Tecnologia permite tetraplégico mover braço robótico com o pensamento com o


Um homem tetraplégico conseguiu usar o pensamento para controlar o movimento de um braço protético pela primeira vez.

Paralisado após sofrer um acidente de moto que danificou sua medula espinhal, Tim Hemmes, de 30 anos, conseguiu tocar as mãos da namorada graças a um chip com eletrodos implantado no cérebro por pesquisadores da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos.

O americano é o primeiro a participar do projeto que utiliza uma interface cérebro-computador (BCI) para avaliar se os pensamentos de uma pessoa com lesão medular podem ser usados para controlar o movimento de um dispositivo externo, como um cursor de computador ou um braço protético sofisticado. "Eu coloquei meu coração e alma em tudo o que me pediram para fazer. Consegui alcançar e tocar alguém pela primeira vez em sete anos", relata Tim.

Segundo o investigador, Michael Boninger, ver Tim tocar a namorada com um braço mecânico foi inesperado e comovente para todos envolvidos com o projeto. "Essa primeira rodada de testes reforça o grande potencial da tecnologia BCI não só para ajudar pacientes com lesões na medula espinhal a se tornarem mais independentes, mas também para melhorar as conexões físicas e emocionais com seus amigos e família", explica Boninger.

O projeto

Em 25 de agosto, matrizes de eletrodos foram colocadas sobre a superfície do cérebro de Hemmes durante uma operação de duas horas.

Os pesquisadores, então, implantaram fios sob a pele do pescoço até a parte superior do tórax, onde eles poderiam ser periodicamente ligados a cabos de computador. Seis dias por semana, durante as quatro semanas seguintes, a equipe testou a tecnologia utilizando um software de computador desenvolvido em estudos anteriores para interpretar os sinais neurais sentidos pelos eletrodos.

Depois de assistir a uma figura gerada por computador movendo um braço, Hemmes começou a tentar guiar uma bola do meio de uma grande tela de televisão, para cima, para baixo, esquerda ou direita até um alvo, dentro de um limite de tempo. Com a prática, ele pode realizar a tarefa sem qualquer assistência do computador ou com o que os pesquisadores chamam de "100% de controle do cérebro". Ele, então, desempenhou uma tarefa parecida com o braço, chegando a tocar um alvo em um grande painel montado.

Não foi o processo de pensamento e movimento simultâneo que Hemmes conhecia antes de ficar paralisado que tornou o processo possível. Em vez disso, ele imaginou flexionar o polegar, o que criou um padrão de sinais cerebrais que o computador, então, interpretou como "mover para a esquerda". "Foi preciso concentração e paciência, mas este processo parecia ficar mais fácil com a prática, assim como quando alguém aprende a dirigir um carro com uma transmissão manual. Em estudos futuros, também iramos testar outras abordagens, incluindo o participante simplesmente pensar para cima, para baixo e assim por diante", afirma o pesquisador Wei Wang.

Após cerca de oito sessões, Hemmes abordou tarefas mais complicadas. Enquanto usava óculos especiais para visualizar corretamente uma tela de TV tridimensional, ele moveu a bola nas direções anteriores, e também para frente ou para trás. Ele também praticou mover o braço em todas as direções, culminando com o toque na mão da namorada.

Os pesquisadores estão agora analisando dados, e buscam, pelo menos, mais cinco adultos com lesões na medula espinhal que têm muito pouco ou nenhum uso das mãos e braços para estudos adicionais.

Fonte: Isaúde

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