sexta-feira, 19 de Setembro de 2014

Tetraplégico vai de Abrantes a Lisboa em cadeira de rodas para reclamar uma vida independente

Um deficiente motor residente em Concavada, Abrantes, propõe-se realizar, na próxima semana, 180
quilómetros em cadeira de rodas até ao Ministério da Segurança Social, em Lisboa, para reclamar o direito a uma vida independente.

Eduardo Jorge, 52 anos, tetraplégico e activista do movimento "nos.tetraplégicos", revela que a finalidade da iniciativa é "chamar a atenção para os problemas dos deficientes motores e idosos" em Portugal e "dizer basta à institucionalização compulsiva, por parte do Estado, das pessoas com deficiência em lares de idosos, como única alternativa de vida".

O ex-gerente comercial, licenciado em Serviço Social, foi vítima de um acidente de viação em 1991 que o deixou numa cadeira de rodas.

Eduardo Jorge já havia realizado uma greve de fome em frente da Assembleia da República, no ano passado (com o apoio do Movimento (d)Eficientes Indignados), que suspendeu, depois ter sido recebido pelo secretário de Estado da tutela e este ter assegurado, na ocasião, iniciar os trabalhos de redacção de legislação sobre a Vida Independente no final de Janeiro.

"Realizei a greve de fome pelo direito a uma vida independente e digna, e suspendi-a porque obtivemos determinadas garantias e promessas, numa reunião tida na Assembleia da República com o secretário de Estado da tutela, mas pouco ou nada aconteceu até ao momento, facto que me leva a voltar a luta, neste caso, à estrada", destacou.

"Não quero deixar de ser uma pessoa participativa na sociedade e não quero ficar confinado a um lar, só porque o Estado não concede a hipótese de ter um cuidador e sermos nós a contratar o serviço que entendemos que possa prestar uma ajuda específica à medida e tendo em conta as necessidades de cada um", vincou.

"Criar-nos condições para vivermos nas nossas casas, fica muito mais barato ao Estado do que a institucionalização, e é pelo direito a uma vida independente que vou fazer este percurso até Lisboa em cadeira de rodas”, justificou.

Eduardo Jorge reclama para os deficientes motores o crescimento junto da família, poder frequentar a escola do bairro ou trabalhar num emprego adequado à formação.

O plano de viagem começa em Concavada, Abrantes, na terça-feira, às 7h, e durante o percurso Eduardo Jorge vai pernoitar na via pública, em vigília, junto à Câmara Municipal de Almeirim, no dia 23, e no dia seguinte vai pernoitar em Benfica do Ribatejo. A chegada está prevista para quinta-feira, às 10h, à Praça de Londres, sede do Ministério da Solidariedade Social, Emprego e Solidariedade, em Lisboa.

Fonte: Público

quinta-feira, 18 de Setembro de 2014

Tetraplégico faz vigília na porta da Câmara Municipal de Almeirim

Durante os dias 23, 24 e 25 de setembro, Eduardo Jorge um tetraplégico com 90% de incapacidade vai percorrer 180 kms em cadeira de rodas desde Concavada (Abrantes) até à Praça de Londres em Lisboa.

Esta é mais uma maratona que Eduardo Jorge tem levado a cabo nos últimos anos, lutando pelo direito a uma vida independente. Este homem que tem dedicado os seus últimos anos a lutar por mais direitos para os que sofrem de deficiências físicas, concluiu ainda assim o seu curso superior e tem trabalhado na sua junta de freguesia onde tem feito um importante trabalho social.

Eduardo irá percorrer as estradas nacionais 118, 114 e 10, passando por localidades como Chamusca, Alpiarça e Almeirim onde chega por volta das 17h30 do dia 23 de setembro para fazer uma vígilia em frente ao edifício da Câmara Municipal de Almeirim. No dia 24 saí de Almeirim às 8h00 passando por Benfica do Ribatejo, Salvaterra de Magos, Benavente, Vila Franca de Xira e Alverca onde pernoitará e no dia 25 segue até à Praça de Londres em Lisboa onde pretende chegar às 10h00.

Eduardo já garantiu um colchão e uma cama articulada para passar a noite em Almeirim e Alverca.

Fonte: Almeirinense

Tetraplégico vai fazer 180 km em cadeira de rodas pelos direitos dos deficientes

“Imagina-te na cama. O sol já te acordou e são horas de levantar. Esperas. Já cá deviam estar para te
tirarem da cama, levarem-te para o banho, lavarem-te os dentes, pentearem-te. Imagina que estavas à espera. Na cama. Que ninguém chegava. E que não conseguias levantar-te. Nem tomar banho. Nem lavar os dentes. Nem penteares-te. O corpo é um peso. Era fodido, não era? Há quem viva assim. Todos os dias. Todos os anos”.

Este é o testemunho, cru e duro, de Eduardo Jorge, um tetraplégico que vive em Concavada, no concelho de Abrantes, e que luta para que o Estado permita que, não só ele como todos os que se encontram na sua situação, tenham direito a um “cuidador” no domicílio ou a serem acolhidos num lar residencial. Para tentar chamar a atenção para esta questão, Eduardo Jorge vai fazer uma viagem de 180 quilómetros em cadeira de rodas, entre Concavada e o Ministério da Solidariedade Social em Lisboa, com partida no dia 23 de Setembro, às 7 horas da manhã, sempre pela Estrada Macional 118.

A jornada conta com passagens pelo Pego (7h45), Rossio ao Sul do Tejo (8h15), Tramagal (9h00), Santa Margarida da Coutada (10h15), Arripiado (11h45), Carregueira (13h00), Chamusca (15h00), Vale de Cavalos (16h00), Alpiarça (16h45) e Almeirim (17h30), onde vai pernoitar em vigília à frente do edifício da câmara municipal.

No dia 24 de Setembro, a saída é às 8h00 de Almeirim pela Estrada Nacional 118, passando por Benfica do Ribatejo (9h15), Casa Cadaval (10h00), Salvaterra de Magos (11h30), Benavente (12h15), Samora Correia/Porto Alto (13h30), Vila Franca de Xira (14h45), Alhandra (15h15), Sobralinho (15h45) e Alverca do Ribatejo (16h00), onde vai pernoitar na Praça de São Pedro.

No dia 25 parte às 5 horas da manhã de Alverca do Ribatejo, passando pelo Forte da Casa (7h30), Póvoa de Santa Iria (7h45) e por último Praça de Londres, onde prevê chegar pelas 10h00. Nas noites em que vai fazer a vigília, Eduardo agradece se alguém lhe disponibilizar um quintal, junto a uma torneira, que lhe permita tomar um banho de mangueira.

“É muito triste verificar que as nossas oportunidades são nulas. Temos que exigir mecanismos sociais
correctores das desigualdades cada vez mais acentuadas e herdadas”, refere Eduardo Jorge que já protagonizou, em 2013, com o apoio do Movimento (d) Eficientes Indignados, uma greve de fome em frente à Assembleia da República, cuja finalidade era dizer “basta à institucionalização compulsiva por parte do Estado, das pessoas com deficiência em lares de idosos, como única alternativa de vida”.

O protesto terminou após as promessas de revisão da legislação mas, como nada mudou, Eduardo Jorge vai voltar à luta, desta feita na estrada para conseguir algo muito simples: uma vida digna.

Fonte: O Mirante

Eu: O texto do 1º parágrafo não é da minha autoria, mas sim do amigo Jorge Falcato, e não luto pela institucionalização com referem no 2º parágrafo, mas  sim como escrevem no penúltimo (...)  “basta à institucionalização compulsiva por parte do Estado, das pessoas com deficiência em lares de idosos, como única alternativa de vida”.

Vereadores e cidadãos lisboetas desafiados a andar de cadeira de rodas em ruas da cidade

Os vereadores dos Direitos Sociais e das Obras da Câmara de Lisboa e alguns munícipes experimentaram hoje as dificuldades de quem anda de cadeira de rodas, no âmbito de uma ação de sensibilização para os perigos da calçada.

