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domingo, 4 de maio de 2025

Biblioteca pública de leitura e empréstimo gratuito de livros digitais e audiolivros

Para muitas pessoas com deficiência o simples ato de abrir um livro é um grande desafio. Alguns nem o conseguem fazer, e nesse caso desfrutar da leitura de um livro deixa de ser possível. Mas essa realidade começa a mudar com iniciativas como a BiblioLED - uma biblioteca pública para leitura e o empréstimo digital, que presta um serviço de empréstimo gratuito de livros digitais e audiolivros disponibilizado através das bibliotecas municipais aderentes que integram a Rede Nacional de Bibliotecas Públicas (RNBP).
O catálogo de títulos da BiblioLED é constituído por uma coleção nacional disponibilizada a todas as bibliotecas aderentes da RNBP, e por 25 coleções regionais apenas acessíveis em cada Rede Intermunicipal e Rede Metropolitana. Pode aceder aos livros digitais e a audiolivros basta estar inscrito numa das bibliotecas municipais que fazem parte da RNBP. Depois de criar o seu registo na BiblioLED, pode aceder aos conteúdos com o seu identificador e palavra-passe, através do Cartão de Cidadão ou com a Chave Móvel Digital. O download da app BiblioLED, está disponível na AppStore para iOS e no Google Play para Android. Adicione a sua Rede de Bibliotecas na secção “Catálogos” e aceda com as suas credenciais de acesso. Ambas as modalidades são compatíveis e sincronizam os empréstimos, devoluções e reservas de uma mesma conta entre diferentes dispositivos e browsers.

Se tiver dúvidas, ou quiser saber mais, sobre a BiblioLED contacte a biblioteca municipal da sua localidade ou o site https://www.biblioled.gov.pt/about. Também é necessário ter acesso a um endereço de email ativo, ter um equipamento de leitura compatível: computador, tablet, telemóvel e/ou leitor de livros digitais (e-reader) e acesso à Internet para aceder aos conteúdos digitais. O empréstimo (depois de realizado, é possível ler ou ouvir sem ligação à Internet). Sem ligação à Internet, pode ler e ouvir, em computadores ou em equipamentos móveis. No computador, deve instalar o programa Thorium Reader (software livre de download gratuito). O equipamento Kindle não é compatível com a BiblioLED devido às restrições impostas pela Amazon. Em equipamentos móveis deverá ter já instalada a App móvel. Na maioria dos livros digitais, é possível ajustar a leitura para um maior conforto, modificando o tipo e o tamanho da letra, o espaçamento entre linhas e a cor do fundo. Também é possível sublinhar texto, criar notas e exportá-las para uso posterior.

A BiblioLED disponibiliza uma seleção de títulos de livros digitais e audiolivros sobre diversos temas, autores e géneros literários, maioritariamente em língua portuguesa. Pode ter emprestado, em simultâneo, 2 livros digitais e 1 audiolivro durante 21 dias, e as devoluções são automáticas no fim do período estipulado. Se terminar a leitura, pode devolver o livro antecipadamente a qualquer momento.

E, graças à BiblioLED, cada vez mais gente pode finalmente dizer: “Este livro também é meu”.

Minha crónica no jornal Abarca

sábado, 22 de março de 2025

Aplicação “Acessibilidade 360”: Inclusão e Facilidade no Acesso aos Serviços Públicos

No final de dezembro, o INR-Instituto Nacional para a Reabilitação lançou a aplicação “Acessibilidade 360”, que segundo este instituto, foi criada para facilitar o acesso das pessoas com deficiência aos serviços públicos, tendo em conta as necessidades específicas de mobilidade de cada pessoa. A aplicação identifica se cada serviço dispõe de condições de acessibilidade para pessoas com deficiência visual, auditiva, intelectual ou motora, e para quem a quiser utilizar, encontra-se disponível para download na Google Play e na Apple Store.
A APP permite localizar e consultar a disponibilidade de lugares de estacionamento reservados a pessoas com deficiência; Identificar percursos acessíveis desde os lugares de estacionamento ou paragens de transportes públicos até ao edifício pretendido, com detalhes sobre as condições de acessibilidade do percurso; Navegar dentro dos edifícios, desde a entrada até ao serviço desejado, com indicação clara dos pontos de acesso e das condições de acessibilidade em cada etapa do percurso e verificar se os serviços dispõem de condições de acessibilidade para pessoas com deficiência visual, auditiva ou motora.

A aplicação abrange uma vasta gama de serviços públicos, como: Lojas do Cidadão; Hospitais e Centros de Saúde; Serviços de Emprego; Repartições de Finanças; Câmaras Municipais; Serviços de Segurança Social; Escolas e Universidades e espaços culturais.

Já instalei e experimentei a aplicação, e ao realizar uma pequena pesquisa, notei que existem espaços que não se encontram na APP. Também surge com frequência na informação disponibilizada do serviço pesquisado, a frase: “Percurso incompatível com as suas necessidades”. Ao divulgar a APP, o INR faz questão de destacar que existe um compromisso com a inclusão, e acrescenta: A “APP Acessibilidade 360 é uma ferramenta indispensável para promover a inclusão, tornando o acesso aos serviços públicos mais simples, seguro e eficiente para todas as pessoas, independentemente das suas necessidades de mobilidade ou deficiência”. Não me parece. Torna o acesso aos serviços públicos mais simples, se os espaços forem acessíveis, o que infelizmente não é o caso. Um dos últimos estudos tornados público, concluiu que 80% dos municípios não têm um único equipamento ou espaço público totalmente acessível. Além disso, pela minha experiência, a aplicação não contempla todos os espaços públicos, por isso falha na sua função principal de orientar e informar os usuários de forma completa e confiável, juntando á indicação frequente de percursos "incompatíveis com as suas necessidades" também compromete a confiança nesta ferramenta.

A minha crónica no jornal Abarca

sábado, 4 de janeiro de 2025

Cinco milhões para adaptar edifícios públicos a pessoas com mobilidade reduzida

O Governo vai disponibilizar cerca de cinco milhões de euros para realizar obras que tornem os edifícios públicos com atendimento presencial acessíveis a pessoas com mobilidade reduzida, anunciou esta sexta-feira a tutela.

O programa de requalificação de edifícios públicos, que já conta com quatro edições, irá ter agora um novo financiamento com “uma dotação previsível de 4.946.500 euros”, revelou esta sexta-feira o gabinete da ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.

A verba do Programa de Intervenção em Edifícios Públicos é para ser utilizada em edifícios públicos com atendimento presencial, podendo candidatar-se a este apoio a Administração Pública, mas também empresas municipais detidas exclusivamente pelos municípios que prestem serviço público. O aviso do concurso foi publicado na quinta-feira e os interessados podem concorrer até ao final de fevereiro, segundo as regras do programa, que conta com verbas do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

“A verba permitirá dar cumprimento a um imperativo legal previsto no Regime Jurídico das Acessibilidades, num momento, em que também o Governo se encontra a rever o referido regime”, salienta a tutela em comunicado enviado para a Lusa. A avaliação, decisão e acompanhamento das candidaturas estará a cargo do Instituto Nacional para a Reabilitação.

Fonte: Observador

sábado, 2 de novembro de 2024

As barreiras arquitetónicas são difíceis de ultrapassar, as mentais muito mais.

Anunciado o espetáculo do Rui Veloso no CNEMA em Santarém, distrito onde resido, aprecei-me a adquirir bilhete sem sucesso numa das várias bilheteiras online. Isto porque não tinham sido disponibilizados lugares para pessoas com mobilidade reduzida. Após várias reclamações, um mês depois recebo o aviso de que já era possível adquirir os bilhetes, mas somente via email. E onde se situavam os lugares? Mesmo no final de todas as filas de poltronas “encostados” a um canto como quase sempre. Acabamos de comemorar mais um dia das acessibilidades, mas muito há ainda a fazer. Mesmo com todas as adversidades criadas, sim porque o problema não está nas pessoas com deficiência, mas sim na falta de condições para podermos circular livremente como os demais, continuamos a participar em eventos como revela um novo estudo da NOVA FCSH, a pedido da Access Lab, realizado pelo Obi.Media/ICNOVA, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
Segundo o estudo, no último ano, num universo de 237 inquiridos, 50% participaram entre 2 a 5 eventos. 63% indicaram ter experienciado algum tipo de dificuldade. No global, as pessoas indicam como maior dificuldade (63%) a atribuição ou visibilidade dos seus lugares. Quando focados na última experiência, as dificuldades são reveladoras: 55% sobre instalações sanitárias adaptadas; 85% em programação acessível (como Língua Gestual Portuguesa e/ou Audiodescrição); 58% na bilheteira; e 85% em filas prioritárias.

O inquérito pedia a classificação da última experiência. Esses resultados foram: 9% como excelente; 46% como boa; 30% como média; e 6% como má. Esta foi uma pergunta com um campo aberto complementar que, nos 30% de média, as respostas referem experiências paradigmáticas: “Escolho média, pois adoro participar. No entanto, é sempre um horror para mim o peso sensorial (movimento, pessoas, não há prioridades numa fila, nada está adaptado)... Acabo por ficar mal nos 3, 4 dias seguintes... Preciso de tempo para recuperar. Se os eventos forem adaptados, poderá ajudar a que as consequências não sejam tão negativas.”

