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sábado, 4 de agosto de 2018

Livro Imaginários sociodiscursivos sobre a deficiência: experiências e partilhas

Amar incondicionalmente um filho com uma deficiência cria forças para lutar por ele e por outros que são diferentes da maioria e acabam vítimas de olharespreconceituosos. Aliar a vida pessoal e a pesquisa acadêmica sobre o tema pode ser um modo de existência profissional.
 
Este é o tema do livro Imaginários sociodiscursivos sobre a deficiência: experiências e partilhas, que será lançado no sábado, 11 de agosto, às 11h, no Espaço do Conhecimento UFMG.

A obra é um ensaio teórico da professora do Departamento de Comunicação Social da UFMG Sônia Pessoa e teve origem dois pontos principais, a sua tese de doutorado e as vivências com seu filho Pedro, que tinha hidrocefalia e morreu em 2016. No livro, ela aborda os imaginários que circulam na sociedade sobre pessoas com deficiência, o preconceito que pode ser suscitado a partir destes imaginários, a percepção de algumas pessoas com deficiência sobre a própria deficiência, e o engajamento de pesquisadores com os temas pesquisados. "Trata-se de um grande desafio cotidiano lidar com temáticas sensíveis como discursos sobre deficiências e os modos como esses discursos impactam no nosso cotidiano. Além disso, as minhas experiências pessoais tanto me inspiram quanto provocam tensões nos modos como venho tentando realizar pesquisas acadêmicas que efetivamente valorizem a escuta e a participação de pessoas com deficiência", afirma Sônia.

A autora é professora de Comunicação Social na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), doutora em Estudos Linguísticos, com estágio na Université Paris Est-Crèteil, e uma das fundadoras do Afetos: Grupo de Pesquisa em Comunicação, Acessibilidade e Vulnerabilidades, vinculado à UFMG. Sônia também é idealizadora do blog Tudo Bem Ser Diferente, que trata da educação inclusiva.

O lançamento acontece na cafeteria do Espaço do Conhecimento e tem entrada gratuita. A professora Ida Lucia Machado, que escreveu o prefácio do livro, assim o definiu:

"É um ensaio teórico, que fala das emoções no discurso e mostra como é possível escrever e pesquisar sobre elas. Mas, é preciso deixar claro que tudo isso foi feito não escondendo a tão necessária subjetividade da autora/pesquisadora que, com sua voz doce e calma nos conta e nos ensina muitas coisas. Coisas simples mas que nem todos sabem fazer: como amar incondicionalmente um filho que nasceu com uma deficiência, como lutar por ele e, a partir daí como lutar por outros, por toda uma multidão de “diferentes” que uma sociedade composta por pes- soas insensíveis, pode olhar apenas com curiosidade, se não o faz com certa hostilidade." [Ida Lucia Machado]

Os interessados em adquirir o livro impresso podem entrar em contato com a autora pelo soniacaldaspessoa@gmail.com: PESSOA, Sônia Caldas. Imaginários sociodiscursivos sobre a deficiência: experiências e partilhas. 1. ed. Belo Horizonte: Selo PPGCOM/ O Lutador, 2018. v. 1. 120p. ISBN: 978855494405-6

Os interessados em ler a versão digital podem fazer o download gratuito no link http://www.seloppgcom.fafich.ufmg.br/index.php/seloppgcom/catalog/book/21) E-book: PESSOA, Sônia Caldas. Imaginários sociodiscursivos sobre a deficiência: experiências e partilhas. 1. ed. Belo Horizonte: Selo PPGCOM, 2018. v. 1. 120p. ISBN: 978855494406-3

Enviado por email

sábado, 21 de maio de 2016

04 Formas de fazer transferências, para tetraplégicos!



NÓS: Eu diria que são transferências  para paraplégicos. A velha máxima de que cada caso é um caso, adapta-se perfeitamente a estes vídeos. Eu sou tetraplégico e não consigo realizar essas transferências e nem conduzir cadeira de rodas manual.

Parabéns para o Marcelo, o que ele consegue não é nada fácil.

quarta-feira, 2 de março de 2016

Apaixonei-me pelo meu paciente tetraplégico

Eu estava dirigindo meu carro num trânsito que não andava e, de tanto pensar na vida, comecei a conversar com Deus. Pedi que ele me presenteasse com um amor que me fizesse feliz e segura, e ajudasse a esquecer todos os meus problemas. Naquela época, 2009, eu passava por uma fase difícil: meu namoro de cinco anos estava por um fio porque brigávamos muito e eu enfrentava vários problemas familiares. Aí, seis meses depois, uma amiga fisioterapeuta, como eu, me pediu para substituí-la em suas férias para atender um paciente tetraplégico, o Fred. Eu ainda não sabia, mas naquele instante Deus estava atendendo ao meu pedido, só que de um jeito inesperado: meu príncipe encantado não chegaria em um cavalo branco, mas em uma cadeira de rodas.

Senti que ele me olhava de um jeito diferente

Na primeira sessão com o Fred, quis saber sobre sua história. Ele havia sofrido um acidente de moto em 2008 que mudou sua vida. A quinta vértebra da cervical foi fraturada, o que o tornou paralisado do pescoço pra baixo. Na época, ele tinha 27 anos, era veterinário e trabalhava em uma das maiores companhias de agronegócios do país.

Era um rapaz jovem e bonito, mas percebi que passava por uma fase difícil de aceitação do acidente. Mesmo assim, sentia que Fred me olhava de uma forma diferente, como se já me conhecesse. Me fazia sentir especial. Nos demos superbem e conversávamos muito. Um mês depois, meu namoro terminou...

Conforme o tempo foi passando, criamos uma relação de amizade porque tínhamos muitas afinidades, como nossos gostos musicais e o jeito simples e “caipira”. Contávamos nossos problemas um ao outro, era uma troca muito positiva! O Fred foi uma pessoa fundamental naquele momento difícil pra mim, pois foi quem mais me ouviu e ajudou a acalmar meu coração quando eu mais precisava. Nessa fase, não rolava interesse de minha parte – sentia que da parte dele também não. Mas a amizade e a vontade de estar junto só aumentavam...

Nossa relação foi evoluindo de uma maneira bem natural. Não sei precisar o momento em que minha consideração atencioso por ele virou algo mais forte, mas, após dois meses de atendimento, o Fred se tornou uma pessoa na qual eu depositava muito carinho e confiança. E tudo foi caminhando para uma grande paixão...

Quando nos envolvemos, parei de atendê-lo

Quem tomou a iniciativa de abrir o coração foi o Fred. Ele me roubou um beijo dentro do seu carro. Até hoje não esqueço do jeito como me olhou, fazendo carinho no meu rosto antes de tocar os meus lábios. Foi um dia muito especial para nós, pois percebi que ali era o início de uma linda história de amor.

No começo, nosso romance era meio às escondidas, pois o Fred tinha vergonha. Não de mim, mas dele mesmo. Ele achava que suas limitações seriam um problema para nossa relação. Isso nunca passou pela minha cabeça! Então, quando percebemos que o relacionamento estava ficando sério, decidimos que eu não seria mais fisioterapeuta dele, por uma questão de ética profissional.

Nosso namoro sempre foi repleto de momentos felizes e carinhosos: jantávamos fora, íamos ao cinema, visitávamos nossas famílias e amigos frequentemente. Saíamos como qualquer outro casal, mas também gostávamos muito de programas caseiros.

Após três anos de namoro, decidimos dar um passo à frente em nossa vida e confirmar nosso sentimento perante Deus. Mas, nesse meio-tempo, meu avô faleceu e tivemos que adiar o casamento por um tempo.

A deficiência dele nos deixou mais unidos

Passados os dias de luto, fui pega de surpresa com um jantar familiar. O Fred organizou tudo. As duas famílias estavam reunidas e ele preparou meu prato favorito: lasanha de massa verde e bife à parmegiana. No final, fui surpreendida de novo: meu amor fez um pedido de casamento com as alianças na mão! Chorei de emoção.

As restrições do Fred nunca foram um problema pra mim. Muito pelo contrário: eram elas que nos tornavam mais unidos e o relacionamento mais intenso. Sempre digo que a cadeira dele, para mim, é como uma característica física, tipo a cor dos olhos. Não o vejo como alguém limitado ou incapaz.

De toda forma, o Fred tem uma cuidadora que mora com a gente. Ela faz a sua higiene diária e a alimentação. Na folga dela, sou eu quem assumo essas tarefas. E, diariamente, à noite sou eu que faço seus cuidados antes de nos deitarmos.

