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sábado, 29 de fevereiro de 2020

Escolas com alunos com deficiência vão ter direito a mais auxiliares

O Observador noticia que as escolas que tenham alunos com necessidades educativas especiais vão ter direito a ter mais funcionários. Esta é uma das mudanças na portaria de rácios, o diploma que define quantos assistentes operacionais tem cada escola, avançou o Ministério da Educação ao Observador. Mexer na fórmula que define quantos funcionários tem cada estabelecimento de ensino é um pedido antigo dos diretores e que atualmente leva em conta o número de alunos, a existência de pavilhões gimnodesportivos e a oferta educativa, entre outros.


Também a bolsa de recrutamento — que permite substituir funcionários ao fim de 12 dias de ausência sem necessidade de abrir concurso — irá sofrer alterações para melhorar o seu funcionamento, garantiu o ministério ao Observador. Inicialmente, esta bolsa de recrutamento só podia ser usada ao fim de 30 dias de ausência, tendo sido reduzido o prazo para 12 dias. O Ministério da Educação não esclareceu se as alterações passam por diminuir ainda mais o número de dias, tornando a substituição de funcionários mais célere, ou se irá abranger mais situações para além das baixas médicas, licenças de parentalidade, entre outras.

Em dezembro, o ministro da Educação já tinha anunciado que a portaria iria ser alterada, sem adiantar pormenores e, em janeiro, durante a discussão do Orçamento do Estado — onde a medida já estava consagrada — foram aprovadas propostas de alteração do Bloco de Esquerda, PAN e Iniciativa Liberal sobre esta matéria. A novidade que saiu da discussão foi o governo passar a ter um prazo para a revisão da portaria estar pronta: junho de 2020. Com este limite temporal é garantido que quaisquer alterações à lei só irão ter influência no funcionamento das escolas no próximo ano letivo de 2020/21.

O Observador questionou o Ministério da Educação sobre que alterações estão a ser ponderadas e a resposta foi que qualquer alteração terá especial enfoque nos alunos com necessidades educativas especiais. Na fórmula atual, estes estudantes equivalem a 1,5 alunos e o número de estudantes é um dos fatores que determina o número de auxiliares em cada escola. Filinto Lima, presidente da ANDAEP, associação que representa os diretores de escolas públicas, por várias vezes defendeu que o peso destes alunos deveria ser superior.

O que o gabinete de Tiago Brandão Rodrigues não esclareceu é quanto mais vão pesar estes alunos na fórmula de cálculo ou que outras mudanças poderão vir a ser feitas. “A revisão irá considerar a adequação às características dos estabelecimentos escolares e das respetivas comunidades educativas, com especial enfoque nas necessidades de acompanhamento dos alunos abrangidos por medidas no âmbito da Educação Inclusiva”, esclarece o ministério na sua resposta, referindo que esta é uma das marcas do OE 2020 para a área da Educação.

Bolsa de assistentes operacionais já colocou mil funcionários nas escolas
Cerca de mil trabalhadores já foram colocados nas escolas através da reserva de recrutamento de assistentes operacionais, uma figura criada pelo Ministério da Educação no início deste ano letivo quando a falta de funcionários levou ao fecho de muitas escolas do país quer por iniciativas de pais quer por decisão de diretores.

“Neste momento, cerca de mil assistentes operacionais foram colocados nas escolas através destas reservas de recrutamento, dos quais cerca de 400 nos últimos dois meses”, esclarece o Ministério da Educação que, no entanto, não detalhou quantas escolas continuam neste momento por cumprir a portaria de rácios, revista em 2017.

Segundo as contas do gabinete de Tiago Brandão Rodrigues, “a uma revisão em alta da portaria de rácios, que possibilitou o reforço mais de 2000 assistentes operacionais em relação à portaria que existia anteriormente, perfazendo um reforço total de cerca de 4 mil destes trabalhadores durante a última legislatura”.

sábado, 6 de abril de 2019

Só 1% das camas em residências universitárias estão aptas para deficientes

Há 144 quartos adaptados para quase 2000 estudantes. Número de inscritos com necessidades educativas especiais no ensino superior aumentou 17% neste ano lectivo.


Apenas 1% dos lugares existentes em residências para alunos do ensino superior cumprem as necessidades de uma pessoa com deficiência. O Plano Nacional de Alojamento Estudantil, que o Governo lançou no início do ano, não responde directamente a este problema, mas vai ajudar a mitigá-lo, promete a tutela.
Das quase 15 mil camas em alojamentos para estudantes, apenas 155 estão em 144 quartos adaptados. Ao todo, há 1978 alunos com necessidades educativas especiais inscritos em estabelecimentos de ensino superior. Ou seja, a oferta em residências universitárias responde a 7,8% dos alunos com algum tipo de deficiência ou de limitação que estão inscritos. Estes números dizem respeito ao ano lectivo que está a decorrer e são revelados pelos resultados do Inquérito às Necessidades Educativas Especiais no Ensino Superior, divulgado nesta terça-feira pela Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC). Responderam a este inquérito 111 instituições, ou seja a totalidade da rede de ensino superior, tanto pública como privada.

Ao contrário do que acontece na lei geral dos equipamentos sociais – que se aplica, por exemplo, à construção de creches e jardins-de-infância – não há nenhum diploma que estabeleça uma percentagem mínima de quartos adaptados a estudantes com deficiência que devam ser criadas quando são construídas residências universitárias. O Plano Nacional de Alojamento Estudantil, que foi oficializado em Fevereiro, prevê a criação de 11.500 camas em residências para estudantes do ensino superior – respondendo a uma crise de oferta de alojamento que se sente sobretudo em Lisboa e no Porto –, mas também não prevê regras específicas para a criação de quartos para alunos com deficiência. É, por isso, impossível antecipar quantos dos novos quartos vão ser adaptados.

“Isso será resolvido caso a caso”, responde o secretário de Estado da Ciência e Ensino Superior, João Sobrinho Teixeira, que lidera o processo do plano de alojamento. O “esforço” de crescimento da oferta em residências universitárias “vai certamente permitir aumentar o número de camas também para os estudantes com necessidades educativas especiais”, garante o governante.

O número de estudantes com deficiência está em crescimento. Segundo os dados divulgados pela DGEEC, o total de inscritos com necessidades educativas especiais no ensino superior aumentou, neste ano lectivo, 17%. O crescimento foi superior nas instituições privadas (mais 49,6% de inscritos). Na rede pública, o aumento foi de 11,5%. O inquérito revela ainda que estão nas universidades e politécnicos públicos 86% dos 1978 alunos inscritos.

Também há um aumento do número de pessoas com necessidades educativas especiais a completar um curso superior. Tendo como referência o ano lectivo passado, o número de diplomados cresceu 73,6% face a 2016/17. Ou seja, houve um total de 526 pessoas com deficiência a conseguir um diploma. A DGEEC sublinha que este crescimento tem “maior expressão” nos cursos de licenciatura e nos cursos técnicos superiores profissionais – formações de dois anos que existem exclusivamente na rede politécnica.

Os dados do inquérito relativos a 2018/19 confirmam ainda uma realidade que já era demonstrada na última versão deste estudo, publicada no Verão passado: muitas das instituições de ensino superior não têm regulamentos nem gabinetes específicos para dar apoio a estudantes com deficiência.

De acordo com os números mais recentes, 58,6% das instituições indicam ter regulamentação específica para alunos com necessidades educativas especiais. Além disso, existem serviços específicos de apoio a estes alunos em 48,6% das instituições. Os números são semelhantes aos verificados há um ano. Ainda assim, a DGEEC aponta que quase metade (44,4%) dos serviços específicos de apoio foram criados há quatro anos ou menos, o que mostra que as universidades e politécnicos têm vindo a fazer uma evolução nestas respostas.

Em termos de acessibilidades, os números não são muito mais positivos. De acordo com a DGEEC, quase 40% dos edifícios (38,8%) das faculdades ainda não tem condições de acessibilidade para pessoas com mobilidade condicionada. E pouco mais de metade dos sítios na Internet das instituições de ensino superior estão em conformidade com as directrizes de acessibilidade definidas para os sítios da administração pública.

Fonte: Público

domingo, 17 de março de 2019

Quase metade das instituições de ensino superior sem acessos para deficientes

Quase metade das instituições de ensino superior continuam a ter edifícios não adaptados para alunos com Necessidades Educativas Especiais, alertou esta segunda-feira a Federação Académica de Lisboa (FAL) defendendo a urgência em corrigir estes casos potenciadores de exclusão social.


Depois de há um ano ter apresentado o "Livro Negro do Ensino Superior", a FAL lançou esta segunda-feira o “Livro Verde”, no qual faz uma avaliação dos problemas vividos pelos estudantes do ensino superior, dedicando um capítulo aos alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEE).