É ainda de salientar o tipo de eventos em que os inquiridos participaram, dado que mais de 80% foi a festivais ou concertos, 51% foi ao cinema, 38% participou em eventos de teatro ou artes performativas e 34% visitou exposições. No universo de inquiridos, foi possível caracterizar a deficiência em questão, uma pessoa pode ter mais que um tipo de incapacidade: 66% identificaram ter deficiência motora; 16% deficiência visual; 7% perda de audição; 10% surdez; 7% deficiência intelectual; e 9% neurodivergência. É relevante assinalar que 80% dos inquiridos indicam ter atestado multiuso de incapacidade.

Os investigadores fazem três recomendações de investimento futuro: Na literacia, “formação dos profissionais da cultura”; Na comunicação, onde “é possível reconhecer ausência de informação, e desinformação com impacto no acesso ao evento”, recomendando-se um “foco na comunicação para a inclusão” e por último, “condições para fruição estética”, onde é realçada a necessidade de investimento na programação com recursos de acessibilidade.

No meu caso, só por favor consegui o bilhete, sendo que é um direito. Felizmente não desistimos facilmente, e comigo, assistiram ao espetáculo mais 8 pessoas com deficiência todos com as mesmas queixas pela tentativa de exclusão. 5 delas em cadeira de rodas. As barreiras arquitetónicas são difíceis de ultrapassar, as mentais, muito mais difíceis são de derrubar.

Minha crónica no jornal Abarca

sábado, 3 de fevereiro de 2024

Diogo Martins é o novo Conselheiro para o Cliente com Necessidades Especiais da CP

A CP – Comboios de Portugal informou, esta quarta-feira, a nomeação de Diogo Martins, especialista em acessibilidades, para o cargo de Conselheiro para o Cliente com Necessidades Especiais informa o JN. O objetivo é apostar em melhorias que garantem a acessibilidade e conforto para todos os passageiros.

“A figura de Conselheiro tem como objetivo assessorar em práticas que defendam e promovam a acessibilidade aos serviços da CP por todos os cidadãos. Durante os últimos 19 anos, o cargo foi assumido pelo Tenente-Coronel António Neves, que em muito contribuiu para a inventariação dos obstáculos de acesso e ajudou a definir prioridades na adoção de medidas que tornem a mobilidade um direito adquirido”, lê-se no comunicado da CP enviado às redações.


Assim, a empresa nomeou para o cargo Diogo Martins, 34 anos, apaixonado pela ferrovia e especialista em acessibilidades. Nos últimos anos, “participou em vários testes de acessibilidade em material circulante da CP” e "nas reuniões do Conselho Consultivo para Pessoas com Necessidades Especiais da empresa", sendo ainda Embaixador para a #DiversityInTransport. De acordo com a empresa, Diogo Martins “sofre de Distrofia Muscular Congénita de Ullrich, uma doença rara e progressiva”.

“Ser nomeado para Conselheiro para o Cliente com Necessidades Especiais é muito importante a nível pessoal, ao reconhecer uma vida de trabalho dedicada a melhorar a acessibilidade aos transportes públicos, mas também por esta ser a empresa na qual a minha paixão por comboios nasceu e cresceu. Não se trata meramente de gostar de comboios, trata-se de entender que o setor dos transportes públicos, e em especial, o ferroviário, será essencial para o futuro da humanidade”, explica Diogo Martins.


O Conselheiro para o Cliente com Necessidades Especiais deve “identificar os obstáculos nos serviços prestados pela CP e ajudar a hierarquizar as intervenções de melhoria da mobilidade e acessibilidade”, bem como formular recomendações ao Conselho de Administração da CP, para corrigir as “práticas que afetem a qualidade e eficiência dos serviços prestados pela empresa nesta matéria”.

Já o Conselho Consultivo das Pessoas com Necessidades Especiais engloba várias associações, como a ACAPO – Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal, a ADFA – Associação dos Deficientes das Forças Armadas, a APD – Associação Portuguesa de Deficientes, a APS – Associação Portuguesa de Surdos, a CNOD – Confederação Nacional dos Organismos de Deficientes e a Fundação LIGA, e o Instituto Nacional para a Reabilitação, a Infraestruturas de Portugal (IP), Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) e a CP.

domingo, 24 de setembro de 2023

Consultas externas no Hospital de Abrantes

As novas instalações das consultas externas do Hospital de Abrantes, foram inauguradas no último dia sete de agosto. Esperava-se um espaço muito mais condizente com as necessidades dos utentes e profissionais daquela unidade hospitalar, mas não foi isso que presenciei na minha ida ao novo espaço. Sala de espera com capacidade muito inferior à anterior, gabinetes minúsculos e muito pouco operacionais, wc adaptado que de adaptado pouco tem, foi o que encontrei. Segundo a administração, “após profundas obras de renovação o espaço de mil metros quadrados no valor aproximadamente de dois milhões de euros, que engloba doze gabinetes de consultas, duas salas de tratamentos, três salas de exames de gastroenterologia, uma sala cirúrgica, espaço de recobro, hospital de dia e zonas de apoio, encontra-se dotado de modernas instalações e equipamentos que oferecem condições técnicas e de conforto otimizadas para os profissionais de saúde e para os utentes”.

Não devemos estar a falar do mesmo espaço, pois não foi o que vi. Começando pela sala de espera, tenho muitas dúvidas se o balcão de atendimento cumpre a lei das acessibilidades, pois pareceu-me demasiado alto para quem se desloca em cadeira de rodas. Sala de espera, como já referi é muito reduzida, sem espaço para cadeiras de rodas, muito menos para quem seja transportado de maca. Foi uma aventura tentar manobrar a minha cadeira de rodas no gabinete onde fui atendido. Senti-me num beco sem saída. Alternativa foi ir fazer as manobras na outra divisão que me pareceu ser destinada a tratamentos, caso contrário teria de sair de “marcha atrás”, mas para virar a cadeira de rodas foi necessário desviar o mobiliário, designadamente um pequeno móvel e uma marquesa. A profissional de saúde perante o meu desapontamento, que por sinal é uma profissional de enorme valor, ainda tentou argumentar que o espaço é recente, que estamos todos a adaptarmo-nos, e tudo fez para minimizar o meu desconforto, mas não há como. O espaço não reúne condições, ponto final.

O gabinete está dividido ao meio por uma parede. Há entrada existe uma secretária onde somos atendidos, onde a cadeira de rodas, ou outra cadeira onde se sente o utente, ocupa todo o corredor impedindo o acesso à outra divisão onde se encontra uma marquesa e aparenta ser a sala de tratamentos. Se o utente se fizer acompanhar por alguém, complica ainda mais. O espaço é demasiado reduzido para mais que uma pessoa. Ainda estou a imaginar a dificuldade do profissional de saúde para observar o paciente. Não tem como o fazer. Ou tem, observa-o só de um lado, neste caso o direito, isto se não tiver o acompanhante sentado ao seu lado.

Já o WC é mais do mesmo. É necessária muita ginástica para poder manobrar a cadeira de rodas no seu interior. Ao lavatório não consegui aceder…Não se consegue entender as razões que levaram a administração do hospital ao afirmar na imprensa que o espaço tem condições técnicas e de conforto otimizadas para os profissionais de saúde e para os utentes. Não é verdade. Foi dececionante verificar que mais uma vez se perdeu uma grande oportunidade de criar um espaço digno e em condições para receber utentes e profissionais. E perante o sucedido quem será o responsável? A quem exigir explicações? Como proceder para que não se continue a cometer os mesmos erros no futuro? Infelizmente muitas questões e nenhuma resposta.

Minha crónica no jornal Abarca

sábado, 23 de setembro de 2023

Castelo de Almourol

Por estes dias foi notícia a inauguração no Centro Cultural de Vila Nova da Barquinha, uma sala de visitas imersiva que permite a quem não o consegue fazer presencialmente, visitar em três dimensões o Castelo de Almourol. Segundo o site da CM de Vila Nova da Barquinha, o Centro de Interpretação Templário de Almourol, onde se encontra a sala, dispõe também de uma sala de exposição permanente, espaço de exposições temporárias e de uma sala de projeção de filmes sobre a temática dos templários. No mesmo edifício funciona também a Biblioteca Arquivo Templário, que dispõe de um vasto acervo literário dedicado a este tema.
O Centro de Interpretação Templário de Almourol (CITA) permite a afirmação da rota templária no território, através da criação de elementos físicos e expositivos que possibilitam ao visitante contatar com a história e com as lendas indissociáveis do Castelo de Almourol. O monumento nacional é uma das mais fortes heranças da Ordem do Templo em Portugal. Para a criação dos conteúdos do Centro de Interpretação, foram elaborados estudos do património imaterial templário e da idade média, que contribuem para o aprofundamento do conhecimento sobre esta temática. O CITA irá acolher três exposições anuais, com conteúdos associados aos Templários e à sua história.

