gás propano, deixando ele menos denso e elevando o balão. O peso que um balão pode levar, depende do tamanho do envelope. A maioria dos balões tem uma média de 2.000m³ a 3.000m³ de volume interno, capaz de levar de 2 a 5 pessoas. Existem balões turísticos, de 5.000m³ a 24.000m³ que podem levar de 6 a 35 passageiros num único voo. Os cestos de balão geralmente são inteiriços, mas há versões adaptadas, com lateral em forma de porta ou rampa para o acesso, e parte transparente para melhor visualização de um cadeirante.



Rapel
O Rapel é a atividade de descer verticalmente através de cordas e equipamentos. Bastante praticado na natureza, para descida de montanhas, mas também existem bases preparadas para essa prática, ou também versões urbanas descendo de pontes ou edificações. Os equipamentos básicos utilizados são a corda, arnês (cadeirinha), mosquetão, luva, freio e capacete. Pode ser positivo ou negativo. No positivo, os pés do praticante tocam a parede durante a descida, e no negativo esse contato não acontece.



Trike
O Trike é uma aeronave motorizada pendular, isto é, controlada pelo deslocamento do centro de gravidade, que utiliza uma asa delta fabricada especialmente para esse tipo de vôo. Chegam a alcançar 20 mil pés de altura (aproximadamente 6.000 metros) e podem voar a até 120 Km/h. Geralmente não é necessário nenhuma adaptação para voar em um trike, a não ser em casos específicos. O piloto senta na frente, e o passageiro na parte de trás, devidamente equipado com capacete e cintos de segurança. O vento em contato com o corpo, em grandes altitudes, pode ser bastante frio, por isso é aconselhado estar bem agasalhado.



Kitesurf
O Kitesurf utiliza uma pipa, que serve para pegar a força do vento, e uma prancha, que serve como uma estrutura de suporte para os pés. A pipa fica presa à cintura através de um dispositivo chamado trapézio, e com uma barra consegue ajustar a pipa e dar direção. Pessoas com deficiência física, utilizam uma prancha com um assento acoplado. Conjugando a força do vento e as ondas, é possível pegar ondas e realizar saltos em grandes alturas.


Quadriciclo
Quadriciclo é um pequeno veículo motorizado, semelhante à uma moto, porém com quatro rodas, projetado para utilização off-road. Para dirigir é simples, basta acelerar e freiar, nos comandos existentes no guidão, de onde também se dá a direção. Algumas versões possuem marchas, mas outras são automáticas. Há modelos para uma ou duas pessoas. Dependendo do modelo, para quem não possui sensibilidade, é preciso tomar cuidado com partes do motor que esquentam, para não se queimar.



Parapente
Parapente, também bastante conhecido com paraglider, é considerado uma aeronave invertebrada, em forma de um semi-círculo inflável, feito de tecidos e linhas. E por isso, ela decola, alça voo e aterrissa. É um derivado do paraquedas, mas possui mais células, sendo maior e mais apropriada para planar, devido à sua aerodinâmica. É praticado junto à encosta de montanhas. Para decolar, é preciso inflar o velame, e depois o instrutor administrando as correntes de vento, pode planar por longos períodos. A selete é o equipamento utilizado para sentar, e ao mesmo tempo proporcionar segurança, pois é ela que estará conectada ao velame. Geralmente não é necessária adaptações para pessoas com deficiência, a não ser em casos específicos.

Fonte: Turismo Adaptado


quarta-feira, 4 de julho de 2018

Atividades desportivas gratuitas para tirsenses com necessidades especiais

“O desporto é para todos, mesmo na competição”, afirmou o presidente da Câmara Municipal de Santo Tirso, Joaquim Couto. A 12 de junho, o Parque Urbano Sara Moreira foi palco de uma mostra dos desportos que a partir de setembro as pessoas portadoras de deficiência vão poder praticar em Santo Tirso. Boccia, karaté, ténis de mesa, andebol, atletismo em cadeira de rodas, natação, orientação ou um centro de treino adaptado, equivalente a um ginásio, são as opções ao dispor dos atletas.


A autarquia, focada na inclusão social das pessoas portadoras de deficiência, apresentou um Plano Municipal de Desporto Adaptado para que todos, sem exceção, possam melhorar a condição física, a confiança e autoestima.

A preocupação com a prática desportiva de pessoas com mobilidade reduzida não é de agora, mas, a partir de setembro, a autarquia vai “iniciar um programa concelhio, de caráter anual, que faz parte da preocupação com a coesão social, do Plano Municipal de Saúde e de quando se diz que ninguém fica para trás nas políticas sociais”, afirmou Joaquim Couto.

A novidade, desvendou, “é que a partir de setembro arranca o campeonato do desporto adaptado municipal, que terá várias modalidades adaptadas à deficiência”.

João Correia é uma das imagens de marca do desporto adaptado. Para onde quer que vá, este atleta paraolímpico leva Santo Tirso no coração. Começou a prática desportiva há 17 anos e na altura tinha que se deslocar a Braga para poder praticar desporto. Agora, diz, Santo Tirso está preparado para receber todos os atletas e é importante “tirar as pessoas portadoras de deficiência de casa, porque o desporto permite atingir metas que achamos inalcançáveis”.

Fonte: Jornal do Ave

sexta-feira, 8 de junho de 2018

#EntraEmCampo promove prática desportiva de pessoas com deficiência

O Comité Paralímpico de Portugal lançou esta semana a iniciativa #EntraEmCampo, que tem por objetivo incentivar a prática desportiva em pessoas com deficiência. Procura-se demonstrar que o desporto é possível mesmo com limitações.


O movimento, que assenta numa parceria com a Federação Portuguesa de Futebol, foi apresentado na quinta-feira, antes do particular entre as seleções de Portugal e Argélia, o derradeiro jogo da seleção portuguesa antes de voar para a Rússia, onde disputará o Mundial. Na partida, que decorreu no Estádio da Luz, os atletas portugueses e argelinos entraram em campo de mãos dadas com crianças com vários tipos de deficiências.


“A iniciativa #EntraEmCampo nasce da intenção do Comité Paralímpico de Portugal em chamar novos praticantes para a prática desportiva, que com todas as suas potencialidades e virtudes possam desfrutar de todos os benefícios da atividade física”, destaca José Manuel Lourenço, presidente do CPP.


José Manuel Lourenço diz ainda que “foi com grande satisfação que entrámos em campo com a Federação Portuguesa de Futebol no lançamento de uma iniciativa que se apresentou também como um momento inesquecível para estes jovens. Temos previstas novas ações no âmbito desta parceria e contamos com o envolvimento da FPF no trabalho contínuo de sensibilização, promoção e desenvolvimento da excelência desportiva no que se refere a pessoas com deficiência, sempre em prol de uma sociedade mais inclusiva”.

Os jovens e familiares interessados em saber mais sobre desporto adaptado e onde praticá-lo podem obter mais informação em paralimpicos.pt.

Fonte: RTP