sábado, 19 de setembro de 2020

Até ao fim. Morrer com dignidade

Morreu mais um português por suicídio assistido na Suiça. É o oitavo cidadão nacional a recorrer aos serviços da Associação Dignitás. 

Luís Marques tinha de 63 anos, estava paraplégico há 55 e percorreu mais de dois mil quilómetros para concretizar uma morte assistida negada em Portugal.

A RTP acompanhou esta que foi a última viagem de Luís Marques.

A reportagem Até ao fim, de Paula Rebelo e Pedro Miguel Gomes, pode ser vista na íntegra no programa Linha da Frente.

Governo quer retirar das instituições pessoas com deficiência que possam viver com autonomia

O Governo quer retirar das instituições as pessoas com deficiência que possam viver em autonomia, através da criação de um plano nacional de desinstitucionalização com respostas residenciais inseridas na comunidade.


De acordo com a proposta de lei com as Grandes Opções do Plano (GOP) para 2021, o objetivo é que esse “caminho para a autonomia” das pessoas com deficiência comece a ser feito já no próximo ano, em articulação com os municípios e o setor social, através da criação de respostas sociais onde estas pessoas “possam residir autonomamente, sendo-lhes prestado o apoio de retaguarda imprescindível ao seu bem-estar“.

Este programa de incentivo à criação de respostas residenciais estará inserido num plano nacional de desinstitucionalização, sendo também objetivo avaliar o funcionamento dos projetos-piloto do Modelo de Apoio à Vida Independente, para criar um modelo definitivo de assistência pessoal que arranque em 2023.

Em matéria de direitos das pessoas com deficiência, o Governo prevê também a criação de um Plano Nacional de Promoção da Acessibilidade, além do reforço da Rede de Balcões da Inclusão, para que em 2024 haja 100 balcões espalhados pelo território nacional.

Fonte: Observador

Deficiência e Vida Independente: Constrangimentos em tempos de pandemia

Centro de Apoio à Vida Independente Lisboa da ACAPO irá promover no próximo dia 23 de setembro um webinar, com recurso à plataforma Zoom, subordinado ao tema: “Deficiência e Vida Independente: Constrangimentos em tempos de pandemia”. Este evento terá início às 17h e destina-se a todos os interessados.


Este webinar tem como objetivo geral apresentar os constrangimentos identificados durante o período de pandemia.

O evento terá como oradores o Dr. Humberto Santos, Presidente do Instituto Nacional para Reabilitação, Dr. Jorge Vieira,Chefe da Divisão de Coesão e Juventude do Departamento para os Direitos Sociais da Câmara Municipal de Lisboa, e como moderadora a Dra. Sónia Henriques, Diretora Técnica do CAVI Lisboa - ACAPO).

Os interessados em participar neste evento, poderão inscrever-se até dia 20 de setembro, procedendo ao envio de email para cavilisboa@acapo.pt, indicando a sua intenção.

cartaz do webinar.pdf

Fonte e mais informações: ACAPO

terça-feira, 8 de setembro de 2020

Só o Bastonário para por o Primeiro Ministro na Ordem

Durante os últimos dias o assunto foi a briga entre o Bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães e o Primeiro Ministro António Costa, o que não imaginei foi que o Costa levasse tamanha tareia. Foi mesmo para doer. Coitado do Costa. Tudo porque após uma entrevista ao Semanário Expresso deixou escapar em off: "É que o presidente da Administração Regional Saúde mandou para lá os médicos fazerem o que lhes competia. E os gajos, cobardes, não fizeram". 



Referia-se à desgraça que aconteceu no lar da Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva (FMIVPS), em Reguengos de Monsaraz, onde foi registado o maior surto COVID-19 no Alentejo, com 162 casos de infeção - 80 utentes do lar, 26 profissionais e 56 pessoas da comunidade.

Acho que nem ele esperava que o opositor fosse tão forte. Não me sai da memória a cena montada á saída da audiência entre os dois. A Temido, Ministra da Saúde, encolhida num canto fazia juz ao nome, os restantes elementos que acompanhavam o Costa, tipo não me faças mal que eu estou a portar-me bem, e o Bastonário de olho neles a controlar tudo.

