Cães transformam a terapia em momentos de felicidade

Projeto Ladra Comigo nasceu há cinco anos e está presente em 27 lares, escolas e instituições de apoio à deficiência.


Deitado ao lado da Fly, Francisco Rodrigues, de 18 anos, esconde a hiperatividade que torna os seus dias numa correria. Aos 90 anos e, com o auxílio da Gema, João Gonçalves combate o sedentarismo. A paciência e a calma da Fly ensinam Débora Monteiro, de 14 anos, a comportar-se. São apenas três entre os mais de 250 idosos, portadores de deficiência e crianças com necessidades educativas especiais que beneficiam do projeto Ladra Comigo, criado pela geriatra Clara Cardoso e pela psicóloga Catarina Cascais. Para os utentes, uma vez por semana, com a terapia chega também a felicidade em quatro patas.

No Lar de Santo António, na Maia, os mais velhos exercitam com a ajuda da Gema. Sentada no colo do "Senhor João", a cadela de pequeno porte faz as delícias do sénior que, pacientemente, lhe escova os dentes. "É uma boa companhia. Em novo tive uma", conta João Gonçalves, recordando os tempos de menino: "Não havia que comer e os animais passavam muita fome. Tinha pena e alimentava os bichinhos".

Os benefícios da terapia assistida por animais são múltiplos. "Os cães desviam a atenção do utente. É mais fácil pedir a um idoso que vá passear o cão de trela do que lhe pedirmos para andar um pouco a pé. A motivação e a aceitação são diferentes", explica Catarina Cascais.

A sessão de 45 minutos começa e Francisco Rodrigues, de 18 anos, portador de síndrome do X frágil e hiperatividade, muda de comportamento. Beneficia da terapia há pouco mais de um ano, na Associação Lavrense de Apoio ao Diminuído Intelectual (ALADI), em Matosinhos. "É muito complicado manter o Francisco concentrado mas, com os cães, consegue ficar muito tempo sentado. É extraordinário", conta a psicóloga.

Duas sessões por dia
Da ALADI, seguem para a Escola EB 2, 3 Pêro Vaz de Caminha, no Porto, onde o projeto foi implementado com a ajuda da Junta de Freguesia de Paranhos. É a última sessão do dia para as cadelas Fly e Milu. "Os cães não podem ter a mesma carga horária que os humanos. Fazem, no máximo, duas sessões por dia", referiu.

Dentro da sala de ensino especial aguardam cinco crianças. "É a minha Fly", diz, a sorrir, Débora Ribeiro, de 14 anos, portadora de trissomia 21. "A Débora gosta de ensinar os cães e pensa que o está a fazer. No fundo, há um autocontrolo e um reforço da autoestima", revela Catarina Cascais, enquanto a pequena atravessa um túnel com a Fly à espera do outro lado.

Fonte: DN

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