quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Saiba como receber a prestação social para a inclusão

Cerca de 1800 pessoas reclamaram junto da Segurança Social por não terem conseguido aceder à nova Prestação Social para a Inclusão (PSI). Destas, 800 situações estão já resolvidas. Ainda assim, a tutela criou um período transitório, até ao final de Setembro, para que os cuidadores se possam registar como tal junto dos serviços, adiantou nesta terça-feira aos jornalistas a secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes.


Em Janeiro, quatro meses depois da criação desta prestação, havia cerca de 66.400 beneficiários.

A PSI é entregue por transferência bancária ou carta-cheque. Até agora, outros subsídios que esta prestação única veio substituir – como o antigo subsídio mensal vitalício – podiam ser entregues por vale postal, levantado nos correios. A mudança fez com que pelo menos 1800 pessoas responsáveis por receber e gerir o rendimento da pessoa com deficiência ou incapacidade, beneficiária da prestação, tivessem tido, nos últimos meses, problemas para aceder ao apoio. E tudo por não estarem registadas na Segurança Social como tendo essa responsabilidade.

Se o cuidador estiver registado na Segurança Social como pessoa que gere os rendimentos da pessoa com deficiência que não tem capacidade para o fazer, consegue aceder à nova prestação. Contudo, se esta responsabilidade não estiver formalizada nos registos da tutela, a prestação é, por defeito, entregue em nome do beneficiário e apenas este pode aceder a ela.

Para impedir que alguém continue privado da prestação, a tutela criou um período transitório. Até 30 de Setembro, pessoas e instituições cuidadoras que não tenham esta responsabilidade formalizada devem dirigir-se a um balcão da Segurança Social onde assinam “uma declaração sob compromisso de honra em como prestam cuidados” ao beneficiário do apoio e podem, em seu nome, receber o rendimento. No caso de existirem cheques anteriores caducados, os serviços emitem novas cartas e é usado o modo de pagamento que o responsável quiser.

Até ao final desta semana, os antigos beneficiários da pensão social de invalidez e subsídio mensal vitalício devem receber em casa uma carta com esta mesma informação, para a qual os funcionários da Segurança Social também já estão alertados, afirmou a secretária de Estado. “Ninguém ficará de fora”, garantiu.

Até 30 de Setembro – prazo que pode ser alargado caso o Governo considere necessário –, beneficiários ou os seus cuidadores têm que regularizar a situação. E têm quatro opções, enumerou a governante: podem abrir ou indicar uma conta bancária em nome da pessoa com incapacidade; criar uma conta co-titulada com o cuidador; pedir uma procuração que confira poderes ao recebedor ou iniciar uma acção de representação legal. Para Ana Sofia Antunes esta deve ser uma opção de “última instância”, quando for “absolutamente inevitável”. Pois o objectivo da tutela é que, sempre que possível, a prestação seja recebida pelo próprio beneficiário.

O PSI tem um valor base mensal de 264 euros. E é uma prestação única que veio substituir três outras: o subsídio mensal vitalício, a pensão social de invalidez e a pensão de invalidez dos regimes transitórios dos trabalhadores agrícolas. Em Janeiro, segundo dados da secretaria de Estado, havia cerca de 66.400 beneficiários. Destes, cerca de 20% (mais de 13 mil) eram beneficiários do antigo subsídio mensal vitalício que passaram automaticamente a receber em Outubro esta prestação, graças à qual viram os seus rendimentos aumentar entre 51 a 68 euros mensais. O mesmo aconteceu em Janeiro com 50.500 pessoas que beneficiavam da pensão social de invalidez, que tiveram um aumento na ordem dos 0,2%.

Podem ainda requerer esta prestação pessoas em idade activa com deficiência ou incapacidade nunca inferior a 60% que não recebiam nenhuma das anteriores prestações. Para tal têm que apresentar um atestado médico de incapacidade multiuso, pedido antes dos 55 anos. Segundo a secretária de Estado, em Dezembro havia 3500 novos beneficiários.

