domingo, 13 de outubro de 2019

Tetraplégico consegue andar graças a um exoesqueleto


Um homem tetraplégico conseguiu caminhar e fazer movimentos com os braços através de um exoesqueleto controlado pela própria mente. Um pequeno passo, que abre gigantes perspetivas para o futuro das pessoas presas a uma cama.

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Legislativas 2019: Propostas dos partidos para a deficiência

No próximo domingo, dia 6 de Outubro, temos mais uma vez nas nossas mãos o poder de decidir através do nosso voto quem nos represente na Assembleia da República.

Para melhor podermos decidir, aqui ficam as propostas de cada partido com assento parlamentar para a área da deficiência, apresentadas nos seus programas eleitorais.

Noto que para o PSD e CDS a Vida Independente não conta, e as acessibilidades também não entram nos planos do CDS.

Para o PSD é muito importante os refugiados e pessoas com deficiência, mas dedica duas páginas do seu programa aos primeiros, e a nós, pessoas com deficiência, onde segundo eles se incluem “pessoas com limitações de capacidades físicas e também motoras” dedicam meia página. De todos os partidos é o que “perde” menos tempo connosco.

O PAN baralha-me as ideias. Fico com a sensação que nem eles têm conhecimento do que pretendem. Duas das suas confusas propostas:

Aprovar a Estratégia Nacional para as Pessoas com Deficiência, como alternativa à institucionalização. Só eles saberão o que isso significa.

Também propõem reforço de recursos financeiros e humanos ao Instituto Nacional para a Reabilitação. Até parece que é esse o problema.

O PS como sempre promete muito, mas todos sabemos que não tem intenção de cumprir.

Nas propostas do BE e do PCP tenho muita esperança. Sei que só não as tornarão realidade se não os deixarem.


PARTIDO SOCIALISTA (PS):

- Propões dignificar e apoiar os antigos combatentes, incluindo os deficientes das Forças Armadas, identificando soluções para o acompanhamento da nova geração de militares sujeitos a riscos físicos e psicológicos, em particular os que tenham estado em Forças Nacionais Destacadas;

- Manter a redução do preço dos passes sociais, em todo o território, através do PART, com vista a incentivar a opção pelo uso do transporte público coletivo, discriminando positivamente pessoas com mobilidade reduzida;

- Garantir transportes públicos acessíveis a todos, designadamente por parte dos cidadãos com deficiência, incapacidade ou mobilidade reduzida, mediante mecanismos de incentivo à renovação de frotas que cumpram normas técnicas de acessibilidade e a eliminação de barreiras arquitetónicas nas infraestruturas conexas à utilização dos transportes, tais como estações, paragens, bilheteiras, sistemas de informação relativos a horários, etc.;

- Discutir com os parceiros sociais a possibilidade de fazer depender de autorização expressa dos trabalhadores a aplicação de regimes de adaptabilidade de horários de trabalho e bancos de horas a trabalhadores com filhos menores até 12 anos ou filhos com deficiência ou doença crónica, podendo esta possibilidade ser ajustada às realidades setoriais e empresariais apenas através de negociação coletiva de base setorial ou empresarial;

- Promover a coesão social e a inclusão, incentivando a generalização de oportunidades de prática desportiva em condições de igualdade, garantindo a acessibilidade a espaços desportivos para pessoas com oportunidades reduzidas, pessoas com deficiência ou incapacidade e grupos de risco social;

- Assegurar a concretização plena e efetiva das medidas de apoio aos cuidadores informais previstas no respetivo estatuto;

- Aprovar e implementar a nova Estratégia Nacional para a Inclusão das Pessoas com Deficiência, contendo os objetivos, eixos de intervenção e medidas a concretizar, de acordo com planos plurianuais de implementação;

- Criar um sistema de indicadores e modelos de recolha de informação que permitam conhecer a realidade sociodemográfica das pessoas com deficiência e a sua dinâmica, contribuindo para melhor informação e decisão ao nível da definição de políticas públicas nesta área;

- Rever e uniformizar o sistema de avaliação da incapacidade/funcionalidade dos cidadãos com deficiência, que permita corresponder às diversas dimensões e desafios que a respetiva caraterização coloca;

- Concretizar a terceira fase da Prestação Social para a Inclusão, correspondente à comparticipação de despesas, de caráter pontual e periódico, resultantes do agravamento das condições físicas, sensoriais ou intelectuais das pessoas com deficiência, relativas a educação, formação, habitação ou reabilitação;

- Reforçar o Modelo de Apoio à Vida Independente em vigor, através do acompanhamento e da avaliação dos projetos-piloto em funcionamento, com vista à definição de um modelo definitivo de assistência pessoal que vá ao encontro das necessidades das pessoas com deficiência;

- Criar, como grande desígnio da legislatura, um plano nacional de promoção da acessibilidade, com instrumentos, meios e estímulos adequados para acelerar, em articulação com os municípios, a adaptação dos espaços públicos, equipamentos coletivos, estabelecimentos, condomínios e habitações;

- Alargar a recente política de concessão de descontos nos transportes a cidadãos com deficiência, grupo alvo que na sua maioria não dispõe de transporte individual para as suas deslocações;

- Avaliar e capacitar o sistema de apoios à formação das pessoas com deficiência, melhorando a sua ligação com a autonomização e a inserção no emprego;

- Inovar nos instrumentos de inclusão no mercado de emprego das pessoas com deficiência, nomeadamente aprofundando os apoios disponíveis, melhorando os instrumentos de orientação, colocação e apoio à pós-colocação, de modo a estimular a inclusão em mercado aberto, sem deixar de assegurar enquadramento nas lógicas de mercado social de emprego e emprego protegido, bem como promover o empreendedorismo e a criação do próprio emprego por pessoas com deficiência;

- Lançar as bases de um plano nacional de desinstitucionalização, através da criação de um programa de incentivo ao surgimento de respostas residenciais inseridas na comunidade, em articulação com os municípios e o setor social, nas quais as pessoas com deficiência possam residir autonomamente, sendo-lhes prestado o apoio de retaguarda imprescindível ao seu bem-estar;

- Difundir a língua gestual portuguesa e garantir a sua efetiva disponibilização nos serviços públicos, promover a utilização do sistema Braille como meio de leitura e escrita por parte das pessoas cegas e garantir a acessibilidade de todos os sites e aplicações de atendimento descentralizado da Administração Pública;

- Garantir a acessibilidade aos espaços culturais, tendo em linha de conta a eliminação de barreiras arquitetónicas, o acesso aos conteúdos através de áudio-descrição, criação de percursos acessíveis, maquetes tácteis, entre outros recursos tecnológicos, bem como promover medidas de incentivo à criação e à participação cultural inclusiva;

- Promover o acesso das pessoas com deficiência ou incapacidade à participação política e à tomada de decisão, bem como ao exercício de cargos dirigentes na Administração Pública e no setor público empresarial.

