Mostrar mensagens com a etiqueta Experiências. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Experiências. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 11 de novembro de 2021

Google procura voluntários que testem aplicação de comunicação para pessoas com deficiência na fala

Project Relate pode ser treinada para o utilizador, reconhecendo o discurso e traduzindo para voz robotizada. Para já, só está disponível em inglês e a tecnológica procura voluntários para aperfeiçoar a versão beta.


Lesões cerebrais, esclerose lateral amiotrófica, Parkinson, AVC, são muitas as patologias que causam déficits na linguagem e dificuldades de comunicação. Um problema que a Google está decidida a combater, eliminando barreiras e servindo de mediador. A mais recente solução nesta área, apresentada esta semana, é o Project Relate – uma ferramenta de comunicação para pessoas com dificuldades ao nível da fala, que resultou de vários anos de trabalho e da recolha de mais um milhão de amostras de som.

A inspiração para este projeto, e o nome para a aplicação, veio da prata da casa, onde trabalha a gestora de marca da Google, Audrie Lie, que sofre de distrofia muscular, doença que lhe afeta severamente a fala. “Estou habituada a ver as caras das pessoas quando não me conseguem entender”, disse a colaboradora durante a apresentação à imprensa que decorreu virtualmente, quarta-feira, 9. “O Project Relate pode fazer a diferença entre um olhar de dúvida e confusão e uma gargalhada de reconhecimento.”

Na aplicação Project Relate estão incluídos três recursos principais: o Listen, que transcreve de voz em tempo real, permitindo que o conteúdo seja enviado como texto, copiado e colado noutras aplicações; o Repeat, que repete o que foi dito, numa voz clara e computadorizada, eliminando eventuais dificuldades de compreensão, e o Assistant, que liga à assistente Google, permitindo executar os comandos habituais.

Longe de estar concluída e para melhorar a sua eficácia, a Google procura voluntários para gravar som nos EUA, Canadá e Austrália. Quem estiver disponível para testar esta versão beta, deverá dedicar um total de 30 a 90 minutos a falar para a aplicação, sendo que o treino exige pelo menos 500 frases até a app estar ajustada ao seu utilizador. Para já, a funcionalidade só está disponível em inglês.

Fonte: Exame Informática

domingo, 13 de outubro de 2019

Tetraplégico consegue andar graças a um exoesqueleto


Um homem tetraplégico conseguiu caminhar e fazer movimentos com os braços através de um exoesqueleto controlado pela própria mente. Um pequeno passo, que abre gigantes perspetivas para o futuro das pessoas presas a uma cama.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Sueca recebe primeiro implante de "mão biônica" do mundo

Pela primeira vez no mundo, especialistas implantaram, de modo permanente, uma prótese para mão sensível ao toque e que reconhece objetos, semelhante a natural, em uma sueca de 45 anos de idade. A intervenção cirúrgica foi realizada no Hospital Universitário Sahlgrenska, em Gotemburgo, pelos especialistas Richard Brenemark e Paolo Sassu. A expectativa é de que em poucas semanas a paciente possa usar a "mão biônica" diariamente.


O equipamento foi desenvolvido graças ao projeto europeu "DeTOP", liderado por Christian Cipriani, da Escola Superior Sant'Anna de Pisa, na Itália, que conta com a ajuda de especialistas do Politécnico de Lausanne, na Suíça, além de pesquisadores da Universidade de Freiburg, na Alemanha. A mulher, que teve sua mão amputada em 2002, participa de um programa de reabilitação, para recuperar a força nos músculos do antebraço, e de realidade virtual, para aprender a controlar a mão robótica.

"Graças a esta interface homem-máquina tão precisa e graças à habilidade e sensibilidade da mão artificial, nós esperamos que a alguns meses a mulher reconquiste funcionalidades motoras e perceptivas muito semelhantes as de uma mão natural", observou Cipriani.

Nos ossos do antebraço da mulher foram implantadas estruturas de titânio como uma ponte entre os ossos e as terminações nervosas de um lado e a mão robótica do outro. Graças a 16 eletrodos inseridos nos músculos, foi possível estabelecer uma ligação direta entre a prótese e o sistema nervoso. Desta forma, a mão robótica pode ser controlada de uma forma mais eficiente, além de permitir restaurar o sentido do tato.

O projeto do implante foi financiado pela Comissão Europeia no âmbito do programa Horizonte 2020. As universidades suecas de Lund e Gotemburgo, a britânica de Essex, o Centro Suíço para Eletrônica e Microtecnologia, a Universidade Campus Bio também estão participando do projeto.

Além delas, há a contribuição da Universidade Biomédica de Roma, o Centro de Prótese do Instituto Nacional de Seguro contra Acidentes de Trabalho (Inail) e do Instituto Ortopédico Rizzoli de Bolonha. Segundo Cipriani, o grupo já está trabalhando para realizar outras duas intervenções similares na Itália e na Suécia.

Fonte: Época

sábado, 5 de janeiro de 2019

e-Chair Concept a cadeira de rodas autónoma e que se arruma sozinha

É conhecida como e-Chair Concept e é a primeira cadeira de rodas que, depois de deixar o seu utilizador ao volante do veículo, trata de se dirigir sozinha para a mala, onde se arruma sem necessitar da intervenção de ninguém. Uma verdadeira lufada de ar fresco para os que têm mobilidade reduzida e para os quais toda a ajuda é pouca.
A e-Chair da Ford é uma cadeira de rodas de aspecto convencional, que se pode controlar através de uma aplicação. Depois do condutor se aproximar da porta, abrindo-a, o banco sai do carro e vai ao seu encontro, colocando-se ao mesmo nível da cadeira, facilitando assim ao utilizador a passagem da cadeira para o assento. Uma vez instalado, a cadeira dirige-se à mala do veículo, onde um braço articulado já a aguarda, preparado para a elevar e recolher no interior do compartimento para bagagens, fechando de seguida a bagageira.

Esta solução, autónoma e muito útil para quem necessita deste tipo de ajuda, foi desenvolvida pela marca americana e a Fundação Once, estando integrada no programa Ford Adapta, que visa tornar mais fácil a vida dos condutores com necessidades especiais, tanto no acesso e instalação no veículo, como na sua condução e utilização.


Fonte: Observador. Mais informações: Ford Adapta

domingo, 16 de dezembro de 2018

Novo tratamento da esclerose aguarda aprovação

Em Portugal, cerca de 20% dos doentes com Esclerose Múltipla (EM) não têm medicação específica. Mas um novo medicamento, aprovado este ano pela Comissão Europeia pode ser uma esperança para os doentes. "O Ocrelizumab é o primeiro medicamento para as formas progressivas da doença. Esperamos que seja aprovado brevemente em Portugal", revela ao CM Carlos Capela, neurologista no Hospital dos Capuchos, em Lisboa. 
Este é um tratamento inovador para a EM primária progressiva que, segundo o neurologista, leva desde do início a um aumento gradual da incapacidade, atingindo entre 10 e 20% dos doentes. Para a forma inflamatória do tipo surto-remissão, que afeta a maioria dos doentes (mais de 80%), o médico afirma que já existem pelo menos 12 medicamentos para atrasar o tempo entre surtos e a fase degenerativa da Esclerose Múltipla. 

De acordo com a Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla (SPEM), há mais de oito mil pessoas com a doença em Portugal. Sem cura, esta é uma doença inflamatória. "‘Esclerose’ significa uma cicatriz no sistema nervoso central, que resulta da inflamação, e ‘múltipla’ porque atinge vários locais do sistema nervoso central", explica Carlos Capela. 