Trata-se de um produto turístico que proporciona a visita ao Castelo de Almourol num ecrã 180º, garantindo a acessibilidade, ao monumento, a pessoas de mobilidade condicionada. Com recurso a tecnologias inovadoras (realidade virtual aumentada) sobrevoa-se o Castelo, entra-se no monumento e descobre-se os arredores e a história. O projeto visa promover uma experiência virtual templária, assente em fatos históricos, mas essencialmente promover a acessibilidade (física, comunicacional, pedagógica, virtual e para a investigação), sendo uma mais-valia para pessoas com mobilidade condicionada. O objetivo passa, ainda, pela melhoria da experiência do visitante, enquanto se dota o território de mais um produto turístico distinto, em formato de “Rota”.

O Castelo de Almourol é um ícone de Portugal. Fortaleza reconstruída por Gualdim Pais, mestre da Ordem dos Templários, em 1171, é o ex-libris do concelho de Vila Nova da Barquinha. À época da Reconquista integrava a chamada Linha do Tejo, constituindo um dos exemplos mais representativos da arquitetura militar da época, evocando simultaneamente os primórdios do reino de Portugal e a Ordem dos Templários, associação que lhe reforça a aura de mistério e romantismo.

Ou seja, pretende-se que seja mais um atrativo para os turistas que procuram a temática dos Templários, valorizando o território incluindo na perspetiva da narrativa, uma vez que é explicado durante a apresentação, com cerca de 10 minutos, como surgiu este exemplo nacional da arquitetura militar. O processo está construído de forma a ser inclusivo. Esse é o grande objetivo porque pelas caraterísticas morfológicas da ilha era completamente impossível terem acesso pessoas com mobilidade reduzida. “Entendemos que dentro do princípio da igualdade e da liberdade faria sentido. Foi uma grande preocupação nossa a instalação deste equipamento”, diz o presidente da Câmara de Vila Nova da Barquinha, Fernando Freire ao Medio Tejo.

Virtual nunca será a mesma coisa, que visitar os espaços presencialmente, mas neste caso, não me parece haver outra alternativa, sendo assim é de louvar a iniciativa e irei visitar o espaço brevemente. O Centro de Interpretação Templário de Almourol pode ser visitado no edifício do Centro Cultural de Vila Nova da Barquinha, onde se encontra também o Posto de Turismo, de terça-feira a sexta-feira, das 09:00 às 12:30 e das 14:00 às 17:30 e também aos sábados e domingos, das 10:00 às 13:00 e das 15:00 às 18:00.

Minha crónica no jornal Abarca

terça-feira, 1 de novembro de 2022

Programa Festivais Acessíveis e Kit Capacita

Minhas últimas crónicas no jornal Abarca

Kit Capacita, uma ferramenta única, informativa e inspiradora!

Não existem dúvidas que a informação é uma poderosa ferramenta, nesse sentido mais uma vez a Associação Salvador resolveu por mãos à obra. Em parceria com a Associação Novamente, desenvolveu um KIT que se constitui como uma ferramenta agregadora, informativa e inspiradora para todos aqueles que experienciam o internamento e reabilitação, para familiares e cuidadores e para profissionais de saúde.
                                                                                   

Baseado em testemunhos dos embaixadores da Associação Salvador, de pessoas com deficiência ou incapacidade, de cuidadores e de profissionais de saúde dos hospitais com serviço de neurocirurgia e dos centros de reabilitação, desenvolvemos o KIT Capacita, que pretende que dotar os profissionais de saúde com mais ferramentas informativas e de apoio às Pessoas com Deficiência e famílias; Promover os encaminhamentos para respostas sociais; Incentivar a participação social das Pessoas com Deficiência, fazendo as suas próprias escolhas informadas; Motivar profissionais de saúde, utentes e famílias para a reabilitação e para a participação e inclusão plena e efetiva na sociedade.

O KIT Capacita é constituído por: Flyers com os Direitos das Pessoas com Deficiência e Cuidadores; Atestado Médico de Incapacidade Multiuso; Apoios para Pessoas com Deficiência + Produtos de apoio e Testemunhos. Também o já conhecido e muito útil Manual para Pessoas com Deficiência Motora, da Associação Salvador; Guia Reabilitação Pós Dano Cerebral Adquirido, da Associação Novamente; Guia do Sobrevivente e do Cuidador, da Portugal AVC; Manual “Como viver com uma lesão medular e manter-se saudável”, do Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão e Vídeos com testemunhos de pessoas com deficiência a disponibilizar brevemente. Inclui ainda sessões inspiradoras com momentos informativos e de testemunho nas quais pode participar!

Também haverá sessões presenciais no Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro, Rovisco Pais, a 9 de setembro; Centro de Reabilitação do Norte em outubro (a definir em breve) e no Centro de Medicina e Reabilitação de Alcoitão a 28 de novembro. A participação nestas sessões inspiradoras é restrita a pessoas com deficiência, familiares e profissionais de saúde que frequentam habitualmente os respetivos centros de reabilitação, em conformidade com as normas emitidas pela Direção Geral de Saúde.

Também serão disponibilizadas sessões online onde pode participar no 26 de outubro às 17H, e no dia 24 de novembro também às 17H. A participação nestas sessões inspiradoras online é aberta a todas as pessoas com deficiência, familiares e profissionais de saúde. Inscreva-se aqui nas sessões inspiradoras: https://forms.gle/XAURxkkAjgKLogz1A Saiba mais e descarregue o seu KIT no site da Associação Salvador em: https://www.associacaosalvador.com/o-que-fazemos/capacita/2715/ Este projeto conta com o apoio do Instituto Nacional para a Reabilitação, I.P., da Fidelidade e da Fundação Calouste Gulbenkian. Este KIT quer inspirar e mostrar que é possível viver e participar de forma plena e informada em sociedade. 

Programa Festivais Acessíveis

Em 22 de setembro último, foi lançado o Programa “Festivais Acessíveis”. Uma iniciativa conjunta do Turismo de Portugal e do  Instituto Nacional para a Reabilitação que visa promover e distinguir práticas inclusivas em eventos culturais de largo espectro que apresentem condições que permitem a acessibilidade e inclusão – com idênticas condições de conforto, segurança e autonomia – de todos os públicos sem exceção, incluindo pessoas com necessidades específicas a nível motor, sensorial e cognitivo, ou ainda aquelas que, em virtude do seu percurso de vida se apresentam transitoriamente condicionadas, como grávidas, crianças e seniores.

Segundo o Turismo de Portugal, esta iniciativa enquadra-se nos objetivos do Programa All for All do Turismo de Portugal de continuar a incentivar a existência de oferta turística e cultural para todos, neste caso, através de manifestações culturais nas áreas das artes de rua, artes performativas, artes plásticas, cinema, dança, literatura, música e teatro, as quais contribuem para a captação de fluxos de turistas nacionais e internacionais para todo o território, ao longo do ano, dinamizando as economias locais.

O programa «All for All», através do Programa Valorizar do Turismo de Portugal, apoiou já 129 projetos visando a adaptação da oferta nas várias tipologias da cadeia turística, com especial destaque a melhoria das condições de acessibilidade física e comunicacional dos equipamentos culturais. Esta nova oferta, enquanto exemplo de boas práticas, tem vindo, entretanto, a ser alvo da atribuição de vários prémios, como o de Praia + acessível e os atribuídos pelas Associação Acesso Cultural e Portuguesa de Museologia.

No que diz respeito à capacitação dos agentes turísticos, e tendo e vista a criação de espaços e serviços cada vez mais inclusivos, foram recentemente lançados pelo Turismo de Portugal novos guias de boas práticas de acessibilidade dirigidos à área do alojamento turístico, da animação turística, dos eventos e das zonas balneares, que disponibilizam informações técnicas e recomendações atualizadas para a promoção e melhoria das condições de acessibilidade física e informativa.

Também o Programa de Apoio à Organização de Eventos de Interesse Turístico – Portugal Events, que tem por objetivo o apoio à realização de eventos que demonstrem ser relevantes para o desenvolvimento sustentável do setor do turismo, tem já presente esta aposta na acessibilidade e na inclusão, privilegiando nas condições de elegibilidade dos projetos candidatos a demonstração das melhores práticas de acessibilidade. O Programa contempla, ainda, a atribuição anual do Prémio “Festival + Acessível”, que pretende distinguir o evento mais acessível do conjunto dos festivais que se candidatam expressamente ao prémio em cada ano.

Os promotores podem ser entidades públicas ou privadas e as candidaturas ao Programa têm de ser feitas três meses antes do início de cada Festival. As entidades interessadas em candidatar o seu Festival devem consultar o Regulamento constante do Despacho n.º 11448/2022, de 26 de setembro, assim como o Manual de Apoio à Candidatura, que contém informação detalhada sobre o preenchimento do Formulário de Candidatura, documentação disponível na área “Documentos”.​ A submissão da candidatura é realizada através do preenchimento e assinatura do Formulário, que deverá ser acompanhado pelos documentos comprovativos solicitados. Toda a documentação deverá ser enviada em formato Zip ou via Wetransfer para o email info.allforall@turismodeportugal.pt​, respeitando as indicações referidas no Manual de Apoio à Candidatura. As questões sobre o Programa também devem ser enviadas para o mesmo endereço de email. 


sábado, 15 de outubro de 2022

Dia Nacional das Acessibilidades. Dia 20 de outubro ponha-se no nosso lugar.