PARTIDO SOCIAL DEMOCRATA (PSD):

 Para o PSD, existem, pelo menos dois grupos sociais que merecem atenção e apoios redobrados para eliminar o risco de exclusão social. As pessoas com deficiência, e os refugiados. 

- O sistema de ensino tem realizado, nas duas últimas décadas, progressos assinaláveis na integração das crianças e jovens com limitações de capacidades físicas, motoras ou cognitivas. O PSD pretende dar uma ênfase especial no que designamos por transição da escola para a vida ativa das crianças e jovens limitações de capacidades físicas, motoras ou cognitivas., para isso pretende a:

- Criação, em parceria com o Instituto de Emprego e Formação Profissional, de Gabinetes de Inserção Profissional junto dos agrupamentos de escolas, visando a elaboração de Planos Individuais de Inserção e Capacitação Profissional. Criação da figura do tutor de inserção, para acompanhamento dos processos de integração nas empresas e serviços públicos, em parceria com associações de voluntariado. Apoio às famílias de jovens deficientes para o desenvolvimento de soluções de autoemprego e empreendedorismo;

- Recurso ao Estatuto do Cuidador Informal para as pessoas com elevado nível de Incapacidade.

- A situação atual das pessoas com deficiência no mercado de emprego tem vindo a degradar-se quer pela redução das taxas de emprego quer pelo aumento das pessoas desempregadas. Por isso, não é de estranhar que as taxas de risco de pobreza ou exclusão social entre as pessoas com deficiência, em Portugal, seja claramente superior aos valores médios.

- Defendemos que as pessoas em situação de dependência que não conseguem realizar as atividades da vida diária, devem manter-se no seu domicílio sempre que estejam garantidos os cuidados de saúde e apoio necessários que assegurem a manutenção do seu conforto, qualidade de vida e bem-estar. Para que esse objetivo seja atingido é muito importante o papel das famílias e das pessoas no apoio aos deficientes, idosos e crianças em situação de dependência.

BLOCO DE ESQUERDA (BE):

- Propões alargar os direitos de parentalidade (licença inicial do pai, aumento da licença partilhada, redução de horário nos primeiros 3 anos de vida da criança), e dos direitos de pais e mães de filhos com deficiência, doença crónica ou oncológica, bem como dos direitos em situação de doença (designadamente reforçando o valor da licença para doentes crónicos, graves ou oncológicos) e para acompanhamento de pessoa dependente (licenças para os e as cuidadoras informais);

- Reforço do Estatuto do Cuidador Informal nas dimensões seguintes:
i) reconhecer a prestação de cuidados informais para efeitos de pensão de velhice, designadamente por via do pagamento do Seguro Social Voluntário a cuidadores e cuidadoras com carência económica e reconhecendo a carreira contributiva para trás;
ii) concretizar o direito ao descanso e a férias por via de mais vagas na Rede de Cuidados Continuados e do apoio domiciliário acessível a todas as pessoas que dele necessitem;
iii) permitir a redução do tempo de trabalho e o trabalho a tempo parcial, com mecanismos de compensação dos rendimentos abaixo de um determinado patamar (valor do SMN como base);
iv) garantir que o subsídio de apoio chega a todos os cuidadores que precisam;

- Reforçar a resposta em saúde mental e cumprir o Plano Nacional de Saúde Mental, dotando-o do orçamento necessário, destacando-se a implementação urgente das equipas de saúde mental na comunidade, bem como os cuidados no domicílio que envolvam as e os utente, cuidadores e a sua família;

- O desemprego registado decresceu 19,3% entre 2016-2017 na população geral, mas apenas 2% entre a população com deficiência. Entre 2011-2017, o desemprego decresceu 34,5% entre a população geral, mas aumentou 24% entre as pessoas com deficiência.

Em 2016, as pessoas com deficiência representavam apenas 0,5% dos recursos humanos das empresas com mais de 10 trabalhadores e trabalhadoras. 71% tinha um grau moderado de incapacidade.

O risco de pobreza ou exclusão social em Portugal é mais elevado entre as pessoas com deficiência do que entre as pessoas sem deficiência, tanto no grupo dos 16-64 anos (+16 p.p.), como na população com mais de 65 anos (+8,2 p.p.). O fosso no risco de pobreza ou exclusão social da população com e sem deficiência é mais elevado em Portugal do que na média da União Europeia (+15,7 p.p. entre os 16-64 anos e +5,6 p.p. na população com mais de 65 anos). O maior risco de pobreza ou exclusão social é experienciado em agregados com pessoas com deficiências graves (36,7%, +15,3 p.p. do que nos agregados sem pessoas com deficiência e +6,4 p.p. do que nos agregados com pessoas com deficiências moderadas).

Esta realidade mostra um país em que o discurso sobre os direitos humanos é frequentemente só discurso. A focagem assistencialista das políticas é parte desse problema. É mais que tempo de abandonar definitivamente as políticas assistencialistas e institucionalizadoras que têm sido dominantes e promover uma política baseada nos direitos humanos, que crie todas as condições necessárias ao cumprimento do que está estabelecido na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.

As propostas do PS e da direita
Tanto a direita como o PS perpetuam políticas institucionalizadoras. O governo do PS entregou os projetos-piloto de assistência pessoal / vida independente às IPSS, em vez de reforçar a organização autónoma das pessoas com deficiência, e restringiu o financiamento de tal forma que é impossível os utilizadores e utilizadoras de assistência pessoal mais dependentes terem o número de horas de assistência que necessitam e que estava previsto na lei.

O Bloco propõe
- Estratégia para a deficiência, através de um processo participativo e descentralizado a nível nacional que respeite a opinião das pessoas com deficiência, as suas famílias e as organizações representativas e concretize os direitos inscritos na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência;

- Lei de assistência pessoal, financiada pelo Orçamento do Estado, que respeite a filosofia de vida independente cumprindo princípios básicos como o pagamento direto aos e às utentes do número de horas de assistência necessárias à concretização do seu projeto de vida e a livre escolha da assistência pessoal;

Sim, é possível
A análise SROI (Social Return On Investment) do serviço de assistência pessoal da cidade de Barcelona, no período de setembro de 2011 a setembro de 2012 (ambos os meses incluídos), constatou um coeficiente entre 2,7 e 3,2, ou seja, para cada euro que é investido no serviço geram-se entre 2,7 e 3,2 euros de impacto social. Tomando como referência o intervalo elevado (3,2) durante o período de estudo, o serviço gerou um impacto total no valor de 2,6 M€ a que corresponde um “lucro” de 1,8 M€, descontando o investimento.

