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sábado, 12 de maio de 2018

Marcelo viu as dificuldades dos deficientes em deslocarem-se em Lisboa

Uma iniciativa para ver bons e maus exemplos e de como é difícil para quem anda numa cadeira de rodas deslocar-se na cidade de Lisboa.

Durante duas horas o Presidente da República, acompanhado pela secretária de Estado da Inclusão para as Pessoas com Deficiência, andou na baixa de Lisboa com membros da Associação Salvador.

Veja aqui a reportagem de Natália Carvalho em vídeo.                            Fonte: RTP

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domingo, 22 de abril de 2018

Primeira Reunião da Comissão de Políticas de Inclusão das Pessoas com Deficiência

No dia 24 de abril de 2018 são nomeados os 2 representantes da Comissão de Políticas de Inclusão das Pessoas com Deficiência no Conselho Nacional das Políticas de Solidariedade e Segurança Social (CNPSSS) e aprovado o regulamento interno da Comissão.


O Conselho Nacional das Políticas de Solidariedade e Segurança Social é o órgão consultivo com a missão de promover e assegurar a participação dos parceiros sociais e do movimento associativo, em articulação com as entidades públicas legalmente competentes, na definição e acompanhamento da execução das políticas de segurança social, políticas sociais e de família, da inclusão das pessoas com deficiência e do voluntariado. Visa também acompanhar e monitorizar o desenvolvimento das políticas públicas e elaborar propostas de melhoria e identificação de áreas de intervenção prioritárias nas áreas acima identificadas.

O Conselho Nacional de Políticas de Solidariedade é constituído pelo Conselho Geral, por comissões temáticas especializadas de acordo com a área específica do setor em que intervêm e pela Comissão Executiva das Políticas de Segurança Social.

Integra, entre outras, a Comissão de Políticas de Inclusão das Pessoas com Deficiência, constituída por:
Senhora Secretária de Estado da Inclusão, que preside;
Um representante do membro do Governo responsável pela área das finanças, da defesa nacional, da justiça, da ciência, tecnologia e ensino superior, da educação e da saúde;
Um representante do Gabinete de Estratégia e Planeamento, da Direção-Geral de Segurança Social, do Instituto da Segurança Social, I. P., do Instituto Nacional para a Reabilitação, I. P., do Instituto do Emprego e Formação Profissional, I. P.;
Dois representantes das confederações nacionais representativas das organizações da área da deficiência, das organizações não governamentais de âmbito nacional de representação genérica da deficiência, de cada uma das organizações não governamentais de âmbito nacional das áreas da deficiência visual, da deficiência auditiva, da deficiência motora, da paralisia cerebral, de deficiências orgânicas, da deficiência intelectual e da área das deficiências do desenvolvimento e autismo
Duas personalidades de reconhecido mérito, propostas pela presidente da Comissão.

Fonte: INR

Exército acelera ações pendentes há anos de deficientes da guerra colonial

Centenas de processos de antigos combatentes a requerer o estatuto de Deficientes das Forças Armadas continuam pendentes de decisão, por falta de pessoal nos quartéis e porque a obtenção de elementos de prova é demorada.


O Exército vai concentrar os juristas que tem colocados nas diferentes unidades para acelerar a conclusão dos 145 processos, de obtenção do estatuto de Deficiente das Forças Armadas (DFA), que continuam pendentes no gabinete do chefe do Estado-Maior do ramo (CEME).

A criação dessa task force foi transmitida pelo próprio CEME à Associação dos Deficientes das Forças Armadas (ADFA), durante a visita de trabalho que o general Rovisco Duarte realizou ontem à sede da instituição representativa de um universo de portugueses com uma idade média de 70,6 anos.

"Não temos tempo para estar à espera" da conclusão desses processos, afirmou o presidente da ADFA, José Arruda, momentos depois de o vice-presidente Lopes Dias ter evocado os militares do Corpo Expedicionário Português enviado para a Flandres: "Estamos confiantes que não nos vai acontecer o que aconteceu com aos combatentes da I Guerra Mundial."

Com Lopes Dias a dizer que a esperança média de vida dos DFA varia atualmente entre os 71 e os 72 anos, José Arruda fez ainda questão de lembrar ao CEME que o abandono e a miséria a que foram votados os soldados do CEP depois de regressarem a Portugal "foi o que vimos nos hospitais militares quando viemos de África".