O dia 20 de outubro é, oficialmente, o Dia NACIONAL das Acessibilidades. Está a chegar e contamos contigo! O Dia Nacional das Acessibilidades, foi aprovado pela Assembleia da República, por unanimidade, na votação na generalidade, na sequência da Petição Pública, criada pela Associação Salvador, em dezembro de 2020.
“Este é um momento histórico que, esperamos nós, marque um ponto de viragem nesta luta contra a falta de acessibilidades em Portugal. Desde a primeira edição do Dia das Acessibilidades, que tínhamos esta ambição, de o tornar oficial e de âmbito nacional. No entanto, é importante que este não seja só mais um “Dia Nacional” como tantos outros no calendário. Queremos colocá-lo na agenda mediática, autárquica e escolar. Queremos que esta seja uma luta de todos e não apenas de uma minoria. Queremos um Portugal sem muros nem barreiras para que, daqui a uns anos, se celebre este dia como um dia de liberdade para todos e não apenas para alguns”, refere Salvador Mendes de Almeida, Fundador e Presidente da Associação Salvador.

Em 3 edições do Dia das Acessibilidades, a Associação Salvador já conseguiu impactar, de forma direta, mais de 40 mil pessoas, através de palestras em escolas, universidades e empresas, ações de rua, peddypapers, entre muitas outras atividades. Este ano queremos atingir todos os records.

Este ano trazemos muitas novidades!

Vamos envolver as ESCOLAS de todo o país. Não queiras que a tua fique de fora! Novas atividades, novos desafios para colocar os mais jovens a pensar o tema da deficiência e da acessibilidade. Eles são o futuro do amanhã. Encontras toda a informação no link de inscrição.

Este ano chegaram as Accessibility Talks – “Let’s walk the talks”, onde vamos dizer basta e trazer oradores inspiradores a Lisboa, com transmissão em direto para todo o país. Chega de falar só do tema, queremos pôr as acessibilidades em prática (9h-12h30).

De seguida, ambicionamos unirmo-nos todos num movimento, numa MARCHA e por isso encontramo-nos às 12h30 nos Paços do Concelho em Lisboa. “Ponha-se no nosso lugar” com a Presença da Secretária de Estado Dra. Ana Sofia Antunes.

Mas como o espaço público é da responsabilidade das AUTARQUIAS, às 15h marcamos presença com um ENCONTRO NACIONAL DE AUTARQUIAS, nos Paços do Concelho, em Lisboa, onde vamos reunir Presidentes de Câmara, Vereadores do país inteiro, num debate sobre Acessibilidades e partilha de boas práticas.

Não vamos deixar de fora EMPRESAS e UNIVERSIDADES nesta temática. Colaboradores de todo o país, Empresas de todo o país, Universidades de todo o país, juntem-se a nós numa ação de voluntariado, sejam agentes de mudança conosco.

Ninguém fica de fora. Um movimento. Um dia. Todos por uma mudança efetiva na área das acessibilidades.

Estás preparado para fazer parte deste movimento?

Inscrições e mais informações em:

Professores e Escolas – https://forms.gle/u3FRvkoDSZ5NZCFE8

Empresas - https://forms.gle/ZF8PRtSm7z5KU9mv6

Universidades - https://forms.gle/eARjqJN1hWPhy9FR9

Autarquias - https://forms.gle/F4TWiZTgCVkYdR3bA

Accessibility Talks + Marcha pelas Acessibilidades – https://forms.gle/DomNNpPegiPaR6Z77

Fonte e mais informações: Associação Salvador

quarta-feira, 24 de agosto de 2022

Parabéns, Srª. Secretária de Estado da Inclusão

Infelizmente não costuma ser hábito dirigir elogios à nossa Secretária de Estado da Inclusão. Desta vez vou fazê-lo e estou muito satisfeito por isso. Primeiro porque existe uma razão, e segundo porque gosto mais de elogiar/agradecer do que fazer o contrário.

Na sua página do Facebook em:  https://www.facebook.com/inclusaoanasofiaantunes a nossa Secretária de Estado criou um hábito que muito aprecio e deveria ser prática em espaços idênticos. Responde aos comentários dos seus seguidores. Interage, existe, diz presente, estou aqui, li, vi, mas o mais importante é a confirmação que lhe chega o que escrevemos. Deveria ser normal, mas infelizmente não o é. Estes espaços têm de existir principalmente para esse fim. Chega de espaços impessoais, com a única finalidade de promover os seus autores, e geridos por empresas. Agora é esperar que o bom exemplo se estenda ao endereço de email, gabinete.seinc@mtsss.gov.pt conta destinada ao envio dos nossos pedidos, muitas vezes em desespero e sem tempo para aguardar, e não voltar a ter como resposta “o seu email foi encaminhado para o Instituto Nacional para a Reabilitação (INR)”. Fica a sugestão. E já agora a prática ser adotada pelo INR, e pelos seus balcões da inclusão, pois dificilmente se consegue obter uma informação por telefone. Recordo que muitas pessoas com deficiência somente conseguem utilizar o telefone como meio de contato. Envie email é ordem ouvida do outro lado da linha. Como se isso fosse possível.

Agora a notícia triste. Pelo menos para mim. Reproduzo a publicação da Senhora Secretária de Estado na referida página: “Teve lugar, no passado dia 13 de julho, a conferência de apresentação dos resultados finais da Avaliação Intercalar do Modelo de Apoio à Vida Independente (MAVI), estudo realizado pelo ISCTE e coordenado pelo Professor Luís Capucha. Os resultados desta avaliação são inequívocos: com uma taxa de resposta aos inquéritos de avaliação de 88% dos destinatários de AP, mais de 80% destes reconhecem a melhoria da sua qualidade de vida e a promoção da sua autonomia, menor dependência da família, melhoria das suas relações afetivas, da sua auto-estima e das suas relações familiares. Relativamente à avaliação do modelo de AP em concreto, concluímos que 52% dos respondentes concordam com o atual modelo de recrutamento de AP’s, 25% defendem um modelo misto e 8% pretendem assumir o recrutamento totalmente a seu cargo. Já quanto à gestão contratual e administrativa do AP, 61% dos destinatários desejam manter o modelo, 15% gostariam de que as responsabilidades fossem repartidas e 7% defendem a gestão exclusiva pelo destinatário. Quanto à gestão financeira da relação com o AP, 66% dos destinatários pretendem manter o modelo como está, 9% pretende gerir pagamentos com o CAVI num modelo Misto, enquanto 8% desejam assumi-los por inteiro.”

Questionário que fiz questão de responder e divulgar. Encontro-me sem sombra de dúvida nos 8% que responderam às duas questões, e surpreende-me a maioria dos inquiridos aprovarem o modelo atual. Nada neste modelo de Vida Independente me agrada e está de acordo com a sua filosofia original. Será que os resultados obtidos se devem à falta de conhecimento do que é realmente a filosofia de Vida Independente? Se é o caso, aproveito para deixar o site do Centro de Apoio à Vida Independente (https://vidaindependente.org/). Ou reforça a minha ideia que continuamos a achar que vale mais pouco do que nada, e a nos contentarmos com migalhas. Dignos de esmola. Não temos direito a mais. Há que mudar a maneira de pensar. Direitos são direitos, pertencem-nos, não se mendigam.

Sobre a minha última crónica onde apresentei o Programa de Intervenções em Habitações, que procura dar resposta a necessidades específicas de acessibilidade de pessoas com deficiência, em resposta também na sua página do facebook a vários comentários de insatisfação dos seus seguidores pela maneira como o programa está a ser gerido, informa que o prazo para apresentar as candidaturas foi prolongado. É o mínimo que se pode fazer depois da enorme confusão que se tornou este programa.

A minha última crónica no jornal Abarca

sábado, 23 de julho de 2022

"Cadeira de rodas não transporto": histórias de quem denuncia discriminação em TVDE

Na SIC Noticias mais uma vez a discriminação contra pessoas com deficiência. Lourenço Madureira Miguel filmou um momento em que foi insultado por um condutor de uma plataforma de TVDE. O caso não é único: conta também que muitas viagens que pede acabam por ser canceladas quando diz que tem uma cadeira de rodas ou quando o motorista o vê. Também Diana Niepce já se viu obrigada a fazer queixas por discriminação à polícia e reclamações junto das empresas.

Este episódio não é desconhecido aos protagonistas deste artigo: pedem uma viagem de TVDE (transporte individual e remunerado de passageiro em veículo descaracterizado) e, com o telemóvel na mão, vão olhando para a aplicação que mostra, no mapa, o veículo a aproximar-se do local. O carro está finalmente a aparecer no horizonte, mas o motorista não parou.

