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sábado, 1 de junho de 2019

Livro «Deficientes das Forças Armadas – A Geração da Rutura»

A Delegação de Faro da Associação de Deficientes das Forças Armadas (ADFA) apresentou na sexta-feira, dia 24 de maio às 18h30, a Biblioteca Municipal de Lagoa, o livro «Deficientes das Forças Armadas – A Geração da Rutura». A obra, de 1058 páginas, foi apresentada por José Vilhena Mesquita, professor da Universidade do Algarve.


«A história da Associação dos Deficientes das Forças Armadas confunde-se com a própria luta dos deficientes da guerra colonial pelo reconhecimento dos seus direitos e está ligada à explosão coletiva decorrente da queda do regime ditatorial do Estado Novo».

Este livro «procura fixar esse complexo e fecundo movimento iniciado ainda antes do 25 de Abril de 1974, em ligação com o Movimento dos Capitães, trazendo ao conhecimento público o percurso de vida dos deficientes das Forças Armadas e a sua luta tenaz e intransigente pelo direito a uma vida digna numa sociedade democrática».

«Revela os esforços de reintegração social realizados pelos deficientes das Forças Armadas e o seu contributo, no domínio da reabilitação, para a criação de uma sociedade mais inclusiva. Dá conta da persistência na preservação da memória da guerra colonial por parte das suas maiores vítimas».

O livro, segundo explica ao «barlavento» José Manuel Furtado, presidente da Assembleia Geral da Delegação de Faro da ADFA, é «um exercício da memória coletiva, para que essa memória não se perca. E é o resultado de um trabalho coletivo, para que essa memória seja fiel».

A obra «nasceu, cresceu e concluiu-se dentro do genuíno espírito associativo que levou à criação e afirmação da ADFA e que fez dela um exemplo de abrangência, solidez e perenidade na sociedade democrática do 25 de Abril», tal como é descrito na introdução.

Constitui também, nas palavras do filósofo Eduardo Lourenço, autor do Prefácio, «uma memorialização do que não podia ser esquecido sem injustiça e grave pecado, ética e humanamente insuportáveis, para aqueles que o sofreram por cumprirem o que o que desde sempre foi exigido em nome de valores ou ideais dignos, na óptica do tempo em que combateram, de consideração e respeito».

Para José Manuel Furtado, «a importância sociológica que este registo para a história comporta e o contributo que os acontecimentos aí descritos tiveram na transformação para uma sociedade mais justa e inclusiva justificam, a divulgação deste evento».

Fonte: Barlavento

sábado, 13 de abril de 2019

4 guias sobre sexualidade e deficiência

"Guía sobre sexualidad y discapacidad en el entorno escolar" .


Editó: Consejería de Educación, Cultura y Deporte y CERMI Cantabria 
España; marzo 2019.


"Guía sobre los Derechos Sexuales, Reproductivos y vida libre de violencia para personas con discapacidad".


Editó: Fondo de Población de las Naciones Unidas – UNFPA y el Consejo Nacional para la Igualdad de Discapacidades – CONADIS (Ecuador; 2018).


"Sexualidad y Afectividad en personas con parálisis cerebral".


Orientaciones para la atención, educación y prestación de apoyos a la Sexualidad de niños, niñas, adolescentes, jóvenes y personas adultas (hombres y mujeres) con parálisis cerebral.

Editó: Confederación ASPACE (España; 2018)


Aprendiendo a disfrutar.Guía de Práctica Clínica sobre sexualidad en diversidad funcional.


Ainhoa Espinosa Luzarraga - (España; 2019)


Fonte: Mitología de la Sexualidad

domingo, 16 de dezembro de 2018

Livro online: Integração Escolar na Osteogénese Imperfeita

O Projeto Saber+, com a APOI, da nossa associação junta-se às Comemorações do Dia Internacional da Pessoa com Deficiência com a publicação online do livro “Integração Escolar na Osteogénese”.
A brochura “Integração Escolar na Osteogénese Imperfeita” constitui um pilar de apoio para a eliminação de barreiras e a integração escolar de crianças com Osteogénese Imperfeita.
Por vezes, o medo do desconhecido e a falta de informação relativa à patologia levam a que estas crianças sejam erradamente excluídas de algumas atividades, tanto curriculares, como extracurriculares, dificultando o seu normal desenvolvimento socio afetivo e educativo, e favorecendo condutas discriminatórias e de exclusão.

A APOI defende a participação ativa destes indivíduos na sociedade como cidadãos de pleno direito, pelo que recomenda a inclusão dos alunos na dinâmica habitual do sistema educativo promovendo as adaptações necessárias ao seu bem estar.


Fonte e mais informações: APOI

sábado, 6 de outubro de 2018

"Um tetraplégico é um cérebro sem corpo". Livro "Cartas do Inferno" de Ramón Sampedro

Após ter visto o filme “Mar Adentro”, sobre a vida do tetraplégico Ramón Sampedro, e a sua luta obcecada pela sua morte assistida, fiquei com muita curiosidade em ler o livro da sua autoria “Cartas do Inferno”, onde nos explica como é viver o seu inferno, mas como tem estado fora de circulação, só agora o consegui encontrar e ler.
Os seus dramas, são na maioria também os meus. Revejo-me quase na totalidade no que escreve. Mostra-nos uma vida dramática e cruel, e a sua luta pelo direito a ter uma “boa morte”, como tantas vezes assinala, foi o que o moveu durante anos. Felizmente consegui-o, a ele agradeço a coragem, o testemunho que nos deixou e o modo claro como o fez.

Destaco algumas das frases do livro que mais me impressionaram:

1. “A falta de liberdade e de movimento é como estar morto e ter consciência do facto.”

2. “O meu sofrimento é a falta de liberdade, e a liberdade não é substituível por coisas ou por histórias.”

3. “Um tetraplégico é um cérebro sem corpo”.

4. “Sobreviver em circunstâncias em que é preciso procurar forças fora de si próprio é sintoma de debilidade mais do que de força. A força ou os recursos psicológicos devemos achá-los sempre dentro de nós próprios.”

