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domingo, 5 de abril de 2020

Investigação dinâmicas psicossexuais e expressão sexual em pessoas com doença crónica e deficiência física

Olá! Estou a desenvolver uma investigação qualitativa cujo objetivo é avaliar as dinâmicas psicossexuais e a expressão sexual em pessoas com doença crónica e deficiência física em Portugal.


Para tal, gostaria muito de contar com a vossa colaboração divulgando e procedendo ao preenchimento do questionário que aqui se apresenta (que é anónimo e confidencial) e que é constituído por 2 partes: 
1) parte sociodemográfica, 
2) parte de respostas de preenchimento aberto. 

O seu preenchimento demora cerca de 15/20 minutos.

Este inquérito está dirigido a pessoas com 18 ou mais anos de idade e que têm um diagnóstico de doença crónica ou uma deficiência física.

Para participar, basta aceder ao link (seguro)

Desde já muito obrigado pela sua colaboração!
Henrique Pereira, Ph.D.
Professor Associado com Agregação
Departamento de Psicologia e Educação - Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
& Centro de Investigação em Ciências da Saúde (CICS)
Universidade da Beira Interior | Covilhã | Portugal

Enviado por email

domingo, 9 de fevereiro de 2020

Albufeira derruba mitos e preconceitos da «Sexualidade na Deficiência»

A Biblioteca Municipal Lídia Jorge, em Albufeira, recebe no próximo dia 14 de fevereiro, sexta-feira, a partir das 10h00, vários especialistas na área da sexualidade e psicologia, entidades que trabalham na área e alguns jovens que irão transmitir o seu testemunho na primeira pessoa sobre a «Sexualidade na Deficiência».


O objetivo deste momento é, além de chamar a atenção para a problemática, desmistificar «mitos e preconceitos que ainda pairam sobre a sexualidade de pessoas com deficiência. Um dos mitos mais comuns é considerar que as pessoas com deficiência são assexuadas», explica o município de Albufeira.

A sessão de abertura vai contar com as intervenções do presidente da Câmara Municipal de Albufeira, José Carlos Rolo, e da vice-presidente da autarquia, Ana Pífaro, responsável pelo pelouro da Ação Social.

A sessão de trabalhos têm início às 10h20, com a apresentação do tema «Sexualidade e Deficiência: Claro que sim!», por Jorge Cardoso. A segunda intervenção, «Direitos Sexuais são Direitos Humanos», fica a cargo de Maria Manuela Ralha, vereadora da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira.

Às 11h40 está prevista uma pausa para café, com a retoma dos trabalhos a dar-se às 11h55, com o tema «Sexualidade!!! Direito ou realidade…Um Sentir diferente!!!» que fica a cargo da SPA – Associação Algarvia de Pais e Amigos de Crianças Diminuídas Mentais.

No final, há um período destinado a debate e reflexão. Já na sessão vespertina, estão previstas duas intervenções: «Sexualidade e afetos na deficiência – A realidade institucional do Lar de S. Vicente da Santa Casa da Misericórdia de Albufeira», marcada para as 14h30, e «Informação e orientação para uma renovada sexualidade», por Ana Garrett.

De seguida abre-se novo período de debate e reflexão, sendo que o encerramento dos trabalhos está previsto para as 16h30.

A participação é gratuita mas limitada ao número de vagas. Para mais informações e inscrições utilize os telefones 289 246 908 ou 289 599 684, podendo ainda contactar por e-mail o Espaço Integrar.

sábado, 13 de abril de 2019

4 guias sobre sexualidade e deficiência

"Guía sobre sexualidad y discapacidad en el entorno escolar" .


Editó: Consejería de Educación, Cultura y Deporte y CERMI Cantabria 
España; marzo 2019.


"Guía sobre los Derechos Sexuales, Reproductivos y vida libre de violencia para personas con discapacidad".


Editó: Fondo de Población de las Naciones Unidas – UNFPA y el Consejo Nacional para la Igualdad de Discapacidades – CONADIS (Ecuador; 2018).


"Sexualidad y Afectividad en personas con parálisis cerebral".


Orientaciones para la atención, educación y prestación de apoyos a la Sexualidad de niños, niñas, adolescentes, jóvenes y personas adultas (hombres y mujeres) con parálisis cerebral.

Editó: Confederación ASPACE (España; 2018)


Aprendiendo a disfrutar.Guía de Práctica Clínica sobre sexualidad en diversidad funcional.


Ainhoa Espinosa Luzarraga - (España; 2019)


Fonte: Mitología de la Sexualidad

domingo, 17 de março de 2019

Sim, quem tem deficiência também precisa de sexo

A sexualidade na deficiência continua a ser um tabu, mas o movimento Sim, Nós Fodemos luta há quatro anos para mudar mentalidades. O cocriador Rui Machado lamenta ao i a desvalorização por parte da comunidade médica da vivência da sexualidade das pessoas com diversidade funcional e defende a assistência sexual como a solução para que muitas dessas pessoas deixem de recalcar a satisfação dessa necessidade.
Rui tem uma doença neuromuscular genética e evolutiva. Começou por ser seguido por um pediatra, mas rapidamente ao ser diagnosticado deixou de o ser, passando a ser acompanhado por um especialista de neurologia. À medida que foi crescendo, e chegado à adolescência, nenhum médico abordou nunca a vivência da sua sexualidade, nem mesmo os cuidados a ter relativamente às doenças sexualmente transmissíveis ou à contraceção, por exemplo.

“Enquanto quem não tem doença neuromuscular é seguido pelo pediatra e depois na altura da adolescência a sexualidade é abordada, eu estive completamente abandonado a nível clínico na questão da sexualidade”, lamenta ao i. O i sabe que nada obriga os pediatras a abordar o tema da sexualidade com os pacientes na idade da adolescência; o tema é abordado ou não por decisão do médico, a partir da relação com a família e com o adolescente e consoante a abertura que exista para tal. Nas outras especialidades, isso é ainda mais evidente. Hoje com 35 anos, Rui Machado é um ativista pelos direitos das pessoas com diversidade funcional e sabe que, tal como no seu caso, a generalidade das pessoas com deficiência veem a sua sexualidade esquecida por quem melhor devia esclarecê-las e acompanhá-las. Integra o movimento (d)Eficientes Indignados, que trouxe para a ordem do dia a reivindicação de vários direitos das pessoas com deficiência, e é um dos cocriadores do movimento Sim, Nós Fodemos, que há quatro anos tem vindo a reivindicar o direito à sexualidade das pessoas com diversidade funcional.

“Começámos por fazer uma pesquisa daquilo que é feito lá fora, uma vez que não precisaríamos de inventar nada se houvesse um trabalho bem feito lá fora”, recorda o ativista, psicólogo de formação. O grupo encontrou então o documentário “Yes, We Fuck” do ativista espanhol António Centeno e decidiu abordá-lo. “Gostámos muito do trabalho dele e da sustentação teórica e contactámo-lo à procura de orientações sobre como desmistificar a sexualidade na deficiência no âmbito do nosso movimento”, explica Rui Machado. Para o ativista, existem diversos preconceitos sobre o tema, que se explicam pela ausência de informação, uma falha que o movimento também pretende colmatar. O objetivo primordial? “Melhorar os afetos e a sexualidade das pessoas com diversidade funcional”. Para isso, os criadores do Sim, Nós Fodemos estabeleceram, por exemplo, protocolos com sexshops para que as pessoas com deficiência pudessem ter descontos em alguns artigos.