A iniciativa, intitulada "Piso (Con)vida" foi organizada por várias associações como os (d)Eficientes Indignados, a Associação Portuguesa de Deficientes , a Associação dos Deficientes das Forças Armadas, pelo blogue Lisboa (in)Acessível e por vários cidadãos, no âmbito da Semana Europeia da Mobilidade.

O vereador João Afonso, dos Direitos Sociais, foi o primeiro a aceitar o desafio.

"Nunca pensei que fosse tão difícil", admitiu o autarca, referindo que as principais dificuldades foram os ressaltos encontrados quando se sai e entra no passeio e as inclinações da via e do passeio.

A ação decorreu na esquina da Avenida Elias Garcia, com a Avenida 5 de Outubro, numa zona onde há cerca de um ano a câmara implementou um piso com blocos de cimento, um piso tátil para invisuais (indica a direção) e um piso tátil picotado (sinaliza a aproximação à passadeira).

O autarca com o pelouro das Obras, Jorge Máximo, reconheceu, por seu turno, que "apenas a ausência de duas pedras da calçada era o suficiente" para cair.

Miguel Teixeira, José Cruz e Filipa Marques iam a passar quando lhes propuseram que experimentassem andar de cadeira de rodas.

"Isto é perigosíssimo", salientou Miguel após as primeiras voltas de cadeira de rodas.

Já José afirmou que "controlar a máquina foi mais complicado do que pensava". Sendo pai, o jovem também já se tinha confrontado com dificuldades na calçada quando anda com o carrinho de bebé.

Filipa disse que na calçada, em comparação com o piso de cimento, a cadeira "treme mais" e sente-se mais as "irregularidades do piso".

Estas dificuldades são sentidas diariamente por Diogo Martins, do movimento (d)Eficientes Indignados.

O responsável referiu ainda que a calçada portuguesa provoca "um desagaste acentuado" nas cadeiras, e agrava as "doenças relacionadas com a parte muscular, devido ao esforço que têm de fazer".

O coordenador do Plano de Acessibilidade Pedonal da Câmara de Lisboa, Pedro Homem Gouveia, indicou que das ações previstas para o primeiro ano, a autarquia já está a avançar com 43.

Segundo o autor do documento, a câmara está ainda "a definir quais são os pisos alternativos [à calçada] para ir havendo uma substituição progressiva nas zonas onde ela é mais necessária".

Mas para isso, defendeu que as entidades privadas, como as operadoras de subsolo, devem participar no financiamento.

Os pisos alternativos, semelhantes àquele existem na 5 de Outubro, já estão a ser colocados na Avenida de Roma (entre o Areeiro e Alvalade), e nas freguesias de Penha de França e Benfica, apontou o vereador João Afonso.

Deverá seguir-se a Avenida da República, com uma empreitada entre Entrecampos e o Marquês de Pombal, mas apenas num lado da avenida, custeada pelo Orçamento Participativo deste ano.

Fonte: Porto Canal

quarta-feira, 17 de Setembro de 2014

Transferência da cadeira de rodas para a cama através da grua Handi-Move

Para aqueles leitores que muito me têm pedido informações sobre a minha utilização da grua de transferência Handi-Move...



Mais informação sobre a grua AQUI

Com o apoio da Euridice e Vitória Varela

Falta de turismo acessível na Europa leva à perda de milhões de euros

O Dorotheum em Viena na Áustria, apesar de sua enorme escada para a entrada principal, possui um
acesso através de elevadores.

Uma nova pesquisa da Universidade de Surrey e encomendado pela Comissão Europeia, revelou que o setor do turismo europeu está perdendo 142 mil milhões de euros todos os anos devido à infraestrutura deficiente, serviços e atitudes em relação a viajantes com necessidades especiais de acesso.

Segundo a pesquisa, os viajantes na UE que necessitaram de acesso especial, seja por meio de deficiência ou idade, realizaram 783 milhões de viagens na região em 2012, contribuindo com 394 bilhões de euros e 8,7 milhões de postos de trabalho para a economia europeia. O Reino Unido foi um dos três maiores contribuintes, gerando mais de 86 milhões de euros e 1,7 milhões de postos de trabalho para o mercado - 20% do total da UE.

No entanto, os pesquisadores acreditam que, se os destinos europeus forem totalmente acessíveis, essa demanda pode aumentar até 44% ao ano, o que resultaria em um adicional de 142 bilhões de euros no PIB e 3,4 milhões de postos de trabalho para a economia europeia.

Após a investigação, a Comissão Europeia identificou sete principais recomendações para melhorar a acessibilidade no setor, incluindo:

1. Acessibilidade e Design para Todos devem ser uma característica integradora de planejamento a longo prazo de destinos e investimentos em modernização de infraestruturas
2 A indústria precisa melhorar seus esforços de coordenação, particularmente através de parcerias público-privadas e redes de relacionamentos profissionais em nos níveis regionais locais e europeus;
3. Todos os membros do pessoal de um prestador de serviços precisa adquirir uma sólida base de conhecimento sobre acessibilidade através de uma boa gestão do conhecimento e formação regular.

"Esta é uma oportunidade de ouro para o setor de viagens europeias.", Disse o professor Graham Miller, da Universidade de Surrey.

"A preocupação de muitas empresas de pequeno e médio porte tem sido recuperar o custo de adaptação para as necessidades especiais de acesso. Esta pesquisa mostra que esse custo não será apenas recuperado, mas irá resultar em crescimento do mercado. No longo prazo, o compromisso é exigido, tanto do setor público e privado. No entanto, mesmo pequenas mudanças, enquanto isso, irão colher recompensas enormes. "

"Não só essas recomendações fazem um caso de negócio válido, mas ter acesso completo às atividades turísticas, serviços e instalações são um direito consagrado no artigo 9 da Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. É imperativo que todos os países europeus demonstrem compromisso com a promulgação de mudança. "

Antonella Correra, diretora de política da Comissão Europeia, Empresas e Indústria comentou: "Esta é a pesquisa mais abrangente sobre Turismo Acessível realizado até agora na Europa. A análise paralela da demografia, padrões comportamentais e da contribuição econômica demonstram muito claramente que a acessibilidade é a nova fronteira para o setor do turismo da UE. Longe de ser um setor de nicho, o turismo acessível é uma grande oportunidade de mercado. A pesquisa fornece evidências claras de que os serviços de turismo acessível também são ótimos serviços, que aumentam a visibilidade e a reputação dos destinos turísticos, e dão uma vantagem competitiva para os operadores. "

A pesquisa publicada dentro do relatório da Comissão Europeia Economic impact and travel patterns of Accessible Tourism in Europe (Impacto econômico e padrões de viagens do turismo acessível na Europa) é o primeiro de seu tipo a estudar o impacto econômico do turismo acessível na Europa.

O estudo avaliou as disposições especiais de acesso para turistas com deficiência, com idade entre 15 e 64 anos e idosos acima de 65 anos em 27 países europeus. Ele avaliou a qualidade dos serviços, infraestruturas e atitudes públicas e privadas.

Fonte: Turismo Adaptado

ANACED abre inscrições para a oficina teatral de formação

A ANACED vai organizar nos próximos dias 13, 14 e 15 de Outubro a OFICINA TEATRAL DE FORMAÇÃO, da ideia ao objecto – A Identidade, ministrada pelo formador Marco Paiva, com o objectivo de fornecer ferramentas e metodologias artísticas, que potenciem o universo criativo e permitam um crescimento qualitativo das propostas e da intervenção junto de grupos de pessoas com deficiência.

A Oficina terá lugar no Café-Teatro do Centro Cultural da Malaposta, Rua Angola, Olival Basto (Metropolitano: Estação Sr. Roubado, Linha Amarela).

Destinatários: Técnicos de ensino especial, professores ou outros técnicos que desenvolvam ou tenham interesse em vir a desenvolver projectos de índole teatral junto de grupos de pessoas com deficiência.

Os interessados em participar nesta OFICINA devem inscrever-se até ao dia 6 de Outubro.

As inscrições devem ser efectuadas por e-mail, mediante o preenchimento e envio da Ficha de Inscrição em anexo para anaced@net.sapo.pt.

As inscrições são aceites até se atingir o número limite de vagas.