Hoje vivo os dias mais felizes da minha vida. O Fred é meu companheiro, amigo e parceiro de todos os dias. Caminhamos lado a lado e sonhamos em aumentar nossa família em breve. Valeu a pena conversar com Deus para pedir um amor! - MARIA ALICE FURRER, 30 anos, fisioterapeuta, Campo Grande, MS

“Mesmo inseguro, decidi investir”

Após o acidente de moto que sofri, me vi numa cadeira de rodas e a depressão me abraçou de vez. Na época, estava tão desanimado que relutei a fazer fisioterapia. Depois de muita insistência da minha mãe, comecei a ser atendido pela Naila. Até que um dia deparo com a Maria Alice, que substituiu minha fisioterapeuta. Assim que a vi, fiquei bem animado. Ela era muito bonita e atraente. Além disso, sua simpatia e sua paixão pela profissão me encantaram. Nossa relação de paciente e fisioterapeuta logo se transformou em amizade. Em pouco tempo, sentia uma grande vontade de estar com ela e percebi que estava apaixonado. Mas achava que seria impossível voltar a me relacionar com alguém por causa das minhas limitações. Mesmo com minha insegurança, resolvi investir. 

Apesar de sentir muita tristeza por saber que eu deixaria a desejar em vários aspectos devido à minha deficiência, com o tempo fui descobrindo novas formas de substituir algumas gentilezas por outras: ajudava a resolver seus problemas, incentivava a alçar voos mais ousados na profissão, dava presentinhos, fazia elogios... E assim a conquistei! Quando pedi a mão dela em casamento, tinha certeza de que a Maria Alice era a mulher de minha vida. Ela me fez enxergar além do que minha visão de “depressivo” conseguia ver, me mostrando novas possibilidades, novas maneiras de realizar atividades que eu fazia antes do acidente. Minha mulher foi um anjo que apareceu em minha vida. -FREDERICO RIOS, 34 anos, veterinário, Paranaíba, MS

Fonte: Cadeirantes Life

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Cama Flex, serve para dormir e ficar em pé

Olá Eduardo, meu nome é Marcos e sou do Brasil tenho 44 anos e também sou tetra desde 1991.

Há uns 6 anos você me orientou sobre a osteoporose e fui ao ortopedista e ele detectou um grau avançado dela nos femurs. Já fiz uso de Aclasta e agora estou a fazer uso de Forteo.
Transformei a cama de dormir em uma cama ortostática, ou seja, serve para dormir e ficar em pé. Sei do risco de fraturas ao ficar em pé mas espero que os medicamentos me ajudem a evitá-las.
Obrigado pelas dicas, segue um link do vídeo da engenhoca.


Feliz 2016

sábado, 14 de novembro de 2015

Há tetraplégicos e tetraplégicos...

Olá turma,

Compartilho neste vídeo um copilado de gravações do meu treino de corrida que realizo diariamente. 



Quem disse que tetraplégico/cadeirante não pode correr?

Paulo Oliveira

sábado, 9 de maio de 2015

Rede Brasileira do Movimento de Vida Independente

A Rede Brasileira do Movimento de Vida Independente (Rede MVI-Brasil), criada em 2015, é um movimento político e de ativismo social, apartidário e fundado por pessoas envolvidas com o movimento de vida independente (MVI). A criação do Centro de Vida Independente do Rio de Janeiro (CVI-Rio) em 1988 marca o início do MVI no Brasil, tendo como inspiração o movimento norte-americano de vida independente, originado em Berkeley, na Califórnia, em 1972 por veteranos da Guerra do Vietnã e civis com deficiência.

Nos últimos 25 anos, 23 Centros de Vida Independente foram criados também pautados pela filosofia de vida independente, mas considerando as particularidades regionais (alguns continuam atuando, outros não). Em 1995, foi fundado o Conselho Nacional dos Centros de Vida Independente (CVI-Brasil) pelas seguintes entidades: CVI-Rio (RJ), CVI-Maringá (PR), CVI-Belo Horizonte (MG), CVI-Santos (SP), CVI-Paulista (SP), CVI-Aracaju (SE), CVI-Macaé (RJ) e Corde/Recife (PE), cujo principal objetivo era articular e apoiar os CVIs existentes, além de incentivar a criação de outros. Importante registrar que, de 1996 a 2009, foram criados os seguintes: CVI-Araci Nallin (SP), CVI-Curitiba (PR), CVI-Campinas (SP), CVI-São Luís (MA), CVI-Guimarães (MA), CVI-Espírito Santo (ES), CVI-Angra dos Reis (RJ), CVI-Brasília (DF), CVI-Niteroi (RJ), CVI-BA (BA), CVI-Resende (RJ), CVI-Londrina (PR), CVI-Cascavel (PR), CVI-Florianópolis (SC), CVI-Amazonas (AM) e CVI-Itagibá (BA).

A Rede MVI-Brasil é mais uma etapa neste processo que tem como característica fundamental a luta pela cidadania e inclusão social da pessoa com deficiência, sob o paradigma do “modelo social”, baseado nos princípios de autonomia e independência deste grupo populacional. A Rede MVI-Brasil irá direcionar a sua atuação em conformidade com os princípios e preceitos inscritos na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Desde logo, deixamos claro que aRede MVI-Brasil não interfere nas atividades dos CVIs que continuam ativos, os quais respondem e se responsabilizam integralmente por suas ações. Ademais, este movimento não representa a continuidade do CVI-Brasil, instituição que está sendo formalmente extinta em razão das dificuldades para o cumprimento dos seus objetivos estatutários.

A proposta de criação da Rede MVI-Brasil surge da constatação de que uma nova forma de ativismo social e político ganhou força nos últimos anos. Dadas as atuais facilidades de comunicação, as novas tecnologias, as redes sociais e outros recursos disponíveis, acreditamos ser possível atuar e interferir no debate público que envolve as pessoas com deficiência por meio de tais ferramentas. Nesse sentido, o principal objetivo da Rede MVI-Brasil é monitorar o processo político, em âmbito nacional, que diz respeito ao desenvolvimento da legislação e políticas públicas relacionadas às pessoas com deficiência. Para tanto, dentre as ações a serem realizadas estão as seguintes:
Manutenção de um banco de e-mails, de contatos telefônicos e de um grupo na internet para troca de informações sobre temas ligados à cidadania das pessoas com deficiência;
Utilização da internet e das redes sociais para divulgação de posicionamentos ou manifestos públicos relativos à legislação, políticas públicas ou congêneres;
Articulação com outros movimentos sociais, órgãos públicos e representantes institucionais para disseminação e encaminhamento das posições políticas consensuadas pela Rede.
Intercâmbio e articulação com organizações internacionais de pessoas com deficiência para identificação e dialogo com iniciativas de boas práticas e defesa de direitos.

A composição da Rede MVI-Brasil se dá nas seguintes categorias: a) fundadores; b) convidados (pessoas de notório saber com atuação na área da deficiência). A Rede MVI-Brasil é um movimento horizontal, sem diretorias ou dirigente máximo. Seu método de deliberação é a busca do consenso progressivo, por meio do debate construtivo. O detalhamento dos procedimentos para que a Rede MVI-Brasil emita, por exemplo, um manifesto público sobre determinado tema, política pública ou legislação será definido no seu regimento interno, a ser elaborado pelos membros fundadores.

Ao longo da história do movimento de vida independente no Brasil, como não poderia ser diferente, percalços e dificuldades coexistiram com êxitos e conquistas. Sem desconsiderar a trajetória pregressa, o que parece ser mais importante na conjuntura atual é o início de uma nova etapa no MVI brasileiro. A proposta de criação da Rede MVI-Brasil está imbuída deste espírito e quer contar com o apoio daqueles que, independentemente dos anseios particulares ou desdobramentos políticos de sua atuação, em algum momento se sentiram e ainda se sentem tocados pela filosofia original deste movimento que perpassa outros movimentos e dá alicerce para uma efetiva inclusão social, por isso deve continuar sendo disseminada.

sábado, 13 de dezembro de 2014

Tradição indígena faz pais tirarem a vida de crianças com deficiência física

Um assunto da maior importância: o direito à vida. Você acha certo matar crianças recém-nascidos por causa de alguma deficiência física?

Pois saiba que isso acontece no Brasil e não é crime. A Constituição, nossa lei maior, assegura a grupos indígenas o direito à prática do infanticídio, o assassinato de bebês que nascem com algum problema grave de saúde.

Para os índios, isso é um gesto de amor, uma forma de proteger o recém-nascido, mas tem gente que discorda.

Um projeto de lei que pretende erradicar o infanticídio já foi aprovado em duas comissões na Câmara Federal e agora vai para votação no plenário.

Do outro lado, os antropólogos defendem a não interferência na cultura dos índios. Os repórteres do Fantástico foram investigar essa questão sobre a qual pouco se fala. E descobriram que a morte desses recém-nascidos mudou para pior o mapa da violência no Brasil.

A cidade mais violenta do Brasil fica no interior do estado de Roraima. Chama-se Caracaraí e tem só 19 mil habitantes.

De acordo com o último Mapa da Violência, do Ministério da Justiça, em um ano, 42 pessoas foram assassinadas por lá. Entre elas, 37 índios, todos recém-nascidos, mortos pelas próprias mães, pouco depois do primeiro choro.

A partir de uma porteira, o Fantástico entrou na terra dos ianomâmis, uma área de 9,6 milhões de hectares, maior do que Portugal. Lá, vivem 25 mil índios em 300 aldeias numa floresta inteiramente preservada.