5. “Para voar são precisas asas. E para andar, um corpo que nos leve onde os sonhos querem chegar”.

6. “Não posso exprimir o amor à mulher como deseja o meu cérebro. Ela diz que com a minha boca lhe basta. Que lhe basta a minha forma de ser para se sentir plena e satisfeita. Contudo, sinto que tem saudades do meu sexo, da forma que ele tinha, da minha maneira de interpretá-lo e de vivê-lo com outras mulheres, que ela diz continuar a imaginar. Assegura-me que a minha ternura lhe basta para se sentir mulher. Mas a mim, não. Sentimos como mulheres e homens através dos nossos corpos. Muitos não entendem o que significa não entender nada sexualmente.”

7. “Os humanos andam há tanto tempo escravizados que já perderam a dignidade. Entregaram a consciência aos heróis, aos deuses aos chicos espertos. Esqueceram-se que cada um deles é um herói, um deus, um soberano. Quando lhes pergunta se querem ser donos de si próprios, a maioria diz que sim, mas fazem-no a medo. Não se põem de pé para reclamar tal direito. Ficam eternamente ajoelhados. Não se atrevem a pensar, como lhes aconselham os verdadeiros mestres.”

8. “A vida tem de ter um sentido. E tem sentido enquanto esperamos alguma coisa . Quase nunca, ou nunca, sabemos o quê, mas enquanto dispomos de um corpo sensível e vivo que nos possibilita desfrutar do sentido da liberdade que nos dá o seu movimento, teremos sempre a sensação de poder ir de um horizonte ao outro, em busca dessa coisa indefinida é maravilhosa que nos libertará da rotina e do monótono cansaço de lutar para viver de uma maneira normal.”

Assim como o Ramón Sampedro, também eu tenho as minhas cartas escritas na memória sobre o meu inferno, assim como o Ramón, detesto esta vida incompleta, mas ao contrário do Ramón, não desisti da procura de uma vida em pleno. Tudo tenho feito ao meu alcance para a conseguir.

Se não conseguir essa vida digna, assim como o Ramón, vou tentar conseguir a minha “morte boa”. Ou se vive, ou não se vive. Fazer de conta que se vive é morrer todos os dias.

Eduardo Jorge

sábado, 4 de agosto de 2018

Livro Imaginários sociodiscursivos sobre a deficiência: experiências e partilhas

Amar incondicionalmente um filho com uma deficiência cria forças para lutar por ele e por outros que são diferentes da maioria e acabam vítimas de olharespreconceituosos. Aliar a vida pessoal e a pesquisa acadêmica sobre o tema pode ser um modo de existência profissional.
 
Este é o tema do livro Imaginários sociodiscursivos sobre a deficiência: experiências e partilhas, que será lançado no sábado, 11 de agosto, às 11h, no Espaço do Conhecimento UFMG.

A obra é um ensaio teórico da professora do Departamento de Comunicação Social da UFMG Sônia Pessoa e teve origem dois pontos principais, a sua tese de doutorado e as vivências com seu filho Pedro, que tinha hidrocefalia e morreu em 2016. No livro, ela aborda os imaginários que circulam na sociedade sobre pessoas com deficiência, o preconceito que pode ser suscitado a partir destes imaginários, a percepção de algumas pessoas com deficiência sobre a própria deficiência, e o engajamento de pesquisadores com os temas pesquisados. "Trata-se de um grande desafio cotidiano lidar com temáticas sensíveis como discursos sobre deficiências e os modos como esses discursos impactam no nosso cotidiano. Além disso, as minhas experiências pessoais tanto me inspiram quanto provocam tensões nos modos como venho tentando realizar pesquisas acadêmicas que efetivamente valorizem a escuta e a participação de pessoas com deficiência", afirma Sônia.

A autora é professora de Comunicação Social na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), doutora em Estudos Linguísticos, com estágio na Université Paris Est-Crèteil, e uma das fundadoras do Afetos: Grupo de Pesquisa em Comunicação, Acessibilidade e Vulnerabilidades, vinculado à UFMG. Sônia também é idealizadora do blog Tudo Bem Ser Diferente, que trata da educação inclusiva.

O lançamento acontece na cafeteria do Espaço do Conhecimento e tem entrada gratuita. A professora Ida Lucia Machado, que escreveu o prefácio do livro, assim o definiu:

"É um ensaio teórico, que fala das emoções no discurso e mostra como é possível escrever e pesquisar sobre elas. Mas, é preciso deixar claro que tudo isso foi feito não escondendo a tão necessária subjetividade da autora/pesquisadora que, com sua voz doce e calma nos conta e nos ensina muitas coisas. Coisas simples mas que nem todos sabem fazer: como amar incondicionalmente um filho que nasceu com uma deficiência, como lutar por ele e, a partir daí como lutar por outros, por toda uma multidão de “diferentes” que uma sociedade composta por pes- soas insensíveis, pode olhar apenas com curiosidade, se não o faz com certa hostilidade." [Ida Lucia Machado]

Os interessados em adquirir o livro impresso podem entrar em contato com a autora pelo soniacaldaspessoa@gmail.com: PESSOA, Sônia Caldas. Imaginários sociodiscursivos sobre a deficiência: experiências e partilhas. 1. ed. Belo Horizonte: Selo PPGCOM/ O Lutador, 2018. v. 1. 120p. ISBN: 978855494405-6

Os interessados em ler a versão digital podem fazer o download gratuito no link http://www.seloppgcom.fafich.ufmg.br/index.php/seloppgcom/catalog/book/21) E-book: PESSOA, Sônia Caldas. Imaginários sociodiscursivos sobre a deficiência: experiências e partilhas. 1. ed. Belo Horizonte: Selo PPGCOM, 2018. v. 1. 120p. ISBN: 978855494406-3

Enviado por email

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Llivro “Uma Vida Sobre Rodas – Peripécias e Curiosidades”

Por Carlos Nogueira

Tau!