Ali estão descritas as principais dificuldades com que se deparam diariamente os estudantes com NEE, com destaque para a falta de infra-estruturas e transportes que garantam o acesso aos estabelecimentos de ensino superior. O Inquérito às Necessidades Educativas Especiais no Ensino Superior 2017/2018, elaborado pela Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), identificou 1.644 estudantes a frequentar 112 Instituições de Ensino Superior (IES).

A maioria das IES (56,3%) garante acessibilidade total aos seus edifícios, havendo 36,6% das instituições que admitem ter apenas alguns dos edifícios acessíveis, sendo que nos restantes casos as instituições não têm qualquer edifício acessível. Por isso, o Livro Verde recomenda a criação de condições que permitam o acesso total a todos os espaços de todas as instituições. Não apenas em termos de infra-estruturas mas também de transportes.

Outro problema é o serviço de transportes públicos adaptados: Quase metade das instituições (47,32%) reconhece que não existem transportes públicos que garantam o acesso às aulas ou serviços.
“Situação preocupante” Para a FAL esta é uma “situação preocupante”, com destaque negativo para a Região Autónoma dos Açores, “que não possui nenhum transporte público adaptado que ofereça acesso à IES”.

No entanto, a maioria dos estabelecimentos de Ensino Superior organiza regularmente transportes adaptados para trajectos específicos (49%) ou para situações regulares (31%). Uma em cada cinco instituições não organiza qualquer tipo de trajecto em transportes adaptados para estudantes com NEE. A adaptação das infra-estruturas e transportes devem permitir também a prática desportiva dos estudantes.

“A situação da inclusão dos estudantes com NEE é deteriorada no que toca à prática de desporto”, com apenas 13 IES a providenciar infra-estruturas adaptadas, lê-se no relatório hoje divulgado, que aponta o Algarve e as regiões autónomas dos Açores e Madeira como os casos mais preocupantes.
Apenas na Área Metropolitana de Lisboa é possível realizar desporto adaptado providenciado por um estabelecimento de Ensino Superior.

A maioria das instituições (63) tem algum tipo de regulamentação para estudantes com NEE, mas apenas 35 têm estatutos ou regulamentos específicos para estes alunos. A maioria das instituições não tem serviços de apoio para estudantes com NEE: Só 45,5% das IES afirmam possuir estas estruturas.

O “Livro Verde do Ensino Superior” analisa várias temáticas que afectam a vida dos estudantes, desde o financiamento das instituições, aos apoios de acção social, alunos a estudar longe de casa ou com NEE. O Livro Verde foca também a relação entre o estudante e a garantia de qualidade no Ensino Superior, sendo defendido que ao aluno devia caber também a tarefa de monitorizar e avaliar o ensino.

“Introduzir inquéritos de avaliação da satisfação com a vida académica na avaliação interna e auto-avaliação dos Estabelecimentos de Ensino Superior, que monitorizem os estudantes face ao ensino, aprendizagem, infra-estruturas, socialização, métodos e processos de avaliação pedagógica dos estudantes, organização e funcionamento do ciclo de estudos, condições profissionais, habitacionais, logísticas, transporte e despesas em materiais escolares” é uma das recomendações.

O manual apresentado esta segunda-feira em Lisboa defende ainda que se devia criar uma plataforma online onde fosse possível conhecer a oferta formativa do Ensino Superior português, integrando indicadores de satisfação dos diplomados em relação ao Estabelecimento de Ensino Superior, empregabilidade e expectativa salarial.

Fonte: Público

sábado, 19 de janeiro de 2019

INDI, um tablet multi-funcional criado especificamente para Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA)

Conheça o INDI, um tablet multi-funcional criado especificamente para Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA).
O INDI é o dispositivo de comunicação ideal para crianças com perturbações do espectro do autismo não verbal, crianças com Síndrome de Down, Paralisia Cerebral e outras perturbações do neurodesenvolvimento.

Hunter e o sistema INDI (Vídeo em Inglês)
Características:
Colunas poderosas embutidos
Unidades de Controle Ambiental e Infravermelho (IR)
Funções de fácil acesso para plataformas sociais, email e mensagens de texto
Ecrã resistente
Pode vir com o software SNAP+CORE ou com o GRID 3


Para mais informações: info@anditec.pt

Fonte: Anditec

domingo, 13 de janeiro de 2019

Maia cria programa de atividades para crianças com necessidades educativas especiais

A câmara da Maia decidiu criar um programa de atividades dedicado a crianças com necessidades educativas especiais que inclui sessões de natação, terapia assistida por cavalos e musicoterapia, informou hoje o presidente da autarquia, António Silva Tiago.
Em causa está estender o Programa Férias com Sentido(s), que existe nesta autarquia do distrito do Porto, a todo o ano letivo. Estão abrangidas crianças com paralisia cerebral, perturbação do espetro do autismo, multideficiência, doença metabólica, entre outras patologias.

Em declarações à agência Lusa, António Silva Tiago afirmou que a autarquia verificou que as férias letivas representavam uma dificuldade acrescida para as famílias de muitas crianças com necessidades educativas especiais. "Por isso, desenhamos este programa ocupacional, inteiramente gratuito, que vai de encontro à solução desse problema e, estamos convictos, acrescenta uma pequena porção de felicidade quer às famílias beneficiárias quer a todos nós que cumprimos a nossa missão. Na Maia, ninguém fica para trás", referiu o autarca.

Entre as atividades projetadas para este ano, conforme se lê na descrição do programa, estão a cinoterapia, musicoterapia, pintura, desporto adaptado, bem como sessões de sessões de cinema, teatro, concertos e circo, somando-se passeios pelo zoo da Maia e atividades em parques temáticos.
"[O objetivo é] proporcionar o contacto com pessoas e espaços diferentes, quebrando a rotina, serão desenvolvidas uma série de atividades promovidas fora do espaço escola", refere a descrição do programa.

Este programa, que visa as crianças inscritas nos Centros de Apoio à Aprendizagem das Escolas do 1.º Ciclo do Ensino Básico da rede pública do concelho da Maia, tem inscrita uma verba de investimento a ronda os 24 mil euros.

Fonte: DN

domingo, 16 de dezembro de 2018

Livro online: Integração Escolar na Osteogénese Imperfeita

O Projeto Saber+, com a APOI, da nossa associação junta-se às Comemorações do Dia Internacional da Pessoa com Deficiência com a publicação online do livro “Integração Escolar na Osteogénese”.
A brochura “Integração Escolar na Osteogénese Imperfeita” constitui um pilar de apoio para a eliminação de barreiras e a integração escolar de crianças com Osteogénese Imperfeita.
Por vezes, o medo do desconhecido e a falta de informação relativa à patologia levam a que estas crianças sejam erradamente excluídas de algumas atividades, tanto curriculares, como extracurriculares, dificultando o seu normal desenvolvimento socio afetivo e educativo, e favorecendo condutas discriminatórias e de exclusão.

A APOI defende a participação ativa destes indivíduos na sociedade como cidadãos de pleno direito, pelo que recomenda a inclusão dos alunos na dinâmica habitual do sistema educativo promovendo as adaptações necessárias ao seu bem estar.


Fonte e mais informações: APOI

sábado, 27 de outubro de 2018

Nem escola, nem centro ocupacional: pessoas com deficiência num beco sem saída

Pedro Teixeira tem 95% de incapacidade atribuída por uma junta médica. A sua idade mental ronda os três anos, mas fez os 18 em janeiro. Por isso, este ano letivo não pode voltar à escola. Também ainda não tem lugar num Centro de Atividades Ocupacionais (CAO). Está em casa.
É um mundo adaptado. Há rampas, elevadores, computadores, uma piscina com esponjas, uma sala para trabalhos manuais, um ginásio, um dormitório, uma sala repleta de texturas, luzes, sons e água para terapia sensorial. "É como um filme de ficção científica." Inês Rebelo, irmã do Pedro, recorda o dia 10 de maio, quando acompanhou a mãe na ida à CERCI dos Olivais para conhecerem a instituição em que o irmão estava inscrito.

Eram nove pessoas. Quatro famílias. Começaram na sala de convívio e foram conduzidos pelo edifício enquanto lhes era explicado o funcionamento da instituição e o processo de entrada. Os pais faziam muitas perguntas. A maioridade ainda não tinha chegado para todos os candidatos, mas o prazo estava a expirar.

Durante a visita foram informados de que a lista de espera era longa e que podia passar muito tempo até conseguirem que os filhos pudessem ter um lugar ali. "É como mostrarem-te um chocolate com muito bom aspeto e depois tirarem-to", explica a mãe de Pedro, Paula Rebelo.

Pedro Teixeira fez 18 anos a 27 janeiro. Já não pode frequentar mais a turma de multideficiência da escola básica Fernando Pessoa, nos Olivais, em Lisboa, onde esteve nos últimos cinco anos. Também não pode seguir formação profissional porque o síndrome de Prader-Willi e a translocação entre dois cromossomas desconhecida no mundo inteiro fazem dele um rapaz de três anos preso num corpo de um adolescente.