- Convergência do rendimento disponível das pessoas com deficiência com o valor do Salário Mínimo Nacional no prazo da legislatura;

- Diminuição da idade mínima para a aposentação das pessoas com deficiência.

Os candidatos com deficiência às eleições legislativas nas listas do Bloco de Esquerda publicaram o seu manifesto eleitoral. Conheça-o aqui: https://www.bloco.org/media/Manifesto2019Deficiencia.pdf

PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS (PCP):
- Tem como propostas melhorar a protecção social para as pessoas com deficiência ; 

- Garantir a gratuitidade do atestado multiusos e o reconhecimento de todos os documentos com valor legal e que atestem a incapacidade;

- Alargar a Prestação Social para a Inclusão às pessoas que tenham um grau de incapacidade inferior a 60% e que estejam em situação particularmente incapacitante, e às pessoas que tenham adquirido uma deficiência após os 55 anos, bem como assegurar o seu pagamento a 14 meses, de forma a recuperar as prestações correspondentes aos subsídios de férias e de Natal, sendo ainda de considerar a reavaliação dos seus montantes e percentagens de acumulação;

– Desenvolver medidas de apoio às pessoas em situação de dependência e aos cuidadores informais, enquadradas no desenvolvimento de uma rede de apoio com base nos serviços públicos, designadamente das áreas da saúde, trabalho e Segurança Social;

- Alargar o atendimento dos Balcões da Inclusão. Facilitar a requisição e acesso de produtos de apoio e ajudas técnicas.

Uma política alternativa que responda às necessidades especificas que decorrem da natureza da deficiência – motora, visual, auditiva ou intelectual – assumindo como uma questão estrutural a promoção do acesso de todas as pessoas com deficiência a direitos fundamentais, no respeito pela sua dignidade e condições de vida impõe:

– O reforço da resposta específica no plano do Serviço Nacional de Saúde, da Segurança Social e da Escola Pública, dotando-os dos meios necessários a uma resposta pronta e de qualidade;

– O combate a todas as formas de discriminação, às situações de pobreza e Marginalização;

– A garantia de acesso ao direito ao trabalho, ampliando a oferta de formação profissional adequada, a valorização profissional e salarial, a adaptação funcional e do posto de trabalho. Criar respostas públicas adequadas aos jovens com deficiência após saída do ensino obrigatório;

– Implementar o Modelo de Vida Independente com a definição de objectivos e metas temporais;

– Assegurar o cumprimento da legislação sobre remoção de barreiras físicas e arquitectónicas, visando a acessibilidade na via e edifícios públicos, e nos transportes;

– O reforço de apoio social a crianças e jovens com necessidades educativas.

CDS – PARTIDO POPULAR:
- Em sede de concertação social, negociar a aprovação de um regime redução do tempo de trabalho, ou de trabalho a tempo parcial, para assistência a ascendente com deficiência ou doença crónica;

- Cuidador Informal: passar da teoria à prática. Os cuidadores informais precisam de ser discriminados positivamente no IRS. Queremos discriminar positivamente os cuidadores informais em sede IRS, aumentando as suas deduções com saúde e atos médicos;

- Mais justiça no abono de família por deficiência. A bonificação por deficiência é um acréscimo ao abono de família que não prevê qualquer diferenciação no pagamento entre os 3 escalões existentes. Entendemos que a prestação social da bonificação por deficiência deve manter a discriminação positiva das famílias com menores rendimentos, com o mesmo escalonamento existente no abono de família, por forma a mitigar os custos acrescidos que a deficiência provoca no orçamento das famílias;

- Liberdade de escolha na educação de filhos com deficiência. Garantiremos o direito dos pais de crianças com deficiência a escolher a educação que querem para seus filhos e promoveremos a formação de professores no conhecimento das necessidades das pessoas com deficiência;

- Implementaremos medidas na área das Doenças Raras. São reconhecidas, atualmente, entre seis a sete mil doenças raras, mas todos os dias surgem novas patologias com características raras. Muitas das doenças raras que se conhecem são graves e estão associadas a múltiplas deficiências, sejam elas intelectuais, sensoriais e/ou motoras. É, assim, fácil de perceber que as doenças raras podem ser altamente incapacitantes;

- Entendemos que uma sociedade só é devidamente justa e solidária se olhar para os cidadãos portadores de doenças raras. Dotaremos os vários Centros de Referência que existem para cada doença rara dos meios humanos e tecnológicos necessários para o cabal desempenho das suas funções altamente diferenciadas, incentivar a inclusão destes Centros de Referência em ensaios clínicos devidamente autorizados pela Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (INFARMED). Concluiremos a criação do registo nacional de doenças raras e iremos promover a emissão, pela Direção-Geral da Saúde, de Normas de Orientação Clínica destinadas particularmente a cada doença rara;

- Aprovaremos o Estatuto do Doente Crónico. As desigualdades entre doentes crónicos no acesso e na comparticipação de medicamentos exigem a criação de um Estatuto do Doente Crónico como forma de garantir a equidade no acesso aos cuidados de saúde.

PESSOAS ANIMAIS NATUREZA (PAN): 

- Tem como propostas aprovar a Estratégia Nacional para as Pessoas com Deficiência, como alternativa à institucionalização;

- Criar a lei de bases do regime jurídico do modelo de apoio à vida independente;

- Criar um regulador específico que assegura, de forma eficaz, a regulação, supervisão, coordenação e representação do sector relacionado com a prevenção, reabilitação, inclusão e participação dos cidadãos com deficiência;

- Alargar o regime constante da Lei n.º 33/2008, de 22 de Julho, que estabelece medidas de promoção da acessibilidade à informação sobre determinados bens de venda ao público para pessoas com deficiências e incapacidades visuais, a todas as pessoas com deficiência ou incapacidade, como pessoas portadoras de nanismo ou surdez;

- Apoiar os decisores autárquicos na implementação de projectos regionais e locais de promoção do paradigma vida independente das pessoas com deficiência e das suas famílias;

- Promover alterações no sistema de atribuição de produtos de apoio, denominado SAPA, nomeadamente pela criação de centros de apoio técnico regionais ou locais;

- Criar oficinas intermunicipais de produtos de apoio no seio dos centros de apoio à vida independente, para reparação, manutenção e montagem de componentes dos produtos de apoio;

- Permitir que qualquer pessoa devidamente habilitada com carta de condução possa conduzir o veículo da pessoa com deficiência, desde que esta seja um dos ocupantes Garantir que os postos SOS localizados nas autoestradas são acessíveis a pessoas com deficiência;

