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sábado, 25 de janeiro de 2020

Tiago ruma aos EUA para conhecer o exoesqueleto que o poderá tirar da cadeira de rodas

O preparador físico da ginasta Beatriz Martins está a caminho dos Estados Unidos para fazer testes com o exoesqueleto HAL e tentar qualificar-se para o programa Cyberdyne, que o poderá tirar da cadeira de rodas e permitir andar.


Tiago Sousa era atleta de alta competição de tumbling, no Lisboa Ginásio Clube (LGC), quando, em 12 de janeiro de 2005, com 21 anos, sofreu um acidente num treino e contraiu uma lesão grave que o remeteu para uma cadeira de rodas.

“Estava a fazer um treino e [num mortal] parei no ar, caí com a testa e o corpo foi todo para a frente, fazendo a luxação das [vértebras cervicais] C5 e C6. Percebi que era muito grave, porque chegavam pessoas ao pé de mim e eu gritava porque não me conseguia levantar. Quando cheguei ao hospital, percebi que era algo realmente grave, porque não mexia nada do pescoço para baixo”, começa por recordar, em entrevista à agência Lusa.

O acidente conduziu-o a um longo processo de tratamentos, fisioterapia e, ao fim de dois anos, abriu-lhe um novo rumo, quando saiu do Centro de Medicina e Reabilitação de Alcoitão e assistiu a um treino de tumbling, altura em que percebeu que era ali que queria estar. De outra forma, por outro meio. O ex-aluno do curso Técnico-Profissional de Desporto tirou uma especialização como instrutor de fitness, fez um curso de micro expressões e linguagem corporal e tornou-se preparador físico de vários atletas, colaborando ainda na preparação de atletas do Projeto Olímpico de trampolins e da seleção nacional.

Hoje, com 35 anos, o desafio de Tiago Sousa é outro. Conquistou alguma atividade motora nos membros inferiores e consequentemente o acesso aos testes com o exoesqueleto HAL (“Hybrid Assistive Limb”), que vão decorrer em Jacksonville, nos EUA.

“Este é um grande objetivo ter conseguido ir para o Cyberdyne HAL. De 14 a 24 de fevereiro, vou fazer os testes para ver se consigo ficar os três meses. Em 2016, tentei entrar, só que ainda não tinha os pré-requisitos de atividade muscular para ingressar nesse programa. De há dois, três anos para cá comecei a treinar e a ser o bio-atleta de alta competição para conseguir alcançar este grande objetivo que é ingressar neste programa”, explica.

Caso seja bem-sucedido nos testes, Tiago Sousa, que, entretanto, já recuperou grande parte da mobilidade dos membros superiores, usará diariamente, durante 45 minutos a uma hora, o exoesqueleto HAL.

“A diferença entre este exoesqueleto e os outros é que, para este exoesqueleto HAL funcionar, tem de haver atividade muscular, nem que seja o mínimo. Porquê? Que vai fazer este exoesqueleto? Vai potenciar essa mensagem. Ou seja, se eu quiser por o exoesqueleto a trabalhar, e não tiver nenhuma atividade muscular, ele não vai mexer”, esclarece.

A expectativa de Tiago Sousa não é, contudo, “sair de lá a andar”, mas dar um passo rumo à sua total recuperação.

“A minha ambição é a de sempre, a de criar metas para alcançar o grande objetivo. Não estar tão focado nesse objetivo de sair da cadeira de rodas e andar, que vai ser o objetivo para o resto da minha vida ou até acontecer, mas ficar mais focado no processo e em todas as conquistas que vou conseguindo dia a dia”, frisa.

Mas para conseguir realizar o programa, o preparador físico desenvolveu uma campanha de angariação de fundos para tentar reunir 10 mil euros para os testes e 30 mil euros para os três meses da Cyberdyne HAL.

Mediante este desafio, Beatriz Martins não hesitou em juntar-se à causa de “um profissional incrível”, fazendo um apelo nas redes sociais e disponibilizando-se para as iniciativas que estão a ser desenvolvidas, como aulas de fitness, zumba ou ‘workshops’.

“Tocou-me um bocadinho mais no coração, é meu amigo, é meu treinador e, por ser uma pessoa tão próxima, sei o quanto ele quer isto, o quanto trabalhou para isto e acho que é altura de se focar um bocadinho mais nele próprio”, defende a ginasta, assegurando que “nunca foi muito estranho” o seu preparador “estar numa cadeira de rodas e nunca houve um dia em que achasse que as limitações do Tiago estavam a limitar” o seu treino.

Em vésperas da partida, Tiago Sousa mostra-se extremamente confiante naquela que chama a qualificação para os seus Jogos Olímpicos.

“Sinto-me tão forte fisicamente e mentalmente que, mesmo que não alcance [a qualificação], sei que vai aparecer alguma coisa e eu hei de conseguir alcançar. Mas o objetivo é ir lá e, com toda a minha força, e de todas as pessoas que estão à minha volta, conseguir fazer o programa e viver sozinho”, conclui Tiago Sousa.

Fonte: SAPO24

domingo, 19 de janeiro de 2020

Deficientes "presos em casa" por falta de ajuda financeira

As pessoas com deficiência chegam a esperar dois anos pelos apoios à mobilidade atribuídos pela Segurança Social. A Confederação Nacional de Organismos de Deficientes afirma que existem várias pessoas "presas em casa" por falta de cadeiras de rodas elétricas ou de carros adaptados.


“Pessoas que passam por uma ansiedade bastante grande, enquanto estes produtos não vêm. Alguns deles têm uma grande implicação na mobilidade”, afirmou o presidente da Confederação Nacional de Organismos de Deficientes, Cabaço dos Reis, à Antena 1. Em causa está o funcionamento do Sistema de Atribuição de Produtos de Apoio (SAPA), que é tutelado pela Segurança Social.O Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social garante que em 2020 vai haver mais verbas para estes apoios. Estão reservados 20 milhões de euros, quase o dobro do calor disponível em 2016.

Assista à entrevista em áudio AQUI. e AQUI.

Segundo o Ministério tutelado por Ana Mendes Godinho, citado pelo Jornal de Notícias, “na subclasse adaptações para carros do SAPA, foram apoiados, no ano passado, 106 produtos pedidos por 71 pessoas”.O Jornal de Notícias dá o exemplo de um tetraplégico de 51 anos, trabalhador da Nokia, que em 2017 pediu uma cadeira de rodas elétrica para substituir a manual que usa atualmente, sem condições. Mas, dois anos depois, continua a aguardar resposta da Segurança Social.

No entanto, encontravam-se ainda pendentes “271 produtos para 184 beneficiários”. O Governo admite que “há casos residuais de 2017 e 2018, que ainda não foram contemplados”. Jorge Falcato, o primeiro deputado eleito de cadeiras de rodas para a Assembleia da República, afirma à Antena 1 que “o sistema nunca funcionou bem”.

“De maneira que as queixas são recorrentes. Há muitas diferenças, há centros regionais de Segurança Social que funcionam melhores do que outros. E há muitas assimetrias”, acrescentou. Segundo Jorge Falcato, que foi deputado entre 2015 e 2019 como independente nas listas do Bloco de Esquerda, “há pessoas que têm cadeiras elétricas e esperam meses por umas baterias”.

“Depois, quando o processo está concluído, há situações em que se alega a falta de orçamento, falta de dinheiro, para fazer o pagamento do produto de apoio”, acusou.

Fonte: RTP.pt

domingo, 8 de dezembro de 2019

Úlceras por pressão: «Prevenir custa 2 euros por dia, tratar são 50 euros por dia»

A justnews,pt destaca que a Associação Portuguesa de Tratamento de Feridas (APTFeridas) voltou a assinalar este ano o Dia Internacional Contra as Úlceras por Pressão. Além da realização de algumas iniciativas durante o mês de novembro, o tema esteve em destaque no Congresso da ATPFeridas.


Para Filomena Sousa, enfermeira responsável pelo Grupo de Trabalho de Úlceras de Pressão, não há qualquer dúvida: "Este é um problema de saúde que, além do sofrimento e do risco de morte, aumenta os custos para o erário público."

“As úlceras por pressão continuam a ser desvalorizadas"
“Prevenir custa 2 euros por dia, tratar são 50 euros por dia”, sublinha Filomena Sousa. Em declarações à Just News, a especialista adverte: "Trata-se de feridas graves que provocam um enorme sofrimento e angústia quer para o doente como para a família." Além de que "fica muito mais oneroso tratar do que prevenir".

Contudo, apesar da sua gravidade, “as úlceras por pressão continuam a ser desvalorizadas, não existindo uma noção concreta do seu impacto por parte das entidades decisoras e das instituições”. E, na sua opinião, "prova disso é o desconhecimento da Meta 7 do Plano Nacional para a Segurança do Doente de 2015-2020".

“Ficou estabelecido que, até 2020, se teria de reduzir em 50% as úlceras de pressão, seguindo-se determinados critérios e normas. Mas este objetivo audacioso não deverá ser cumprido", refere a enfermeira do Serviço de Ortopedia do Hospital da Prelada e mestre em Ciência de Enfermagem.

Um dos obstáculos que impedem o combate a este tipo de feridas está na escassez de recursos matérias e humanos. “O posicionamento do doente não deve ser feito apenas por um enfermeiro, mas nem sempre há o número adequado de profissionais de saúde", explica Filomena Sousa.

Apesar das dificuldades, a enfermeira garante que todos os profissionais envolvidos neste projeto estão muito empenhados: “Temos que continuar sempre a sensibilizar a população em geral, principalmente cuidadores formais e informais, assim como profissionais do setor da saúde e os decisores." No fundo, o objetivo é manter em curso a campanha internacional STOP UPP (STOP às úlceras por pressão).

A responsável do Grupo de Trabalho de Úlceras de Pressão da APTFeridas aproveita para dar um exemplo ilustrativo da gravidade deste problema de saúde: "Relembro que o ator Christopher Reeve – o Super-Homem – morreu na sequência de uma úlcera que evoluiu para septicemia, apesar de ter dois enfermeiros a tempo inteiro e um médico a apoiá-lo.”

