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sábado, 11 de agosto de 2018

Lesão medular: Como mergulhar em segurança

Os acidentes de mergulho são a quarta causa de lesão medular. Os acidentes acontecem sobretudo em piscinas e em lugares com uma profundidade inferior a 1,50 metros. Porém, quando a profundidade é superior a 3 metros os danos podem ser maiores, uma vez que a velocidade do impacto é suficiente para causar lesões cervicais irreversíveis.


É por isso que o médico ortopedista Luís Teixeira, presidente da Spine Matters, associação portuguesa sem fins lucrativos, chama a atenção de todos os que nestes dias de calor procuram refrescar-se com banhos em piscinas, no mar, nos rios ou em barragens, para que tenham a maior atenção ao local e ao modo como mergulham.

"Na execução do mergulho a pessoa atinge cerca de 15 km/hora", explica o médico. "Contudo, quando esse mergulho é executado numa posição quase vertical, a velocidade descreve uma trajetória descendente muito veloz em direção ao fundo da piscina. Por outro lado, e em praias com muita ondulação, as pessoas tendem a mergulhar em zonas de rebentação em que ainda têm pé, sendo frequente a postura incorreta. No momento do impacto no solo, a posição da cabeça e coluna vertical vão determinar tudo, mas antes é a análise do espaço que se torna fundamental", alerta o especialista, lembrando ainda que entre 38% a 47% dos casos ocorrem após consumo de drogas ou de bebidas alcoólicas."

As lesões em mergulho ocorrem geralmente quando a cabeça bate no solo, já que após o impacto o pescoço recebe o peso do corpo, podendo resultar em trauma da medula espinhal. A pior consequência é a paralisação e a impossibilidade de mexer os membros. Conforme o grau da lesão da medula, o mergulhador pode ficar tetraplégico ou paralisado das pernas.

Estes são os conselhos de Luís Teixeira para mergulhar de forma segura:

1. Verifique o local (a sinalização e a cor da bandeira, a profundidade da água). Não corra nunca o risco de mergulhar numa zona que desconhece.
2.Confirme que não existem obstáculos à sua volta com que possa colidir, nomeadamente, rochas, pranchas, pessoas, etc.
3. Procure que a entrada na água seja feita numa posição mais oblíqua (menos vertical) de forma a atingir menor profundidade e a "amortecer" a velocidade do impacto.
4. Estique os braços e mantenha as mãos à frente, para que a cabeça esteja protegida durante o mergulho.

Fonte: DN

domingo, 22 de julho de 2018

Cirurgião reconstrói separação entre coluna vertebral e pélvis a um tetraplégico

Pedro Cavadas, cirurgião plástico espanhol, reconstruiu uma separação entre a coluna vertebral e a pélvis a um paciente de 28 anos, que ficou tetraplégico aos nove.


Wilmer Arias, que foi operado pela equipa de Pedro Cavadas no Hospital de Manises, em Valência, ficou tetraplégico devido a uma "lesão grave produzida por uma arma de fogo", que terá obrigado o paciente a ficar acamado durante os últimos anos, em consequência de complicações na zona lombar.

De acordo com o jornal espanhol "20 minutos", o jovem de 28 anos foi atingido por uma "bala perdida", quando estava em casa dos avós, com quem vivia. Ficou dois meses e meio em coma, período no qual desenvolveu várias úlceras. Todas fecharam, exceto a do sacro, um osso localizado na base da coluna vertebral, que se "complicou".

Em 2015, teve de deixar o trabalho e estudos e passou quase dois anos deitado e com dores. Quando lhe disseram que não havia possibilidade de ser feita uma cirurgia, o jovem perdeu a esperança.

Até que apareceu Pedro Cavadas. A equipa procedeu a uma cirurgia na qual conseguiu reconstruir a coluna vertebral do paciente e voltar a uni-la à pélvis através do uso do perónio, um osso localizado na parte inferior da perna.

Wilmer continua tetraplégico, mas agora "pode sentar-se e retomar a sua vida". "Graças ao acordo da Fundação Cavadas e do centro hospitalar, este jovem guatemalteco pode continuar a sua vida numa cadeira de rodas com ligeira mobilidade dos braços e mãos", disse um porta-voz do hospital.

O jovem vai usar um espartilho durante seis meses para que a coluna fique direita e se adapte à nova posição. Nos próximos dias, Wilmer vai voltar para a Guatemala, onde planeia concluir os estudos em Administração e Direção de Empresas e fazer um mestrado em Marketing Digital.

O cirurgião junta esta cirurgia bem-sucedida a uma série de outras intervenções pelas quais já é conhecido. Em março, Pedro Cavadas reimplantou a mão direita de um fuzileiro naval do Exército dos EUA, que sofreu um acidente em Cartagena quando estava a bordo de um submarino.

Fonte: DN Sugerido por Tó Silva

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Investigadores criam medula óssea artificial que células reconhecem

Investigadores da Universidade de Basileia, na Suíça, criaram uma medula óssea artificial na qual as células estaminais permanecem ativas por bastante tempo, o que pode por exemplo ajudar na pesquisa de doenças do sangue.


A investigação, hoje publicada na revista científica PNAS, lembra que há anos que se tenta reproduzir em laboratório a medula óssea, para melhor compreender os mecanismos de formação do sangue e desenvolver novas terapias, por exemplo para o tratamento da leucemia.

A medula óssea é um tecido gelatinoso dentro de vários ossos onde estão as chamadas células estaminais, as células que se autorrenovam, se dividem e se transformam em outros tipos de células.

Todos os dias são formados na medula óssea muitos milhões de células sanguíneas, com as células estaminais a multiplicar-se e a amadurecer em glóbulos vermelhos e brancos que passam então para a corrente sanguínea.

Se até agora, diz-se no estudo, tem sido difícil criar modelos "in vitro" (em laboratório) porque as células estaminais perdem a capacidade de se multiplicarem, os investigadores projetaram nesta investigação um tipo de medula óssea na qual as células estaminais se multiplicam durante alguns dias.

Os investigadores, entre eles Ivan Martin, do Departamento de Biomedicina da Universidade de Basileia e do Hospital Universitário, e Timm Schroeder, do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, desenvolveram um tecido artificial que imita algumas das complexas propriedades biológicas dos nichos naturais da medula óssea.