Descobri tudo, o Pai Natal e a Mãe Natal são tugas e de Amarante, são o Nuno M. Soares Meireles & a Diana Soares Meireles, hoje passaram pela minha chaminé (tanga, foi mesmo pela caixa do correio) e deixaram ficar a minha prenda, o seu mais recente livro “Uma Vida Sobre Rodas – Peripécias e Curiosidades” que veio directamente dos pés deste “Pai Natal” do Norte. Sim, dos pés!


O Nuno Meireles tem paralisia cerebral devido a um atraso no parto, por isso escreve com os pés, é mais um exemplo de superação, alguém que não se acomoda/incomoda e teima contrariar o pensamento preconceituoso de que as pessoas com deficiência só sobrevivem… Pessoas como ele, desmontam por completo esta forma profundamente errada de olhar a diferença.


O Nuno é um sucesso, obviamente, não porque tem paralisia cerebral, mas sim porque os seus livros valem a pena.


Deixo-vos esta frase de Gabriel Garcia Marquez retirada do livro do Nuno:

“A vida de uma pessoa não é o que lhe acontece, mas aquilo que recorda e a maneira como o recorda.”

PS: Leiam o Nuno!


domingo, 25 de março de 2018

As Pequenas Grandes Coisas da Vida - A Força De Um Jovem Que Acredita Que Todos Os Dias Podem Ser Bons

Henry Fraser tinha 17 anos quando um trágico acidente em Portugal lhe causou danos irreversíveis na medula espinal. Paralisado dos ombros para baixo, Henry conseguiu ultrapassar dificuldades inimagináveis e adaptar-se a uma nova forma de viver.


As Pequenas Grandes Coisas da Vida não só revela como Henry combina a sua sabedoria e visão pessoal para encontrar a capacidade de superar os desafios da vida, mas também é uma fonte de inspiração para aqueles que se confrontam com o infortúnio. Mostra-nos ainda a visão de Henry no que respeita à procura do lado positivo das coisas e ao aperfeiçoamento de tudo o que fazemos e à forma como é possível identificar e aceitar a adversidade. Na essência da filosofia inspiradora de Henry está o facto de ele acreditar que todos os dias podem ser dias bons.

Uma história real, com prefácio de J.K. Rowling.

Fonte e mais informações: Editorial Presença

sábado, 17 de março de 2018

E-book "Quotidianos Femininos e Deficiência"

No final da tarde de 13 de março, numa sessão descontraída e com a presença da maioria das mulheres que partilharam os seus testemunhos de vida, foi apresentado o e-book "Quotidianos Femininos e Deficiência" no auditório do Instituto Nacional para a Reabilitação, I.P.


No início da Sessão, o Presidente do INR, I.P., Dr. Humberto Santos, sublinhou a importância da presença da Secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, bem como o interesse inspirador e estimulante dos testemunhos incluídos no ebook, na expectativa do seu impacto positivo e frutuoso nos seus leitores.

A Secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, destacou "a importância da partilha destes percursos de vida, marcados por grande luta pessoal em prol do exercício dos seus direitos, e o facto destas 10 mulheres terem feito algo mais por todas as outras pessoas com deficiência, independentemente do seu tipo ou do momento da vida em que se manifestou".

Referiu ainda que, "através das suas palavras, estas mulheres descrevem-nos como é o dia a dia de uma pessoa com deficiência, ou de quem tem um filho com deficiência, mostrando-nos, com exemplos concretos, que a vida é feita de muitos momentos, com sorrisos, lágrimas, conquistas e deceções e que, no final de cada dia, o importante é sentirmos que nos esforçámos e que valeu a pena, pois demos o nosso melhor". A sessão, inserida no âmbito das comemorações do Dia Internacional da Mulher de 2018, mereceu uma significativa participação de convidados e contemplou momentos musicais por parte da fadista Berta Maia.

Faça o download do e-book e boa leitura!

Fonte: INR

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Livro: Mais do que acessibilidade: Valor

Mais do que acessibilidade: Valor" é um livro editado pela Misericórdia de Lisboa, que relata a narrativa de dezoito portadores de deficiência, num registo de entrevista informal e frontal. A Sala de Extrações da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) recebeu, esta segunda-feira, 4 de novembro, a apresentação da obra, "Mais do que acessibilidade: Valor", inserido nas comemorações do Dia Internacional da Pessoa com Deficiência.

Minha intervenção
A cerimónia contou com as presenças do provedor da SCML, Edmundo Martinho, da secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, dos administradores da SCML, Sérgio Cintra, Helena Lopes da Costa e Filipa Klut e do presidente do Instituto Nacional para a Reabilitação (INR), Humberto Santos. "São momentos como este que dão sentido ao trabalho desenvolvido na Santa Casa". Foi desta forma que Edmundo Martinho iniciou a sua intervenção, salientando que "as histórias retratadas no livro são testemunhos de resiliência, coragem e muita determinação".


"Mais do que a acessibilidade, este livro retrata o valor das pessoas que nele estão retratadas. Esta é uma das áreas que a Santa Casa tem de ser, cada vez mais, eficaz no trabalho que faz e sobretudo cada vez mais próxima das pessoas que precisam do nosso apoio", concluiu o provedor. Contadas na primeira pessoa, num registo de entrevista intimista e frontal, as narrativas selecionadas demonstram histórias de dezoito portadores de deficiência muito distintas entre si. São atletas paralímpicos, ativistas, intérpretes, gestores e assistentes sociais. As suas idades variam, têm backgrounds distintos, mas encontram-se umbilicalmente ligados pela mesma resiliência e pelo valor que imprimiram nas suas vidas e na sociedade.

Intervenção Secretária de Estado 
Ana Sofia Antunes, secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, destacou e felicitou o empenho da Santa Casa na eliminação das barreiras que as pessoas com deficiência lidam todos os dias. "É de louvar o trabalho que a Santa Casa tem feito no apoio à pessoa com deficiência. Este é mais um passo na valorização destas pessoas". "O que este livro retrata, mais do que acessibilidade, é o valor e o contributo que cada uma destas pessoas tem dado à sociedade portuguesa", frisou Ana Sofia Antunes. 