Tudo pequenos passos até ao derradeiro propósito deste grupo de ativistas: chegar a um modelo de assistência sexual. “Em Portugal, ao nível do apoio à pessoa com diversidade funcional não é entendida a pessoa como um todo. A dimensão da sexualidade é absolutamente negligênciada e não há previsão de que isso possa vir a mudar”, refere Rui. O i procurou junto do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social esclarecer se não existem, de facto, respostas direcionadas não só para a vivência da sexualidade por parte destas pessoas, mas também para a sua educação sexual, que lhes possibilite a satisfação de uma necessidade básica independentemente dos obstáculos que as suas limitações possam ser. A resposta não chegou até ao fecho desta edição.

No caso de pessoas que adquirem uma deficiência ao longo da vida, o futuro pode ser mais risonho neste capítulo, acredita o ativista. “Tanto no Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão como no Centro de Reabilitação Profissional de Gaia já existe uma consulta de sexualidade para as pessoas em reabilitação para se abordar precisamente a sexualidade da pessoa”, nota ao i o ativista. Pretende-se, assim, ajudar à adaptação necessária para assegurar a vivência sexual.

No que à assistência sexual diz respeito, o ativista alerta para a importância da criação dessa figura: está em causa a satisfação de uma necessidade básica, que em muitos casos acaba por ser recalcada pela ausência de alternativas. “Além disso, a sexualidade é mais do que o coito. Não viver a sexualidade tem uma implicação direta no desenvolvimento pessoal de cada um, na autoestima, na relação interpessoal diária”, defende Rui Machado. Lá fora, aliás, são vários os países com modelos de assistência sexual. É o caso, por exemplo, da República Checa, da Suíça ou de Espanha. “Da nossa pesquisa, parece-nos muito interessante uma perspetiva mais comunitária do que propriamente mais técnica. Na Suíça, por exemplo, são técnicos que prescrevem a possibilidade ou não de haver essa assistência sexual, e era um modelo claramente de âmbito médico”, elucida o ativista, que afirma que o grupo “defende o modelo social da deficiência ao invés do modelo médico”.

Para os responsáveis do Sim, Nós Fodemos é o modelo catalão aquele que consideram o mais satisfatório. “Há uma associação que faz uma coisa que nos faz muito sentido: forma assistentes sexuais e as pessoas com diversidade funcional querem e têm necessidade de ter um assistente contactam a associação, que não faz mais do que pôr duas pessoas em contacto. Depois, aquilo que acontece entre elas, é aquilo que acontece entre dois adultos e sobre isso não há absolutamente nada a dizer. Parece-nos um modelo maduro, adulto e sobretudo muito pouco paternalista”. A formação dos assistentes é direcionada para diversos tipos de incapacidades, até para “garantir a segurança das duas pessoas que estão envolvidas”, elucida Rui Machado, mas assegura também o básico: “Explicar o que é a deficiência, como é encarada, etc.”. Quanto ao pagamento ou não do serviço, é algo que é acordado entre o assistente e a pessoa com deficiência. “Em Espanha há muita gente a fazê-lo de forma voluntária”, destaca Rui Machado.

Em ano de arranque do projeto-piloto do Modelo de Apoio à Vida Independente (MAVI) a nível nacional, criado por projeto de lei – e que vai permitir a cerca de 800 pessoas com deficiência terem um assistente pessoal que faça aquilo que as suas incapacidades as impeçam de fazer, possibilitando-lhes uma vida autónoma, fora de modelos de institucionalização ou de dependência familiar –, faz ainda mais sentido não continuar a esquecer o tópico da sexualidade, até porque esse é um dos pilares da filosofia da vida independente. “Este ano vai ser muito importante porque vai ser o ano em que as pessoas vão perceber que podem ter alguma visibilidade enquanto pessoas donas da sua própria vida, em que podem efetivamente fazer escolhas que lhes digam respeito de forma autónoma. E vai abrir caminho para o desenvolvimento e aceitação pública do modelo de assistência sexual, ainda que não precisemos da aceitação nem da aprovação de ninguém para exercer um direito básico, que fique claro”, acredita Rui Machado.

MAIS:

Sexo na deficiência. Quais os obstáculos e o que é preciso mudar?

As pessoas com deficiência têm o direito de recorrer a quem quiserem

Fonte: i

sábado, 9 de março de 2019

Especialistas defendem legalização da assistência sexual profissional a deficientes

Os especialistas defendem a regulamentação da assistência sexual a pessoas com deficiência, de modo a acabar com o estigma associado em torno do recurso a profissionais do sexo.


A regulamentação da assistência sexual a pessoas com deficiência, a partir de um debate alargado, é a solução apontada por especialistas para acabar com o estigma em torno do recurso a profissionais do sexo. Raquel Pereira, investigadora da Universidade do Porto, Nuno Teixeira, coordenador regional da Associação para o Planeamento Familiar (APF), e Rui Machado, do Centro Vida Independente, falaram à Lusa sobre a “sexualidade das pessoas com deficiência”, tema em foco no 12.º Salão Erótico do Porto, que vai decorrer até 10 de março, na Exponor, em Matosinhos.


Rui Machado vive na primeira pessoa o problema da deficiência, ainda que o facto de se locomover em cadeira de rodas não lhe retire ânimo nem força para lutar pelo que considera justo, concordando ser a “sexualidade em Portugal uma questão de lei”, mas também “cultural”. Crítico de “um entendimento da deficiência contaminado pelo modelo médico, em que o problema está na pessoa”, defendeu a necessidade de um debate para resolver o problema da sexualidade nas pessoas com deficiência.

“A participação de todos os envolvidos é uma premissa para um trabalho de grande impacto”, enfatiza Rui Machado para quem “a legalização do trabalho sexual era muito importante”, sustentando não “encontrar nenhuma razão em contrário”, num país com um “vazio legal” nessa matéria. Este trabalho, advertiu, deve também “diferenciar muito bem a assistência sexual da prostituição”, sob pena “de não se conseguir ajudar quem precisa”, numa conjuntura em que a não perceção por familiares e cuidadores do desejo sexual do deficiente a cargo “só vai agravar o problema”.

Segundo Rui Machado, o não acompanhamento do desejo sexual da pessoa com diversidade funcional faz com que piore com o passar da idade, num processo a que se juntam casos de indivíduos que não conseguindo “interpretar” as mudanças no seu corpo não sabem como “lidar” com isso. Da parte da APF, Nuno Teixeira apontou na mesma direção, reclamando uma abertura para que o tema possa “ser trabalhado de forma científica” e lembrando que este é um problema transversal à sociedade.

“Na deficiência, orientação sexual ou na identidade sexual, as famílias transportam toda a carga simbólica que a sociedade atribui à diferença e, perante a diferença, reagimos com medo”, apontou Nuno Teixeira, queixando-se que os “cuidadores formais e informais têm muito pouca competência” e que o “habitual é fazer de conta que estas pessoas [deficientes] são assexuadas”.

Defensor do recurso a trabalhadores sexuais para assistir deficientes, disse faltar na sociedade “uma maior discussão sobre todas estas questões”, envolvendo “pais, mães, escolas, as ONGs que trabalham nisto e Estado”, em busca da solução “mais informada e consciente possível”. Raquel Pereira integra o grupo de investigação e sexualidade humana da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto e disse haver hoje um “tabu social menor sentido pelas pessoas com incapacidades físicas“.

“Contudo, o problema continua, pois “as pessoas vão às suas consultas normais, com médicos, e nem sequer lhes é perguntado como está essa parte da sua vida, o que necessitam”, relatou a académica que teve um período de formação na Holanda [no centro de Reabilitação Basalt, em Haia], que lhe permitiu avaliar diferenças entre os dois países.