Para tal combinaram células estromais mesenquimais (consideradas células fonte das células estaminais) com um recipiente em 3D, poroso, semelhante a um osso, num processo conhecido como biorreator de perfusão, que combina materiais biológicos e sintéticos para imitar as condições propícias às células estaminais no corpo humano.

Fonte: SIC Noticias

domingo, 3 de junho de 2018

Há uma nova esperança para doentes com lesão na medula

António Salgado gosta de pensar na medula espinal como uma autoestrada, que liga o cérebro ao resto do corpo e por onde toda a informação processada no cérebro circula. "Quando essa autoestrada tem uma lesão, essa comunicação entre o cérebro e o resto do corpo é interrompida e isso leva às consequências que nós conhecemos. As mais visíveis são as consequências motoras", resume o investigador do Instituto para as Ciências da Vida e da Saúde da Escola Medicina da Universidade do Minho.


O investigador lidera uma equipa que estuda o desenvolvimento de novas estratégias para a regeneração de lesões medulares há dez anos. "Nós trabalhamos essencialmente na combinação de três áreas: fármacos, farmacoterapias, biomateriais e células estaminais. Começámos por desenvolver novos biomateriais e, aos poucos, fomos adicionando as outras peças do puzzle".

Este puzzle vai-se montando devagar, mas tem dado frutos e alegrias à equipa de António Salgado. "Conseguimos reverter os problemas motores nos animais com as estratégias que fomos desenvolvendo ao longo destes últimos dez anos", garantiu.

António Salgado explica que as alterações verificam-se, sobretudo, na forma como os ratos se movem. "Quando administramos as terapias que estamos a desenvolver no laboratório, eles conseguem recuperar parte da sua atividade motora, conseguem andar - não normalmente, mas com um grau de independência relativamente elevado", revelou.

Mas não só. Os roedores conseguem também apoiar-se nas patas traseiras para se alimentarem. "Isso demonstra que a terapia induziu um grau de recuperação na espinal medula que lhe permite fazer isso, ou seja, permitiu regenerar o tecido a um ponto que eles conseguem suportar o peso nas patas traseiras e isso é muito importante", garantiu. Além disso, os investigadores conseguiram observar o ganho de algumas funções básicas fisiológicas.

Os avanços da equipa da Universidade do Minho chamaram a atenção da revista científica Stem Cells, que destacou os resultados dos investigadores na capa da edição de maio. "É quase como um selo de qualidade no trabalho que estamos a desenvolver".

O próximo passo inclui o uso das mesmas estratégias em animais de maior porte, num contexto clínico veterinário, para mais tarde poder avançar para a parte humana. "Obviamente isso ainda está a muitos anos de distância. Nós estimamos que esta parte em que estamos agora vai demorar cerca de 5 a 6 anos e só depois é que podemos pensar na fase seguinte, se tudo correr bem", explicou o investigador.

O processo é lento mas António Salgado garante que é para benefício da qualidade dos tratamentos. "Temos de ter muito cuidado, temos de fazer todos os passos para termos a certeza que as estratégias e as terapias que estamos a resolver são seguras", explicou.

A equipa de António Salgado tem conseguido financiamento ao longo dos dez anos de investigação, mas o cientista explica que este é um desafio para quem trabalha em ciência, apesar de já terem conseguido investimento na ordem dos 2 milhões de euros.

Além do financiamento público, a investigação foi suportada pelo Prémio Santa Casa Neurociências - Melo e Castro, atribuído pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa em 2013, e voltou a ser distinguida pela instituição em 2017, num total de 400 mil euros.

"Quando [os prémios Santa Casa Neurociências] apareceram foram quase como um oásis. Foi em 2013, no pico da crise, com cortes de financiamento para a ciência enormes e é um prémio que é regular, que abre todos os anos, nós sabemos qual é o financiamento, sabemos quais são as áreas. Dá alguma estabilidade", contou.

Reportagem em áudio TSF

domingo, 5 de fevereiro de 2017

UMinho desenvolve estratégia para regenerar lesões vertebro-medulares

Estudo saiu na “Biomaterials” e teve parceria das universidades de Toronto (Canadá) e Tulane (EUA)

Uma equipa da Universidade do Minho conseguiu reverter parcialmente as limitações motoras de ratinhos com lesões na espinal medula. Aqueles animais obtiveram ainda melhorias significativas na cicatrização, no tratamento da inflamação e no crescimento de novos axónios (condutores dos impulsos nervosos). Espera-se que estes avanços venham no futuro a ser aplicados em pacientes com lesões vertebro-medulares. O trabalho, publicado na reputada revista “Biomaterials”, teve a colaboração das universidades de Toronto (Canadá) e Tulane (EUA) e foi financiado pelo Prémio Santa Casa Neurociências - Melo e Castro, atribuído pela Misericórdia de Lisboa.

A espinal medula é uma espécie de autoestrada para o cérebro e o resto do corpo comunicarem entre si. Por aí passam impulsos nervosos que controlam todas as nossas tarefas. Quando por acidente há uma lesão vertebro-medular, a estrutura é afetada, destruindo as ligações nervosas e com consequências severas, como as motoras (locomoção). A maioria destas lesões tem um grau de recuperação muito reduzido, pois o tecido nervoso possui baixa capacidade de regeneração.

António Salgado, Nuno Silva, Eduardo Gomes, Rita Silva e Rui Lima, ligados ao Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde (laboratório associado ICVS/3B’s) e à Escola de Medicina da UMinho, em Braga, conseguiram contornar a situação, desenvolvendo uma nova estratégia multidisciplinar para regenerar as lesões vertebro-medulares. Esta estratégia consiste na transplantação de dois tipos de células (células estaminais do tecido adiposo e células gliais do bolbo olfativo), que são encapsuladas num hidrogel biodegradável. Este último protege as células no processo de transplantação, permitindo em simultâneo estabelecer novas estruturas nervosas, cujo crescimento é induzido pelas duas populações celulares utilizadas

“Demonstrámos que é possível recuperar de forma parcial a funcionalidade do tecido nervoso presente na espinal medula e, com isso, induzir a recuperação motora do animal”, explica António Salgado. A pesquisa envolveu ratinhos com a espinal medula parcialmente lesionada (hemi-secção). Os cientistas do ICVS estão agora a estudar modelos animais com a lesão total e por compressão/contusão. A equipa trabalha ainda em estratégias combinatórias, administrando conjuntamente terapias neuro-protetoras (fármacos) de forma a potenciar os resultados obtidos. Esta metodologia será depois avaliada em modelos animais de maior porte, para elevar esta possível terapia ao patamar mais próximo da aplicação clínica.