No Congresso APTFeridas’19 foram também apresentadas as novas guidelines das úlceras por pressão, que atualizam as de 2014. “São muito mais sucintas e concretas, baseadas em evidência de nível A, e de fácil aplicação", afirma Filomena Sousa.

Outro aspeto relevante são as orientações mais específicas para os grupos de risco das crianças, idosos, acamados, pessoas com lesão vertebro-medular e doentes em estado crítico.

O Congresso marcou também o encerramento das comemorações dos 20 anos da APTFeridas.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Sueca recebe primeiro implante de "mão biônica" do mundo

Pela primeira vez no mundo, especialistas implantaram, de modo permanente, uma prótese para mão sensível ao toque e que reconhece objetos, semelhante a natural, em uma sueca de 45 anos de idade. A intervenção cirúrgica foi realizada no Hospital Universitário Sahlgrenska, em Gotemburgo, pelos especialistas Richard Brenemark e Paolo Sassu. A expectativa é de que em poucas semanas a paciente possa usar a "mão biônica" diariamente.


O equipamento foi desenvolvido graças ao projeto europeu "DeTOP", liderado por Christian Cipriani, da Escola Superior Sant'Anna de Pisa, na Itália, que conta com a ajuda de especialistas do Politécnico de Lausanne, na Suíça, além de pesquisadores da Universidade de Freiburg, na Alemanha. A mulher, que teve sua mão amputada em 2002, participa de um programa de reabilitação, para recuperar a força nos músculos do antebraço, e de realidade virtual, para aprender a controlar a mão robótica.

"Graças a esta interface homem-máquina tão precisa e graças à habilidade e sensibilidade da mão artificial, nós esperamos que a alguns meses a mulher reconquiste funcionalidades motoras e perceptivas muito semelhantes as de uma mão natural", observou Cipriani.

Nos ossos do antebraço da mulher foram implantadas estruturas de titânio como uma ponte entre os ossos e as terminações nervosas de um lado e a mão robótica do outro. Graças a 16 eletrodos inseridos nos músculos, foi possível estabelecer uma ligação direta entre a prótese e o sistema nervoso. Desta forma, a mão robótica pode ser controlada de uma forma mais eficiente, além de permitir restaurar o sentido do tato.

O projeto do implante foi financiado pela Comissão Europeia no âmbito do programa Horizonte 2020. As universidades suecas de Lund e Gotemburgo, a britânica de Essex, o Centro Suíço para Eletrônica e Microtecnologia, a Universidade Campus Bio também estão participando do projeto.

Além delas, há a contribuição da Universidade Biomédica de Roma, o Centro de Prótese do Instituto Nacional de Seguro contra Acidentes de Trabalho (Inail) e do Instituto Ortopédico Rizzoli de Bolonha. Segundo Cipriani, o grupo já está trabalhando para realizar outras duas intervenções similares na Itália e na Suécia.

Fonte: Época

sábado, 5 de janeiro de 2019

Centro de Inclusão Social ou de segregação na Madeira?

O Centro de Inclusão Social da Madeira (CISM), que será inaugurado em Janeiro próximo no Funchal, é apresentado pelo executivo madeirense como uma infra-estrutura de “referência” para o país, mas a Associação Portuguesa de Deficientes (APD) preferia que os quase sete milhões de euros que vai custar fossem investidos em medidas de inclusão.
O edifício, com uma área a rondar os 10 mil metros quadrados, apresenta um leque alargado de valências, entre as quais um apartamento para treino de vida diária e uma área complementar para formação e treino de autonomia. “Responde às necessidades actuais da região e também perspectiva as necessidades futuras”, resumiu aos jornalistas a secretária regional da Inclusão e dos Assuntos Sociais, Rita Andrade, numa visita recente ao futuro centro, que está em fase de conclusão. Será, acrescentou, uma infra-estrutura de referência para Portugal, e mesmo dentro do espaço ibérico.

Rita Andrade sustenta o discurso no conjunto de serviços e de respostas que o CISM vai dar. Área terapêutica com ginásio de psicomotricidade e fisioterapia, psicologia, terapia ocupacional e da fala, música, sala de snoezelen para estímulos sensoriais, cozinha, sala de trabalhos manuais, sala de têxteis, sala de cerâmica e pintura, horta pedagógica e um canil. O centro tem também um lar de internamento para 51 pessoas. É principalmente em relação ao lar que a APD é mais crítica.

“Julgamos que os milhões de euros investidos poderiam ter sido aplicados em assegurar uma educação inclusiva de qualidade, formação profissional inclusiva de qualidade e na acessibilidade”, diz ao PÚBLICO a presidente da APD, Ana Sezudo, argumentando que estas, sim, são medidas que visam a inclusão das pessoas com deficiência na comunidade e não o seu isolamento e segregação.

“Retrocesso civilizacional”

A APD fala mesmo em “retrocesso civilizacional” quando olha para o CISM, considerando que a “institucionalização de pessoas com deficiência”, mesmo em “equipamentos dotados de serviços bem apetrechados”, mais não é que a “segregação de seres humanos”

O governo madeirense rejeita esta leitura. O Instituto de Segurança Social da Madeira (ISSM) lembra ao PÚBLICO que a “estrutura de lar residencial sempre existiu quer a nível regional, quer a nível nacional”, e que os utentes que irão ocupar este espaço já se encontram em regime de internamento, noutras instalações com menos condições.

“Só são institucionalizados os utentes cujos pais não têm condições ou possibilidades de transportar diariamente os seus familiares. A decisão de institucionalizar cabe sempre aos familiares”, indica o ISSM, sublinhando que a única preocupação é “providenciar as melhores condições de vida possíveis” a pessoas com necessidades especiais, promovendo o acompanhamento das respectivas famílias.

Para o CISM, além do lar residencial, transitam serviços e valências dos vários centros de actividades ocupacionais (CAO) do Funchal. Os restantes, dispersos pela ilha, vão continuar a funcionar, mas também vão beneficiar das ofertas disponibilizadas na nova infra-estrutura.

A APD carrega nas críticas. O Estado português, lembra Ana Sezudo, ratificou a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, reconhecendo a igualdade de direitos que todos têm de viver em comunidade. “[Portugal] comprometeu-se a tomar as medidas eficazes e apropriadas para a sua total inclusão e participação na comunidade”, diz, considerando que a “concentração e isolamento” de pessoas com deficiência numa instituição constitui uma “violação clara” destes compromissos.

“A Comissão sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência nas observações finais sobre a implementação da convenção recomendou ao Estado português que eliminasse os locais de trabalho segregados, incluindo a revisão da legislação que regula os CAO, o que não foi feito até à data”, alerta a responsável pela APD.

O CISM, ressalva o executivo madeirense, não é única resposta da Madeira às pessoas com necessidades especiais. Existe, garante o gabinete de Rita Andrade, um conjunto de programas que promovem a inclusão, tanto ao nível do ensino como do emprego, que vão desde a majoração de subsídios a bolsas de formação e incentivos à contratação.

Fonte: Público

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Implante no cérebro permitiu a paralisados usar 'tablets' com o pensamento

Pessoas com paralisia poderão usar 'tablets' e outros aparelhos usando apenas o pensamento, através de um implante do tamanho de um comprimido inserido no cérebro, que passa a interagir diretamente com o computador, segundo um estudo publicado esta quarta-feira. O implante foi experimentado em três voluntários tetraplégicos e regista a atividade cerebral a partir de um pequeno sensor instalado na parte do córtex responsável pelo movimento. 
Com essa tecnologia, os voluntários conseguiram usar programas num 'tablet' para mandar correio eletrónico, trocar mensagens num 'chat', ouvir música e usar aplicações de partilha de vídeos. Navegaram na Internet, fizeram compras 'online', contactaram família, amigos, trocaram mensagens entre si e com a equipa de investigadores de várias instituições norte-americanas, como as universidades de Stanford e Brown. 

A tecnologia Braingate deteta sinais associados com movimento registados no córtex motor, descodifica-os e envia-os para dispositivos externos, o que já tinha sido experimentado para permitir a pessoas paralisadas mover braços robóticos. Dois dos voluntários do teste sofrem de esclerose lateral amiotrófica, que afeta os nervos no cérebro e na espinal medula que controlam o movimento e o outro sofreu uma lesão na coluna que o paralisou. Usando o implante, conseguiram mover o cursor e selecionar um ícone 22 vezes por minuto numa série de aplicações.

Fonte: CM

sábado, 27 de outubro de 2018

Nem escola, nem centro ocupacional: pessoas com deficiência num beco sem saída

Pedro Teixeira tem 95% de incapacidade atribuída por uma junta médica. A sua idade mental ronda os três anos, mas fez os 18 em janeiro. Por isso, este ano letivo não pode voltar à escola. Também ainda não tem lugar num Centro de Atividades Ocupacionais (CAO). Está em casa.
É um mundo adaptado. Há rampas, elevadores, computadores, uma piscina com esponjas, uma sala para trabalhos manuais, um ginásio, um dormitório, uma sala repleta de texturas, luzes, sons e água para terapia sensorial. "É como um filme de ficção científica." Inês Rebelo, irmã do Pedro, recorda o dia 10 de maio, quando acompanhou a mãe na ida à CERCI dos Olivais para conhecerem a instituição em que o irmão estava inscrito.

Eram nove pessoas. Quatro famílias. Começaram na sala de convívio e foram conduzidos pelo edifício enquanto lhes era explicado o funcionamento da instituição e o processo de entrada. Os pais faziam muitas perguntas. A maioridade ainda não tinha chegado para todos os candidatos, mas o prazo estava a expirar.

Durante a visita foram informados de que a lista de espera era longa e que podia passar muito tempo até conseguirem que os filhos pudessem ter um lugar ali. "É como mostrarem-te um chocolate com muito bom aspeto e depois tirarem-to", explica a mãe de Pedro, Paula Rebelo.

Pedro Teixeira fez 18 anos a 27 janeiro. Já não pode frequentar mais a turma de multideficiência da escola básica Fernando Pessoa, nos Olivais, em Lisboa, onde esteve nos últimos cinco anos. Também não pode seguir formação profissional porque o síndrome de Prader-Willi e a translocação entre dois cromossomas desconhecida no mundo inteiro fazem dele um rapaz de três anos preso num corpo de um adolescente.