- Alargar a concessão de descontos nos transportes colectivos a pessoas com deficiência;

Criar redes intermunicipais de mobilidade rodoviária adaptada que garanta condições de transporte de qualidade em segurança às pessoas com deficiência com mobilidade reduzida e grau de dependência mais elevada;

- Assegurar a acessibilidade efectiva das pessoas com mobilidade reduzida, incluindo os utilizadores de cadeiras de rodas, aos veículos de transporte rodoviário, ferroviário e metropolitano de passageiros;

- Garantir a acessibilidade aos espaços culturais, nomeadamente eliminando as barreiras arquitectónicas e promovendo a utilização de novas tecnologias;

- Garantir a acessibilidade plena de toda a programação disponibilizada no serviço público de televisão, com conteúdos adaptados a surdos e deficientes auditivos, através do recurso a intérprete de Língua Gestual Portuguesa ou legendagem;

- Assegurar que todos os programas informativos/noticiosos dos canais generalistas de sinal aberto da televisão portuguesa estão acessíveis a surdos e deficientes auditivos com recurso a intérprete de Língua Gestual Portuguesa ou legendagem;

- Garantir a presença de intérpretes de Língua Gestual Portuguesa no SNS e nos serviços públicos;

- Garantir a presença de intérpretes de Língua Gestual Portuguesa em consulta com advogado nomeado no âmbito do Acesso ao Direito;
- Garantir que as escolas dispõem de intérpretes de Língua Gestual Portuguesa;

- Obrigar a que as instituições de ensino universitário e politécnico disponham, nas suas instalações, de um gabinete de apoio e acompanhamento ao estudante com necessidades educativas especiais;

- Reforçar os meios humanos e financeiros do Instituto Nacional para a Reabilitação;

- Criar um regime de concessão de apoios financeiros à pessoa com deficiência, que tenha vontade de criar um negócio por conta própria, adequado às suas limitações, sustentável e com viabilidade económica;

- Publicar um relatório anual que demonstre a evolução da contratação de pessoas com deficiência na administração pública e que contenha dados sobre o número de pessoas com deficiência que se candidatam e sobre as que são admitidas;

- Reforçar os apoios para a realização de obras de acessibilidade em habitação própria de pessoas com deficiência.

domingo, 22 de setembro de 2019

Vende-se cadeira de rodas elétrica F35 em ótimo estado

Vende-se cadeira de rodas F35 elétrica da sunsrise com muito pouco uso.



Único senão é o facto da bateria ter deixado de funcionar por falta de uso.

Preço aproximado no mercado 1.400€ Vende-se por 800€

Interessados contatar vendedora pelo nº tlm 961783129 ou enviar msg privada para o seguinte perfil do facebook:
 https://www.facebook.com/vina.antunes.3


domingo, 1 de setembro de 2019

Excluidos à mesa!

Muitos restaurantes ou zonas de restauração não têm mesas adequadas para acomodar pessoas com deficiência. Esta situação é mais evidente se considerarmos aqueles que se deslocam em cadeiras de rodas.
Na maior parte dos casos a mesa não permite que a cadeira se encaixe por baixo do tampo da mesa, não permitindo portanto a sua aproximação frontal, obrigando a pessoa com deficiência a colocar-se de lado. Noutros casos, quando a altura não é obstáculo, a aproximação frontal é impossível, ou devido ao local dos pés da mesa (centro da mesa) ou porque a distância lateral entre os pés da mesa não é suficiente. Em qualquer caso, comer à mesa nestas situações é difícil e desconfortável.


Estes espaços de usufruto público têm que cumprir as normas relativas à acessibilidade, mas não o fazem. O que é estranho é terem o licenciamento aprovado, sem que as entidades fiscalizadoras detetem este tipo de infrações.

Recentemente, o OUTLET STRADA em Odivelas renovou por completo a sua zona de restauração. Surpreendentemente, não existe uma única mesa que permita que uma pessoa que se desloque em cadeira de rodas tenha uma refeição confortável. Quem desenhou a solução? Quem fiscalizou?


Em sentido contrário, a zona de restauração, por exemplo, do Fórum Sintra, é totalmente acessível e as mesas são adequadas a todos os públicos. Esta é uma solução simples e inclusiva..


Fonte: Minuto Acessível

Nova Estratégia Inclusiva das Nações Unidas sobre Deficiência

"Quando lutamos para garantir esses direitos, aproximamos nosso mundo da defesa dos principais valores e princípios da Carta das Nações Unidas", explicou. “Quando removemos políticas, preconceitos ou obstáculos à oportunidade para pessoas com deficiência, o mundo inteiro se beneficia”.

Para esse fim, o chefe da ONU disse que estava lançando uma nova Estratégia de Inclusão da Deficiência das Nações Unidas na terça-feira, "para elevar os padrões de desempenho das Nações Unidas sobre inclusão das pessoas com deficiência em todos os setores, e ações para promover a mudança unificada e transformadora de que precisamos".

Com uma estrutura de prestação de contas para monitorar o progresso e enfrentar os desafios, a nova estratégia tem referências claras e incentivará mais pessoas com deficiência a trabalhar e a ser melhor apoiadas pela ONU. "Quero que as Nações Unidas sejam um empregador de escolha para pessoas com deficiência", enfatizou. "Quero que as Nações Unidas sejam totalmente acessíveis para todos".

Segundo o Sr. Guterres: "Não podemos mais ser uma plataforma de mudança quando pessoas com deficiência não podem acessar essa plataforma, para falar". “A realização dos direitos das pessoas com deficiência é uma questão de justiça, bem como um investimento de bom senso em nosso futuro comum”, disse o chefe da ONU, mas “ainda temos um longo caminho a percorrer para mudar mentalidades, leis e políticas para garantir esses direitos ”.

Ele instou os participantes a tornar as metas e os objetivos da Convenção "uma realidade no terreno".

O Sr. Guterres citou o primeiro Relatório da ONU sobre Deficiência e Desenvolvimento, do ano passado, que destaca os principais desafios, incluindo níveis desproporcionais de pobreza, falta de acesso à educação, serviços de saúde, emprego e sub-representação de pessoas com deficiência na tomada de decisões. tomada de decisão e participação política.


Juntos, podemos aumentar a conscientização e remover barreiras - chefe da ONU

“Precisamos fazer muito mais para combater a discriminação e a exclusão, principalmente contra meninas e mulheres com deficiência”, destacou. “Também devemos fazer muito mais em transporte, infraestrutura e tecnologia da informação e comunicação para tornar nossas cidades, áreas rurais e sociedades inclusivas”.

