sábado, 6 de abril de 2019

Apresentação do Movimento Filhos sem Voz

Bom dia, para quem não teve a oportunidade de estar presente na inauguração da nossa associação, divulgo o meu discurso que encerrou a apresentação, agradeço ao Fábio Galrão de Carvalho por me ter dado voz na inauguração, pois foi ele que leu o meu discurso, obrigado Fábio.

Boa tarde, agradeço a todos por estarem presentes, aproveito a oportunidade para agradecer duma forma especial aos convidados por terem aceite estarem presentes aqui hoje, quero agradecer também ao professor José Santos por se ter interessado e empenhado desde o inicio em receber este evento aqui e ter articulado a exposição com os restantes professores e alunos, a quem também agradeço pela forma que aceitaram o desafio para desenvolver uma exposição sobre a inclusão.


Esta associação teve inicio num movimento informal, nasceu para se centrar nas necessidades da pessoa com deficiência, tem como principal objectivo a representação, promoção e defesa dos direitos humanos e liberdades fundamentais das pessoas com deficiência, bem como das suas famílias, tendo em vista e como principal foco a desinstitucionalização, bem como a luta contra a discriminação da sua comunidade e minoria.

A nossa associação não quer ser conhecida como opositora ao sistema ou como opositora as instituições, apenas queremos mudar o que esta mal, acreditamos que em Portugal estão reunidas condições para que haja alternativas a institucionalização, que a ultima palavra pertença a pessoa com deficiência que seja a pessoa que decida o que quer na sua vida, existem pessoas que de facto aceitam e querem viver numa instituição e nós respeitamos essas pessoas e mantemos a mesma relação com essas pessoas como com aquelas que não aceitam ser institucionalizadas, nós não vamos é continuar a permitir que continue a perseguição que existe as pessoas que não querem ser institucionalizadas e aquelas que prezam a palavra “família” já era altura que de facto houvesse uma associação que defendesse tanto a pessoa com deficiência que não quer ser institucionalizada como as suas famílias, não podemos continuar a aceitar que a alternativa a institucionalização seja, a descriminação, a exclusão social e a pobreza extrema.


A mãe, o pai, a irmã, o irmão ou o tio e por aí fora não tem de ser descriminado, vitima de bullying e atirado para a pobreza apenas porque escolheu cuidar do seu entre querido, essas pessoas têm de serem apoiadas a todos os níveis, essas pessoas dão a maior prova de amor que existe, metem a sua vida para 2º plano pelo bem supremo de outra pessoa, não é justo, nem é de um país inclusivo tratarem uma pessoa destas como cidadão de 2ª classe ou como um retrograda do tempo actual, não podemos continuar a aceitar que sejamos mal tratados nomeadamente em serviços públicos e é nesta vertente que esta associação quer trabalhar, é nesta vertente que esta associação quer marcar a diferencia defendendo a pessoa com deficiência e as suas famílias, alertando os serviços competentes, alertando o próprio governo da forma como somos tratados, da forma como somos discriminados, que na maior parte das vezes estes serviços públicos recusam-se a seguir as próprias recomendações do Governo violando varias vezes a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência dando uma má imagem ao Governo e ao País.

A nossa associação quer acabar com os filtros, não nos interessa falarmos pelos associados, não é isso que nós queremos, porque assim a mensagem raramente chega como as coisas se estão passar, muitas vezes as queixas que chegam a quem de direito nem tem nada haver com a realidade, a nossa associação vai criar as condições necessárias para que qualquer pessoa possa relatar o sucedido, as suas necessidades na 1ª pessoa.

Outra vertente onde a nossa associação quer assumir um papel preponderante será no esforço que a sociedade em geral aceite a condição humana de cada um, pois não existe inclusão se não existir em 1º lugar aceitação da condição humana e aqui teremos muito trabalho pela frente, porque não se muda mentalidades de um dia para o outro, mas para que realmente haja inclusão torna-se necessário explicar-mos o que é a condição humana, varias pessoas já me fizeram a seguinte pergunta “ACHAS QUE O TEU FILHO TEM CAPACIDADE PARA SER FELIZ?” isto revela um profundo desconhecimento da condição humana, não é por um corpo não corresponder ao ideal de beleza Grega, que deixa de ter alma, de ter espírito, que deixa de te capacidade para ser feliz ou triste, que deixa de ser uma pessoa humana que tem de ser amada e respeitada como outra pessoa qualquer. 

Na semana passada em Rio Maior o meu Amigo e presidente da assembleia da associação Fernando Azevedo disse uma coisa que ao inicio me assustou, disse que a palavra inclusão não devia nem de existir no dicionário, confesso fiquei apreensivo pois sendo ele o presidente da assembleia e sabendo que a inclusão é um dos principais motivos da existência desta associação, mas como a associação não é uma ditadura continuei a ouvir o seu discurso com atenção, ele depois explicou muito bem o seu ponto de vista e tem toda a razão, eu é que nunca tinha olhado para o problema desta forma, só é necessário haver inclusão porque existe exclusão, por isso estamos disponíveis e queremos trabalhar em conjunto com outras associações, com instituições de ensino e com o Governo nomeadamente com a secretária de estado da inclusão para que num futuro próximo não seja necessário usar a palavra inclusão porque as pessoas com deficiência passam a ser vistas como pessoas normais.
Não contem comigo nem com esta associação para defender bancadas parlamentares ou convicções políticas, a deficiência tem de estar acima de interesses políticos porque trata-se de direitos humanos, podem contar comigo e com a associação para defender a pessoa com deficiência e lutar por melhores condições de vida para a pessoa com deficiência e por arrasto para as suas famílias.
Obrigado por estarem presentes.

Texto de Carlos Filipe Santos Lourenço

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