Conselho da semana 
Apesar dos sintomas poderem ser confundidos com outras doenças, existem sinais de alerta. A fadiga e a perda de memória são sintomas ‘invisíveis’, aos quais deve prestar especial atenção. "Quanto mais precoce o diagnóstico, mais rápido será o tratamento e melhor o prognóstico", salienta o neurologista Carlos Capela. O tabaco é um fator de risco a ter em conta e, assim, este é mais um motivo para deixar de fumar. 

"Este ano fiz um triatlo olímpico" 
Aos 26 anos, Cátia Gonçalves sentiu os primeiros sintomas e passadas quatro semanas chegou o diagnóstico de Esclerose Múltipla. "Ia andar de bicicleta e sempre que baixava a cabeça sentia uma pequena vibração, como se fosse um telemóvel a vibrar", recorda. Antes do diagnóstico, a técnica de informática nunca tinha ouvido falar da doença. "Fui logo ao tablet ver o que era", diz. "Embora me tenham aconselhado a fazer yoga ou pilates, apostei no desporto e este ano fiz um triatlo olímpico no evento Challenge Lisboa", conta uma das coordenadoras do projeto EM’Força - Corremos com a EM. 

Carlos Capela, neurologista no Hosp. dos Capuchos 
"Fatores de risco genético" 
CM: De que forma se pode diagnosticar a Esclerose Múltipla (EM)? 
Carlos Capela – Quando o paciente tem os sintomas, recorremos a meios complementares de diagnóstico, como a ressonância magnética, a análise do líquido cefalorraquidiano (punção lombar) e aos testes dos potenciais evocados que medem as vias sensitivas, auditivas e visuais. 

– O que pode originar a doença? - A comunidade médica defende que a causa é multifatorial. Existem fatores de risco genético e ambientais, como por exemplo infeções causadas por vírus na fase adulta, níveis baixos de vitamina D e o tabagismo, que potenciam a probabilidade de desenvolver a doença. 

Os sintomas de uma doença com ‘mil caras’ 
Segundo o médico neurologista Carlos Capela, "a Esclerose Múltipla (EM) tem um largo espetro de sintomas e sinais". "Cada caso é um caso: dependendo do local das lesões inflamatórias no sistema nervoso central, vamos ter uma clínica diferente", explica. Causada por uma resposta incorreta do sistema imunitário, que ataca o sistema nervoso central, a EM pode levar a "alterações da sensibilidade, bem como visuais e motoras, no equilíbrio e coordenação, no controlo dos esfíncteres e na função sexual". Há ainda sintomas ‘não visíveis’ como a fadiga e a perda de memória. 

Alexandre Guedes da Silva, da direção da Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla, diz que é a doença das ‘mil caras’, "que se confunde com muitas outras", afirma. Alexandre teve os primeiros sintomas aos 26 anos: foram confundidos com lesões desportivas. "Só fui diagnosticado à terceira, com 45 anos", recorda. Para Carlos Capela, o cenário é agora mais positivo. "Nos últimos dez anos, assistimos a uma grande evolução no diagnóstico e na terapêutica", diz.

Fonte: CM

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Implante no cérebro permitiu a paralisados usar 'tablets' com o pensamento

Pessoas com paralisia poderão usar 'tablets' e outros aparelhos usando apenas o pensamento, através de um implante do tamanho de um comprimido inserido no cérebro, que passa a interagir diretamente com o computador, segundo um estudo publicado esta quarta-feira. O implante foi experimentado em três voluntários tetraplégicos e regista a atividade cerebral a partir de um pequeno sensor instalado na parte do córtex responsável pelo movimento. 
Com essa tecnologia, os voluntários conseguiram usar programas num 'tablet' para mandar correio eletrónico, trocar mensagens num 'chat', ouvir música e usar aplicações de partilha de vídeos. Navegaram na Internet, fizeram compras 'online', contactaram família, amigos, trocaram mensagens entre si e com a equipa de investigadores de várias instituições norte-americanas, como as universidades de Stanford e Brown. 

A tecnologia Braingate deteta sinais associados com movimento registados no córtex motor, descodifica-os e envia-os para dispositivos externos, o que já tinha sido experimentado para permitir a pessoas paralisadas mover braços robóticos. Dois dos voluntários do teste sofrem de esclerose lateral amiotrófica, que afeta os nervos no cérebro e na espinal medula que controlam o movimento e o outro sofreu uma lesão na coluna que o paralisou. Usando o implante, conseguiram mover o cursor e selecionar um ícone 22 vezes por minuto numa série de aplicações.

Fonte: CM

sábado, 29 de setembro de 2018

Três paraplégicos conseguiram andar depois de estimulação eléctrica e reabilitação

Três paraplégicos conseguiram andar – com ajuda – depois de terem feito um tratamento que combinou estimulação eléctrica na espinal medula com reabilitação. Dois dos casos são relatados na revista científica New England Journal of Medicine e o outro na Nature Medicine. Os trabalhos foram realizados por duas equipas diferentes de cientistas.


O estudo publicado na New England Journal of Medicine envolveu quatro participantes com lesões na medula há, pelo menos, dois anos e meio e que tinham alguma sensibilidade nas pernas. Estes participantes não eram capazes de ficar de pé e de andar.

Antes de fazerem implantes de um estimulador na espinal medula, os participantes realizaram treino diário numa passadeira (cinco dias por semana e duas horas por dia) entre oito e nove semanas. Não havendo quaisquer mudanças nas capacidades locomotoras dos doentes, seguiu-se então o implante.

Este estimulador ficou por baixo da pele e enviou uma leve corrente eléctrica para a espinal medula. O aparelho foi colocado na parte lombar da espinal medula (nomeadamente no espaço epidural), onde estão redes neuronais que controlam o movimento da anca, joelhos, tornozelos e dos dedos dos pés.

Depois, os participantes ainda tiveram treino para que se “relembrassem” como se fica de pé ou como se anda. Nas sessões de treino, o peso dos participantes era apoiado com um arnês enquanto um assistente lhes mexia as pernas para que se simulasse uma caminhada quando andavam na passadeira.

No final, dois dos participantes foram capazes de caminhar com alguma ajuda no chão (e não na passadeira). Um deles – Jeff Maquis de 35 anos – tinha uma lesão na região cervical, fez 278 sessões de estimulação durante 85 semanas e caminhou apoiando-se em barras ou quando segurava a mão de alguém. Ao todo, andou cerca de 90 metros.

“Depois do acidente de bicicleta na montanha, os meus primeiros passos foram surpreendentes, estou muito empolgado para progredir e dar mais passos”, conta o participante que vive em Louisville (Estados Unidos). “A minha resistência também está a melhorar e tenho ganho força para fazer coisas de forma independente como cozinhar e fazer a limpeza.”

Já a outra participante – Kelly Thomas de 23 anos –, que tinha uma lesão na região torácica, realizou 81 sessões em 15 semanas e conseguiu andar com um andarilho. “O primeiro dia em que dei passos por mim mesma foi uma tal conquista emocional que nunca vou esquecer um só minuto [desse momento]”, conta num comunicado sobre o trabalho esta participante que vive na Florida (EUA) e que teve a lesão devido a um acidente de carro. “Estava a andar com o meu assistente de treino e, quando ele parou, continuei a andar por mim mesma. É fantástico o que o corpo humano consegue alcançar com a ajuda da investigação e da tecnologia.

Quanto aos outros dois participantes, quais os resultados? Um deles conseguiu ficar de pé (ou seja, conseguiu suportar o seu peso) e sentar-se sozinho. Já o outro fez alguns movimentos na passadeira quando foi apoiado. Um destes participantes teve uma lesão na anca durante os treinos logo na primeira semana e só pode recomeçar este trabalho um ano depois.