Sinceramente foi esquisito ver um governante que na maioria das vezes esbanja arrogância, ceder desta maneira e dar-se a este papel secundário. Um Costa amedrontado e a humilhar-se daquela maneira não é habitual ver-se. Acho que nunca deve ter marcado uma audiência com tanta rapidez.

Quanto ao Bastonário é de estranhar só se preocupar com o lar de Reguengos, deveria alargar as auditorias a todos os outros lares, principalmente os ilegais. Na sua página a OM esclarece: “Na sequência da divulgação do Relatório e respetivas conclusões elaborado por uma Comissão de Inquérito/Avaliação designada para realizar uma auditoria aos Cuidados Clínicos prestados aos utentes do Lar da FMIVPS em Reguengos de Monsaraz devido ao surto COVID-19 tem vindo a ser publicamente posta em causa a competência da Ordem dos Médicos para este efeito. Importa, por isso, esclarecer definitivamente esta questão. Ora, as atribuições da Ordem estão definidas no artigo 3.º[1] do EOM, ali constando expressamente que lhe cabe “contribuir para a defesa da saúde dos cidadãos e dos direitos dos doentes”. Este é, portanto um fim de interesse público que a OM tem de prosseguir através dos seus órgãos.”.

Aí está. Apregoam que é da sua competência a responsabilidade de contribuir para a defesa da saúde dos cidadãos. Então toca a fazê-lo noutros lares e a exigi-lo aos seus associados, o que não acontece perante o número de queixas contra os médicos anualmente. Além do poder inequívoco demonstrado também me surpreendeu a Ordem dos Médicos não adotar a mesma postura no caso do “bebé sem rosto”. Tão preocupada com um lar, mas não com a sua própria casa. São centenas de queixas contra os seus associados e não se conhece um único médico expulso.

Existiam 14 queixas na Ordem dos Médicos contra Artur Carvalho, o obstetra responsável pelas ecografias ao bebé sem rosto, o bebé que nasceu com graves malformações em Setúbal. A primeira em 2014. E o que fez a OM? Nada.

Em 2019 os três conselhos disciplinares da Ordem dos Médicos decidiram arquivar 861 processos e condenar 35 profissionais. Dos 35 condenados, 16 receberam pena de suspensão, a sanção mais grave a seguir à da expulsão; os restantes sancionados com as penas mais leves: advertência e censura. Nenhum médico foi expulso. Noticiou também o Público.

Uma coisa é certa, poder a OM tem, e foi muito bom ver o Costa amedrontado e sem a arrogância do costume, mas a OM não tem moral para exigir dos outros o que não pratica. Será que na área da deficiência conseguimos ter também um "bastonário" assim? Dava-nos um grande jeitão.

Minha crónica de setembro no jornal Abarca

Ativistas em conversa aberta “Por um Ribatejo Melhor”

Realizou-se este domingo, dia 6 de setembro, um debate sobre o tema “Por um Ribatejo Melhor”, junto ao coreto do Jardim da República em Santarém.


Eu estive lá, e na minha intervenção foquei a importância de urgentemente o Estado encontrar uma solução para os milhares de idosos que se encontram em casa na maioria dos casos totalmente abandonados.


Claudia Grilate, 42 anos, Assistente Pessoal

O meu nome é Claúdia Grilate, tenho 42 anos e formação em geriatria. Após a formação comecei por trabalhar num lar de idosos. Algum tempo depois surgiu uma nova oportunidade de emprego: Assistente Pessoal. Como gosto de desafios aceitei de imediato.

Exerço então a função de Assistente Pessoal. Esta função é destinada a prestar apoio diário e acompanhamento a pessoas com deficiência. A meu ver é uma função bastante gratificante no sentido em que se está a contribuir para a independência, autonomia, e principalmente qualidade de vida de uma pessoa que de outra maneira dificilmente conseguiria ser livre. Sou Assistente Pessoal do Eduardo Jorge. Esta função é realizada por turnos. O turno da manhã e o turno da tarde.

O primeiro turno geralmente inicia às 7h. Chego a casa do Eduardo começo por auxiliá-lo nas tarefas que devido á sua tetraplegia não consegue realizar. Auxiliar porquê? Porque a assistente faz apenas aquilo que ele não consegue fazer.