Como previa o decreto-lei, a implementação da PSI é faseada. Neste momento, sublinha Ana Sofia Antunes, estão em lista de espera para receber as pessoas com 80% ou mais de incapacidade e beneficiários da pensão de invalidez dos regimes transitórios dos trabalhadores agrícolas e as pessoas com 60% a 79% de incapacidade que não auferem outros subsídios. Estes casos serão “os próximos a ser processados”, garantiu a secretária de Estado.

Fonte: Público

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Quarenta organizações entregam ao Governo proposta de Estatuto do Cuidador Informal

A Plataforma Saúde em Diálogo entregou ao Ministério da Saúde uma proposta de Estatuto do Cuidador Informal, que visa assegurar "um conjunto de direitos e garantias" para quem cuida voluntariamente de uma criança, jovem ou adulto dependente.


A proposta, a que a Lusa teve acesso, define "políticas inovadoras" de apoio às famílias, às redes de vizinhança e a outras redes sociais de suporte, incentivando o cuidado de pessoas nas suas casas, com vista à melhoria da qualidade de vida da pessoa com dependência e do seu cuidador informal.

"É um trabalho que foi feito de uma forma muito cuidada", que abrange "uma série de aspectos" e define as funções, os direitos e os deveres dos cuidadores informais, disse à agência Lusa a presidente da Plataforma Saúde em Diálogo, que reúne 40 organizações de saúde.

Entre as medidas propostas, adiantou Rosário Zincke, estão a "informação e formação do cuidador informal" e apoios sociais para os que despendem "uma carga horária significativa na prestação de cuidados". A plataforma propõe também que o cuidador informal seja avaliado pela pessoa a quem presta cuidados, sempre que seja possível, e pelo organismo do Estado que tutele a rede de cuidadores informais que a plataforma preconiza.

"O cuidador pode ter muito boa vontade, pode ser uma pessoa dedicada, mas precisa adquirir determinados conhecimentos e ferramentas, daí que se fale na informação e na formação", explicou Rosário Zincke.
"O acto de cuidar é sempre algo desgastante"
Por outro lado, "o acto de cuidar é sempre algo desgastante" sendo por isso "muito importante" avaliar se o cuidador está em condições de prestar cuidados ou "se não é ele próprio a precisar de cuidados, nomeadamente de apoio psicológico ou de soluções de alívio".

A proposta defende que deve ser garantido o bem-estar físico e mental do cuidador, através de medidas que promovam o seu descanso e o seu regular revezar por outro cuidador da rede de cuidadores informais da comunidade. Também deve ter direito a uma "baixa médica prolongada" para assistência ao doente sinalizado pelas redes de cuidados continuados integrados e de cuidados paliativos.

A Assembleia da República discute na sexta-feira um projecto de resolução do CDS-PP que recomenda ao Governo a criação do Estatuto do Cuidador Informal até Junho. Para Rosário Zincke, "é urgente" criar este estatuto: "Imagine que todos os cuidadores informais faziam greve, se recusavam a prestar os cuidados informais que têm vindo a prestar sem qualquer tipo de apoio ou reconhecimento? Eu penso que seria o caos".

"Mesmo que se estejam a preconizar medidas que custem dinheiro parece-nos urgente e imprescindível que se reconheça o estatuto do cuidador informal porque eles são uma peça chave na rede e no percurso de cuidados", defendeu. Rosário Zincke lembrou que "o peso dos cuidados informais é muito grande", assim como "é muito grande" o número de cuidadores informais que "abdica da sua própria vida" para tomar conta de alguém.

"Têm que ser reconhecidos sob pena de deixarmos de ter cuidados informais", advertiu.

A proposta tem como "objectivo maior" dar "definição e identidade a essa legião de pessoas que, de forma invisível, para a sociedade e para o Estado, contribui para a dignidade de vidas limitadas pela dependência".

Fonte: Público

Pessoas com deficiência profunda forçadas a ir de maca ao banco levantar prestação social para a inclusão

Falha no método de pagamento da nova prestação social obrigou pessoas com deficiência profunda a deslocarem-se ao banco para levantar o dinheiro. Segurança Social garante estar já a executar uma solução.


Uma falha no modo de pagamento da nova prestação social para a inclusão (PSI) forçou muitos beneficiários, com deficiência intelectual profunda ou graves dificuldades de locomoção, a ir de maca ao banco levantar o cheque da Segurança Social. Muitos tiveram até de ser levados pelos bombeiros. 