O valor da inscrição (€ 20) assume a forma de donativo, pelo que cada participante receberá um recibo de donativo, ao abrigo da Lei do Mecenato, para efeitos de dedução fiscal.

Informações detalhadas e Programa em anexo.

Na expectativa da sua participação, apresentamos os nossos melhores cumprimentos,

A Direcção da ANACED

Governo prepara II Estratégia Nacional para a Deficiência

O Governo vai elaborar a II Estratégia Nacional para a Deficiência, para o período 2014-2020, segundo a proposta do executivo das Grandes Opções do Plano (GOP), enviada aos parceiros sociais.

No anteprojeto das GOP do Governo, e a que a Lusa teve acesso, pode ler-se que é intenção do executivo de Passos Coelho avançar para a "elaboração de uma II Estratégia Nacional para a Deficiência (2014-2020) ".

Essa estratégia será "ajustada quer às realidades e contexto nacional, quer ao cumprimento das obrigações previstas na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência".

Ainda no que diz respeito às pessoas com deficiência, é igualmente intenção do Governo alargar a rede de Serviços de Informação e Mediação para as Pessoas com Deficiência (SIM-PD), instalada nas autarquias locais, com vista a informar e encaminhar de forma mais próxima as pessoas com deficiência ou as suas famílias.

Na matéria de Solidariedade e Segurança Social, o Governo "antecipa a possibilidade de prolongar a vigência" do Programa de Emergência Social (PES), iniciado em outubro de 2011, "com os devidos ajustamentos em função das necessidades e da evolução da situação económica e social".

Segundo o que está definido no documento, poderá haver necessidade de prolongar no tempo algumas das medidas do PES, que deveria vigorar até dezembro de 2014, não estando especificado quais as medidas em concreto.

Fonte: Porto Canal

Eu: Pois...termina-se o prazo de uma ENDEF, praticamente nenhuma medida foi cumprida, inicia-se outra.

Quinze mil crianças com necessidades educativas especiais estão sem aulas

Quinze mil crianças com necessidades educativas especiais estão sem aulas ou acompanhamento adequado. São alunos autistas, com défice de atenção ou mobilidade reduzida que não têm apoio psicológico ou terapêutico. Só no agrupamento escolar da Quinta do Conde em Sesimbra há 99 destes alunos impedidos de começar o ano lectivo.

Veja a reportagem em video AQUI.

A vitória do coitadinho

Senhoras e senhores, não estou aqui com a pretensão de motivá-los, de transformá-los em pessoas
produtivas, de dar a vocês informações ou razões que poderiam levá-los às gargalhadas. Não estou aqui para fazê-los rir.

O que eu quero é arrancar de vocês um momento de reflexão. Ou vários momentos. Reflexão sobre as suas deficiências.

Acredite, você é uma pessoa com deficiências. No plural, ‘deficiênciassss’, porque, certamente, há mais de uma.

Antes da reflexão, o entendimento.

Quando surge a palavra ‘deficiência’, muitos olham para o próprio corpo, procurando algum defeito. ‘Do que esse sujeito tá falando?’.

E há sempre alguém ofendido, porque deficiência é coisa de gente que usa cadeira de rodas, não escuta, não enxerga, coisa de “doente mental”, “retardado”, “aleijado”.

No fundo, são apenas palavras.

Existem algumas palavras que elevam o sujeito: positividade, perseverança, motivação.

Quando a pessoa consegue alcançar vitórias consideradas, por alguns, impossíveis, ele vai direto ao posto de ‘herói’ e a palavra do momento é ‘superação’.

Clique aqui para assistir o vídeo inserido.

Eis nosso primeiro momento de reflexão. Sobre a superação.

Houve uma vitória, uma conquista. E se isso foi possível, certamente, é fruto de treinamento, estudo, disciplina, educação, dedicação, perseverança, equilíbrio, força e concentração.

É muito comum atribuir à pessoa que se torna vencedora, em qualquer segmento, um status de ‘guerreira’.

E você vê na TV ou lê em jornais e revistas que essa pessoa ‘superou os próprios limites’.

E quando o vitorioso é uma pessoa com deficiência, usa-se essa característica para afirmar que o sujeito venceu a deficiência, ‘porque é guerreiro’ e ele vira uma inspiração, um exemplo.

O problema não está na apresentação dessa pessoa como exemplo, porque ela é exatamente isso. E a vitória foi conquistada porque houve, novamente, treinamento, estudo, disciplina, educação, dedicação, perseverança, equilíbrio, força e concentração.

O equívoco é criar essa relação direta entre a vitória e a deficiência. ‘Fulano superou a perda de uma perna e, por isso, ganhou a medalha de ouro’.

Claro que não!!!

O sujeito ganhou a medalha de ouro porque tem as qualidades necessárias para essa conquista. Já nasceu assim. E o tempo que demorou para descobrir a força que tem, ou as circunstâncias que provocaram essa descoberta, são detalhes muito particulares.

Há gente vai torcer o nariz, fica indignado, e dizer que estou minimizando ou diminuindo a importância da deficiência. Quando surge essa revolta, cabe uma pergunta: importância da deficiência?.

Por que uma deficiência tem importância?

Por que é necessário viver em função de uma deficiência?

Por que uma pessoa com deficiência é a ‘coitadinha’ que superou, seja lá o que for, para ser vencedora?

Clique aqui para assistir o vídeo inserido.

Eis o segundo momento de reflexão. Sobre o coitadinho.

Existe um atraso enorme nesta filosofia, porque coloca a pessoa com deficiência em uma ‘categoria’ diferente de pessoa. Há uma tendência para a piedade. E ninguém quer a piedade alheia.

Precisamos ultrapassar as barreiras criadas pela falta de conhecimento. Muito do que se imagina sobre a rotina de uma pessoa com deficiência é equivocado, porque essas avaliações têm base em suposições. Porque são normalmente feitas por quem não sabe nada sobre esse universo. E, com essas avaliações equivocadas, surgem opiniões e decisões, igualmente equivocadas.

Deficiências existem de diversas formas. Temporárias ou permanentes, não são exclusividade de determinado grupo social, não têm maior ou menor incidência por causa de condições financeiras, não se concentram em alguma etnia. Deficiências fazem parte da condição humana e, desta forma, devem ser encaradas como características do indivíduo. E nunca, jamais, devem ser fatores determinantes para colocar esse indivíduo em posição superior ou inferior.

A melhor forma de modificar essas avaliações é pensar em cenários universais. Em ações, construções, leis, fiscalizações, oportunidades, acessos, linguagens, informações, e tudo mais criado a partir de um pensamento no qual todas pessoas têm a mesma possibilidade, onde as características individuais não se tornam obstáculos. Devemos pensar que tudo deve ser criado para todos.

Clique aqui para assistir o vídeo inserido.

Eis o terceiro momento de reflexão. Sobre como você vive em função das suas deficiências.

Se há uma relação direta entre a deficiência e a ausência de algo, de um membro, de um sentido, da capacidade de fazer um movimento, de cognições que impedem o pleno desenvolvimento intelectual, então, existem muitas ‘pessoas com deficiência’ que, na verdade, não são pessoas com deficiência, porque são capazes de ações que outros, sem deficiências, não são (em teoria).

Precisamos reavaliar constantemente o que realmente significa ‘ter uma deficiência’ e, a partir dessa nova avaliação, mudar a forma como convivemos com as deficiências e, assim, deixar de viver em função disso. Principalmente porque a ausência de um membro, de um sentido, da capacidade de fazer um movimento, de cognições que impedem o pleno desenvolvimento intelectual, não são, e jamais devem ser, fatores determinantes na evolução do indivíduo.

Após todas essas palavras, considerações e reflexões, lanço a você um desafio. Pense em pessoas e na capacidade individual de vencer os limites impostos pela natureza ou pelas circustâncias.

Clique aqui para assistir o vídeo inserido.