Está no limbo. Aguarda um lugar numa das sete instituições em que está inscrito. Ele acredita que vai para uma escola nova. No supermercado, pede lápis de cor, canetas e cadernos. A família explica-lhe que não vai poder voltar para a escola. Ele insiste. Eles insistem.

A lei existe, mas não assegura o futuro
No ano letivo 2016/2017 havia 87.039 alunos com necessidades especiais inscritos nas escolas portuguesas, mais 7% do que no ano anterior, segundo os dados da Direção Geral de Estatística da Educação e da Ciência. Destes, 2.156 frequentaram unidades de apoio especializado para alunos com multideficiência, tal como Pedro.

"Cada ano [letivo] que passa é pior, porque há cada vez mais gente com 18 anos que sai do sistema educativo sem uma resposta", conta Rogério Cação, vice-presidente da FENACERCI, Federação Nacional de Cooperativas de Solidariedade Social e ex-professor de educação especial.

"Enquanto o sistema não for alterado, nós não temos resposta. E qualquer vaga que se crie por desistência ou falecimento é imediatamente preenchida", continua.

Pedro Teixeira cumpre todos os requisitos para integrar um Centro de Atividades Ocupacionais (CAO). "As atividades ocupacionais destinam-se a pessoas com deficiência grave, com idade igual ou superior a 16 anos, cujas capacidades não permitam, temporária ou permanentemente, o exercício de uma atividade produtiva", pode ler-se no artigo 4.º do decreto de lei n.º 18/89.

E há pelo menos três anos que a família "manifesta o desejo de que o seu educando faça a integração num Centro de Atividades Ocupacionais perto da sua área de residência." O desejo está expresso no Plano Individual de Transição (PIT) de Pedro - um contrato entre a escola, a família e instituições onde está registado o percurso escolar do aluno e que pretende delinear uma estratégia para o futuro do mesmo.

O futuro foi planeado. Paula conta que na escola sempre a descansaram dizendo que haveria uma vaga para o filho Pedro. Mas as inscrições nas instituições tardaram. Só em fevereiro deste ano receberam em casa uma carta a dizer que Pedro estava pré-escrito em sete instituições. A mãe pediu uma reunião à educadora social que estava a tomar conta do caso, que até à data não conhecia. No encontro, disseram-lhe que o processo estava a seguir o seu caminho.

Dois meses depois foi convidada a visitar a CERCI. Desde então não foi contactada por mais nenhuma das instituições. Na escola, não chegou a conhecer a psicóloga que assina o PIT de Pedro, nunca lhe marcaram uma reunião para a atualizar o processo - Paula é que foi pedindo para se reunir - e desde julho que deixou de poder contar com a ajuda das pessoas que estavam a acompanhar o caso, porque o filho cumpriu a escolaridade obrigatória, apenas à face da lei.

"A escola inclusiva é uma conquista inatacável, mas obviamente a escola não tem condições para trabalhar o pormenor que é preciso para promover as respostas para as situações sociais ou para as vivências familiares e comunitárias", aponta o professor Rogério Cação.

O DN tentou, sem sucesso, falar com o departamento de educação especial da escola Fernando Pessoa, que Pedro frequentava, para tentar perceber o que é que falhou na concretização do PIT do aluno.

A importância da escola
Na escola, Pedro tinha aulas de desenho, de dança, de música, de educação física adaptada e ia para a papelaria ajudar no atendimento ou para a biblioteca arrumar livros. Passou de ano sempre com boas notas, "porque conseguiu sempre fazer o que esperavam dele e às vezes melhor", conta a mãe.

Estava numa turma com 14 alunos apoiados por duas professoras. Tinha uma boa relação com os colegas, com os funcionários e com as docentes. De segunda a sexta-feira acordava antes do despertador tocar com o entusiasmo de ir para a escola.

As férias, e até os fins de semana, foram sempre tempos mais complicados para a família. Em casa, Pedro não gasta a mesma energia, fica muito irrequieto porque não consegue concentrar-se tão bem como na escola e tem tendência para comer demasiado. Uma das manifestações da sua doença é precisamente nunca se sentir saciado, o que o faz ter excesso de peso. Embora a comida esteja protegida por trancas, Pedro já aprendeu como chegar aos alimentos. Desde que terminaram as aulas já aumentou quatro quilos, o que é um risco grave para a sua saúde.

"Aumenta muito a tensão em casa, porque ele precisa de 100% de supervisão. A minha mãe não pode trabalhar e temos de pagar a uma pessoa para ajudar com ele. Mas o que me custa mais é vê-lo deixar de ter acesso às poucas coisas de que gosta e que pode fazer", lamenta a irmã.

Rogério Cação consegue perceber o problema. "Se o jovem não tem um enquadramento, sobra para a família. E muitas vezes a família acaba por se autodestruir."

"Pais que estão a envelhecer, ou estão envelhecidos precocemente por causa dos problemas, muitas vezes já não têm sequer força para fazer uma mobilização do jovem na cama. Veem-se aflitos, porque não conseguem sair com eles [filhos]. É importante terem alguém ou uma instituição que lhes dê algum conforto no presente e no futuro", acrescenta.

Paula está a lutar contra uma depressão há três anos. Não saber o que vai acontecer ao filho não lhe dá descanso. Tem 57 anos, está separada do pai do Pedro, e pensa muito na vida do filho quando ela já não tiver capacidade para lhe dar a assistência de que precisa.
Repensar o sistema
"A solução está na mudança; criar vagas é um paliativo. Essa mudança tem de ser feita com muita velocidade, mas como as mudanças políticas levam normalmente muito tempo a maturar, têm de ser tomadas medidas transitórias mais imediatas", diz Rogério Cação.

Em 2014, a FENACERCI avançou com uma proposta de alteração da lei para criar um nível intermédio entre a saída da escola e a entrada no CAO. Neste compasso ganhava-se tempo para adotar uma medida permanente, que poderia passar pela integração de um CAO ou de uma profissão acompanhada para os mais autónomos.

Segundo esta ideia, depois dos 18 anos, os jovens integrariam, durante dois anos, uma unidade de "capacitação para a inclusão", onde se pretendia que reforçassem competências sociais, com a colaboração das estruturas que desenvolvem o apoio ocupacional.

"Aquilo que nós propomos é que o apoio ocupacional possa ser entendido em vários níveis, porque hoje é onde vai parar toda a gente. E muitos dos jovens nem sequer têm perfil para apoio ocupacional, mas não há outra resposta", defendeu o vice-diretor da FENACERCI.

O DN começou a entrar em contacto com o Ministério do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social há 13 dias e com o Ministério da Educação há 5 dias para obter dados relativos a estas situações e tentar saber quais são as medidas que são tomadas para as resolver, mas não obteve resposta até à data de publicação deste artigo.

Fonte: DN

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Ensino: um problema de inclusão

Com a alteração legislativa, deixa de haver meninos do ensino especial, só meninos da escola - todos os alunos podem ter medidas de apoio para facilitar a aprendizagem. A nova lei, diz a associação Pais em Rede, é necessária mas difícil de aplicar. O Governo acredita que até ao final de novembro, as primeiras avaliações vão estar terminadas e as respetivas medidas de apoio a ser colocadas em prática.

O governo acredita que as primeiras avaliações sobre que alunos têm necessidades de saúde especiais devem estar concluídas até ao final de novembro. Ao Expresso, o secretário de Estado da Educação, João Costa, refere que os prazos não são o mais importante nesta fase de entrada em vigor das novas regras e que este é um ano letivo sobretudo de transição, apropriação de medidas e formação.

“Pelo que tenho recebido das escolas, diria que até ao final de novembro as primeiras avaliações já vão estar a ser concluídas e as medidas a começarem a ser implementadas. Pelo relato que temos tido das escolas, diria que sim”, disse João Costa.

E isto é possível? A Pais em Rede, organização não governamental para pessoas com deficiência, diz que é difícil, mas não impossível. “Até ao Natal, acho possível, até ao fim de novembro não é fácil, mas fazível”, diz Júlia Serpa Pimentel, professora do ISPA - Instituto Universitário e voluntária na associação, onde preside à mesa da assembleia geral. “Se está tudo bem? Não está. Se este ano vai estar tudo bem? Não sei. Se no próximo ano letivo vai estar tudo bem? Se as escolas quiserem…”

A nova legislação altera a lei da educação especial, e as medidas especiais poderão ser aplicadas a qualquer aluno. Ou seja, permite que qualquer aluno seja avaliado por uma equipa multidisciplinar, para que posteriormente seja objeto de medidas específicas. O que muda é que o critério para um maior acompanhamento seja exclusivamente médico. “O que temos é uma abordagem multinível, em que vamos adequar medidas às necessidades específicas de cada aluno: porque têm uma deficiência, porque estão a passar um momento familiar complicado ou porque são refugiados que acabam de chegar a Portugal. Afastámos-nos de um modelo estritamente clínico e médico para um modelo centrado na identificação das necessidades de cada um, que podem ser clínicas ou de outra natureza completamente diferente (background familiar, por exemplo)”, explica o secretário de Estado.