Com uma responsável da associação referir que o prazo de 16 meses definido no manual de procedimentos do Exército - para tramitação das "centenas de processos" pendentes - "não tem sido cumprido", Rovisco Duarte reconheceu a validade do principal argumento referido pela ADFA (falta de pessoal nos quartéis) para justificar alguns dos grandes atrasos existentes e que têm sido noticiados.

Contudo, até por ter estado envolvido na decisão tomada há poucos anos de descentralizar o tratamento dos processos (para diminuir tempos de espera) pelas diferentes unidades do Exército, alertou para as significativas perdas de tempo que decorrem da análise de processos que são requeridos por quem não vai conseguir o seu deferimento. "Há uma triagem que tem de ser feita no hospital [das Forças Armadas] para evitar perder tempo com casos que não têm condições" para ser qualificados como DFA.

Note-se que é considerado DFA quem tenha sofrido, no cumprimento do serviço militar e na defesa dos interesses da Pátria, diminuição da sua capacidade para obter meios de subsistência. O grau mínimo de incapacidade é de 30%, que confere direito a uma pensão de invalidez e a um abono suplementar de invalidez (quando a percentagem mínima for de 90%).

Uso de cartão de DFA, tratamento e hospitalização gratuitos em instalações do SNS, alojamento e alimentação por conta do Estado nas deslocações realizadas para adaptação de próteses e tratamentos hospitalares, transporte quando justificado, redução de 75% nos bilhetes de comboio e 50% nos voos de cabotagem internos da TAP, são alguns dos direitos concedidos aos deficientes das Forças Armadas (que também variam em função do grau de invalidez reconhecido pela junta médica).

Rovisco Duarte disse ainda aos dirigentes da ADFA que os comandantes das diferentes unidades do Exército "estão sensibilizados" para a necessidade de dar respostas céleres a esse universo de ex-militares. De qualquer forma, acrescentou, vai enviar um despacho a todos os quartéis a fim de garantir que essa prioridade não seja secundarizada.

Outra das medidas que o Exército vai tomar passa por "redistribuir os processos" entre as várias unidades, procurando que as menos sobrecarregadas contribuam para o esforço de agilizar a análise dos processos. Foi ainda com esse objetivo que o general Rovisco Duarte aceitou o pedido feito de viva voz pela ADFA. no sentido de o Exército poder "sinalizar os casos mais urgentes" de quem ainda aguarda por uma resposta "porque precisa de atendimento rápido".

RESPOSTA
Plano criado em 2015 apoia mais de 600

A ADFA exprimiu ontem a sua satisfação por, "pela primeira vez e passados mais de 40 anos" após o fim da guerra colonial (1961/74), os vários serviços militares "estarem juntos à volta da mesa" para procurar resolver assuntos relativos aos Deficientes das Forças Armadas (DFA). A afirmação foi feita pelo vice-presidente Lopes Dias, enaltecendo o esforço que Estado-Maior, Marinha, Exército e Força Aérea estão a fazer, com a Defesa, no quadro do Plano de Ação para Apoio aos Deficientes Militares criado pelo anterior governo em 2015 e que, nesta altura, permite acompanhar mais de 600 DFA em Lisboa, Porto, Coimbra, Madeira ou Açores. Note-se que desde 2017 há, no Hospital das Forças Armadas, um centro de saúde mental vocacionado para o stress de guerra.

Fonte: DN

sábado, 10 de março de 2018

Apoio financeiro Organizações Não Governamentais das Pessoas com Deficiência

Pela primeira vez, o Instituto Nacional para a Reabilitação, I.P. (INR, I.P.) conseguiu disponibilizar apoio financeiro ao funcionamento das Organizações Não Governamentais das Pessoas com Deficiência (ONGPD) de âmbito Nacional, durante o mês de fevereiro.


Atento às efetivas necessidades e legítimas expetativas das organizações o INR, I.P., aprovou em 2017, um Regulamento ao Apoio Financeiro ao Funcionamento das ONGPD (Deliberação n.º 475/2017), que estabelece as condições de acesso ao apoio financeiro ao funcionamento, bem como as normas e os procedimentos a que obedecem as respetivas candidaturas, visando introduzir estabilidade, clarificação e equidade no processo de apoio ao funcionamento das entidades visadas.