“Esta investigação demonstra que algumas ligações do cérebro para a espinal medula podem ser restauradas anos depois da lesão. Afinal, estes participantes, que viviam com paraplegia total, foram capazes de andar, ficar de pé, ganhar mobilidade no tronco e recuperar um certo número de funções motoras sem ajuda física enquanto usavam o estimulador”, considera Susan Harkema, da Universidade de Louisville e uma das autoras deste artigo.

E Claudia Angeli, da mesma instituição e também autora do trabalho, acrescenta: “Estes resultados confirmam que a espinal medula tem a aptidão para recuperar a capacidade de andar através da combinação da estimulação epidural, treino diário e a vontade de caminhar de forma autónoma com os seus próprios passos.” Além disso, salienta que não há tratamentos viáveis para indivíduos com uma lesão crónica a este nível na espinal medula e que esta pode ser “uma das muitas estratégias de sucesso”.

Claudia Angeli refere-se a uma confirmação porque já em 2011 a revista The Lancet documentava que uma equipa da sua instituição tinha conseguido que Rob Summers – um norte-americano de 25 anos que foi atropelado por um carro e ficou paraplégico – se levantasse e desse os primeiros passos por causa da estimulação de 16 eléctrodos implantados ao fundo das costas.

Também em 2014 a revista Brain referia que quatro homens que estavam paralisados do torso para baixo – incluindo Rob Summers – tinham conseguido recuperar a capacidade de mexer voluntariamente as pernas e os pés (embora não andassem) por causa da estimulação eléctrica. Claudia Angeli também fazia parte desta equipa.

“Esperança” de voltar a andar
Mas voltemos aos recentes estudos, nomeadamente ao trabalho publicado naNature Medicine e realizado por outra equipa. Em 2013, Jered Chinnock (agora com 29 anos) teve um acidente com uma mota de neve. Acabou por ficar com uma lesão na espinal medula, nas vértebras torácicas que ficam no meio das costas. Diagnóstico? Este homem perdeu a função motora da espinal medula para baixo, o que significa que não conseguia mexer-se nem sentir nada do meio do torso para baixo.

Kristin Zhao, da Clínica Mayo (no Minnesota, Estados Unidos) e uma das autoras deste segundo estudo, começa por explicar ao PÚBLICO que o seu trabalho reproduziu o da equipa anterior. Como tal, Jered Chinnock começou por fazer sessões de treino durante 22 semanas. Depois, foi-lhe feito um implante de eléctrodos no espaço epidural (a camada mais exterior do canal espinal) e mesmo por baixo da lesão. Por fim, ligaram-se os eléctrodos a um dispositivo que gera impulsos eléctricos – que estava debaixo da pele do abdómen do homem – e comunicou com um aparelho exterior sem fios.

A espinal medula foi assim estimulada pelos eléctrodos e os neurónios ficaram capacitados para receber sinais e “avisar” o participante que devia ficar de pé ou caminhar. É como se os circuitos nervosos sob o local da lesão estivessem adormecidos e acordassem com a corrente eléctrica.

Depois de recuperar da cirurgia, Jered Chinnock fez 113 sessões de reabilitação, em que teve assistência de um profissional, um arnês para o segurar e realizou exercícios numa passadeira ou no chão. Durante 43 semanas, também foram feitos ajustes na estimulação epidural.

Observou-se então que era capaz de andar com a ajuda de um andarilho e de dar passos na passadeira enquanto se segurava nas barras. Ao todo, durante 16 minutos (com ajuda) deu 331 passos e percorreu 102 metros (que pode equivaler ao comprimento de um campo de futebol) a 0,2 metros por segundo.

“A parte de andar ainda não é algo que me permita simplesmente deixar a cadeira de rodas para trás”, afirmou Jered Chinnock à agência Associated Press. Contudo, referiu que tem “esperança” de que isso venha a acontecer.

Os cientistas salientam ainda que, na primeira semana, este participante tinha de usar um arnês para se equilibrar e os assistentes tinham de posicionar os seus joelhos e ancas e fazer a mudança das suas pernas. Na 25ª semana, já não precisava de arnês e os assistentes só lhe davam ajuda ocasionalmente.

“No final do período de estudo, o homem aprendeu a usar todo o seu corpo para transferir peso, manter o equilíbrio, se impulsionar para a frente, já não precisava de indicações verbais [pois no início necessitava de espelho para ver as suas pernas, porque não tinha sensibilidade], e só olhava esporadicamente para as suas pernas”, lê-se noutro comunicado sobre o trabalho. Contudo, a equipa realça que quando a estimulação estava desligada o homem já não mexia as pernas de forma voluntária. Além disso, por agora, Jered Chinnock só pode realizar estes exercícios se for supervisionado pela equipa.

“Este estudo é o primeiro a demonstrar que um homem com paralisia completa do torso para baixo conseguiu dar passos de forma autónoma na passadeira e no chão com a ajuda de um andarilho através da estimulação na espinal medula”, destaca ao PÚBLICO Kristin Zhao. E explica que isto confirma que o sistema central nervoso se consegue adaptar depois de uma lesão grave e que, através de estimulação eléctrica, o circuito da espinal medula – que está disfuncional – pode ser modulado para recuperar algum controlo das suas funções.

“O que isto nos ensina é que estas redes de neurónios sob a espinal medula continuam a poder funcionar depois da paralisia”, salienta por sua vez Kendall Lee, também da Clínica Mayo e um dos autores deste trabalho.

Quais são os próximos desafios?
“Agora, penso que o verdadeiro desafio começa por percebemos como isto acontece, porque é que acontece e que tipos de doentes respondem [a esta estimulação]”, considera Kristin Zhao. Afinal, como frisou Kendall Lee ao jornal espanhol La Vanguardia, não se sabe exactamente qual o efeito deste tratamento na espinal medula. “Esta tecnologia não consegue regenerar os nervos”, adiantou.

Já Susan Harkema (autora do outro estudo na New England Journal of Medicine) refere: “Queremos fazer crescer esta investigação – e, com sorte, melhorar esta tecnologia – para que mais participantes atinjam todo o potencial do progresso que vimos em laboratório.” E acrescenta que este progresso pode ter potencial para tratar 1,2 milhões de pessoas que vivem paraplégicas devido a lesões na espinal medula.

Claudia Angeli refere ao PÚBLICO que agora a sua equipa precisa de ter resultados com um número maior de indivíduos. “Precisamos de trabalhar com parceiros tecnológicos para melhorar o estimulador”, informa também, acrescentando que quer explorar outras utilizações da estimulação na espinal medula. A cientista aponta ainda que é importante criar um parâmetro de estimulação apropriado para que a espinal medula seja capaz de integrar todos os sinais e gerar movimento

E o que pensam outros cientistas que não fizeram parte do estudo? Grégoire Courtine – neurocientista do Instituto Federal Suíço de Tecnologia e um dos autores de um trabalho que conseguiu meter ratos paraplégicos a andar por vontade própria e ainda de um estudo que pôs dois macacos rhesus a andardepois de lhes colocar um interface neurológico – felicitou as equipas, mas disse que a corrente eléctrica aplicada nos eléctrodos é contínua e que só atinge baixas intensidades.

Desta forma, essa intensidade pode não ser suficientemente alta para o cérebro “comunicar” com as pernas. Por isso, segundo Grégoire Courtine ao jornal britânico The Guardian, o desafio será sincronizar a estimulação eléctrica com os movimentos intencionais.