As aulas começaram há cerca de duas semanas e, devido a esta transição legislativa, há situações de fronteira - como o “PÚBLICO” noticiou no fim de semana, referindo casos de alunos com deficiência profunda que aguardam por uma avaliação - e entretanto estão numa situação escolar incerta. “São casos pontuais”, indica o secretário de Estado aos Expresso. Desde o começo do ano letivo, chegaram à Direção Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE) nove queixas, que foram “logo resolvidas”, segundo este organismo.

Os dois casos denunciados pelo “Público” estão regularizados: “Num dos exemplos, tinha havido uma transferência de Lisboa para Viana do Castelo, era um aluno novo na escola, para o qual já estavam a ser desenhadas as medidas de apoio. E quando se falou com a mãe estava já tudo tratado. No outro caso, o diretor reportou que tinha um conjunto de assistentes operacionais de baixa e, durante uns dias, questionou os pais se podiam ficar com os filhos até a funcionária voltar. Claro, isto não deve acontecer, pois o que a direção da escola deve fazer de imediato é pedir uma substituição”, diz João Costa. “Os alunos com deficiência têm exatamente os mesmos recursos e medidas que tinham no ano passado. É dada continuidade às medidas. É uma dúvida que nunca nos chegou. Quando a escola recebe um aluno com multideficiência, obviamente não vai pô-lo na sala de aula a fazer de conta que ele não tem multideficiência”, acrescenta.

A Pais em Rede assegura que não recebeu qualquer queixa relativamente à implementação da lei e sempre que recebe pedidos de esclarecimento encaminha-os para os organismos governamentais, que acredita “estarem a fazer de tudo para que as coisas aconteçam”. E, por isso mesmo, apelam - à semelhança do Ministério da Educação - que qualquer problema, situações de impedimento ou caso de discriminação sejam denunciados à DGEstE.

“É uma lei muito bonita no papel, mas não para pôr em prática. O que sabemos, e são coisas contadas mais a título particular, é que há locais em que a única mudança foi a placa à porta da sala. Passou de Salas de Apoio à Multideficiência para Centros de Apoio à Aprendizagem”, conta Júlia Serpa Pimentel.

UMA LEI URGENTE
“Foi tudo feito com bastante tempo”, refere a voluntária da Pais em Rede, que diz ter sido ouvida pelo Ministério há mais de um ano. “A questão é que a lei caiu no fim do ano letivo e foi posta em prática logo em setembro”, considera, lembrando que havia “pressão real para que a lei de 2008 fosse alterada”. A antiga legislação previa a criação de salas para alunos com espetro de autismo e também de apoio à multideficiência, o que as Nações Unidas defenderam já não fazer sentido - e por isso recomendaram a mudança legislativa.

“É uma lei necessária e positiva, embora não a fizesse exatamente desta forma. Acho também que se estivermos à espera que todos estejam preparados, nada muda”, defende.

Quando a lei foi pensada, estava previsto um ano para a sua aplicação, para a formação de professores e para a preparação das escolas, refere Júlia Serpa Pimentel. Isso não aconteceu. Segundo o Ministério da Educação, a lei esteve a ser trabalhada durante dois anos, houve reuniões com diretores por todo o país, workshops. “Cerca de 5000 professores foram abrangidos pelas ações de formação”, diz João Costa.

Para o secretário de Estado, não há dúvida que, na lógica de progressividade da legislação, os professores e as escolas estão “certamente preparados” para a mudança e todo o trabalho que esta implica. No entanto, quando questionado sobre a preparação das escolas e professores, relembra que 2018/2019 é “claramente um ano de apropriação e formação”. “Estas coisas não se fazem de uma dia para o outro”, sublinha.

A Pais em Rede lembra ainda que, tornando a escola inclusiva, em que as medidas especiais são universais e podem ser aplicadas a todos os alunos, deveria existir um reforço do pessoal. “Se não houver, corre-se o risco de os jovens que gastam mais recursos não terem os suficientes. De certeza que não vão ter os recursos que os pais desejariam, mas garantidamente não estavam melhor com a outra opção”, conclui Júlia Serpa Pimentel.
Fonte: Expresso

domingo, 30 de setembro de 2018

Pressa na mudança de regime deixa muitos alunos com necessidades especiais sem apoios

Há algo a acontecer nas escolas que está a deixar siderados muitos pais que têm filhos com necessidades educativas especiais severas. As limitações dos seus filhos não desapareceram, mas de repente muitos deles deixaram de ter os apoios de que dependem para conseguirem aprender.


Muitos destes alunos estão em aulas desde o passado dia 17 sem que ninguém os ajude a decifrar o que os professores transmitem aos seus colegas que não têm as mesmas dificuldades. Ou estão em casa porque as escolas onde pertencem assumiram não ter ainda meios para os acolherem.

Vasco, que tem perturbações do espectro do autismo, está na primeira situação. Tem 16 anos, está no 9.º ano de escolaridade e está a ir à sua escola em Viana do Castelo desde o início do ano lectivo. Desde então vai passando para o caderno as lições que os professores vão dando para todos os alunos da turma. Consegue estar sentado, não perturba as aulas, “mas não percebe metade do que vai anotando, já que não tem ninguém especializado a seu lado que o ajude a descodificar o que o está ser transmitido”, relata a sua mãe, Cristina Franco.

A razão pela qual está a viver este "constrangimento" deriva, segundo acusam pais e professores, de uma mudança de "paradigma" em relação à educação especial que o Ministério da Educação optou por levar por diante já este ano lectivo, apesar de só a ter instituído legalmente em Julho, a três meses do início deste ano lectivo, sendo que destes 90 dias, 30 eram de férias de quem trabalha nas escolas.

Com a entrada em vigor do novo regime da educação inclusiva, que veio substituir o da educação especial, acaba-se o conceito de necessidades educativas especiais e as medidas de apoio são alargadas a todos os estudantes, embora os que apresentem maiores dificuldades sejam alvo de apoios mais especializados.

Para concretizar estas mudanças, as escolas estão obrigadas a reavaliar os alunos para decidirem que medidas de apoios serão aplicadas. É um processo que só se iniciou este mês. Neste caminho, muitos alunos deixaram por agora de ter os apoios de que necessitam, o que poderá ter consequências graves, alertam pais e professores, que neste domingo vão manifestar-se em Lisboa.

Necessidades continuam
Já o Ministério da Educação, em respostas ao PÚBLICO, garante que as equipas multidisciplinares, a quem compete a selecção dos apoios a aplicar, “foram constituídas e o trabalho está a desenvolver-se nas escolas”. Afirma também que “o caminho é gradual, sendo este um ano de transição”.

“As necessidades destes alunos não desapareceram, mas eles foram colocados em stand-by quando na verdade não têm tempo para esperar, porque são os que têm mais atrasos”, contrapõe Cristina Franco, que tem uma pergunta a que, segundo diz, ainda ninguém respondeu: “Neste tempo todo de que toda a gente diz precisar onde foi parar o superior interesse dos alunos?”

Helena Sabino, da Associação Pais em Rede, constituída por familiares de pessoas com deficiência, tem sabido, a partir de relatos recolhidos nos grupos de pais constituídos nas redes sociais, que existem dois cenários em relação aos alunos com perturbações do espectro do autismo que frequentavam as Unidades de Ensino Estruturado existentes em várias escolas.

Como estas unidades acabaram com a entrada em vigor do regime da educação inclusiva, para serem substituídas pelos novos Centros de Apoio à Aprendizagem, que ainda estão a ser montados, “há escolas que simplesmente mudaram o nome na porta da sala e tudo continua a funcionar como antes, mas há outras onde abruptamente enviaram os alunos autistas para as salas de aula, sem apoio individualizado por parte de assistentes operacionais ou professores de educação especial”. “Estes alunos acabam por ‘descompensar e ficar agressivos’ porque tiveram sempre num contexto protegido e, nestas situações, os professores não sabem o que fazer”, adianta.

O Ministério da Educação contrapõe que as queixas que tem recebido “são pontuais, têm sido acompanhadas e resolvidas caso a caso”. E adianta também que estas queixas “não resultam do novo regime legal”. “São situações relacionadas com funcionários, transportes e encaminhamento para algumas terapias. São, nalguns casos, atrasos que decorrem da avaliação que todos os anos é feita de novos casos e que não dependem desta legislação”, especifica.


Em casa à espera
Uma das queixas que esta semana seguiu para o ministério foi enviada por Vânia Jorge, mãe de um rapaz de 13 anos com perturbações do espectro do autismo, que frequenta o 8.º ano numa escola dos arredores de Lisboa. Martim, é este o nome do seu filho, compareceu na apresentação no dia 17 de Setembro, mas logo no dia seguinte Vânia foi informada de que o filho não poderia continuar a ir à escola até 1 de Outubro porque “não existiam auxiliares”.