Lourenço Madureira Miguel, de 21 anos, utiliza frequentemente os serviços de transporte das aplicações na cidade de Lisboa. Uma doença rara está a tirar-lhe progressivamente a mobilidade e tem de se deslocar em cadeira de rodas. Pretende continuar a fazer uma vida “o mais parecida com aquilo que era antes de ficar doente” e, por isso, recorre aos serviços de TVDE para ir para a faculdade, onde estuda Medicina, para os tratamentos médicos, ou até mesmo para almoços e jantares com amigos.

A cada dia, o jovem faz “garantidamente” três a quatro viagens. Em 2021, foram mais de 600 viagens através de TVDE – um número que já ultrapassou este ano. Lourenço considera que foi discriminado por mais de um terço dos motoristas que lhe foram atribuídos.

“Muitas vezes, quando estou no hospital, mando uma mensagem a dizer ‘estou de cadeira de rodas’ e respondem ‘cadeira de rodas não transporto’. Começam a andar na direção contrária, para eu ter de cancelar a viagem (e não cancelarem eles, porque são penalizados) e até já iniciaram a viagem como se eu estivesse lá dentro”, denuncia, ressalvando que o segundo cenário aconteceu “muito poucas vezes”.

Também já aconteceu o motorista cancelar a viagem depois de Lourenço ter esperado mais de dez minutos pela chegada do veículo. “Dizem que chegaram, que não me viram e que estiveram muito tempo à espera. Já me aconteceu passarem à porta de minha casa, abrirem a janela e dizerem simplesmente ‘cadeira de rodas nem pensar, não sujo o carro por viagens dessas’. E vão embora”, prossegue o jovem. Tanto a Uber como a Bolt têm uma tarifa de cancelamento, paga pelo passageiro, que depende do tempo a partir do qual a viagem foi aceite pelo motorista.

“No último mês tive de começar a dizer que era discriminação pura e punível por lei, ameaçando fazer uma queixa formal”. Numa dessas situações, o motorista acabou por aceder e transportar o jovem, mas “completamente contrariado” e a insultá-lo.

Cansado destas situações, Lourenço decidiu gravar e expôs a situação nas redes sociais: “Eu não discrimino, eu sei bem ver as coisas. Você não vê que aquilo [cadeira de rodas] é um peso bruto? Você pode usar aquilo para se transportar de um lado para o outro, não é para pôr dentro do carro e tirar do carro. No seu carro está bem, agora no Uber não. O Uber não esta aqui para ser o seu criado”, ouve-se o motorista dizer.

Lourenço tem muito mais histórias para contar. Em todas elas há um ponto comum, que surge também nos relatos de Diana Niepce, de 37 anos. Coreógrafa, bailarina e escritora – e também ativista – Diana recorre às plataformas de TVDE para se deslocar até ao trabalho “porque os transportes públicos não são acessíveis”. “Viajo muito de Uber nacional e internacionalmente, porque viajo muito também com os meus espetáculos”, afirma, lembrando que já assistiu e foi também vítima de episódios de discriminação.

“Aquilo que me costuma acontecer, e ocorre muito mais do que uma vez, é [os motoristas] chegarem ao pé de mim, olharem para mim, abanarem a cabeça e irem embora”. Apesar das histórias que vai somando, Diana considera ser “uma privilegiada da deficiência” por ser “mulher, branca, jovem, caso contrário acredito que iria sofrer muito mais – mas muito mais – situações destas”.

A situação mais recente que passou – e que partilhou nas redes sociais como forma de denúncia – aconteceu esta semana: “Eu ia para o ensaio, tinha a minha equipa à espera e ia dar um workshop de dança. O senhor da Bolt mandou-me mensagem a dizer ‘olá (com um smile)’ e disse ‘estou a caminho’. Eu respondi. Ele chegou, parou ao meu lado, eu apontei para ele parar o carro numa zona mais acessível para mim e quando eu estava a chegar perto do carro ele arrancou. Mandei uma mensagem a dizer que ia fazer queixa por discriminação. Ele continuou a conduzir, ficou à espera que eu cancelasse a viagem – que é o que eles fazer para me cobrar a tarifa – e depois acabou por cancelar-me a viagem. Disse que não me viu.”

Segundo a lei n.º45/2018, as empresas que gerem plataformas de TVDE são obrigadas ao “transporte de cães-guia de passageiros cegos ou passageiras cegas, e em cadeiras de rodas ou outros meios de marcha de pessoas com mobilidade reduzida, bem como de carrinhos e acessórios para o transporte de crianças”.

A SIC Notícias enviou questões sobre estas denúncias a três empresas de TVDE a operar em Portugal – a Uber, a Bolt e a Free Now. A Uber afirma que “não tolera qualquer discriminação” e que “os motoristas que utilizam a aplicação Uber concordam em transportar utilizadores com deficiências e devem cumprir as leis da acessibilidade”. Já a Free Now admite ter recebido denúncias por discriminação e diz defender “ativamente princípios de inclusão e diversidade, promovendo ações e iniciativas de sensibilização para este efeito”. A Bolt não respondeu até à publicação deste artigo.

“Só alguém normal me pode fazer sentir deficiente": reclamações e denúncias à polícia

Lourenço admite que odeia reclamar, mas não pode deixar passar estas situações em branco. Foram várias as reclamações que apresentou junto das empresas em questão. “Isto tornou-se revoltante. Faço denúncias atrás de denúncias e já me aconteceu receber aquela mensagem de ‘Nós reprovamos essas atitudes, blá blá blá’ e dois ou três dias depois aparece-me o mesmo motorista, exatamente com a mesma postura”, reclama.

Diana vai mais longe e apresenta regularmente queixas formais na polícia por discriminação. “Estas situações não ocorrem assim tão frequentemente, mas ainda ocorrem. Cada vez que ocorrem, eu tenho de ir à polícia, tenho de apresentar queixa, tenho longas contestações em torno das aplicações que vêm com respostas protocolares porque infelizmente nem conseguem ter a capacidade de compreender o que é sentir-se marginalizado ou descriminalizado por causa de uma condição.” A falta de meios nas autoridades e a dificuldade em aceder aos dados do motorista em causa faz com que os processos fiquem "em água de bacalhau".

A resposta das empresas é, segundo a coreógrafa, diferente. Diana afirma que a Uber tem uma política melhor que a da Bolt, e conta a história que a levou a tirar essa conclusão: “Estava a levantar-me para passar para o carro e o motorista decidiu agarra-me no rabo, quando eu tinha dito que não precisava de ajuda nenhuma. Fiquei ofendida, como é óbvio”, lembra. O motorista disse que não a ajudava a pôr a cadeira no carro e, depois, acabou por interromper a viagem e “atirou a cadeira e os sacos para o chão”. “Deixou-me no meio do caminho. Obrigou-me a sair do carro comigo a chorar e a ter de chamar outro TVDE. O Uber seguinte viu a situação, também reportou e a Uber foi muito mais eficiente.”

“Só alguém normal é que me pode fazer sentir deficiente, isso acontece quando me faz sentir mal com a minha condição. É isto que me acontece com as plataformas”, remata.

Em resposta à SIC Notícias, a Uber não referiu qualquer informação sobre processos em curso ou consequências aplicadas aos motoristas que são alvo de denúncias por discriminação. Por outro lado, a Free Now sublinha que, perante as denúncias, inicia “de imediato processos de averiguação para resolver essas questões” e reforça “as medidas para evitar outra situações no futuro”.

“Contactamos todos os intervenientes de forma a entender em maior detalhe o que de facto aconteceu, não se justificando uma intervenção criminal, colocamos em prática o regulamento interno que pode envolver a suspensão ou mesmo expulsão do motorista”, acrescentam, sublinhando que a abordagem da empresa “é primeiramente educativa com o objetivo de mudar comportamentos de forma sustentada e não através da aplicação exclusiva de sanções em momentos pontuais”.

Serviços adaptados “não estão muitas vezes disponíveis”

Em dezembro de 2020, a Uber anunciou a criação do Uber Assist: um projeto em parceria com a Associação Salvador que “permite que pessoas com deficiência física, intelectuais e sensoriais, e que não precisem de veículos adaptados, façam viagens com motoristas que receberam formação específica para o efeito”.

Catarina Oliveira tem 33 anos, é nutricionista e consultora na área da diversidade e inclusão. Vive no Porto e não costuma usar as plataformas de TVDE porque – “felizmente” – tem carro. Uma experiência que correu mal há três anos, fez com que deixasse de recorrer a esta forma de mobilidade. Na altura, um motorista disse-lhe que não levava a cadeira de rodas. "O meu irmão passou-se, o senhor percebeu que estávamos a ficar revoltados e que ia haver consequências e começou a dizer que podíamos tentar colocá-la na mala do carro. Mas eu respondi: 'quem não quer ir agora sou eu'. Pedi ao meu irmão a minha cadeira e saí do Uber", lembra. Mais recentemente, experimentou a plataforma Uber Assist e “já correu bem”.

“A última vez que usei foi no São João, mas antes disso tinha ido para o aeroporto de Uber e o senhor foi impecável. Claramente notei que foi uma pessoa que tinha alguma formação no sentido de não pegar na minha cadeira sem eu pedir, eu disse que não precisava de ajuda para a transferência e ele não ficou aborrecido”, lembra Catarina.