“Juntos, podemos conscientizar e remover barreiras”, afirmou. “Juntos, com as pessoas com deficiência como agentes de mudança, podemos construir um mundo inclusivo, acessível e sustentável”. "Minha esperança", concluiu, "é que as pessoas com deficiência - principalmente mulheres e meninas - um dia vivam em um mundo que nos protege, nos respeita e nos valoriza".
'Maior visibilidade'

Dirigindo-se aos delegados no Salão da Assembléia Geral, Catalina Devandas, Relatora Especial sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, disse que, apesar de várias agendas e prioridades concorrentes, “os direitos das pessoas com deficiência não podem ser marginalizados”.

Ela elogiou a nova Estratégia de Inclusão das Pessoas com Deficiência da ONU para garantir que “as pessoas com deficiência sejam incluídas em todos os esforços de desenvolvimento, direitos humanos e ajuda humanitária”.

Ao chamá-la de "uma proposta ambiciosa e abrangente que pode significar um ponto de virada para a inclusão de pessoas com deficiência" em todos os pilares do trabalho da ONU, ela alertou que a estratégia é "apenas o ponto de partida de um longo processo".

O especialista da ONU pediu aos Estados Membros que apóiem ​​política e financeiramente a estratégia, sinalizando-a como "um bom investimento" no fortalecimento da capacidade da ONU de fornecer "um apoio cada vez maior aos esforços nacionais para realizar os direitos das pessoas com deficiência".

“Os ganhos sociais são alcançados apenas quando as pessoas lutam por eles”, concluiu. “É essa luta incansável que agora permite que as pessoas com deficiência desfrutem de maior visibilidade na agenda internacional”.
Faça o download da Estratégia Inclusiva das Nações Unidas para a Deficiência (submetida à consideração dos Comitês de Alto Nível sobre Gestão e Programas).

sábado, 31 de agosto de 2019

Barras portáteis para adaptar casa de banho

As barras Mobeli da Roth são a solução ideal para potenciar a independência de todos aqueles que necessitam, por exemplo, de casas de banho adaptadas. São portáteis, fáceis de transportar, ajustam-se ao perfil de cada um e a sua aplicação é simples.


As barras são colocadas rapidamente – sem perfuração – e soltas com a mesma facilidade. As placas de sucção com 4,6 "de diâmetro são feitas de uma mistura de borracha adequada para o efeito e fixam-se logo que pressionadas sobre qualquer superfície lisa que não seja porosa.

Existem diversas soluções para otimizar a acessibilidade aos vários equipamentos de uma casa de banho.

Onde posso adquirir este equipamento? Contacte o Grupo MOBILITEC, um fornecedor que procura soluções para atenuar as dificuldades que as pessoas com mobilidade reduzida sentem no seu dia-a-dia.

Fonte: Minuto Acessível

domingo, 25 de agosto de 2019

Quem disse que não se pode explorar a Patagónia numa cadeira de rodas?

Wheel the World é o nome de uma organização que tem como objectivo criar experiências de viagens para pessoas com deficiência, para que estas possam explorar lugares que antes consideravam ser impossíveis de visitar.


A ideia de criar estas expedições surgiu de Alvaro Silberstein, um jovem que está numa cadeira de rodas desde os 18 anos devido a um acidente de carro que o deixou paralisado, como conta neste vídeo do canal Great Big Story. Desde essa altura que acreditava que nunca seria capaz de visitar o Parque Nacional Torres del Paine, no Chile, conhecido pelas suas grandes montanhas. Mas algo mudou. Após descobrir uma cadeira de rodas projectada apenas para caminhadas, Alvaro e o seu primo Matias Silberstein começaram a montar uma expedição, juntamente com uma equipa de 12 membros, desde especialistas e montanhistas experientes a fisioterapeutas, e decidiram documentar a viagem a Torres del Paine. A expedição acabou por ganhar o patrocínio de várias empresas, incluindo a The North Face, uma empresa americana de produtos para recreação ao ar livre.

Actualmente, e depois da realização do trilho da Patagónia, a Wheel the World — que já organizou viagens ao Chile, Costa Rica, México, Peru, Tanzânia e EUA — oferece experiências adaptadas às necessidades e desejos de todos, bem como acomodações, experiências e transporte acessíveis para pessoas com deficiência e para as suas famílias e amigos.


Fonte: Público

sábado, 24 de agosto de 2019

Prestação Social para a Inclusão alargada a crianças e jovens até 18 anos

O Conselho de Ministros aprovou esta quinta-feira o alargamento da Prestação Social para a Inclusão (PSI) a todas as crianças e jovens com deficiência até aos 18 anos e com uma incapacidade igual ou superior a 60%.


Na conferência de imprensa que se seguiu à reunião do executivo, coube ao secretário de Estado do Emprego, Miguel Cabrita, explicar esta terceira fase da PSI, uma prestação criada pelo Governo em outubro de 2017, numa primeira fase para as pessoas em idade adulta e, no ano seguinte, um complemento para as situações de pobreza.

Segundo o Ministério do Trabalho e Segurança Social, a "terceira fase da Prestação Social para Inclusão é alargada às crianças e jovens dos 0 aos 18 anos, possibilitando a crianças e jovens que tenham uma deficiência que lhes confira um grau de incapacidade igual ou superior a 60% acederem, mediante requerimento, à componente base desta prestação".

Em termos de valores, detalhou Miguel Cabrita, "o que está em causa é a atribuição de um montante fixo que é correspondente, como noutras prestações sociais, a 50% do valor de referência da componente base de prestação". "Estamos a falar, portanto, de cerca de 136 euros e aplica-se independentemente dos recursos económicos de que a família disponha. Este montante pode ainda ser majorado em 35% nas situações em que as crianças vivam em agregados familiares monoparentais", concretizou.

O secretário de Estado do Emprego garantiu ainda que a PSI é acumulável com outras prestações a que as crianças tenham direito. Com esta terceira fase da PSI, destacou Miguel Cabrita, "foi possível concluir e cumprir integralmente aquilo que estava no programa do Governo" sobre esta prestação, que segundo os números hoje avançados já chega a mais de 95 mil pessoas.

Segundo o executivo, "com a introdução desta alteração, a prestação passará a apoiar a pessoa com deficiência ao longo de todo o seu percurso de vida", ficando assim reforçada a proteção social a pessoas com deficiência, em particular quando esta "é congénita ou adquirida numa fase precoce da vida que possa prejudicar a respetiva formação e os percursos educativos".

(Notícia corrigida - a prestação aplica-se a todas as crianças e jovens até aos 18 anos, em vez de alargada a jovens a partir dos 10 anos)

Fonte: rr

domingo, 18 de agosto de 2019

O meu filho usa óculos. Tenho direito a bonificação por Deficiência?