“Tive a oportunidade de entrevistar profissionais que trabalham em contexto de reabilitação e que são sexólogos, focando a sua intervenção na sexologia” relatou Raquel Pereira de uma realidade “que em Portugal é praticamente inexistente, tirando Alcoitão, onde existe uma consulta da especialidade”, comparou.

E prosseguiu: “lá, explorei um bocadinho quais os desafios à implementação da sexologia em contexto de reabilitação, e para aquelas que já nasceram com algum tipo de incapacidade, e o tabu parece não estar tão presente”. “Existem desafios, sim, mas não tanto em relação à forma como a sexualidade é vista e encarada. Ela parece ser relativamente aceite como parte do cuidado holístico à pessoa”, completou.

Fonte: Observador

domingo, 21 de janeiro de 2018

Jovens com deficiência aliciadas por 200 euros para prostituição

O site holandês werkenmetwajong.nl está a oferecer a jovens com deficiências físicas e mentais a possibilidade de realizarem trabalhos sexuais em troca de 200 euros por mês. E essa é a quantia máxima: para continuarem a receber a assistência social oferecida pelo Governo não poderão ter um emprego que pague uma quantia maior.


Apesar da proposta, o site é verdadeiro e os seus proprietários têm a empresa legalizada e com os impostos pagos. A questão é por isso ética, ou moral, em vez de legal.

Os deputados de esquerda holandeses já criticaram a oferta que tem como alvo "os jovens mais vulneráveis" e pedem agora ao Parlamento que procure formas de encerrar, com a máxima urgência, o site em causa.

O deputado socialista Jasper van Dijk disse mesmo que "permitir algo assim é altamente censurável, é uma loucura". Todos os deputados expressaram a sua preocupação e exigiram medidas imediatas.
As únicas pessoas que se podem inscrever neste site são os jovens que têm uma deficiência de trabalho reconhecida ("Wajongers", em holandês), ou seja, beneficiários da ajuda social.

A secretária de Estado do Trabalho e Ação Social holandesa, Tamara van Ark, sublinhou que um grupo vulnerável, como as pessoas com deficienência, não deveria "ser exposto a atividades socialmente controversas", como a prostituição na Internet. O site é uma iniciativa privada de um empreendedor holandês, que ainda não comentou a polémica.

A prostituição é legal nos Países Baixos desde que seja exercida de forma voluntária por pessoas com mais de 18 anos de idade.

Fonte: DN

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Nem filhos, nem liberdade sexual. Mulheres deficientes devem quebrar silêncio

Não basta ser-se aos olhos da sociedade, diferente. É ainda pior querer viver-se a autonomia e sexualidade sendo-se mulher. Esta é uma das conclusões de Rui Machado, o cocriador do movimento do Sim, Nós Fodemos, em declarações aoDelas.pt a propósito do dia Internacional das Pessoas com Deficiência, que se assinala este domingo, 3 de dezembro.


“Com o nosso movimento, queremos poder saltar dois muros ao mesmo tempo: o da sexualidade e o da deficiência. Mas as mulheres em particular enfrentam um terceiro muro, o do género“, começa por lamentar o responsável de um movimento que, a caminho dos cinco anos de existência, está a alertar a sociedade para a questão da autonomia e da liberdade sexual das pessoas deficientes. O psicólogo clínico lembra, por isso, que neste campo está tudo por fazer em matéria de igualdade de género

Afinal, reitera, “se qualquer mulher relata queixas relativamente à desigualdade em questões laborais, de relacionamento, de diferenças de tratamento, naturalmente que aquelas que vivem a diversidade funcional estarão em situação de uma maior vulnerabilidade, pelo que essas mesmas dificuldades se vão sentir de forma ainda mais carregada“.

Por isso, são muitas as batalhas que o movimento Sim, Nós Fodemos tem em mãos e que quer pôr em marcha o quanto antes. Do direito à maternidade, às parcerias para as sex toys, até à assistência sexual, são muitas as ações que o movimento de, entre outros, Rui Machado, quer trabalhar já a partir de 2018.
10% da população vive com deficiência ou incapacidades várias.

Estima-se que, em Portugal, existam cerca de um milhão de pessoas com deficiência e/ou incapacidades várias, ou seja, 1/9 da população nacional. Estes eram os números aproximados avançados pela Associação Portuguesa dos Deficientes, em fevereiro de 2016, numa ocasião em que o Estado anunciava estar a preparar um “censos” detalhado para melhor conhecer esta população.

De acordo com o Centro Regional de Informação das Nações Unidas (UNRIC, acrónimo orignal), as pessoas com deficiência constituem a maior minoria do mundo. Mantendo a mesma proporção que se verifica em Portugal, de 10%, estima-se que650 milhões de indivíduos no planeta vivam essa diferença. Um valor que, adianta a Organização Mundial da Saúde, está a aumentar por via “do crescimento demográfico, dos avanços da medicina e do processo de envelhecimento“, cita a UNRIC.
Mulheres têm medo de serem “vítimas de preconceito”

Machado conta que as mulheres são quem menos se queixa e pede ajuda. É essa, pelo menos, a experiência que ressalta do trabalho que tem vindo a desenvolver. “Notamos claramente que os homens vêm ter connosco com maior frequência a pedir-nos ajuda, soluções e até a desabafar. As mulheres não fazem tanto isso“, nota.

Fique ainda a conhecer o projeto do movimento Sim, Nós Fodemos em matéria de acesso a brinquedos sexuais

E porque é que tal sucede? “Não posso responder com um artigo científico, mas estou convencido que tem que ver com os estigmas que existem sobre as mulheres“, avança Rui Machado. Ou seja, prossegue, “mais do que o conformismo, creio que elas têm medo de serem, ainda mais, vítimas de preconceito“. “Creio que isso explica a razão pela qual somos menos procurados pelo público feminino”, afirma.

O responsável do movimento diz mesmo que “houve dificuldade em ter mulheres no grupo porque há o risco de a mulher, ao assumir que quer viver a sua sexualidade, sentir ainda mais preconceitos“.
“Vida independente é a possibilidade do amor”

A frase foi escrita numa crónica, pela mão de Rui Machado. Para o psicólogo clínico, só “uma vida independente permitirá ter uma vida social e viver o amor“, sendo que, nesta matéria, “muitas pessoas em Portugal ainda estão em exclusão social“, explica ao Delas.pt. E prossegue: “Claro que, neste contexto, nunca se consegue ser um ser sexual, com direitos.”

“O nosso estado delegou, desde sempre, as concidadãs e os concidadãos para as famílias ou para as instituições, onde o espaço para a autonomia, a liberdade e autodeterminação não são muito grandes“, vinca o cofundador do movimento.

Ora, olhando em particular para o sexo feminino, o problema arrisca ser ainda mais gritante. “A autonomia tem depois, na mulher, outra dimensão, que é a questão da maternidade. Se ela tem dificuldade para se vestir a si própria, terá de ter apoio para o seu bebé, mas não pode ver recusado o direito à escolha”, conclui Machado.

Fonte e mais informação: Delas

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Da indiferença na diferença

A atividade sexual, distinta da sexualidade, está fisiologicamente preparada para assegurar a sobrevivência da espécie, pelo que existe uma componente irracional, reflexa e animal. A sociedade encara exclusivamente o sexo numa perspectiva em que o pénis assume o papel principal, e não considera a penetração como apenas um detalhe da actividade sexual. Para a maioria das pessoas, o normal é conseguir que o pénis mantenha uma erecção de qualidade suficiente que permita o coito e, no final, o orgasmo e a ejaculação. A estimulação manual ou oral é observada como um preliminar imediatamente antes do ato propriamente dito.
Ainda que não certo, é provável que daqui parta a hipótese de que as pessoas com deficiência física adquirida tendem a ser consideradas assexuadas pelas sociedades em que estão inseridas. A crença de que, por terem algum tipo de incapacidade, não são atrativas nem desejáveis (e, como tal, dificilmente encontrarão parceiro), parece ser a principal culpada; um mea culpa ao pressuposto de que estas não possuem necessidades dessa natureza, pela incapacidade de sentir fisiologicamente desejo, também deverá ser requerido.