O problema é "gravíssimo" e deixou a Confederação das IPSS (CNIS) em "alerta máximo", disse o vice-presidente João Dinis. As queixas feitas aos serviços da Segurança Social alertaram o ministério, que está a preparar uma solução e assegura que os atingidos não serão prejudicados. 

Fonte: JN

Acessibilidade em Londres. Planeie sua viagem com qualidade

Mobilidade com acessibilidade em Londres. A qualidade da provisão para pessoas com deficiência varia enormemente entre hotéis, restaurantes e atrações em Londres. Mas muitas das principais atrações e locais de entretenimento da cidade podem ser apreciados com uma quantidade limitada de planejamento adicional. A rede de transportes está melhorando continuamente no que diz respeito à acessibilidade e há várias maneiras de assegurar que se locomover seja tão simples quanto possível.


Mobilidade com acessibilidade em Londres. Guia prático.
Transporte acessível A rede de transportes de Londres não é 100% acessível, mas com o planejamento futuro, os visitantes com problemas de mobilidade devem ser capazes de contornar a maioria dos destinos sem muita dificuldade. Planeje sua viagem no site Transport for London, que possui um planejador de viagens on-line que permite filtrar sua pesquisa de acordo com os requisitos de acessibilidade, bem como vídeos informativos sobre modos de transporte específicos. Assistência e conselhos também estão disponíveis na linha de ajuda 24 horas (0343 222 1234), ou use o Textphone no 0800 112 3456. 

Você pode viajar com cães de assistência em toda a rede de transporte de Londres. E também vale a pena verificar se pode ser mais rápido chegar entre os pontos sob sua própria força em vez de usar os transportes públicos – o centro de Londres é surpreendentemente compacto em alguns lugares. London Underground, Overground e o DLR Os assentos estão disponíveis na maioria das plataformas London Underground, Overground e Docklands Light Railway, enquanto informações áudio e visuais são fornecidas na maioria dos trens e plataformas. Quase todas as estações possuem catracas largas para acesso de cadeira de rodas ou aqueles com cães-guia.

Pessoas com deficiência querem nova Prestação Social para a Inclusão sem limite de idade

A Associação Portuguesa de Deficientes lamenta que quem adquiriu uma deficiência depois dos 55 anos queira mas não consiga aceder à nova Prestação Social para a Inclusão. A presidente, Ana Sezudo, adianta à TSF que já receberam uma dezena de queixas e explica que quando o decreto-lei foi discutido alertaram para o problema.


Recorde-se que este novo apoio substitui uma série de outros subsídios para os deficientes, aumentando os apoios públicos a esta população, mas na prática, segundo a associação, esquece grande parte dos deficientes em situação muito frágil porque não têm um atestado de incapacidade passado antes dos 55 anos.

Assista aqui à reportagem em áudio.

À TSF, o governo argumenta que o limite dos 55 anos "é essencial" para diferenciar este apoio social dirigido a deficientes "das incapacidades derivadas do envelhecimento com suporte nas prestações de proteção social na velhice".

Mesmo assim, o Governo mantém o compromisso assumido no Orçamento do Estado de avaliar em 2018 a situação das pessoas que adquiram deficiência após os 55 anos, "com vista ao reforço da sua proteção social".

Da centena de reclamações que a associação já recebeu sobre a nova Prestação Social para a Inclusão, a maioria, 58, são de famílias descontentes porque as pessoas com grau de incapacidade entre 60 e 80% têm o apoio dependente de uma avaliação dos rendimentos, algo que não acontece para quem tem uma incapacidade superior a 80%.

Outro problema é que muitos deficientes estão a ser encaminhados para a Internet quando procuram os serviços da Segurança Social para pedir informação sobre a Prestação Social para a Inclusão. A Associação Portuguesa de Deficientes tem aplaudido a nova prestação social criada pelo atual governo, mas admite que têm existido problemas desde que os pedidos começaram a ser feitos, entre eles a pouca informação nos serviços da Segurança Social.