Como está convicta de que Martim tem “tanto direito à educação como todos os outros”, Vânia comunicou à direcção que o seu filho estaria na escola a partir desta segunda-feira, o que aconteceu. “Ele já está a ser acompanhado nas aulas por uma professora de educação especial e até ficou todo contente porque pela primeira vez trouxe trabalhos para fazer em casa”, diz. Mas os outros 10 alunos que também frequentavam a unidade de apoio aos alunos com espectro do autismo existente na escola, e que entretanto foi fechada, continuam em casa.

O presidente da Pró-Inclusão – Associação Nacional de Docentes de Educação Especial, David Rodrigues, confirma a existência de dificuldades na aplicação do novo regime devido ao facto de o diploma ter sido apenas publicado a 6 de Julho. “Temos aconselhado as escolas a fazerem o melhor que podem, independentemente da legislação”, afirma. Ou seja, “apoiar os alunos com o modelo do ano transacto, para não os deixar sem apoios” enquanto se avança para o novo regime.

Com base nos relatos que lhe têm chegado, o professor e autor do blogue Incluso, dedicado a temas sobre a deficiência, João Adelino Santos, afirma que esta “não é prática generalizada”.

“Penso que as escolas, pelo menos uma boa parte, iniciaram o ano lectivo sem alterarem substancialmente as práticas existentes e aplicarão o novo quadro legal paulatinamente, com as cautelas necessárias para não colocar em causa a integração e o sucesso de todos os jovens”, diz o presidente do Conselho das Escolas (CE), o organismo que representa os directores junto do ministério, José Alberto Lemos.

Mas esta percepção não o leva a poupar críticas ao ministério: “Aos constrangimentos apontados no parecer do CE [nomeadamente no que respeita à formação de professores] juntam-se agora todos os que resultam da publicação tardia do diploma legal."

Retrocesso nas aprendizagens
“Está a acontecer o que nunca poderia ter acontecido. Que é deixar os alunos sem apoios”, acusa a dirigente da Federação Nacional de Professores (Fenprof), Ana Simões, que é também professora de educação especial. Lembra que as aprendizagens dos alunos com necessidades especiais passam por “acções repetitivas e pela criação de rotinas” e que sem elas o “retrocesso é quase inevitável”.

Ana Simões recorda que a Fenprof foi a primeira entidade a pedir o adiamento da aplicação do novo regime, no que foi depois secundada pela Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação.

Também ao Parlamento têm chegado reclamações de pais e professores, o que levou já o PCP, o CDS e o PAN a denunciarem esta situação em debates recentes.

O BE e o PCP também apresentaram pedidos de apreciação parlamentar do regime da educação inclusiva. Ambos têm como objectivo introduzir alterações, mas não preconizam que a sua aplicação seja suspensa.

Fonte e mais informações: Público

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Ensino Superior. Arranca este ano lectivo o primeiro curso para deficientes em Santarém

A Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Santarém vai ter pela primeira vez em Portugal um curso destinado a portadores de deficiência. Chama-se Literacia Digital para o Mercado de Trabalho, arranca este ano lectivo e é inspirado no que existe há uma década na Universidade Autónoma de Madrid.

A Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Santarém lança este ano lectivo 2018/19 o curso de Literacia Digital para o Mercado de Trabalho, concebido de acordo com as recomendações do Conselho Nacional de Educação, e que abre portas a diversas profissões, minimizando um dos principais problemas com que se debatem as famílias de jovens portadores de deficiência: a falta de formação profissional adaptada.

Este ano serão admitidos 11 alunos, mas a ideia é replicar a experiência noutros estabelecimentos de ensino, explica a professora coordenadora do curso, Maria Barbas. O objectivo é facilitar a inclusão social e promover a empregabilidade, sobretudo nas áreas do turismo e multimédia.

O curso tem a duração de dois anos e para se inscreverem os alunos devem ter um grau de incapacidade igual ou superior a 60%, competências básicas mínimas ao nível da leitura e da escrita e competência média a média/alta em termos de sociabilidade. Antes disso, e para garantir que estão aptos, os candidatos são sujeitos a uma entrevista de quase um dia com uma psicóloga especializada em desenvolvimento.

Os conteúdos da formação foram apresentados pela Departamento de Tecnologias Educativas e aprovados por unanimidade pelo Conselho Técnico Científico. Embora o curso não confira aos alunos um grau ou título, dá-lhes uma certificação legal e responde a todas as directivas do Conselho Nacional de Educação, bem como às orientações do ministro da Tecnologia e Ensino Superior, que apelam ao alargamento da oferta a novos públicos.

O curso foi desenvolvido de forma a compreender vários domínios profissionais e obedece quer ao perfil e potencial dos estudantes, quer às actuais necessidades do mercado de trabalho, incluindo cadeiras na área do ambiente, do turismo, do património e do apoio social.

O certificado habilita os alunos a trabalhar, por exemplo, como guias ambientais em áreas protegidas ou zonas de interesse nacional, como tutores de monumentos e contadores de histórias, como colaboradores de empresas dedicadas ao ecoturismo ou ao lazer e entretenimento de idosos ou em áreas dedicadas à conservação da natureza.

Para garantir o êxito do curso, o Instituto Politécnico de Santarém estabeleceu também protocolos com diversas empresas, como a Deloitte, que oferece estágios remunerados. As propinas custam 680 euros e o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social comparticipa com 50 mil euros.

O objectivo máximo é permitir uma independência pelo menos parcial e dar auto-estima a pessoas com défice cognitivo e limitações a diversos níveis, de forma a que se tornem, na medida do possível, cidadãos mais autónomos e contribuintes activos para uma sociedade melhor

domingo, 22 de julho de 2018

Para uma Educação Inclusiva - Manual de apoio à prática

No seguimento da publicação do Decreto-Lei n.º 54/2018, de 6 de julho, e conforme definido no seu artigo 32.º, a DGE disponibiliza o Manual de Apoio à Prática cuja finalidade é a de apoiar os profissionais na implementação do novo regime jurídico da educação inclusiva, assim como apoiar os pais/encarregados de educação na sua colaboração com a escola.


O compromisso com a construção de uma escola inclusiva é um desígnio nacional e um desafio para o qual estamos TODOS convocados.

Brevemente será disponibilizada a versão deste Manual em formato acessível.

Fonte: DGE

terça-feira, 17 de julho de 2018

Mais vagas no ensino superior para candidatos com deficiência física e sensorial

O contingente especial para candidatos com deficiência física e sensorial aumentou este ano o número de vagas para 4% na primeira fase e, pela primeira vez, contempla vagas na 2ª fase de candidatura em 2%. 


Organizado pela Direcção-Geral de Ensino Superior (DGES), o concurso nacional inicia este mês. A DGES disponibiliza ainda o balcão IncluIES, com informações como serviços de apoio ao deficiente, acessibilidade dos edifícios e das páginas web, bolsas para estudantes com mais de 60% de incapacidade, entre outras, das instituições de ensino superior e estabelecimentos de ensino privado em Portugal. 


Fonte: Jornal de Negócios

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Estado atribui mais de 660 mil euros em bolsas a alunos do superior com deficiência

O Estado atribuiu no presente ano letivo um total de mais de 660 mil euros em bolsas de estudo a 486 estudantes com necessidades educativas especiais (NEE) com incapacidade igual ou superior a 60%, segundo dados da tutela.


O montante foi revelado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES), a propósito da divulgação do Inquérito às Instituições de Ensino Superior e respetivas Unidades Orgânicas sobre necessidades educativas especiais – 2017-2018, divulgado na terça-feira pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC).

As Bolsas de Estudo para Frequência do Ensino Superior de Estudantes com incapacidade igual ou superior a 60 % foram criadas e implementadas no atual ano letivo, no âmbito do programa do Governo Inclusão para o Conhecimento, criado pelo MCTES em colaboração com a Direção-Geral do Ensino Superior e com a Fundação para a Ciência e Tecnologia.

“Este programa tem como objetivos promover condições adequadas à inclusão de pessoas com necessidades especiais em termos de formação, desempenho de atividades docentes e de investigação, de participação ativa na vida académica, social, desportiva e cultural, e acesso geral ao conhecimento no contexto das Instituições de Ensino Superior e do Sistema Científico e Tecnológico Nacional”, refere a tutela numa nota de imprensa.

A mesma nota adianta que no concurso nacional de acesso (CNA) ao ensino superior deste ano haverá um “alargamento do contingente especial para candidatos com deficiência física e sensorial” definindo-se um “aumento das vagas e extensão do contingente à 2.ª fase do CNA”.

O contingente especial de acesso reservava até 2017 um total de 2% das vagas da 1.ª fase do CNA para alunos com NEE.