O filho de uma mulher ianomâmi vai fazer parte da próxima estatística de crianças mortas logo após o nascimento. Há duas semanas, ela começou a sentir as dores do parto, entrou na floresta sozinha e horas depois saiu de lá sem a barriga de grávida e sem a criança.

Os agentes de saúde que trabalham lá disseram, sem gravar, que naquela noite aconteceu mais um homicídio infantil, o infanticídio.

O infanticídio indígena é um ato sem testemunha. As mulheres vão sozinhas para a floresta. Lá, depois do parto, examinam a criança. Se ela tiver alguma deficiência, a mãe volta sozinha para a aldeia.

A prática acontece em pelos menos 13 etnias indígenas do Brasil, principalmente nas tribos isoladas, como os suruwahas, ianomâmis e kamaiurás. Cada etnia tem uma crença que leva a mãe a matar o bebê recém-nascido.

Criança com deficiência física, gêmeos, filho de mãe solteira ou fruto de adultério podem ser vistos como amaldiçoados dependendo da tribo e acabam sendo envenenados, enterrados ou abandonados na selva. Uma tradição comum antes mesmo de o homem branco chegar por lá, mas que fica geralmente escondida no meio da floresta.

O tema infanticídio ressurge agora por ter se destacado no Mapa da Violência 2014, elaborado com os dados de dois anos atrás.
O autor do levantamento feito para o Ministério da Justiça, o pesquisador Júlio Jacobo, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, não tinha ideia da prática.

“E aí, então, comecei a pesquisar efetivamente com as certidões de óbito. Registravam que crianças de cor ou raça indígena, de 0 a 6 dias de idade. E começamos a ver que realmente era uma cultura indígena meio não falada, meio oculta”, diz o pesquisador.

O secretário de Segurança Pública de Roraima, Amadeu Soares, explica por que o seu estado aparece, pela primeira vez, entre os mais violentos do Brasil.

Fantástico: Por que no ano de 2012 teve essa evolução, esse número tão grande?

Amadeu Soares: Porque foi o ano que a Secretaria Especial começou a fazer o trabalho de registro desses infanticídios.

E foi assim que Caracaraí, no interior de Roraima, se transformou no município mais violento do Brasil. São 210 homicídios para cada 100 mil habitantes. A média nacional é 29 homicídios para cada 100 mil habitantes.

Pituko Waiãpi é um sobrevivente. Ele nasceu há 37 anos numa aldeia waiapi, localizada no interior do Amapá. Tinha paralisia infantil e estava condenado ao sacrifício.

“A minha família não aceitava por causa da deficiência. Então, a Funai me tirou de lá”, conta.

O garoto cresceu entre os homens brancos e, aos sete anos, foi levado de volta para a tribo.

“Uma assistente social não entendia do costume da aldeia. Ela não sabia que ele não podia mais voltar e o mandou de volta”, conta Silvia Waiãpi, irmã de Pituko.

O garoto vivia carregado pela mãe, pai ou irmão mais velho.

“E aí um dia minha mãe cansou de me carregar e deu para o meu pai. Quando foi na hora de atravessar o rio, meu pai começou a ameaçar que eu não servia para nada, que eu merecia ser morto. A minha mãe escutou isso e gritou que não era para ele fazer isso comigo”, conta Pituko.

“A minha mãe o deu para um dentista e a única palavra que ele sabia falar em português era: ‘Embora. Embora. Embora’”, diz a irmã.

Ele só voltou a ver os pais quando tinha 21 anos.

“A minha mãe sentou do meu lado e disse: ‘Meu filho, tu lembra daquele tempo que aconteceu?’. Eu falei: ‘Lembro’. Aí ela perguntou: ‘Você tem raiva dele?’. ‘Eu, não. Eu gosto do meu pai’. Isso é cultura de vocês. Quem sabe vocês estavam fazendo o certo e eu não estava sofrendo mais”, conta Pituko.

“Como é que é carregar um deficiente físico nas costas sem cadeiras de rodas? No meio do mato?”, comenta a irmã de Pituko.

A irmã de Pituko explica: para o seu povo, o infanticídio não é um ato cruel.

“Era um ato de amor. Amor e desespero. Porque você não quer que um filho seu continue sofrendo. Você quer que ele sobreviva, mas não se não há como?”, diz ela.

“Não se pode atribuir a isso qualquer elemento de crueldade. Se uma pessoa começa já no nascimento conter deformações físicas ou incapacidades muito grandes, você vai ter sempre em si um marginal”, avalia o antropólogo João Pacheco.

Na visão do antropólogo, este garoto é um exemplo do que seria um marginal na comunidade indígena. Ele sofre de um problema neurológico.

“Essa criança nasceu, segundo informações, sem nenhum sinal de qualquer tipo de deficiência. Eles não rejeitaram ela, mas ao mesmo tempo ela não fica como as outras crianças. Fica mais escondidinha”, explica Tiago Pereira, enfermeiro da Secretaria deSaúde Indígena.

Por não ter percebido a deficiência, a mãe deu de mamar ao filho.

Esta é uma cena da maior importância na vida de um pequeno ianomâmi. Quando a mãe amamenta o filho, é como se tivesse dando a ele a certidão de nascimento, é que ele está sendo aceito por ela e pela comunidade.

Os índios acreditam que só durante esse ritual o bebê se torna um ser vivo e, graças a essa primeira mamada, Kanhu Rakai, filha de Tawarit, está viva hoje.
“Se tivesse anotado de pequeno, poderia estar enterrado”, afirma Tawarit Makaulaka Kamaiurá, pai de Kanhu Rakai.

Quando nasceu, a família, que faz parte da etnia kamayurá, não notou que Kanhu Rakai desenvolveria qualquer problema.
“Ela nasceu normal. Depois de cinco anos, ela começou a ir enfraquecendo mais”, conta Tawarit.

Kanhu Rakai tinha distrofia muscular progressiva, uma doença degenerativa que dificulta cada dia mais os movimentos da garota, e os pais se sentiam pressionados pela comunidade para matar a criança.

Fonte: Fantástico (G1)

Nos dias de hoje o infanticídio (prática que resulta na morte de crianças) ainda é uma realidade em algumas tribos indígenas. Esse assunto, por ser polêmico, é contestado, e em alguns casos, tratado como inverdade ou apenas casos isolados. Em outras situações, há pesquisadores que defendem que o infanticídio faça parte da cultura indígena e por isso deve ser mantido. O papel deste documentário não é fazer um julgamento de valor sobre as práticas nas culturas indígenas. QUEBRANDO O SILÊNCIO se propôs a escutar e a registrar as manifestações de indígenas que não querem mais praticar o infanticídio e, por isso desejam ser ouvidos e receber ajuda. No momento que o índio se manifesta, a sociedade tem a obrigação de interagir com ele e trazer soluções e alternativas para o infanticídio.

Dirigido pela jornalista indígena Sandra Terena, este documenário é resultado de mais de dois anos de entrevistas em diversas regiões do país, como o Alto Xingu, por exemplo. Por ter a direção de uma realizadora indígena, optou-se propositalmente em ouvir apenas os relatos de índios que sentiram na pele o sofrimento causado pelo infanticídio.




Fonte: Deficiente Ciente

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Cadeirantes Life

Segundo os Cadeirantes Life, o video abaixo e seu conteúdo pode ser mais ou menos interessante dependendo do seu e do nosso TESÃO.


Mais informação: Cadeirantes Life

sábado, 21 de junho de 2014

Chute de exoesqueleto é, mais uma vez, oferta de baú misterioso de salvação

Em um rápido esbarrão com o filósofo Mário Sérgio Cortella, dias atrás, ele me aconselhou a nunca questionar esperanças, apenas respeitá-las e tentar entendê-las.

Assim, preciso admitir que a também rápida, rapidíssima, papa-léguas demonstração da roupa robótica, usada por um paraplégico, que encostou em uma bola em plena abertura da Copa do Mundo, pode abrir uma nova era de possibilidades.

O exoesqueleto, supostamente comandado por sinais do cérebro, oferece promessas futuras de mais conforto, mais mobilidade e mais independência para pessoas com deficiência física. A tecnologia tem potencial para destrancar sonhos guardados no campo do impossível.

Dito isso, o cutuque na bola -visto por alguns superatentos-, que consumiu R$ 33 milhões de dinheiro público, traz consigo elementos controversos para um arrazoado respeito e aceitação.

Vendido como “cura”, o exoesqueleto se posicionou com a imponência de um avião que abriria fronteiras jamais cruzadas, sobrepôs-se à necessidade de entender a diversidade humana e a urgência de promover inclusão no planeta de hoje, de amanhã e de vários séculos.

É emocionante ver. É gostoso imaginar. É prazeroso acreditar. Porém, mais uma vez, um baú misterioso que guarda salvações foi aberto diante daqueles que sensivelmente se agarram em quaisquer fios de gelatina.

O experimento propagou o andar como algo estritamente motor, bastando vestir um suporte para que o corpo de um lesado medular saia saracoteando como pinto no lixo.