“Se no futuro esta estratégia inovadora for aplicada com sucesso em pessoas com lesões vertebro-musculares, isto poderá implicar melhorias do ponto de vista funcional (motor, sistemas gastrointestinal e urinário, entre outros) e também de qualidade de vida. No entanto, é de frisar que há ainda um vasto trabalho a realizar antes da possível aplicação clínica”, acrescenta António Salgado.

Fonte: Correio do Minho

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Tetraplégicos e paraplégicos recuperam movimentos com terapia de estimulação magnética

Estimulação magnética
A possibilidade de reabilitação de pacientes com danos na medula espinhal ganhou novas esperanças.
Dois pacientes com lesões que paralisaram seus membros receberam uma forma experimental de tratamento que combina a estimulação magnética transcraniana com a estimulação simultânea do nervo periférico - a terapia foi aplicada durante seis meses.

Os resultados foram entusiasmantes para uma condição que até agora não tem tratamento, condenando as pessoas à deficiência física pelo restante de suas vidas. Após cerca de seis meses do tratamento de estimulação, o primeiro paciente, que era paraplégico, já conseguia dobrar os dois tornozelos, enquanto o outro paciente, tetraplégico, conseguia pegar e segurar um objeto com as mãos.

"Nós observamos um reforço das conexões neurais e uma restauração parcial do movimento de músculos que os pacientes previamente eram inteiramente incapazes de usar," explica o Dr. Anastasia Shulga, da Universidade de Helsinque (Finlândia).

Recuperação de lesões na medula
Esta foi a primeira vez que foram feitas tentativas para reabilitar pacientes paralisados em razão de uma lesão da medula espinhal por meio de tratamentos não invasivos de estimulação a longo prazo.

Ambos os pacientes tinham sofrido o acidente há mais de dois anos e tinham recebido tratamentos de reabilitação convencionais em toda a sua recuperação - esses tratamentos continuaram durante o tratamento de estimulação.

O movimento restaurado durante a terapia de estimulação magnética e elétrica permaneceu por um mês depois que o tratamento foi encerrado. Um dos pacientes está agora participando de um estudo mais aprofundado, no qual a estimulação será aplicada mais extensivamente e por um período ainda mais longo.

"Este é um estudo de caso com apenas dois pacientes, mas achamos que os resultados são promissores. Mais estudos são necessários para confirmar se a estimulação pode ser usada juntamente com a reabilitação a longo prazo após a lesão medular, sozinha ou, possivelmente, em combinação com outras estratégias terapêuticas," disse Jyrki Mäkelä, coautor do experimento.

Sugestão: José Mariano - Fonte: Diário da Saúde

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Projeto nacional de recuperação de lesões medulares premiado

Em depoimentos à Lusa, a investigadora Ana Paula Pêgo, do Instituto Nacional de Engenharia Biomédica da Universidade do Porto (INEB), indica que o que o grupo de investigação propõe é "uma nova estratégia terapêutica que combina duas terapias regenerativas axonais complementares com um programa de reabilitação".

O projeto, desenvolvido por profissionais do Instituto de Investigação e Inovação da Universidade do Porto (i3S) e do Centro de Reabilitação do Norte (CRN), engloba três áreas de estudo distintas - a biologia básica da recuperação das células nervosas, os biomateriais que servirão de suporte à regeneração (com agentes terapêuticos) e técnicas terapêuticas de reabilitação (fisioterapia).

Segundo Ana Pêgo, responsável pela equipa que vai desenvolver os biomaterias utilizados na investigação e que também faz parte do i3S, "apesar dos enormes avanços que se têm feito isoladamente nas três áreas que estão na base do projeto, não existem muitas abordagens que integrem as três frentes em simultâneo, sendo este o ponto forte" desta proposta.

Como explica Mónica Sousa, outra das coordenadoras e investigadora do i3S e do Instituto de Biologia Molecular e Celular da Universidade do Porto (IBMC), "quando há uma lesão na medula, os axónios (parte do neurónio responsável pela condução dos impulsos elétricos - informação - que partem do corpo celular até outro local mais distante, como um músculo ou outro neurónio) são interrompidos e o caminho de transmissão da informação também".

Para reverter esse processo, os investigadores do INEB vão desenvolver materiais que podem restabelecer esse caminho e guiar novamente o axónio de volta ao seu alvo, para além de manipularem a entrega local do medicamento selecionado para tratamento, aplicado através de um hidrogel, outro dos objetivos da investigação.

O que se pretende é encontrar "uma droga ou drogas que já passaram uma série de critérios de validação para utilização em outros fins e verificar a sua capacidade de favorecer o crescimento e a regeneração axonal 'in vivo', acrescenta Mónica Sousa.

A equipa da fisiatra Maria Cunha, do Centro de Reabilitação do Norte (CRN), vai ajudar a desenhar protocolos de fisioterapia adaptados que possam ser aplicados em ratos, semelhantes àqueles que se aplicam a doentes com lesões medulares, de forma a compreender se, para além drogas, esses protocolos podem ter um impacto positivo na regeneração dos axónios.

Segundo as investigadoras, estima-se que há uma incidência de 30 casos de lesão na espinal medula por ano em cada um milhão de habitantes e as sequelas tendem a prevalecer em cerca de 500 dos afetados, devido à inexistência de tratamentos efetivos que permitam recuperar de forma eficaz.

Na investigação, cuja estimativa de duração é de três anos, participam ainda os investigadores Isabel Amaral, Pedro Moreno e Paulo Aguiar, do INEB e do i3S, Fernando Mar e Joana Nogueira, do IBMC e do i3S, e Ana Rita Pinto e Ana Gomes, do CRN.

Com montante de 50.000 euros recebido pela distinção o grupo de investigação pretende comprar os reagentes necessários para os trabalhos 'in vitro' e 'in vivo'.

O prémio atribuído às investigadoras foi criado em 2014 em homenagem ao advogado e médico Albino Aroso, conhecido como o "pai" do planeamento familiar em Portugal, que morreu em 2013.