A partir de 2018 esse contingente especial passa a reservar 4% das vagas disponíveis na 1.ª fase do CNA e estende-se à 2.ª fase do concurso, reservando, nesse momento, 2% das vagas para candidatos com deficiência física e sensorial.~

Fonte: Expresso

Mais de metade das instituições de ensino não dá apoio a estudantes com deficiência

Mais de metade das instituições de ensino superior não tem serviços de apoio a estudantes com necessidades educativas especiais. Os problemas são maiores nas universidades privadas, revela um relatório da Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), divulgado esta terça-feira.


Das 114 instituições de ensino superior, públicas e privadas, 54,5% não dispõem de serviços de apoio dirigido a estes alunos. É no sector privado que se encontra um menor número de universidades equipadas com este tipo de resposta (37,%), ao passo que nas instituições públicas 64,7% têm equipas específicas destinadas a ajudar estudantes com necessidades especiais.

Os dados da DGEEC mostram também que um grande número (43,6% do total) de instituições de ensino superior ainda não possui regulamentação destinada a estes alunos. Mais uma vez, o cenário é mais positivo no sector público, onde 76,5% das instituições dispõem destes documentos, do que no privado, onde menos de metade (47,4%) tem esse instrumento.

Nas instituições privadas de ensino estão inscritos apenas 140 alunos com necessidades educativas especiais, o que corresponde a 8,5% do total de estudantes com este estatuto que frequentam o sector. A esmagadora maioria nas instituições públicas (91,5%).

Ainda assim, os 1644 estudantes com necessidades educativas especiais inscritos no ano lectivo que está agora a terminar representam apenas 0,5% do total dos matriculados no ensino superior.

O contingente especial para estudantes com deficiência destina-se a candidatos com deficiência física ou sensorial e era composto, até ao ano passado, por 2% das vagas fixadas para a 1.ª fase do concurso nacional de acesso (ou por duas vagas por curso). No próximo ano lectivo, este valor duplica: 4% das vagas da 1.ª fase do concurso nacional de acesso serão destinados a estes alunos.

Atendendo ao número de lugares disponíveis no ensino superior no início de cada ano lectivo — acima das 50 mil — havia cerca de 1000 lugares em cada ano para estudantes com deficiência, mas apenas 14% dos lugares foram ocupados em 2016/17.

Problemas de acessibilidade
Ao nível do acesso de pessoas com mobilidade reduzida aos edifícios das universidades e politécnicos, o relatório da DGEEC revela também que, apesar da legislação existente – que exige acessibilidade a todos os edifícios de uso público – ainda há 8% das estruturas das faculdades que não cumprem as regras.

Estes dados constam do Inquérito às Instituições de Ensino Superior e respectivas Unidades Orgânicas sobre necessidades educativas especiais, relativo ao ano lectivo que está agora a terminar, e foi publicado pelo DGEEC. Responderam 112 das 114 instituições de ensino superior nacionais (públicas e privadas).

No ano lectivo 2016/17, diplomaram-se 303 estudantes com necessidades educativas especiais, a maioria dos quais (184) concluiu licenciaturas. Houve ainda 40 pessoas a terminar mestrados, 36 mestrados integrados e 41 em cursos técnicos superiores profissionais. Os dados da DGEEC mostram ainda que houve duas pessoas com necessidades educativas especiais a terminarem um doutoramento no último ano lectivo.

Fonte: Público

terça-feira, 13 de março de 2018

Falta de acessibilidades impede jovem estudante com deficiência de estudar

"Infelizmente a situação não é única", referiu a presidente da Associação Portuguesa de Deficientes. Ricardo Barata já escreveu uma carta a Marcelo Rebelo de Sousa. Ricardo Barata terminou o 12.º ano mas a vida numa cadeira de rodas impede-o de ir para a Universidade, porque a falta de transporte e estações de Metro sem elevador obrigam-no a "ficar em casa sem fazer nada".


Victor Barata, o avô de Ricardo, resume assim o drama do neto: "O Ricardo nunca perdeu ano nenhum, passou todos os anos com boas notas. E agora fez o 12.º ano e não consegue entrar na Universidade por causa dos transportes, nem de casa para o Metro nem depois à saída do Metro, por não ter elevador".

O jovem vive em Odivelas, arredores de Lisboa, e esta terça-feira demonstrou a dificuldade numa das entradas do Metropolitano de Lisboa, junto da Cidade Universitária, quando centenas de jovens saiam das aulas e desciam as escadas de acesso à plataforma, uma impossibilidade para ele.

A iniciativa foi só uma das tentativas de Ricardo de prosseguir os estudos e foi organizada pela Associação Portuguesa de Deficientes (APD), em conjunto com a Comissão de Utentes dos Transportes de Lisboa.

O jovem de Odivelas, como contou aos jornalistas Ana Sezudo, presidente da APD, contactou a associação para "tentar perceber que trâmites teria de seguir para conseguir chegar à Faculdade", depois de ter pedido ajuda às Câmaras de Odivelas e de Lisboa, "que lhe deram uma resposta negativa".

Sem ajudas, "tentou perceber qual o percurso acessível a nível de transportes públicos", mas se na estação do Metro em Odivelas há elevador tal não acontece na estação da Cidade Universitária, disse a presidente da APD. A associação, contou Ana Sezudo, contactou então os Ministérios da Educação e do Ensino Superior, a Secretaria de Estado para a Inclusão e o Instituto Nacional para a Reabilitação. Ainda não recebeu qualquer resposta.

"Aqui estamos para denunciar, que este é apenas um exemplo, mas é um exemplo para muitos outros que existem nesta cidade, muitos cidadãos com deficiência que acabam por ter as suas vidas limitadas porque os serviços públicos não estão preparados", disse Ana Sezudo, também ela de cadeira de rodas, à porta da estação do Metro da Cidade Universitária.

Infelizmente a situação não é única
A responsável explicou que "infelizmente a situação não é única", que são poucas as estações de Metro com elevadores, e que os que existem estão muitas vezes avariados. E quanto à acessibilidade em todas as estações a empresa fala de constrangimentos financeiros, acrescentou Ana Sezudo.

"Depois de quase 20 anos de legislação sobre acessibilidade em Portugal, manter situações deste tipo... e esta estação é um exemplo porque no ano em que foi inaugurada já existia legislação sobre acessibilidades... não há sequer essa desculpa e já devia estar há muito tempo adaptada", diz aos jornalistas. E diz também que os cidadãos deficientes do interior do país ainda vivem situações piores, onde os transportes públicos não têm acessibilidade, isolando-os ainda mais.

Por isto, as duas associações juntaram-se hoje e exibiram faixas a pedir mais e melhores acessibilidades, uma forma de sensibilizar para o problema, ainda que não pareça ter sensibilizado nenhuma ou quase nenhuma das muitas pessoas que entravam e saíram da estação de Metro.

Ricardo Barata também o queria fazer, entrar e sair. Gostava de estudar Ciência Política e até já escreveu uma carta ao Presidente da República a falar-lhe do seu caso. O avô tem esperança que tudo se resolva e que no próximo ano o Ricardo possa entrar na Universidade. Caso não consiga "será mais um que vai ficar em casa, sem aprender mais nada". Fonte: DN - Sugerido por Tó Silva

Há estações do Metro em Lisboa sem elevador para deficientes

Esta terça-feira, a Associação Portuguesa de Deficientes, em conjunto com a Comissão de Utentes dos Transportes de Lisboa, vai manifestar-se junto da estação de metro da Cidade Universitária por não haver elevador. Os deficientes motores continuam a deparar-se com problemas de acesso nas ruas, transportes e serviços públicos um pouco por todo o país.

sábado, 10 de março de 2018

Bullying contra pessoas com deficiência

As crianças e jovens com autismo são, entre as pessoas com deficiência, as que maior risco correm de ser vítimas de bullying. Um estudo realizado em Espanha deu um número a esta realidade, que é replicada em muitos outros países: quem tem autismo tem sete vezes mais probabilidades de ser alvo de bullying do que os seus colegas.


O alerta partiu de especialistas nesta área que, nesta sexta-feira, se reuniram no ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa para a divulgação de um projecto europeu destinado a prevenir o bullying contra pessoas com necessidades educativas especiais ou deficiência.

Neste universo já de si particularmente vulnerável a acções de bullying, choca o facto de muitas das crianças que são vítimas deste fenómeno “não tenham sequer a possibilidade de transmitir o que lhes acontece e de dar conta dos seus medos” como acontece frequentemente com quem tem autismo, frisou Ana Sezudo, presidente da Associação Portuguesa de Deficientes.

O bullying é o nome dado a comportamentos ou acções de intimidação ou humilhação entre pares que são intencionais, repetidos ao longo do tempo e nos quais existe um desequilíbrio de poder entre o agressor e a vítima, lembra a investigadora e professora do ISCTE, Susana Fonseca, que representa este instituto no projecto Stop Disabuse, desenvolvido em conjunto com mais quatro parceiros da Irlanda, Itália e Espanha.