O Apoio Financeiro ao Funcionamento, no quadro do novo procedimento passou a estar sujeito à celebração de dois protocolos de cooperação entre o INR, I. P. e as ONGPD apoiadas, a saber:

a) O protocolo de adiantamento, correspondente a 30% do montante atribuído a cada ONGPD no ano anterior e pago até ao final do mês de fevereiro;

b) O protocolo final, que deverá ser celebrado até 30 de abril de cada ano, com o objetivo de definir os termos e condições de atribuição desse apoio para o ano em causa.

O Regulamento do Apoio Financeiro ao Funcionamento destina-se a todas as ONGPD de âmbito Nacional, registada no INR, I.P., através de uma candidatura anual para as seguintes despesas: encargos com recursos humanos afetos por qualquer tipo de vínculo laboral; ao transporte nas deslocações em território nacional, em representação da ONGPD; despesas com água, eletricidade, comunicações e rendas das instalações, bem como material consumível de escritório e de informática.

O INR I.P de forma atenta às diversas necessidades e vicissitudes quotidianas dos distintos agentes, dentro do quadro das disponibilidades atuais, tem vindo a adotar medidas que visam ir criando a melhoria das condições visando uma sociedade efetivamente inclusiva.

Fonte: INR

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Este Natal, a Roche dará um presente por si. Basta um gosto.

Cara(o) cidadã(ão)!

Este Natal, a Roche dará um presente por si. É muito simples participar neste movimento de solidariedade. Para tal, só tem de fazer gosto nas páginas da ANEM, SPEM e TEM. Ao fazê-lo, a Roche doará por si 1 Euro para esta causa.

Junte-se a esta causa e faça as luzes brilhar pela Esclerose Múltipla em www.FazerBrilhar.pt

Divulgue pelos seus amigos e na entrega do IRS

Nota: no caso da TEM – Associação Todos com a Esclerose Múltipla está a contribuir para a conclusão, 2º fase, do Centro Multidisciplinar de doenças Neurodegenerativas.

Obrigado e desejos de uma maravilhosa Época Natalícia.

Enviado por email


terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Associações de Doentes Crónicos / deficientes em risco

Exmos. Srs.,
Ministra da Presidência e da Modernização Administrativa
Secretária de Estado Adjunta e da Modernização Administrativa
Secretário de Estado Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais
Secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência
Deputados
Jornalistas
Associações de doentes crónicos e deficientes

Braga, 6 de Dezembro de 2016

A TEM – Associação Todos com a Esclerose Múltipla vem dar voz à preocupação das Associações de Doentes Crónicos e ou de Deficientes pelo preenchimento automático da declaração do IRS por parte dos trabalhadores dependentes, reformados e pensionistas.
Como é que cada contribuinte pode consignar 0,5% do seu IRS a favor de uma IPSS?

É graças a esta receita que muitas IPSS sobrevivem. Por exemplo: a TEM não recebe qualquer apoio do Estado ou do Município de Braga por ser uma IPSS jovem (8 anos). Atualmente, acabámos a primeira fase do nosso Centro Multidisciplinar para Doenças Neurodgenerativas, pago totalmente com a consignação dos IRS’s de 2012/13/14.

Acrescento o facto de uma pessoa que tenha o atestado multiusos com uma incapacidade maior ou igual a 60% ser descriminada no preenchimento do IRS, pois a declaração não assume esse atestado.

Com os nossos melhores cumprimentos,
Paulo Alexandre Pereira

Enviado por email

domingo, 4 de dezembro de 2016

ONU estabeleceu 17 objetivos para as pessoas com deficiência

Por iniciativa das Nações Unidas e desde 1998 que o dia internacional dos direitos das pessoas com deficiência é comemorado a 3 de Dezembro. A decisão desta comemoração vem na sequência do Programa de Ação Mundial para as Pessoas com Deficiência, lançado pela ONU em 1982 e que se propôs promover medidas eficazes para a prevenção da deficiência, a reabilitação e a realização dos objetivos de igualdade e participação plena das pessoas com deficiência na vida social e no desenvolvimento. No âmbito da prevenção, o Programa referia no seu art. 4.º : Muitas deficiências poderiam ser evitadas por meio da adopção de medidas contra a subnutrição, a contaminação ambiental, a falta de higiene, a insuficiente assistência pré e pós natal, as moléstias transmitidas pela água e os acidentes de todo o tipo. E no art. 5.º afirma a necessidade de empregar todos os esforços possíveis para impedir guerras que ocasionem devastação, catástrofes e pobreza, fome, sofrimento, enfermidades e deficiências para um grande número de pessoas; deve-se tomar medidas que permitam fortalecer a paz e a segurança internacionais.