O Dr. Ricardo Portugal, Médico Especialista em Oftalmologia, e Coordenador de Oftalmologia do Hospital Privado de Gaia, no  portal impala opina sobre se a utilização de óculos é ou não uma deficiência.


Vamos primeiro perceber o que é a bonificação por deficiência e qual a sua finalidade. Segundo a Segurança Social (SS), a bonificação por deficiência «é um acréscimo ao abono de família para crianças e jovens, atribuído quando, por motivo de perda ou anomalia congénita ou adquirida de estrutura ou função psicológica, intelectual, fisiológica ou anatómica, a criança, ou o jovem, necessite de apoio pedagógico ou terapêutico». Esta bonificação não se destina em específico a óculos. Trata-se de uma prestação em dinheiro com o objetivo de compensar as famílias dos encargos resultantes da situação clínica da criança ou do jovem.

Necessidade de utilização de óculos não configura por si própria qualquer a deficiência
O que dizem os médicos, representados pelo Colégio de Especialidade de Oftalmologia da Ordem dos Médicos (CEO-OM) e pela Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO)? Talvez mais importante do que discutir a existência ou não de «deficiência», será aferir se esta, a existir, terá ou não efeitos, e quais, para o desenvolvimento da criança. Quer o CEO-OM quer a SPO são perentórios a afirmar que a necessidade de utilização de óculos não configura, por si própria, qualquer a deficiência com efeitos no desenvolvimento da criança ou do adolescente, desde que a visão atingida com correção ótica seja «normal». Importa, portanto, saber o que é uma visão deficitária, sendo de salientar que deve ser avaliada a visão com correção ótica, seja ela obtida com uso de óculos ou lentes de contacto.

Condição visual que afeta a capacidade de realizar tarefas do dia-a-dia
A Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO) define deficiência como uma condição visual que afeta a nossa capacidade de realizar tarefas do dia-a-dia, e que é agravada pelo meio em que vivemos. A consulta da International Statistical Classification of Diseases and Related Health Problems ICD (2018) permite classificar a deficiência visual em quatro graus. A deficiência ligeira implica uma acuidade inferior a 6/12 (ou seja 50%) que não melhora com correção. A Organização Mundial de Saúde, em consonância com o ICD (2018), estabelece como visão quase normal ou ligeiramente diminuída uma acuidade no melhor olho com correção entre 20/30 e 20/60.

O que diz o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social
Segundo declarações do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (MTSSS), «é da total responsabilidade dos médicos atestarem tipo de deficiência, natureza da deficiência e se esta, a existir, tem ou não efeitos, e quais, para o desenvolvimento da criança», salientando que «são os próprios médicos que atestam a deficiência nos moldes definidos por lei, dentro das suas competências médicas e ao abrigo dos respetivos estatutos e código deontológico». Sobre a crítica realizada pelo CEO-OM relativamente a uma atitude considerada laxista da Segurança Social (SS), o MTSSS responde que não compete à SS contestar pareceres clínicos. Admite, porém, que «está a averiguar as causas e identificará as medidas que eventualmente venham a ser necessárias e ajustadas tomar».

Perda ou anomalia de estrutura ou função «não confere por si só direito à bonificação por deficiência»
O MTSSS lembra que o facto de uma criança ou jovem ter qualquer perda ou anomalia de estrutura ou função «não confere por si só direito à bonificação por deficiência». Estas ultimas semanas têm sido particularmente complexas para os Médicos Oftalmologistas, uma vez que, tal como defende o próprio MTSSS, compete-lhes seguir escrupulosamente os respetivos estatutos e código deontológico, muitas vezes em conflito de opinião com os utentes. É importante frisar que todos estamos do lado da verdade e da justiça social. São compreensíveis as dúvidas dos utentes que pretendem informar-se nesta confusão de opiniões que circulam nas redes sociais sobre se, efetivamente, são elegíveis ou não para a atribuição deste subsídio.

Nenhum deficiente visual, ainda que ligeiro, cumprirá os critérios mínimos para a condução de veículos motorizados
Felizmente, a maioria dos utentes não o será, uma vez que com correção ótica tem uma vida perfeitamente normal. Uma visão que lhes permite (ou permitirá aquando da maioridade) inclusive conduzir veículos motorizados (para o qual é necessário entre outras condições, ter uma acuidade visual mínima de 50%, podendo para isso ser utilizada correção ótica). Note que a acuidade visual mínima para um condutor ser considerado apto para condução de veículos em Portugal é, simultaneamente, o limite a partir do qual a ICD classifica como ligeira a deficiência. Ou seja, segundo a ICD, nenhum deficiente visual, ainda que ligeiro, cumprirá os critérios mínimos para a condução de veículos motorizados.

Uma pequena parte da população nem com óculos, lentes de contacto ou cirurgia consegue obter uma visão útil
A constante evolução da Medicina desafia diariamente os seus limites. Infelizmente, uma pequena parte da população nem com óculos, lentes de contacto ou cirurgia consegue obter uma visão útil. A estes utentes fica a promessa do empenho dos médicos para que, num futuro que desejamos próximo, os possamos ajudar. Ajudar a ter uma vida normal, plenamente integrada na sociedade. Ajudá-los a não se qualificarem como aptos a receberem esta «bonificação por deficiência».

Aeródromo de Évora recebe paraquedismo para pessoas deficientes

O Aeródromo Municipal de Évora vai ser palco, entre os dias 20 e 24 deste mês, de uma competição internacional de paraquedismo para pessoas deficientes, denominada “HandiFly International Challenge”, divulgou hoje o município.


O torneio, cujos saltos decorrerão entre as 05:30 e as 13:00, é organizado pela Federação Portuguesa de Paraquedismo e Câmara de Évora e tem como parceiros várias instituições e organismos locais.

No decorrer do evento “HandiFly”, competição que irá acontecer pela primeira vez em Portugal, irá ser fornecida a primeira formação de juízes e apoio médico no paraquedismo em Portugal.

Fonte: Sapo 24

domingo, 11 de agosto de 2019

Meu discurso mandatário apresentação candidatura Fabiola Cardoso BE distrito Santarém

Boa noite a todas e a todos, e obrigado pela vossa presença! 

Abraço à candidata  Fabiola Cardoso (imagem página facebook Catarina Martins)
Finalmente no meio de vós. É um prazer, e uma grande emoção estar convosco e fazer parte deste ato de cidadania. É muito reconfortante sentir-me em casa.

Um agradecimento especial à Fabíola Neto Cardoso e à Catarina Martins!

