sábado, 12 de maio de 2018

Uma Aventura no Hotel Central Park em Lisboa

Tem a certeza que possuem acessibilidades? Desloco-me numa cadeira de rodas elétrica e robusta! Temos sim, venha tranquilo. Garantimos que não vai haver problemas. Volto a questionar: O vosso elevador é dos amplos? As vossas rampas possuem menos de 10 graus de elevação? O WC é amplo? Estas e outras questões são sempre realizadas por mim antes de reservar um hotel ou outro espaço que queira visitar. Neste caso, mais uma vez houve a garantia que tudo estava segundo a lei.


Faço a reserva on-line, pago-a, e lá vou eu. Entrada no edifício possuía rampa conforme a lei e tudo correu bem. Acesso aos elevadores é feito por 5 degraus, que para ultrapassá-los contavam com uma plataforma elétrica com comando. Entro na plataforma e após subir uns 3 degraus para e disparam sinais sonoros e acendem luzes de alerta de perigo. Ali fico eu suspenso no ar, sem saber o que fazer. Rapaz tenta, tenta e tenta, mas nada. Chegou á conclusão que deveria ser excesso de peso, e solicita apoio de mais 3 colegas na tentativa de ajudarem com a sua força a subir a plataforma, mas em vão. Excesso de peso não era porque constava na plataforma 220 kg como limite.


Pedi para descer para procurar outro hotel, pois já me estava a ver sem solução de saída no outro dia, mas também não permitiu. Uma meia hora depois, e com mais ajuda, lá conseguiram avançar manualmente com a plataforma e livrei-me daquele pesadelo. Mas eis que vejo um elevador minúsculo para me levar para o 1º andar. Entrar nele? Impossível. Lá se lembraram os funcionários que existia um outro elevador de serviço, e após muita ginástica e peças retiradas da cadeira, lá consegui avançar.


Do elevador para o quarto espera-me uma rampa daquelas de tão íngremes, quase chegam ao céu. Com ajuda lá se subiu. WC não é mau, mas falta a cadeira de rodas de banho. Sem ela nada feito. Não consigo ir a sanita e nem tomar banho. De resto espaço razoável. De adaptado pouco tinha, mas bem melhor que a maioria.



O espelho do lavatório também se encontrava alto demais. Impossível visualizar meu rosto através dele.


No quarto há um espaço isolado, no exterior, mas de acesso também complicado.


No outro dia voltou a aventura. Depois de outra grande ginástica consigo entrar de costas pelo elevador de serviço que vai direto á lavandaria do hotel. Fechar a porta foi uma complicação, mas abri-la na lavandaria impossível. Não tenho capacidade para tanto. Após vários gritos e batidas bem barulhentas no elevador, lá me apareceu uma funcionária assustada com a minha presença naquele espaço.


Bar onde se serve o pequeno almoço também não permite acesso. Há vários degraus a separar-nos. 


Que mais me poderia acontecer? Olho, e vejo mais uma rampa daquelas que só de olhar assustam. Aproveito a boa vontade das funcionárias que pedi para se colocarem estrategicamente atrás da cadeira de rodas, felizmente aparece também a Rafaela, minha cuidadora que entretanto tinha dado à volta ao hotel e lá vamos nós a subir a rampa da garagem. 

Conseguir um táxi adaptado para ir para a Praça do Comércio nem pensar. Tentei Autocoop, Rádio Táxis, Auto Táxis e nada. Após uma hora de espera fartamo-nos de esperar e lá vamos nós a penantes e cadeirantes do Marquês de Pombal até Santa Apolónia. Eu estava sentado. Alguma vantagem temos de tirar da cadeira. A Rafaela como ia a pé chegou estafada.


4 comentários:

  1. Venho só dizer que como todos sabem isso é mais que normal,são pouquíssimos os locais com adaptações realmente condizentes com tal nome.

    Por ex. essa cadeira de banho, como uma quantidade de modelos análogos que já "fui obrigado a usar", são um atentado á segurança, bem-estar físico e emocional de quem tem que as usar.

    Porque estão presas á parede e são rebativeis, são homologadas como boas para a situação em causa.

    Não têm encostos laterais, para quando se tem que ensaboar as partes de baixo traseiras, se já sem estar ensaboado é difícil sem apoios laterais, depois de ensaboado bem...que aventura escabrosa:), assim como para se puder inclinar e com o chuveiro lavar essas mesmas zonas.

    Depois em geral como essa, que é das piores que já vi - uma plataforma feita com umas quantas "lâminas" de metal que com o uso vão ficando mais afiadas, que quando uma pessoa se senta enfia as carnes nessas reentrâncias e está ali a aguentar aquela sensação, depois quando se tem que ensaboar, as mãos raspam nessas mesmas "lâminas", já fiz cortes, hematomas... nesse tipo de cadeiras...e as vezes que escorreguei e ia caindo, todas as vezes que uso uma cadeira desse tipo.

    Ao fim de algum tempo de uso, elas inclinam um pouco para a frente, bastam milímetros, e depois de se ensaboar, ai vai um gajo a escorregar pelas pelas mesmas abaixo, normalmente fica-se preso com a genitália contra a barra de ferro (basta colocar água a correr na cadeira e em geral a água escorre para a frente), se fosse inverso o sentido era menos mal, pois escorregáva-se contra a parede.

    Parece que o único intuito é serem rebatíveis para depois o espaço puder ser usado por outros, porque de adaptadas não têm nada :).

    Para mim é e será incompreensível como podem homologar "estas coisas" como adaptadas e seguras. No meu caso, sempre que posso, entre este equipamento e uma cadeira de plástico, prefiro a segunda, mas sem duvida alguma :).

    Algumas coisas vão melhorando, já é algo.

    Bem Hajam!

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    1. Obrigado pelo seu testemunho.
      Você ainda tem a alternativa da cadeira de plástico, nós tetraplégicos, nem isso.
      Fique bem

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