Fonte: Noticias ao Minuto

Ferramenta faz avaliação sexual de homens com lesão medular

A paralisia dos movimentos de membros superiores e inferiores é o aspecto mais visível em pessoas que sofreram lesão na medula espinhal. No entanto, outros domínios são prejudicados, como a sexualidade, afetando a qualidade de vida dessa população, segundo pesquisadores da Divisão de Urologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). Por isso, a importância de avaliar o grau da disfunção sexual e incluí-la no tratamento.

“Os médicos, em geral, estão muito preocupados com a reabilitação motora dos pacientes e negligenciam a avaliação sexual e o seu tratamento, tanto em homens quanto em mulheres. Um estudo mostra que, para os homens paraplégicos, o principal anseio é voltar a ter vida sexual, superando o retorno do movimento das pernas. Com os tetraplégicos, só o movimento das mãos supera o desejo de voltar a ter vida sexual, então isso tem um grande impacto para os pacientes”.

O alerta é do pesquisador e urologista do HC Eduardo de Paula Miranda, um dos autores de estudo que propõe uma nova ferramenta para analisar a disfunção sexual em homens com lesão medular: o Quociente Sexual Masculino (QSM).

Trata-se de um questionário de avaliação sexual em português e traduzido para o inglês, desenvolvido e validado no Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas, com 10 perguntas para avaliar os cinco domínios da função sexual: ereção, desejo, ejaculação, orgasmo e satisfação sexual.

“Esse questionário já existia para aplicação na população em geral, mas, pela primeira vez, foi utilizado para homens com lesão medular. Ele é rápido e fácil de ser aplicado”, afirma Miranda.

Diferentes análises
No estudo, os pesquisadores compararam o QSM com um questionário padrão de avaliação sexual, o Sexual Health Inventory for Men (SHIM), composto por cinco perguntas. Os dois questionários foram aplicados em 295 homens com lesão medular traumática em acompanhamento no serviço de Reabilitação Raquimedular do HC.

A prevalência de disfunções sexuais foi extremamente alta, de forma que desse total de pacientes, 159 não eram sexualmente ativos. De acordo com a pesquisa, as pontuações do QSM e SHIM se correlacionam, mas o QSM fornece uma avaliação mais abrangente da disfunção sexual.

“O SHIM é voltado mais para a análise da ereção, mas homens com lesão na medula espinhal têm muitos outros problemas. A aplicação do MSQ nos mostrou que a incidência de problemas de ejaculação (89,4%) e orgasmo (74,5%) é muito alta entre os pacientes”, ressalta o urologista.

Entre os problemas detectados em pacientes com disfunção sexual, a partir da aplicação do MSQ, estão: diminuição do desejo sexual (28,8%), falta de confiança para a sedução do parceiro (38,3%), insatisfação com as preliminares sexuais (48,8%), frustração com satisfação do parceiro sexual (54,6%), incapacidade de obter uma ereção (71,0%), dificuldade em manter a ereção (67,8%), falta de ereções completas (64,4%), problemas na ejaculação (89,4%), incapacidade de atingir o orgasmo (74,5%) e, insatisfação em geral com a relação sexual (51,1%).

“Entender a dinâmica da vida sexual do paciente possibilita várias intervenções médicas, por isso é importante esse tipo de avaliação com questionários. Existem remédios por via oral, medicações injetáveis, próteses penianas, entre outros tratamentos”, destaca Miranda.

A pesquisa também coloca que dos domínios avaliados pelo questionário QSM, o interesse sexual foi classificado mais alto por mais de metade dos pacientes. De acordo com o pesquisador, esses números são significativos porque confirmam que o interesse sexual é elevado na maioria dos homens com lesão na medula espinhal e reforçam a necessidade de cuidados dos médicos em estar ciente desse problema e compromete-se a discutir o assunto com seus pacientes.

O estudo foi publicado em janeiro, na revista Archives of Physical Medicine and Rehabilitation, com o título Evaluation of Sexual Dysfunction in men with Spinal Cord Injury using the Male Sexual Quotient. A pesquisa teve apoio da Fundação de Amparo à Pesquisado do Estado de São Paulo (Fapesp).

Mais informações: e-mail mirandaedp@gmail.com, com Eduardo De Paula Miranda

Fonte: Soma

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Lesão medular: Bexiga neurogénica

A bexiga neurogénica consiste na perda do funcionamento normal da bexiga provocada por lesões de uma parte do sistema nervoso. A bexiga neurogénica pode ter origem numa doença, num trauma ou num defeito de nascença que afecte o cérebro, a espinal medula ou os nervos que se dirigem para a bexiga, para o seu esfíncter ou para ambos. Existem diversos tipos de bexiga neurogénica: de baixa actividade, quando é incapaz de se contrair e de esvaziar bem, ou hiperactiva, quando se esvazia por reflexos incontrolados.

A função normal da bexiga é armazenar a urina e eliminá-la de um modo coordenado através da uretra. Essa coordenação é regulada através de uma interacção complexa entre o sistema nervosa central e periférico e, se ela for perturbada, pode-se instalar um quadro de bexiga neurogénica.

Quais as causas da bexiga neurogénica?
Uma bexiga neurogénica de baixa actividade é, geralmente, o resultado da interrupção dos nervos locais que a estimulam. A causa mais frequente nas crianças é um defeito de nascença da espinal medula, como a espinha bífida ou o mielomeningocelo.

Uma bexiga hiperactiva resulta, em geral, de uma interrupção do controlo normal da bexiga por parte da espinal medula e do cérebro. Uma causa frequente é um trauma ou uma doença, como a esclerose múltipla, que afectam a espinal medula e que se podem associar a paralisia das pernas (paraplegia) ou dos braços e das pernas (tetraplegia).

A Diabetes Mellitus e a SIDA são doenças que também afectam os nervos periféricos e podem causar retenção urinária. Nestas doenças ocorre destruição dos nervos que controlam a bexiga, causando a sua distensão progressiva e indolor. De facto, na Diabetes os pacientes perdem a sensação de preenchimento da bexiga. Cerca de 25% dos doentes que sofrem um acidente vascular cerebral desenvolvem um quadro de retenção urinária.

Outras doenças que podem causar bexiga neurogénica são a poliomielite, a síndrome de Guillain-Barré, o Herpes genitoanal area, a anemia, a neurosífilis, a doença de Parkinson e a esclerose múltipla. Alguns tipos de tumores podem também podem causar quadros de bexiga neurogénica.