A realidade é brutalmente mais complexa. Ficar em pé e dar uns passinhos, a Rede Sarah de Reabilitação já consegue com êxito há décadas, e de forma mais clara do que o que foi exibido.

Um paraplégico voltar a andar vai implicar intercorrências em um sistema circulatório debilitado, em ossos enfraquecidos, em um tecido dérmico sujeito a feridas.

Tratar de dentro para fora, como os experimentos com células-tronco e estimulação elétrica têm tentado, com menos holofotes, é rumo bem mais certo.

A melhoria da qualidade de vida para os “presos a cadeiras de rodas” -como arrotou ao vivo o narrador Galvão Bueno-, exige uma atenção contínua, plural e menos espetaculosa.

Toda sorte e incentivo à ciência, a todos os corações a esperança e um bocadinho mais de cuidado e respeito com a realidade.

Tetraplégico: 1° tentativa de transferência sem tábua, lesão C5 e C6 incompleta

terça-feira, 4 de março de 2014

A história da Miss Bumbum que se apaixonou por um paraplégico

Ela desceu do elevador com as mãos trêmulas e o coração aos pulos. Tomou fôlego na portaria do prédio antes de entrar, de uma vez só, no carro estacionado em frente. Olhou para o homem atrás do volante pela primeira vez na vida e, sem dizer coisa alguma, o beijou.

Dos dois, Rafael é quem adora sair à noite; Daiane é mais caseira
O primeiro encontro de Daiane e Rafael não teria nada de extraordinário nesses tempos de amores incubados nas redes sociais. Afinal, os dois se conheceram pelo Facebook e combinaram em evitar com um beijo o constrangimento das primeiras palavras no mundo real. O extraordinário mora num detalhe – a diferença incômoda para uns, encantadora para outros: ela é Miss Bumbum e ele não move o corpo da cintura para baixo.

No último dia 24, o casal já contava oito meses de namoro quando uma foto publicada no site de uma revista de celebridades causou polêmica na internet. O texto registrava em tons glamourosos o acontecimento da noite: “Dai Macedo, vencedora do concurso Miss Bumbum 2013, comemorou seu primeiro aniversário como rainha da preferência nacional muito bem acompanhada. Com o namorado, Rafael Magalhães, ela usou um modelito curtinho ao marcar presença na casa noturna Outlaws, em São Paulo, e dançou muito na pista ao som do funk de MC Gui”. Nos comentários da página, internautas manifestaram “opiniões” com o peculiar senso de humor que se ampara no anonimato: “kkkkk, coitado do cara só fica no desejo. ela é muito sacana”, “ela tem muito fogo para se contentar com posições limitadas rsrsrs”, “cadeirante kkkk tem treta isso… esse cara tem grana e chifre de rosca”, “primeira vez que vejo um boi na cadeira de rodas”, “o antena de televisão sentadinho e ela se acabando nos outros cômodos da casa”, “essa menina é muito experta… puxa a capivara dela antes, cuidado para ela não engravidar a pensão será maior”.

O que esses despeitados piadistas não sabem é que, quando Daiane e Rafael se conheceram, foi a diferença que a instigou. Ela conta (Rafael não deu entrevista; diz que prefere não se expor mais) que recém havia se mudado de sua Goiânia natal para São Paulo para defender a candidatura ao Miss Bumbum Brasil. Organizado há três anos pelo promoter Cacau Oliver, o concurso promove uma votação na internet com candidatas dos 27 Estados da Federação, de onde saem as 15 indicadas para a finalíssima, decidida por jurados em um hotel de luxo na cidade. A goiana de 26 anos montou seu “comitê de campanha” no Facebook e adotou a política de aceitar todos os convites de amizade que marmanjos-eleitores lhe propusessem. Um deles foi Rafael, que só tinha fotos da cintura para cima em seu perfil. “Todo dia ele me escrevia no inbox, a conversa era até boa, mas sempre terminava com ele me convidando pra sair”, lembra ela. “Eu pensava: ‘Que cara enxerido! Só porque é bonito tá achando que vai me pegar?’.” Apenas na enésima proposta ele enviou uma foto sentado na cadeira de rodas. Daiane conta que levou um susto, mas ficou curiosa. “Mulher adora uma história triste, né?” Aceitou. O resto você já sabe: ele foi buscá-la em seu Chevrolet Captiva adaptado para cadeirantes. Beberam, dançaram e terminaram a noite juntos.

“Muita gente não consegue imaginar que uma pessoa com deficiência tenha vida sexual”, afirma o escritor e colunista do Estado Marcelo Rubens Paiva, cadeirante desde 1979, quando, aos 20 anos, fraturou a quinta vértebra cervical ao mergulhar em um lago. “A sociedade não consegue perceber esse cara como alguém que pode ser atraente, ter bom papo, ser bom de cama. Prefere vê-lo como doente, um coitadinho. Foi por isso que escrevi Feliz Ano Velho (lançado em 1981 pela Editora Brasiliense e relançado pela Objetiva). Para mostrar que um jovem nessas condições não deixa de ter sonhos, ambições e desejos.”

Marcelo chama a atenção para o fato de que alguém pode estar numa cadeira de rodas pelas mais variadas razões – ser paraplégico, diabético ou amputado, ter paralisia cerebral, ter sofrido derrame. Condições com sequelas físicas totalmente distintas. “Pouca gente sabe, mas é só uma minoria dos cadeirantes que não consegue ter ereção.” E diz ter sentido na pele o tipo de bullying que vitimou o namorado da Miss Bumbum: “Certa vez estava em um bar com a minha namorada e o colega de um amigo na mesa a elogiou para mim. Então, ele disse: ‘Deus dá asas a quem não precisa’. Na hora, eu queria esganar o cara, mas percebi que a frase tinha saído tão automática que ele nem se deu conta”.

Para a psicóloga e professora da Unesp de Bauru Ana Cláudia Bortolozzi, a sexualidade das pessoas com deficiência é tabu por associar um tema difícil em si – o sexo – a padrões preconcebidos de normalidade e complexos em relação ao corpo e ao desempenho na cama. “Esses comentários ocultam o fato de que pessoas que não tenham deficiências também têm dificuldades ou limites sexuais ao longo da vida”, diz. No estudo Inclusão e Sexualidade na Voz de Pessoas com Deficiência Física (2011, Editora Juruá), a pesquisadora identifica nos relatos delas dificuldades de autoestima, com a estética ou o desempenho, mas também depoimentos que revelam “pessoas determinadas, alegres, satisfeitas com a vida, que fazem sexo, namoram e se casam”. A conclusão é que as dificuldades enfrentadas por elas têm mais a ver com aspectos psicológicos e sociais que com as limitações impostas pela deficiência. Uma realidade retratada no filme As Sessões (2012), do diretor Ben Lewin, que rendeu uma indicação ao Oscar para Helen Hunt no papel da terapeuta que ajuda na iniciação sexual de um homem paralisado pela poliomielite.

Já para o secretário nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, da Secretaria de Direitos Humanos do governo federal, Antônio José Ferreira, importa ressaltar a gravidade dessas “ofensas disfarçadas de ‘brincadeirinhas’ nas quais se reforçam estigmas e preconceitos da forma mais vil e cruel”. Na opinião do secretário, que é deficiente visual, o Brasil carece de uma lei que criminalize esse tipo de agressão, embora as atuais políticas de cotas no serviço público e na iniciativa privada, além de investimentos em acessibilidade e educação, venham surtindo efeito.

Assim como o autor de Feliz Ano Velho, Rafael Magalhães perdeu os movimentos em um acidente. Foi em 2005, quando sofreu uma lesão na medula ao capotar o carro que dirigia sozinho e embriagado na volta de uma balada. O advogado de 31 anos, festeiro e praticante de esportes, tinha pouco mais de 20 à época – também como Marcelo. Ainda assim, após a reabilitação na Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), se casou com sua namorada na ocasião e teve um filho, Lorenzo, hoje com 5 anos. Separado, tinha voltado a morar com os pais quando conheceu Daiane, mas nunca abriu mão da autonomia com que circula e viaja desacompanhado, inclusive para o exterior. Dos dois, é ele quem adora sair à noite; ela é mais caseira.

Recentemente, foi encontrar a musa em Goiânia e conquistou também o coração da família. É o xodó de Nilza, avó materna e incentivadora dos talentos de Daiane desde menina. “Daiane Macedo Pina, perna grossa e canela fina”, caçoava do nome completo e genética transbordante da neta. Gordinha na escola, a partir da adolescência se jogou na malhação nas horas vagas do trabalho no salão de estética da mãe, o Beleza Pura. O modesto estabelecimento alavancou as finanças da família ao oferecer um “bronzeamento com marquinha” inédito na cidade. “A gente colocava esparadrapo em forma de biquíni nas clientes antes de elas deitarem debaixo da lâmpada”, ri Daiane, que com os dividendos pagou a faculdade de administração (hoje trancada) e deu entrada em um apartamento de 60 m² no ascendente bairro Jardim Amazônia que está acabando de quitar.