Fernando Fernandes é atleta da paracanoagem. Diz ter encontrado na modalidade – na qual é campeão brasileiro, sul-americano e mundial – uma mistura de liberdade e redescoberta da capacidade. Foi jogador de futebol profissional, praticou boxe amador e já trabalhou como modelo, além de frequentar a faculdade de Educação Física. “É a cabeça que determina o ritmo de uma pessoa com deficiência, não é o corpo. O que define isso é a vontade. A deficiência, a dificuldade e a limitação são apenas obstáculos a serem vencidos”.

terça-feira, 16 de Setembro de 2014

Um homem da minha vida: Uma homenagem que não esquecerei

Esta newsletter hoje é especial e diferente. É que nem só de coisas bonitas a vida é feita. Se bem que aquilo de que vou falar, apesar de não parecer, é linda !

Começo por contar-te algo muito pessoal.
O meu Pai foi sempre o meu herói. Só com ele andei de montanha-russa porque era o meu herói. Eu sabia que com ele estava sempre segura.
Durante uns anos, esqueci-me disso e pouco antes de ele morrer, na sua luta contra um cancro, voltei a lembrar-me de como ele é meu herói. Mesmo não tendo ganho aquela luta, será sempre. Porque os heróis não o são pelos resultados, mas pelo exemplo de força e perseverança.

Há 3 anos conheci um outro homem que, além do meu pai, foi a única pessoa que mereceu esse lugar especial de herói no meu coração. Um herói de carne e osso, como poderemos ser todos se quisermos.

Peço-te que leias até ao fim, mesmo que te custe ou que não te interesses muito... Se o fizeres talvez aprendas com esta vida exemplar aquilo que eu tenho aprendido.

Conheci-o há 3 anos quando ambos começámos a licenciatura.
Este homem tem a força do guerreiro e é abençoado por uma vontade inabalável de deixar este mundo melhor que nos (co)move. Chama-se Eduardo Jorge.
Ficou tetraplégico com 90% de incapacidade há mais de 20 anos num acidente de trabalho/viação. Vive sozinho porque, não poder andar ou fazer a maior parte das coisas que para nós são naturais,não o impede de ter um espírito livre e de querer manter a sua independência.
Talvez já tenhas ouvido falar dele.

Entre outras iniciativas de luta pelos direitos mais básicos das pessoas com deficiência a que mais que se destacou foi ele ter feito uma greve de fome e pernoitando à porta da Assembleia da República.ver coluna à esquerda com alguns exemplos...
 

Parece que ficava mal deficientes dormirem à frente daquela instituição e o Secretário de Estado prometeu que iam fazer diversas mudanças. Passou um ano e pouco ou nada foi feito.

Vou contar-te o que é que aconteceu ao Eduardo neste ano que passou. Deixou de ter a pessoa que o ajudava, passou semanas terríveis sem apoio apropriado, a sentir-se fragilizado e sem saída, porque os apoios existentes são insuficientes e muitas vezes desadequados á realidade destas pessoas...
Continuou, mesmo assim, a trabalhar. Com o apoio de colegas da faculdade, conseguiu reorganizar-se e arranjar outra pessoa que, não sendo técnica, o ajuda o melhor que sabe e pode. De realçar que ter cuidadores preparados é essencial já que para um tetraplégico cuidados mal executados criam rapidamente graves problemas de saúde.

Agora vou-te contar uma fracção do que o Eduardo Jorge conseguiu fazer neste ano que passou, enquanto o Estado nada cumpriu.
Ele continuou os seus estudos, nunca faltou a uma prova mesmo depois de ter sido medicamente assistido durante a noite toda . Nunca deixou uma cadeira para trás.
Continuou o seu trabalho a tempo inteiro que tem impacto social e que faz a diferença na freguesia onde mora. Fez o seu estágio curricular e está a semanas de terminar a licenciatura.
Continuou a sua intervenção e luta pelos direitos dos deficientes.

Perante um homem com esta força eu, que sempre me senti guerreira, sou uma mera aprendiz.

O Eduardo Jorge é apenas o rosto de uma causa que nos deveria mover a todos. Ele não luta apenas por ele, mas por milhares de pessoas que se vêem privadas de direitos básicos muito simples.... Coisas que tu e eu temos como adquiridas.
Não pretendem mais regalias, mas sim benefícios que as coloquem em igualdade com os restantes cidadãos.

O Estado não defende o direito destes cidadãos... E por isso o Eduardo vai começar (curiosamente na Semana da Mobilidade) mais uma iniciativa...
 
180 KM - Concavada a Lisboa em cadeira de rodas pelo direito a uma Vida Independente
23, 24 e 25 de Setembro 

Um iniciativa arriscada para qualquer um dadas as condições que as estradas oferecem aos peões, às noites que dormirá ao relento e às consequências para a sua saúde por estar demasiadas horas sentado na cadeira de rodas.

Mas nada o demove (e acredita que tentámos). Ele tem uma missão e recusa-se a viver e a ser menos do que aquilo que merece!

Se leste até aqui, não preciso de te explicar porque é que este homem me toca, porque é que ele merece esta newsletter especial.
Se queres apoiarvê na coluna à esquerda como fazê-lo.

Se leste até aqui, acredito que não serás indiferente e que farás o melhor que puderes para apoiar este CIDADÃO EXTRAORDINÁRIO!

Grata por tudo o que escolheres fazer para o apoiar.


Cláudia Félix Rodrigues
www.1000caminhos.com

MARCAÇÕES:  93 533 4087 /  info@1000caminhos.com
 

segunda-feira, 15 de Setembro de 2014

180 kms em cadeira de rodas pelo NÃO à institucionalização compulsiva


PELA DIREITO A UMA VIDA INDEPENDENTE. PRECISAMOS DE TODOS.

Valores pagos pelo Estado às instituições para nos tirar do nosso ambiente familiar:

- Lares residenciais: € 951,53 acrescido da nossa coparticipação que pode atingir os 85% dos nossos rendimentos, fora extras como fraldas, medicação, etc;
- Centro de Atividades Ocupacionais: € 482,45 mais 40% dos nossos rendimentos;
- Famílias de Acolhimento: € 672,22 mais uma percentagem dos nossos rendimentos.
... mas nossa família se cuidar de nós recebe máximo de € 177,79

PAGAM TANTO PARA NOS INSTITUCIONALIZAREM

Fonte: Movimento (d)Eficientes Indignados

Solidários com o meu protesto de 180 kms em cadeira de rodas pelo direito a uma Vida Independente

Sobre a minha viagem de protesto: http://tetraplegicos.blogspot.pt/2014/08/concavada-lisboa-em-cadeira-de-rodas.html Tenho que partilhar convosco dois dos vários emails de incentivo que recebi, e que me tocaram de uma maneira muito especial. É nestes gestos que vou buscar muita da força que neste momento necessito.

1º enviado por Mário Relvas, pai de um filho autista:

Bom dia,

Está a chover em Braga. O céu está escuro e troveja.  Renovam-se as estações do ano. Os dias começarão a diminuir e a noite chegará mais cedo.  É o Outono que está à porta e nos recorda que a viagem do tempo prossegue inexoravelmente.

O silêncio reina pela manhã. Muitos bracarenses passaram a noite em branco. A cidade, neste domingo cinzentão, começará a retomar a sua normalidade lá mais para a hora do almoço.

Muitos outros ao longo do resto do país não resistiram à febre de sábado à noite e também passaram a noite em branco.

É bom que as pessoas se divirtam, de quando em vez, para espairecer. Com tino.

Mas não podemos esquecer a realidade dos diferentes e de quem com eles vive em dedicação. E dos que vivem sem grande apoios e buscam apenas um pouco de conforto e ânimo.

Há casos que não se entendem: "trataram-me pior que um cão". Este é um velho caso e alerto para as subempreitadas: 200 mil casas têm TV pirata - a EDP está a acabar com elas formando técnicos próprios com formação geral e específica e devidamente credenciados para poderem atuar no terreno. Este eu também entendo: Vítor Bento confirma saída do Novo Banco - há que vender o que resta do banco o mais rápido possível. E também entendo o motivo porque asFinanças atacam criadores de cães - há por aí gente a ganhar muito dinheirinho com o negócio dos animais de estimação sem declararem um cêntimo ao fisco.

Mas o principal motivo porque escrevo este correio é para que nos lembremos do Eduardo Jorge e de tantos como ele que gostariam apenas de ser um pouco mais confortados na sua vida diária.