Efectivamente, a lesão medular tem implicações fisiológicas negativas no desempenho sexual. Em grosso modo, no caso dos homens as dificuldades em obter uma erecção eficaz e consistente para a prática do coito, estão, na maior parte das vezes, presentes. Para além disso, a percepção do orgasmo e a capacidade ejaculatória são, de igual modo, afectadas. As mulheres descrevem diminuição da lubrificação vaginal, para além de ausência de sensação. Assim, deduz-se rapidamente que a maior parte das pessoas com lesão medular não esperam vir a recuperar a sua vida sexual conforme reconhecem ter tido antes do evento traumático.

Parecem ser estas deduções que encaixam na perfeição na confortávelassexualidade: o sistemático comportamento de evitamento que transparece nas explicações vagas e no negligenciar de práticas interventivas e orientações concretas, que possam melhorar a vida sexual das pessoas com lesão medular, é espelho disso.

Em Portugal apesar dos profissionais de saúde transmitirem a ideia de que conversam com estas pessoas acerca da sua nova condição sexual, esse facto não é evidenciado nas publicações existentes, nem em estudos recentes que deram voz à população em causa. Temas como o amor romântico, a intimidade e a sexualidade, raramente são abordados, negligenciando-se, assim, expressões de sexualidade como promotoras do auto-conceito e autoestima.
Em Portugal apesar dos profissionais de saúde transmitirem a ideia de que conversam com estas pessoas acerca da sua nova condição sexual, esse facto não é evidenciado nas publicações existentes, nem em estudos recentes que deram voz à população em causa

Convenientemente sublinham-se argumentos de que a vida sexual e a sexualidade individual são assuntos da esfera privada, habitualmente partilhados com pessoas afins, porquanto, abordar o tema com terceiros é, normalmente, fonte de inibição, inclusive (sobretudo?) para os profissionais de saúde, mesmo quando integrada num contexto clínico. Também porque é difícil dizer em que momento do processo surge a primeira preocupação de índole sexual, surge outro argumento, escamoteado no luto e na aceitação desta nova realidade, que pode condicionar a intervenção na área da sexualidade. Sabe-se, contudo, que é durante o período de reabilitação inicial que surge a redescoberta sexual, pelo que as informações e orientações podem constituir um contributo importante para a obtenção de resultados positivos em todo o processo de recuperação.

Porém, no seu conjunto, o alheamento face à problemática da reeducação sexual das pessoas com lesão medular, pode resultar da inexistência de um trabalho de equipa organizado e estruturado para este fim. A insegurança quanto aos conhecimentos e quanto ao papel de cada um, poderá ser ultrapassada com a implementação de equipas multidisciplinares de reeducação e reabilitação da vida sexual e da sexualidade, integradas num programa holístico de intervenção. Mas, comum e infelizmente, ao invés de ser encarada como uma actividade estimulante e prazerosa, a sexualidade assume contornos de tabu e encerra sólidos obstáculos na sua reabilitação, ignorando e omitindo que o experimentar e o reinventar do significado da sexualidade, são aspectos fundamentais para o processo de uma boa adaptação a uma nova realidade sexual.

Viajando bibliograficamente no tempo, nas décadas de 70 e 80, encontramos optimismo nas profícuas publicações, repletas de propostas de estratégias a implementar, nomeadamente, programas educacionais direccionados às equipas multidisciplinares, com o intuito de incentivar a abordagem à vida sexual destas pessoas ainda durante a fase aguda/período de internamento, promovendo a sua reabilitação holística. Após este período de proficiente produção científica, o vazio é encontrado na literatura, não havendo informação clara de que os referidos programas tivessem sido implementados, nem da avaliação da sua eficácia.
[…] este tema situa-se, aparentemente, na esfera do academicamente pouco ou nada interessante e com fraca razão relevante, logo, pouco apoiado (ignorado) pela comunidade científica. É uma minoria, mas não está na moda

Mas em bom rigor nem tudo tem corrido mal para os homens com lesão medular. A prova disso é a investigação assente nos meios auxiliares de intervenção para a reabilitação (da função) sexual, como a medicação por via sistémica (ex. sildenafil, vardenafil, tadalafil), a medicação por via tópica (ex. alprostadil), os meios mecânicos (ex. bomba de vácuo, implante cirúrgico) e os meios psicoterapêuticos (ex. vertentes de abordagem comportamental, psicanalítica, de orientação dinâmica, de grupo, hipnoterapia, cognitivo-comportamental). De salientar que dos meios psicoterapêuticos, o feedbackapresentado tem-se revelado praticamente nulo.

As mulheres com lesão medular viram/vêm as investigações/intervenções dirigidas para a descoberta do melhor e mais eficaz lubrificante vaginal (de modo a evitar lesões internas, ocasionadas pela ausência de sensibilidade) e para a procriação medicamente assistida. A satisfação sexual feminina e a sua sexualidade, mantém-se lá longe, encerrada nas catacumbas da história da humanidade!

No fundo, este tema situa-se, aparentemente, na esfera do academicamente pouco ou nada interessante e com fraca razão relevante, logo, pouco apoiado (ignorado) pela comunidade científica. É uma minoria, mas não está na moda. Quem desenvolve actividade profissional junto destas pessoas, passa anónimo pelos intervalos da chuva da intervenção, esbarra nas sólidas portas fechadas das mentalidades que insistem no foco da genitalidade e, este sim, constitui o factor mais complexo da acção. Que pena!

Por: Ana Garrett - Fonte: Sociedade Portuguesa de Sexologia Clinica

sábado, 4 de março de 2017

Aplicação de encontros para pessoas com deficiência

Existem aplicações de relacionamentos online para todo tipo de público. O Tinder é certamente o mais popular, mas há outras opções diversas e segmentadas para ligar os utilizadores mais próximo do que procuram. Ao todo são já mais de 4500 empresas de serviços de namoro, mas para, Geoff Anderson, não foi um número suficiente. Encontrou uma diferenciação neste tipo de mercado. Ele explicou que obteve a inspiração depois de trabalhar com instituições sem fins lucrativos para pessoas com deficiência e ao testemunhar as experiências negativas do seu irmão, que tem dificuldades cognitivas, com outras aplicações de relacionamentos. As pessoas com deficiência são, muitas vezes, estigmatizadas – agora poderão superar essas adversidades.

A Glimmer foi projectada para promover a transparência entre os utilizadores e acolher todas as pessoas com deficiências físicas e cognitivas. Esta aplicação social dá a opção de seleccionar e exibir o tipo de deficiência. A partir daí, tudo parece ser familiar: especificar se estão à procura de uma amizade ou um relacionamento amoroso, com homens ou mulheres, e também poderão pesquisar através de vários filtros e configurações de descoberta, incluindo a idade e o tipo de incapacidade. Por exemplo: Para alguém que é surdo e se quer conectar com outras pessoas surdas, a Glimmer torna isso possível.

Em www.glimmerindustries.com estão disponíveis para download as aplicações para Android e iOS.

Fonte: Sábado

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Eu também quero sexo

Documentário da TV3 da Catalunha "Eu também quero sexo", sobre o direito a assistência sexual.



Veja AQUI

Fonte: Mitologia de la Sexualidad

sábado, 9 de julho de 2016

Produtos eróticos pessoas com deficiência

A My Secret é uma loja online para fazer compras de produtos eróticos com garantia de seriedade, profissionalismo e ética. 
 