Foi vó Nilza quem levantou o moral de Dai Macedo (na numerologia escolhida pela representante de Goiás) quando ela voltou desanimada de uma das viagens a São Paulo. A moça tinha ouvido dizer que o Miss Bumbum era comprado, e a ganhadora, aquela que tivesse a maior poupança – no sentido bancário. “Minha filha, você vai ganhar esse concurso. Pra Deus nada é impossível”, garantiu d. Nilza, com o conhecido fervor evangélico dos Macedos na vizinhança. Não deu outra. Se Deus ajudou, Daiane também se mostrou toda poderosa, do alto de seu 1,75 m, 65 cm de cintura, 88 de busto e brasileiríssimos 106 cm de quadril.

No dia 13 de novembro de 2013, ela pôs a faixa de campeã e saiu para comemorar com o namorado. “Ele sempre me apoia no que eu faço. Por incrível que pareça, a ciumenta da relação sou eu”, confessa a miss, que já atirou o celular de Rafael pela janela do quarto andar por causa do assédio cibernético da concorrência. “As meninas caem em cima dele, morro de raiva.” Ela, que se mudou definitivamente para a capital paulista e faz curso de apresentação de TV no Senac, tem outros planos para 2014. “Nunca fui tão feliz com alguém. O Rafa é tão inteligente, criativo. E, entre quatro paredes, me satisfaz totalmente. Às vezes ele entra no boxe do chuveiro para tomar banho comigo, ficamos sentados no chão, dando altas risadas.” Até o fim do ano – apesar do show dos invejosos – os dois pretendem se casar.

Fonte: Ser Lesado

domingo, 5 de janeiro de 2014

Um novo amanhecer

Um novo amanhecer relata a história de vida de Antero Silva, que após sofrer grave acidente, que o deixou tetraplégico, superou todos os obstáculos impostos pelo destino, dando um exemplo de amor a vida.
Fonte: Ser Lesado

Mara Gabrilli: Deputada tetraplégica

Quando a deputada federal Mara Gabrilli (PSDB-SP), 46 anos, foi procurada por um amigo editor para escrever a própria biografia, em 2008, ela desconversou. Tetraplégica desde 1993 após um acidente de carro, a então vereadora de São Paulo não se sentia pronta para expor sua vida. Um ano depois, porém, ela topou se encontrar com a jornalista Milly Lacombe para contar algumas de suas histórias. Das conversas regadas a vinho em um bistrô paulistano, surgiu o livro “Mara Gabrilli – Depois Daquele Dia” (Ed. Benvirá, 2013). Relatora do Estatuto da Pessoa com Deficiência, a deputada se envolveu em uma polêmica com sua própria base eleitoral. Por sua campanha contra o veto da presidenta Dilma a um parágrafo da lei que instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista foi chamada de “demônio” por famílias que defendiam a retirada do trecho para garantir matrículas de autistas em escolas regulares.

ISTOÉ -Como é a realidade de quem fica tetraplégico no Brasil e não tem as condições financeiras da sra.?

MARA GABRILLI -Se acidentar, como eu me acidentei, sem recursos, no Brasil é bastante complicado. Hoje até temos opções de tratamento de ponta, como a Rede Lucy Montoro e a AACD, mas todas estão superlotadas. Fora que circular pelas cidades é difícil demais, as calçadas são terríveis. Soma-se a isso o fato de que poucas empresas contratam pessoas com deficiência. O despreparo é generalizado.

ISTOÉ -A sra. tem dificuldade de falar do acidente?

MARA GABRILLI -Conforme fui me distanciando do momento mais trágico, ficou mais fácil. Agora, lendo o livro, me emociono. Recentemente, li o relato do dia mais difícil da minha vida. Voltei da reabilitação nos EUA, cinco meses após o acidente, no dia 24 de dezembro. Voltei para uma cidade e uma casa que não eram mais minhas, com um corpo que não reconhecia e com pessoas cuidando de mim a toda hora. Era como se tivessem me jogado em um filme no qual não sabia atuar. Li o relato desse dia e chorei. Mas também fiquei feliz por ver o quanto evoluí desde então.

ISTOÉ -O que fez nesse 24 de dezembro?

MARA GABRILLI -Era Natal, então fui com minha família a uma festa na casa de amigos. Encontrei umas 60 pessoas, muitas conhecidas. Foi estranhíssimo. Lá estava eu, com aquele grupo de conhecidos, mas agora tetraplégica, branca, seca de magra, careca, com cicatrizes no pescoço e a cabeça e os braços apoiados em travesseiros. Alguns me cumprimentaram como se nada tivesse acontecido, outros faziam cara de piedade. Me senti muito mal. Felizmente, no meio daquilo tudo, ouvi um “Marinha!”. Era o filho de uma amiga que tem deficiência intelectual. Ele me abraçou, me deu beijos e brincou com meu braço. Foi o único que me tratou naturalmente.

ISTOÉ -Qual foi a maior dificuldade na hora de retomar a vida?

MARA GABRILLI -Me tornar dependente. Foi tudo muito difícil, voltar para casa dos meus pais, perder a minha independência financeira, perceber que eu ficava o dia inteiro em função do meu corpo. Tive de aceitar que perdi quase tudo que construí até os 26 anos. E viver sem saber do futuro. Não sabia quando eu voltaria a ter um pouco de independência.

ISTOÉ -Como fica a sexualidade na tetraplegia?

MARA GABRILLI -As pessoas têm pouca informação. Muitas vezes um médico diz que nunca mais vai rolar e a pessoa acredita. Não é assim. Não é porque virou cadeirante que virou árvore. Dá para ter uma vida sexual com intensidade. O desejo continua e o corpo de uma pessoa com uma lesão medular é muito dinâmico. Às vezes, quando descubro um lugar mais sensível chego a levar um susto. O corpo mudou, mas está ali. A gente vai se descobrindo.

ISTOÉ -O tratamento que a sra. fez com células-tronco retiradas da sua medula óssea deu resultado?

MARA GABRILLI -É difícil mensurar a melhora que veio em função, exclusivamente, do implante. Mas das 30 e poucas pessoas que passaram pelo protocolo, 16 registraram melhora – e eu estava entre esses 16. Depois de um tempo, só dois continuaram evoluindo – eu e mais um homem. Mas continuo tetraplégica, né? Não saí andando.

ISTOÉ -A presidenta Dilma vetou um parágrafo da Lei 12.764 que daria às escolas autonomia para aceitar ou não um aluno autista. A sra. foi contra o veto, por quê?

MARA GABRILLI -Primeiro, não era isso que dizia o parágrafo. A autonomia, e isso estava claro, era da família e não das escolas. O que o artigo dizia era que, caso a família decidisse que o filho autista não conseguiria estudar na escola regular, o governo tinha de prover uma alternativa de educação. Argumentei que os pais que veem o filho autista não se adaptar ao colégio regular teriam de bancar uma outra escola para o filho, porque a rede pública não oferece mais uma opção. Acho injusto.

ISTOÉ -Então por que houve resistência à sua tentativa de derrubar o veto?

MARA GABRILLI -Fui apedrejada em praça pública. Me transformaram num monstro e chegaram a me chamar de demônio. Diziam que eu queria afastar a pessoa com deficiência da escola regular. Nunca quis excluir ninguém. Criei, inclusive, um artigo que pune ferozmente o gestor escolar que rejeita a matrícula de uma criança, seja qual for a deficiência. Mas percebi que estava criando aflição nas pessoas com essa tentativa de derrubar o veto. Conversei com algumas delas e disse que não brigaria mais por isso.

ISTOÉ -Por que o assunto gera tanta polêmica?

MARA GABRILLI -As pessoas olham muito para o próprio umbigo. Para garantir o lugar do filho com autismo na escola regular, tem gente disposta a privar outra família de ter o filho numa escola especial. A educação não está boa para nenhum aluno, com ou sem deficiência. A polêmica surge porque as escolas, fugindo de sua responsabilidade, ainda recusam matrículas e não se adequam à diversidade.

ISTOÉ -Nas escolas particulares, isso ocorre de forma velada. Por que a recusa continua a acontecer?

MARA GABRILLI -Deveria haver uma orientação clara dos Conselhos Estaduais de Educação de que alunos com deficiência não podem ter a matrícula recusada, mas isso não acontece. Em São Paulo, por exemplo, soube que essa orientação pode não existir porque o Conselho tem sido presidido e representado, há muitos anos, por diretores e donos de colégios particulares. Um promotor me disse que a presidência fica variando entre gente da Escola Móbile e do Colégio Bandeirantes, que, tudo indica, não têm interesse em receber alunos com deficiência. E, ao terem a matrícula recusada pelos colégios, os pais não costumam denunciar a escola ao Ministério Público.

ISTOÉ -Por quê?

MARA GABRILLI -Porque eles querem resolver a questão da educação do filho, que é prioridade. Passa o tempo, a criança consegue uma matrícula em outro lugar e a situação acaba ficando por isso mesmo. Estudo, inclusive, apresentar uma denúncia ao procurador-geral do Estado. O Conselho Estadual de Educação de São Paulo faz vista grossa para o que está acontecendo.