Já para Joan Vidal, cientista no Instituto Guttmann (Espanha) e que embora não seja autor de nenhum trabalho colabora com investigadores da Clínica Mayo, os resultados são “espectaculares”. E adianta: “Os resultados confirmam que a neuromodulação por estimulação eléctrica é uma das linhas mais interessantes para tratar doentes com lesões tão abrangentes [e mesmo que os doentes não tenham recuperado toda a capacidade de andar, já alcançaram muito para lesões deste nível].” Por isso, para si, o próximo passo será perceber quais os doentes que podem fazer este tratamento, em que altura se deve colocar os implantes ou como se deve estimular as sessões de treino.

Afinal, como Kendall Lee nos indica: “Provavelmente, todos os investigadores [envolvidos nos estudos sobre estimulação eléctrica] concordam que é preciso mais trabalho para completar e melhorar a nossa compreensão da fisiologia da espinal medula e de como podemos fazê-la funcionar outra vez através das novas tecnologias depois de uma lesão.”

Fonte: Público



sábado, 1 de setembro de 2018

Estão aí os exoesqueletos. Será o adeus às cadeiras de rodas?

Para um paraplégico, voltar a ficar de pé representa autonomia, mas também previne uma série de complicações de saúde. Os exoesqueletos fazem isso. Mas ainda a preços proibitivos.


Nicole Engelen entra no centro de congressos, em Darmstadt, Alemanha, e todos os olhares se viram na sua direção. Podia ser pelo ar doce, iluminado pelos olhos de um azul profundo. Mas não será por isso. Ou, pelo menos, só por isso. A jovem de 23 anos carrega um equipamento que lhe dá um ar de ser biónico, vindo diretamente do futuro para a conferência Curious 2018, promovida pela farmacêutica Merck.

O aparelho que Nicole tem agarrado às pernas, alimentado por uma bateria que transporta às costas, é um exoesqueleto robótico que possibilita que pessoas com lesões na medula consigam voltar a pôr-se em pé e andar. De nome ReWalk, é apenas um dos vários existentes no mercado, sendo o primeiro a receber aprovação pela agência norte-americana do medicamento, FDA, já em 2011. No país, as seguradoras comparticipam, mediante avaliação do caso. Na Alemanha também. “Basta um médico atestar que o utilizador vai beneficiar com ele”, explica à VISÃO Andy Dolan, vice-presidente da empresa norte-americana. Nicole, nisso, teve sorte. 

Por ser alemã, a expectativa é de que, daqui a pouco tempo, possa levar para casa, sem qualquer custo, o aparelho que tem um preço a rondar os 70 mil euros. Depois de ter passado três anos sentada numa cadeira de rodas, está finalmente na vertical e move-se, quase com graça, pelo espaço amplo. Ainda está na fase de treinos, mas a sua evolução tem sido espantosa. 
“Não sou uma pessoa normal”, admite. Isto porque se tem adaptado de uma forma extraordinariamente rápida. Apertando um botão, numa espécie de relógio de pulso, Nicole dá instruções ao aparelho para andar, sentar, subir e descer. O que já lhe permitiu passear o cão ou ir ao supermercado. “Apeteceu-me comprar tudo, só porque conseguia chegar às prateleiras mais altas”, ri-se.

O exoesqueleto ainda não é o milagre que as vítimas de lesões medulares esperam. Nem o é, por enquanto, o tratamento com células estaminais ou a estimulação elétrica, que se têm mantido há mais de 20 anos como uma promessa adiada no restabelecimento da ligação nervosa entre o cérebro e os músculos. Porém, devolve autonomia e evita muitas das complicações de saúde a que estão sujeitas as pessoas com lesão na medula, obrigadas a deslocarem-se em cadeira de rodas. Além da óbvia limitação à liberdade de movimentos, sobretudo nas mal preparadas cidades portuguesas, estar sempre sentado traz dores de costas, infeções urinárias, problemas de circulação, perda de massa muscular e excesso de peso.

“Está consagrado que cada pessoa tem direito à locomoção, mas não está nada escrito sobre o direito a ficar de pé”, nota Andy Dolan. “É por isso que os sistemas de saúde pagam uma cadeira de rodas e não um equipamento deste tipo.” Por isso e, obviamente, por causa do preço. No entanto, compensa, mesmo que o parâmetro a avaliar seja apenas o económico. “Queremos demonstrar que há uma relação vantajosa em termos de custo/benefício.” Porque se evitam todas aquelas complicações de saúde, e respetivos tratamentos e internamentos hospitalares.
À ESPERA DA APROVAÇÃO

Num texto emotivo, mas sem qualquer tipo de pieguice, Andrei Khalip, 47 anos, jornalista da agência Reuters a viver em Portugal, relatou a sua experiência de utilização de um exoesqueleto. Ao fim de duas semanas de treino intenso, Andrei, que sofreu uma lesão na medula na sequência de um acidente numa ilha grega, aos 25 anos, conseguiu reaprender a andar, com o Phoenix. Ainda em fase de aprovação pela FDA, o exoesqueleto desenvolvido pela empresa SuitX, a partir de uma investigação feita na Universidade da Califórnia, apresenta-se como um equipamento com metade do peso e também metade do preço – €30 mil é quanto deverá custar o Phoenix, que será vendido em módulos, para facilitar a utilização e permitir saltar diretamente da cadeira para a posição em pé, sem ajuda. “Só experimentei aquele exoesqueleto e vou continuar à espera que seja aprovado, para comprar. Trinta mil euros ainda se consegue poupar. Os outros aparelhos no mercado têm preços incomportáveis”, diz Andrei Khalip à VISÃO. Ao fim de duas (duras) semanas, Andrei sentiu melhorias a vários níveis, em especial da dor ciática que o acompanhava há tempos.

Em Portugal, no Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão, da responsabilidade da Santa Casa da Misericórdia, recorre-se a um equipamento do género, como complemento 
à terapia convencional. No caso, trata-se do EKSO GT Bionics que “permite aos utentes com alterações neuromusculares realizar treino de marcha, conferindo-lhes maior mobilidade, autoconfiança, força muscular, flexibilidade e resistência. A sua utilização, como meio de intervenção terapêutica, proporciona um aumento da independência e da funcionalidade”, responde-nos o departamento de comunicação da instituição. Doentes com alterações do foro neurológico, com lesões da medula ou acidentes vasculares são os principais utilizadores do equipamento, concebido para ser usado em contexto terapêutico e não para levar para casa. Outros equipamentos, como o desenvolvido pela empresa japonesa Cyberdyne, apresentam uma tecnologia ainda mais sofisticada, com sensores que detetam sinais bioelétricos, libertados pela pele quando o cérebro dá uma instrução. O sensor interpreta a intenção e o HAL (assim se chama este ciborgue) faz as pernas mexer.

Na sua readquirida posição vertical, Nicole (que deu a volta à Europa, sozinha, num carro adaptado) já começou a fazer planos a longo prazo. Quer estudar arquitetura para desenhar casas. Para Andrei Khalip, voltar a andar deixou de ser um sonho. É uma realidade 
a €30 mil de distância.
O QUE HÁ NO MERCADO
Diferentes opções, baseadas no mesmo princípio: dar a possibilidade de voltar à posição vertical

HAL - O sistema desenvolvido pela empresa japonesa Cyberdyne assenta em sensores que detetam na pele a intenção de movimento expressa pelo cérebro

Ekso GT Bionics - Utilizado no hospital de Alcoitão, tem uma função essencialmente terapêutica. Foi o primeiro a ser aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) para utilização em vítimas de AVC (além das pessoas com lesão na medula)

ReWalk - Aprovado em 2011 pela FDA, está desenhado para ser usado no dia a dia, permitindo subir e descer escadas.

Fonte: Visão

domingo, 22 de julho de 2018

Cirurgião reconstrói separação entre coluna vertebral e pélvis a um tetraplégico

Pedro Cavadas, cirurgião plástico espanhol, reconstruiu uma separação entre a coluna vertebral e a pélvis a um paciente de 28 anos, que ficou tetraplégico aos nove.