Seguidamente ajudo-o a entrar dentro da sua carrinha que se encontra devidamente adaptada, à sua condição e cadeira de rodas com uma rampa elevatória, de forma a facilitar o processo. Conduzo-o então para o seu local de trabalho, Restaurante o Algaz na Carregueira.

No desempenhar das suas funções o Eduardo é uma pessoa bastante capaz, pois apesar da sua condição faz muita coisa sozinho, precisando apenas de ajuda em algumas situações ou tarefas em que sente alguma dificuldade de maior.

Terminado o dia de trabalho volto a colocar o Eduardo na sua carrinha e conduzo-o de volta para a sua casa sita na Concavada. Por vezes a meio do trajeto para casa e sempre que necessita de fazer compras, fazemos uma paragem no supermercado e a assistente aqui também o auxilia nas compras. E aqui termina o primeiro turno de trabalho.

Na sua casa, e à sua espera, já se encontra a colega para continuar o turno da tarde. Neste turno as nossas funções estão mais direcionadas para as atividades domésticas. É dever da assistente pessoal ter a casa nas devidas condições de limpeza e higiene. Como qualquer outra pessoa e apesar da sua condição, o Eduardo tem também a sua vida social. É frequentemente convidado para eventos, tem almoços/jantares com amigos, reuniões, etc. Nestas situações também precisa de ter assistência. Assim, a assistente pessoal transporta-o até ao local em questão, e presta-lhe também o auxílio de que ele necessita. Esta é também uma parte muito importante na vida de qualquer pessoa, e também para a vida das pessoas com uma condição diferente, uma vez que se sentem mais incluídos na sociedade. É uma pena ainda haver tanta discriminação a estas pessoas diferentes, mas tão iguais aos demais.

Como já referi anteriormente, este é um trabalho bastante gratificante, pois estou a contribuir para que uma pessoa possa ter a sua própria liberdade, independência, e dignidade.

É de ressaltar que a assistência pessoal foi uma das conquistas do Eduardo consequência das várias lutas que travou. E não só ele, mas muitas mais pessoas usufruem de assistência pessoal tornando-as mais dignas e com qualidade de vida. Pena não chegar a todos. Deveria ser um direito e não um favor feito pelo Estado.

A meu ver, todas as pessoas independentemente da sua condição têm direito a ter uma vida digna, com uma boa qualidade de vida. E esta é basicamente a função da assistente pessoal. Sinto-me muito honrada pela exercer.

Na minha crónica de agosto no jornal Abarca

quinta-feira, 2 de julho de 2020

Sou um sortudo

Apesar de a desdita me ter batido à porta em pleno vigor da juventude, posso dizer que sou um sortudo, porque estou rodeado por gente de bem que sabe entender as razões das minhas lutas, de gente que me entende e ajuda a ser útil, de gente que me ensina o dever de ser humilde com as vitórias e a aceitar o trago das derrotas, de gente que no fundo me ensina a ser materialmente despretensioso.


Vêm estas palavras a propósito da minha relação com o Professor Marcelo, e servem as mesmas para lhe agradecer no que me tem ajudado a alcançar objectivos, em que, sendo eu o protagonista, os seus fins são colectivos e sociais.

Foi “ele” que teve a coragem de não me ignorar na luta que travei ao me entregar aos cuidados do Primeiro Ministro, do Ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, e ao seu próprio cuidado como Presidente da República, quando me “instalei” em frente ao Parlamento, em Dezembro de 2018, em luta pelo direito à vida independente, minha, e de alguns milhares de outros discriminados.

Foi o Presidente da República que teve a humildade de vir até há simplicidade da minha residência, “perdida” num recôndito do interior desertificado, a meu ver, simplesmente para transmitir que “migalhas também são pão” e que a solidariedade a causas, que demonstrou em Lisboa, continua viva, e que o conseguido não pode voltar atrás.

Foi o cidadão Marcelo Rebelo de Sousa que, a 04 de Junho último, veio ao local onde a Direção do Centro de Apoio Social da Carregueira, uma IPSS inovadora me confiou a gestão de um Restaurante, criado para colmatar economicamente a falta de eficácia social do governo, através do Ministério respectivo, e a falta de palavra dos responsáveis do respectivo Município, não hesitou em declarar publicamente que as IPSS’s necessitam de se reinventar, criando mecanismos que conduzam à sua auto-sustentabilidade para poderem cumprir os seus objectivos sociais.