Como se manifesta a bexiga neurogénica?
A incapacidade de controlar a saída de urina (incontinência urinária) está associada com a bexiga neurogénica. O doente pode apresentar um fluxo urinário intermitente, desconforto durante a micção ou mesmo impossibilidade de urinar. Esta retenção urinária pode resultar da incapacidade de contracção do músculo da bexiga ou da perda da coordenação entre esse músculo e o esfíncter da bexiga. Podem ocorrer sintomas de infecção urinária ou de dilatação dos rins, como consequência do quadro de bexiga neurogénica. Podem ainda ocorrer sintomas associados com a formação de cálculos na bexiga. Se ocorrer refluxo da urina da bexiga para os ureteres e daí para o rim, pode ocorrer lesão ou infecção renal, com consequências ainda mais graves. Os sintomas variam de acordo com a etapa em que se encontre a bexiga, em baixa actividade ou hiperactiva.

Como uma bexiga em baixa actividade, em geral, não consegue esvaziar-se, dilata-se até se tornar muito grande. Esta dilatação geralmente não é dolorosa, porque a bexiga expande-se lentamente e tem muito pouca ou nenhuma actividade nervosa local. Em alguns casos, a bexiga permanece aumentada de tamanho, mas perde pequenas quantidades de urina de maneira constante (incontinência por extravasamento).

As infecções da bexiga são frequentes nas pessoas que têm uma bexiga em baixa actividade, dado que a estase da urina residual proporciona as condições para estimular o crescimento de bactérias. Podem formar-se cálculos na bexiga. Os sintomas de uma infecção da bexiga variam em função do grau da actividade nervosa que resta à bexiga.

A bexiga hiperactiva pode encher-se e esvaziar-se sem controlo e com graus variáveis de mal-estar, dado que se contrai e se esvazia por reflexo, ou seja, involuntariamente. Quando existe uma bexiga hipoactiva ou hiperactiva, a pressão e o refluxo da urina a partir da bexiga e através dos ureteres podem lesar os rins. Nas pessoas que têm uma lesão da espinal medula, a contracção da bexiga e o relaxamento do esfíncter podem não estar coordenados, de modo que a pressão na bexiga permanece elevada e não deixa que a urina saia dos rins. Daí podem resultar lesões a nível renal.

Como se diagnostica a bexiga neurogénica?
Quando se suspeita de bexiga neurogénica, é importante avaliar tanto o sistema nervosa como o sistema urinário.

O exame médico pode permitir detectar uma bexiga aumentada de volume, através do exame da parte inferior do abdómen. Os estudos radiológicos nos quais se injecta uma substância radiopaca através de uma veia (urografia endovenosa), ou através de uma sonda que se insere na bexiga (cistografia) ou na uretra (uretrografia), proporcionam mais informação.

Os raios X podem mostrar o calibre dos ureteres e as dimensões da bexiga e, possivelmente, a presença de cálculos e de lesão renal, o que proporciona ao médico uma valiosa informação acerca do funcionamento dos rins. A ecografia proporciona uma informação semelhante. A cistoscopia é um procedimento que permite a observação do interior da bexiga através de um endoscópio flexível que se introduz dentro da uretra, geralmente sem causar dor.

A quantidade de urina que fica na bexiga depois de urinar pode ser medida introduzindo uma sonda através da uretra para esvaziar a bexiga. A pressão interna da bexiga e a da uretra podem ser medidas ligando a sonda a um medidor (cistometrografia). O estudo do cérebro e da espinal medula por métodos de imagem como a ressonância magnética complementa esta informação.

Como se trata a bexiga neurogénica?
O objectivo principal do tratamento da bexiga neurogénica é a prevenção da lesão dos rins. Por outro lado, importa minimizar as limitações e o impacto social desta disfunção. Quanto mais precoce o tratamento menor o risco de deterioração da função renal e menor a necessidade de uma futura cirurgia.

Quando a causa de uma bexiga de baixa actividade (hipotónica) é uma lesão neurológica, pode-se inserir uma sonda (ou algália) através da uretra para esvaziar a bexiga de maneira constante ou intermitente. A sonda introduz-se o mais depressa possível depois da lesão, para impedir que o músculo da bexiga seja lesado por um estiramento excessivo e para prevenir infecções.

A colocação de um cateter de maneira permanente provoca menos problemas físicos nas mulheres do que nos homens. Num homem, a sonda pode provocar a inflamação da uretra e dos tecidos que a rodeiam. As pessoas que desenvolvem uma bexiga hiperactiva também podem necessitar de uma sonda para facilitar o esvaziamento, no caso de os espasmos da saída da bexiga impedirem o seu total esvaziamento. Nos homens tetraplégicos, que não podem utilizar a sonda por si mesmos com este fim, é possível que se tenha de seccionar o esfíncter da saída da bexiga, para permitir o seu esvaziamento e usar um dispositivo externo de recolha.

O tratamento com medicamentos pode melhorar o armazenamento de urina na bexiga, podem aliviar os sintomas associados com a irritação da bexiga ou com a incontinência e podem melhorar o controlo da bexiga. Em geral, o controlo de uma bexiga hiperactiva pode ser modificado com medicamentos que relaxam a mesma, como os anticolinérgicos. Contudo, frequentemente estes causam efeitos secundários, como secura da boca e obstipação; além disso, é difícil melhorar o esvaziamento da bexiga com medicamentos nos doentes com uma bexiga neurogénica.

Por vezes recomenda-se a cirurgia para fazer com que a urina se escoe por uma abertura externa, feita na parede abdominal ou então para aumentar o tamanho da bexiga. A urina que sai dos rins pode ser desviada para a superfície do corpo extirpando um segmento curto do intestino delgado e ligando os ureteres ao mesmo; nesse caso, a urina é recolhida numa bolsa.

Pode aumentar-se a bexiga com um segmento do intestino num procedimento denominado cistoplastia de aumento, e o indivíduo pode assim levar a cabo a auto-algaliação. Nos lactentes, a ligação efectua-se entre a bexiga e uma abertura na pele como medida temporária, até que a criança tenha idade suficiente para uma cirurgia definitiva.
Em todos os casos, é importante reduzir ao máximo o risco da formação de cálculos na urina. Deve-se controlar rigorosamente a função renal. Qualquer infecção dos rins deve ser tratada imediatamente. Recomenda-se beber pelo menos oitos copos de líquido por dia.