Na resposta, o ministério sublinha que "para além do site da Segurança Social, da Segurança Social Direta e da Linha Telefónica, todos os Centros Distritais de Segurança Social e o Instituto Nacional para a Reabilitação possuem um Balcão da Inclusão" com "atendimento especializado, que em 2017 fizeram 13 mil atendimentos especializados.

Fonte: TSF

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Aprovados os primeiros Centros de Apoio à Vida Independente em Portugal

Para quando a decisão sobre as candidaturas a CAVIS realizadas por várias IPSS? Foi esta a pergunta feita recentemente pelo deputado Jorge Falcato na sua página pessoal do facebook. A resposta que deveria ter surgido há alguns meses, chegou a contra gotas, mas chegou. 


Segundo o Centro de Vida Independente de Lisboa, foram finalmente aprovados os primeiros Centro de Apoio à Vida Independente (CAVIS), a fazer parte do projeto piloto sobre Modelo de Apoio à Vida Independente em Portugal. Vamos ver para quando a decisão sobre as restantes candidaturas.

Mais sobre CAVIS.

Fonte: facebook CVI e Jorge Falcato

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Movimento Filhos sem Voz

O programa de 7 de fevereiro, do 'Linha Aberta com Hernâni Carvalho' foi uma emissão especial dedicadas às super famílias cuidadores que precisam de ganhar voz! 

Assista e conheça estes casos!




Fonte: RTP

CP alarga descontos a pessoas com deficiência

O Instituto Nacional para a Reabilitação, I.P. e a Comboios de Portugal, E.P.E. assinaram, no dia 8 de fevereiro de 2018, um aditamento ao protocolo "Descontos para pessoas com deficiência".

O aditamento ao protocolo existente pretende alargar o número pessoas com deficiência beneficiadas, passando a abranger pessoas com incapacidade igual ou superior a 60% e inferior a 80%, as quais usufruirão de 20% de desconto no bilhete para qualquer comboio.

Para poder usufruir deste serviço basta apresentar o bilhete de identidade ou cartão do cidadão e o atestado de incapacidade multiusos.

No ato da assinatura estiveram presentes a Secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, o Secretário de Estado das Infraestruturas, o Presidente do Conselho Diretivo Instituto Nacional para a Reabilitação, I.P., o Presidente da CP Comboios de Portugal, E.P.E., bem como representantes das organizações das pessoas com deficiência.

"A CP foi, e ainda é, no setor dos transportes, a primeira a executar medidas que visam implementar condições de acessibilidade para todos aqueles que enfrentam dificuldades permanentes ou temporárias de mobilidade", referiu Carlos Gomes Nogueira, presidente da CP, destacando a importância do trabalho desenvolvido por esta entidade em prol de "vencer barreiras e criar condições de uma verdadeira politica de inclusão".

De acordo com a Secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, 2017 apresenta um saldo de mais de 65.000 viagens apoiadas no âmbito deste protocolo. "Com estes dados estamos seguros que estamos no caminho certo. Queremos as pessoas cada vez mais fora de casa, em movimento, cada vez mais incluídas na sociedade. Este é um incentivo a essa maior autonomia e participação cidadã das pessoas com deficiência. É essa a razão de estarmos aqui hoje", frisou Ana Sofia Antunes.

Por sua vez, Guilherme d'Oliveira Martins, Secretário de Estado das Infraestruturas, destacou a importância de conjugar a realidade da mobilidade com a da inclusão. "A CP está muito empenhada em aprofundar este protocolo, e esta assinatura veio demonstrar essa intenção de dar mais um passo, um passo para a inclusão conjugada com a mobilidade".

As pessoas com incapacidade igual ou superior a 60% e inferior a 80% poderão usufruir deste benefício a partir do dia 1 de março de 2018.

Mantém-se em vigor os descontos que existiam no âmbito deste protocolo para pessoas com deficiência com um grau de incapacidade igual ou superior a 80%. Fonte: INR

EU: O que adianta existir os descontos se a maioria não pode beneficiar dos serviços por falta de acessibilidades e equipas de apoio ao embarque e desembarque. 