Todos os anos, a ONU define um tema específico que pauta as atividades e eventos para o dia internacional dos direitos das pessoas com deficiência. Em 2015, o tema foi “inclusão importa”. Agora, neste ano, o tema é “Alcançar os 17 Objetivos para o Futuro que Queremos”, entre os quais destacamos os que mais diretamente afectam os direitos das pessoas com deficiência, incluindo a prevenção: acabar com a pobreza, acabar com a fome, assegurar uma vida saudável e promover o bem estar para todos, assegurar a educação inclusiva, equitativa e de qualidade, alcançar a igualdade de género, assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos, promover o pleno emprego e trabalho decente para todos, reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles, promover sociedades pacíficas e inclusivas, proporcionar o acesso à justiça para todos.

Esta é, portanto, uma agenda que pugna por uma sociedade de direitos humanos para todos porque só nessa sociedade também poderão ser respeitados os direitos humanos das pessoas com deficiência e por isso é uma agenda com que a Associação Portuguesa de Deficientes (APD) se identifica plenamente. Por isso, a APD não pode ficar insensível à catástrofe humanitária que é provocada pela guerra e que se desenrola no Próximo e Médio Oriente, em África, no Mediterrâneo e na Europa.

A guerra desestrutura as sociedades, paralisa a economia, destrói as infra-estruturas, estilhaça o sistema social e político. Os países onde grassa a guerra tornam-se territórios sem lei, onde as populações ficam à mercê das arbitrariedades de grupos terroristas e redes de tráfico humano. Para fugir à morte, à fome, à degradação física e psicológica, ao caos social e à violência, centenas de milhar de pessoas procuram por todos os meios e percursos chegar à Europa, onde julgam poder encontrar paz, segurança e a possibilidade de reconstruírem as suas vidas. Muitos milhares perecem de forma atroz nesses percursos, outros são violentados e roubados e a maioria dos que consegue sobreviver fica confinada em campos de refugiados, em condições tão degradantes que nos fazem lembrar os campos de concentração.

Nesta dramática e desumana saga as primeiras e principais vítimas são os mais frágeis, os mais pobres, as mulheres, as crianças, as pessoas com deficiência. A guerra, as condições em que se processa a fuga e o confinamento dos refugiados faz aumentar o número de pessoas com deficiência, em resultado de brutais ferimentos, de choques traumáticos, de malnutrição, da falta de assistência médica aos doentes e, em particular, às mulheres grávidas e às crianças.

Por tudo isto, a APD considera que é urgente pôr fim à guerra e acolher condignamente os refugiados, pois só em paz e num ambiente propiciador da solidariedade humana será possível “Alcançar os 17 Objetivos para o Futuro que Queremos”.

Por Ana Sezudo: Presidente da Direcção Nacional da Associação Portuguesa de Deficientes

Fonte: Público

A concorrência entre as instituições sociais existe e é brutal

Fancisco Mello e Castro tem 23 anos, é de Sintra e frequentou o curso de Gestão da Universidade Nova de Lisboa. Faltam-lhe algumas cadeiras para terminar a licenciatura, que ficou em suspenso com o nascimento da Let's Help, uma plataforma sem fins lucrativos dedicada ao empreendedorismo social. Tudo começou há cinco anos, tinha Francisco 18, quando o seu pai o levou a uma missa de Natal na comunidade da Vale de Acór, em Almada, uma associação que acolhe e recupera pessoas com dependências. "Fiquei muito impressionado com as histórias de ex-toxicodependentes, pessoas que chegaram a estar quase a morrer numa sarjeta e que recuperaram a vida e construíram uma família. Foi uma situação emocionalmente muito forte para mim", conta o jovem, que se tornou voluntário nessa associação. Junto com uma amiga, organizava um evento de solidariedade para apoiar a comunidade. E, embora o evento conseguisse dar um lucro de cerca de 15 mil euros à Vale de Acór, Francisco Mello e Castro sentiu que não era sustentável, pois apenas tapava um buraco que todos os anos se voltava a destapar.