Embora a recuperação completa em qualquer tipo de bexiga neurogénica não seja frequente, algumas pessoas restabelecem-se bastante bem com o tratamento.

Como se previne a bexiga neurogénica?
Embora a maioria das formas de bexiga neurogénica não possa ser prevenida, é possível retardar o seu desenvolvimento nos doentes com Diabetes, mediante um controlo rigoroso da glicémia. Numa outra perspectiva, o uso de cinto de segurança na condução automóvel e a não realização de actividades que aumentem o risco de lesões na espinal medula é uma forma importante de prevenir este tipo de bexiga neurogénica.

Fonte: CUF

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Corrida solidária Wings for Life World Run em maio no Norte

A Wings for Life World Run, que tem como lema “correr por aqueles que não podem”, é uma corrida solidária, cuja verba das inscrições reverte na totalidade para a cura das lesões da espinal-medula. A corrida está agendada para 3 de maio e com partida às 12 horas no Porto poderá percorrer, para além da Invicta, mais seis cidades do Norte: Matosinhos, Vila Nova de Gaia, Espinho, Ovar, Aveiro e Murtosa.

A Wings for Life World Run decorre em simultâneo com outros 34 locais do Mundo, devendo juntar cerca de 150 mil pessoas. Sem uma distância definida ou uma chegada física, o vencedor é encontrado por um carro que funciona como meta, que vai partir 30 minutos depois dos corredores, apanhando-os até ao último homem e à última mulher, que serão coroados campeões.

O campeão mundial dos 110 metros barreiras em 1993 e 1999 e vice-campeão olímpico em 1988, Colin Jackson, é o diretor desportivo internacional desta prova, enquanto o ex-atleta paralímpico português Nuno Vitorino, entre outras personalidades portuguesas, são embaixadores da corrida em Portugal. Ambos destacaram, na cerimónia de apresentação da Wings for Life World Run que decorreu quinta-feira na câmara do Porto, a importância desta iniciativa para ser encontrada uma cura para as lesões da espinal-medula.

A inscrição para esta corrida solidária custa 25 euros. A Wings for Life World Run estreou-se em 2014 com 30 países, tendo sido angariados mais de três milhões de euros. A meta da organização é conseguir nos próximos anos 100 países e um milhão de corredores ao mesmo tempo em todo o mundo.

No ano passado, em Portugal, a anfitriã foi a localidade alentejana da Comporta.

Fonte: Plural & Singular

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Novo implante na medula permite recuperar capacidade de andar

Cientistas suíços criaram um novo material, implantável na espinal medula de um corpo paralisado, que lhe permite recuperar a capacidade de andar. O implante foi testado com sucesso em laboratório em cobaias paralisadas, que recuperaram o movimento dos membros afectados. Está agora previsto o início da fase de testes em humanos.

O dispositivo foi desenvolvido por cientistas da École Polytechnique Fédérale de Lausanne (EPFL), na Suíça, liderados pela professora Stéphanie Lacour. O implante é incrustado num novo material flexível, extensível e condutor, desenvolvido à base de silício e ouro dispostos em camadas ultra-finas de apenas 35 nanómetros (0.000035 milímetros).

O dispositivo transmite impulsos eléctricos e administra medicação, funcionando como uma “ponte”entre segmentos da espinal medula que tenham sido decepados. O novo material foi baptizado de e-Dura, a partir de dura mater, ou dura, a mais espessa das três membranas, ou meninges, que envolvem o cérebro e a espinal medula.

Devido à sua flexibilidade e elasticidade, o e-Dura não causa inflamação nem é rejeitado pelo tecido da espinal onde é implantado. “A espinal medula expande-se e relaxa”, explica a professora Stéphanie Lacour. “Se tivéssemos um material não deformável, a fricção iria causar inflamação”.

“O nosso implante pode permanecer por períodos de tempo mais longos na espinal e no córtex precisamente porque tem as mesmas propriedades mecânicas da dura mater“, revela Lacour. O resultado da investigação foi publicado esta sexta-feira na revista Science . Os investigadores esperam agora efectuar testes em humanos e desenvolver um protótipo para uso comercial.



Enviado por José Mariano - Fonte: AJB, ZAP

domingo, 7 de dezembro de 2014

A cura da Lesão Medular

Cientistas americanos dizem ter desenvolvido uma droga que pode incentivar os nervos na medula espinhal a crescer e reparar lesões. O estudo com ratos, divulgado na publicação científica Nature, permitiu a recuperação dos movimentos e controle da bexiga. A droga funciona ao perturbar a "cola pegajosa" que impede que as células nervosas cresçam durante uma lesão.

sábado, 11 de outubro de 2014

Filho de Christopher Reeve anuncia progresso no tratamento contra lesão medular

Dez anos após a morte do eterno Super Homem Christopher Reeve, seu filho mais velho Matthew anunciou nesta quinta-feira (9) grande novidade no tratamento contra lesão medular e desejou que seu pai estivesse vivo para ver.

À revista People ele comentou que é difícil não pensar no pai e como seria se ele estivesse lá. Também apresentou, pela primeira vez, o avanço no tratamento de dois homens por meio da terapia de "estimulação epidural". Até eles então acreditavam que jamais poderiam se movimentar da cintura e do pescoço para baixo, mas agora já podem movimentar a cintura, os dedos e as pernas.

Apesar da perda, Matthew comentou que as pesquisas não teriam avançado tanto, se não fosse por seu pai.

Segundo a revista, após ficar paralisado devido a uma queda de cavalo, Chistopher e sua mulher Dana Reeve – morta em 2006 por um câncer na garganta –, trabalharam para melhorar a vida de seis milhões de pessoas com paralisia através do Chistopher & Dana Reeve Foundation.

Matthew ainda contou sobre o envolvimento da família em dar continuidade aos projetos dos pais.

– É uma grande honra continuar o que eles começaram. Eu não chegarei perto de ser produtivo como ele foi, em termos de arrecadar dinheiro e reunir esforços, mas é uma causa que está próximo do meu coração.

Agora ele espera dar um passo ainda maior e arrecadar a quantia de US$ 15 milhões para levar o tratamento para mais 36 homens e mulheres para a próxima fase da pesquisa, que acontece na Universidade de Louisiana, no Kentuky.