Quanto a nós, cá em casa: vamos passar mais um domingo em volta do Bruno e do seu autismo - cansativo por hiperativíssimo, mas honestíssimo porque desconhece o oportunismo e as falcatruas da vida.

E vou para a cozinha desforrar-me na feitura de umas favas estufadas com frango que leva uns condimentos especiais a que não poderia faltar um pouco do meu molho especial de piripiri. O seu principal ingrediente já nasce aqui na varanda - ver foto em anexo.

Deixo-vos um texto e o endereço de correio eletrónico do Eduardo Jorge para o caso de o querem contatar: tetraplegicos@gmail.com

Cumprimentos e bom domingo.


2º email é da autoria do Tó Silva (tetraplégico), que fez o favor de o enviar para todos os grupos parlamentares:

Aos representantes do ...

Exmos. Senhores

Escrevo-vos na condição de deficiente motor, tetraplégico, dependente de terceiros
Tendo em consideração que o vosso partido se preocupa com causas sociais, venho pela presente informá-los e também pedir um pouco de atenção e ajuda para uma causa que vem sendo desconsiderada há muito tempo.
De 23 a 25 de Setembro, um colega tetraplégico, fará uma viagem de cadeira de rodas desde a Concavada (Abrantes) até Lisboa, com o intuito de chamar a atenção para o direito que uma pessoa com deficiência motora tem de ter uma vida independente.

Já no ano passado este senhor, Eduardo Jorge, propôs-se fazer uma greve de fome em frente à Assembleia da República, sendo na altura abordado pelo Secretário de Estado da Solidariedade e da Segurança Social, Agostinho Branquinho , que o demoveu da referida greve de fome, com a promessa de que iriam ser desenvolvidos meios de auxílio. Mentira. Até hoje nada foi feito. Portanto, apelo, junto do vosso partido com toda a estima que ele merece, para que apoiem esta causa e se informem da situação.

O Eduardo Jorge tem a coragem de levar a cabo esta façanha que pode ser perigosa para a sua própria saúde. No entanto, ele representa um grande numero de pessoas que estão dependentes de terceiros e, como tal, não têm independência para fazer uma vida normal, nem meios para conseguirem expor os seus problemas. No fundo, é como se fossem obrigadas a cumprir uma pena pelo crime de serem deficientes motores, simplesmente porque não têm quem as auxilie. São um grupo de pessoas sem voz, mas com problemas reais e com um pedido simples: ter quem as auxilie no dia-a-dia.

Neste momento tenho quem cuide de mim, uma MÃE espectacular e lutadora que tudo faz para que eu tenha o mínimo de qualidade de vida, estudasse e trabalhe (e tantas vezes à custa da sua própria qualidade de vida). Pergunto-me: qual é o agradecimento que tem por isso?
Considero-me uma pessoa inteligente, com iniciativa e trabalhadora. Sim, porque estudei, tenho emprego e participo em actividades de âmbito social. Isto tudo graças à minha mãe, que se certifica que tenho independência para o fazer. Veste-me, lava-me, cuida da minha higiene, alimenta-me, levanta-me e deita-me; mais umas quantas coisas que necessito.

Interrogo-me frequentemente, se quando a minha mãe não conseguir cuidar de mim, terei de abdicar da minha vida actual?
Neste momento a resposta é sim. Deixaria de ser uma pessoa participativa na sociedade, para ficar confinado a um lar, porque o Estado não me concede a hipótese de ter um cuidador. É triste e frustrante, pois tenho muito a contribuir para a comunidade.

 Por vezes fico triste quando vejo na televisão programas que transmitem pessoas com deficiência, dependentes, felizes e contentes porque têm por trás uma independência financeira que lhes permite ter um certo conforto e independência. Isso não corresponde à realidade. Trata-se apenas de uma pequena percentagem.
Tal como eu existem inúmeros casos parecidos, sem independência, mas com o direito de a ter. Coisa que não acontece.

Fazer uma viagem como esta, de cadeira de rodas, pode parecer algo simples para quem é leigo no assunto. No entanto, isso acarreta vários problemas físicos, desde o simples facto de poder ser atropelado, pois a maior parte das estradas não têm passeios acessíveis; ao poder ganhar uma ulcera de pressão; até poder ganhar uma tendinite por dirigir tanto tempo; isto e muitos mais factores perigosos.

Portanto esta iniciativa não é apenas um acontecimento "bonito", mas uma chamada de atenção para este drama, que o Eduardo Jorge defende, por ele, e principalmente por todos que não se podem manifestar, mesmo colocando em risco a saúde.

Por isso, mais uma vez reitero a minha consideração pelo vosso partido e peço que apoiem esta iniciativa, informando-se sobre esta luta por uma vida independente e contribuindo para que sejam criados meios de apoio.
Peço que enviem alguém para falar com o Eduardo Jorge, que certamente lhes explica todos os porquês desta revindicação. 

Podem seguir o blog dele em: tetraplegicos.blogspot.com 

Certo que este mail e toda esta causa, terão a melhor das considerações da vossa parte.
Subscrevo-me com estima e consideração.

Eu: Através destes dois exemplos de emails deixo um obrigado muito especial a todos os que me têm contatado a solidarizar-se com a minha ação.  Professor António Carraço, a sua carta emocionou-me.

Eduardo Jorge 

sábado, 13 de Setembro de 2014

180 kms em cadeira de rodas. Coragem, desespero ou revolta?

Friozinho na barriga...

Sobre a viagem de 180 kms em cadeira de rodas que iniciarei no próximo dia 23: http://tetraplegicos.blogspot.pt/2014/08/concavada-lisboa-em-cadeira-de-rodas.html uma leitora escreveu o seguinte: "É necessário ter muita coragem, desespero ou então muita revolta contra o sistema político para ter uma atitude destas. Que é muito digna pela parte deste tetraplégico..." Respondo: "São as três coisas, coragem, desespero e revolta".

Isto porque está a chegar a hora de me por à estrada. Em situações idênticas não sou de me por a pensar e preocupar como o que pode ou não dar errado. Avanço, e será o que tiver de ser. Mas depois de vários alertas para isto e aquilo, não é que senti um friozinho na barriga...A hora está a chegar, existe previsão de chuva para esses dias, e sempre são 180 kms que vou percorrer em cadeira de rodas, durante 3 dias, por estradas desconhecidas.

Um amigo pergunta: "tens quantos pneus e câmaras-de-ar subselentes?" Outro pergunta se nas perigosas curvas do Tramagal e sei lá mais onde, se era acompanhado por um veículo a avisar que circulava um veiculo lento. Claro que tento preparar as coisas de maneira a alcançar os objetivos propostos, mas nada mais que isso, pois a logística nunca é fácil, até porque neste caso estou praticamente sozinho a preparar tudo. Também já me perguntaram se levo uma caixa de ferramentas, se requisitei bombeiros. Há quem pergunte o que farei se chover, tiver frio de noite, outros se calor apertar, outros ainda como vou fazer para me alimentar, como carregar baterias da cadeira de rodas, etc.,

É claro que nem eu sei o que me espera, e se conseguirei ultrapassar obstáculos que venham a surgir! Nunca viajei mais que 4 kms num dia. Não faço ideia se a cadeira aguenta, existe o perigo de furarem os pneus, se meu organismo vai suportar o desgaste físico e mental, se terei perdas, algo mais grave...perigos...até porque todos sabemos como é cruzarmo-nos, ou ser ultrapassados por veículos pesados. Até parece que o vento nos vai derrubar.

Ano passado quando fui realizar a greve de fome, também fui alertado para eventuais perigos, mas nem sequer pensei neles, se o fizesse talvez nem avançasse, eu fui para a grave de fome convicto que tudo poderia acontecer, inclusive a morte. Desta vez irei com o mesmo espírito, preparado para tudo, e não vou mais uma vez parar para pensar. Única certeza que tenho, é que como vivo não é viver. Não quero esta vida para mim. Tenho direito a mais, quero mais, e enquanto tiver forças lutarei, desta, ou de outra maneira, mas lutarei sem medo, pois o direito a lutar esse ninguém me o pode tirar.