E assim começou a pensar nos negócios sociais. Ao contrário das instituições, estes têm fins lucrativos, mas não para meter o dinheiro no bolso. O lucro é sempre reinvestido no negócio, de forma a que este chegue a cada vez mais pessoas, resolvendo um problema social. Francisco lança a Let's Help para impulsionar esses negócios, investindo neles, como um "Shark Tank da área social".

Como nasceu a Let's Help?
Comecei a Let's Help depois de fazer uma ação de voluntariado, com uma amiga, em que organizámos um evento em favor da Associação Vale de Acór, uma comunidade terapêutica que trata de toxicodependências, em Almada. Acontece que o evento que fazíamos era, a meu ver, pouco sustentável. Até tinha lucro, rendia cerca de 15 mil euros por edição, mas a questão não era essa. O dinheiro angariado pelo evento servia para tapar um buraco e todos os anos era preciso tapar o mesmo buraco. Ou seja, estávamos no domínio do assistencialismo. A questão era como tornar a associação sustentável sem que fosse preciso fazer esse evento todos os anos. A vida das instituições é feita assim, com a corda ao pescoço, tentando tapar buracos, sem uma lógica de longo prazo. E como estão sempre preocupadas com a urgência do dia a dia, nunca têm tempo para conseguir planear e olhar para o longo prazo.

Como é que se resolve isso?
Comecei a pesquisar e percebi que, fora de Portugal, existem bastantes casos de sucesso do que se chama as "empresas sociais". São instituições geridas como empresas e, portanto, muito mais eficientes. Em Portugal há um potencial enorme para criar empresas sociais de raiz ou para ajudar as instituições a criar um negócio social dentro das suas estruturas. A diferença entre a instituição e o negócio social é que este tem uma componente comercial clara que, de alguma forma, pretende resolver um problema social. O negócio social tem como objetivo maximizar a riqueza, criar emprego, etc, reinvestindo constantemente os lucros, em vez de os distribuir pelos acionistas, ao contrário do que acontece numa empresa privada. É que, se se reinvestir o dinheiro no crescimento do negócio, este vai ter mais impacto social, vai chegar a mais gente. É esta a lógica.

Por exemplo...
O caso da Reclusa, um dos projetos que a Let's Help reestruturou, investindo tempo e dinheiro. É uma instituição sem fins lucrativos criada pela Inês Seabra, em 2010, com o objetivo de resolver um problema social: a reintegração de mulheres que saem da prisão. Acontece que foi reestruturada de uma forma emocional, muito apaixonada pela causa, mas sem uma estrutura profissional. Embora com um grande potencial para se tornar num negócio social, com os acessórios de moda que eram feitos dentro da prisão de Tires, o problema é que não tinham design, inovação, qualidade suficiente... Estava maltratada, mas era uma marca.

E a Let's Help investe nesses negócios sociais.
A nossa primeira ideia era investir 5 mil euros para a Reclusa comprar máquinas de costura, mas percebemos que não ia adiantar nada, havia problemas muito mais profundos que estavam na origem da estagnação e descida das vendas. Percebemos que, com as mudanças certas, este negócio podia ser sustentável. Então partimos a casa, literalmente, para reconstruir as fundações. Num ano investimos 1200 horas de trabalho e 10 mil euros, com carta branca para tomar as decisões estratégicas. Nós somos impulsionadores de negócios sociais e o nosso lema é: "Ganhar em vez de pedir; investir em vez de dar". Não pedimos dinheiro a ninguém; ganhamolo através de projetos comerciais que desenvolvemos.

Que projetos são esses?
Eventos comerciais como o Jantar do Ano, um evento gastronómico que reúne chefes de renome nacional no Convento do Beato. O preço das entradas varia, mas situa-se entre os 35 e os 45 euros. O ano passado foram 500 pessoas e este ano conseguimos levar lá 800.

E temos mais marcas envolvidas como patrocinadoras, além da Adega Mayor, que é o patrocinador principal. A edição deste ano deu um lucro de 25 mil euros, pegamos neste dinheiro e colocamos no nosso fundo, através do qual investimos em negócios sociais.

E quando investem num negócio ficam com uma quota?
Ainda estamos numa fase muito inicial e, em Portugal, não existe a figura jurídica que permita a existência de empresas sociais. A Reclusa é um negócio social, mas juridicamente é uma instituição sem fins lucrativos, portanto não podemos deter quotas nesta instituição. Funcionamos através de protocolos. Percebi que, neste setor, para se estar a investir em negócios sociais, temos de ter uma grande proximidade deles. Se nos limitarmos a dar dinheiro nada vai funcionar e a Reclusa é bem exemplo disso, não nos limitamos a dar consultoria, estamos aqui a implementar as ideias.