A empresa tem mais de 10 anos de experiência na venda direta deste tipo de produto, mas também na realização de apresentações de grupo e workshops, sempre ligados à saúde sexual.
A My Secret quando decidiu juntar-se ao projeto Sexualidade&Afetos da Plural&Singular, avançou com uma secção no site, direcionada a pessoas com necessidades especiais, no entanto, todos os produtos da loja online poderão ser adquiridos por TODOS.

Graças à parceria estabelecida, os leitores da Plural&Singular poderão usufruir de um desconto de 10% nos acessórios adquiridos diretamente no site da My Secret. Para tal, no momento em que estiver a efetuar a compra, deve clicar e indicar o código promocional associado: 0312

Além disso, para apoiar a atividade desenvolvida pela Plural&Singular no âmbito da secção Sexualidade&Afetos, a My Secret pretende doar 50% (ex. reunião de grupo 6€/pessoa) do valor pago pela realização de reuniões com as consultoras disponíveis a apresentar tudo o que existe no mercado da sensualidade, erotismo e glamour.

As reuniões – para o casal, só homens, só mulheres ou mistas, em jantares de empresa, em casa, despedidas de solteiro ou outro motivo qualquer – servem para, através de uma mala cheia de surpresas, explicar com humor e boa disposição e sem tabus, nem preconceitos os produtos eróticos vendidos e outras questões ligadas à saúde sexual. O formato e o horário da reunião é ajustado aos desejos e necessidades dos interessados e vai permitir conhecer os produtos antes de os comprar de uma forma informativa e, ao mesmo tempo, divertida.

Marque já a sua reunião através do email sexualidadeeafetos@pluralesingular.pt as consultoras deslocam-se para qualquer região do país.

Fonte: Plural&Singular - Aceda à lista de produtos aqui: My Secret

domingo, 3 de julho de 2016

ONU denuncia esterilização de deficientes em Portugal contra a sua vontade

Uma jovem de 20 anos, com um défice mental profundo, foi esterilizada, no ano passado, no Hospital de São Sebastião, em Santa Maria da Feira. A mãe tinha pedido ao hospital para a filha ser submetida a uma laqueação de trompas e assim evitar uma eventual gravidez. O hospital começou por dizer que só o poderia fazer com uma decisão judicial nesse sentido. É isso, aliás, que está previsto no Código Deontológico da Ordem dos Médicos: “Em casos de menores ou incapazes, os métodos de esterilização irreversíveis” implicam “sempre” o “prévio consentimento judicial”. Mas, no caso desta jovem, acabou por acontecer algo diferente.

Segundo confirmou ao PÚBLICO Miguel Paiva, presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar de Entre o Douro e Vouga, que integra o Hospital de São Sebastião, em vez de pedir uma autorização judicial para a esterilização, a mãe dirigiu-se ao tribunal, sim, mas para requerer a interdição da filha — a figura legal da interdição significa, no caso de pessoas com anomalia psíquica, que estas são equiparadas a um menor de idade, não podem votar, gerir património ou perfilhar, por exemplo; ao tutor designado pelo tribunal cabe zelar pelo bem-estar, saúde e educação do interditado.

Algum tempo depois, a mãe da jovem de 20 anos voltou ao hospital, demonstrou que passara a ser a tutora legal da filha e “fez muita pressão” para que a laqueação de trompas acontecesse, explica ainda Miguel Paiva. Os médicos avaliaram de novo e acabaram por realizar, em 2015, a intervenção, depois de a mãe da jovem “assinar a declaração de consentimento informado”.

Não há uma lei específica que enquadre este tema da esterilização de deficientes — há um “vazio legal”, na opinião de Paula Campos Pinto, coordenadora do Observatório da Deficiência e dos Direitos Humanos. Quando confrontada com a descrição do caso da jovem de 20 anos, diz que ele “é bem ilustrativo desse vazio legal”. Na sua opinião, o que se passou “configura uma situação de violação do direito à integridade física e de abuso de poder”, algo que, julga, “continua a ser frequente”.

Já André Dias Pereira, jurista, presidente da direcção do Centro de Direito Bioético, nota que “o Direito é mais, muito mais do que a lei”. É composto de doutrina, pareceres e regulamentos, como o Código Deontológico dos médicos. “Nenhuma dúvida tenho de que é preciso autorização judicial [específica para a cirurgia], pois a esterilização pode justificar-se em alguns casos, sim; mas pode não se justificar noutros, em muitos outros. E os pais ou tutores não têm a imparcialidade necessária para tomar essa decisão sozinhos”, afirma. “Não basta os tutores e o médico, na tranquilidade de um consultório, decidirem isto.”

Haver um processo, uma decisão de um juiz, de um tribunal é o garante de que a intervenção é do interesse da pessoa com deficiência, sustenta. “Assim sendo, esse hospital cometeu uma violação do procedimento previsto pelo Direito e podem os médicos estar sujeitos a responsabilidade disciplinar.” É a opinião deste especialista.

Rui Nunes, catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, presidente da Associação Portuguesa de Bioética, faz uma apreciação do caso, que lhe é relatado pelo PÚBLICO, “apenas do ponto de vista ético”. E é esta: “De acordo com princípios éticos consensuais e com as normas do Código Deontológico da Ordem dos Médicos, devia ter-se obtido consentimento judicial.”

O assunto é difícil e polémico. No final de Abril, tal como o PÚBLICO noticiou, foi divulgado o relatório do comité das Nações Unidas que avaliou como aplica Portugal a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, ratificada pelo país em 2009. Nele denuncia-se que pessoas com deficiência, “especialmente aquelas que foram declaradas legalmente incapacitadas, continuam a ser, contra sua vontade, objecto de interrupção da gravidez, esterilização” e outras intervenções.

Os peritos da ONU manifestam a sua preocupação com estas situações. E aconselham o país a tomar medidas para “assegurar que se respeita o direito ao consentimento livre, prévio e informado do tratamento médico e que se proporcionam mecanismos de apoio” às pessoas com deficiência para que estas possam tomar decisões.

domingo, 20 de março de 2016

Documentário sobre devotees: pessoas que se excitam sexualmente com pessoas com deficiência física

Emily Yates, consultora dos Jogos Paraolímpicos de 2016, ficou furiosa quando alguém escreveu um comentário na sua página de Facebook onde dizia que ela era "uma aleijada bonita." Depois de uma troca de post enfurecidos, a britânica, de 24 anos, descobriu uma comunidade de pessoas que têm fetiches por pessoas com deficiências e realizou um documentário.
Em Meet the Devotees: The People Turned on by Disability,que será emitido no canal BBC Three, Emily Yates entrevista pessoas deficientes que fazem pornografia e os chamadosdevotees, ou devotos em português, pessoas que só se excitam sexualmente com este tipo de filmes.

No filme, Emily Yates revela que entre o devotees estão também aqueles que se excitam só de ver as dificuldades que os deficientes enfrentam no dia-a-dia, os chamados "devsmaus". Segundo o The Independent, um vídeo colocado pela consultora a entrar no carro conseguiu 4 mil visualizações.

Uma das entrevistadas é Leah Caprice, uma trabalhadora do sexo que partiu a coluna e que usa uma cadeira de rodas. Leah Caprice deixa-se filmar a tira o soutien. "Eu queria mostrar que uma rapariga em cadeira de rodas a despir-se é tão sexy como uma rapariga que consegue andar a despir-se em público", diz a trabalhadora do sexo no documentário.