Como refere Merle Shain, só há duas maneiras de abordar a vida: Como vítima ou como um corajoso lutador. Temos que decidir se queremos agir ou reagir. Dar as cartas ou jogar com um baralho viciado. E, se não decidirmos como queremos jogar com a vida, ela joga sempre connosco.

A propósito, deixo-vos abaixo um texto do querido amigo Jorge Falcato, sobre o assunto que me leva a sair à rua:

IMAGINA-TE
Na cama.
O sol já te acordou e são horas de levantar.
Esperas.
Já cá deviam estar para te tirarem da cama, levarem-te para o banho, lavarem-te os dentes, pentearem-te.
Imagina que estavas à espera.
Na cama.
Que ninguém chegava.
E que não conseguias levantar-te. Nem tomar banho. Nem lavar os dentes. Nem penteares-te.
(O corpo é um peso)
Era fodido, não era?
Há quem viva assim. 
Todos os dias.
Todos os anos.

EU ACRESCENTO AO TEXTO: Isso quando temos alguém que nos possa abrir os estores para permitir a entrada do sol, e quem nos possa dar banho todos os dias. Já nem me lembro de ter esse privilégio de tomar banho dois dias seguidos. Banho debaixo do chuveiro, e não banho de gato na cama.

Eduardo Jorge

Urinóis portáteis para utilizadores de cadeira de rodas

Bolsa-urinol de viagem Travel John.
A "bolsa-urinol" de viagem Travel John é um urinol unisexo desenhado para qualquer ocasião. O material de dentro da bolsa absorve líquidos como urina, vómito etc. Esta bolsa-urinol pode usar-se tanto sentado como de pé.

Urinol portátil feminino.
Este urinol portátil feminino é uma solução prática para usuárias de cadeiras de rodas, pessoas com incontinência urinária, cistite crónica ou simplesmente para quando não há uma casa de banho por perto. O seu tamanho reduzido permite levá-lo dentro de qualquer bolsinha. O urinol pode ser usado tanto quando se está sentada como quando se está de pé.


Urinol portátil masculino.
Este urinol portátil masculino é uma solução prática para usuários de cadeiras de rodas, pessoas com incontinência urinária, cistites crónicas ou quando há necessidade de urinar e não existem casas de banho perto. O pequeno tamanho deste urinol permite levá-lo em qualquer bolsa. Requer o mínimo de intimidade dado o seu design reduzido.

Tradicionais.


Fonte e informação completa: Ortaid

Rendas. Pessoas com deficiência mais protegidos

O governo aprovou ontem alterações ao regime de arrendamento urbano e comercial, aumentando a
protecção aos inquilinos e a microempresas que estão integradas no período de transição, aplicado às rendas congeladas antes de 1995. O diploma aumenta também a protecção aos deficientes, uma vez que agora passam a estar cobertos os portadores de um nível de deficiência de 60% e não acima desta percentagem, como acontecia até agora.

Uma das principais mudanças passa pelo fim da obrigatoriedade da apresentação anual, por parte dos inquilinos, do rendimento anual bruto corrigido. Esta decisão passará a caber aos senhorios, o que desburocratiza o processo.

"Houve agora um ajustamento das regras aprovadas, mas mantendo-se o espírito da lei e introduzindo-se alguns aperfeiçoamentos que verificámos serem necessários. A liberalização das rendas traduziu-se por uma evolução extraordinária do mercado, com maior oferta e redução dos preços", disse o ministro do Ambiente no final do Conselho de Ministros que aprovou os três diplomas. "Mas houve a necessidade de introduzir alguns mecanismos de protecção relativamente ao comércio e melhoria de procedimentos no arrendamento habitacional."

Ao nível dos procedimentos, Moreira da Silva especificou que se prendem com a informação que deverá constar entre senhorios e arrendatários, de forma que sejam clarificadas as consequências da não resposta ou de determinada resposta em prejuízo do arrendatários.

No arrendamento não habitacional, o período transitório passou de cinco mais dois anos para cinco mais três para as entidades que já estavam abrangidas pelo regime de transição.

Ao mesmo tempo, alargou-se a protecção a outras entidades, como microempresas com dez trabalhadores e uma facturação até 2 milhões de euros anuais. O regime foi ainda estendido às instituições privadas de solidariedade social e a pessoas colectivas que desenvolvam actividades de interesse nacional, mesmo as que tenham mais de dez trabalhadores e fins lucrativos.

"Estas actividades envolvem maior risco de deslocalização e muitas vezes realizaram investimentos que é preciso amortizar", disse Jorge Moreira da Silva.

Outra alteração significativa. No âmbito do regime de obras, será alargado o leque para as benfeitorias já realizadas no sentido de aumentar o tipo de intervenções, que são importantes para o cálculo das indemnizações. Também as obras de conservação, que hoje são utilizadas pelos senhorios para avançarem com processos de despejo, passam a ter de ser sujeitas a um controlo prévio das autarquias.

Este último diploma foi ontem aprovado na generalidade e vai agora ser sujeito a consulta pública por parte da Associação de Municípios antes de voltar a Conselho de Ministros e dar entrada no parlamento, o que deverá acontecer até final do mês. O governo analisou ainda a legislação que quer aprovar até final do ano, a qual incide nos subsídios de renda a atribuir findo o regime de transição, em 2017.

Fonte: i

Cidadãos com mobilidade reduzida protestam contra acessibilidade na Ribeira das Naus, em Lisboa

O movimento (d)Eficientes Indignados organizou hoje uma ação de protesto contra a falta de um piso acessível para pessoas com cadeiras de rodas na recém construída Ribeira das Naus, em Lisboa.

Segundo um dos responsáveis pelo movimento, João Pessoa, a obra na Ribeira das Naus “não foi pensada para as pessoas com deficiência”, porque “o piso é incómodo para quem anda de cadeira de rodas” e causa danos nas cadeiras. A ação do (d)Eficientes Indignados, que teve como frase de protesto “Viver não é só respirar”, pretendeu alertar os responsáveis pela obra e a sociedade para a falta de acessibilidades para as pessoas com mobilidade reduzida na capital portuguesa.

“Lisboa não é uma cidade inclusiva, uma cidade inclusiva é para todos, mas isto [Ribeira das Naus] afinal não é para todos”, lamentou. João Pessoa, de 66 anos, nasceu com poliomielite, uma paralisia infantil que afeta a mobilidade física. Conformado com as dificuldades de acessibilidade existentes na cidade, defendeu que: “É impossível que nos dias de hoje se construam pisos, onde as pessoas com deficiência [mobilidade reduzida] não podem andar”.

Para o responsável do (d)Eficientes Indignados, as autarquias de todo o país preocupam-se em construir ciclovias para os ciclistas, “mas esqueceram-se que há pessoas que andam de cadeiras de rodas, que não podem andar num piso destes”, criticou. “A vibração que nós sentimos com a cadeira de rodas é uma vibração que nos incomoda de tal maneira […], que não temos prazer em andar aqui [Ribeira das Naus], isto foi construído para o prazer, para as pessoas poderem disfrutar das belezas da cidade”, lamentou.

A participar no protesto estava também Manuela Ralha, que sofreu um acidente de viação há dez anos e ficou paraplégica. Indignada, referiu que este tipo de pisos “continuam a excluir todas as pessoas com mobilidade reduzida”, acrescentando que afeta não só os cidadãos de cadeiras de rodas como pessoas de bengala, andarilhos, com carrinhos de bebés ou de patins. De acordo com esta cidadã, a calçada e este tipo de pisos “causam danos nas cadeiras de rodas”.

Carina Brandão e Madanela Brandão, ambas de 31 anos, são gémeas e nasceram portadoras de uma deficiência motora congénita, que afeta os membros superiores e inferiores. Habituadas a circular de cadeiras de rodas em Lisboa, deslocaram-se até ao protesto de hoje, defendendo que esta obra “não cumpre com o Plano de Acessibilidade Pedonal”, aprovado na Assembleia Municipal (AM) de Lisboa em fevereiro deste ano.

