Perante tantas dificuldades muitos deficientes nem pensam votar

A Associação Portuguesa de Deficientes (APD) defende que o voto eletrónico é a melhor forma de diminuir a falta de acesso que grande parte dos deficientes têm às urnas nos dias das eleições. As denúncias repetem-se há décadas: vários problemas e limitações das próprias assembleias de voto que segundo a APD impedem o cumprimento de um direito básico.

Helena Rato, da direção da Associação Portuguesa de Deficientes não tem dúvidas em dizer que a maioria dos deficientes fica em casa. A APD admite que as assembleias de voto têm tido melhorias nos últimos anos com as obras feitas em várias escolas, mas grande parte continuam a não estar preparadas para os deficientes em dia de eleições.

Os deficientes que no próximo domingo quiserem ir às urnas para as eleições autárquicas vão ter, mais uma vez, muitas dificuldades. Além das dificuldades de acesso a quem anda de cadeira de rodas que com frequência fica com a mesa de voto "ao nível do nariz", Helena Rato aponta ainda ao dedo ao facto de os invisuais terem de votar acompanhados o que impede o direito ao voto secreto.

Jorge Falcato, deputado do Bloco de Esquerda que se desloca em cadeira de rodas, confirma as dificuldades denunciadas pela Associação Portuguesa de Deficientes. No seu caso admite que nos últimos anos o sítio onde vota teve mudanças que facilitam o cumprimento deste direito básico, mas explica que conhece vários deficientes motores que nas últimas eleições não conseguiram votar.

O deputado fala num atentado aos direitos humanos e à democracia, explicando que a Câmara de Lisboa já começou a desenhar uma nova cabine de voto adaptada, mas no resto do país isso não existe. Jorge Falcato sublinha ainda o caso dos cegos que noutros países têm soluções para poderem votar autonomamente.

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