Design Universal: 1 Ideia + 7 Princípios

A Acessibilidade pode ser definida como a capacidade do meio de proporcionar a todos uma igual oportunidade de uso, de uma forma directa, imediata, permanente e o mais autónoma possível.

Propus esta definição há seis anos, num dos primeiros textos publicados neste Blog (cf. aqui). Ainda a considero actual e adequada.

Define de forma clara um conjunto de ideias que considero a chave para entender a Acessibilidade.

Muitas dessas ideias chave constituem a base do Design Universal, que adiante se apresenta em maior detalhe.

Quem quiser estudar em detalhe a história dos dois conceitos encontrará pontos de encontro e desencontro. Mais do que os pormenores históricos, interessa, aqui, sublinhar uma semelhança, e uma diferença.

Primeiro, a semelhança fundamental.

A Acessibilidade e o Design Universal são dois meios para atingir um mesmo fim: edificações, produtos e serviços bem concebidos.

Segundo, a diferença prática.

A Acessibilidade é um conceito mais antigo, que nasceu ligado à luta pelos direitos das pessoas com deficiência. Costuma ser traduzido emnormas técnicas (por ex., normas W3C para a Internet), que muitas vezes são tornadas obrigatórias por força de lei (cf. normas técnicas do DL 163/2006).

O Design Universal, por seu lado, foi desde o início expresso emprincípios. Estes princípios são uma excelente filosofia de projecto, e uma boa matriz de avaliação, mas não têm sido traduzidos em normas técnicas, nem lhes tem sido dada força legal. Provavelmente (esta é a minha opinião) por não ser essa a sua vocação.

O conceito de Design Universal nasceu “pela mão” de Ron Mace, um arquitecto norte-americano que dedicou boa parte da sua carreira às questões da Acessibilidade, e deixou uma obra muito interessante. Teve polio em criança, e usou cadeira de rodas toda a vida.
Tem vindo a suscitar cada vez mais interesse em todo o mundo. Entre arquitectos, designers, paisagistas, engenheiros, informáticos, e não só. Tem sido aplicado (com sucesso) ao projecto de espaços públicos, edifícios, equipamentos, produtos, etc.

Vale muito a pena conhecê-lo.

Aqui publico, por isso, um excerto que traduzi e adaptei a partir da publicação que primeiro o apresentou (eis um link para a edição de 2008).

[Nota: terei todo o gosto em ilustrar o texto com os exemplos que os leitores do Blog quiserem enviar. Imagens (formato JPeg) bem vindas, em acesso.portugal@gmail.com]

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