ISTOÉ -As Apaes parecem incomodadas com a decisão de colocar todos em escolas regulares porque poderiam perder alunos e repasses de verba do governo.

MARA GABRILLI -Nem todas as Apaes têm escola. Algumas oferecem apenas atividades como fisioterapia, terapia ocupacional, clínicas, mas não escola. Essas não podem mesmo receber o repasse da educação. Se recebem, isso precisa ser corrigido, pois não dá para considerar terapia de música, por exemplo, como educação. A distinção é importante. No meu entendimento do Plano Nacional de Educação, Apaes como a de São Paulo, que tem um trabalho exemplar e é escola, não correm risco algum de perder o convênio com o governo.

ISTOÉ -Na discussão do Estatuto da Pessoa com Deficiência fala-se de leis que não respeitam o direito da pessoa com deficiência. Pode dar um exemplo?

MARA GABRILLI -Hoje, se um casal com síndrome de Down quer se casar, leva mais de um ano para conseguir a autorização de um juiz por conta das restrições no Código Civil. O Estatuto propõe mudar isso porque a legislação pode proteger o deficiente intelectual, ser protetiva, mas jamais restritiva. Até porque não dá para dizer que a pessoa, por ser deficiente intelectual, não sabe escolher um parceiro. Por acaso quem não é escolhe bem sempre?

ISTOÉ -O deficiente é sub-representado politicamente?

MARA GABRILLI -Está melhorando. Vivo encontrando parlamentares com deficiência. Hoje somos três cadeirantes no Congresso, sendo eu a única tetraplégica. E olhando o pessoal que circula por lá, já contei uns sete deputados que mancam. Ou seja, têm alguma deficiência.

ISTOÉ -O Congresso atende aos requisitos de acessibilidade?

MARA GABRILLI -Logo que fui eleita, me disseram que eu teria de fazer meus discursos do chão porque a tribuna não era acessível. Não aceitei. Seria muito incoerente, na casa que aprovou a lei de acessibilidade, eu fazer discurso do chão. Corri atrás de um arquiteto que já tinha feito uma intervenção de acessibilidade numa obra do Niemeyer, levei até Brasília, fizemos o projeto e encontrei uma empresa de elevador que topasse executar a obra. Hoje, já discurso da tribuna, mas ainda não chego à Mesa Diretora porque tem degrau. Mas o presidente Henrique Alves me garantiu que fará a obra de adequação no recesso de 2014.

ISTOÉ -Que tipo de reação observou entre seus colegas quando chegou ao Congresso?

MARA GABRILLI -Muitos esticavam o braço para me cumprimentar. Isso, para mim, é comum, não é por isso que me lembro que sou tetra. Mas sei de pessoas que passaram dias se martirizando por isso. Teve também um deputado velhinho, não sei quem era, que me perguntou por que eu não votava usando o dedo, como todos. Quando expliquei que não mexia os braços, ele olhou para mim e começou a chorar. Tentei acalmá-lo, mas não adiantou. Hoje sinto o carinho e a admiração deles, que ouvem o que eu falo. Lá, percebi o quão mesquinho era o ambiente na Câmara dos Vereadores de São Paulo.

ISTOÉ -Como assim?

MARA GABRILLI -No Congresso há uma grandeza. Na Câmara, tinha vereador que ficava de olho no que eu ia fazer, para empatar meus projetos. Meus maiores inimigos eram da minha própria bancada. Talvez porque há uma competição ferrenha pelos espaços eleitorais. Certa vez, estava tentando levar um time de basquete para treinar num clube e, quando cheguei, um vereador apareceu lá de louco para não deixar acontecer porque era reduto dele. Era esquisito.

Fonte: Ser Lesado

sábado, 19 de outubro de 2013

Crianças com problema mental ou físico são enterradas vivas em tribos indígenas

Um vídeo mostrando crianças indígenas enterradas vivas na Amazônia está causando comoção e revolta nas redes sociais.

As imagens são do documentário intitulado ‘Hakani’, dirigido David Cunningham, filho do fundador de uma organização missionária norte-americana, lançado em 2008.

Na gravação, um dos irmãos da vítima se revolta e grita: “Eu cuido deles! Eu cuido deles!”, sem sucesso. Ainda utilizado por volta de 20 etnias entre as mais de 200 do Brasil, infanticídio leva à morte não apenas de gêmeos, mas também filhos de mães solteiras, crianças com problema mental ou físico, ou doença não identificada pela tribo. VEJAM O VÍDEO ABAIXO!

Clique aqui para assistir o vídeo inserido.

O tema já gerou projetos de leis e muita polêmica em torno de saúde pública, cultura, religião e legislação. Em 2004, o governo brasileiro promulgou, por meio de decreto presidencial, a Convenção 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), que determina que os povos indígenas e tribais “deverão ter o direito de conservar seus costumes e instituições próprias, desde que não sejam incompatíveis com os direitos fundamentais definidos pelo sistema jurídico nacional nem com os direitos humanos internacionalmente reconhecidos”.

Entretanto, em novembro do ano passado, o jornalista australiano, Paul Raffaele, que participou de audiência pública na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado, denunciou a tolerância ao crime de infanticídio e omissão de socorro a crianças expostas ao ato que ainda ocorre em tribos isoladas no território brasileiro.

Fonte: Deficiente Ciente

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Tetraplégico casa em hospital

Um casamento surpreendeu e emocionou pacientes e funcionários do Hospital Cajuru, em Curitiba. A cerimônia já tinha sido planejada em outro local, mas precisou ser realizada no hospital porque o noivo, Renato Tarachuk, ficou tetraplégico após ser baleado em um assalto em Bituruna, no sudeste doParaná, em outubro de 2012.

Renato, que trabalhava como pedreiro, e deve receber alta em breve. A noiva, Fernanda Malon, acompanhou todo o processo do tratamento inicial e não quis adiar o sonho. Os dois disseram sim no dia 27 de agosto em um dos quartos do hospital.

"Estou muito feliz porque estou realizando não só um sonho meu, mas o dele também", declara Fernanda, que fez questão de usar o vestido de noiva durante a cerimônia.

À época do crime, a Polícia Militar (PM) disse que o casal foi abordado pelo assaltante quando saía de uma lanchonete. Logo após a abordagem, o ladrão efetuou um disparo contra Renato e fugiu. Ele chegou a descer do carro, mas desmaiou logo depois. O pedreiro precisou ser encaminhado às pressas para Curitiba. Fernanda não se feriu. Após a alta do marido, o casal deve retornar para Bituruna.

Fonte e reportagem em video: G1

domingo, 1 de setembro de 2013

Tetraplégico quer ir a Miami em busca de um milagre

Parece apenas um pedacinho do corpo, os dedos das mãos. Mas para o brasileiro Hendrik Zanotti
Franco, de 25 anos, conseguir movimentá-los seria um milagre e ele está disposto a sair de Campinas em direção a Miami, como ele mesmo diz “um tiro no escuro”, na tentativa de alcançar esse sonho. Ele ficou tetraplégico quando mergulhou de cabeça na piscina do tio no dia 11 de fevereiro de 2007.

Desde então, ele vem surpreendendo os médicos e planeja surpreender ainda mais se conseguir recuperar o movimento de algum dos dez dedos. "Eles disseram que eu não iria mexer os braços ou respirar sozinho, hoje já faço isso e até consigo usar o Skype usando o lado do meu dedo mindinho", disse todo animado em uma entrevista pelo Skype de sua casa em Campinas.

Há um ano, investigando sobre os avanços da medicina em casos como o seu, ele encontrou o Lois Pope Life Center, um centro de pesquisa dentro da Universidade de Miami. Lá, médicos, cientistas e fisioterapeutas investem em pesquisas sobre a recuperação de lesões causadas na coluna vertebral e procuram participantes."Eu sei que na verdade é para ser cobaia. Mas alguém tem que fazer isso, e os resultados podem ajudar não só a mim, mas a todos os que sofrem com paralisia", disse

Depois de entrar em contato com a equipe, seu caso foi aceito para uma avaliação. Se passar, ele poderá participar de um programa mais intenso e ficar até um ano em tratamento no hospital. O que falta para isso acontecer? Um lugar para ficar. Uma casa ou apartamento com acessibilidade para portadores de necessidades físicas. O local precisa ser nas imediações do endereço do Lois Pope Center (1095 NW14 Terrace, Miami).

Com ajuda da família e de amigos que o ajudaram com uma festa beneficente, Hendrik já conseguiu recursos para pagar as passagens.
Ele precisa viajar com a mãe, que serve de enfermeira. "Eu quero ir logo. Já estou esperando há um ano, nem sei mais o que dizer para o pessoal do hospital em Miami", desabafa.

O rapaz de dezenove anos que mergulhou na piscina, garante Hendrik, não é mais o mesmo, porém ele garante que a mudança lhe trouxe coisas positivas. "Hoje vejo a vida de maneira diferente. Eu dou mais valor nas coisas", revelou.