Cuidar de quem cuida: que seja agora

Texto José Soeiro
Mais vale tarde que nunca: foi finalmente divulgado o estudo sobre os Cuidadores Informais. Os dados avançados pelo documento são importantes e inquietantes. Já as recomendações são, em alguns aspetos, genéricas e incipientes. Mas o debate está, a partir de agora, lançado. Não farei uma análise detalhada do documento (que aproveito para disponibilizar aqui. Mas retiro dele seis conclusões que nos dão indicações importantes para a ação:

1. A maioria dos cuidados prestados a pessoas dependentes (idosos, pessoas com deficiência, demências ou doenças crónicas) é feita por via de cuidadores informais (calcula-se que cerca de 80% dos cuidados) e não através de cuidados formais. O cuidador informal típico é mulher, é familiar da pessoa cuidada e tem entre os 45 e os 75 anos.

2. Na Europa, calcula-se que haja 125 milhões de pessoas que prestam cuidados informais, sendo o valor estimado anual dos serviços prestados pelos cuidados familiares da ordem dos 300 mil milhões de euros. Em Portugal andará à volta dos 4 mil milhões de euros em cada ano. Este trabalho, essencialmente feminino, não é reconhecido nem remunerado.

3. A prestação de cuidados informais tem custos pesados para quem o faz. Os impactos são económicos, físicos e psicológicos: maior risco de pobreza, abandono do emprego, isolamento, rutura de relações e da vida social, depressões, exaustão, stress.

4. Apesar das respostas da Rede Nacional de Cuidados Continuados, de equipamentos sociais protocolados com a Segurança Social e da existência de serviços de apoio ao domicílio, em Portugal continua a haver muito poucos cuidados formais relativamente às necessidades e prevalece uma concepção familialista que faz recair a responsabilidade dos cuidados sobre a família, sobrecarregando esta e desresponsabilizando o Estado e a comunidade.

5. Além da escassez de cuidados formais, também há poucas respostas de apoio aos cuidadores: ao nível da informação, da formação e da capacitação das cuidadoras, do apoio em termos de saúde (incluindo psicológico); da garantia do direito ao descanso; da possibilidade de conciliar prestação de cuidados e vida profissional; de apoios sociais e pecuniários; do reconhecimento dos cuidados para efeitos de carreira contributiva.

6. Em muitos países já existe um Estatuto do Cuidador que reconhece direitos em diversas dimensões, do apoio pecuniário (um subsídio por assistência) à existência de cuidados formais que aliviam a sobrecarga das famílias (e das mulheres em particular), de licenças para cuidados e assistência a familiares dependentes à majoração das carreiras contributivas em função da prestação de cuidados, da garantia de estruturas de apoio aos cuidados domiciliários.

Tenho participado, nos últimos meses, em várias sessões onde têm sido partilhadas dezenas de testemunhos de cuidadores e cuidadoras. Ouvir esses testemunhos é da maior importância. Também por isso propusemos um debate público na Assembleia, aberto a quem queira participar, que acontecerá no próximo dia 2 de fevereiro. A partir deste debate, é preciso agir. Para fazer um estatuto do cuidador – um trabalho tão urgente quanto difícil – devemos ter em conta pelo menos três aspetos fundamentais.

1. O reconhecimento dos cuidadores informais deve andar a par com o reforço da responsabilidade do Estado na prestação de cuidados formais, designadamente por via do reforço e alargamento da Rede de Cuidados Continuados e dos Serviços de Apoio Domiciliário. Um estatuto do cuidador informal deve assim escapar à armadilha de reforçar os preconceitos familialistas, e deve contribuir para que não se reproduzam desigualdades entre ricos e pobres e entre mulheres e homens. Por outro lado, o estatuto do cuidador e da cuidadora informal deve conciliar os direitos destes com o empoderamento das pessoas que são cuidadas, reconhecendo também a estas últimas capacidade de escolha sobre os cuidados que recebem.

2. É preciso ter muita atenção sobre os critérios utilizados para se definir quem é “cuidador informal”. Esses critérios, que terão de tomar por base o grau de dependência da pessoa que precisa dos cuidados, devem ser inclusivos e ter em conta a grande diversidade de situações, devem evitar o modelo biomédico e centrado na “incapacidade” e devem partir da avaliação, em largo espectro, das necessidades relacionadas com a dependência, nomeadamente para atividades de autocuidado, atividades instrumentais e todas as necessidades da pessoa.