Está no limbo. Aguarda um lugar numa das sete instituições em que está inscrito. Ele acredita que vai para uma escola nova. No supermercado, pede lápis de cor, canetas e cadernos. A família explica-lhe que não vai poder voltar para a escola. Ele insiste. Eles insistem.

A lei existe, mas não assegura o futuro
No ano letivo 2016/2017 havia 87.039 alunos com necessidades especiais inscritos nas escolas portuguesas, mais 7% do que no ano anterior, segundo os dados da Direção Geral de Estatística da Educação e da Ciência. Destes, 2.156 frequentaram unidades de apoio especializado para alunos com multideficiência, tal como Pedro.

"Cada ano [letivo] que passa é pior, porque há cada vez mais gente com 18 anos que sai do sistema educativo sem uma resposta", conta Rogério Cação, vice-presidente da FENACERCI, Federação Nacional de Cooperativas de Solidariedade Social e ex-professor de educação especial.

"Enquanto o sistema não for alterado, nós não temos resposta. E qualquer vaga que se crie por desistência ou falecimento é imediatamente preenchida", continua.

Pedro Teixeira cumpre todos os requisitos para integrar um Centro de Atividades Ocupacionais (CAO). "As atividades ocupacionais destinam-se a pessoas com deficiência grave, com idade igual ou superior a 16 anos, cujas capacidades não permitam, temporária ou permanentemente, o exercício de uma atividade produtiva", pode ler-se no artigo 4.º do decreto de lei n.º 18/89.

E há pelo menos três anos que a família "manifesta o desejo de que o seu educando faça a integração num Centro de Atividades Ocupacionais perto da sua área de residência." O desejo está expresso no Plano Individual de Transição (PIT) de Pedro - um contrato entre a escola, a família e instituições onde está registado o percurso escolar do aluno e que pretende delinear uma estratégia para o futuro do mesmo.

O futuro foi planeado. Paula conta que na escola sempre a descansaram dizendo que haveria uma vaga para o filho Pedro. Mas as inscrições nas instituições tardaram. Só em fevereiro deste ano receberam em casa uma carta a dizer que Pedro estava pré-escrito em sete instituições. A mãe pediu uma reunião à educadora social que estava a tomar conta do caso, que até à data não conhecia. No encontro, disseram-lhe que o processo estava a seguir o seu caminho.

Dois meses depois foi convidada a visitar a CERCI. Desde então não foi contactada por mais nenhuma das instituições. Na escola, não chegou a conhecer a psicóloga que assina o PIT de Pedro, nunca lhe marcaram uma reunião para a atualizar o processo - Paula é que foi pedindo para se reunir - e desde julho que deixou de poder contar com a ajuda das pessoas que estavam a acompanhar o caso, porque o filho cumpriu a escolaridade obrigatória, apenas à face da lei.

"A escola inclusiva é uma conquista inatacável, mas obviamente a escola não tem condições para trabalhar o pormenor que é preciso para promover as respostas para as situações sociais ou para as vivências familiares e comunitárias", aponta o professor Rogério Cação.

O DN tentou, sem sucesso, falar com o departamento de educação especial da escola Fernando Pessoa, que Pedro frequentava, para tentar perceber o que é que falhou na concretização do PIT do aluno.

A importância da escola
Na escola, Pedro tinha aulas de desenho, de dança, de música, de educação física adaptada e ia para a papelaria ajudar no atendimento ou para a biblioteca arrumar livros. Passou de ano sempre com boas notas, "porque conseguiu sempre fazer o que esperavam dele e às vezes melhor", conta a mãe.

Estava numa turma com 14 alunos apoiados por duas professoras. Tinha uma boa relação com os colegas, com os funcionários e com as docentes. De segunda a sexta-feira acordava antes do despertador tocar com o entusiasmo de ir para a escola.

As férias, e até os fins de semana, foram sempre tempos mais complicados para a família. Em casa, Pedro não gasta a mesma energia, fica muito irrequieto porque não consegue concentrar-se tão bem como na escola e tem tendência para comer demasiado. Uma das manifestações da sua doença é precisamente nunca se sentir saciado, o que o faz ter excesso de peso. Embora a comida esteja protegida por trancas, Pedro já aprendeu como chegar aos alimentos. Desde que terminaram as aulas já aumentou quatro quilos, o que é um risco grave para a sua saúde.

"Aumenta muito a tensão em casa, porque ele precisa de 100% de supervisão. A minha mãe não pode trabalhar e temos de pagar a uma pessoa para ajudar com ele. Mas o que me custa mais é vê-lo deixar de ter acesso às poucas coisas de que gosta e que pode fazer", lamenta a irmã.

Rogério Cação consegue perceber o problema. "Se o jovem não tem um enquadramento, sobra para a família. E muitas vezes a família acaba por se autodestruir."

"Pais que estão a envelhecer, ou estão envelhecidos precocemente por causa dos problemas, muitas vezes já não têm sequer força para fazer uma mobilização do jovem na cama. Veem-se aflitos, porque não conseguem sair com eles [filhos]. É importante terem alguém ou uma instituição que lhes dê algum conforto no presente e no futuro", acrescenta.

Paula está a lutar contra uma depressão há três anos. Não saber o que vai acontecer ao filho não lhe dá descanso. Tem 57 anos, está separada do pai do Pedro, e pensa muito na vida do filho quando ela já não tiver capacidade para lhe dar a assistência de que precisa.
Repensar o sistema
"A solução está na mudança; criar vagas é um paliativo. Essa mudança tem de ser feita com muita velocidade, mas como as mudanças políticas levam normalmente muito tempo a maturar, têm de ser tomadas medidas transitórias mais imediatas", diz Rogério Cação.

Em 2014, a FENACERCI avançou com uma proposta de alteração da lei para criar um nível intermédio entre a saída da escola e a entrada no CAO. Neste compasso ganhava-se tempo para adotar uma medida permanente, que poderia passar pela integração de um CAO ou de uma profissão acompanhada para os mais autónomos.

Segundo esta ideia, depois dos 18 anos, os jovens integrariam, durante dois anos, uma unidade de "capacitação para a inclusão", onde se pretendia que reforçassem competências sociais, com a colaboração das estruturas que desenvolvem o apoio ocupacional.

"Aquilo que nós propomos é que o apoio ocupacional possa ser entendido em vários níveis, porque hoje é onde vai parar toda a gente. E muitos dos jovens nem sequer têm perfil para apoio ocupacional, mas não há outra resposta", defendeu o vice-diretor da FENACERCI.

O DN começou a entrar em contacto com o Ministério do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social há 13 dias e com o Ministério da Educação há 5 dias para obter dados relativos a estas situações e tentar saber quais são as medidas que são tomadas para as resolver, mas não obteve resposta até à data de publicação deste artigo.

Fonte: DN

domingo, 21 de outubro de 2018

Madeira sem "pedidos pendentes" de "ajudas técnicas" para deficientes

A secretária regional da Inclusão e Assuntos Sociais da Madeira disse hoje que o Instituto de Segurança Social da região não tem qualquer pedido em espera para ajudas técnica a pessoas portadoras de deficiência ou com incapacidades temporárias.
Rita Andrade fez esta revelação na Comissão Especializada Permanente de Saúde e Assuntos Sociais na Assembleia Legislativa no âmbito da audição parlamentar, solicitada pelo PCP, "Sobre os direitos de quem vive na região. A desigualdade quanto ao tratamento injusto a quem precisa de apoios sociais".

O Grupo Parlamentar do PCP pretendia saber se o facto de o SAPA - Sistema de Atribuição de Produtos de Apoio não estar ainda implementado na região estava a prejudicar as pessoas com necessidades de apoios sociais. "Não é por isso que temos deixado de fazer todo o trabalho", declarou a governante, assegurando já estar criado um grupo de trabalho para implementar o SAPA na região.

Referiu ainda que o Instituto de Segurança Social da Madeira já preparou a proposta da adaptação do diploma à realidade regional e que está em estudo a criação da respetiva plataforma informática. "Mas não deixamos, em nenhum momento, dar apoios sociais", afirmou Rita Andrade, assegurando que até setembro não havia "um pedido em espera na área das ajudas técnicas".

Revelou ainda que a verba disponível para este ano para ajudas técnicas é de 4,2 milhões de euros, tendo já sido executada cerca de 70% da mesma. "O sistema está a funcionar e a ideia é dar respostas céleres" designadamente às pessoas que, com comprovada carência económica, necessitam de medicamentos, óculos, camas articuladas, cadeiras de rodas ou veículos adaptados, afirmou.

A secretária disse também que a região dispõe de um Banco de Ajudas Técnicas com 866 produtos referentes a 23 tipologias. Nos casos em que a região não dispõe da respetiva ajuda técnica, é disponibilizada ajuda ao utente, mediante a apresentação de três orçamentos. "Os madeirenses não são descriminados, no somatório de todos os apoios poderá até ultrapassar o próprio âmbito do SAPA no continente português", vaticinou.

Rita Andrade espera que o SAPA esteja implementado na Madeira até ao final do mandato do XII Governo Regional, ou seja, até 2019, tendo a deputada do PCP se mostrado "satisfeita" com os esclarecimentos.

O SAPA é uma das medidas públicas que pretende facilitar o acesso das pessoas com deficiência e/ou incapacidade aos produtos de apoio e equipamentos indispensáveis.

Fonte: DN

sábado, 29 de setembro de 2018

Três paraplégicos conseguiram andar depois de estimulação eléctrica e reabilitação

Três paraplégicos conseguiram andar – com ajuda – depois de terem feito um tratamento que combinou estimulação eléctrica na espinal medula com reabilitação. Dois dos casos são relatados na revista científica New England Journal of Medicine e o outro na Nature Medicine. Os trabalhos foram realizados por duas equipas diferentes de cientistas.


O estudo publicado na New England Journal of Medicine envolveu quatro participantes com lesões na medula há, pelo menos, dois anos e meio e que tinham alguma sensibilidade nas pernas. Estes participantes não eram capazes de ficar de pé e de andar.