O mediatismo é importante, e ninguém precisa de comprar ou corromper a dignidade dos outros… precisamos sim, de gente de corpo inteiro e de palavra de honra, que dignifique sempre os lugares que ocupa, desde o mais modesto, ao mais alto cargo.

Obrigado Professor Marcelo!

(Minha última crónica no jornal Abarca)

sexta-feira, 12 de junho de 2020

Deficientes pedem desconfinamento a juiz

Sete cidadãos deficientes, utentes da Fundação ADFP, em Miranda do Corvo, requereram, esta terça-feira, que seja judicialmente ordenada a sua restituição à liberdade de que estão privados devido à pandemia da covid-19.


Trata-se de subscritores de uma petição de habeas corpus, prevista na Constituição da República Portuguesa contra detenção ou prisão ilegal. Perante o facto de não vigorar estado de emergência e de os demais cidadãos terem direito à sua liberdade, os peticionários (quatro homens e três mulheres), invocando a fase de desconfinamento, rejeitam que lhes seja imposta "restrição de liberdade baseada na doença e deficiência", disse à SÁBADO o presidente da Fundação ADFP.

Jaime Ramos, médico e antigo deputado à Assembleia da República, pediu ao Governo, na semana passada, "análise e discussão, do ponto de vista ético, da distanásia de pessoas condenadas a morrer nas residências transformadas em jazigos para vivos".

Em documento remetido ao Tribunal de Competência Genérica da Lousã, os sete cidadãos alegam encontrar-se em situação de "prisão domiciliária, decretada por manifesto abuso de poder". Para os deficientes, a Fundação - Assistência, Desenvolvimento e Formação Profissional não pode, com base em orientações do Governo, condená-los a permanecerem no domicílio.

À luz do Código de Processo Penal, a ilegalidade da prisão que pode fundamentar a providência de habeas corpus deve resultar da circunstância de a mesma ter sido efectuada ou ordenada por entidade incompetente, haver sido motivada por facto pelo qual a lei a não permite ou, ainda, quando se mantiver para além dos prazos legalmente fixados ou por decisão judicial.

Para o médico, a "visão de protecção sanitarista sem cuidar de outras dimensões essenciais da vida humana, em que é essencial a liberdade, assume aspectos de fundamentalismo desumano". O presidente da Fundação ADFP alude às centenas de utentes da instituição como "pessoas para quem evitar um contágio infeccioso" de transmissão da covid-19 "não pode consistir no único objectivo de vida".

"Trata-se de pessoas afastadas da opinião pública, sendo que esta só lhes presta atenção quando algo negativo acontece", opina. "A nossa visão", prossegue Ramos, "de cuidadores que investem em pessoas, com qualidade técnica e bondade, não pode ser transformada numa prática sujeita a orientações que nos colocam como carcereiros".

Neste contexto, o médico sugere ao Governo a "tomada de decisões capazes de tratar os residentes em estruturas colectivas como cidadãos no pleno gozo dos seus direitos legais e constitucionais". Ao assinalar que as pessoas com deficiência ou doença mental continuam confinadas, Jaime Ramos conclui que "viver em reclusão imposta, não sendo vida, consiste em condenação".

Fonte: Sábado

quinta-feira, 30 de abril de 2020

Estudo: Como estão os adultos residentes em Portugal a lidar com a pandemia de COVID-19?

Como estão os adultos residentes em Portugal a lidar com a pandemia de COVID-19? Estudo longitudinal do impacto psicossocial da COVID-19 e preditores de ajustamento psicológico.

Gostaríamos muito de também poder chegar a pessoas com deficiência em Portugal, e perceber que impacto tem estado a ter a pandemia COVID-19 nesta população, de forma a caracterizar tal impacto e a dar-lhe voz.