Fonte: R7

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Menino de 12 anos recebe prótese vertebral feita por impressora 3D

Um garoto chinês de 12 anos é o primeiro humano a receber um implante vertebral criado por uma impressora 3D. Depois de se machucar jogando bola, médicos descobriram que o menino tinha um tumor maligno na medula espinhal. Realizada a cirurgia nas vértebras, um dos ossos da criança acabou precisando de um pequeno implante, e aí que entrou a impressora.
Feito de pó de titânio, a prótese superou os moldes já pré-fabricados por ter sido feita exatamente com as medidas necessárias ao corpo do garoto. Para os doutores, não há riscos com a impressão 3D, já que foi feita com pequenos furos para ossos crescerem na direção correta. Para especialistas, as impressoras poderão revolucionar a história da medicina ortopédica.
Depois da cirurgia, a equipe médica acredita que sua recuperação será bem sucedida. Não é a primeira vez que impressões 3D são usadas em implantes. No começo deste ano, umhomem recebeu próteses faciais na Inglaterra e uma mulher na Holanda recebeu implantes no crânio.

Fonte: Galileu

terça-feira, 4 de março de 2014

Pacientes com lesões na espinal medula devem ser rastreados sobre apneia do sono

Um novo estudo sugere que pacientes com lesões na espinal medula poderiam beneficiar de uma avaliação cuidadosa sobre a apneia do sono, segundo um artigo publicado em janeiro no Journal of Clinical Sleep Medicine, da Academia Americana de Medicina do Sono.

Uma pesquisa liderada por Abdulghani Sankari da Faculdade de Medicina Wayne na Universidade Estadual de Detroit, nos Estados Unidos, avaliou 26 pacientes com lesão medular crônica, incluindo 15 com trauma cervical e 11 com trauma torácico. O estudo conclui que 77 por cento dos sobreviventes apresentavam distúrbios respiratórios do sono e 92 por cento relatam má qualidade do sono.

A pesquisa também descobriu que a natureza dos distúrbios respiratórios do sono em pacientes com lesão medular é complexa, com uma elevada ocorrência de dois eventos de apneia do sono obstrutiva e central. A apneia do sono central, que requer uma atenção especial no diagnóstico e tratamento, foi mais comum em pacientes com lesão cervical, em comparação com os que tinham uma lesão torácica.

Abdulghani Sankari sublinha que os resultados “ajudam a identificar o mecanismo de distúrbios respiratórios do sono na lesão da espinal medula e podem fornecer potenciais alvos para novos tratamentos”, pois os distúrbios respiratórios do sono podem contribuir para o aumento da mortalidade cardiovascular em pacientes que apresentem esta condição.

“Todos os pacientes com lesão medular devem ser submetidos a uma avaliação abrangente de sono completa, recorrendo a exames de polissonografia para o diagnóstico preciso da apneia do sono”, conclui o autor, que relembra que este é o primeiro estudo a avaliar alterações na respiração e ventilação durante o sono, comparando dois níveis distintos de lesão medular – cervical e torácica.

Fonte: Ser Lesado

segunda-feira, 3 de março de 2014

Em busca da cura da lesão medular

Em 1985, Barth A. Green, MD e NFL Hall of Fame linebacker Nick Buoniconti ajudou a fundar o Projeto Miami para curar paralisia após o filho de Nick, Marc, sofreu uma lesão da medula espinhal durante um jogo de futebol da faculdade.
Hoje, o Projeto Miami é medula espinhal centro de pesquisa lesão mais abrangente do mundo, e é um Centro de Excelência designada na Universidade de Miami Miller School of Medicine. Equipe internacional do Projeto Miami está alojado o Papa Life Center Lois e inclui mais de 250 cientistas, pesquisadores e clínicos que fazem abordagens inovadoras para os desafios do cérebro e lesões da medula espinhal.

Christine E. Lynn Iniciativa Ensaios Clínicos do Projeto Miami é projetado para ter descobertas encontrados para ser bem sucedido em estudos de laboratório e rápido encontrá-los para estudos em humanos, como o nosso FDA aprovou Schwann julgamento transplante de células. O Projeto de Miami está bem posicionada e confiante de que temos a experiência, o conhecimento ea unidade para continuar a navegar através do processo e iniciar novos ensaios clínicos. Desde a sua criação, o Projeto Miami tem trabalhado com cuidado e diligência para atingir esses objectivos e os resultados mostram que é a hora certa para continuar a fazer estes passos importantes em seres humanos.

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sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Caldas de São Jorge: Doentes com lesões graves enganados por falso médico em centro ilegal

Apresenta-se na Internet como um centro que trata quase tudo, cobra até seis mil euros por mês aos seus utentes, mas… falta-se licenciamento. Quanto ao alegado médico, Manuel Batista, não tem registo na Ordem dos Médicos, mas já se apresentou como neurologista, terapeuta e nutricionista.

Doentes com lesões graves queixam-se de ter sido enganados num falso centro de reabilitação física por um falso médico. A Renascença foi até lá, a Caldas de S. Jorge, Santa Maria da Feira.

O dito centro que não está licenciado nem registado como unidade de saúde, o que não impede os seus responsáveis de terem doentes internados e de lhes cobrarem até seis mil euros por mês.

Na Internet e no Facebook, aparece como centro de reabilitação física que trata praticamente tudo através do que chama o “método cubano”. Legalmente, não existe e o que a Renascença encontrou foi uma casa privada, sem nada que a identifique como unidade de saúde (lá dentro, ao fundo, vê-se alguém em cadeira de rodas).

À porta, quem atende é Manuel Batista. Não deixou entrar a Renascença e chamou por telefone o advogado e a filha, para nos dizerem que Manuel Batista, afinal, “não desempenha nenhum cargo” e é apenas um “voluntário” no centro.

Anabela, emigrante na Bélgica, foi das primeiras doentes a passar meses no dito centro de reabilitação, mas hoje diz-se enganada e sem melhoras.

“Eu cheguei aqui a pagar 5.500 euros por mês, mas há lá pessoas a pagar seis mil euros por mês e não passa facturas, não há nada, nem há nada para as Finanças”, relata.

Anabela ficou paraplégica num acidente. Há cerca de três anos, falaram-lhe de um bom médico, veio para Portugal e começou por ser tratada em casa pelo “Doutor” Manuel Batista.

“Ele aproveita-se destas pessoas frágeis, como eu, porque ficamos na expectativa. Quando eu vim para cá, o que ele prometeu é que num mês ficava a comer sozinha, caminhava”, recorda a antiga utente do falso centro.