Não têm uma lógica assistencialista, portanto espera o retorno dos 10 mil euros que investiram...

Se o projeto correr bem, o dinheiro volta para a Let's Help. Sem lucro, sem remuneração do capital. A ideia é que o euro que investimos volte para poder ser usado noutro projeto. É a reciclagem do capital, criando um círculo virtuoso. Dou outra vez o exemplo da Reclusa: quanto mais acessórios vendermos mais exreclusas podem ser empregadas. Esta é a ambição.

Que outros negócios sociais apoiam?
Vamos investir algum dinheiro no projeto Semear, um negócio agrícola de inclusão de pessoas com deficiência, apoiado pela família Soares dos Santos, sendo que os produtos serão escoados pelo Pingo Doce. Já têm 20 hectares em Oeiras para trabalhar. É um projeto de cada vez porque percebemos que é importante acompanharmos de perto os negócios, estarmos muito focados se quisermos realmente criar impacto. Temos uma equipa pequena e o grande valor da Let's Help é o facto de conseguir ter muito bons parceiros à sua volta, que juntamos e desafiamos para apoiarem projetos destes. Por exemplo, para a Reclusa chamámos a agência de publicidade MSTF Partners para desenhar toda a estratégia e a nova imagem da marca.

Quais são os critérios para selecionar os negócios que querem apoiar?
Neste momento não temos muitos critérios, confesso, justamente porque, em Portugal, não há ainda muitos negócios sociais estruturados. Nesta fase inicial somos nós que procuramos os projetos, que ainda são um num milhão. A nossa ideia é sermos o Shark Tank da área social, uma espécie de capital de risco numa lógica social ou uma aceleradora de startups sociais. E somos independentes, não vamos buscar donativos, só dependemos dos eventos que promovemos, onde vamos buscar o lucro para investir.

Como vê o mundo da solidariedade em Portugal? O que mudaria?
Foi-se deixando que o setor social se tornasse muito amador, à sombra da ideia de que resolve problemas reais da sociedade e onde as pessoas são beneméritas. Prevalece o discurso do 'Ah, são boas pessoas, estão a ajudar os pobres e oprimidos, portanto vamos deixá-los ser assim desorganizados e a fazer as coisas em cima do joelho'. É a grande falha, na minha opinião. Com o agravamento das crises económicas, muitas instituições foram fechando portas porque não tinham sustentabilidade nem estruturas profissionais. Hoje em dia, cada vez mais, há pessoas a liderar as instituições que não têm qualquer perfil para esse papel. Mas ainda se aceita que as instituições não sejam geridas como empresas, quando, pelo contrário, as instituições deviam ter um escrutínio ainda maior. Deviam ser eficientes, transparentes, profissionais, estruturadas...

O que impede essa organização?
Normalmente, quem funda instituições não são pessoas ligadas à Gestão; são pessoas ligadas emocionalmente às causas que querem defender. E ainda bem que são porque, de outra forma, o setor social também não seria construído. Só que, por vezes, as instituições ganham dimensões muito grandes e vão crescendo com emoção e paixão, mas sem estratégia, sem rumo. Uma instituição, na minha opinião, tem de ser gerida por quem tenha competência para gerir uma empresa. De outra forma, no longo prazo, não vai funcionar.

Mas nem todas as instituições têm fundos para pagar a um gestor...
É dífícil, mas há cada vez mais instituições a perceber que têm de olhar para o longo prazo e que têm de gastar dinheiro com isso. Só que quando se tem 5 mil euros para gastar, gasta-se mais facilmente em fraldas, para resolver o problema do imediato, do que em empresas de consultoria.

Mas o imediato não é uma emergência? Não se dá o peixe, ensina-se a pescar, mas quem tem fome não terá forças para ir à pesca...
Sem dúvida, é fundamental. Ninguém vai pescar cheio de fome. E vamos ser realistas: há problemas da sociedade que nunca vão poder gerar um negócio e, portanto, muitas das instituições vão ter de continuar de mão estendida. Aí não há nada a fazer senão depender da boa vontade dos outros, mas ao menos podem tornar-se mais eficientes do ponto de vista da gestão, podem ser geridas como empresas.