3. Um estatuto do cuidador e da cuidadora informal deve articular várias dimensões. Terá de introduzir alterações na legislação laboral, designadamente em termos de redução de horário, alargamento de licenças e reconhecimento de carreira contributiva de quem presta cuidados. Terá de incluir um alargamento dos apoios sociais existentes (em montante e em acesso) e possivelmente a criação de novos apoios. Terá de articular o Estado central (nos domínios da saúde, segurança social, entre outros) e as autarquias. Terá de dar resposta às “patologias dos cuidadores”, garantindo nomeadamente o direito ao descanso e o acompanhamento psicológico. Terá de promover a informação e a capacitação dos cuidadores, aprendendo com projetos que já existem e com experiências de outros países.

Estas questões não esgotarão o problema. Mas comecemos por elas. No mês que se segue, o debate deve ser aberto e participado e é nossa obrigação dar passos concretos e consistentes. Apesar de invisível, esta é uma questão que diz respeito a todos e a todas. Que seja agora que lhe respondemos.

Artigo publicado em expresso.sapo.pt(link is external) a 26 de novembro de 2018 Fonte: esquerda.net


Metade das esquadras portuguesas são incessíveis

Metade das esquadras portuguesas não tem acessos para pessoas com mobilidade reduzida. O alerta é da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia mas a Associação dos Deficientes também se queixa do problema e acusa o Governo de não cumprir a lei.


Fonte: Porto Canal

Questionário: Acessibilidade das pessoas com mobilidade reduzida aos serviços de transportes

Peço o vosso apoio para responder, se for o caso, e divulgar este questionário sobre a utilização de transporte rodoviário e fluvial. Este questionário é da responsabilidade da autoridade da mobilidade e dos transportes e destina-se à melhoria da acessibilidade dos transportes.

Podem responder só à parte relativa ao autocarro, ou à fluvial, ou a ambas, dependendo da vossa situação.
A resposta deve ser enviada no corpo do email, para dsmm@amt-autoridade.pt

Contamos consigo? Aqui vai o questionário:

Acessibilidade das pessoas com mobilidade reduzida aos serviços de transporte em autocarro

1. Quais são as necessidades específicas das pessoas com mobilidade reduzida que levam a que estas enfrentem problemas na utilização dos serviços de transporte em autocarro?

2. Descreva, se aplicável, uma boa prática implementada em Portugal, que promova a acessibilidade das pessoas com mobilidade reduzida aos serviços de transporte em autocarro e que vá mais longe do que o simples cumprimento da legislação aplicável.

3. Relativamente à boa prática descrita, esta:

a. Está relacionada com: i) a acessibilidade às instalações, infraestruturas ou veículos; ii) procedimentos e processos de boa qualidade (p.e.: reservas, pedidos de informação, solicitação de assistência, etc…); iii) uma boa prática implementada por funcionários ou outras pessoas (Nota: selecione todas as opções aplicáveis).

b. Aplica-se a que fase do transporte: i) antes da viagem; ii) durante a viagem; iii) após a viagem (Nota: selecione todas as opções aplicáveis).

c. Beneficia que grupos: i) pessoa com doença mental; ii) pessoa com incapacidade cognitiva; iii) pessoa portadora de deficiência visual; iv) pessoa portadora de deficiência auditiva ou muda; v) pessoa em cadeira de rodas; vi) pessoa com incapacidade fisiológica; vii) pessoa com mobilidade reduzida relacionada com a idade; viii) pessoa com mobilidade reduzida temporária (mulheres grávidas, pessoas com membros partidos, etc…); ix) outros grupos (Nota: selecione todas as opções aplicáveis).

4. Porque considera que esta boa prática é um sucesso? Que critérios considerou na sua análise (estatísticas, reações positivas, inovação, eficiência em termos de custos, facilidade de implementação, etc…)?

5. Quais os operadores de transporte (ou outras entidades) que implementaram esta boa prática?

6. Na sua opinião, esta boa prática poderia ser implementada noutros países?

7. Na sua opinião, esta boa prática poderia ser implementada noutros modos de transporte?

Acessibilidade das pessoas com mobilidade reduzida aos serviços de transporte marítimo

8. Quais são as necessidades específicas das pessoas com mobilidade reduzida que levam a que estas enfrentem problemas na utilização dos serviços de transporte marítimo?