Já o presidente do INR, Humberto Santos salientou que "o reconhecimento não pode vir apenas de alguns atores sociais, mas de todos os cidadãos", enaltecendo alguns dos projetos que a Misericórdia de Lisboa tem vindo a dinamizar no apoio às pessoas com deficiência. No final da sua exposição, Humberto Santos deixou, ainda, uma palavra de carinho a todos os atletas paraolímpicos, que "aos longos dos anos têm elevado o nome de Portugal no plano desportivo internacional".

De salientar que os Jogos Santa Casa são um dos patrocinadores oficiais do Comité Paralímpico de Portugal.

Galeria de Fotografias

Fonte: SCNL

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Agrupamento de escolas edita livro sobre a deficiência

O Agrupamento de Escolas Alexandre Herculano, em Santarém, assinalou o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência com a edição do livro “Coisas Nossas… Reflexões em torno da Educação Especial”.


No lançamento, que decorreu esta quarta-feira, 6 de dezembro, no auditório da escola Alexandre Herculano, estiveram presentes docentes, técnicos, assistentes operacionais e alunos que contribuíram com textos e gravuras que integram o livro, além de vários convidados e outros alunos da escola.

Entre outras temáticas, foi efetuada uma contextualização dos objetivos que estiveram na base da conceção do livro e dos intervenientes no processo pela coordenadora do departamento de educação especial, Sílvia Canha, e também uma abordagem dos processos de inclusão e de prestação de serviço educativo que se desenvolvem no agrupamento, por Margarida da Franca.

O livro pode ser descarregado em formato digital a partir do endereço: http://goo.gl/QFqseY.

O Dia Internacional das Pessoas com Deficiência comemora-se desde 1992, sob a égide das Nações Unidas, com o objetivo de promover uma maior compreensão dos assuntos relacionados com as pessoas com deficiência, e para mobilizar a defesa da sua dignidade, dos seus direitos e bem‑estar.

Fonte: Rede Regional

domingo, 3 de dezembro de 2017

Mais que acessibilidade: Valor

A Sala de Extrações da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa recebe a apresentação da obra, no próximo dia 4 de dezembro, pelas 10h00.


"Este livro traz-nos histórias de vida, daquelas que vale a pena conhecer". É desta forma que a secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, classifica, no prefácio da obra que será apresentada na próxima segunda-feira, as 18 histórias de vida que aí são dadas a conhecer.

Contadas na primeira pessoa, num registo de entrevista intimista e frontal, as narrativas selecionadas demonstram histórias de dezoito portadores de deficiência muito distintas entre si. São atletas paralímpicos, ativistas, intérpretes, gestores, assistentes sociais. As suas idades variam, têm backgrounds distintos, mas encontram-se umbilicalmente ligados pela mesma resiliência e pelo valor que imprimiram nas suas vidas e na sociedade.

Isto mesmo é realçado num texto introdutório, assinado pelos administradores da Ação Social e da Saúde da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. "Mais do que acessibilidade aos direitos, aos serviços, aos equipamentos e às oportunidades de interação social no quotidiano, este livro tem o mérito de revelar o enorme valor humano intrínseco a estes protagonistas das suas próprias vidas".

Fonte: SCML

EU: Também faço parte do livro e estarei presente no seu lançamento.

domingo, 6 de agosto de 2017

Os loucos

Os loucos, não os quero ver. Não tenho nada a ver com eles. Ponham-nos num mundo á parte, para que não nos venham chatear, com médicos se quiserem mas só para eles, um mundo fechado, bem murado, bem hermético, um OUTRO MUNDO.

Que a gente os possa esquecer. É exatamente o que pretende fazer o asilo, é a esse desejo que ele responde: constituir um outro mundo estanque aonde a loucura fique isolada.
Livro
No exterior, no mundo normal, apenas razão, apenas bom senso. No asilo, nada de sensato. O asilo purga, decanta, purifica, recolhe entre os seus muros toda a loucura do mundo. As grades do asilo separam, demarcam: lá fora o normal, no interior o patalógico.

Hoje já se suspeita que uma distinção tão marcada deve ter por vezes alguma coisa de abusivo, que nem tudo é assim tão certo nas pessoas "do exterior", e que os que estão "dentro" talvez nem sempre sejam completamente malucos, que talvez haja, como dizem os americanos, que não se preocupam tanto com os conceitos, "partes sãs na sua personalidade.

É provável que essa dúvida sempre tenha existido, mas o homem tem necessidade de certezas, sentimo-nos melhor quando as coisas são nítidas. Por isso o sistema asilar não regateou despesas, e a psiquiatria entregou-se entusiasmada á tarefa de fabricar sintomas e de provar que se um tipo está internado é porque realmente não regula bem. (...)

Pensar que o hospital psiquiátrico é feito para tratar é o maior dos logros: isso é a fachada, a montra, a razão social. Na realidade, o hospital psiquiátrico é feito para desembaraçar as pessoas de um certo número de problemas chatos, que não vale a pena tentar resolver ou que a sociedade não está organizado para resolver.

Por exemplo os velhos. Toda a gente sabe o que se deveria fazer por eles: adaptar a vida social de forma a que eles possam conservar o seu lugar, um lugar verdadeiro, com o direito á palavra é o de continuarem a fazer a sua vida como entenderem.

Mas parece que isso é extremamente difícil de conseguir, os meios não existem e além disso os velhos ficam caros e não rendem nada, sem contar que cheiram mal, que escarram é que são difíceis de aturar. Por isso continua-se a amontoá-los e lares, a manipulá-los como coisas, e a dizer-lhes aguenta velhote, já te ouvimos que chegue, cada um tem a sua vez de falar.

Em livro "Os Muros do Asilo" de Roger Gentis - Oferta do querido amigo Miguel Ribeiro

segunda-feira, 31 de julho de 2017

A Representação do Espaço em Saramago

A minha relação com os livros do nosso nobel da literatura, José Saramago, nunca foi a melhor. 1º livro da sua autoria que abri para ler foi a “A Jangada de Pedra”, mas perdi o interesse após ler as primeiras páginas. Tentei mais uma ou duas vezes ler outros livros, e também desisti. Confesso que o filme “Ensaio Sobre a Cegueira”, baseado no seu livro com o mesmo nome, também não me encheu as medidas, e pronto, ficou o respeito pelo homem e pela sua obra, e nossa relação terminou aí.