Mas o Uber Assist nem sempre é uma opção. Diana sublinha que para poder utilizar um destes veículos tem de reservar, o que “não é eficiente”. Também Lourenço destaca que esta opção “não está muitas vezes disponível”.

A empresa afirma que “o Uber Assist está disponível em todo o território nacional, contudo a disponibilidade de serviço está sempre sujeita a disponibilidade de motoristas na zona e horários em questão”, sublinhando que este projeto é “um passo decisivo para contribuir para uma mobilidade mais inclusiva através da Uber”.

A Free Now destaca ser "a única plataforma que exige uma formação específica aos motoristas antes de iniciarem a atividade com a plataforma", que inclui "boas práticas e de inclusão". Além disso, tem também um serviço dedicado a acessibilidade reduzida, o qual aconselham aos utilizadores optarem. “No entanto, estes obedecem aos mesmos princípios de procura e oferta do restante mercado podendo, por momentos, não estar disponíveis. No caso de os serviços de mobilidade reduzida não estarem disponíveis, aconselhamos o passageiro a notificar previamente o motorista, de forma a garantir que as condições inerentes à viatura permitem o transporte em conformidade e segurança”, respondem.

A notificação prévia ao motorista pode levar a situações em que a viagem acabe cancelada, como já aconteceu a Lourenço.

Fonte: SIC Noticias

sexta-feira, 1 de julho de 2022

Abertas candidaturas programa acessibilidades em habitações

Vamos aproveitar? Inclui também rampas, elevadores, adaptação WC...1.000 habitações é muito pouco, mas há que tentar.

Depois da apresentação do Programa Acessibilidades 360º - Intervenção nas Vias Públicas, no âmbito do Programa de Recuperação e Resiliência (PRR), que visa a promoção da acessibilidade para pessoas com mobilidade condicionada no acesso e utilização do espaço público, mediante aplicação, designadamente, das Normas Técnicas de Acessibilidade previstas no anexo do Decreto-Lei n.º 163/2006, de 8 de agosto, com o objetivo de garantir intervenções na melhoria das acessibilidades nos espaços públicos de circulação e mobilidade numa área mínima total de 200.000 m2, e Programa de Intervenção nos Edifícios Públicos, promoção da acessibilidade para pessoas com mobilidade condicionada no acesso aos serviços públicos, e com o objetivo de apoiar a intervenção em, pelo menos, 1.500 edifícios públicos da Administração Central e Serviços Públicos das Autarquias, surge a vez das adaptações nas habitações de cidadãos com deficiência.

Estão a decorrer as candidaturas ao Programa de Intervenções em Habitações até 31 de julho do corrente ano. Este programa visa melhorar as acessibilidades para pessoas com deficiência, em habitações, em todo o território de Portugal continental, e com o objetivo de apoiar intervenções, em, pelo menos, 1.000 habitações. O apoio financeiro por tipo de intervenção e por valor unitário (valores sem IVA incluído), até ao limite máximo de 10.000,00 € (dez mil euros) por habitação a intervencionar. O montante financeiro disponível no presente Aviso N.º 3/C03-i02/2022 é de 10.000.000,00 € (dez milhões de euros), sendo que a respetiva implementação decorre entre 2022 e 2025, salvo esgotamento da dotação em período anterior.

Os interessados em concorrer devem garantir que se encontram registados no balcão2020, requisito obrigatório para permitir a formalização da candidatura a efetuar através da submissão de formulário eletrónico no portal para submissão de candidaturas (“PRR - SIGA”), até ao dia 31 de julho de 2022. A receção das candidaturas pode ser prolongada ou cancelada, em função da dotação disponível. Este investimento está em plena conformidade com a Estratégia Europeia sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência 2021-2030.

Por habitação consideram-se todas as frações autónomas, apartamentos, moradias, desde que registadas separadamente, devendo ter saída própria para uma parte comum do edifício ou via pública. São consideradas partes comuns passíveis de serem servidas por percursos acessíveis, átrios, caixas de escadas, elevadores, lugares de estacionamento ou boxes dedicados, garagens, incluindo área adjacente ao edifício necessária para tornar a sua cota de soleira acessível. 

São Beneficiários Finais as Câmaras Municipais/Municípios (executores física e financeiramente da intervenção), para atuação junto dos destinatários finais, no caso pessoas com deficiência com um grau de incapacidade igual ou superior a 60% devidamente atestado e que reúnam as condições necessárias, enquanto: Proprietários das habitações alvo da intervenção, ou membros do seu agregado familiar e que com ele coabitem; Arrendatários das habitações alvo da intervenção, ou membros do seu agregado familiar e que com ele coabitem. 

Caso esteja interessado consulte a sua Câmara Municipal e obtenha mais informações em Instituto Nacional para a Reabilitação: https://www.inr.pt/programa-acessibilidades-360-intervencoes-em-habitacoes e https://recuperarportugal.gov.pt/wp-content/uploads/2022/04/Aviso_PIH_-alterado28_04_2022-2.pdf e através do endereço eletrónico: inr-piep.prr@inr.mtsss.pt

Minha crónica no jornal Abarca

sábado, 4 de junho de 2022

Turismo Inclusivo nos Açores

Foi num encontro sobre turismo inclusivo promovido pela Associação Salvador, que conheci a CRESAÇOR – Cooperativa Regional de Economia Solidária, CRL fundada em 2000, com sede na Ilha de São Miguel, nos Açores, mas as suas áreas de intervenção abrangem todo o território da Região Açores. Nasceu no âmbito do Projeto de Luta Contra a Pobreza e pela criação de um programa para o desenvolvimento das empresas de inserção sócio-profissional dos Açores.

Em 2014 a CRESAÇOR, cria Azores for All uma agência de turismo inclusivo, como referem no seu site em: https://azoresforall.com/pt/ porque estamos convencidos de que uma viagem inesquecível começa bem antes da partida, no momento da escolha do destino, através de informações acessíveis e completas, onde os pormenores fazem toda a diferença. A equipa Azores for All reúne profissionais apaixonados pelo turismo acessível, totalmente disponíveis para ouvir as necessidades dos seus clientes e propor, em vários idiomas, as melhores soluções para umas férias inesquecíveis nos Açores.

Oferecemos informações, serviços e atividades adaptadas aos residentes e turistas que com, ou sem deficiência visitam os Açores. Trabalhamos com grupos particulares, agências de viagem e operadores turísticos. Somos uma empresa de animação turística e operador marítimo-turístico pioneira na implementação e promoção do turismo social e inclusivo nos Açores.

A ilha de São Miguel, onde atuamos, é a maior ilha do arquipélago, com 62,1 quilómetros de comprimento e 15,8 quilómetros de largura máxima. A mais populosa e desenvolvida das 9 ilhas do arquipélago, dispõe das melhores infraestruturas turísticas e serviços em geral, nomeadamente, no que às acessibilidades diz respeito. Azores for All oferece assistência em todas as fases da viagem, providencia transfers a partir do aeroporto em carrinha adaptada, aconselha alojamento em hotéis que correspondem às necessidades pessoais dos clientes, organiza atividades e passeios adaptados, incluindo percursos pedestres, com joelette. Uma cadeira de todo-o-terreno mono-roda, que permite a prática do pedestrianismo e o acesso a áreas montanhosas ou pisos irregulares, a todas as pessoas com mobilidade reduzida. Os nossos passeios de joelette normalmente são realizados nas Sete Cidades, na zona da baía do silêncio, garantindo uma viagem memorável e sem limitações.

A Azores For All - Sete Cidades é um espaço dedicado ao desenvolvimento local, à promoção do Ecoturismo das Sete Cidades e à comercialização dos produtos de Economia Solidária com o selo de garantia CORES. Também oferece passeios de canoa e de bicicleta, passeios pedestres e de jipe, jogos tradicionais portugueses, tours adaptados e diversas informações de interesse local, e para além da joelette também disponibiliza para aluguer cadeira de rodas anfíbia e rampa telescópia. Mais informação através do email: turismoinclusivo@cresacor.pt

O ano passado desloquei-me à Ilha da Madeira, só o fiz, porque tive o apoio da Madeira Acessivel By Wheelchair, além de prepararem a viagem ao pormenor, visitando os espaços, etc, também me disponibilizaram veículo adaptado, cadeira de rodas sanitária, cadeira de rodas elétrica todo o terreno…Sem a certeza que tudo estaria preparado para me receber não arriscaria. As agências de viagens e os hotéis ainda confundem tudo e têm um grande caminho a percorrer. Não entendem que não basta disporem de barras laterais nos WCs e sanitas alteadas, e garantirem com toda a certeza que o quarto é adaptado. Para alguns será o suficiente, para mim e muitos outros nas mesmas circunstâncias, não reúne as mínimas condições. Não é a primeira vez que respondem com certeza absoluta que o quarto é adaptado, e ao chegar deparo-me com uma banheira e um banco rotativo. A deceção é total. Impossível tomar banho sem cadeira de rodas sanitária, a cama articulada também faz toda a diferença e poucos hotéis a têm. Neste caso fico muito contente por poder contar com a Azores for All. Assim, arrisco.