Antes de fazerem implantes de um estimulador na espinal medula, os participantes realizaram treino diário numa passadeira (cinco dias por semana e duas horas por dia) entre oito e nove semanas. Não havendo quaisquer mudanças nas capacidades locomotoras dos doentes, seguiu-se então o implante.

Este estimulador ficou por baixo da pele e enviou uma leve corrente eléctrica para a espinal medula. O aparelho foi colocado na parte lombar da espinal medula (nomeadamente no espaço epidural), onde estão redes neuronais que controlam o movimento da anca, joelhos, tornozelos e dos dedos dos pés.

Depois, os participantes ainda tiveram treino para que se “relembrassem” como se fica de pé ou como se anda. Nas sessões de treino, o peso dos participantes era apoiado com um arnês enquanto um assistente lhes mexia as pernas para que se simulasse uma caminhada quando andavam na passadeira.

No final, dois dos participantes foram capazes de caminhar com alguma ajuda no chão (e não na passadeira). Um deles – Jeff Maquis de 35 anos – tinha uma lesão na região cervical, fez 278 sessões de estimulação durante 85 semanas e caminhou apoiando-se em barras ou quando segurava a mão de alguém. Ao todo, andou cerca de 90 metros.

“Depois do acidente de bicicleta na montanha, os meus primeiros passos foram surpreendentes, estou muito empolgado para progredir e dar mais passos”, conta o participante que vive em Louisville (Estados Unidos). “A minha resistência também está a melhorar e tenho ganho força para fazer coisas de forma independente como cozinhar e fazer a limpeza.”

Já a outra participante – Kelly Thomas de 23 anos –, que tinha uma lesão na região torácica, realizou 81 sessões em 15 semanas e conseguiu andar com um andarilho. “O primeiro dia em que dei passos por mim mesma foi uma tal conquista emocional que nunca vou esquecer um só minuto [desse momento]”, conta num comunicado sobre o trabalho esta participante que vive na Florida (EUA) e que teve a lesão devido a um acidente de carro. “Estava a andar com o meu assistente de treino e, quando ele parou, continuei a andar por mim mesma. É fantástico o que o corpo humano consegue alcançar com a ajuda da investigação e da tecnologia.

Quanto aos outros dois participantes, quais os resultados? Um deles conseguiu ficar de pé (ou seja, conseguiu suportar o seu peso) e sentar-se sozinho. Já o outro fez alguns movimentos na passadeira quando foi apoiado. Um destes participantes teve uma lesão na anca durante os treinos logo na primeira semana e só pode recomeçar este trabalho um ano depois.

“Esta investigação demonstra que algumas ligações do cérebro para a espinal medula podem ser restauradas anos depois da lesão. Afinal, estes participantes, que viviam com paraplegia total, foram capazes de andar, ficar de pé, ganhar mobilidade no tronco e recuperar um certo número de funções motoras sem ajuda física enquanto usavam o estimulador”, considera Susan Harkema, da Universidade de Louisville e uma das autoras deste artigo.

E Claudia Angeli, da mesma instituição e também autora do trabalho, acrescenta: “Estes resultados confirmam que a espinal medula tem a aptidão para recuperar a capacidade de andar através da combinação da estimulação epidural, treino diário e a vontade de caminhar de forma autónoma com os seus próprios passos.” Além disso, salienta que não há tratamentos viáveis para indivíduos com uma lesão crónica a este nível na espinal medula e que esta pode ser “uma das muitas estratégias de sucesso”.

Claudia Angeli refere-se a uma confirmação porque já em 2011 a revista The Lancet documentava que uma equipa da sua instituição tinha conseguido que Rob Summers – um norte-americano de 25 anos que foi atropelado por um carro e ficou paraplégico – se levantasse e desse os primeiros passos por causa da estimulação de 16 eléctrodos implantados ao fundo das costas.

Também em 2014 a revista Brain referia que quatro homens que estavam paralisados do torso para baixo – incluindo Rob Summers – tinham conseguido recuperar a capacidade de mexer voluntariamente as pernas e os pés (embora não andassem) por causa da estimulação eléctrica. Claudia Angeli também fazia parte desta equipa.

“Esperança” de voltar a andar
Mas voltemos aos recentes estudos, nomeadamente ao trabalho publicado naNature Medicine e realizado por outra equipa. Em 2013, Jered Chinnock (agora com 29 anos) teve um acidente com uma mota de neve. Acabou por ficar com uma lesão na espinal medula, nas vértebras torácicas que ficam no meio das costas. Diagnóstico? Este homem perdeu a função motora da espinal medula para baixo, o que significa que não conseguia mexer-se nem sentir nada do meio do torso para baixo.

Kristin Zhao, da Clínica Mayo (no Minnesota, Estados Unidos) e uma das autoras deste segundo estudo, começa por explicar ao PÚBLICO que o seu trabalho reproduziu o da equipa anterior. Como tal, Jered Chinnock começou por fazer sessões de treino durante 22 semanas. Depois, foi-lhe feito um implante de eléctrodos no espaço epidural (a camada mais exterior do canal espinal) e mesmo por baixo da lesão. Por fim, ligaram-se os eléctrodos a um dispositivo que gera impulsos eléctricos – que estava debaixo da pele do abdómen do homem – e comunicou com um aparelho exterior sem fios.

A espinal medula foi assim estimulada pelos eléctrodos e os neurónios ficaram capacitados para receber sinais e “avisar” o participante que devia ficar de pé ou caminhar. É como se os circuitos nervosos sob o local da lesão estivessem adormecidos e acordassem com a corrente eléctrica.

Depois de recuperar da cirurgia, Jered Chinnock fez 113 sessões de reabilitação, em que teve assistência de um profissional, um arnês para o segurar e realizou exercícios numa passadeira ou no chão. Durante 43 semanas, também foram feitos ajustes na estimulação epidural.

Observou-se então que era capaz de andar com a ajuda de um andarilho e de dar passos na passadeira enquanto se segurava nas barras. Ao todo, durante 16 minutos (com ajuda) deu 331 passos e percorreu 102 metros (que pode equivaler ao comprimento de um campo de futebol) a 0,2 metros por segundo.

“A parte de andar ainda não é algo que me permita simplesmente deixar a cadeira de rodas para trás”, afirmou Jered Chinnock à agência Associated Press. Contudo, referiu que tem “esperança” de que isso venha a acontecer.

Os cientistas salientam ainda que, na primeira semana, este participante tinha de usar um arnês para se equilibrar e os assistentes tinham de posicionar os seus joelhos e ancas e fazer a mudança das suas pernas. Na 25ª semana, já não precisava de arnês e os assistentes só lhe davam ajuda ocasionalmente.

“No final do período de estudo, o homem aprendeu a usar todo o seu corpo para transferir peso, manter o equilíbrio, se impulsionar para a frente, já não precisava de indicações verbais [pois no início necessitava de espelho para ver as suas pernas, porque não tinha sensibilidade], e só olhava esporadicamente para as suas pernas”, lê-se noutro comunicado sobre o trabalho. Contudo, a equipa realça que quando a estimulação estava desligada o homem já não mexia as pernas de forma voluntária. Além disso, por agora, Jered Chinnock só pode realizar estes exercícios se for supervisionado pela equipa.

“Este estudo é o primeiro a demonstrar que um homem com paralisia completa do torso para baixo conseguiu dar passos de forma autónoma na passadeira e no chão com a ajuda de um andarilho através da estimulação na espinal medula”, destaca ao PÚBLICO Kristin Zhao. E explica que isto confirma que o sistema central nervoso se consegue adaptar depois de uma lesão grave e que, através de estimulação eléctrica, o circuito da espinal medula – que está disfuncional – pode ser modulado para recuperar algum controlo das suas funções.

“O que isto nos ensina é que estas redes de neurónios sob a espinal medula continuam a poder funcionar depois da paralisia”, salienta por sua vez Kendall Lee, também da Clínica Mayo e um dos autores deste trabalho.

Quais são os próximos desafios?
“Agora, penso que o verdadeiro desafio começa por percebemos como isto acontece, porque é que acontece e que tipos de doentes respondem [a esta estimulação]”, considera Kristin Zhao. Afinal, como frisou Kendall Lee ao jornal espanhol La Vanguardia, não se sabe exactamente qual o efeito deste tratamento na espinal medula. “Esta tecnologia não consegue regenerar os nervos”, adiantou.

Já Susan Harkema (autora do outro estudo na New England Journal of Medicine) refere: “Queremos fazer crescer esta investigação – e, com sorte, melhorar esta tecnologia – para que mais participantes atinjam todo o potencial do progresso que vimos em laboratório.” E acrescenta que este progresso pode ter potencial para tratar 1,2 milhões de pessoas que vivem paraplégicas devido a lesões na espinal medula.

Claudia Angeli refere ao PÚBLICO que agora a sua equipa precisa de ter resultados com um número maior de indivíduos. “Precisamos de trabalhar com parceiros tecnológicos para melhorar o estimulador”, informa também, acrescentando que quer explorar outras utilizações da estimulação na espinal medula. A cientista aponta ainda que é importante criar um parâmetro de estimulação apropriado para que a espinal medula seja capaz de integrar todos os sinais e gerar movimento

E o que pensam outros cientistas que não fizeram parte do estudo? Grégoire Courtine – neurocientista do Instituto Federal Suíço de Tecnologia e um dos autores de um trabalho que conseguiu meter ratos paraplégicos a andar por vontade própria e ainda de um estudo que pôs dois macacos rhesus a andardepois de lhes colocar um interface neurológico – felicitou as equipas, mas disse que a corrente eléctrica aplicada nos eléctrodos é contínua e que só atinge baixas intensidades.

Desta forma, essa intensidade pode não ser suficientemente alta para o cérebro “comunicar” com as pernas. Por isso, segundo Grégoire Courtine ao jornal britânico The Guardian, o desafio será sincronizar a estimulação eléctrica com os movimentos intencionais.