As dificuldades do dia a dia não limitaram seus planos. O ex-ajudante de motorista pensa em cursar medicina. "Eu vi um médico em cadeira de rodas", lembra ele, dizendo ainda que não existe nada melhor do que ajudar outras pessoas e percebeu isso quando ficou no hospital.

sábado, 27 de julho de 2013

Tetraplégica teve uma filha de parto normal

A brasileira Débora de Aranha Haupt, 32 anos, sofreu um acidente de moto com o marido quando ia para a aula de inglês. Ele cortou o joelho, ela ficou tetraplégica. Com o tempo, Débora recuperou parte dos movimentos dos braços e decidiu que, mesmo presa a uma cadeira de rodas, não abdicaria do sonho da maternidade. Seis anos e vários tratamentos depois, ela deu à luz Manuela, que completou um ano no último mês de janeiro

Conheci o amor da minha vida dançando. Durante cinco anos, Jair e eu viajamos pelo Rio Grande do Sul participando de concursos de dança tradicional gaúcha. Tinha 17 anos quando me apaixonei por ele. Eu trabalhava muito. Em Farroupilha, durante o dia, ajudava meus pais com o negócio deles e, à noite, dava aulas de espanhol em uma escola de Bento Gonçalves, cidade vizinha. Naquela época, ainda não tinha formação universitária, mas era ótima professora. Comecei meio sem querer, mas logo percebi que ensinar me realizava. Quando fui convidada a lecionar espanhol em tempo integral, aceitei imediatamente. Eu tinha 26 anos e já estava casada com o Jair há três. Tinha certeza de que minha carreira iria decolar. De cara, me tornei professora de 11 turmas. Dava aulas de manhã, à tarde e à noite todos os dias, e às sextas-feiras, ia para a escola aprender inglês. Mas essa rotina durou apenas um mês.
Jair e eu marcamos uma viagem de final de semana. Como em outras sextas-feiras, ele me daria carona até a escola para a aula de inglês. De lá, sairíamos para encontrar uns amigos e seguir viagem. Por isso, nossa moto estava abarrotada de mochilas e ele dirigia devagar. Perto das 5h da tarde do dia 25 de agosto de 2006, saímos da nossa casa e pegamos a estrada para percorrer os conhecidos 20 e poucos quilômetros que separam Farroupilha, onde morávamos, de Bento Gonçalves, onde eu trabalhava e estudava. O dia estava lindo. Logo à nossa frente, dois carros esperavam, um ao lado do outro, para cruzar a estrada por onde seguíamos. O primeiro arrancou para atravessar a via, mas nos viu e parou a tempo. O motorista do segundo carro fez quase o mesmo. Só que ele não nos viu. E não parou.

O ACIDENTE

Fui arremessada e, como um mergulhador que bate a cabeça no fundo do lago, bati com força no asfalto. Meu capacete resistiu, mas sabia que algo sério tinha acontecido. Não senti nada. Pior: percebia que não sentia nada. Do pescoço para baixo, meu corpo parecia estar preso num sono profundo. Não perdi a consciência. Tive medo. Vi o socorro chegar. Vi o hospital. Vi os médicos e senti, por fim, que estava salva. Mas não senti quando uma agulha alfinetou os meus pés. Nem as minhas pernas. Nem a minha barriga. Nem os meus braços. O diagnóstico era conclusivo: fiquei tetraplégica. De tão ciente da gravidade do meu estado, meu único alívio era não correr o risco de morrer, que eu corria sem saber. Uma cirurgia deveria implantar réplicas de titânio nas três vértebras que a tragédia tirou de mim. Fui submetida à primeira operação dois dias após o acidente. E a segunda ficou para a semana seguinte, a mesma em que meu pai foi diagnosticado com câncer.

Não era fácil admitir que eu não podia mexer um só dedo. Não era fácil ter alguém escovando meus dentes, me dando comida na boca. Mas nunca me entreguei. Durante os dias em que fiquei entubada, não conseguia falar, mas ria. Ria porque sabia que a minha vontade de viver era tão importante para a minha recuperação quanto a medicina que me salvou do acidente. Foram 45 dias de hospitalização: 30 na UTI e 15 no quarto. Nos primeiros dias do pós-operatório, tive uma surpresa maravilhosa.O inchaço do trauma e das cirurgias começou a diminuir, e eu recuperei parte do movimento dos meus braços. Até hoje, a minha mobilidade é a mesma. Sensibilidade total, só dos ombros para cima. Consigo segurar uma xícara, mas não mexo as mãos, que ficam o tempo todo quase fechadas.

Enquanto estava sob tratamento intensivo, tive três pneumonias. Essa inflamação respiratória e a lesão na medula deixaram parte de um dos meus pulmões seriamente debilitada. De acordo com os médicos, essa porção quase morta teria de ser retirada cirurgicamente. De novo, não me entreguei. Com ajuda de fisioterapia, fiz meus pulmões renascerem, voltarem ao normal sem cirurgia.

A UTI se transformou na minha residência naquele mês de internação, entre agosto e setembro de 2006. Tanto que chorei com as enfermeiras quando recebi alta para o quarto. Depois dos últimos 15 dias no hospital, iria finalmente voltar para a minha casa. Mas não estava pronta para voltar para o meu quarto. Havia escadas entre nós. Até que pudéssemos adaptar os ambientes, o que consegui fazer graças a uma herança deixada por meu avô, voltei a morar com os meus pais. Infelizmente, o que me esperava lá estava longe de ser um alívio. Debilitado por causa do tratamento contra o câncer, meu pai, assim como eu, estava preso a uma cadeira de rodas. Dependíamos da minha mãe e do meu marido para tudo e nenhum de nós sabia como lidar com a situação. Era muito difícil, mas tentávamos deixar tudo mais leve, ríamos juntos da nossa tragédia.

Quatro meses depois do acidente, fui pela primeira vez a Brasília, onde comecei um tratamento na Rede Sarah, que oferece reabilitação totalmente gratuita. Lá, com instrumentos adaptados às minhas mãos, reaprendi a escovar os dentes, a pentear meu cabelo, a comer sozinha. Nunca tinha segurado um pincel, mas até a pintar, eu aprendi. Com um apoio enorme do Jair – que do acidente só ganhou um corte no joelho –, da minha família, da dele e da equipe do hospital, fui encaixando a minha vida nos eixos da minha cadeira de rodas. Seis semanas depois, voltei para a minha casa. Só não digo que voltei a ser a Débora de sempre porque, no fundo, nunca deixei de ser quem eu era.

DANÇAR E LIBERTAR

Claro que não é possível ter uma mudança de vida como a minha sem sentir por tudo que não se pode mais fazer. Eu amava dançar. Até que fui a uma festa de casamento e vi todo mundo feliz, dançando, e fiquei arrasada. Mas lembrei do que uma psicóloga do Sarah me disse. Ela me fez prometer que, na primeira vez que sentisse vontade de dançar, eu dançaria. Olhei para a pista e pensei: “Quer saber? Vou lá!”. Foi a minha libertação. Dancei como pude, sentada, mas dancei. E nunca mais deixei de me divertir só porque tinha que dançar sobre a cadeira. Seis meses depois daquela sexta-feira, eu estava de volta às aulas ensinando espanhol. Foi nessa época que perdi meu pai. No fim das contas, o meu acidente e a doença dele nos colocaram de volta na mesma casa, e ganhamos de presente a convivência diária nos últimos meses da vida dele.

Fui professora por mais um ano e meio e, durante esse período, resolvi fazer faculdade. Prestei vestibular em duas universidades. Passei em ambas e optei pela que oferecia ensino à distância. Com as adaptações desenvolvidas em Brasília, consegui usar o computador, o que tornou possível conquistar o meu diploma em Letras. Mas dar aulas já não me realizava mais. Não conseguia escrever no quadro com a mesma agilidade nem solucionar as dúvidas dos alunos como fazia antes, e isso me frustrava. A ideia não era voltar a trabalhar só para me sentir útil. Meu plano era ser feliz. E fazer o meu marido feliz também.