O William James Center for Research, ISPA – Instituto Universitário (Lisboa, Portugal), o Applied Psychology Research Center Capabilities & Inclusion, ISPA - Instituto Universitário (Lisboa, Portugal), e o Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (Coimbra, Portugal) estão comprometidos em contribuir para a eficácia da resposta interdisciplinar e integral às consequências da pandemia de COVID-19. A fim de contribuir para este objetivo de longo prazo, este estudo visa monitorizar o impacto psicológico, social e económico da atual situação de pandemia e suas consequências no bem-estar e na situação laboral e financeira de pessoas adultas a residir em Portugal.

Este estudo está a ser desenvolvido por um equipa de investigadores do William James Center for Research, ISPA – Instituto Universitário (Lisboa, Portugal), do Applied Psychology Research Center Capabilities & Inclusion, ISPA - Instituto Universitário (Lisboa, Portugal), e do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (Coimbra, Portugal). Tem parecer positivo da Comissão de Ética de Investigação do ISPA - Instituto Universitário (ref. I/033/04/2020).

Este estudo dirige-se a pessoas adultas (maiores de 18 anos), residentes em Portugal, e envolve o preenchimento de um inquérito por questionário que pode ser encontrado clicando aqui ou copiando o link: http://ispawjrc.qualtrics.com/jfe/form/SV_6EBxcY5z1ehLo7X

Qualquer pedido de informação/esclarecimento acerca deste estudo pode ser feito junto da investigadora responsável, Alexandra Ferreira Valente, através do email mvalente@ispa.pt.

Grata desde já pela sua atenção e apoio na divulgação,

Alexandra Ferreira-Valente
_________________________________
Investigadora em Pós-Doutoramento | Pos-doc Researcher
www.researchgate.net/profile/M_Alexandra_Ferreira-Valente
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-3684-5561

William James Center for Research | Translational Line
ISPA - Instituto Universitário
Rua Jardim do Tabaco 34, 1149-041 Lisboa

‘‘Pain is inevitable; suffering is optional’’ (author unknown)

Enviado por email

sábado, 25 de abril de 2020

Associação Salvador pede medidas de apoio para proteger emprego de pessoas com deficiência

A Associação Salvador solicitou ao governo e ao Instituto Nacional para a Reabilitação (INR) esclarecimentos sobre as medidas de apoio que estão a ser avaliadas para proteger os empregos das pessoas com deficiência motora. “Não obstante o momento excecional que o país enfrenta, no qual nos deparamos com as mais variadas necessidades da população, sendo obviamente a maior e mais urgente a de salvar vidas, é importante continuar a lutar e a proteger as minorias que, em situações como estas, tendem, muitas vezes, a ser esquecidas ou relegadas para segundo plano”, refere a associação, numa carta enviada à secretaria de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência e ao INR, com data de 30 de março.


A Associação Salvador solicitou ao governo e ao Instituto Nacional para a Reabilitação (INR) esclarecimentos sobre as medidas de apoio que estão a ser avaliadas para proteger os empregos das pessoas com deficiência motora.

“Não obstante o momento excecional que o país enfrenta, no qual nos deparamos com as mais variadas necessidades da população, sendo obviamente a maior e mais urgente a de salvar vidas, é importante continuar a lutar e a proteger as minorias que, em situações como estas, tendem, muitas vezes, a ser esquecidas ou relegadas para segundo plano”, refere a associação, numa carta enviada à secretaria de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência e ao INR, com data de 30 de março.


Perante o cenário de estado de emergência, a Associação Salvador afirma que “não pode deixar de defender os direitos e proteger as pessoas com deficiência, pertencentes a um grupo de risco e que, já em condições normais, se deparam com inúmeras dificuldades na obtenção de uma oportunidade de trabalho”.

A Associação Salvador não ficou indiferente aos “inúmeros apelos e demonstrações de preocupação que tem recebido”, propondo às referidas entidades o alargamento dos prazos para as medidas de apoio que o Estado coloca à disposição das empresas e das pessoas com deficiência, “tornando mais estável a sua situação profissional”.

Em resposta, no dia 6 de abril, a secretaria de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência afirmou que a sua prioridade de atuação tem recaído “na execução de medidas extraordinárias e temporárias de resposta à epidemia, cuidando dos públicos mais vulneráveis, onde naturalmente se incluem as pessoas com deficiência ou incapacidade, mas, efetivamente, também na execução de medidas extraordinárias de proteção ao emprego de todos”.