Foi com muita surpresa, mas com confessado orgulho, que recebi o convite para exercer o papel de mandatário distrital do BE, para as eleições legislativas do próximo dia 6 de outubro, aceitei o convite da futura deputada Fabíola Cardoso, por três razões principais:

. É candidata pela principal força política, que sempre esteve ao lado das pessoas com deficiência, e presente nas minhas lutas, como activista social pelos direitos das pessoas com deficiência;

. É companheira de partido das principais pessoas que sempre me apoiaram incondicionalmente, e que comigo estiveram presentes na maioria das lutas que travei, e das minhas várias acções de protesto, e por último

. É ela própria, uma lutadora incansável de causas, seja a causa feminista e LGBT, a causa ambiental que está cada vez mais na ordem do dia, ou outras.

Aceitar ser mandatário da candidatura da Fabíola Cardoso, para um ser livre como eu, que sempre evitou envolver-se em iniciativas de âmbito partidário, não deixa de ser, além de um desafio, uma responsabilidade acrescida.

Conheço muito bem as minhas limitações, e não me refiro somente ás físicas, mas espero, e tudo farei, para desempenhar o papel para o qual fui desafiado, de uma forma mobilizadora no sentido de contribuir para que os resultados a obter, a eleição da Fabíola Cardoso, sejam adicionar valor a um grupo parlamentar imprescindível pela diferença, solidariedade, a irreverência, o não conformismo, o ”não mais do mesmo”, em suma, o factor decisivo para que o próximo governo não seja um governo de maioria absoluta, e seja um governo mais equilibrado e ao serviço de todos e para todos, sempre condicionado nas suas acções e medidas.

Pela minha experiência de ativista, e pela parte que me toca, maiorias absolutas em nada têm contribuído para melhorar a vida das pessoas. A história passada e recente dá-me razão e também o confirma.

Se depender de mim, a Fabíola Cardoso será eleita deputada, e não tenho dúvidas que desempenhará o seu papel de deputada na Assembleia da República, tão bem quanto todos os outros papéis que desempenhou ao longo da sua militância cidadã, e que fizeram dela uma referência no ativismo, e um exemplo de que as ideias retrógradas não passam disso mesmo, quando confrontados com o empenho e a persistência de quem nunca desiste daquilo cuja força maior é a força da razão.

Realço mais uma vez as razões que me trouxeram ao papel que aqui represento.

Para quem possa não saber, tal como estou, sou o resultado de um acidente de automóvel tido em 1991, atirado por via disso para o desconforto que é viver, dependente de 3ºs e na maioria das vezes à margem da sociedade, e por favor. Esse fato transformou-me num ser atento e inconformado que não aceita os nãos com facilidade, e consequentemente num homem de causas e num ativista pelos direitos das pessoas com deficiência.

Aceitar ser mandatário da candidatura da Fabíola Cardoso, é uma forma de encontrar harmonia nas diferenças, que, parece-me, faz parte da prática bloquista. As, e os bloquistas que me são próximas, são todas elas pessoas singulares na sua forma de estar na vida, livres da tutela impositória dos partidos tradicionais, com cabeças e cérebros pensantes. Admiro todo esse leque de pessoas por isso mesmo, pelo empenho e abnegação, pela entrega aos outros e às causas que defendem.

Como é o caso da ex deputada Helena Pinto. Como esquecer a sua visita á minha casa com a finalidade de conhecer a minha realidade, e a audição que promoveu na Assembleia da República, e posteriormente a apresentação de um projeto de resolução para a implementação da Vida Independente em Portugal, uma das minhas mais recentes batalhas? Na altura o projeto foi recusado pela maioria PSD/CDS, mas se neste momento a assistência pessoal é finalmente uma realidade, muito se deve ao BE.

Como ficar indiferente á visita da sempre atenta coordenadora do BE, Catarina Martins, na minha última ação na Assembleia da República, única membro de um partido a fazê-lo, para além do deputado Jorge Falcato, e também todo o apoio dado na altura pelo BE?

Como ficar indiferente ao trabalho em prol dos outros deste grande homem que faz o favor de ser meu amigo, e que ali se encontra Duarte Arsénio. Este homem dedica-se de corpo e alma ao Centro de Apoio Social da Carregueira cuja direção preside, sem receber nada em troca. É geralmente o primeiro a chegar e último a sair. Gere os conflitos como poucos de quase 70 colaboradores. É inspirador ver a maneira como defende os direitos humanos, e defende o BE. Tem lutado contra ventos e marés não abdicando dos seus princípios.

Obrigado Duarte Arsénio por essa tua firmeza de caráter, continuares a defender os teus princípios, e não optares pelo caminho mais fácil. Tens sido um grande exemplo para mim. Eu acredito em ti, e em outros como tu, porque vós que tanto me têm dado, são o Bloco. Como já te disse várias vezes, não consigo entender as razões porque não te encontras a ocupar um cargo político. A política precisa de pessoas como tu.

E o Armindo Silveira? Como é possível com tão pouco conseguires tanto. Já és uma referência para os injustiçados do concelho de Abrantes. Parabéns amigo.

São essas as minhas principais razões de aceitar estar aqui, na qualidade de mandatário, convicto de que as lutas são permanentes, constituídas de batalhas, nem sempre ganhas, na procura permanente de uma sociedade mais justa, fraterna, livre, tolerante e mais igualitária para todos.

Boa sorte Fabíola Cardoso!

Boa sorte Bloco de Esquerda!

Visita do Presidente da República

A minha crónica deste mês no Jornal Abarca:

O Srº Presidente da República vai visitá-lo no dia 3 de julho às 14, pode ser?. Foi assim que recebi a inesperada notícia. Nunca pensei que o meu convite fosse aceite. Felizmente aconteceu, a causa que defendo agradece, e quanto a mim foi uma experiência ímpar e um privilégio conviver e conhecer melhor o ser humano Marcelo Rebelo de Sousa, que com as suas atitudes e maneira de estar, fez com que fosse tudo tão natural e descontraído, que houve momentos que me esqueci que estava perante o nosso chefe de Estado, Exmo. Srº Presidente da República Portuguesa, mas sim a conviver com um amigo de longa data.


A minha institucionalização num lar de idosos, em 21 de julho de 2015, foi notícia na imprensa pela revolta que me causou. A minha liberdade 4 anos depois, também fiz questão que o fosse, mas neste caso com razões para comemorar.

A minha comemoração
Explico que comemoro pela minha liberdade e de muitos outros nas mesmas circunstâncias que assim como eu se candidataram à assistência pessoal, e tiveram a felicidade de ser selecionados e abrangidos pelo projeto piloto, ao abrigo do Decreto-lei nº 129 de 9 de outubro de 2019, mas somente isso. Não comemoro pela ineficácia do projeto, e lamento de coração por todos os outros que ficaram privados deste apoio.