Jair e eu fomos um casal desde muito cedo, passamos uma vida juntos, aprendendo juntos. A questão sexual sempre me preocupou. Nós tivemos que nos conhecer de novo, começar do zero. No Sarah, existe um programa de reeducação sexual. A troca de experiências é muito importante. Na minha primeira reunião, uma das meninas comentou que a vida sexual dela tinha melhorado muito depois da lesão medular. E eu que, seis meses depois do acidente, ainda não tinha transado, era só ouvidos. Em seguida, resolvi testar a teoria. A primeira vez foi complicada, porque nenhum de nós sabia exatamente o que fazer. Eu não sabia o que ia sentir e tinha medo de não sentir nada, de ficar inerte. Mas foi maravilhoso. Vi que era possível sentir prazer e fazer o meu marido feliz. Nós só precisaríamos de calma para descobrir exatamente como. A comparação entre as sensações de antes e depois é inevitável, mas é parte de um processo de aprendizagem, como em qualquer relacionamento. Hoje, nós dois sabemos que, por mais incrível que pareça, um dos lugares onde eu mais tenho sensibilidade é justamente na nuca, no local da minha lesão.
As pessoas acham que cadeirantes não têm vida sexual e esquecem que eu, por exemplo, tenho um casamento de nove anos. O Jair me surpreende todos os dias. Seria um horror se ele me abandonasse, mas nunca deixei de falar sobre as nossas dificuldades por medo de correr esse risco. Jamais admitiria que ele continuasse comigo por pena. Cheguei a ter medo que ele se sentisse culpado pelo acidente, mas isso não aconteceu. Não temos sequelas psicológicas, pois não tínhamos como evitar o acidente. Quero que ele esteja do meu lado sempre. Existem algumas dificuldades, mas existem outras graças. Garanto que poucas pessoas sabem como é fazer sexo numa cadeira de rodas. É só ter criatividade. Chegaram a perguntar se a minha gravidez foi resultado de inseminação artificial. Lógico que não. Fazer a Manu foi uma delícia!

Preparei-me psicologicamente durante dois anos para a gravidez. Para uma mãe, saber que não poderá atender todas as necessidades de um filho dói muito. Voltei ao Sarah para buscar orientação e, como acompanhamento de uma médica especialista em gravidez de alto risco, começamos as tentativas para ter um bebê em dezembro de 2010.

Em abril, quando já estávamos acostumados comas negativas, alguns amigos nos convidaram para fazer uma viagem a Las Vegas dali a algum tempo. Achamos uma boa ideia. Mas a minha menstruação atrasou. Fiz os cálculos e, caso estivesse grávida, iria para Las Vegas com uma barriga de cinco meses. Preferi esperar para ter certeza da gravidez antes de comprar as passagens. Pedi para o Jair comprar um teste de gravidez. Deu positivo. Quando contamos aos amigos que não viajaríamos, foi uma festa. Todos sabiam o motivo. Nunca um cancelamento foi tão comemorado como aquele. Recebi o diploma universitário exibindo a minha barriga.

A gravidez foi muito tranquila. Normalmente, as gestantes como eu fazem cesariana com anestesia geral. Eu, que passei pelo horror do meu acidente sem perder um segundo de consciência, não admitiria dormir no nascimento da minha filha. Os médicos pesquisaram e concluíram que eu poderia tê-la de parto normal. Mas as dores preocupavam. Não é porque não sinto dor que ela deixa de existir – o fenômeno chama-se disreflexia. Quando tenho uma dor de estômago, não sinto o incômodo localizado, mas posso ter calafrios ou dor de cabeça, por exemplo. É esse tipo de sensação que me avisa quando algo não está bem no meu corpo. Por isso, mesmo não tendo sensibilidade, o parto da Manu foi com analgesia. As contrações vieram em forma de arrepios. Deve ter sido o parto mais tranquilo de todos os tempos. A sala estava à meia luz, uma música clássica tocava baixinho. O engraçado é que era eu quem dizia para a enfermeira: “Força, Karen, força!”, porque quem fazia o esforço todo era ela, empurrando a minha barriga a cada contração. Todo mundo chorou quando a Manuela nasceu, no dia 10 de janeiro de 2012. Foi lindo.
Com a Manu, desde sempre, foi incrível. No início, vivi momentos de pavor. Não conseguia acalmar a minha própria filha. Toda mãe sente insegurança, mas acho que senti mais. Isso porque tinha que delegar a outras pessoas muitos cuidados. Mas sabia que seria assim. Amamentei tranquilamente, mas precisava de alguém do meu lado o tempo todo. Chorei, tive medo e não posso negar que, às vezes, fico triste pelo que não posso fazer por ela. Mas todo o resto que consigo fazer é tão bom e tão maior… Todos os dias descubro formas de estar mais perto da minha filha. Não troco fraldas, não consigo dar banho. As minhas mãos nesses momentos são as do Jair ou as da Vera, a babá, mas estou sempre ao lado. Consigo dar mamadeira, brinco com ela.

UMA MATERNIDADE ESPECIAL

A Manu se acostumou a brincar comigo sem estar no meu colo. Coloco-a sobre a mesa e beijo, abraço, aperto. A Manu já bate palmas com as mãozinhas fechadas, como as minhas, que não consigo mais abrir. Parece que ela sabe. Se o Jair chega perto dela, estica os braços e pede colo, pede para sair do berço. Comigo, não. Ela pode até reclamar que cansou da brincadeira, mas não me pede o que não posso dar. E fica louca com a minha cadeira! É lindo ver que a Manu escuta, reconhece o barulho do motor da cadeira e sabe quando estou chegando. Sei que o que ficou do acidente é para o resto da minha vida. E também que, independentemente de quem seja, sempre vou precisar de alguém ao meu lado. No meio da noite, se estiver em uma posição desconfortável, vou precisar acordar o Jair e pedir: “Amor, me vira?”. E ele vai estar ali para me virar. Sempre fomos muito unidos, mas hoje nossa ligação aumentou. Quando a Manu crescer mais um pouco, vou fazer uma pós-graduação e voltar a trabalhar. Mas, agora, o que eu mais quero é ver a minha filha caminhando para mim, correndo em direção à minha cadeira, subindo nela e dançando com a gente.”

Fonte: Deficiente Ciente

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Empresário tetraplégico cria inovações para a biomedicina

A busca por inovação é uma constante na vida do empresário Leonardo Silva, 39. Ele, que fez da
procura por novas soluções um caminho pessoal e uma oportunidade de negócios, teve seu reconhecimento no ano passado com o título de Empreendedor Inovador do Paraná, entregue pelo Centro Internacional de Inovação (C2i) da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep).

A proposta escolhida por unanimidade pelos avaliadores do C2i foi o sistema recém-lançado MovSmart, que trabalha com a automação de equipamentos de ginástica e, de acordo com Silva, é uma inovação mundial para o mercado de academias. Acoplado aos aparelhos, o sistema verifica toda a realização da atividade física, desde o tempo de intervalo e a contagem da série até a fadiga no atleta. Os dados são enviados para a internet e podem ser controlados remotamente.

Esta, no entanto, não é a única criação do empresário, que desenvolveu seus sistemas na incubadora do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar). Desde 2009 também está no mercado o BioFeed, destinado exclusivamente para tratamentos de reabilitação, que acompanha toda a evolução do paciente em seus movimentos, bem como o exercício correto a ser realizado, e já demonstrou sua eficácia em pacientes com Parkinson.

“Percebi que a saúde tinha pouca tecnologia disponível para o trabalho. Existiam pesquisas, mas elas não iam para o mercado. Por isso criei a empresa BioSmart para desenvolver novas tecnologias e transformá-las em produtos”, conta. A prática na biomedicina veio depois de um acidente aos 24 anos, em que Silva fraturou a coluna e ficou tetraplégico. Até então, o jovem era um profissional com extenso currículo na área de informática. “Aprendi com a prática e utilizei minha experiência para criar sistemas. Sempre fui muito curioso”, conta ele, que vê seu trabalho valer a pena na recuperação dos pacientes.

Leonardo Silva aposta todas suas fichas no potencial de seus produtos. O BioFeed, por exemplo, tem investimento de R$ 7 mil para cada aparelho e pode ser utilizado por diversas especialidades. A viabilidade do MovSmart é fortalecida pela possibilidade de inserir publicidade nas máquinas utilizadas nas academias de ginástica.

O empresário tem engatilhado pelo menos outros seis sistemas a serem desenvolvidos. “Tenho trabalho até 2020. Mas são coisas simples: pego a necessidade e encontro soluções”, diz. Entre as próximas apostas estão sistemas para melhorar o treino tático de tenistas e também o que promete ser um boom no mercado: a criação de eletroestimuladores para que pacientes paraplégicos consigam andar.

Fonte: Ser Lesado

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Continuação do caso da mãe que foi flagrada a espancar o filho tetraplégico

Lembram-se de certeza do caso da mãe que foi flagrada a espancar o filho tetraplégico! Para quem não acompanhou a história clique AQUI.

Pois é, a justiça brasileira decidiu enviar a dita senhora para casa. Enquanto isso a vitima está entregue nas mãos de parentes afastados...cada um tire as suas ilações. Muito triste tudo isto. Vêm porque muitas vezes afirmo detestar ser dependente...

domingo, 9 de junho de 2013

Você pode levar uma mulher ao orgasmo só com o olhar

Nesta quarta, 5 de junho, Marília Gabriela recebeu o escritor e dramaturgo Marcelo Rubens Paiva. Trinta anos atrás ele ganhou o Brasil publicando o livro “Feliz Ano Velho”, um best-seller que narra sua juventude e o acidente que o deixou tetraplégico. Marcelo já escreveu e dirigiu inúmeros espetáculos teatrais e chegou ao seu décimo livro publicado, “As Verdades Que Ela Não Diz”.
Veja aqui a entrevista em video:


Fonte: Ser Lesado