Já para Joan Vidal, cientista no Instituto Guttmann (Espanha) e que embora não seja autor de nenhum trabalho colabora com investigadores da Clínica Mayo, os resultados são “espectaculares”. E adianta: “Os resultados confirmam que a neuromodulação por estimulação eléctrica é uma das linhas mais interessantes para tratar doentes com lesões tão abrangentes [e mesmo que os doentes não tenham recuperado toda a capacidade de andar, já alcançaram muito para lesões deste nível].” Por isso, para si, o próximo passo será perceber quais os doentes que podem fazer este tratamento, em que altura se deve colocar os implantes ou como se deve estimular as sessões de treino.

Afinal, como Kendall Lee nos indica: “Provavelmente, todos os investigadores [envolvidos nos estudos sobre estimulação eléctrica] concordam que é preciso mais trabalho para completar e melhorar a nossa compreensão da fisiologia da espinal medula e de como podemos fazê-la funcionar outra vez através das novas tecnologias depois de uma lesão.”

Fonte: Público



sábado, 1 de setembro de 2018

Estão aí os exoesqueletos. Será o adeus às cadeiras de rodas?

Para um paraplégico, voltar a ficar de pé representa autonomia, mas também previne uma série de complicações de saúde. Os exoesqueletos fazem isso. Mas ainda a preços proibitivos.


Nicole Engelen entra no centro de congressos, em Darmstadt, Alemanha, e todos os olhares se viram na sua direção. Podia ser pelo ar doce, iluminado pelos olhos de um azul profundo. Mas não será por isso. Ou, pelo menos, só por isso. A jovem de 23 anos carrega um equipamento que lhe dá um ar de ser biónico, vindo diretamente do futuro para a conferência Curious 2018, promovida pela farmacêutica Merck.

O aparelho que Nicole tem agarrado às pernas, alimentado por uma bateria que transporta às costas, é um exoesqueleto robótico que possibilita que pessoas com lesões na medula consigam voltar a pôr-se em pé e andar. De nome ReWalk, é apenas um dos vários existentes no mercado, sendo o primeiro a receber aprovação pela agência norte-americana do medicamento, FDA, já em 2011. No país, as seguradoras comparticipam, mediante avaliação do caso. Na Alemanha também. “Basta um médico atestar que o utilizador vai beneficiar com ele”, explica à VISÃO Andy Dolan, vice-presidente da empresa norte-americana. Nicole, nisso, teve sorte. 

Por ser alemã, a expectativa é de que, daqui a pouco tempo, possa levar para casa, sem qualquer custo, o aparelho que tem um preço a rondar os 70 mil euros. Depois de ter passado três anos sentada numa cadeira de rodas, está finalmente na vertical e move-se, quase com graça, pelo espaço amplo. Ainda está na fase de treinos, mas a sua evolução tem sido espantosa. 
“Não sou uma pessoa normal”, admite. Isto porque se tem adaptado de uma forma extraordinariamente rápida. Apertando um botão, numa espécie de relógio de pulso, Nicole dá instruções ao aparelho para andar, sentar, subir e descer. O que já lhe permitiu passear o cão ou ir ao supermercado. “Apeteceu-me comprar tudo, só porque conseguia chegar às prateleiras mais altas”, ri-se.

O exoesqueleto ainda não é o milagre que as vítimas de lesões medulares esperam. Nem o é, por enquanto, o tratamento com células estaminais ou a estimulação elétrica, que se têm mantido há mais de 20 anos como uma promessa adiada no restabelecimento da ligação nervosa entre o cérebro e os músculos. Porém, devolve autonomia e evita muitas das complicações de saúde a que estão sujeitas as pessoas com lesão na medula, obrigadas a deslocarem-se em cadeira de rodas. Além da óbvia limitação à liberdade de movimentos, sobretudo nas mal preparadas cidades portuguesas, estar sempre sentado traz dores de costas, infeções urinárias, problemas de circulação, perda de massa muscular e excesso de peso.

“Está consagrado que cada pessoa tem direito à locomoção, mas não está nada escrito sobre o direito a ficar de pé”, nota Andy Dolan. “É por isso que os sistemas de saúde pagam uma cadeira de rodas e não um equipamento deste tipo.” Por isso e, obviamente, por causa do preço. No entanto, compensa, mesmo que o parâmetro a avaliar seja apenas o económico. “Queremos demonstrar que há uma relação vantajosa em termos de custo/benefício.” Porque se evitam todas aquelas complicações de saúde, e respetivos tratamentos e internamentos hospitalares.
À ESPERA DA APROVAÇÃO

Num texto emotivo, mas sem qualquer tipo de pieguice, Andrei Khalip, 47 anos, jornalista da agência Reuters a viver em Portugal, relatou a sua experiência de utilização de um exoesqueleto. Ao fim de duas semanas de treino intenso, Andrei, que sofreu uma lesão na medula na sequência de um acidente numa ilha grega, aos 25 anos, conseguiu reaprender a andar, com o Phoenix. Ainda em fase de aprovação pela FDA, o exoesqueleto desenvolvido pela empresa SuitX, a partir de uma investigação feita na Universidade da Califórnia, apresenta-se como um equipamento com metade do peso e também metade do preço – €30 mil é quanto deverá custar o Phoenix, que será vendido em módulos, para facilitar a utilização e permitir saltar diretamente da cadeira para a posição em pé, sem ajuda. “Só experimentei aquele exoesqueleto e vou continuar à espera que seja aprovado, para comprar. Trinta mil euros ainda se consegue poupar. Os outros aparelhos no mercado têm preços incomportáveis”, diz Andrei Khalip à VISÃO. Ao fim de duas (duras) semanas, Andrei sentiu melhorias a vários níveis, em especial da dor ciática que o acompanhava há tempos.

Em Portugal, no Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão, da responsabilidade da Santa Casa da Misericórdia, recorre-se a um equipamento do género, como complemento 
à terapia convencional. No caso, trata-se do EKSO GT Bionics que “permite aos utentes com alterações neuromusculares realizar treino de marcha, conferindo-lhes maior mobilidade, autoconfiança, força muscular, flexibilidade e resistência. A sua utilização, como meio de intervenção terapêutica, proporciona um aumento da independência e da funcionalidade”, responde-nos o departamento de comunicação da instituição. Doentes com alterações do foro neurológico, com lesões da medula ou acidentes vasculares são os principais utilizadores do equipamento, concebido para ser usado em contexto terapêutico e não para levar para casa. Outros equipamentos, como o desenvolvido pela empresa japonesa Cyberdyne, apresentam uma tecnologia ainda mais sofisticada, com sensores que detetam sinais bioelétricos, libertados pela pele quando o cérebro dá uma instrução. O sensor interpreta a intenção e o HAL (assim se chama este ciborgue) faz as pernas mexer.

Na sua readquirida posição vertical, Nicole (que deu a volta à Europa, sozinha, num carro adaptado) já começou a fazer planos a longo prazo. Quer estudar arquitetura para desenhar casas. Para Andrei Khalip, voltar a andar deixou de ser um sonho. É uma realidade 
a €30 mil de distância.
O QUE HÁ NO MERCADO
Diferentes opções, baseadas no mesmo princípio: dar a possibilidade de voltar à posição vertical

HAL - O sistema desenvolvido pela empresa japonesa Cyberdyne assenta em sensores que detetam na pele a intenção de movimento expressa pelo cérebro

Ekso GT Bionics - Utilizado no hospital de Alcoitão, tem uma função essencialmente terapêutica. Foi o primeiro a ser aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) para utilização em vítimas de AVC (além das pessoas com lesão na medula)

ReWalk - Aprovado em 2011 pela FDA, está desenhado para ser usado no dia a dia, permitindo subir e descer escadas.

Fonte: Visão

domingo, 29 de julho de 2018

Centro Hospitalar da Cova da Beira com ferramenta tecnológica para doentes tetraplégicos

Por forma a proporcionar uma melhor qualidade de vida e uma maior autonomia a doentes com necessidades especiais de saúde e elevado grau de incapacidade física, o Centro Hospitalar Cova da Beira dispõe agora de uma solução tecnológica de acessibilidade à comunicação, que permite que um doente tetraplégico possa interagir com um computador, com o simples movimento do olhar.


O equipamento instalado no CHCB designa-se Magic Eye e é apoiado pela Fundação PT. Para o Presidente do Conselho de Administração do hospital, Dr. João Casteleiro, “representa um contributo valioso para o bem-estar e conforto, quer físico quer psicológico do doente ao qual foi disponibilizado. Neste caso, um doente na casa dos 50 anos, tetraplégico e com uma patologia crónica associada, em estado muito avançado, situação que tem requerido cuidados de saúde especializados e uma hospitalização prolongada”.

De acordo com o Administrador Hospitalar, “esta ferramenta, resulta da forte ligação existente entre a tecnologia e a medicina, e é a prova da importância que as novas tecnologias adquiriram na atualidade, quando aplicadas em prol da prestação de cuidados de saúde com qualidade, segurança e humanização. Nesta situação em particular, reveste-se de um caracter absolutamente dignificante e libertador, porquanto devolve ao utente parte da autonomia perdida com a doença, permitindo-lhe inclusive socializar através da internet instalada no computador”.

Também para a Diretora da Fundação PT, Dra. Graça Rebocho “esta parceria com o CHCB representa mais uma situação onde a tecnologia faz a diferença na inclusão social, neste caso, possibilitando uma maior autonomia e poder de comunicação aos doentes com limitações de mobilidade severas…. é, realmente gratificante poder contribuir para a melhor qualidade de vida destes doentes …”.

O Magic Eye é uma solução tecnológica que permite, através de movimentos do olhar, controlar o cursor do rato, possibilitando assim utilizar qualquer aplicação de um computador, por pessoas a quem um rato ou teclado normal não estejam acessíveis. Consiste numa aplicação, que através de uma câmara de vídeo de alto desempenho analisa os movimentos dos olhos e desloca o rato para a posição do ecrã onde estes se foquem.

Este produto destina-se a pessoas que não consigam utilizar os membros superiores para interagir com o teclado ou rato do computador, mas que consigam movimentar os olhos, de uma forma controlada, e que possuam uma boa saúde mental e cognitiva.

Fonte: CHCB

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Cães transformam a terapia em momentos de felicidade

Projeto Ladra Comigo nasceu há cinco anos e está presente em 27 lares, escolas e instituições de apoio à deficiência.