Mas eis que venho morar a pouco mais de 20km da Azinhaga/Golegã, a sua aldeia amada, conheço-a, também uma estátua na aldeia em sua homenagem, e sou convidado para a apresentação do livro “A representação do espaço em Saramago: da negatividade à utopia”, na sua fundação, na Casa dos Bicos em Lisboa, espaço que também gostei muito de conhecer.
Com o autor Profº Drº Horácio Ruivo, e dois amigos,
na apresentação do livro na Fundação José Saramago em Lisboa.
Li o livro, gostei, e meu interesse pela sua obra voltou. De repente sinto-me desejoso de ler Saramago. Através deste livro até parece que li e descobri outro Saramago. Senti-me a lê-lo com gosto e prazer. Estou com muita vontade de iniciar a leitura dos livros “Levantados do Chão” e a “Caverna”, 2 dos livros analisados e mencionados neste trabalho “A representação do espaço em Saramago: da negatividade à utopia”, tese de Doutoramento em Estudos Portugueses na especialidade de Literatura Portuguesa, da autoria do Srº Professor Doutor Horácio Ruivo, com quem tenho o prazer de conviver por pertencer à direção do Centro de Apoio Social da Carregueira, onde me encontro a trabalhar e viver.

Sinopse do livro
O presente estudo incide sobre o espaço na obra literária de José Saramago. Considerada uma categoria intencionalmente privilegiada pelo escritor em muitos dos seus romances, não apenas na dimensão física, mas numa multiplicidade de sentidos emergentes a partir dos diferentes topoi apresentados, reconhece-se a existência de uma linha ascensional que reflete a forma evolutiva como vão sendo apresentados os espaços, reais ou sugeridos, em interação com as personagens, implicando nestas um forte crescimento interior.

Vão ser exploradas as dimensões humana e simbólica do espaço. A cada uma destas dimensões é associada, respetivamente, a memória e a violência, ambas importantes linhas de forças na obra saramaguiana. A memória revela-se como um espaço determinante na formação da consciência individual e coletiva: a memória individual visa recuperar do passado a essência daquilo em que o ser humano se vem a tornar; a memória coletiva surge pela necessidade de resgatar momentos do passado histórico que foram intencionalmente eliminados do discurso canónico. Por seu turno, a violência surge associada a espaços – menos físicos do que simbólicos – e constitui-se como metáfora da sociedade, espaço onde o ser humano é frequentemente desrespeitado ou induzido a um estado de apatia que o impede de se afirmar e realizar.

A partir de cinco romances analisados, procura sustentar-se a tese segundo a qual o espaço, em Saramago, evolui da negatividade para uma dimensão de utopia, surgindo a negatividade refletida na forma como o autor nos apresenta o espaço inicial, no qual a movimentação das personagens parece contagiada por uma carga negativa que as condiciona; desse espaço emanam, contudo, forças que fazem germinar nas personagens a consciencialização do caos em que se encontram e as impelem à busca de um outro espaço, de utopia, onde seja possível (re)viver.

Se está interessado em adquirir o livro que já vai na sua 2ª edição pode fazê-lo na Edições Esgotadas ou numa livraria perto de si.

domingo, 12 de março de 2017

Livro: Deficiência e Emancipação Social

Deficiência e Emancipação Social: Para uma crise da normalidade procura articular as discussões contemporâneas sobre a relação entre os estudos e as políticas da deficiência, o momento de crise do Estado Social na Europa e uma análise crítica da realidade das pessoas com deficiência em Portugal. Assim, convocamos para o presente volume, por um lado, as contribuições internacionais de Alison Sheldon (Reino Unido), Colin Barnes (Reino Unido), Lennard Davis (Estados Unidos da América) e de Luiza Teles Mascarenhas e Marcia Moraes (Brasil). Por outro lado, concitamos as reflexões desenvolvidas no contexto da academia portuguesa por Aleksandra Berg, Bruno Sena Martins, Fernando Fontes, Pedro Hespanha e Sílvia Portugal.


Esta obra procura contribuir para a resposta a algumas das questões que enformam atualmente o campo dos "Estudos da Deficiência". Trata-se, pois, de articular conhecimentos e experiências que assumam o compromisso político de recusa da injustiça social. A subjugação produzida em nome da deficiência cria sujeitos e vozes que, ora chamando a si a luta contra os edifícios epistemológicos da modernidade, ora constituindo a insurgência face aos fracassos da sociedade inclusiva, podem fomentar o desenvolvimento de uma imaginação crítica sobre o fim da normalidade.

Pode adquirir o livro AQUI

domingo, 5 de março de 2017

Livro: Pessoas com Deficiência em Portugal

A deficiência pode ser perspectivada de formas diversas, cada uma delas com potenciais de emancipação distintos para as pessoas com deficiência. Na sociedade portuguesa a deficiência tem sido reduzida às incapacidades dos corpos e a uma narrativa fatalista de tragédia pessoal.


Segundo este modelo de entendimento, as restrições e obstáculos vivenciados pelas pessoas com deficiência resultam directamente das suas supostas limitações funcionais. Tais concepções têm validado a construção da imagem das pessoas com deficiência como sujeitos passivos e dependentes, o silenciamento das suas vozes e alimentado políticas sociais opressoras e excludentes das pessoas com deficiência em Portugal. 

O presente ensaio pretende abrir uma reflexão sobre esta realidade, de forma a contribuir para um questionamento cultural e sociopolítico dos fenómenos de menorização, opressão, pobreza e exclusão social vivenciados pelas pessoas com deficiência na sociedade portuguesa e para a construção de novos caminhos emancipatórios.