Veja AQUI a reportagem em video.

quarta-feira, 2 de março de 2016

Apaixonei-me pelo meu paciente tetraplégico

Eu estava dirigindo meu carro num trânsito que não andava e, de tanto pensar na vida, comecei a conversar com Deus. Pedi que ele me presenteasse com um amor que me fizesse feliz e segura, e ajudasse a esquecer todos os meus problemas. Naquela época, 2009, eu passava por uma fase difícil: meu namoro de cinco anos estava por um fio porque brigávamos muito e eu enfrentava vários problemas familiares. Aí, seis meses depois, uma amiga fisioterapeuta, como eu, me pediu para substituí-la em suas férias para atender um paciente tetraplégico, o Fred. Eu ainda não sabia, mas naquele instante Deus estava atendendo ao meu pedido, só que de um jeito inesperado: meu príncipe encantado não chegaria em um cavalo branco, mas em uma cadeira de rodas.

Senti que ele me olhava de um jeito diferente

Na primeira sessão com o Fred, quis saber sobre sua história. Ele havia sofrido um acidente de moto em 2008 que mudou sua vida. A quinta vértebra da cervical foi fraturada, o que o tornou paralisado do pescoço pra baixo. Na época, ele tinha 27 anos, era veterinário e trabalhava em uma das maiores companhias de agronegócios do país.

Era um rapaz jovem e bonito, mas percebi que passava por uma fase difícil de aceitação do acidente. Mesmo assim, sentia que Fred me olhava de uma forma diferente, como se já me conhecesse. Me fazia sentir especial. Nos demos superbem e conversávamos muito. Um mês depois, meu namoro terminou...

Conforme o tempo foi passando, criamos uma relação de amizade porque tínhamos muitas afinidades, como nossos gostos musicais e o jeito simples e “caipira”. Contávamos nossos problemas um ao outro, era uma troca muito positiva! O Fred foi uma pessoa fundamental naquele momento difícil pra mim, pois foi quem mais me ouviu e ajudou a acalmar meu coração quando eu mais precisava. Nessa fase, não rolava interesse de minha parte – sentia que da parte dele também não. Mas a amizade e a vontade de estar junto só aumentavam...

Nossa relação foi evoluindo de uma maneira bem natural. Não sei precisar o momento em que minha consideração atencioso por ele virou algo mais forte, mas, após dois meses de atendimento, o Fred se tornou uma pessoa na qual eu depositava muito carinho e confiança. E tudo foi caminhando para uma grande paixão...

Quando nos envolvemos, parei de atendê-lo

Quem tomou a iniciativa de abrir o coração foi o Fred. Ele me roubou um beijo dentro do seu carro. Até hoje não esqueço do jeito como me olhou, fazendo carinho no meu rosto antes de tocar os meus lábios. Foi um dia muito especial para nós, pois percebi que ali era o início de uma linda história de amor.

No começo, nosso romance era meio às escondidas, pois o Fred tinha vergonha. Não de mim, mas dele mesmo. Ele achava que suas limitações seriam um problema para nossa relação. Isso nunca passou pela minha cabeça! Então, quando percebemos que o relacionamento estava ficando sério, decidimos que eu não seria mais fisioterapeuta dele, por uma questão de ética profissional.

Nosso namoro sempre foi repleto de momentos felizes e carinhosos: jantávamos fora, íamos ao cinema, visitávamos nossas famílias e amigos frequentemente. Saíamos como qualquer outro casal, mas também gostávamos muito de programas caseiros.

Após três anos de namoro, decidimos dar um passo à frente em nossa vida e confirmar nosso sentimento perante Deus. Mas, nesse meio-tempo, meu avô faleceu e tivemos que adiar o casamento por um tempo.

A deficiência dele nos deixou mais unidos

Passados os dias de luto, fui pega de surpresa com um jantar familiar. O Fred organizou tudo. As duas famílias estavam reunidas e ele preparou meu prato favorito: lasanha de massa verde e bife à parmegiana. No final, fui surpreendida de novo: meu amor fez um pedido de casamento com as alianças na mão! Chorei de emoção.

As restrições do Fred nunca foram um problema pra mim. Muito pelo contrário: eram elas que nos tornavam mais unidos e o relacionamento mais intenso. Sempre digo que a cadeira dele, para mim, é como uma característica física, tipo a cor dos olhos. Não o vejo como alguém limitado ou incapaz.

De toda forma, o Fred tem uma cuidadora que mora com a gente. Ela faz a sua higiene diária e a alimentação. Na folga dela, sou eu quem assumo essas tarefas. E, diariamente, à noite sou eu que faço seus cuidados antes de nos deitarmos.

Hoje vivo os dias mais felizes da minha vida. O Fred é meu companheiro, amigo e parceiro de todos os dias. Caminhamos lado a lado e sonhamos em aumentar nossa família em breve. Valeu a pena conversar com Deus para pedir um amor! - MARIA ALICE FURRER, 30 anos, fisioterapeuta, Campo Grande, MS

“Mesmo inseguro, decidi investir”

Após o acidente de moto que sofri, me vi numa cadeira de rodas e a depressão me abraçou de vez. Na época, estava tão desanimado que relutei a fazer fisioterapia. Depois de muita insistência da minha mãe, comecei a ser atendido pela Naila. Até que um dia deparo com a Maria Alice, que substituiu minha fisioterapeuta. Assim que a vi, fiquei bem animado. Ela era muito bonita e atraente. Além disso, sua simpatia e sua paixão pela profissão me encantaram. Nossa relação de paciente e fisioterapeuta logo se transformou em amizade. Em pouco tempo, sentia uma grande vontade de estar com ela e percebi que estava apaixonado. Mas achava que seria impossível voltar a me relacionar com alguém por causa das minhas limitações. Mesmo com minha insegurança, resolvi investir. 

Apesar de sentir muita tristeza por saber que eu deixaria a desejar em vários aspectos devido à minha deficiência, com o tempo fui descobrindo novas formas de substituir algumas gentilezas por outras: ajudava a resolver seus problemas, incentivava a alçar voos mais ousados na profissão, dava presentinhos, fazia elogios... E assim a conquistei! Quando pedi a mão dela em casamento, tinha certeza de que a Maria Alice era a mulher de minha vida. Ela me fez enxergar além do que minha visão de “depressivo” conseguia ver, me mostrando novas possibilidades, novas maneiras de realizar atividades que eu fazia antes do acidente. Minha mulher foi um anjo que apareceu em minha vida. -FREDERICO RIOS, 34 anos, veterinário, Paranaíba, MS

Fonte: Cadeirantes Life

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Ferramenta faz avaliação sexual de homens com lesão medular

A paralisia dos movimentos de membros superiores e inferiores é o aspecto mais visível em pessoas que sofreram lesão na medula espinhal. No entanto, outros domínios são prejudicados, como a sexualidade, afetando a qualidade de vida dessa população, segundo pesquisadores da Divisão de Urologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). Por isso, a importância de avaliar o grau da disfunção sexual e incluí-la no tratamento.

“Os médicos, em geral, estão muito preocupados com a reabilitação motora dos pacientes e negligenciam a avaliação sexual e o seu tratamento, tanto em homens quanto em mulheres. Um estudo mostra que, para os homens paraplégicos, o principal anseio é voltar a ter vida sexual, superando o retorno do movimento das pernas. Com os tetraplégicos, só o movimento das mãos supera o desejo de voltar a ter vida sexual, então isso tem um grande impacto para os pacientes”.

O alerta é do pesquisador e urologista do HC Eduardo de Paula Miranda, um dos autores de estudo que propõe uma nova ferramenta para analisar a disfunção sexual em homens com lesão medular: o Quociente Sexual Masculino (QSM).