O convite que lhe enderecei ao Srº Presidente foi no sentido de lhe mostrar a minha alegria e nova vida, já partilhada no meu blogue “Tetraplégicos” e página no facebook “Nós Tetraplégicos”, de modo a poder presenciar no terreno as diferenças entre institucionalização compulsiva, e o viver no nosso ambiente, e desse modo poder sensibilizá-lo e contar com a sua preciosa ajuda, nesta batalha titânica e aparentemente sem fim que tem acontecido pelo direito a uma Vida Independente.

Foi muito importante sentir esta proximidade, interesse, e apoio de uma pessoa com a influência do nosso Presidente da República, e ouvir da sua boca que a Vida Independente é um projeto irreversível, uma bola de neve que não pode parar, e que terá de abranger o maior número de pessoas o mais rápido possível.

A visita
Estava agendada para as 14h. Alguns moradores da localidade da Ribeira do Fernando, (moro na divisa entre as localidades da Concavada e Ribeira do Fernando) representados pelo Sr. Joaquim Catarrinho, José Lopes Peres e António Rodrigues, resolveram saudar a sua visita através de uma faixa colocada a atravessar a estrada secundária que liga as duas localidades, e presenteá-lo com um cabaz recheado de produtos da terra. Muitos outros moradores da referida localidade, e também da Concavada não quiseram deixar de estar presentes á sua chegada, e ao som de palmas, o nosso Presidente fez questão de os cumprimentar um a um. 

Outros convidados
A Srª Secretária de Estado para a Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, Duarte Arsénio presidente do Centro de Apoio Social da Carregueira, em representação da instituição que me acolheu e que me reabilitou para o mercado de trabalho, e onde continuo a trabalhar, Helena Pinto, ex deputada do BE, Renato Bento, diretor da Segurança Social do distrito de Santarém, Armindo Silveira vereador do BE, na Câmara Municipal de Abrantes, por parte do CAVI - Centro de Apoio à Vida Independente de Leiria, ao qual estou ligado como beneficiário de assistência pessoal, Carlos Lourenço, Sara Batista e Conceição Lourenço, e também o representante da União das Freguesias de Alvega e Concavada, Raul Chambel.

Todos os convites foram dirigidos a quem de uma maneira ou de outra fez parte desta minha longa caminhada pelo direito à Vida Independente. Como foi o caso da deputada Helena Pinto, que em maio de 2015 apresentou o primeiro projeto de resolução para a implementação da Vida Independente, isto após visita realizada à minha casa com o intuito de me ouvir, e ter promovido uma audição na Assembleia da República com a presença da comunidade de pessoas com deficiência, projeto recusado pelo Governo da altura, composto pela coligação PSD/CDS.

Os incansáveis e felizes cães
Logo pela manhã surgem as patrulhas da GNR acompanhados dos seus profissionais cães, que depois de passar a pente fino toda a área envolvente à minha habitação, se despediram cordialmente, ao mesmo tempo que presenteavam os seus companheiros de 4 patas com a recompensa devida pelo trabalho desenvolvido. Os jornalistas começaram a chegar, a sua incansável assessora Maria João Ruela, a quem muito devo desde os tempos de jornalista na SIC, na companhia de duas colegas, alguns moradores também, de seguida os convidados, e por último o nosso Presidente.

Recebi-o com um saboroso e longo abraço, mostrei-lhe alguns dos meus recantos preferidos no exterior da minha casa, à Sr.ª Secretária de Estado, por ser cega descrevia-lhe o espaço. Já no interior apresentei-lhe os meus convidados e expliquei-lhe as razões porque cada um se encontrava presente, e houve a possibilidade de conversarmos mais em privado sem a presença dos jornalistas, que fizeram o favor de ficar a aguardar-nos no exterior.

O queijo da mana Gracinda
Com o apoio das minhas assistentes Patrícia e Rafaela preparamos uma mesa com alguns petiscos, onde não faltou o maranho, tigelada (diferente da de Abrantes e Rio de Moinhos) e o queijo de cabra da minha terra de nascença, Padrão, concelho de Proença-a-Nova oferecido pela mana Gracinda. O queijo foi muito elogiado e ficou a promessa de lhe fazer chegar mais um logo que surja a oportunidade.

O tempo voou, mas as impressões foram as melhores e continuo a procurar razões do porquê de merecer tão nobre gesto. Senti-me a receber um amigo que por acaso é o meu chefe de Estado. Tudo farei para não ser o nosso último encontro. Da sua parte ficou a promessa de continuarmos a conversa por telefone, só não o poderá ser a altas horas da madrugada como inicialmente sugeriu, para já continua a agradável e surpreendente troca de emails.

Obrigado Sr. Presidente da República pela sua humanidade e simpatia, e espero não voltar a dar-lhe trabalho daqui a 3 anos, data do fim do projeto piloto Vida Independente, que agora iniciou, com a promessa de se tornar uma realidade para todos.

À sua assessora e já amiga Maria João Ruela uma enorme gratidão, a todos os outros convidados, jornalistas, e presentes, principalmente da Ribeira do Fernando e Concavada, cujo gesto me emocionou, o meu grande obrigado também. Também não posso deixar de agradecer o esforço da Srª Secretária de Estado, por saber que não foi fácil conciliar a sua agenda.

Aos que não convidei, espero que entendam que não o fiz pelas razões apresentadas acima. Só fazia sentido ter junto de mim neste momento tão especial, quem fez parte desta caminhada. Faltou a jornalista do Público, Vera Moutinho, autora do documentário “O que é isso de Vida Independente?”, que muito contribuiu para esclarecer os menos familiarizados com esta filosofia, mas encontrava-se em trabalho fora do país. Estarás sempre no meu coração. Esta vitória também é tua.

Por último uma palavra de apreço à coordenadora do BE Catarina Martins, pois foi a única politica na minha última ação na Assembleia da República, e deputado Jorge Falcato, pelo vosso apoio incondicional em todos os momentos.

Fonte: Jornal Abarca

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Apresentação da Lista de Candidatos do Bloco de Esquerda Distrito de Santarém

Decorrerá na próxima sexta-feira, pelas 19h na Sala de Leitura Bernardo Santareno, em Santarém, a apresentação da lista de candidatos e candidatas do Bloco de Esquerda pelo circulo de Santarém às eleições para a Assembleia da Republica.


Constarão da apresentação as intervenções da cabeça de lista, Fabíola Cardoso, bem como do mandatário local, Eduardo Jorge, para além da coordenadora nacional, Catarina Martins e ainda de um apontamento musical.

Todas as intervenções serão também apresentadas em língua gestual portuguesa.