As propostas apresentadas pela Associação Salvador estavam a ser alvo de análise junto de outros gabinetes governamentais com competências em matéria de proteção ao emprego.

Aproximadamente 8,2% da população portuguesa tem algum tipo de deficiência ou incapacidade e, destas, 28,8% encontra-se desempregada.

Em Portugal, a taxa de desemprego das pessoas com deficiência está a crescer em contraciclo com a taxa de desemprego no geral, assinala a associação.

Segundo o Observatório da Deficiência e Direitos Humanos, entre 2009 e 2018 o número de desempregados com deficiência registados aumentou 41%, quando entre a população em geral o desemprego desceu 38%.

“A Associação Salvador continuará a acompanhar de forma firme e atenta a situação, lutando sempre pela garantia do direito à inclusão das pessoas com deficiência e disponibilizando-se para apoiar as entidades competentes na construção de uma resposta célere e eficaz para esta e outras temáticas”, concluiu a associação.

Fonte: Região Sul

sábado, 18 de abril de 2020

Cinco pontos-chave para a inclusão de pessoas com deficiência na resposta à COVID-19

As pessoas com deficiência representam cerca de um bilhão ou 15% da população mundial. Aproximadamente 80% delas estão em idade para trabalhar. As pessoas com deficiência, especialmente as mulheres, enfrentam enormes barreiras, que dificultam a igualdade de oportunidades no mundo do trabalho.


Adotar medidas de apoio para promover a igualdade, assegurar uma comunicação acessível e inclusiva, proporcionar proteção social adequada, assegurar o direito do trabalho, e mudar a narrativa são medidas recomendadas pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) para incluir as pessoas com deficiência na resposta ao coronavírus.

A crise da COVID-19 é nova para todas, todes e todos. Agora, é necessário que as pessoas possam atuar, interagir e se comunicar de formas diferentes das que estão acostumadas. Contudo, as desigualdades, agravadas pelo impacto da COVID-19 sobre as pessoas com deficiência, não são novas. Na resposta à crise atual, o risco é de que as pessoas com deficiência sejam novamente deixadas para trás. A boa notícia é que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) já sabe o que funciona: justiça social, inclusão efetiva, igualdade de oportunidades e trabalho decente.

A recente publicação da OIT “Pessoas com deficiência na resposta à COVID-19” lista cinco pontos-chave para a inclusão de pessoas com deficiência na resposta à pademia da COVID-19.

Adotar medidas de apoio para promover a igualdade – Políticas de trabalho de casa devem assegurar que as(os) trabalhadoras(es) com deficiência disponham das adequações necessárias em suas casas, tais como as que deveriam existir em seu local de trabalho habitual. Outras medidas de autoisolamento como resposta à COVID-19 devem levar em consideração a situação particular das pessoas com deficiência, incluindo o fato de algumas necessitarem de assistência pessoal.

Assegurar uma comunicação acessível e inclusiva – Toda comunicação relacionada à saúde pública, à educação e ao trabalho sobre a pandemia, incluindo arranjos de trabalho de casa, devem ser acessíveis às pessoas com deficiência, inclusive por meio do uso da linguagem de sinais, legendas e websites com tecnologia específica. A comunicação deve ainda abordar a situação particular das pessoas com deficiência.

Proporcionar proteção social adequada – A proteção social é essencial para que as pessoas com deficiência possam cobrir gastos extras relacionados à deficiência, que podem aumentar devido ao impacto da crise e impactar os seus sistema de apoio. Pessoas com deficiência, especialmente mulheres, fazem parte de um grupo que enfrenta taxas de desemprego mais elevadas. Por isso, agora mais do que nunca, as medidas de proteção social, sensíveis às questões de gênero, devem ser construídas de forma a apoiar as pessoas com deficiência a entrar, permanecer e progredir no trabalho mercado

Assegurar o direito do trabalho agora e sempre – O diálogo social e a participação são fundamentos dos movimentos pelos direitos das pessoas com deficiência e pelos direitos trabalhistas. E em meio à atual pandemia, são mais necessários do que nunca. A multiplicidade de pontos de vista – dos governos, das organizações de trabalhadores e de empregadores e das organizações de pessoas com deficiência – oferecem uma variedade de soluções. Portanto, é indispensável a implementação das Normas Internacionais do Trabalho e de outros instrumentos de direitos humanos, especialmente a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.