Deitado ao lado da Fly, Francisco Rodrigues, de 18 anos, esconde a hiperatividade que torna os seus dias numa correria. Aos 90 anos e, com o auxílio da Gema, João Gonçalves combate o sedentarismo. A paciência e a calma da Fly ensinam Débora Monteiro, de 14 anos, a comportar-se. São apenas três entre os mais de 250 idosos, portadores de deficiência e crianças com necessidades educativas especiais que beneficiam do projeto Ladra Comigo, criado pela geriatra Clara Cardoso e pela psicóloga Catarina Cascais. Para os utentes, uma vez por semana, com a terapia chega também a felicidade em quatro patas.

No Lar de Santo António, na Maia, os mais velhos exercitam com a ajuda da Gema. Sentada no colo do "Senhor João", a cadela de pequeno porte faz as delícias do sénior que, pacientemente, lhe escova os dentes. "É uma boa companhia. Em novo tive uma", conta João Gonçalves, recordando os tempos de menino: "Não havia que comer e os animais passavam muita fome. Tinha pena e alimentava os bichinhos".

Os benefícios da terapia assistida por animais são múltiplos. "Os cães desviam a atenção do utente. É mais fácil pedir a um idoso que vá passear o cão de trela do que lhe pedirmos para andar um pouco a pé. A motivação e a aceitação são diferentes", explica Catarina Cascais.

A sessão de 45 minutos começa e Francisco Rodrigues, de 18 anos, portador de síndrome do X frágil e hiperatividade, muda de comportamento. Beneficia da terapia há pouco mais de um ano, na Associação Lavrense de Apoio ao Diminuído Intelectual (ALADI), em Matosinhos. "É muito complicado manter o Francisco concentrado mas, com os cães, consegue ficar muito tempo sentado. É extraordinário", conta a psicóloga.

Duas sessões por dia
Da ALADI, seguem para a Escola EB 2, 3 Pêro Vaz de Caminha, no Porto, onde o projeto foi implementado com a ajuda da Junta de Freguesia de Paranhos. É a última sessão do dia para as cadelas Fly e Milu. "Os cães não podem ter a mesma carga horária que os humanos. Fazem, no máximo, duas sessões por dia", referiu.

Dentro da sala de ensino especial aguardam cinco crianças. "É a minha Fly", diz, a sorrir, Débora Ribeiro, de 14 anos, portadora de trissomia 21. "A Débora gosta de ensinar os cães e pensa que o está a fazer. No fundo, há um autocontrolo e um reforço da autoestima", revela Catarina Cascais, enquanto a pequena atravessa um túnel com a Fly à espera do outro lado.

Fonte: DN

sábado, 23 de junho de 2018

“VR4Neuropain”: uma luva inteligente que alivia a dor neuropática

Realidade virtual para ajudar à reabilitação de pacientes com dor neuropática. Esta é a proposta do VR4NeuroPain. Nuno Ferreira explica que esta "solução tecnológica interativa tem como objetivo a reabilitação de doentes com dor neuropática em diferentes contextos, que vão desde o ambiente clínico até ao domicílio". A solução combina "óculos de realidade virtual, luvas de feedback háptico com biosensores, que permitem a recolha e análise em tempo real de parâmetros fisiológicos dos pacientes". Mas a inovação não fica por aqui. Também se "recorre à gamificação para ir ao encontro aos interesses ocupacionais de cada um dos pacientes".

Se a ideia surgiu "da necessidade do mercado para este tipo de produtos, além da experiência clínica da equipa e forte espírito empreendedor dos seus membros para o desenvolvimento de produtos com recurso a novas tecnologias", a chegada ao Acredita Portugal também é fruto de muita persistência. "Após termos ficado em primeiro lugar no concurso Santa Casa Challenge no final de 2016 e termos apresentado com sucesso o nosso protótipo no Web Summit em novembro de 2017, decidimos inscrever-nos no Acredita Portugal no início de 2018. Queríamos ter a oportunidade de divulgar o nosso projeto, promovendo também networking com outros empreendedores e investidores, e melhorar o plano de negócios do projeto", conta Nuno.

O orgulho no projeto e a confiança no produto não ficam de lado. "Sabíamos que tínhamos um bom projeto e que se passássemos bem a nossa ideia ao júri do concurso Acredita Portugal 2018 poderíamos ter boas hipóteses de vencer". Por isso, a vitória foi recebida com entusiasmo e o futuro apresenta-se risonho. "O primeiro lugar permite-nos assegurar uma marca de qualidade do nosso projeto perante os parceiros, investidores, instituições e o mercado em geral", refere. Fonte: SAPO



Mais informação: VR4Neuropain

domingo, 3 de junho de 2018

Há uma nova esperança para doentes com lesão na medula

António Salgado gosta de pensar na medula espinal como uma autoestrada, que liga o cérebro ao resto do corpo e por onde toda a informação processada no cérebro circula. "Quando essa autoestrada tem uma lesão, essa comunicação entre o cérebro e o resto do corpo é interrompida e isso leva às consequências que nós conhecemos. As mais visíveis são as consequências motoras", resume o investigador do Instituto para as Ciências da Vida e da Saúde da Escola Medicina da Universidade do Minho.


O investigador lidera uma equipa que estuda o desenvolvimento de novas estratégias para a regeneração de lesões medulares há dez anos. "Nós trabalhamos essencialmente na combinação de três áreas: fármacos, farmacoterapias, biomateriais e células estaminais. Começámos por desenvolver novos biomateriais e, aos poucos, fomos adicionando as outras peças do puzzle".

Este puzzle vai-se montando devagar, mas tem dado frutos e alegrias à equipa de António Salgado. "Conseguimos reverter os problemas motores nos animais com as estratégias que fomos desenvolvendo ao longo destes últimos dez anos", garantiu.

António Salgado explica que as alterações verificam-se, sobretudo, na forma como os ratos se movem. "Quando administramos as terapias que estamos a desenvolver no laboratório, eles conseguem recuperar parte da sua atividade motora, conseguem andar - não normalmente, mas com um grau de independência relativamente elevado", revelou.

Mas não só. Os roedores conseguem também apoiar-se nas patas traseiras para se alimentarem. "Isso demonstra que a terapia induziu um grau de recuperação na espinal medula que lhe permite fazer isso, ou seja, permitiu regenerar o tecido a um ponto que eles conseguem suportar o peso nas patas traseiras e isso é muito importante", garantiu. Além disso, os investigadores conseguiram observar o ganho de algumas funções básicas fisiológicas.

Os avanços da equipa da Universidade do Minho chamaram a atenção da revista científica Stem Cells, que destacou os resultados dos investigadores na capa da edição de maio. "É quase como um selo de qualidade no trabalho que estamos a desenvolver".

O próximo passo inclui o uso das mesmas estratégias em animais de maior porte, num contexto clínico veterinário, para mais tarde poder avançar para a parte humana. "Obviamente isso ainda está a muitos anos de distância. Nós estimamos que esta parte em que estamos agora vai demorar cerca de 5 a 6 anos e só depois é que podemos pensar na fase seguinte, se tudo correr bem", explicou o investigador.

O processo é lento mas António Salgado garante que é para benefício da qualidade dos tratamentos. "Temos de ter muito cuidado, temos de fazer todos os passos para termos a certeza que as estratégias e as terapias que estamos a resolver são seguras", explicou.

A equipa de António Salgado tem conseguido financiamento ao longo dos dez anos de investigação, mas o cientista explica que este é um desafio para quem trabalha em ciência, apesar de já terem conseguido investimento na ordem dos 2 milhões de euros.

Além do financiamento público, a investigação foi suportada pelo Prémio Santa Casa Neurociências - Melo e Castro, atribuído pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa em 2013, e voltou a ser distinguida pela instituição em 2017, num total de 400 mil euros.

"Quando [os prémios Santa Casa Neurociências] apareceram foram quase como um oásis. Foi em 2013, no pico da crise, com cortes de financiamento para a ciência enormes e é um prémio que é regular, que abre todos os anos, nós sabemos qual é o financiamento, sabemos quais são as áreas. Dá alguma estabilidade", contou.

Reportagem em áudio TSF

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Pony Club do Porto: Equitação adaptada

Gostaríamos de vos apresentar o nosso espaço como um destino em termos de experiências a cavalo no Porto com condições para receber indivíduos com mobilidade reduzida ou outro tipo de deficiência física.


Trabalhamos com equitação terapêutica e portanto estamos preparados em termos de póneis /cavalos como de materiais , de acessos para receber pessoas com mobilidade reduzida e ter a possibilidade de usufruir um momento de proximidade com estes animais e possibilidade de fazer uma experiência a montar.


5 ANOS DE PONY CLUB DO PORTO 

Fundar o Pony Club do Porto foi uma oportunidade proporcionada pelos póneis para realçarmos a melhor das nossas virtudes: a solidariedade. Sendo o animal protagonista, este Projeto pretende ser um promotor da inclusão social e do desenvolvimento de crianças, jovens e adultos com necessidades especiais.

A missão humanitária do Pony Club do Porto passa por proporcionar o acesso a práticas de equitação desportiva e terapêutica de forma abrangente , sem fronteiras de ordem social ou económica. Sem preconceitos. Apenas com 5 anos de existência cerca de 200 crianças, jovens e adultos usufruem atualmente dos serviços do Pony Club do Porto.

A estas duas áreas juntaram-se os Campos de Férias de Inclusão que no passado chegarão a mais de 300 participantes divididos pelos períodos de Carnaval, Páscoa, Verão e Natal. As nossas Festas de Aniversário fazem atualmente passar pelas instalações do Pony Club do Porto uma média de 100 crianças por mês.

O Pony Club do Porto orgulha-se de neste momento ser já uma referência no panorama equestre nacional, não só pelos números que acabamos de apresentar, mas acima de tudo pela qualidade, empenho e dedicação que diariamente os seus Técnicos, Professores e Monitores aplicam nas suas atividades e pela ação altruísta e visão de futuro da sua Direção.

Desta forma “O Futuro não é o lugar para onde vamos, mas o lugar que estamos a Criar.”

PONY CLUB DO PORTO

O novo Centro Equestre do Pony Club do Porto está inserido no complexo do Hospital Conde Ferreira, na freguesia de Paranhos, Concelho do Porto. Tem uma área de terreno de 9.553,97m2 com uma configuração perimetral retangular com aproximadamente 87m de profundidade por 98m de largura.