As escolas têm sido o terreno de eleição deste fenómeno. “Acontece em todas e com uma frequência quase diária”, refere ao PÚBLICO com base na investigação que tem desenvolvido desde 2001. Mas com a Internet e as redes sociais, este fenómeno “já há muito que ultrapassou os portões das escolas e acontece em qualquer local e a qualquer hora”. É o chamado cyberbullying.

Mais números. Os inquéritos realizados têm mostrado que “um em cada cinco alunos está directamente envolvido em situações de bullying”, refere Susana Fonseca. Os mesmos inquéritos mostram que entre a população com necessidades educativas especiais ou deficiência a incidência ainda é maior e afecta uma em cada quatro destas pessoas.

Susana Fonseca esclarece, a este respeito, que “qualquer facto que possa colocar uma pessoa numa situação de vulnerabilidade, perante os outros, pode ser um potencial desencadeador de um caso de bullying”. É o que se passa com as pessoas com deficiência, onde este fenómeno se exerce, “especialmente, através de comentários ou de linguagem de discriminação”.
Não é “uma forma de vida”

Com Carla, uma jovem utente da Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental, as coisas foram mais longe. “Cheguei a ser agredida na sala de aula e o professor não fez nada”, contou na sessão desta sexta-feira. Antes e depois continuou a ser “insultada” pelos colegas, o que a levou a isolar-se cada vez mais: "Estava sempre sozinha."

Mas Carla lembra-se também de outro dia em particular. Estava muito bem arranjada, foi à casa de banho e duas colegas fecharam-na aí, cortaram-lhe o vestido em farrapos com uma tesoura e espalharam todo o conteúdo que trazia na mala. “Várias coisas foram pela sanita abaixo”, pormenoriza.

No projecto europeu de que o ISCTE faz parte assume-se que é preciso aprender com as experiências de pessoas como ela, para as ajudar — e também àqueles que as educam ou trabalham no mesmo local —, a identificar e combater o bullying, o que passa também por adoptar acções de protecção face a este comportamento. Por exemplo, não ficar sozinho nos intervalos.

Irão ser criados materiais interactivos, que passarão a estar disponíveis no site www.disabuse.eu com o objectivo de valorizar as pessoas com necessidades educativas especiais ou deficiência e contribuir assim para que ultrapassem aquelas que dizem ser as suas maiores dificuldades.

Mona O’Moore da Universidade de Dublin apresentou-as assim: medo de não ser levado a sério; medo de represálias; sentimento de vergonha (os insultos frequentes levam a que se pense que estes são verdade); normalização do bullying ("é apenas uma forma de vida").

Fonte: Público

sábado, 10 de fevereiro de 2018

EKUI: Por um mundo sem barreiras de comunicação

O EKUI é uma linha de material lúdico e didático para uma comunicação sem barreiras e mais inclusiva. Como tal foi pensado para desenvolver a linguagem e comunicação, as capacidades psicomotoras, o pensamento crítico, a inteligência social e emocional, a imaginação e a criatividade.

Equidade

Acesso a bens e serviços de educação e reabilitação

Knowledge

Direito universal à aprendizagem

Universalidade

Uma linguagem universal e acessível a todos

Inclusão

Mudança para um mundo ao qual todos pertençam

“A ideia do EKUI surgiu-me em 2003 quando eu dava aulas de educação especial a alunos com autismo e limitações cognitivas. Na altura percebi que as crianças identificavam com muito mais facilidade as letras do alfabeto português quando eu lhes associava um gesto da língua gestual portuguesa.Tornou-se claro para mim que faltava um material didático, que permitisse que todas as crianças pudessem aprender e comunicar de forma equitativa, como é direito básico de qualquer cidadão.

Tem sido uma caminhada gratificante: hoje milhares de crianças aprendem a ler com a metodologia EKUI e eu acredito que será apenas o princípio de uma grande mudança. A mudança para um mundo mais inclusivo onde a igualdade começa quando exercemos o nosso direito à comunicação e a uma linguagem universal”, considera Célia Macedo, mentora do projeto.

Mais informações AQUI

Fonte: Minuto Acessível

sábado, 13 de janeiro de 2018

Mais de 80 mil alunos passam a ter acesso a “soluções especiais” da PT

Para promover um maior equilíbrio social, a Fundação Portugal Telecom desenvolveu as Soluções Especiais, medidas adaptadas às necessidades dos cidadãos com deficiências e que possibilitam o acesso à atividade escolar, profissional e social deste segmento da população. Agora, com a celebração de um protocolo que envolve a Fundação e a Direção-Geral da Educação (DGE), essas Soluções da Altice Portugal estarão acessíveis aos alunos portugueses com necessidades educativas especiais, com o objetivo de garantir uma total igualdade de oportunidades no acesso à educação e promovendo uma educação mais inclusiva.


Alexandre Fonseca, presidente do Conselho de Administração da Fundação PT, destacou o papel que a educação tem num Estado de Direito, caracterizando-a como um dos vectores que, alicerçado na igualdade, é responsável pelo desenvolvimento social e económico de uma sociedade. No entanto, realçou que, apesar do trabalho meritório que Portugal tem realizado na digitalização da sociedade, ainda há um longo caminho a percorrer num país “onde 26% da população não tem acesso à internet”, defendendo que “é através da educação e da formação” que se alcançará um “futuro melhor e mais sustentável”.

José Vítor Pedroso, diretor-geral da DGE, referiu a importância de haver uma “escola cada vez mais inclusiva para que todos os alunos tenham as mesmas oportunidades de sucesso no seu percurso académico e na vida” e Humberto Santos, do Instituto Nacional de Reabilitação, concordou que “é nos bancos da escola que começa o processo sistemático de aprendizagem que nos leva a esse caminho”. Também no âmbito deste protocolo, os 25 Centros de Recursos TIC para a Educação receberam computadores portáteis e licenças PT Grid 3 (solução de comunicação aumentada), tendo ainda havido lugar à entrega de um equipamento a Anais Morais, uma jovem aluna de 21 anos com deficiência.

Entre as várias Soluções Especiais, a Altice Portugal destaca algumas, como o programa Aladim, uma oferta promocional nos principais serviços da Altice Portugal para utilizadores com deficiência ou incapacidade, e cuja reformulação foi considerada muito importante por Ana Sofia Antunes, secretária de Estado para a Inclusão de Pessoas com Deficiência, uma vez que “para muitas pessoas esses são os únicos meios de ligação ao mundo”. O programa Atendimento Presencial a Surdos, que garante a presença de um profissional dedicado ao atendimento de surdos nas lojas MEO nas 20 capitais de distrito e o programa de cidadania digital sobre navegação segura, Comunicar em Segurança, que mobiliza mais de 700 voluntários em cerca de 3 mil escolas são apontados como projetos bandeira pela presidente da Fundação PT, Graça Rebocho.

No segmento educativo, são distinguidas a plataforma interativa de educação disponível em Portugal, Khan Academy e a Teleaula, um sistema educativo desenhado para os alunos impedidos de frequentar presencialmente a escola, por doença ou convalescença prolongada e que, devido às suas últimas atualizações, lhes permite gravar as aulas e ter mais do que um aluno a assistir à mesma aula.
Por fim, também foi destacado o papel da Academia LGP na inclusão de pessoas com necessidades “adicionais” e que disponibiliza à comunidade surda centenas de conteúdos escolares em vídeo, em formato bilingue (português e Língua Gestual Portuguesa).

Fonte: SAPO

sábado, 6 de janeiro de 2018

Universidade do Porto na vanguarda da inclusão de pessoas com deficiência

Gabinete de apoio tem verba anual de 50 mil euros, na sua maioria financiada pelo Santander Totta, e sonha com o dia em que deixará de ser necessário.


A Universidade do Porto é provavelmente a mais avançada escola de ensino superior em Portugal no que respeita à integração de pessoas com deficiência nos seus cursos e vida académica. O seu Gabinete de Apoio aos Estudantes com Necessidades Específicas Especiais existe há mais de 20 anos e é dos poucos, no quadro do ensino superior português, que dispõe de um orçamento anual fixo – 50 mil euros, maioritariamente assegurados pelo mecenato do Banco Santander Totta – para auxiliar estudantes com diversos tipos de deficiência. Um gabinete que hoje emprega várias pessoas, com e sem deficiência, mas que tem por meta, segundo confessou a sua responsável, atingir o dia em que a universidade seja já tão inclusiva que possa dispensar os seus serviços.

A história começa no início da década de 1990, quando Alice Ribeiro era estudante do Curso de Línguas, Literaturas e Culturas na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Um cartaz pedindo aos estudantes cegos para irem à secretaria alertou Alice, e a recém-eleita Associação de Estudantes a que pertencia, para a existência de um problema. “Aquilo chocou-nos um bocado, porque era um cartaz para estudantes cegos! Achámos que havia ali uma falta de comunicação muito grande”, conta Alice Ribeiro, que é há mais de 20 anos responsável pelo Gabinete de Apoio aos Estudantes com Necessidades Específicas Especiais da Universidade do Porto (GAENEE.UP).