Mudar a narrativa – Para atingir todos os pontos mencionados anteriormente, é fundamental incluir pessoas com deficiência como cocriadoras das respostas à COVID-19, como defensoras e usuárias, e não como vítimas. Todas as crises trazem oportunidades e a oportunidade do momento é promover a inclusão de todos os grupos anteriormente discriminados – incluindo as pessoas com deficiência – como elemento central em todas as respostas à pandemia. Com base na experiência adquirida na área de inclusão de pessoas com deficiência e no fortalecimento de parcerias, é possível construir uma resposta à crise da COVID-19 forma sustentável e inclusiva.

A OIT tem um compromisso de longa data com a promoção da justiça social e do trabalho decente para as pessoas com deficiência. Uma abordagem dupla é necessária para a inclusão da deficiência. De um lado, programas ou iniciativas específicas para a deficiência, com o objetivo de superar desvantagens ou barreiras específicas, enquanto, do outro, a inclusão de pessoas com deficiência nos principais serviços e atividades, como treinamento de habilidades, promoção de emprego, estratégias para a proteção social e a redução da pobreza. Os esforços da OIT para incluir pessoas com deficiência também abrangem todo o espectro de suas atividades, incluindo práticas internas e parcerias com outras agências da ONU, conforme descrito na Estratégia e Plano de Ação para Inclusão da Deficiência da OIT 2014-17 .

Fonte: ONU Brasil

quarta-feira, 15 de abril de 2020

Conselhos de um especialista em isolamento social desde 1991

Eu, e muitas pessoas com deficiência, vivemos em isolamento social há vários anos. No meu caso desde 1991. É com curiosidade que vejo o comportamento da maioria das pessoas ditas normais ao passarem pela mesma situação, mesmo sabendo que é um período passageiro. No meu caso é definitivo.



 Pelo que presencio, uma grande maioria está no limite e não suportaria esta situação por muito tempo. Portam-se como se estivessem num túmulo. Como se fosse uma tragédia. A tragédia maior não parece ser o vírus, mas sim o facto de se encontrarem confinadas a um espaço.

Talvez a partir de agora consigam imaginar o que nos obrigam a viver pelo facto de nascermos ou adquirirmos uma deficiência. É uma sentença que nos espera a todos. Uma pena que obrigatoriamente temos de cumprir. E não temos direito, e nem nunca teremos, a um espaço diário nos telejornais das tvs, onde destacam os vossos grandes feitos realizados em casa. São tratados como heróis. Nós esquecidos. Também não tivemos, e nem temos a solidariedade em cadeia dos vizinhos, e muito menos das câmaras municipais, juntas de freguesia, etc.

Confesso que estranho ver tanta gente desesperada por se encontrar em casa. Muitos há anos que se queixavam de falta de tempo para si e para os seus, agora que têm todo o tempo do mundo reclamam sem parar.

Aceitam os conselhos de um veterano?

- Ponham a conversa em dia. Eu não o podia fazer. Não havia telemóveis para esse fim e nem para realizar videochamadas. Havia telefones fixos para quem pudesse pagar a instalação e suportar o preço bem alto das chamadas. Era obrigado a ficar semanas sem falar com ninguém;

-Jogos de consola, ou no smartphone também não existiam. Mais uma diversão à vossa disposição;

-Internet e computadores também estavam ao alcance de poucos. Maioria de vós tem essas ferramentas à disposição;

-TV Cabo nem pensar. Só havia 2 canais. RTP1 e RTP2. Só mais tarde surgiu a SIC e a TVI. Filmes só um por semana na RTP1, era às 4ªs feiras no programa “Lotação Esgotada”. Iniciava geralmente às 21h e pouco. Era uma grande festa. O país parava. Hoje todos têm ao dispor vários canais, filmes e séries sem fim. Porque não finalmente ver aquela lista de filmes e séries que sempre quiseram ver e nunca conseguiram?;