Em termos gerais, o Centro Equestre do Pony Club do Porto apresentará as seguintes estruturas:

- 2 Campos exteriores para trabalho de animais, aulas e provas/apresentações;
- 2 picadeiros cobertos: um para a vertente de equitação desportiva e outro para as sessões de equitação terapêutica;
- 20 boxes para alojar Póneis e Cavalos;
- 1 edifício de apoio com escritórios e sala de direção;
- 1 centro veterinário com box de isolamento e espaço de ferração;
- 1 edifício Multifunções que albergará gabinetes de terapias, uma sala sensorial, camaratas;
- 1 sala Polivalente para formação, conferências, serviço de bar e aniversários;
- Balneários e WC’S;
- Vários espaços de apoio como armazém e garagem;
- Espaço verde envolvente com zona de convívio e Horta Pedagógica.

Se pretenderem saber mais informações estamos disponíveis.

https://www.facebook.com/PonyClubdoPorto/


Enviado por email

domingo, 29 de abril de 2018

Utentes em cadeira de rodas lutam pelo Centro de Reabilitação do Sul

Elsa Ramos, paraplégica, luta para que o Centro de Medicina Física e Reabilitação do Sul (CMFRS) volte a ser aquilo que já foi — uma unidade de saúde de referência a nível internacional. Não está sozinha. Criou uma associação de utentes e amigos a que chamou “Movimento Determinante” para exigir o direito à assistência em condições dignas. A instituição tem uma capacidade de internamento para 54 camas mas só 19 é que estão a ser usadas por falta de pessoal. “Cheguei a ter que trazer de casa o meu tratamento (ampolas), não havia quase nada”, comenta.


Esta antiga fotógrafa desloca-se em cadeira de rodas desde há 14 anos. “O carro levantou voo, arrancou um poste e quem viu não acreditava que iria sobreviver”, recorda. O acidente deu-se frente à sua casa, na Luz de Tavira, numa passagem de nível sem guarda. A partir dali, diz, teve “de aprender tudo, foi uma nova vida que começou”. Uma das coisas que teve de abdicar foi do sonho que a acompanha desde infância: “O meu pai ofereceu-me uma máquina fotográfica, quando tinha dez anos, e eu queria ser fotógrafa de guerra”.

Quando se deu o acidente que a atirou para uma cadeira de rodas, Elsa Ramos trabalhava como fotógrafa de casamentos e baptizad0s, na “Foto Andrade”, em Tavira. “Queria juntar dinheiro para ir lá para fora, e a profissão nessa altura era rentável”. Ainda não tinha chegado a era do digital. “O meu sonho era conseguir, como Sebastião Salgado faz, contar numa foto uma história de guerra”. Porém, a lesão que sofreu na medula não vai permitir correr o mundo em busca de imagens que mostrem o lado desumano nos cenários de destruição. “Estava a juntar dinheiro para ir para uma escola em Londres, onde o premiado fotógrafo brasileiro também estudou e, de repente, a vida muda”.

O gosto pela fotografia continua presente, embora os movimentos estejam condicionados. “Podes voltar a trabalhar mas não na profissão que tinhas — não voltas a andar”, disse-lhe o médico no Hospital de São José, em Lisboa, depois de ter estado mais de 20 dias internada nos cuidados intensivos. O choque deixou-a suspensa, perdida no espaço e no tempo. “Tive a ajuda dos meus pais e amigos, isso fez-me olhar em frente”.

Durante três anos, a linha do caminho-de-ferro, diante da janela do seu quarto onde passava muitos dos seus dias, representou o “fim da linha” de uma carreira profissional interrompida. “O som da passagem do comboio ficou-me gravado na cabeça”, diz.

A sensibilidade que recuperou — pouca, da cintura para baixo — deu-se durante os quatro meses em que esteve internada no Centro de Medicina e Reabilitação da Região Centro Rovisco Pais — Tocha. O seu nome ainda esteve incluído na lista para entrar num programa de intervenção com células estaminais mas os médicos não aconselharam: “O tratamento deu-me alguma recuperação de sensibilidade, não se justificava correr o risco de paralisação total”.

Quando abriu o Centro de Medicina e Reabilitação do Sul em São Brás de Alportel, há 11 anos, com uma direcção clínica que integrava especialistas vindo da Tocha foi uma das primeiras utentes. “Fui uma espécie de cobaia. A direcção clínica traçou um programa que colocou este centro ao nível do melhor que se faz no mundo”, elogia. O objectivo foi alcançado. O CMRS foi acreditado pela CARF, uma entidade independente dos Estados Unidos de certificação de unidades de reabilitação. Mas agora “perdeu todas as certificações”, lamenta.

Os profissionais, por falta de perspectiva de carreira, procuram alternativa de trabalho noutras partes do país. O Algarve continua a ser uma região que não atrai especialistas no sector da saúde — os concursos de vagas que abrem ficam, geralmente, desertos.

O Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA), que tem actualmente a tutela do CMFRS, anunciou para a primeira quinzena de Maio a reabertura de 17 camas e a contratação de 11 enfermeiros. A lista de espera de utentes, a aguardar por tratamentos, ultrapassa a centena.

No passado dia 13, o “Movimento Determinante” organizou uma manifestação à porta do Centro, a que se associou o próprio presidente da câmara, Vítor Guerreiro, socialista. “O segundo piso do edifício continua encerrado”, aponta Elsa Ramos, inconformada com o estado de degradação a que chegou o Serviço Nacional de Saúde na região. “Pela primeira vez desde Outubro de 2013 [quando a Administração Regional de Saúde (ARS) assumiu a gestão], verifico que alguma coisa vai mudar para melhor”, refere o autarca, adiantando: “Tenho a garantia [do Ministério da Saúde] de que em Outubro estará a funcionar em pleno”.

Elsa Ramos confirma que o centro “começou a cair quando a ARS pegou nisto". "No primeiro ano ainda foi mais ou menos, mas depois tem vindo sempre a descer.”

Ninguém desiste de lutar
É com isto que Elsa Ramos não se conforma. É verdade que o acidente lhe virou a vida do avesso. “Só sentia os joelhos e os pés”, recorda. A fisioterapia, durante os primeiros três anos, trouxe-lhe melhorias mas acabaria por confirmar-se o primeiro diagnóstico. “Não voltas a andar”. A frase, quando a pronuncia, ainda hoje lhe faz mudar a expressão, num rosto de sorriso aberto.

A utente, de 42 anos, não passa despercebida por uma razão simples: “Não sou pessoa de ver e ficar calada, digo logo o que penso”. Por isso, há cerca de três anos decidiu formar um “comité de utentes” que não teve eco junto das entidades oficiais — carecia de enquadramento institucional. Não desistiu. No passado mês de Agosto, finalmente, surgiu o “Movimento Determinante”, uma associação que tem como fundadores três pessoas que andam em cadeiras, um fisioterapeuta e uma mãe, Alice Fernandes — cuidadora da filha há 20 anos — e Elsa Ramos a eleita presidente. “Sou um pouco desbocada, a presidente tem de ser mais comedida”, observa, a justificar a liderança.

Os tratamentos de fisioterapia não terminaram, nem se prevê que possa vir a prescindir de apoio nesta área “Tenho uma contractura crónica, no trapézio esquerdo, adquirida nos tempos em que praticava natação de competição — o acidente agravou a situação porque a clavícula e omoplata também ficaram afectadas”, justifica.

Acompanhou os altos e baixos da instituição enquanto utente permanente. “A falta de meios chegaram ao ponto de ter que trazer para o ambulatório os meus tratamentos (ampolas)”, diz. Por isso, não admira que veja com grandes expectativas as promessas de melhorias que foram feitas.

“A presidente do CHUA, Ana Paula Gonçalves, garantiu à associação que no princípio de Maio as coisas iam mudar, mas só nos atendeu depois de termos marcado uma manifestação”, sublinha.

Fonte: Público

sexta-feira, 2 de março de 2018

Centros de reabilitação do Sul e de Alcoitão com várias camas encerradas

O Centro de Medicina Física e de Reabilitação do Sul (CMR Sul) tem 54 camas para internamento, mas a falta de profissionais levou a que dois terços da capacidade estejam desaproveitados. A administração do Centro Hospitalar e Universitário do Algarve (CHUA), responsável pela gestão daquele centro desde Agosto de 2017, assumiu o compromisso de até ao final deste ano ter todo o internamento a funcionar.
“Actualmente, em consequência da falta de profissionais de saúde, apenas 18 das 54 camas de internamento estão disponíveis no CMR Sul”, apontam os deputados comunistas Paulo Sá e Carla Cruz, num conjunto de perguntas enviado na semana passada ao Ministério da Saúde em que abordavam a contratação de profissionais e a abertura de camas. O centro de reabilitação de S. Brás de Alportel é uma das quatro unidades do país que recebe doentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) que precisam de cuidados especializados para, por exemplo, recuperarem de acidentes vasculares cerebrais (AVC) ou de acidentes graves. Abrange 600 mil habitantes, o correspondente às zonas do Algarve e do Baixo Alentejo.

As perguntas ao Ministério da Saúde surgem depois de uma visita recente dos deputados do PCP ao CMR. No documento, referem uma proposta de contratação de 11 enfermeiros, iniciada em Setembro de 2017, que permitiria passar de 18 para 36 camas a funcionar, mas que terá ficado bloqueada no Ministério das Finanças. Sublinham, igualmente, a necessidade de contratação de mais médicos, enfermeiros e terapeutas para que se atinja o objectivo de o centro ter 50 camas abertas no final de 2018.

Em respostas ao PÚBLICO, a administração do CHUA afirma que o processo de contratação de enfermeiros iniciado há vários meses “encontra-se neste momento na sua fase final, perspectivando-se em breve a sua conclusão e a admissão dos enfermeiros para o CMR”. E reforça o compromisso, transmitido ao PCP na visita, de activar até ao final do ano de 2018, “num processo gradual, a totalidade das camas de internamento”. Processo, acrescenta a administração, que “terá início a partir da segunda quinzena de Março”.