Wilmer Arias, que foi operado pela equipa de Pedro Cavadas no Hospital de Manises, em Valência, ficou tetraplégico devido a uma "lesão grave produzida por uma arma de fogo", que terá obrigado o paciente a ficar acamado durante os últimos anos, em consequência de complicações na zona lombar.

De acordo com o jornal espanhol "20 minutos", o jovem de 28 anos foi atingido por uma "bala perdida", quando estava em casa dos avós, com quem vivia. Ficou dois meses e meio em coma, período no qual desenvolveu várias úlceras. Todas fecharam, exceto a do sacro, um osso localizado na base da coluna vertebral, que se "complicou".

Em 2015, teve de deixar o trabalho e estudos e passou quase dois anos deitado e com dores. Quando lhe disseram que não havia possibilidade de ser feita uma cirurgia, o jovem perdeu a esperança.

Até que apareceu Pedro Cavadas. A equipa procedeu a uma cirurgia na qual conseguiu reconstruir a coluna vertebral do paciente e voltar a uni-la à pélvis através do uso do perónio, um osso localizado na parte inferior da perna.

Wilmer continua tetraplégico, mas agora "pode sentar-se e retomar a sua vida". "Graças ao acordo da Fundação Cavadas e do centro hospitalar, este jovem guatemalteco pode continuar a sua vida numa cadeira de rodas com ligeira mobilidade dos braços e mãos", disse um porta-voz do hospital.

O jovem vai usar um espartilho durante seis meses para que a coluna fique direita e se adapte à nova posição. Nos próximos dias, Wilmer vai voltar para a Guatemala, onde planeia concluir os estudos em Administração e Direção de Empresas e fazer um mestrado em Marketing Digital.

O cirurgião junta esta cirurgia bem-sucedida a uma série de outras intervenções pelas quais já é conhecido. Em março, Pedro Cavadas reimplantou a mão direita de um fuzileiro naval do Exército dos EUA, que sofreu um acidente em Cartagena quando estava a bordo de um submarino.

Fonte: DN Sugerido por Tó Silva

sábado, 23 de junho de 2018

“VR4Neuropain”: uma luva inteligente que alivia a dor neuropática

Realidade virtual para ajudar à reabilitação de pacientes com dor neuropática. Esta é a proposta do VR4NeuroPain. Nuno Ferreira explica que esta "solução tecnológica interativa tem como objetivo a reabilitação de doentes com dor neuropática em diferentes contextos, que vão desde o ambiente clínico até ao domicílio". A solução combina "óculos de realidade virtual, luvas de feedback háptico com biosensores, que permitem a recolha e análise em tempo real de parâmetros fisiológicos dos pacientes". Mas a inovação não fica por aqui. Também se "recorre à gamificação para ir ao encontro aos interesses ocupacionais de cada um dos pacientes".

Se a ideia surgiu "da necessidade do mercado para este tipo de produtos, além da experiência clínica da equipa e forte espírito empreendedor dos seus membros para o desenvolvimento de produtos com recurso a novas tecnologias", a chegada ao Acredita Portugal também é fruto de muita persistência. "Após termos ficado em primeiro lugar no concurso Santa Casa Challenge no final de 2016 e termos apresentado com sucesso o nosso protótipo no Web Summit em novembro de 2017, decidimos inscrever-nos no Acredita Portugal no início de 2018. Queríamos ter a oportunidade de divulgar o nosso projeto, promovendo também networking com outros empreendedores e investidores, e melhorar o plano de negócios do projeto", conta Nuno.

O orgulho no projeto e a confiança no produto não ficam de lado. "Sabíamos que tínhamos um bom projeto e que se passássemos bem a nossa ideia ao júri do concurso Acredita Portugal 2018 poderíamos ter boas hipóteses de vencer". Por isso, a vitória foi recebida com entusiasmo e o futuro apresenta-se risonho. "O primeiro lugar permite-nos assegurar uma marca de qualidade do nosso projeto perante os parceiros, investidores, instituições e o mercado em geral", refere. Fonte: SAPO



Mais informação: VR4Neuropain

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Investigadores criam medula óssea artificial que células reconhecem

Investigadores da Universidade de Basileia, na Suíça, criaram uma medula óssea artificial na qual as células estaminais permanecem ativas por bastante tempo, o que pode por exemplo ajudar na pesquisa de doenças do sangue.


A investigação, hoje publicada na revista científica PNAS, lembra que há anos que se tenta reproduzir em laboratório a medula óssea, para melhor compreender os mecanismos de formação do sangue e desenvolver novas terapias, por exemplo para o tratamento da leucemia.

A medula óssea é um tecido gelatinoso dentro de vários ossos onde estão as chamadas células estaminais, as células que se autorrenovam, se dividem e se transformam em outros tipos de células.

Todos os dias são formados na medula óssea muitos milhões de células sanguíneas, com as células estaminais a multiplicar-se e a amadurecer em glóbulos vermelhos e brancos que passam então para a corrente sanguínea.

Se até agora, diz-se no estudo, tem sido difícil criar modelos "in vitro" (em laboratório) porque as células estaminais perdem a capacidade de se multiplicarem, os investigadores projetaram nesta investigação um tipo de medula óssea na qual as células estaminais se multiplicam durante alguns dias.

Os investigadores, entre eles Ivan Martin, do Departamento de Biomedicina da Universidade de Basileia e do Hospital Universitário, e Timm Schroeder, do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, desenvolveram um tecido artificial que imita algumas das complexas propriedades biológicas dos nichos naturais da medula óssea.

Para tal combinaram células estromais mesenquimais (consideradas células fonte das células estaminais) com um recipiente em 3D, poroso, semelhante a um osso, num processo conhecido como biorreator de perfusão, que combina materiais biológicos e sintéticos para imitar as condições propícias às células estaminais no corpo humano.

Fonte: SIC Noticias

domingo, 3 de junho de 2018

Há uma nova esperança para doentes com lesão na medula

António Salgado gosta de pensar na medula espinal como uma autoestrada, que liga o cérebro ao resto do corpo e por onde toda a informação processada no cérebro circula. "Quando essa autoestrada tem uma lesão, essa comunicação entre o cérebro e o resto do corpo é interrompida e isso leva às consequências que nós conhecemos. As mais visíveis são as consequências motoras", resume o investigador do Instituto para as Ciências da Vida e da Saúde da Escola Medicina da Universidade do Minho.


O investigador lidera uma equipa que estuda o desenvolvimento de novas estratégias para a regeneração de lesões medulares há dez anos. "Nós trabalhamos essencialmente na combinação de três áreas: fármacos, farmacoterapias, biomateriais e células estaminais. Começámos por desenvolver novos biomateriais e, aos poucos, fomos adicionando as outras peças do puzzle".

Este puzzle vai-se montando devagar, mas tem dado frutos e alegrias à equipa de António Salgado. "Conseguimos reverter os problemas motores nos animais com as estratégias que fomos desenvolvendo ao longo destes últimos dez anos", garantiu.

António Salgado explica que as alterações verificam-se, sobretudo, na forma como os ratos se movem. "Quando administramos as terapias que estamos a desenvolver no laboratório, eles conseguem recuperar parte da sua atividade motora, conseguem andar - não normalmente, mas com um grau de independência relativamente elevado", revelou.

Mas não só. Os roedores conseguem também apoiar-se nas patas traseiras para se alimentarem. "Isso demonstra que a terapia induziu um grau de recuperação na espinal medula que lhe permite fazer isso, ou seja, permitiu regenerar o tecido a um ponto que eles conseguem suportar o peso nas patas traseiras e isso é muito importante", garantiu. Além disso, os investigadores conseguiram observar o ganho de algumas funções básicas fisiológicas.