Podem adquirir AQUI o livro por somente €3,15

NÓS: Ensaio da autoria do investigador do CES Coimbra, Fernando Fontes. um grande estudioso e conhecedor da nossa causa e responsável pela maioria dos estudos sobre deficiência em Portugal, e a quem agradeço o fazer favor de ser meu amigo.

Não deixem de ler também uma das excelentes entrevistas que deu. Neste caso ao jornal i:

Fernando Fontes. “A lei infantiliza os deficientes, pode até incitar os agressores”

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Fernando Fontes: um grande amigo da deficiência

Investigador defende que é preciso encarar a deficiência como um problema social, e não a tragédia pessoal de alguns.

Sociólogo em Coimbra, Fernando Fontes é o autor do mais recente retrato da vida das pessoas com deficiência em Portugal, num ensaio publicado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos e apresentado na última sexta-feira no festival literário de Óbidos. Defende que é preciso uma revolução na vida das pessoas com deficiência em Portugal, das dificuldades no acesso ao trabalho à realidade escondida dos maus-tratos.

Como surgiu o interesse nesta área?
Tive um colega na escola primária com paralisia cerebral. Era um miúdo como nós, absolutamente integrado. Não tinha limitações cognitivas, eram essencialmente dificuldades motoras. Fez parte do percurso escolar connosco mas, a certa altura, foi para uma instituição para crianças e jovens deficientes. Poucos anos mais tarde, teríamos uns 18 anos, suicidou-se. Embora não tenha sido imediato pensar que iria dedicar-me a isto, foi algo que me chocou e foi talvez o primeiro momento em que me apercebi da exclusão em que vivem muitas pessoas com deficiência, e do devastador que isso pode ser para as famílias.

O sofrimento das pessoas com deficiência vem mais de fora do que de dentro?
Creio que vem muito de fora, mas as coisas estão interligadas. As pessoas com deficiência continuam a ser alvo de grande discriminação e opressão, quer pelas barreiras físicas, quer pelas barreiras psicológicas relacionadas com o estigma da deficiência e com as conceções dominantes sobre o que é um corpo normal. Esses preconceitos acabam por ser internalizados pelas pessoas com deficiência, o que tem um grande impacto na sua autoestima.
A discriminação faz-se sentir nas mais variadas esferas das suas vidas, mesmo nas mais íntimas, como as oportunidades de constituir família ou mesmo de viver a sexualidade de forma plena. Isto para não falar das dificuldades na escola ou no trabalho, onde não existem os apoios especializados necessários à sua inclusão ou os espaços físicos continuam inacessíveis.

Quando anda na rua, até com olhos de investigador, em que repara?
As barreiras arquitetónicas continuam a ser o lado mais visível desta opressão. Basta alguém andar na rua com um carrinho de bebé para ter noção disso. Os passeios continuam pejados de postes de eletricidade, caixotes de lixo e carros, e os edifícios continuam a ter escadas de acesso. Terminámos há algum tempo um projeto de investigação sobre pessoas com lesão vertebro-medular e um dos entrevistados disse uma coisa que me marcou. Tinha feito o processo de reabilitação física em Alcoitão e, nas suas palavras, o centro era como a terra prometida: a pessoa, ali, até se esquecia da deficiência. Mal chegavam à rua e encontravam as primeiras escadas, era como se tocasse um sininho a lembrá-los da sua incapacidade. As barreiras não limitam apenas a mobilidade, são um fator de opressão daqueles que as enfrentam no seu dia-a-dia.

O que leva ao isolamento?
Em alguns casos, sim. Se juntarmos a isto o facto de os últimos censos nos dizerem que 60% das pessoas com dificuldades motoras no país vivem em edifícios com três ou mais pisos, em edifícios sem elevador e sem entrada acessível para cadeira de rodas, percebemos a gravidade da situação. Há pessoas com deficiência a viverem enclausuradas nas suas próprias casas.

Um dado que cita no seu livro prende-se com a taxa de emprego: é metade da população em geral. E 79% dos que estão inativos são reformados, embora apenas 6% fossem incapazes para o trabalho. O que explica estes números?
O preconceito. Tem havido iniciativas de promoção do emprego, incentivos aos empregadores para adaptação do posto de trabalho e benefícios fiscais, mas o facto é que o preconceito continua a existir e muitas pessoas com deficiência são imediatamente excluídas nas entrevistas.

E as quotas de emprego, de 2% no privado e 5% no Estado?
Não tiveram grande impacto, quer pelo congelamento, durante muito tempo, do acesso à função pública, quer porque o recurso à contratação coletiva é cada vez mais substituído pela contratação individual, onde é muito fácil encontrar subterfúgios para preterir um candidato com deficiência face a outro sem. Garantir mais emprego é muito importante porque não é apenas um problema de autonomia financeira. Durante muitos anos dizia-se que as sociedades atuais eram de lazer, mas os estudos sociológicos mais recentes têm mostrado a manutenção da centralidade do trabalho nas nossas vidas.
É o trabalho que nos permite organizar o nosso dia-a-dia; não é apenas uma forma de sustento, mas sobretudo de realização pessoal. Quando vemos que apenas uma minoria das pessoas com deficiência trabalham, dá para imaginar o impacto psicológico.

E o impacto financeiro consegue ser mitigado pelas famílias?
Muito dificilmente. O subsídio mensal vitalício atribuído às pessoas com deficiência com mais de 24 anos é de 176,76 euros.
É claramente insuficiente se tivermos em conta que as pessoas com deficiência em Portugal têm um custo de vida acrescido que varia entre os 5100 e os 26 300 euros por ano. Depois, ao mesmo tempo que dá 176 euros às pessoas, o Estado paga aos lares que recebem pessoas com deficiência mais de 900 euros/mês.

É preciso nivelar os valores?
Seria um avanço importantíssimo. Tem havido pressão para isso por parte do Movimento Vida Independente e da associação dos (d)Eficientes Indignados, e creio que o governo está sensibilizado para a necessidade de dar às pessoas com deficiência condições para que elas possam gerir as suas vidas em vez de estarem condenadas a ficar dependentes em termos financeiros e de apoio no dia-a-dia de familiares ou, na falta destes, serem obrigadas a ingressar num lar.