Não há registo na Ordem dos Médicos, mas familiares e doentes disseram àRenascença que Manuel Batista já se apresentou como neurologista, terapeuta e nutricionista.

Confrontado, Manuel Batista afirma que “isso é mentira” e que, na verdade, é “naturoterapeuta”, formado na Escola de Biologia e Saúde de Lisboa.

A escola foi mandada encerrar em 2009 pelo então ministro da Educação, Mariano Gago, por ter cursos que não estavam reconhecidos.

Contactadas pela Renascença sobre este caso, a Administração Regional de Saúde do Norte afirma não ter qualquer convenção com este centro e a Entidade Reguladora da Saúde diz não ter qualquer registo do centro de reabilitação ou dos seus responsáveis.

Fonte e video: Rádio Renascença

EU: Tenho dois amigos que a frequentaram. Um com tetraplegia acabou de abandonar o centro porque não tinha mais condições financeiras para o continuar a frequentar. Ambos adoraram o centro e só falam bem. Este último relatava-me que as condições eram excelentes, dormia em quarto individual com uma enfermeira  disponivel 24 horas, e seu treino intestinal melhorou muito.
Só achei estranho praticamente não sairem e só poderem utilizar cadeira de rodas manual.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Um passo para curar lesões da medula

O rapaz da foto ao lado não é apenas mais um cadeirante. É o cientista Paul Lu, da Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD), que assina um recente trabalho cientifico, talvez o de maior impacto na área de regeneração de lesões da medula espinhal, publicado neste ano pela revista “Cell”.

Encontrei-me com Paul a primeira vez quando fazia uma entrevista para uma vaga na UCSD em 2001. Paul já trabalhava com o grupo de Mark Tuszynski, um dos mais feras na área de regeneração de lesões medular usando células-tronco. Paul entrara para o grupo de Mark após ter sido atropelado por um carro em uma visita a San Diego. A mudança de estilo de vida fez com que a motivação de Paul se direcionasse para a grande promessa da medicina regenerativa: o uso de células-tronco como fonte de reposição dos neurônios degenerados durante acidentes desse tipo.

O trauma da medula espinhal é basicamente uma lesão na medula espinhal, diretamente na medula ou indiretamente através de lesões em ossos, tecidos ou vasos sanguíneos adjacentes. Quanto mais perto do pescoço, maior o impacto da lesão, atingindo membros superiores e inferiores. Pelo que sabemos através de modelos animais, assim que a lesão atinge a medula espinhal, temos o rompimento dos nervos que atravessam a região, levando à desconexão dos membros com o cérebro, resultando em paralisia. Esse processo é rápido, acontece em dias. Além disso, o sangramento, o acúmulo de líquidos e o inchaço podem ocorrer dentro ou fora da medula espinhal – mas dentro do canal espinhal. O acúmulo de sangue ou líquidos pode comprimir a medula espinhal e lesioná-la, piorando ainda mais o quadro. Como se não bastasse, a morte dos neurônios estimula um processo inflamatório que impede o crescimento de novos neurônios na região. Esse ambiente hostil tem sido o grande impedimento do uso de células-tronco como alternativa terapêutica, pois as células transplantadas para a região da lesão não conseguem se especializar em neurônios funcionais.

Estudos anteriores haviam se utilizado de células-tronco neurais adultas, ou seja, isoladas diretamente do sistema nervoso, como fonte de células para transplante. Essas células podem ser encontradas em biópsia de tecidos olfativos ou de cérebro de fetos abortados e doados para pesquisa. A grande sacada de Paul foi utilizar células embrionárias, com um poder de diferenciação maior. Paul utilizou células extraídas do cérebro embrionário de animais e as transplantou em ratos que tiveram a medula espinhal totalmente lesada. Ele observou que, ao contrário das células-tronco adultas, as embrionárias conseguiam se diferenciar de forma muito eficiente, gerando neurônios que conseguiram atravessar a lesão e estender processos neuronais, conectando-se de forma funcional com o outro lado da lesão, recuperando a transmissão do impulso nervoso pela medula. Os animais transplantados recuperaram a sensibilidade e passaram a se movimentar depois de um tempo.

Para provar que o sistema funcionaria em humanos, Paul decidiu usar células-tronco embrionárias humanas. Os resultados foram ainda mais impressionantes. A plasticidade das células humanas não deixou a desejar e também fez os animais recuperarem a atividade motora. As imagens do trabalho mostram que o numero de neurônios formados após o transplante é muito superior ao que era conseguido com células-tronco adultas. Isso sugere que a capacidade de se especializar em neurônios, mesmo num ambiente não muito receptivo, é superior quando a célula-tronco é mais imatura. Provavelmente, essas células seriam as melhores para tratamento de lesões da medula em humanos. Obviamente, um cuidado a ser tomado é a ocorrência de teratomas, ou tumores de origem embrionária, que podem se originar a partir de células-tronco não especializadas que, por ventura, sobrevivam após o transplante. De qualquer forma, esse tipo de efeito colateral pode ser controlado com drogas que atingem apenas as células-tronco imaturas, em divisão.

O trabalho de Paul dá um passo importante para a medicina regenerativa. Identifica a melhor fonte de células-tronco e as condições ideais para esse tipo de transplante. Os ensaios clínicos em humanos deverão começar em breve. Vale a pena contrastar esse tipo de estratégia com a que foi proposta pela empresa californiana Geron um tempo atrás. A Geron apostava em transplante de células neurais precursoras capazes de produzir mielina – a barreira de gordura que protege os neurônios. O objetivo era o de evitar a degeneração dos neurônios sobreviventes, e não a regeneração da lesão. Com resultados pré-clínicos muito menos claros que os descritos por Paul, a Geron conseguiu a aprovação do FDA para testes em humanos, mas a empresa acabou falindo antes de concluir esses ensaios. Baseando-se nos dados do Paul, é possível prever que os transplantes da Geron em humanos não seriam bem sucedidos.

A primeira descrição de uma lesão medular da espinha e sua consequência para um ser humano está num papiro egípcio com mais de 3,5 mil anos de idade. O documento descreve claramente os sintomas clínicos e os efeitos traumáticos de uma tetraplegia. Também diz que esse tipo de lesão é incurável. É irônico imaginar que tanto tempo depois, um passo importante para o tratamento e eventual cura de lesões desse tipo venha justamente de um cadeirante.