A Assembleia Municipal (AM) de Lisboa aprovou no dia 19 de fevereiro deste ano, o Plano de Acessibilidade Pedonal, que visa facilitar a mobilidade na capital eliminando barreiras arquitetónicas até 2017. “Tanto a calçada como o piso da Ribeira das Naus é um piso muito difícil, que provoca um grande incómodo no corpo, dores físicas e um grande cansaço”, descreveu Carina Brandão.

Como forma de sensibilizar quem passava pela Ribeira das Naus, o movimento disponibilizou duas cadeiras de rodas, desafiando as pessoas a comprovarem as dificuldades em circular num piso como este. Em relação à Semana Europeia da Mobilidade, que se comemora em Lisboa e em várias cidades europeias, entre os dias 16 e 22 de setembro, como tema "As nossas ruas, a nossa escolha", Manuela Ralha frisou que “as pessoas com deficiência de mobilidade são discriminadas”.

“Nós não temos escolha, as pessoas com mobilidade reduzida não têm escolha, continuam a ter passeios em calçada, lancis demasiado altos, pilaretes em ferro e mobiliário urbano disseminado no meio dos passeios”, reforçou. A intervenção na Ribeira das Naus começou há cerca de um ano, quando a Câmara de Lisboa inaugurou a primeira fase das obras na frente ribeirinha daquela avenida, entre o Terreiro do Paço e o Cais do Sodré, e que incluíram o avanço da margem sobre o rio, a criação de um pequeno espaço verde e de uma pequena praia.

Fonte: i

quinta-feira, 11 de Setembro de 2014

23, 24 e 25 de setembro: 180 kms em cadeira de rodas por uma Vida Independente

Minha nova coluna no Vida Mais Livre...
Entre o dia 23 e 25 do corrente mês, irei realizar 180 Km em cadeira de rodas, de protesto, pelo direito a uma Vida Independente. Mais detalhes aqui.

Segundo Adolf Ratzka, fundador e diretor do Instituto de Vida Independente, "Vida Independente é uma filosofia e um movimento depessoas com deficiência que trabalham para a autodeterminação, igualdade de oportunidades e respeito por si próprio. Vida Independente não significa que queiramos ser nós a fazer tudo e que não precisamos da ajuda de ninguém ou que queiramos viver isolados. Vida Independente quer dizer que exigimos as mesmas oportunidades e controle sobre o nosso dia-a-dia que os nossos irmãos, irmãs, vizinhos e amigos sem deficiência têm por garantidos. Nós queremos crescer no seio das nossas famílias, frequentar a escola do bairro, trabalhar em empregos adequados à nossa formação e interesses e constituir a nossa própria família.”

Visto sermos os melhores peritos nas nossas necessidades, precisamos mostrar as soluções que queremos, precisamos estar à frente das nossas vidas, pensar e falar por nós próprios - tal como qualquer outra pessoa. Com este fim em vista, nós temos de nos apoiar e aprender uns com os outros, organizarmo-nos e trabalharmos por mudanças políticas que conduzam a uma proteção legal dos nossos direitos humanos e cívicos. Nós somos pessoas profundamente comuns partilhando a mesma necessidade de se sentirem incluídas, reconhecidas e amadas.

- Enquanto encararmos as nossas incapacidades como tragédias, terão pena de nós.
- Enquanto sentirmos vergonha de quem somos, as nossas vidas serão vistas como inúteis.
- Enquanto ficarmos em silêncio, serão outras pessoas a dizer-nos o que fazer."

Todos sabemos que a maioria das pessoas com deficiência não pode viver sem assistência pessoal. Se não têm condições econômicas para contratarcuidador e ou familiares que lhe possam dar assistência, ficam fechados em casa, ou despejados em lares a viver em condições de vida infra-humanas, como por exemplo:

- A Maria da Luz que depois de um acidente que a deixou tetraplégica é obrigada a viver num lar de idosos e afastada do seu filho bebê, cuja maior dor é não poder acompanhar o seu crescimento, tê-lo nos seus braços e ter a possibilidade de o educar como a maioria das mães;

- Eu, Eduardo Jorge, fiquei com a bexiga inutilizada para sempre, por não ter um cuidador que me realizasse esvaziamentos da bexiga de 4 em 4 horas;

- O Nelson Mendes, totalmente dependente que é obrigado a passar todas as noites, fins-de-semana, e feriados, sozinho, num bairro problemático deLisboa porque só existe apoio domiciliário durante o dia, e dias úteis;

- O Cláudio Poiares que corre o risco de ser obrigado a abandonar a sua casa, e separar-se da sua mulher e filho, porque não consegue apoio domiciliário 7 dias por semana, e não tem condições monetárias para pagar cuidadores;

- O Carlos Pinto que depois da população da sua aldeia se ter unido, e lhe adaptado a sua casa, na aldeia onde vivia muito feliz, na companhia da sua mãe, foi obrigado a ser institucionalizado por motivos de doença da sua mãe já idosa, sua cuidadora;

- O Manuel Luis que foi obrigado a abandonar o seu lar, na aldeia, porque sua mãe e cuidadora faleceu, e, além disso, ainda é obrigado a coparticipar institucionalização num serviço de cuidados continuados, através da sua pequena reforma, ficando sem dinheiro para as despesas do seu dia-a-dia;

- Carol Soares, que lhe é recusado pelo Apoio Domiciliário, uma simples depilação, e maquiagem, por técnicas entenderem que têm muito mais que fazer, e invocarem que não é algo importante e útil;

- Célia Sousa, que foi obrigada a entregar o seu filho ainda bebê, e ir viver para um lar de idosos, porque não tinha condições financeiras pagar cuidador para ela, e bebê, com os € 197,55 que é o valor mensal da reforma social por invalidez;

- Muitas mães, e pais, que deixam sua carreira e vida em suspenso porque são obrigadas a abdicar de tudo em prol do seu filho. Ou isso, ou deixa-los partir para uma instituição onde passarão a ser somente números…

As estruturas sociais que existem são péssimas e inadequadas, e ainda por cima tem de se pagar, como é o caso dos lares, Apoio Domiciliário, CAOs, Cuidados Continuados e Programa de Famílias de Acolhimento. Em Portugal, só existem dois lares para receber pessoas com deficiência física, num só aceitam inscrições até aos 45 anos e tem sempre lotação esgotada, e o outro é destaque nos órgãos de comunicação social por denúncias de maus tratos, aos seus clientes.

Além de serem inadequados às nossas necessidades, conseguir uma vaga num lar comparticipado pelo Estado é quase impossível. A política vigente é pela institucionalização em instituições sem qualidade e inadequadas. O Estado, e o utente, gastam imenso dinheiro com programas, e em instituições inadequadas, quando o mesmo dinheiro poderia servir para assegurar a continuidade das pessoas em suas casas, e no seu ambiente familiar, com outra qualidade de vida e dignidade. Seriamos nós a gerir as nossas vidas.

Valores pagos pelo Estado às instituições para nos tirar do nosso ambiente familiar:
- Lares residenciais: € 951,53 acrescido da nossa coparticipação que pode atingir os 85% dos nossos rendimentos, fora extras como fraldas, medicação, etc;
- Centro de Atividades Ocupacionais: € 482,45 mais 40% dos nossos rendimentos;
- Famílias de Acolhimento: € 672,22 mais uma percentagem dos nossos rendimentos.

Chega-se ao cúmulo de pagarem a uma família de acolhimento, que pode ser a nossa vizinha, para nos receberem e tirarem das nossas casas, mas nossa família se cuidar de nós recebe máximo de € 177,79 que é o montante atribuído pelo Estado para 3ª pessoa, para já não referir que pensão social de invalidez é de €197,55 e suspensa caso nos casemos, pois como casal não poderemos usufruir valores superiores a € 251,53.

Fatos apresentados ao Estado o ano passado. Tudo ficou por simples promessas e nada foi feito. Razões mais que suficientes para eu voltar a sair à rua e gritar bem alto a minha revolta. Eu não quero, e nem posso viver num país onde me tratam assim.

Eduardo Jorge

Elbee: A deficiência no conceito de um carro para deficientes

A primeira pergunta que nos surge quando olhamos para o Elbee é: Porque é que os engenheiros checos tiveram tanto trabalho a criar uma porta na frente do carro, quando seria mais fácil, prático e económico ter uma porta atrás para o deficiente motor entrar com a cadeira de rodas? Continuamos à procura de resposta.