Está a dizer que o assistencialismo mina a solidariedade?
Imenso. A maioria das empresas ainda são irresponsáveis socialmente. Muitas empresas, pelos benefícios fiscais que têm, limitam-se a dar apenas dinheiro. Isso é bom, mas pode ser contraproducente; cria uma dependência do outro lado e não habitua as instituições a pensar no longo prazo. Na boa vontade de querer ajudar dando dinheiro estão a alimentar o mau hábito do assistencialismo, do estender a mão e ficar com ela estendida à espera que o dinheiro caia. Julgo que com esta grande crise que começou em 2008 as empresas fecharam as torneiras e essa mão estendida já foi um pouco recolhida por parte das instituições, que perceberam que não vai funcionar para sempre. Com o aumento da crise social, há um número crescente de instituições e aumenta a concorrência.

Concorrência?
Ninguém quer falar de concorrência, mas ela existe e é brutal. Existe uma luta de egos, em que ninguém se junta nem cria parcerias. Cada um olha para o seu caminho e ninguém olha para o lado, para perceber que, no mesmo espaço, em vez de haver três instituições podia haver só uma, poupando recursos e sendo mais eficiente.

Disse luta de egos?
Sim, claro. Uma pessoa não ganha um ordenado, começa uma instituição por boa vontade, vai criando ali um projeto que a deixa orgulhosa, cria-se um sentimento de posse... grande parte das instituições são one man show, giram à volta de uma pessoa, alimentam-lhe o ego... Por aí também há falhas, mas estas acontecem sobretudo antes, quando o resto dos setores de atividade aceitam que o setor social seja inferior em responsabilidades e em deveres e direitos, merecendo uma condescendenciazinha. É o que tem matado este setor.

Fonte: Visão

Rede Europeia para a Vida Independente

Este ano no Dia Internacional das Pessoas com Deficiência (IDPD), estamos a pensar nas centenas de milhares de pessoas com deficiência na Europa trancados em instituições, expostas a abusos de direitos humanos, segregados de suas famílias e da resto da sociedade, e sem controle sobre suas vidas. Estamos também a pensar naquelas pessoas com deficiência incapazes de fazer escolhas básicas, por causa da falta de assistência pessoal, acessibilidade e capacidade jurídica, entre outros.

A Rede Europeia para a Vida Independente (ENIL) defende o direito de viver de forma independente ea ser incluído na comunidade para todas as pessoas com deficiência. Fazemos isso levantando preocupações sobre as leis, políticas e práticas que vão contra o artigo 19 da Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (CRPD). Além disso, podemos fornecer orientação para governos, prestadores de serviços e organizações sobre como afastar-se cuidado institucional e formulação de alternativas baseadas na comunidade que facilitam o direito a uma vida independente. Nós defendemos para o acesso das pessoas com deficiência a serviços de uso corrente, em vez da criação de sistemas paralelos.

Um exemplo do nosso trabalho sobre desinstitucionalização é a visita de estudo à Suécia, organizada em setembro por um grupo de ativistas de deficiência e as autoridades locais a partir de Bulgária, Espanha e Lituânia. O filme, que saiu da visita de estudo - que estamos a lançar por ocasião do IDPD - resume os principais fatores de sucesso para fechar instituições e substituindo-os por um sistema que facilita a inclusão e participação das pessoas com deficiência na sociedade.

Esperamos que este filme inspira as pessoas com deficiência que defendem desinstitucionalização em seus países, e que encoraja as autoridades para criar estratégias baseadas em uma visão de uma vida autónoma e participação da comunidade para todos . Somos gratos a Patrick Doodt por seu trabalho pro bono no filme, bem como a todos aqueles que fez a visita de estudo possível - a Estocolmo Disability Ombudsman, Stil, Sodexo, o Conselho Nacional de Saúde e Bem-Estar, Bosse, a Agência Sueca para a Participação ea Câmara Municipal de Estocolmo - Partido verde. Queremos também agradecer aos Open Society Foundations - Iniciativa de Saúde Mental para apoiar o trabalho de ENIL-se no artigo 19 da CDPD.

Assista As instituições não são Solutions: Aprender com a experiência sueca (versão longa)

Pessoa de contacto para a visita de estudo sueco: Jamie Bolling, Diretor Executivo, jamie.bolling@enil.eu Para ver a versão curta do filme, por favor clique aqui

Fonte e mais informações: Rede Europeia para a Vida Independente - ENIL