A ideia de “vida independente” tem estado a ganhar força. O que está em causa?
No final do ano passado começou o primeiro projeto-piloto financiado pela Câmara Municipal de Lisboa, com cinco utentes, e a expectativa é que, até ao final do ano, saia legislação para poder replicar este projeto noutras zonas do país. No fundo, a ideia é permitir que as pessoas com deficiência tenham a mesma liberdade de escolha, o mesmo controlo e a mesma liberdade nas suas casas, no trabalho e na sua comunidade que as pessoas sem deficiência.

Como? São residências de transição?
Não. Mediante um processo de avaliação e cálculo do número de horas diárias de assistência pessoal necessárias, a pessoa recebe apoio financeiro para contratar um assistente pessoal. Repare-se que o impacto disto vai muito além da autonomia.
É dar liberdade a pessoas que, hoje, muitas vezes não a têm, até porque, estando dependentes da família, não têm qualquer poder reivindicativo. Além disso, a dependência tem um enorme impacto na vida familiar e íntima das pessoas. No projeto da lesão medular, uma das coisas que constatámos foi a elevada incidência do divórcio após a lesão. É muito desgastante um companheiro ou uma companheira transformar-se de repente num prestador de cuidados. Tem impacto a todos os níveis da vida do casal.

No ensaio aborda a problemática da violência. Analisou o “Correio da Manhã” e identificou 129 casos entre 2006 e 2012. O que mais o surpreendeu?
O que me chocou mais foi talvez perceber o tipo de crimes mais comuns: abusos sexuais e violação de mulheres jovens com deficiência, sobretudo com dificuldades de aprendizagem.

O Estado podia fazer mais?
Sim, claro, apesar de algumas iniciativas de louvar como os programas de sinalização de casos da PSP ou da GNR.

De que quase nunca ouvimos falar.
É um facto. Acho que é preciso maior sensibilização, mas isso passa também por uma mudança na legislação. Atualmente, o Código Penal apenas refere a deficiência como condição de agravamento das penas de crimes variados, do homicídio ao abuso sexual, mas fá-lo de uma forma que infantiliza e reforça a ideia de vulnerabilidade das pessoas com deficiência, colocando-as no rol das pessoas particularmente indefesas, o que além disso pode, de alguma forma, até incitar os agressores.

O que devia mudar?
Parece-me que é preciso reconhecer que, tal como a violência racial, os crimes relacionados com a orientação sexual ou identidade de género, os crimes contra as pessoas com deficiência resultam muitas vezes do estigma e do preconceito, da ideia de que as pessoas são inferiores e podem ser vítimas de abuso ou escravizadas, como aconteceu durante mais de 20 anos com um jovem de Vila Verde. São crimes de ódio, motivados pelo preconceito.

No ensaio diz que os estudos internacionais mostram que, em 48% dos casos de violência contra deficientes, as situações se prolongam durante meses ou anos. Pode haver muitos casos escondidos?
Nos EUA estima-se que a probabilidade de alguém com deficiência ser vítima de violência é 1,5 vezes superior; no Reino Unido, quatro vezes. Em Portugal não temos dados, os relatórios nacionais de segurança interna continuam sem registar o fenómeno, mas não temos razões para pensar que será diferente.

Escreve que os avanços da medicina e o envelhecimento da população transformam cada ser humano numa potencial pessoa com deficiência. É o argumento que faltava para a revolução que defende ser necessária na resposta à deficiência?
Espero que sim.

Não é um bocado egoísta?
Pode ser, mas é a realidade. Se não o fizermos pelos outros, que o façamos por nós. Aliás, nem é preciso haver deficiência. Criar acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida é criar acessibilidades para toda a gente.

Que mensagem gostava de passar com este livro?
Temos de deixar de olhar para a deficiência como uma tragédia pessoal. É verdade que continua a existir sofrimento e ansiedade, as famílias têm receio quanto ao futuro e a quem cuidará dos seus filhos quando não estiverem cá, mas um aprofundamento da redistribuição social, mais políticas públicas consequentes e menos preconceito permitiriam dar às pessoas uma maior qualidade de vida.

Fonte: i

NÓS: Tenho uma admiração tremenda por este senhor que faz o favor de ser meu amigo, e por todo o seu trabalho. Se ainda não adquiriram o livro não deixem de o fazer AQUI. Custa somente 3,15


domingo, 4 de dezembro de 2016

Sede da Mithós serve de biblioteca para deficientes

Abriu uma nova biblioteca em Vila Franca de Xira. Na sede da Mithós, a poucos metros da Biblioteca Municipal, foi inaugurada, este sábado, 3 de Dezembro, Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, uma biblioteca comunitária e inclusiva para a população deficiente.



Este é um projecto que tem vindo a ser preparado há cerca de dois anos. Algumas estantes foram doadas por um centro comercial em Alverca e são de material resistente de forma a que pessoas com mobilidade reduzida possam apoiar-se e a estante não cair. Alguns dos livros estão adaptados a invisuais.

Fonte: O Mirante

sábado, 26 de novembro de 2016

Convite: Inauguração Biblioteca Comunitária e Inclusiva "Mithós a ler"

A Mithós - Histórias Exemplares, vem por este meio convidá-lo(a)., a estar presente na inauguração da Biblioteca Comunitária e Inclusiva "Mithós a ler", no âmbito do projecto desenvolvido em parceria com a Laredo - Associação Cultural.

O evento terá o seu início na sede da Mithós, sita na Avenida Pedro Vítor, 21 A, em Vila Franca de Xira, no próximo dia 3 de Dezembro (Dia Internacional da Pessoa com Deficiência), às 16h e contará com a apresentação do jogo INCLU Cores, pela autora Susana Magalhães da Costa e terá continuidade na Biblioteca Municipal Fábrica das Palavras, às 17h30, com a apresentação do livro Pessoas com Deficiência em Portugal, do investigador Fernando Fontes, pelas Publicações Francisco Manuel dos Santos, seguido de debate sobre Políticas de Inclusão Social em Portugal, com as presenças confirmadas para já do deputado Jorge Falcato e do presidente do Centro de Vida Independente, Diogo Martins.