Talvez por isso, a empresa checa ainda anda à procura de parceiros para expandir o negócio na Europa, 4 anos depois de ter lançado o veículo.

Questão de conceito à parte, o diretor do projeto, Ladislav Brazdil, refere que a “fase final de desenvolvimento das diferentes características e dos elementos de segurança demorou 3 anos” e que o último ano foi passado a “afinar o carro para responder a todas as necessidades dos condutores em cadeira de rodas”.

Com menos de 2,5 metros de comprimento por 1,33 metros de largura, o Elbee pode ser estacionado perpendicularmente ao passeio, tal como um Smart. Pesa 400 kg, atinge os 80 km/h e os engenheiros precisaram de 10 anos para desenvolver esta solução pensada de base para os deficientes motores.

O primeiro cliente foi um idoso de Brno. Frantisek Trunda está “satisfeito” porque o carro lhe tem proporcionado uma “nova independência, liberdade. Há oito anos tinha de pedir” à mulher ou ao filho para o transportar a qualquer lado. Agora pode deslocar-se “sozinho”.

O Elbee está homologado para circular nas estradas checas desde 2010. O elevado preço, cerca de 15 mil euros, não será alheio à complicada solução de engenharia para que o acesso seja feito pela frente e não pela traseira do veículo, como acontece em modelos como o Kenguru.

Convite: Lisboa com tonalidades

Convidamos te a passar um fim de semana connosco entre as colinas e o mar salgado.
Para isso, trás na mochila muita energia, adrenalina, boa disposição e o fato de banho/toalha de banho!

Não queremos que fiques com água na boca, só no corpo…

Programa:

Dia 27 – Sábado
9h – Cais Sodré – Ponto de encontro
10h30 – Surf adaptado – Praia de Carcavelos
Almoço na praia
17h – Regresso a Lisboa
20h – Jantar

Dia 28 – Domingo
10h – Praça do Comercio – Ponto de encontro
10h 30m – Pegadas por Lisboa com história
13h – Almoço
16h – Peça teatro
18h – Lanche
19h – Encerramento

Reserve o seu lugar até dia 24 de Setembro

Mais informações: Gulliver

Enviado por Isa Barata

Colóquio Internacional: Violências na Sombra: crimes de ódio, sexualidade e deficiência

25 de setembro de 2014, 09h30, CES-Lisboa, Picoas Plaza, Rua do Viriato, 13, Lj. 117/118

Comparativamente à população em geral, as pessoas com deficiência apresentam um maior risco e incidência de vitimização de violência, com especial destaque para mulheres e pessoas com dificuldades de aprendizagem, em meio familiar e/ou institucional. No entanto, no contexto nacional, apesar do recente investimento em programas de prevenção da violência, regista-se uma ausência de investigação e intervenção no campo dos crimes de ódio. Acresce a inexistência de dados que permitam conhecer a acumulação de fatores de discriminação, condicionando uma análise interseccional da violência direcionada a pessoas com deficiência.

Num contexto em que o suporte social e a eficácia jurídica são ineficazes na proteção diária das pessoas com deficiência e conhecendo o impacto da violência sobre pessoas com deficiência a nível internacional, urge analisar o contexto português de forma a promover uma intervenção sociojurídica adequada.

Este colóquio internacional, organizado no âmbito do projeto “Intimidade e Deficiência: cidadania sexual e reprodutiva de mulheres com deficiência em Portugal”, procura assim trazer para o contexto português o debate sobre a maior exposição das pessoas com deficiência ao fenómeno da violência, refletir sobre as causas e soluções para este problema social e promover a partilha e o intercâmbio de saberes entre especialistas nacionais e internacionais.

Fonte: CES

Apoio a estudantes com Necessidades Educativas Especiais no Ensino Superior


O Grupo de Trabalho para o Apoio a Estudantes com Necessidades Educativas Especiais (NEE) no Ensino Superior (GTAEDES) foi formalmente constituído em 2004 com o intuito de disponibilizar serviços de apoio a estudantes com NEE, melhorando a qualidade dos serviços disponibilizados e apostando na aproximação inter-serviços de apoio, de forma a facilitar a troca de […]

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Convite - Acção Ribeira das Naus

Convidamos todos a estarem presentes no protesto marcado para dia 13 de setembro, na Ribeira das Naus, em Lisboa, pelas 15 horas, marcado pelo Movimento dos (d)Eficientes Indignados.
Junto anexamos o convite e as reivindicações apresentadas.
Este protesto deveria ser extensível a todas as cidades, vilas e aldeias do nosso país, porque infelizmente um dos maiores motivos de exclusão são as barreiras arquitectónicas e a escolha do tipo de material utilizado nos passeios, ruas e arruamentos.

Esperamos lá por vós.
Cumprimentos,
A Direção



Estimados,

Como será do vosso conhecimento, em Lisboa foi requalificada uma zona ribeirinha chamada Ribeira das Naus, esta área, importante para a cidade e transformada num enorme estaleiro de obras durante anos a fio, foi transformada numa área de lazer, com o principal foco nas pessoas, criando-lhes mais um espaço vocacionado para o lazer.

Infelizmente esta obra é só acessível a alguns, mais uma vez as pessoas com deficiência foram enganadas e o espaço não oferece condições de acessibilidade plena, impedindo-nos de usufruir do espaço como os restantes cidadãos. A Ribeira das Naus é apenas o expoente máximo daquilo que são as acessibilidades em Portugal, onde se perpetuam os erros, e onde existe a cultura constante de violar as leis, não queremos meramente resolver o problema da Ribeira das Naus, mas sim usar o caso da Ribeira das Naus como exemplo do que é feito por todo o país, queremos mostrar que estamos fartos de que nos prometam que iremos ter um país acessível e logo a seguir façam obras onde não são tidas em conta as necessidades de acessibilidade.

Por estes motivos estamos a avançar com uma acção tripartida, primeiro queremos enviar uma carta aberta ao Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, carta essa que gostaríamos que todos quanto possível a subscrevessem (a carta a enviar está em anexo). Alertamos que o texto da carta é de um dos membros da coordenação do movimento e que a forma como foi escrita é propositadamente irónica. Juntamente à carta irá um pedido ao Presidente da Câmara Municipal de Lisboa para que seja aberta uma investigação de forma a apurar todos os responsáveis pela obra.

A segunda parte da acção será na rua, iremos estar dia 13 de Setembro na Ribeira das Naus a informar as pessoas sobre os problemas do espaço e sobre o que representa para nós a falta de acessibilidades, estamos também a fazer todos os esforços possíveis para que possam estar presentes o Presidente da CML, o autor do projecto da Ribeira das Naus, e representantes da Ordem dos Arquitectos e da Associação dos Arquitectos Paisagistas. Nesta parte da acção gostaríamos de contar com o vosso apoio presencial, quantos mais formos mais força teremos.

A terceira parte da acção será a apresentação de queixas, queremos apresentar queixas contra a obra em si, sabemos que os processos se irão arrastar no tempo, e que muito provavelmente nem darão em nada concreto ou em penalizações contra quem projectou e autorizou a obra, mas queremos tornar o caso um exemplo de que não nos iremos resumir a cartas e a falar no Facebook, queremos que percebam que nós também pensamos, sabemos o que queremos e que temos acção, queremos que pensem que podemos causar problemas quando eles erram, e que com isso pensem duas vezes antes de cometer erros.

O nosso objectivo final é o de envergonhar quem criou o projecto, quem o viu e aprovou de forma negligente. Por fim, queremos que este protesto, a averiguação, e a exposição pública faça todos os outros arquitectos, projectistas e responsáveis pela aprovação das obras pensarem antes das obras serem feitas violando as leis.

Gostaríamos de contar com o vosso apoio nas 3 fases da nossa acção, quantos mais formos mais força teremos para mostrar que estamos cansados de ser enganados e que de uma vez por todas é preciso cumprir as leis. Apoie-nos nesta acção, junte-se a nós!
Movimento (d)Eficientes Indignados

Enviado por: Mithós