Os avanços da equipa da Universidade do Minho chamaram a atenção da revista científica Stem Cells, que destacou os resultados dos investigadores na capa da edição de maio. "É quase como um selo de qualidade no trabalho que estamos a desenvolver".

O próximo passo inclui o uso das mesmas estratégias em animais de maior porte, num contexto clínico veterinário, para mais tarde poder avançar para a parte humana. "Obviamente isso ainda está a muitos anos de distância. Nós estimamos que esta parte em que estamos agora vai demorar cerca de 5 a 6 anos e só depois é que podemos pensar na fase seguinte, se tudo correr bem", explicou o investigador.

O processo é lento mas António Salgado garante que é para benefício da qualidade dos tratamentos. "Temos de ter muito cuidado, temos de fazer todos os passos para termos a certeza que as estratégias e as terapias que estamos a resolver são seguras", explicou.

A equipa de António Salgado tem conseguido financiamento ao longo dos dez anos de investigação, mas o cientista explica que este é um desafio para quem trabalha em ciência, apesar de já terem conseguido investimento na ordem dos 2 milhões de euros.

Além do financiamento público, a investigação foi suportada pelo Prémio Santa Casa Neurociências - Melo e Castro, atribuído pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa em 2013, e voltou a ser distinguida pela instituição em 2017, num total de 400 mil euros.

"Quando [os prémios Santa Casa Neurociências] apareceram foram quase como um oásis. Foi em 2013, no pico da crise, com cortes de financiamento para a ciência enormes e é um prémio que é regular, que abre todos os anos, nós sabemos qual é o financiamento, sabemos quais são as áreas. Dá alguma estabilidade", contou.

Reportagem em áudio TSF

terça-feira, 3 de abril de 2018

Smile-Access: Software português ajuda pessoas com deficiência a usar computador

O Smile-Access é uma solução tecnológica que consiste num sistema automático de reconhecimento de expressões faciais que possibilita a interação com o computador a pessoas sem qualquer tipo de mobilidade ou com pouca mobilidade. Durante a dissertação de mestrado de Andreia Matos, foi construído um protótipo capaz de reconhecer as expressões faciais de uma pessoa. Para cada expressão existe uma função no computador a desempenhar. Pode ser uma tecla ou um clique do rato. Além de necessitar de poucos movimentos, este modo de interação é um modo natural de comunicação, o que permite facilitar o seu uso e a sua compreensão.


A Andreia Matos é natural de Vila Real e tem 25 anos. É licenciada e mestre em Engenharia de Reabilitação e durante o seu mestrado tentou especializar-se ao máximo em programação e na área da interação homem-computador, desenvolvendo diversas ferramentas que auxiliam o acesso ao computador. A maior motivação para o desenvolvimento deste software foi a necessidade de aumentar a qualidade de vida da sua prima que tem uma doença neuromuscular degenerativa.

Ela tem 16 anos e não tem qualquer solução para interagir com o computador. Depois de uma breve análise concluiu-se que usar expressões faciais como modo de interação poderia ser a solução para ela. Após falar com a professora de ensino especial e as terapeutas, todos concordaram que seria uma solução bastante útil e que poderia funcionar. Com o surgir desta ideia e com uma breve pesquisa sobre o público que esta solução pode ajudar, conclui-se que pode ser uma mais-valia no dia-a-dia de pessoas com deficiência física.

Após o término do seu mestrado, a Andreia continuou a desenvolver o software, otimizando-o e fazendo testes com a sua prima. Este software já deixou de ser um protótipo e passou a ser uma ferramenta que pode ser usada em tempo real. A Bárbara já usou algumas vezes a aplicação e a sua utilização foi um sucesso. Também já houve contacto com outras crianças que são potenciais utilizadores desta ferramenta e que também já a testaram.

No entanto para que as pessoas tenham o Smile-Access é preciso que este seja um produto e para que se torne num produto ainda é necessário algum financiamento. Por isso surge a ideia de fazer uma campanha de crowdfunding. É necessário financiamento para a aquisição da licença de um dos ambientes de programação (Matlab) e para o design e multimédia usados no software.

Como será um produto inovador no mercado, é necessário garantir a sua proteção e por isso é necessário financiamento para o registo de modelo de utilidade e para registo de marca. Por fim, para que o Smile-Access se torne num produto o mais universal possível é necessário testes em diferentes utilizadores e também algumas demonstrações para que as pessoas possam entender o funcionamento e a utilidade desta ferramenta.

A Andreia acredita que esta solução irá ajudar as pessoas com deficiência e por isso esta deve tornar-se num produto para que fique acessível a todas as pessoas que o queiram adquirir. Esta ferramenta pode ajudar a aumentar a qualidade de vida das pessoas com deficiência em momentos de lazer ou na sua vida profissional.

Link da campanha de crowdfunding https://ppl.com.pt/prj/smile-access

Fonte: i9 magazine

sábado, 24 de março de 2018

Lewis Hamilton vai competir em carro de Fórmula 1 controlado pela mente

O desafio veio de Rodrigo Hübner Mendes, um tetraplégico que se tornou a primeira pessoa da história a conduzir um F1 através de ondas cerebrais, em 2017.



Sem volante, sem mudanças e sem pedais. Assim vão ser os carros usados na corrida entre o quatro vezes campeão mundial de Fórmula 1 (F1), Lewis Hamilton e o brasileiro Rodrigo Hübner Mendes.

O CEO do Instituto Rodrigo Mendes foi a primeira pessoa a controlar um carro de F1 com o cérebro e, depois de Hamilton discursar no Dubai, no Global Education and Skills Forum, desafiou-o para uma disputa.

Usando a tecnologia Emotiv Epoc +, uma espécie de headset que usa eletroencefalografia para detetar padrões de atividade cerebral que correspondem a determinadas ações, é possível aos utilizadores controlar vários dispositivos, nomeadamente, um carro de F1.

No ano passado, o tetraplégico Rodrigo Mendes pilotou um carro de corrida usando um capacete no qual foram instalados sensores ligados ao motor do veículo e que, através de um software, enviavam para o computador de bordo o mapa dos impulsos elétricos produzidos pelas ondas cerebrais do piloto.

Para além dos sensores cerebrais, o carro foi equipado com um sistema de controlo totalmente computadorizado, a partir do qual se dominava a direção, a aceleração, a travagem e a embraiagem do veículo, ao mesmo tempo que uma câmara frontal ia mostrando a pista.

A tecnologia garantiu que a aceleração do carro e os movimentos das curvas para a direita e para a esquerda fossem definidos pelo pensamento de Rodrigo. Mendes terá proposto que Lewis Hamilton conduzisse um carro de corrida normal, mas o campeão de F1 disse querer usar o headset Emotiv Epoc +. Ainda não há uma data definida para o duelo, uma vez que terá que ser criado outro carro com a tecnologia. Até lá, pode ver o vídeo de Rodrigo Mendes a conduzir o carro adaptado.

Fonte: SAPO Tek

sábado, 1 de abril de 2017

Tecnologia inovadora permitiu que homem paralisado há oito anos voltasse a ter mobilidade

Um homem que ficou tetraplégico num acidente voltou a mover-se com a ajuda da tecnologia e apenas usando o pensamento, num projeto de investigadores dos Estados Unidos divulgado esta terça-feira na revista especializada em medicina The Lancet. Bill Kochevar conseguiu, depois de oito anos paralisado, mover uma mão e um braço e beber água, sendo o primeiro recetor de sistemas de gravação e estimulação de músculos implantados no cérebro.