- Ler. Lembram-se dos livros, e não só, que se encontram à vossa espera na biblioteca? Como não havia ebooks, e não conseguia desfolhar os livros em papel por falta de movimentos finos nas mãos, também não me era possível passar o tempo disponível a ler;

-Estigma e indiferença. Passei a ser o coitadinho e aleijadinho para quem a vida acabou. No vosso caso são vistos como heróis. Pensem nisso;

-Muitos de nós nem em casa tem direito a ficar. Somos empurrados para lares. Aproveitem a vossa casa. Tenham prazer em viver nela. Lembram-se das vezes que se queixaram por não a poder desfrutar? Não a olhem como sendo um túmulo, mas sim o lugar que escolheram para viver. Aproveitem-na, melhorem-na, arrumem as gavetas, prateleiras, armários e aqueles espaços que há muitos anos dizem não ter tempo para arrumar. Ou simplesmente ponham o sono em dia, ou não façam nada;

-Sempre sonhamos com a possibilidade de trabalhar a partir de casa. O Estado nunca nos criou condições para tal. A vós sim;

-Compras online com a facilidade atual nem pensar. Mais um ponto a vosso favor.

Outra desvantagem é não conseguirmos ir sozinhos à janela interagir com os vizinhos, nem circular sem limitações por todos os espaços das nossas casas. Só o fazemos com o apoio de terceiros. Vocês são livres de o fazer. Seria muito importante que todos vós que se encontram em desespero por não poderem sair de casa, logo que voltem à liberdade, se lembrem de nós, quem sempre o teve que fazer, e vai continuar a fazer, e nos ajude a libertar desta sentença imposta pelo Estado. Será que terão essa capacidade e serão nossos aliados na luta pela conquista da nossa autonomia e dignidade?

tentativa entrar serviço finanças da Chamusca
Todos vós se escondeis do inimigo desconhecido. O nosso castrador é conhecido. Está identificado por nós há muito tempo, é o Estado. Vós brevemente passareis a ser livres novamente. Nós continuaremos confinados e limitados.
Neste momento sou muito mais livre, tenho emprego, veículo adaptado, assistência pessoal, vivo no lugar que escolhi, mas continuo a não poder ir e vir a muitos dos lugares que desejo por falta de acessibilidades. E muitos dos meus amigos continuam a viver em lares de idosos sem possibilidades de fugir ao maldito vírus.
Às minhas assistentes pessoais Patricia Gonçalves, Cláudia Grilate, Inês Mendes e Catarina Nicolau, a minha gratidão por estoicamente continuarem a cumprir a sua missão, a quem continua a trabalhar para nos proteger, e principalmente a quem se encontra infetado, e quem se revê no que relatei, o meu abraço solidário.
Caso queiram conhecer mais pormenores sobre o meu isolamento social, conheçam um pouco da minha história no meu blogue “Nós Tetraplégicos”:
E por fim, todos vós adotaram a frase “Vai Ficar Tudo Bem”. Não acreditam na frase? Acreditem, tem mesmo que ficar tudo bem.

domingo, 5 de abril de 2020

Investigação dinâmicas psicossexuais e expressão sexual em pessoas com doença crónica e deficiência física

Olá! Estou a desenvolver uma investigação qualitativa cujo objetivo é avaliar as dinâmicas psicossexuais e a expressão sexual em pessoas com doença crónica e deficiência física em Portugal.


Para tal, gostaria muito de contar com a vossa colaboração divulgando e procedendo ao preenchimento do questionário que aqui se apresenta (que é anónimo e confidencial) e que é constituído por 2 partes: 
1) parte sociodemográfica, 
2) parte de respostas de preenchimento aberto. 

O seu preenchimento demora cerca de 15/20 minutos.

Este inquérito está dirigido a pessoas com 18 ou mais anos de idade e que têm um diagnóstico de doença crónica ou uma deficiência física.

Para participar, basta aceder ao link (seguro)

Desde já muito obrigado pela sua colaboração!
Henrique Pereira, Ph.D.
Professor Associado com Agregação
Departamento de Psicologia e Educação - Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
& Centro de Investigação em Ciências da Saúde (CICS)
Universidade da Beira Interior | Covilhã | Portugal

Enviado por email