Com os seis colegas cegos ou com baixa visão que acabou por encontrar e conhecer, Alice Ribeiro criou um serviço de apoio ao aluno com deficiência visual na Faculdade de Letras. “Na altura, os estudantes com necessidades específicas identificadas eram esses”, explica a responsável. O serviço prestado desperta o interesse da U.Porto que nele se envolve e que o passa a assegurar cinco anos mais tarde, mantendo Alice Ribeiro, já licenciada, ao leme. “Em 2011, creio, este gabinete torna-se uma estrutura integrada mesmo nos serviços da universidade”, recorda hoje a responsável.

Hoje o GAENEE.UP presta apoio não só a estudantes com deficiências físicas e sensoriais, como explica a responsável, mas também a outros com doenças crónicas, do foro psicológico – como sejam as depressões crónicas ou os transtornos obsessivos compulsivos –, ou com perturbações inseridas no espetro do autismo, a estudantes que possam precisar de assistência a nível temporário. “Porque há doenças e acidentes que levam a que pessoas possam ter necessidades específicas durante um tempo”, remata. Concretizando, hoje “temos pessoas cegas, com baixa visão, com baixa audição, surdos profundos, pessoas com mobilidade condicionada e muito condicionada – os casos de paralisia cerebral, doenças neuromusculares, etc.”, enumera a responsável.

No ano passado o gabinete de apoio da U.Porto apoiou 175 estudantes, mas a responsável faz questão de salientar o que considera um aspeto importante. “Nós trabalhamos com todos aqueles estudantes com necessidades específicas que manifestam vontade de terem um percurso diferente em relação aos colegas, ou seja, que pretendem frequentar a universidade ao abrigo do estatuto do estudante com necessidades especiais da Universidade do Porto, que existe desde 2008”, diz. “Há outros que, achando que a sua condição não tem impacto no seu percurso académico, não veem necessidade de solicitar o estatuto”, termina. Portanto, tem de ser sempre iniciativa do estudante requerer a frequência ao abrigo do estatuto, porque estamos a falar de adultos”.

Os que não requerem apoio, fogem às malhas das estatísticas e o gabinete só vai dando por alguns deles quando “solicitam uma entrada para o parque, porque têm dístico, ou chaves para os elevadores”, facto que a sua responsável lamenta. “Este é um dos grandes problemas que temos com este grupo específico, que é o facto de eles não serem detetados em termos de dados estatísticos”, diz. Para a Alice Ribeiro, a falta de dados e o pouco estudo que se faz sobre este grupo de população leva a que, por vezes, seja muito difícil atuar, porque não há informação fiável.

Um apoio que vai mais além
Se há aspetos – como é o caso das acessibilidades aos edifícios e à informação e a aquisição de equipamentos e tecnologias específicas – que competem à universidade assegurar, outros há que se tornariam incomportáveis sem a existência do Gabinete de Apoio da U.Porto. Isto porque, por vezes, o GAENEE.UP vê-se obrigado a ir além da prestação de assistência “ao estudante”, dando também apoio “ao indivíduo”. É o caso daquilo que Alice Ribeiro designou como o “apoio de 3.ª pessoa” prestado a estudantes que, no seu dia a dia, dependem 100% de outrem. No fundo, o que o gabinete faz é disponibilizar assistentes pessoais para estudantes com mobilidade muito condicionada que, ao ingressarem na universidade, são deslocados e não podem trazer consigo a família, que era quem lhes dava apoio.

“Quando começámos a receber estes alunos, não tivemos muitas alternativas, porque a verdade é que ou não os recebíamos, porque eles não tinham outra forma de vir para a faculdade, ou então criávamos condições para os apoiar”, disse a responsável, acrescentando: “E, no fundo, a universidade acaba por extravasar muito as suas funções”. Alice Ribeiro espera que em breve o panorama mude, com a publicação em setembro último da lei sobre a vida independente. A sua expectativa é que esta nova legislação crie condições no terreno para que a universidade (e o GAENEE.UP, em concreto) possa abstrair-se de intervir numa esfera tão íntima e pessoal do estudante com deficiência, “onde não deveria entrar”. “Felizmente que agora se estão a organizar essas soluções e, portanto, brevemente esperamos retirar-nos desse apoio e centrarmo-nos e investir mais nos apoios académicos, porque o nosso orçamento mesmo assim é reduzido e temos de priorizar”, disse. 

Portanto, a função do GAENEE.UP, no entender de Alice Ribeiro, é dar um conjunto de apoios específicos e individualizadas, de acordo com as necessidades do estudante e do curso que está a frequentar, para que ele possa ter condições equitativas de frequência do ensino superior. Por isso, outro dos serviços que este gabinete da U.Porto garante é a adaptação de conteúdos a um formato flexível para mais facilmente poderem ser, digitalizados, ampliados, usados por tecnologias de apoio ou traduzidos em escrita braille ou em língua gestual. “Aqui, na Universidade do Porto, os nossos estudantes surdos profundos, que usam a língua gestual como língua materna, têm tradução e interpretação de língua gestual nas suas aulas, nos momentos de avaliação e nos momentos de tutorias com os professores”. Pelas suas contas, a prestação deste serviço aos cinco estudantes surdos profundos inscritos na universidade, em diferentes cursos, com uma média de 25 horas semanais de aulas implica um custo de quase 6.000 euros mensais. “Portanto, de facto seria complicado para a universidade poder facultar este apoio”, afirma. 

E é aqui que, para a responsável, ganha relevo o mecenato do Banco Santander Totta. “Estamos a falar de um orçamento anual de 50 mil euros, que vem na sua totalidade de verbas próprias, neste caso de um protocolo assinado com o Santander. E isto é importante que seja dito, porque, afinal, são os mecenas que estão a apoiar os estudantes e a fazer um trabalho muito interessante nesta área”, sublinha Alice Ribeiro. Dito isto, a responsável faz questão de frisar que o montante anual de que dispõe é usado “exclusivamente nas ajudas técnicas aos estudantes com necessidades educativas especiais”. Ou seja, descreve, financiam “técnicos de mobilidade e orientação, língua gestual, apoio de 3.ª pessoa… coisas muito concretas e dirigidas”. Tudo o mais está diluído no orçamento global da universidade, sublinha. “Melhorias ou aquisição de equipamentos, licenciamentos, produção de informação acessível, todo o funcionamento do serviço, todas as melhorias que estão a ser feitas ao nível dos sistemas de informação da universidade, da gestão da informação, correções de acessibilidades nos edifícios… Tudo isto é responsabilidade da universidade e entra noutro centro de custos e orçamento”, explicou. 

Uma mais-valia esquecida 
Para Alice Ribeiro a questão dos gastos e do investimento que Universidade do Porto tem feito para receber os seus alunos com necessidades especiais traz uma mais-valia de que a maioria das pessoas não se apercebe e que é preciso salientar. “A presença deste tipo de estudantes na universidade tem-nos feito repensar e reavaliar todo o nosso sistema de informação, tornando-o cada vez mais acessível, o que faz com que ele também seja mais flexível e mais fácil de usar por todos” afirma.

Isto porque, segundo diz, a universidade tem vindo a aperceber-se que há necessidades específicas do estudantes especiais que coincidem com necessidades dos estudantes estrangeiros, que são cada vez em maior número. “Isto é muito interessante porque abre portas a um conjunto de outras diversidades. Para além de que, por exemplo, temos tipo imensos trabalhos de investigação e outros dentro destas áreas específicas, com resultados muito interessantes, que se não fosse a presença destes estudantes nem existiriam”, revelou Alice Ribeiro. 

A título de exemplo, a responsável refere a ferramenta Places – Plataforma de Acessibilidade, criada na Universidade do Porto para ensinar a comunidade a criar informação acessível e que é útil a todos; ou a BAES – Biblioteca Aberta do Ensino Superior, gerada em colaboração com outras oito universidades, que dispõe de “um acervo de mais de 3.000 títulos em braille, áudio e texto integral”. Face o tudo o que tem vindo a ser realizado pelo GAENEE.UP e pela U.Porto, resta a questão de saber que outros objetivos quer alcançar Alice Ribeiro. 

A sua resposta surpreende: a meta que a responsável visa atingir com o gabinete da U.Porto que dirige, que é… tornar-se obsoleto. “Sempre tivemos em mente, como objetivo último, tornar o ambiente da Universidade do Porto de tal forma inclusivo que deixe de haver necessidade de existir um gabinete deste tipo”, afirma. Embora a responsável reconheça que vai haver sempre necessidade de intermediação pontual, em determinadas área – como seja a da adaptação de informação –, “o ideal é que muitas das atribuições do serviço, neste momento, deixem de ser necessárias, na medida em que a própria universidade se vai abrindo e tornando mais acessível e mais permeável à diferença”.

Fonte: dinheiro vivo