De acordo com o trabalho desenvolvido na universidade Case Western Reserve, em Cleveland, Estados Unidos, o paciente deverá ser o primeiro tetraplégico do mundo a mexer um braço e uma mão com a ajuda de duas tecnologias que lhe foram temporariamente implantadas. Segundo o artigo publicado na revista científica britânica, Bill Kochevar conseguiu pegar numa caneca de água, puxa-la para os lábios e beber por uma palhinha, embora com movimentos lentos e tendo sido necessário algum treino.

Um interface cérebro-computador com eletrodos de gravação debaixo do crânio, e um sistema de estimulação elétrica funcional ativaram o braço e a mão, ligando o cérebro de novo aos músculos paralisados. Com este método, Kochevar conseguiu também segurar um cabo e coçar com ele o nariz, ou pegar num garfo e comer uma batata. "Para alguém que foi ferido e durante oito anos não se podia mexer, ser capaz de se mover ainda que só um pouco foi incrível para mim", disse Kochevar, 56 anos, acrescentando: "é melhor do que eu pensava que seria". Segundo Bob Kirsch, presidente do departamento de Engenharia Biomédica da universidade, o paciente é um precursor da comunidade de pessoas com lesões na espinal medula e a experiência é um "passo importante para restaurar alguma independência".

As pessoas tetraplégicas estabelecem como prioridades, quando questionadas, para a recuperação dos movimentos o poderem coçar-se, alimentar-se e executar outras funções simples sem dependerem de terceiros. "Tomando os sinais cerebrais gerados quando Bill se tenta mover, e usando-os para controlar os estímulos do seu braço e mão, foi possível que ele realizasse funções pessoais que eram importantes para ele", disse Bolu Ajiboye, professor assistente de engenharia biomédica.

Veja em vídeo:



Fonte: CM

domingo, 5 de fevereiro de 2017

UMinho desenvolve estratégia para regenerar lesões vertebro-medulares

Estudo saiu na “Biomaterials” e teve parceria das universidades de Toronto (Canadá) e Tulane (EUA)

Uma equipa da Universidade do Minho conseguiu reverter parcialmente as limitações motoras de ratinhos com lesões na espinal medula. Aqueles animais obtiveram ainda melhorias significativas na cicatrização, no tratamento da inflamação e no crescimento de novos axónios (condutores dos impulsos nervosos). Espera-se que estes avanços venham no futuro a ser aplicados em pacientes com lesões vertebro-medulares. O trabalho, publicado na reputada revista “Biomaterials”, teve a colaboração das universidades de Toronto (Canadá) e Tulane (EUA) e foi financiado pelo Prémio Santa Casa Neurociências - Melo e Castro, atribuído pela Misericórdia de Lisboa.

A espinal medula é uma espécie de autoestrada para o cérebro e o resto do corpo comunicarem entre si. Por aí passam impulsos nervosos que controlam todas as nossas tarefas. Quando por acidente há uma lesão vertebro-medular, a estrutura é afetada, destruindo as ligações nervosas e com consequências severas, como as motoras (locomoção). A maioria destas lesões tem um grau de recuperação muito reduzido, pois o tecido nervoso possui baixa capacidade de regeneração.

António Salgado, Nuno Silva, Eduardo Gomes, Rita Silva e Rui Lima, ligados ao Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde (laboratório associado ICVS/3B’s) e à Escola de Medicina da UMinho, em Braga, conseguiram contornar a situação, desenvolvendo uma nova estratégia multidisciplinar para regenerar as lesões vertebro-medulares. Esta estratégia consiste na transplantação de dois tipos de células (células estaminais do tecido adiposo e células gliais do bolbo olfativo), que são encapsuladas num hidrogel biodegradável. Este último protege as células no processo de transplantação, permitindo em simultâneo estabelecer novas estruturas nervosas, cujo crescimento é induzido pelas duas populações celulares utilizadas

“Demonstrámos que é possível recuperar de forma parcial a funcionalidade do tecido nervoso presente na espinal medula e, com isso, induzir a recuperação motora do animal”, explica António Salgado. A pesquisa envolveu ratinhos com a espinal medula parcialmente lesionada (hemi-secção). Os cientistas do ICVS estão agora a estudar modelos animais com a lesão total e por compressão/contusão. A equipa trabalha ainda em estratégias combinatórias, administrando conjuntamente terapias neuro-protetoras (fármacos) de forma a potenciar os resultados obtidos. Esta metodologia será depois avaliada em modelos animais de maior porte, para elevar esta possível terapia ao patamar mais próximo da aplicação clínica.

“Se no futuro esta estratégia inovadora for aplicada com sucesso em pessoas com lesões vertebro-musculares, isto poderá implicar melhorias do ponto de vista funcional (motor, sistemas gastrointestinal e urinário, entre outros) e também de qualidade de vida. No entanto, é de frisar que há ainda um vasto trabalho a realizar antes da possível aplicação clínica”, acrescenta António Salgado.

Fonte: Correio do Minho

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Hyundai vai revolucionar a mobilidade individual com exoesqueletos

A Hyundai tem ambiciosos planos para revolucionar a mobilidade individual. O fabrico de exoesqueletos, que permitirão alterar a vida a milhões de pessoas com mobilidade condicionada está na lista dos próximos desenvolvimentos daquele que é um dos maiores grupos industriais do mundo.


Os dois protótipos de exoesqueletos: H-Wex e H-Mex pretendem, respetivamente, melhorias ao nível da redução das lesões da coluna e ajudar paraplégicos e idosos a recuperar a sua qualidade de vida. Ambos os equipamentos de mobilidade individual da Hyundai derivam do estudo anteriormente revelado H-LEX, todavia agora mais leves.

Anteriormente a Hyundai havia já revelado desenvolvimentos no campo da medicina, como por exemplo com robôs controlados por computador para servirem como ajudantes em intervenções cirúrgicas.

Ao todo são mais de 80 as patentes do fabricante Hyundai, que tem ligações ao campo da indústria naval, do automóvel e da tecnologia, no campo da robótica.

Os ensaios clínicos para estes exoesqueletos prosseguem e as primeiras unidades de demonstração devem chegar ao mercado já em 2020.

Fonte: Mais Tecnologia - Sugestão Tó Silva

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Cientistas desenvolvem mão robótica que facilita a vida de tetraplégico

Cientistas da Alemanha conseguiram desenvolver um sistema que permite que algumas pessoas com lesões na medula espinhal realizem atividades cotidianas como segurar um garfo ou um copo, através de uma luva robótica controlada pelo cérebro.

A ferramenta foi testada na Espanha em seis tetraplégicos. Através de um capacete que mede a atividade elétrica cerebral e o movimento dos olhos, os usuários conseguiram enviar sinais para um computador que controla a espécie de luva em suas mãos.

Participantes deste estudo em pequena escala conseguiram realizar atividades com mais facilidade através das luvas do que sem elas, segundo os resultados do experimento publicados nesta terça-feira no periódico científico “Science Robotics”.


O princípio de usar a robótica associada à atividade do cérebro para ajudar pessoas com tetraplegia não é nova. Mais muitos dos sistemas hoje existentes exigem implantes, que podem causar problemas de saúde, ou o uso de um gel que possibilita a transmissão de sinais — que precisa ser lavado posteriormente, tornando-o pouco prático na vida cotidiana.

“Os participantes, que antes haviam expressado dificuldade em fazer tarefas cotidianas sem assistência, classificaram o sistema como confiável e prático, e não indicaram desconforto algum durante e depois do uso”, afirmaram os pesquisadores.

Foram precisos apenas dez minutos para que os participantes aprendessem a usar o sistema.