Trata-se de um questionário de avaliação sexual em português e traduzido para o inglês, desenvolvido e validado no Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas, com 10 perguntas para avaliar os cinco domínios da função sexual: ereção, desejo, ejaculação, orgasmo e satisfação sexual.

“Esse questionário já existia para aplicação na população em geral, mas, pela primeira vez, foi utilizado para homens com lesão medular. Ele é rápido e fácil de ser aplicado”, afirma Miranda.

Diferentes análises
No estudo, os pesquisadores compararam o QSM com um questionário padrão de avaliação sexual, o Sexual Health Inventory for Men (SHIM), composto por cinco perguntas. Os dois questionários foram aplicados em 295 homens com lesão medular traumática em acompanhamento no serviço de Reabilitação Raquimedular do HC.

A prevalência de disfunções sexuais foi extremamente alta, de forma que desse total de pacientes, 159 não eram sexualmente ativos. De acordo com a pesquisa, as pontuações do QSM e SHIM se correlacionam, mas o QSM fornece uma avaliação mais abrangente da disfunção sexual.

“O SHIM é voltado mais para a análise da ereção, mas homens com lesão na medula espinhal têm muitos outros problemas. A aplicação do MSQ nos mostrou que a incidência de problemas de ejaculação (89,4%) e orgasmo (74,5%) é muito alta entre os pacientes”, ressalta o urologista.

Entre os problemas detectados em pacientes com disfunção sexual, a partir da aplicação do MSQ, estão: diminuição do desejo sexual (28,8%), falta de confiança para a sedução do parceiro (38,3%), insatisfação com as preliminares sexuais (48,8%), frustração com satisfação do parceiro sexual (54,6%), incapacidade de obter uma ereção (71,0%), dificuldade em manter a ereção (67,8%), falta de ereções completas (64,4%), problemas na ejaculação (89,4%), incapacidade de atingir o orgasmo (74,5%) e, insatisfação em geral com a relação sexual (51,1%).

“Entender a dinâmica da vida sexual do paciente possibilita várias intervenções médicas, por isso é importante esse tipo de avaliação com questionários. Existem remédios por via oral, medicações injetáveis, próteses penianas, entre outros tratamentos”, destaca Miranda.

A pesquisa também coloca que dos domínios avaliados pelo questionário QSM, o interesse sexual foi classificado mais alto por mais de metade dos pacientes. De acordo com o pesquisador, esses números são significativos porque confirmam que o interesse sexual é elevado na maioria dos homens com lesão na medula espinhal e reforçam a necessidade de cuidados dos médicos em estar ciente desse problema e compromete-se a discutir o assunto com seus pacientes.

O estudo foi publicado em janeiro, na revista Archives of Physical Medicine and Rehabilitation, com o título Evaluation of Sexual Dysfunction in men with Spinal Cord Injury using the Male Sexual Quotient. A pesquisa teve apoio da Fundação de Amparo à Pesquisado do Estado de São Paulo (Fapesp).

Mais informações: e-mail mirandaedp@gmail.com, com Eduardo De Paula Miranda

Fonte: Soma

domingo, 31 de janeiro de 2016

Afetos… ou falta deles

Falar ou escrever sobre afetos e afetividades é, para mim, uma tarefa bastante complexa porque não os tenho, desde muito jovem. Os afetos ou sinais deles são essenciais ao bem estar, ao crescimento e desenvolvimento, à alegria do simples acordar de um ser humano, independentemente da sua condição física e social.

Até me podem considerar um privilegiado por ter um emprego com algum estatuto, uma casa, roupas de marca, cadeira nova, dispositivos Apple e outros bens materiais que, de certo modo, camuflam a minha aparente diferença física resultante de uma paralisia cerebral que data do momento do meu nascimento, contudo, as pessoas que tiveram responsabilidades no meu percurso para ser o tal “alguém na vida” não tiveram a capacidade de procurar caminhos que me dessem uma vida afetiva minimamente resolvida e esse marco antissocial condiciona muito a minha felicidade, que fica muito aquém do que foi, por mim, expectável. O meu crescimento como pessoa foi e é feito sem beijos e abraços, sem toques que ultrapassem os dados num corpo visto como, apenas e só, carente de ser lavado, vestido e alimentado. Existe dignidade mas nada mais. 

Onde está o “Gosto de ti”, o pentear do cabelo, as carícias na face e nas mãos, as massagens nos ombros e tantas outras reações naturalmente presentes no quotidiano da grande parte dos cidadãos das sociedades civilizadas? Por consequência dessas carências afetivas, se uma amiga ou colega tiver a iniciativa de me dar, por exemplo, uma bolacha à boca, fico tenso, tremo por todos os lados! E por que razão isso acontece? Porque, precisamente, não fui preparado para esses momentos mais doces, tendo implicações traumáticas e constante défice de auto estima. Não é um desastre mas é um incómodo vital.

Procuro então afetos onde não existem, verdadeiramente. Com criatividade, crio os meus próprios, os virtuais que me enganam pela necessidade que sinto em me enganar, em fantasiar vivências que me permitem viver intimamente e emocionalmente com uma falsa tranquilidade e equilíbrio. Encontro-os na minha escrita, no meu eterno romantismo, nos livros de Nicholas Sparks e nos filmes baseados em obras do escritor, nas minhas músicas favoritas. Principalmente nos meu sonhos! Continuo a ser um sonhador mas, no entanto, e com o decorrer do tempo a caminhar para uns 40 anos que me fazem refletir sobre como poderei eu introduzir mais afetividades na possível segunda parte da minha vida, interrogo-me: Será que a apatia e falta de expectativas que agora me tenho vindo a incutir serão realmente o passo assertivo para viver um dia de cada vez com menos ansiedade e sofrimento interno, mas também mais só e cético quanto a uma vida social mais ativa, alegre, participativa e com afetos? Como explico às pessoas que não quero continuar a ter um dia-a-dia de recluso VIP, usufruindo somente do lugar de conforto da minha casa de família e do meu emprego? Que armas devo usar para mudar uma vida já aborrecida e até de algum tédio.

O meu aspeto físico conta e muito. A minha personalidade e timidez também. Não consigo dizer-lhe que gosto dela há anos, com receio não sei bem de quê. Sou incapaz de convidar uma amiga a ir ao café, ao cinema, ao teatro, à praia… Não consigo. Sozinho também não vou e acabo por me isolar com os meus próprios fantasmas. Ninguém os leva. Na generalidade, elas até me acham graça, elogiam-me como pessoa, como profissional, como poeta, mas apenas e só isso. Às 18h30 lá vou eu para casa e aos fins-de-semana lá estou eu sozinho ou em família. Não são raras as vezes que afirmo que ninguém gosta de mim. Digo-o em jeito de brincadeira com essa certeza assustadora a pairar-me no peito. Os afetos ou escassez dos mesmos são os únicos culpados da minha não felicidade.

Sexualmente, não me vou alongar muito, até porque foge um pouco do que ambiciono ter. Já procurei insistentemente alguém na internet para estar comigo. Outrora, foi até uma obsessão, mas, com o tempo e suas lições, percebi que não é isso que quero. Seria relativamente fácil comprar uma experiência sexual mas estaria a dar uma machadada na minha dignidade e nos valores que me caracterizam. Adoro mulheres mas não quero um momento comercial ou de compaixão, até porque eu seria esquecido. Ela não. Sexualidade temos todos, seja de que maneira for. Defendo o sexo assistido somente para quem tem total impossibilidade física para explorar o seu corpo.

Grato a quem leu este testemunho.

Manuel Francisco Costa
www.facebook.com/manuel.f.costa

Fonte: Plural&Singular

domingo, 24 de janeiro de 2016

República Checa já tem assistentes sexuais para pessoas com deficiência

Na República Checa apareceu um novo tipo de serviço – assistentes de sexo para pessoas com deficiências físicas.