Gestão pública desde 2013
Guadalupe Simões, do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, diz que “este é o número de camas aberto mais baixo” de sempre. “Nos últimos anos temos perdido muitos enfermeiros”, salienta. E nem a autorização que o Ministério da Saúde deu, segundo a dirigente, para a contratação de 54 enfermeiros para o CHUA a deixa mais descansada por considerar que o número fica aquém das necessidades.

“Este é o único centro de reabilitação no Sul e, neste momento, todos os doentes que precisem de cuidados especializados não estão a ter oferta de que precisam. Em situações específicas alguns continuarão internados nos hospitais gerais e outros à espera de vaga no centro de Alcoitão”, aponta.

No ano passado dois projectos de resolução, um do PSD e outro do Bloco de Esquerda, apontavam as dificuldades do centro de reabilitação. Os sociais-democratas falavam numa lista de espera que chegaria a 40 utentes no final de Março de 2017. Apesar de questionado, o CHUA não adiantou quantos doentes estão actualmente em lista de espera e qual o tempo médio para aceder ao internamento.

O CMR Sul abriu portas em 2007 através de uma parceria público-privada. A gestão passou para a Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve, em Novembro de 2013, com a recusa do visto do Tribunal de Contas à prorrogação do prazo do contrato com a gestora inicial, considerando que deveria ter sido lançado um novo concurso público.

Desde então, a situação degradou-se, diz João Dias, secretário regional do Algarve do Sindicato Independente dos Médicos (SIM). “Até a ARS assumir a gestão os utentes estavam satisfeitos e não havia carência de recursos humanos. A solução que o ministério adoptou foi juntar o centro de reabilitação com o centro hospitalar para a criação de um centro de responsabilidade integrada, que desse mais autonomia financeira, mas as coisas não têm avançado como esperado”, salienta.

Jorge Roque da Cunha, secretário-geral do SIM, reforça: “O SNS ficou mais pobre e o Governo reincide naquilo que foi uma solução errada do anterior Governo. A nacionalização que parecia boa, na prática diminuiu o acesso dos cidadãos a cuidados de qualidade. Independentemente de uma gestão privada, social ou pública, o importante é que as pessoas sejam bem servidas.”
Em Alcoitão 32 camas continuam fechadas

Desde o final do ano passado que 32 das 134 camas de internamento de adultos do Centro de Reabilitação de Alcoitão estão encerradas por falta de profissionais. Segundo a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), a quem pertence a unidade especializada, estão 90 utentes em lista de espera, com uma média de tempo de espera de três semanas.

“As camas ainda não foram reabertas por causa da dificuldade da contratação de médicos fisiatras, um processo que se tem revelado complexo e moroso, atendendo à escassez de profissionais desta especialidade e às próprias circunstâncias do mercado”, diz a SCML, esperando que a unidade esteja a funcionar a 100% “muito em breve”.

Actualmente Alcoitão tem 17 médicos fisiatras com uma carga horária de 577 horas semanais. A SCML chegou a colocar anúncios para a contratação de médicos, mas não obteve respostas. Garante, porém, estar a fazer outros esforços para “identificar médicos disponíveis, incluindo profissionais estrangeiros”.

Fonte: Público

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Estado vai dar apoios para cães de assistência a pessoas com deficiência

Para a Associação Portuguesa de Cães de Assistência (APCA), a aprovação do financiamento do Estado para o projeto, que começou há quatro anos, é "a melhor notícia do ano".


Para alcançar esta vitória, a associação teve a ajuda do PAN, o partido Pessoas-Animais-Natureza, que conseguiu aprovar uma proposta para o Orçamento do Estado de 2018, que vai incluir um novo artigo, no âmbito dos acordos de cooperação atípicos, para que seja dada prioridade à resposta social das escolas que fazem formação de cães de assistência. Mas as reuniões da APCA com os restantes grupos parlamentares foram também fundamentais para a sensibilização para o tema e para o resultado final.

Em entrevista à TSF, o presidente da associação, Rui Elvas, destacou que este é um passo muito importante, não só para quem treina os cães mas também para os utentes com algum tipo de deficiência e que nem sempre têm capacidade financeira para obter um cão de assistência.

A APCA certifica e treina cães que conduzem e auxiliam pessoas com deficiência, sejam eles "cães-guia" (que auxiliam pessoas com deficiência visual), "cães para surdos" (ajudam pessoas com deficiência auditiva), ou "cães de serviço" (auxiliam pessoas com deficiência mental, orgânica, motora ou sensorial). A associação orgulha-se de ser a única entidade certificadora de cães de assistência na área dos medical dogs.

Embora os cães-guia para cegos sejam treinados formalmente há mais de 70 anos, só em 2007 foram feitas alterações na lei que permitiram o aparecimento de um termo mais abrangente, o "cão de assistência". O treino deste tipo de cães é muito dispendioso e, por isso, Rui Elvas, ainda está à espera de perceber como vai funcionar o financiamento do Estado, mas afirma que tudo o que vier é bem-vindo

A Associação Portuguesa de Cães de Assistência tem em lista de espera mais de 200 pedidos e conta, por esta altura, com 15 cães em formação, em Portugal e no estrangeiro. Rui Elvas considera que, a partir do momento em que começar a ser canalizado o apoio financeiro do Estado, todo o processo ficara mais rápido.

O processo para o financiamento está agora nas mãos do Ministério da Solidariedade e da Segurança Social que, questionado pela TSF, explica que vai ser aberto um período de candidaturas, no próximo ano e "será definido como prioritário" e apoio àquelas que surjam para "alargar as respostas atuais" e trazer "novas respostas" nesta área.

As escolas de cães de assistência deverão estar atentas à abertura do período de candidaturas, e apresentar uma proposta, com vista à sua apreciação.

Fonte e mais informações: TSF

Centro de reabilitação de Alcoitão fecha camas por falta de médicos

Das 134 camas de internamento para adultos, cerca de um quarto encerrou por causa da falta de fisiatras. Santa Casa da Misericórdia de Lisboa diz que tem procurado contratar médicos para resolver o problema, mas não obteve resposta ao anúncio. Média de tempo de espera para internamento ronda seis a oito semanas.


O Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão (CMRA) fechou 32 das 134 camas de internamento para adultos, ou seja, cerca de um quarto, por causa da falta de médicos fisiatras. A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, a quem pertence esta unidade especializada na recuperação de doentes com lesões vertebro-medulares, amputações ou vítimas de acidentes vasculares cerebrais (AVC), diz que tem procurado contratar médicos para resolver o problema, mas não obteve resposta ao anúncio.

O internamento de Alcoitão, que aceita doentes referenciados pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS), está dividido em três enfermarias: uma para pediatria com 16 camas e duas de adultos que, no conjunto, fazem 134 camas. E foi nesta última que foram encerradas cerca de um quarto das camas por causa da falta de fisiatras.

“O problema está sobretudo na falta de fisiatras. Nos últimos cinco anos o número de médicos passou para cerca de metade. Actualmente são 15, sendo que apenas oito estão com um horário de 42 horas semanais em exclusividade. Há cerca de três meses encerraram 32 camas do internamento de adultos por causa da falta de médicos. Alcoitão é dos centros mais importantes que existem no país na resposta a doentes politraumatizados”, refere ao PÚBLICO o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Jorge Roque da Cunha.

O gabinete de comunicação da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) confirma “o encerramento de cerca de 30 camas por falta de fisiatras”, acrescentando que este é um problema que afecta não só o CMRA, mas vários hospitais do país. Quanto a enfermeiros, a unidade tem 114, “não havendo necessidade de contratação”.

O mesmo não se aplica aos médicos. “A contratação de mais fisiatras para Alcoitão permitirá aumentar a capacidade de resposta e, consequentemente, voltar a disponibilizar as camas que foram encerradas”, explica a SCML, que adianta que colocou um anúncio para recrutamento de médicos, mas “infelizmente, e atendendo à especificidade do Centro de Alcoitão e dos seus utentes, não se obteve qualquer candidatura”.

Na passada terça-feira, Alcoitão tinha 77 doentes em lista de espera (37 mulheres e 40 homens). A SCML garante que “o encerramento de camas não teve praticamente impacto no aumento da lista de espera para internamento, sobretudo devido ao esforço dos profissionais”. E sublinha que o número de doentes em lista de espera é dinâmico devido a reinternamentos e altas adiadas por agudização do estado clínico do doente.

“De referir ainda os casos sociais que têm vindo a aumentar significativamente, o que impede o hospital de conceder alta ao utente em tempo útil”, salienta a SCML. A média de tempo de espera para internamento ronda “seis a oito semanas”, podendo ser imediato se o caso clínico o justificar.

O centro de reabilitação está também a ser alvo de obras de melhoria, que deverão estar concluídas dentro de um ano. “A curto prazo serão realizadas obras de beneficiação na ala de internamento da pediatria e no serviço 3 de adultos (duas alas), contudo sempre de forma faseada para que sejam cumpridos todos os requisitos, por modo a assegurar os serviços clínicos e a causar o mínimo transtorno possível”, assegura a SCML.

Além de Alcoitão, existem mais quatro centros de reabilitação: o Centro de Reabilitação do Norte, o Centro de Reabilitação Rovisco Pais, no Centro, e o Centro de Reabilitação de S. Brás de Alportel, no Algarve. Questionada sobre se pretende abrir mais camas, a SCML responde que não, pois “dentro do número de centros de reabilitação a nível nacional, o CMRA é aquele que tem a maior taxa de ocupação”.
Reinício das negociações

Na quinta-feira, os dois sindicatos médicos — SIM e Federação Nacional dos Médicos — reuniram com o novo provedor da SCML, Edmundo Martinho, para reiniciar o processo de negociação da carreira médica na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

“O SIM está muito esperançoso com a intervenção do novo provedor”, adianta Jorge Roque da Cunha. No encontro, os sindicatos entregaram um documento com as questões que querem ver abordadas ao provedor, que irá responder posteriormente. O encontro aconteceu depois de vários pedidos de reunião e de uma carta enviada pelos dois sindicatos em Junho, onde referiam a necessidade de negociar a contratação colectiva.

Fonte: Público