Minha crónica no jornal Abarca

domingo, 15 de maio de 2022

“Quebra Degraus”: Associação Salvador quer acabar com a exclusão de pessoas com deficiências motoras

A Associação Salvador tem uma nova campanha, intitulada “Quebra Degraus”, que pretende abrir caminho para uma mudança efectiva, que acabe com a exclusão social e o isolamento de milhares de pessoas com deficiência motora em todo o País.


Assinada pela Partners e com produção da 78, a acção publicitária alerta para a necessidade urgente de uma mudança na área das acessibilidades, protagonizado pela bailarina e coreógrafa com deficiência motora Diana Niepce.

«Estamos em pleno século XXI, todos os dias surgem invenções, novas tecnologias e quebram-se mais barreiras. Mas e os milhares de pessoas que continuam isoladas entre quatro paredes? Durante o confinamento, o mundo inteiro teve oportunidade de sentir na pele aquilo pelo qual as pessoas com deficiência motora passam diariamente, durante uma vida inteira. Agora que retomámos a vida normal, vão voltar a deixar-nos para trás?», diz, em comunicado, Salvador Mendes de Almeida, presidente e fundador da Associação Salvador.

Maioritariamente digital, a campanha terá também uma forte presença televisiva, com spots nos principais canais generalistas e por cabo, no ano em que, pela primeira vez, se assinala de forma oficial o Dia Nacional das Acessibilidades, a 20 de Outubro.

Veja o video AQUI

Fonte: sapo.pt

segunda-feira, 8 de novembro de 2021

Acessibilidade na cultura: Um palco em construção e um quadro por acabar

Frequentar espaços culturais e assistir a uma mediação, espetáculo ou exposição revela-se uma experiência cada vez mais diversa. Mas continua a haver desigualdades no acesso à Cultura quando se é uma pessoa com mobilidade reduzida, deficiência intelectual ou visual em Portugal.


O átrio do Cinema São Jorge estava em azáfama quando Boris Nepelo deixou claro que a Cultura é algo que nos une. O crítico e programador russo falava no Festival Internacional de Cinema DocLisboa, em Lisboa, e as suas palavras ressoaram o que já se tinha ouvido no MEXE, encontro internacional artístico: o crescimento das desigualdades limita as nossas liberdades de ação. Como pode a Cultura e os espaços em que a mesma reside ultrapassar esta barreira?

Os números que nos acompanharam nos últimos dez anos nunca se revelaram tão importantes. Em Portugal, há mais de 1 milhão e 700 mil pessoas com pelo menos uma incapacidade, de acordo com dados dos censos de 2011. Esta representatividade tende a ser um conceito determinante na sociedade portuguesa, onde os diversos sectores dão sintomas de desigualdade na acessibilidade.

A Cultura vive numa luta constante pelo conceito de liberdade. Hoje, são diversas as vozes do público e trabalhadores da Cultura que se fazem ouvir e que afirmam não existir condições totais de acessibilidade em grande parte dos espaços culturais. Acessibilidade que está, desde 2006, consagrada como direito na Constituição (artigo 163º) como “meio imprescindível para o exercício dos direitos que são conferidos a qualquer membro de uma sociedade democrática”.

A palavra acessibilidade já não era desconhecida em documentos universais desde 1948. Garantia-se na Declaração Universal dos Direitos Humanos (artigo 27.º) que “toda a pessoa tem o direito de tomar parte livremente na vida cultural da comunidade”. No entanto, foi em 2005 que Tiago Fortuna sofreu a primeira “má experiência”.

“CHEGOU A HORA DE FAZER DE FORMA DIFERENTE”

Na adolescência começou a perceber que havia tratamento diferenciado entre pessoas com e sem deficiência. Foi diagnosticado com osteogénese imperfeita, também conhecida como a doença dos ossos de vidro. Confrontando-se com a atualidade, o aficionado pelas artes performativas e pela música reconhece que em pleno 2021 a lei de acessibilidade continua a não ser cumprida.

“Tinha 14 anos e decorria uma entrega de prémios internacional de música, em Lisboa. Lembro-me que queria muito ir, mas foi dito aos meus pais que não haveria lugares para mobilidade condicionada”, recordou. Foi a primeira vez que Tiago Fortuna se sentiu discriminado. O espaço não o aceitava.

Autor do podcast Nuclear trabalha em áreas de acessibilidade cultural e direitos de pessoas com deficiência. Em 2020, optou por deixar o campo da comunicação estratégica musical e ingressou num projeto de mentory para criar um plano de acessibilidade numa sala de espetáculos que durou o ano inteiro, juntamente com a associação Acesso Cultura.

Em 2021 criou dois projetos de acessibilidade para espaços culturais: um novamente com a Acesso Cultura, no qual aguarda resposta do financiamento europeu, e outro em desenvolvimento com a organização It's About Impact, denominado de Acess Lab.

Continue a ler no "setenta e quatro".

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

Acessibilidades: Colaboração no Projecto TRIPS

A City Able é uma empresa que trabalha na área da acessibilidade ao espaço público e redes de transporte público. O seu trabalho coloca sempre os passageiros no centro do mesmo e todos os seus resultados têm por base as necessidades reais de passageiros reais.


Está a trabalhar com a Carris num projecto Europeu chamado TRIPS que visa criar uma metodologia de trabalho baseada na co-produção, que irá permitir à Carris, mas também a qualquer outra empresa que a aplique, desenvolver a sua rede de transportes públicos com base nas reais necessidades dos passageiros.

Para isso, um dos passos importantes é a avaliação das condições actuais através de um questionário.

Gostaríamos de pedir o vosso apoio na divulgação e preenchimento do questionário de avaliação do Mobility Divide Index, que é uma das ferramentas de avaliação desenvolvidas no projecto.

Este questionário de avaliação das condições actuais, demora entre 5 a 10 minutos a ser preenchido e irá fornecer dados extremamente úteis para podemos progredir no desenvolvimento da rede de transporte público em Lisboa: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSddFW41x5Ss19v9lfCThZbw4Z7Cu_EJxRLWLy1VXkRSSInmvQ/viewform?usp=sf_link

Enviado por CVI

quinta-feira, 7 de outubro de 2021

Dia das Acessibilidades 2021 (20 de outubro)

Este ano, o Dia das Acessibilidades conta com a maior edição de sempre, já no próximo dia 20 de outubro.

O objetivo é envolver a comunidade escolar, empresas e (pela primeira vez) universidades em todo o país. Um dia de sensibilização, dedicado a um dos principais problemas de exclusão social das pessoas com deficiência motora. A Associação Salvador, acreditando no enorme potencial de toda a sociedade enquanto agente de mudança, desafia todo o país a juntar-se a este movimento!

O desafio é parar o país inteiro por esta causa!

A Lei das Acessibilidades tem mais de 20 anos e… O que mudou? Será que temos um país acessível? Será que todos, individualmente, podemos ter um papel ativo?

Em 2 anos, foram mais de 20.000 os participantes que deram um verdadeiro impulso a uma causa pela qual podem fazer a diferença.

ESCOLAS

Para 2021, concebemos este dia de forma a estar de acordo com a realidade de cada turma, de cada escola, de cada agrupamento. A competição saudável entre turmas e entre escolas foi preparada para 2 escalões: do 1º ano ao 8º ano e do 9º ano ao 12º ano. No fim, um prémio merecido que solidifica o objetivo do dia: um país mais inclusivo e acessível a todos.

As atividades, que serão dinamizadas pelos professores, contarão com materiais enviados pela Associação Salvador. Poderão ser realizadas em qualquer horário do dia, a definir pela escola, e terão a duração máxima de 90 minutos, sendo totalmente gratuitas. Existirá opção de atividade online ou misto de sala de aula com atividade no exterior.

A inscrição é obrigatória e deverá ser feita através do link: https://forms.gle/32AxqrphniGQcQ1J8

UNIVERSIDADES

Para as Universidades, iremos começar o dia com uma pequena palestra inspiradora online, realizada pelos mentores de acessibilidades da Associação Salvador. No final da apresentação, convidaremos os alunos para uma ação de voluntariado. A participação do maior número de alunos será essencial para caminharmos para um país mais acessível a todos. Nas últimas edições, mais de 20.000 pessoas foram sensibilizadas e queremos continuar a sensibilizar muitas mais!

Esta atividade poderá ser enquadrada numa cadeira ou a nível de integração académica – deixamos ao critério de cada Universidade – e tem como principais objetivos mapear toda a envolvente da Universidade, sensibilizar os comerciantes locais para as acessibilidades e colocar os alunos "na pele" de quem, todos os dias, passa por barreiras arquitetónicas e espaços de difícil acesso, desafiando-os a avaliar locais utilizando a App + ACESSO PARA TODOS.

A ideia é existir uma competição interna. O aluno que fizer mais avaliações, ganhará o desafio!

O evento terá lugar em horário a definir, consoante a disponibilidade. Contamos convosco?