9. Descreva, se aplicável, uma boa prática implementada em Portugal, que promova a acessibilidade das pessoas com mobilidade reduzida aos serviços de transporte marítimo e que vá mais longe do que o simples cumprimento da legislação aplicável.

10. Relativamente à boa prática descrita, esta:

a. Está relacionada com: i) a acessibilidade às instalações, infraestruturas ou veículos; ii) procedimentos e processos de boa qualidade (p.e.: reservas, pedidos de informação, solicitação de assistência, etc…); iii) uma boa prática implementada por funcionários ou outras pessoas (Nota: selecione todas as opções aplicáveis).

b. Aplica-se a que fase do transporte: i) antes da viagem; ii) durante a viagem; iii) após a viagem (Nota: selecione todas as opções aplicáveis).

c. Beneficia que grupos: i) pessoa com doença mental; ii) pessoa com incapacidade cognitiva; iii) pessoa portadora de deficiência visual; iv) pessoa portadora de deficiência auditiva ou muda; v) pessoa em cadeira de rodas; vi) pessoa com incapacidade fisiológica; vii) pessoa com mobilidade reduzida relacionada com a idade; viii) pessoa com mobilidade reduzida temporária (mulheres grávidas, pessoas com membros partidos, etc…); ix) outros grupos (Nota: selecione todas as opções aplicáveis).

11. Porque considera que esta boa prática é um sucesso? Que critérios considerou na sua análise (estatísticas, reações positivas, inovação, eficiência em termos de custos, facilidade de implementação, etc…)?

12. Quais os operadores de transporte (ou outras entidades) que implementaram esta boa prática?

13. Na sua opinião, esta boa prática poderia ser implementada noutros países?

Na sua opinião, esta boa prática poderia ser implementada noutros modos de transporte?

Enviado por Associação Salvador

EKUI: Por um mundo sem barreiras de comunicação

O EKUI é uma linha de material lúdico e didático para uma comunicação sem barreiras e mais inclusiva. Como tal foi pensado para desenvolver a linguagem e comunicação, as capacidades psicomotoras, o pensamento crítico, a inteligência social e emocional, a imaginação e a criatividade.

Equidade

Acesso a bens e serviços de educação e reabilitação

Knowledge

Direito universal à aprendizagem

Universalidade

Uma linguagem universal e acessível a todos

Inclusão

Mudança para um mundo ao qual todos pertençam

“A ideia do EKUI surgiu-me em 2003 quando eu dava aulas de educação especial a alunos com autismo e limitações cognitivas. Na altura percebi que as crianças identificavam com muito mais facilidade as letras do alfabeto português quando eu lhes associava um gesto da língua gestual portuguesa.Tornou-se claro para mim que faltava um material didático, que permitisse que todas as crianças pudessem aprender e comunicar de forma equitativa, como é direito básico de qualquer cidadão.

Tem sido uma caminhada gratificante: hoje milhares de crianças aprendem a ler com a metodologia EKUI e eu acredito que será apenas o princípio de uma grande mudança. A mudança para um mundo mais inclusivo onde a igualdade começa quando exercemos o nosso direito à comunicação e a uma linguagem universal”, considera Célia Macedo, mentora do projeto.

Mais informações AQUI

Fonte: Minuto Acessível

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Somos um peso na vida dos nossos cuidadores

Vamos levantar-nos? Vamos virar-nos? Vamos almoçar? Vamos vestir-nos? É assim que as nossas cuidadoras e cuidadores se dirigem normalmente a nós dependentes. Costumo, em tom de brincadeira responder que quem se vai levantar, vestir, ou virar sou eu e não eles. Alguns, também a brincar, respondem que sem o seu apoio não realizo nenhuma dessas atividades, que a coisa é feita em conjunto, daí o vamos a isto e aquilo.