Desde já agradecemos a sua presença.
Com os melhores cumprimentos e consideração pessoal,
Manuela Ralha

Presidente da diração
Morada: Avenida Pedro Vítor, 21 A
2600-221 Vila Franca de Xira
Contribuinte nº 508 654 696
Telefones: 263 209 507
Telemóvel: 963 877 695/ 963 877 706 (Presidente)
Mail: mithos.associacao@gmail.com / mithos.tesouraria.associacao@gmail.com
https://www.facebook.com/MITHOSVFX

sábado, 19 de novembro de 2016

“Qualquer dia, amo-te”

No passado dia 5 de Novembro, o Fórum de Ermesinde foi palco de mais um evento à altura do local que se pauta por possibilitar momentos de cultura relevantes. Rui Machado lançou o seu terceiro livro, “Qualquer dia, amo-te”. Com sala cheia. O acontecimento mereceu a presença do Sr. Presidente da câmara municipal de Valongo Dr. José Manuel Ribeiro ( que elogiou a “resiliência” do autor)e da diretora da Biblioteca Municipal, Drª Laura Moreira.


A ilustração da obra esteve a cargo de Carla Monteiro, o prefácio é de Goreti Dias e foi editado pela Mosaico de Palavras Editora. A apresentação esteve a cargo de Goreti Dias com a colaboração do dizeur Dionísio Dinis. João Arezes e Li Viana deram voz a alguns poemas do autor. A Animação musical foi da responsabilidade do grupo Lado A’Lado (Adrián Perez e Sérgio Nascimento) e de Dinis Meirinhos.

Rui Machado nasceu em 1983 na cidade do Porto e reside em Ermesinde. Tem um percurso literário digno de nota com a publicação ( em 2014) do seu primeiro livro de poemas “Finalmente mar “, seguindo-se “Uma forma de continuar” em 2015, obras com ampla aceitação no mercado. Tem participado em imensas antologias de prosa e poesia. O seu terceiro livro é constituído por “comoventes poemas que giram à volta de amor –amor fugidio e escasso, fiel e resplandecente. Qualquer dia, amo-te revela o autor como um poeta sensível e talentoso”, nas palavras de Richard Zimler. “Andar ao redor do mundo, com o mundo atrelado ao pensamento, não mete medo a homens com a arte, a coragem e o esforço de gente como Rui Machado”, diz Goreti Dias no prefácio. Na apresentação, diz da obra a dado momento: “O inusitado deixa-nos entre a admiração e a incapacidade para lidar com certas instabilidades emocionais emanadas dos seus poemas. 

Um sujeito poético flutuante e instável que Rui Machado conseguiu criar neste percurso de 127 páginas… e, ainda assim, mantê-lo coerente. Ou não fosse, também ele, um homem do século XXI, conhecedor da brutalidade de cada um de nós, num tempo em que as necessidades imediatas não são as suas borboletas, mas sim a materialidade explícita da diversão imediata, no nosso exterior, numa degradação do sentimento e da alma em prol da destruição que, paradoxalmente, tentamos evitar a todo o custo. Uns mais que outros, é um facto. Mas somos sempre nós e o nosso contrário, nessa luta entre a sensibilidade e o utilitarismo. Sempre a borboleta e o cavalo do seu poema”.

Mas Rui Machado não é apenas um excelente escritor. É também um homem de atividade social intensa. Licenciado em Psicologia da Saúde e mestre em Psicologia clínica, une a sua formação académica a atividades em defesa das pessoas com deficiência. É membro da comissão coordenadora dos (d)Eficientes Indignados, da direção do Centro de Vida Independente, da Comissão de Ética da Associação do Porto de Paralisia Cerebral, do grupo “Sex and Relationships” da European Network on Independent Living e cocriador do movimento ligado à desmistificação da sexualidade das pessoas com diversidade funcional “Sim, nós fodemos”. Entre as suas variadas atividades ligadas a estas áreas, fez formação em Multimédia e trabalhou em publicidade.

No último ano, esteve envolvido no Projeto Janelas onde, junto de cuidadores e técnicos, se procurou promover o desenvolvimento psicoafectivo de pessoas com neurodiversidade.

Um autor cujo nome convém fixar.

Fonte: Jornal Novo de Valongo

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Apresentação de livro «Deficiência e emancipação social – Para uma crise da normalidade»

11 de outubro de 2016, 18h30, Livraria Almedina Estádio Cidade de Coimbra

Apresentação a cargo de Jorge Falcato Simões (Deputado na Assembleia da República pelo Bloco de Esquerda), Paula Campos Pinto (Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa) e dos organizadores do livro.

Coleção CES/Almedina | Série «Políticas Sociais»

Sinopse:
Neste livro articulam-se as discussões contemporâneas sobre a relação entre os estudos e as políticas da deficiência, o momento de crise do Estado Social na Europa e uma análise crítica da realidade das pessoas com deficiência em Portugal. Assim, convocamos para o presente volume, por um lado, as contribuições internacionais de Alison Sheldon (Reino Unido), Colin Barnes (Reino Unido), Lennard Davis (Estados Unidos da América) e de Luiza Teles Mascarenhas e Marcia Moraes (Brasil). Por outro lado, concitamos as reflexões desenvolvidas no contexto da academia portuguesa por Aleksandra Berg, Bruno Sena Martins, Fernando Fontes, Pedro Hespanha e Sílvia Portugal.

Esta obra procura contribuir para a resposta a algumas das questões que enformam atualmente o campo dos “Estudos da Deficiência”. Trata-se, pois, de articular conhecimentos e experiências que assumam o compromisso político de recusa da injustiça social. A subjugação produzida em nome da deficiência cria sujeitos e vozes que, ora chamando a si a luta contra os edifícios epistemológicos da modernidade, ora constituindo a insurgência face aos fracassos da sociedade inclusiva, podem fomentar o desenvolvimento de uma imaginação crítica sobre o fim da normalidade.

Fonte e mais informações: CES