A inscrição é obrigatória e deverá ser feita através do link: https://forms.gle/RMniWfX1VbVBqY9z9

JUNTOS MUDAMOS VIDAS!

Enviado por email

sexta-feira, 6 de agosto de 2021

100% Cidade

 Minha crónica no jornal Abarca

A ONU estima que até 2050, quase um bilião de pessoas com deficiência vivam nas cidades, representando 15% do total dos seus habitantes. Com esta previsão, é evidente que o problema da acessibilidade é um dos grandes desafios dos governos locais. Sobretudo, quando uma das metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável é “até 2030, proporcionar o acesso universal a espaços públicos seguros, inclusivos, acessíveis e verdes, particularmente para as mulheres e crianças, pessoas idosas e pessoas com deficiência”.


Os governos europeus, que ratificaram a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiências, reconheceram que a acessibilidade é um direito humano universal e uma condição prévia para que as pessoas vivam de forma independente e participem plena e igualmente na sociedade. Em Portugal, o Instituto Nacional para a Reabilitação – INR assumiu a defesa dos princípios da convenção em todas as políticas sectoriais: prevenção, habilitação, reabilitação e inclusão. Os 308 municípios desempenham, neste ponto, um papel fundamental, ao terem um mandato claro de não deixar ninguém para trás, uma oportunidade crítica para desenhar um futuro urbano mais inclusivo e acessível a 100% dos seus habitantes.

O prémio europeu, iniciado em 2010, para a Cidade Acessível é exemplo de estímulo e recompensa pelo esforço na melhoria contínua da vida das pessoas com deficiência promovendo a sua inclusão multidimensional. Trata-se de uma oportunidade para os governos locais progredirem e partilharem as suas boas práticas e nós compreendermos melhor o nosso papel no direito à liberdade total de movimentos. O Funchal foi a única cidade portuguesa distinguida, com uma menção honrosa, em 2017. O que significa que ainda há um longo caminho a percorrer pelos municípios nacionais.

Tal situação é reforçada pelas conclusões do inquérito, realizado em 2020, aos municípios pela Associação Salvador e o Instituto de Cidades e Vilas com Mobilidade, numa parceria com a Associação Nacional de Municípios Portugueses. Os números são avassaladores, 70% dos municípios nunca planearam as condições de acessibilidade, 80% das autarquias não têm nenhuma estrutura dedicada à acessibilidade e apenas desenhamos as cidades para 40% da população. Para a Arquiteta Lia Ferreira e Engenheira Paula Teles, envolvidas na criação do Guia da Acessibilidade e Mobilidade para Todos, esta situação impede a plena condição urbana quando é urgente ter direito a viver o e no lugar de infinitas oportunidades de relações sociais.

Os laços de comunidade que se criam nas cidades não estão isolados do desenho destas, dos serviços, do comércio, da mobilidade ou dos arruamentos. Estes laços são dependentes da forma como as pessoas se deslocam, se reúnem e se encontram. O impacto que o desenho da cidade tem nos habitantes não pode ser apenas interpretado pelo significado que o edificado apresenta, mas, também, pela vivência dos ritmos diários da vida cotidiana.

Há, ainda, muito a fazer para que, 15 anos após a publicação do decreto 163/2006, tenhamos cidades 100% acessíveis. É obrigatório enraizar fortes políticas locais de regeneração urbana inclusiva para enfrentar os desafios da acessibilidade “como um elemento fundamental na qualidade de vida das pessoas, um meio imprescindível para o exercício dos direitos que são conferidos a qualquer membro de uma sociedade democrática, contribuindo decisivamente para um maior reforço dos laços sociais, para uma maior participação cívica de todos aqueles que a integram”.

Texto de Alexandra Paio, docente do ISCTE-IUL no Jornal Económico

domingo, 4 de julho de 2021

A minha viagem

Há algum tempo que tencionava arriscar realizar uma viagem de avião. Estava indeciso entre o Funchal, Açores ou Porto Santo. Ter conhecimento da empresa Madeira Acessível By Wheelchair, e dos seus serviços direcionados para o apoio a pessoas com deficiência ajudou-me a optar pelo Funchal. Contatei-a, Tiago Camacho o responsável tratou de tudo, exceto compra dos bilhetes.

Realizei o check-in online, preenchi o formulário a solicitar o apoio da My Way, serviço de assistência especial a passageiros com mobilidade reduzida felizmente disponível em vários aeroportos, e ao chegar ao aeroporto de Lisboa lá estava a equipa à minha espera para me prestar todo o apoio necessário. Não me largaram um minuto. Por não me conseguir sentar em cadeiras de rodas manuais foi muito importante permitirem-me circular na minha cadeira elétrica até à entrada do avião. Geralmente optam por nos transferir para as suas cadeiras. Á entrada do avião transferiram-me para outra cadeira, felizmente funcional onde segui até ao meu lugar no avião. A minha assistente pessoal pode viajar ao meu lado sem custos adicionais. Basta informar os serviços MY Way que nos fazemos acompanhar de assistente.
Cadeiras My Way

Adquiri bilhete para a classe económica e para voos mais longos não será fácil e comodo tantas horas na mesma posição, sem possibilidade de nos mexermos e encostar a poltrona. Também ajudou ter optado por ter tirado a almofada antiescaras da minha cadeira e colocá-la na poltrona onde me sentei. Como a viagem durou 1h30 fez-se relativamente bem.
Madeira Acessível

Chegado ao aeroporto do Funchal, lá estava a equipa da My Way com a minha querida cadeira sã e salva. Que saudades eu tinha dela. Confesso que os meus olhos a percorreram com muita ternura e atenção e receio de encontrar umas feridasitas…afinal viajar no porão não deve ser agradável e tudo pode acontecer. Mais uma vez me acompanharam em todos os passos. Uma atenção e profissionalismo que ultrapassou todas as minhas expetativas. Neste caso não desembarcamos através da manga, mas de uma plataforma elevatória que me transferiu para um autocarro adaptado. Confesso que fiquei muito mais agradado com a equipa do Funchal. Cláudio Camacho e Roberto Laranja fizeram com que nos sentíssemos em casa. Nada falhou.
Curral das Freiras

O Tiago Camacho da Madeira Acessível, aguardava-me no aeroporto com a sua carrinha adaptada moderna, ampla, fixadores da cadeira muito seguros, capacidade para 3 cadeiras de rodas e 9 passageiros, e lá vamos nós para o hotel escolhido por ele, que realmente era quase acessível. Único senão foi o facto de não possuírem cadeira de rodas sanitária/banho para grandes dependentes como eu. Tinham a básica cadeira que habitualmente todos os hotéis têm. Vá lá que não era a cadeira de plástico da esplanada, e também não tinha a habitual banheira que os hotéis tanto apreciam como decoração. Felizmente a Madeira Acessível também tem material para alugar e aluguei-lhes uma cadeira de banho ocean vip, exatamente o modelo que utilizo. Os quartos estavam ligados por uma porta, o que facilita o ir e vir da assistente pessoal para prestar o apoio.
Levada
Todos os tours que realizei eram acessíveis e preparados com antecedência com a Madeira Acessível de modo a não ter as habituais surpresas desagradáveis da falta de acessibilidades. Caso houvesse algum imprevisto o Tiago Camacho fazia-se acompanhar por uma ótima rampa amovível que resolvia o problema.
Senão: o eterno problema da falta de acessibilidades, principalmente passeios sem o rebaixamento; falta de grua de transferência no hotel; possibilidade de cama articulada; cadeira de banho adequada e lugar na económica um pouco apertado e limitado.
Passarinho à mesa
O melhor: serviço prestado pela Madeira Acessível e seu equipamento acessível, inclusive uma cadeira de rodas elétrica todo-o-terreno. Não sei se encontraria um táxi adaptado onde conseguisse entrar com a minha robusta cadeira. No continente não é fácil; profissionalismo das equipas da My Way, com eles ao nosso lado tudo fica mais fácil; permitir circular até ao avião na minha cadeira de rodas e poder viajar com a minha assistente ao lado sem custos adicionais.
Dicas: tratar de tudo online ou através da linha de apoio da My Way com antecedência, não esquecer de mencionar que pretende o serviço de assistência no embarque e desembarque, até porque é necessário apresentar uma declaração sobre o tipo de baterias e características da cadeira elétrica. No meu caso consegui-a junto da empresa que me a vendeu; caso pretenda circular no aeroporto com a sua cadeira informar os serviços; é permitido levar connosco no avião almofada antiescaras, peças adicionais da cadeira, capa de chuva, etc sem custos adicionais. Medicamentos e material para esvaziamento da bexiga, e outros, também é permitido transportar sem custos, mas convém fazer-se acompanhar de uma declaração médica a referir que são de uso pessoal.
A experiência foi maravilhosa. Soube a pouco. Até já sonho com a possibilidade de visitar o parque nacional do Serengeti na Tanzânia, ou São Tomé e Príncipe. Quando nos permitem viver em pleno, ter emprego e assistência pessoal, tudo é possível. Quero mais. Preciso de mais. Até acho, que acho, que começo a ser feliz.





Bolo do caco

Atum

Milho frito

A minha crónica no jornal Abarca.