Em novembro de 2015 a mídia russa, polonesa e tcheca já havia informado sobre o possível projeto da organização Prazer Sem Risco (Rozkoš bez rizika), que visa ultrapassar um tabu existente na República Tcheca sobre a esfera sexual das pessoas com deficiência.

Segundo a opinião de Petr Eisner, consultor de pessoas com deficiências que ensina funcionários de serviços sociais, as pessoas muitas vezes encaram a sexualidade destas pessoas como algo “escandaloso, anormal e pervertido”.

Segundo ele declarou à publicação Blesk.cz, uma pessoa descapacitada “é percebida como uma coisa, como um animal, como uma criança eterna”.

“As necessidades sexuais das pessoas com deficiências podem apresentar problema para os seus parentes. Mas estas necessidades devem ser ‘abordadas’, e não proibidas”, disse Milan Langer, que sofre de paralisia desde a infância, ao canal de TV polonês TVN24.

Atualmente na República Tcheca trabalham cinco assistentes deste tipo, todas elas se formaram em Medicina e Psicologia. A sua especialização foi prestada pela organização Prazer Sem Risco.

Os representantes da organização e as próprias assistentes sublinham que não se trata de prostituição (esta, aliás, não está proibida na República Tcheca), mas sim de ajuda às pessoas.

Uma assistente de sexo tem o direito de determinar o volume de serviços prestados após avaliar as peculiaridades de cada pessoa.

Fonte: sputnik



“Para as pessoas com deficiência se trata de uma ajuda psicológica. Não se trata de sexo todo o tempo, trata-se de ensinar um paciente a satisfazer as suas necessidades, aceitar-se si mesmo e o seu corpo”, notou a funcionária da organização Lucie Sidova na entrevista para TVN24.

Os serviços prestados custam 1.200 coroas por hora (cerca de 45 euros) e as assistentes de sexo só podem trabalhar caso cumpram vários requisitos, inclusive têm que possuir um certificado de empresário.

Sexualidade e afetos na deficiência por Anne Caroline Soares

Em pleno ano de 2015, estamos todos aqui a falar de sexualidade e afetos na deficiência. Para mim, isso já não seria necessário, porque deveria ser algo cotidiano, rotineiro. Mas ainda se faz necessário, infelizmente. E apesar de hoje em dia, o sexo entre os ditos normais, parecer eestar longe de preconceitos, não está. Em muitas famílias, este tema ainda é complicado abordar, o que torna-se urgente descomplicar. Afinal, a família só está ali, porque houve sexo. Na deficiência, isso agrava-se.

E precisamos com urgência, desmitificar isso. Falar de sexo com naturalidade. Claro, que como em tudo na vida com algum Q.B. Quando me refiro a naturalidade, não é contar para vocês, que ontem fiz a posição x do Kamassutra com meu namorado, ficante, ou outra pessoa. Mas sim, falar que é possível.

Qualquer ser, precisa de conviver, e aqui neste ponto refiro-me a afetos. No meu ver é a parte mais complicada. Sim, porque sexo , se pagarmos, o dinheiro permite isso. Mas o afeto não.

E sexo bom, é sexo com afeto. O outro preenche a parte fisiológica, mas não afeetiva.

O afeto de amigos e familiares, é outro item essencial na felicidade de qualquer pessoa.

Criou-se um mito em torno da pessoa com deficiência, se dscubro quem começou com isso….vai conhecer o peso da minha cadeira motorizada rs, nós temos que acabar com essa história que não se faz sexo nem amor. Eu ponho me a pensar: De onde tiram essas ideias? A não ser que o rapaz tenha nascido sem o pênis, a menina sem a perereca…perguntas são desnecessárias. Um bom divã, uma boa divã…sabe o poder de uma língua, de uma mão no lugar certo, que sexo se redescobre, e quem quer faz, ora essa! Cá para mim, existe é muito andante sem um bom sexo. Porque como diz o ditado popular, para meio entendedor, meia palavra basta.

Tenho imensas amigas brasileiras tetraplégicas que namoram, outras casadas, mães, outras que já vão no segundo casamento. Refiro me as brasileiras, porque infelizmente, ainda não conheci nenhuma tetraplégica portuguesa a casar após acidente, ou doença. Já conheci sim casos, mas já se conheciam antes. Refiro me a tetras e não paraplégicas. Gostaria de conhcer.

Esses mitos são tudo bobagens de mentes muito criativas. Convido um andante a convidar aquele mulher sentada ali na cadeira, ou uma andante, garanto que se surpreenderá. Ao contrário, do que julga, vai se surpreender. Confesso que iria usar outro vocabulário, de repente, e a tempo, que estou numa palestra. Ufa!

O deficiente sente falta de sexo, mas o que muitos mais sentem é de um relacionamento. E claro, isso se completa. Mas o gostar, o se preocupar, tem um peso enorme. Que fique claro, que ninguém quer um cuidador ou cuidadora, todos querem companheiros. O cuidar, se este for preciso, faz parte de qualquer relacionamento de maneiras diferentes. O dialogo é importantíssimo. Há companheiros(as) de um deficiente dependente que os auxiliam, porque amar é cuidar sim. Quem ama, cuida. Muitas vezes, o trabalho, a vida, diversos fatores, até mesmo de saúde podem não permitir e os deficientes tem seus cuidadores. Cada casal, irá dialogar e encontrar as melhores soluções.

Recordo me de um dia a apanhar sol e ler um livro, uma senhora me aborda, do nada diz..a senhora é linda, mas que pena, nunca vai casar. Meu sangue ferveu, e respondi-lhe, mas ele não vai casar com uma empregada, mas com uma mulher, e que mulher!! Eu acho que a senhora está um pouco gordinha, ah está com caspa, e meu Deus corra, que se ele chega e não encontra o jantar na mesa, tem briga na certa.

Ah conheço um casal da internet e este posso divulgar nomes, porque teem um canal público no Youtube, ambos paraplégicos. Uns fofos, casal que se dá super bem, e deixam muitos a roer de inveja. O nome é Fes sobre rodas, sigam e se inspirem.

Vamos ser feliz pessoal?

Fonte: Plural&Singular

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Sexualidade&Afetos: Apelo à colaboração de TODOS

O novo projeto sobre Sexualidade&Afetos conta com a colaboração do TODOS os leitores da Plural&Singular:

.Informação académica
Nesta secção a Plural&Singular pretende disponibilizar estudos e trabalhos académicos desenvolvidos na área da sexualidade&afetos das pessoas com deficiência.

.Perguntas Mais Frequentes
Nesta secção a Plural&Singular pretende disponibilizar as respostas às perguntas mais frequentes dirigidas ao psicólogo clínico e sexólogo, Jorge Cardoso. Aqui a resposta será colocada de forma generalista, garantindo o sigilo, a privacidade, a confidencialidade e os princípios de natureza ética de quem dirigiu a pergunta.

.Testemunhos
Nesta secção a Plural&Singular pretende disponibilizar os relatos de pessoas com deficiência, cuidadores, profissionais... de TODOS os que queiram partilhar a respetiva perspetiva sobre a sexualidade e os afetos.

.Livros e filmes
Nesta secção a Plural&Singular pretende disponibilizar os livros e os filmes que abordem, de alguma forma, a área da sexualidade&afetos das pessoas com deficiência. O jornalista da RTP, Mário Augusto vai, pontualmente, ajudar a alimentar esta área temática da secção.

Envie-nos as suas sugestões para sexualidade&afetos@pluralesingular.pt

Fonte e mais informação: Plural&Singular