Têm razão. Sem eles não seríamos nada. Eles fazem parte de nós. Sem o seu apoio não funcionamos. É assustador pensar e sentir que não somos donos das nossas vidas. Que dependemos de alguém para praticamente tudo. E quando estou a referir tudo, sei do que falo. Refiro-me às tarefas mais básicas como por exemplo beber água, abrir uma porta, virar-me na cama, proteger-me do frio…

E não damos pouco trabalho. Veja o meu exemplo de me levantarem da cama:
-Desviar a roupa da cama para trás;
-Tirar-me a almofada de posicionamento do meio das pernas e a calcanheira;
-Virar-me de costas e posicionar-me no centro do colchão;
-Realizar-me a higiene íntima e desinfetar o orifício da suprapúbica e o cistocateter;
-Despejar o saco coletor de urina;
-Acomodar o saco coletor de urina no corpo;
-Vestir-me peça a peça de roupa;
-Encostar a cadeira de rodas ao lado da cama;
-Transferir-me para a cadeira;
-Calçar-me;
-Encaixar as peças de segurança na cadeira de rodas;
-Colocar água nas garrafas;

E na maioria das vezes executo algumas tarefas, como por exemplo vestir algumas peças no tronco, lavar o rosto, escovar os dentes, pentear-me, perfumar-me, desfazer a barba com máquina de barbear…

Leram bem. Muita coisa. E só me estou a referir a uma das tarefas diárias. Tanto trabalho a cargo de quem escolheu ou não nos apoiar. Dia de banho e treino intestinal (geralmente dia sim, dia não) o trabalho é a dobrar. E não são tarefas fáceis. Damos muito trabalhinho e eu sei disso. Dependemos deles e pedimos-lhes muita coisa. Mas não tudo o que precisamos. Depender dos outros. Até hoje foi um problema que não consegui resolver dentro de mim. É algo que me incomoda muito. Faz-me mal sentir que dependo de alguém para tudo. O pedir isto, depois pedir aquilo, e de seguida outra coisa. E como escrevi acima, não pedimos tudo que precisamos.

Exemplo: quando nos deitamos e caso estejamos com frio, pedimos para nos colocarem roupa que achamos ser suficiente para nos aquecer, mas horas depois acordo cheio de calor. Claro que não vou acordar alguém para me retirar roupa da cama! Sou incapaz de o fazer. Quem nos rodeia costuma dizer com frequência. Se precisares de mim é só avisar. Mas claro que no geral evito ocupar as pessoas. Mas se verifico que a oferta é de coração e genuína, não deixo de pedir apoio. Nesse caso faço-o não porque gosto, mas porque vejo nos olhos da pessoa que está a fazer algo com prazer. É a única circunstância que consigo pedir algo sem grandes rodeios.

Seja num lar, ou nas nossas casas, cuidar de nós não é tarefa fácil. Admiro muito quem o faz de coração, e de uma maneira descomprometida. Eu penso que não seria capaz de ser assistente de alguém nas minhas circunstâncias. Urge iniciar a filosofia de Vida Independente. Só assim teremos alguém que nos auxilie de corpo e alma, e não por favor. Alguém que possamos sentir como sendo nosso apêndice, nossas pernas e braços, e pago de acordo com as suas funções, e munido de Produtos de Apoio, que lhes permita auxiliar-nos de maneira adequada, e sem pôr em risco a sua saúde.

Foi publicado em outubro último, o Decreto Lei nº 129/2017 que cria o Modelo de Apoio à Vida Independente no nosso país. Consiste na disponibilização de assistentes pessoais por parte do Estado, a pessoas dependentes, e definiu o seu vencimento mensal em 900€ por 8 horas diárias de trabalho.

Mas como a maioria das respostas sociais para pessoas com deficiência, também este apoio continua a ser uma intenção. De outubro para cá pouco ou nada aconteceu. Continuamos a depender do favor de quem nos cuida em lares, nossas casas, etc. Só com um assistente pessoal, remunerado conforme a sua categoria, poderei olhar para quem me auxilia, como alguém que está ali por opção e por gosto e não por obrigação.
Enquanto o Estado continuar a optar pela nossa institucionalização, e a obrigar as nossas famílias a cuidar de nós, não nos deixaremos de sentir um peso e uma cruz nas suas vidas.

Minha crónica no jornal Abarca