Segundo Surjo R. Soekadar, neurocientista do Hospital Universitário Tuebingen que liderou o estudo, as pessoas envolvidas no experimento apresentavam lesões clássicas na medula espinhal, conseguindo mover os ombros, mas não os dedos.

No entanto, o sistema apresentou algumas limitações: os usuários precisavam ter a habilidade suficiente para mover os ombros e os braços para usar a luva; além disso, a montagem do sistema exigia a ajuda de uma segunda pessoa.

Soekadar acrescentou que o sistema poderá chegar ao mercado dentro de dois anos, com o custo entre R$ 18 mil e R$ 40 mil, e poderá ser útil também para pacientes em reabilitação.

Fonte: O Globo

sábado, 15 de outubro de 2016

Obama aperta mão mecânica de tetraplégico que colocou chip no cérebro para sentir toque

Em um novo avanço na saga científico-tecnológica para criar próteses que devolvam a pessoas amputadas ou paralisadas os movimentos e sensações dos membros de forma mais precisa e natural possível, cientistas da Universidade de Pittsburgh, EUA, conseguiram fazer pela primeira vez que um homem tetraplégico sentisse quando partes da mão de um braço robótico controlado por ele por meio de uma interface cérebro-máquina eram tocadas. O cobaia do experimento, Nathan Copeland, de 28 anos, pode sentir o toque do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

Copeland, que perdeu a capacidade de mexer o corpo, e o tato, do peito para baixo após um grave acidente de trânsito há mais de uma década, se surpreendeu com os resultados.


— Posso sentir quase todos os dedos, o que é uma sensação realmente muito estranha — comentou Copeland, que usou o braço-robô para apertar a mão do presidente Obama, durante visita à universidade. — Às vezes é como um choque e outras como uma pressão, mas na maior parte das vezes posso sentir os dedos com precisão. É como se meus dedos estivessem sendo tocados ou empurrados.

Copeland é mais um da série de voluntários das pesquisas feitas na instituição americana, similares às realizadas pelo brasileiro Miguel Nicolelis na Universidade Duke, também nos EUA, e outros grupos ao redor do mundo. Na abertura da Copa do Mundo de 2014, Nicolelis demonstrou um exoesqueleto controlado pelo cérebro de um paraplégico que permitiu que ele desse o pontapé simbólico oficial de início da competição à beira do gramado do estádio do Itaquerão.

Mas à diferença do exoesqueleto de Nicolelis, que usou uma espécie de touca para “ler” os pensamentos do paraplégico através de seu crânio, numa interface conhecida como “não invasiva”, Copeland teve quatro redes de eletrodos implantadas diretamente na superfície do cérebro numa cirurgia, num tipo de interface “invasiva”. Duas destas redes, colocadas na região associada ao controle motor no órgão, permitem que ele movimente o braço robótico “lendo” seus pensamentos, enquanto as outras duas foram instaladas sobre área do cérebro ligada ao sistema somato-sensório, fornecendo o retorno (feedback) do toque ao estimular eletricamente grupos de neurônios que foram relacionados ao tato de partes de uma de suas mãos por exames de ressonância magnética e magnetoencefalografia.

— O resultado mais importante deste estudo é que a microestimulação do córtex sensorial pode suscitar uma sensação natural no lugar de um formigamento — resume Andrew B. Schwartz, professor de neurobiologia da Escola de Medicina da Universidade de Pittsburgh e um dos coautores de artigo sobre o experimento, publicado ontem na revista científica “Science Translational Medicine”. — Esta estimulação é segura, e as sensações evocadas permaneceram estáveis ao longo de meses. Mas ainda precisamos fazer muitas pesquisas para entender melhor os padrões de estimulação necessários para ajudar os pacientes a realizarem movimentos melhores.


Anteriormente, os cientistas da Universidade de Pittsburgh já tinham demonstrado outros importantes avanços na construção e operação de interfaces cérebro-máquina. Há cerca de quatro anos, Jennifer Collinger, também pesquisadora da instituição e coautora do experimento com Copeland, liderou grupo que permitiu à americana Jan Scheuermann, tetraplégica desde 2003 devido a uma rara doença neurodegenerativa, encantar o mundo com um vídeo no qual controlava um braço robótico, agarrando e movendo objetos em várias direções, usando apenas a força do pensamento. Dois anos depois, Jennifer e seu grupo apresentaram melhorias no desenho do equipamento, assim como nos programas de computador envolvidos na interpretação dos sinais cerebrais recebidos e na sua calibragem, que ampliaram ainda mais o repertório de movimentos que Jan é capaz de fazer com o braço-robô.

Mais que só pensar em ativar músculos

Mas a maneira natural como movimentamos nossos braços e interagimos com nosso ambiente vai além de só pensar em ativar os músculos certos. Para identificar a textura e rigidez de um objeto, e assim saber se podemos pegá-lo com mais força ou delicadeza, por exemplo, dependemos também do tato e suas informações constantemente repassadas para o cérebro. E é por isso que os cientistas estão se esforçando para incluir a sensação nas próteses do futuro. No momento, Copeland pode sentir se os dedos do braço robótico estão sendo pressionados e distinguir a intensidade desta pressão de certa forma, mas não consegue sentir, por exemplo, se algo está frio ou quente.

— Nosso objetivo último é criar um sistema que se mova e sinta como um braço natural — conclui Robert Gaunt, outro pesquisador da universidade americana e líder do novo experimento. — Ainda temos um longo caminho para chegar lá, mas este é um grande começo.

Fonte: Jornal O Globo

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Tetraplégicos e paraplégicos recuperam movimentos com terapia de estimulação magnética

Estimulação magnética
A possibilidade de reabilitação de pacientes com danos na medula espinhal ganhou novas esperanças.
Dois pacientes com lesões que paralisaram seus membros receberam uma forma experimental de tratamento que combina a estimulação magnética transcraniana com a estimulação simultânea do nervo periférico - a terapia foi aplicada durante seis meses.

Os resultados foram entusiasmantes para uma condição que até agora não tem tratamento, condenando as pessoas à deficiência física pelo restante de suas vidas. Após cerca de seis meses do tratamento de estimulação, o primeiro paciente, que era paraplégico, já conseguia dobrar os dois tornozelos, enquanto o outro paciente, tetraplégico, conseguia pegar e segurar um objeto com as mãos.

"Nós observamos um reforço das conexões neurais e uma restauração parcial do movimento de músculos que os pacientes previamente eram inteiramente incapazes de usar," explica o Dr. Anastasia Shulga, da Universidade de Helsinque (Finlândia).

Recuperação de lesões na medula
Esta foi a primeira vez que foram feitas tentativas para reabilitar pacientes paralisados em razão de uma lesão da medula espinhal por meio de tratamentos não invasivos de estimulação a longo prazo.

Ambos os pacientes tinham sofrido o acidente há mais de dois anos e tinham recebido tratamentos de reabilitação convencionais em toda a sua recuperação - esses tratamentos continuaram durante o tratamento de estimulação.

O movimento restaurado durante a terapia de estimulação magnética e elétrica permaneceu por um mês depois que o tratamento foi encerrado. Um dos pacientes está agora participando de um estudo mais aprofundado, no qual a estimulação será aplicada mais extensivamente e por um período ainda mais longo.

"Este é um estudo de caso com apenas dois pacientes, mas achamos que os resultados são promissores. Mais estudos são necessários para confirmar se a estimulação pode ser usada juntamente com a reabilitação a longo prazo após a lesão medular, sozinha ou, possivelmente, em combinação com outras estratégias terapêuticas," disse Jyrki Mäkelä, coautor do experimento.

Sugestão: José Mariano - Fonte: Diário da Saúde