quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Razões do meu protesto: Numa gaiola em frente da Assembleia da República aos cuidados Presidente da República, Primeiro Ministro e Ministro Vieira da Silva

Em outubro de 2013 propus-me iniciar uma greve de fome pelo direito á Vida Independente. Uma filosofia que se baseia nos pagamentos diretos ás pessoas que precisam de apoio de 3ºs, de modo a permitir-lhes continuar a viver no seu ambiente familiar, e assim evitar a institucionalização como única alternativa: https://tetraplegicos.blogspot.com/2015/02/greve-de-fome-como-tudo-comecou-e.html suspendia-a depois de ser recebido na Assembleia da República, pelo Secretário de Estado Agostinho Branquinho e sua equipa, com a promessa que seria iniciado o processo de Apoio á Vida Independente. Fui enganado.

Como nada aconteceu, um ano depois voltei a realizar novo protesto, em Setembro de 2014 realizei uma viagem de 3 dias em cadeira de rodas, desde a minha casa, até ao Ministério do T. Solidariedade e Segurança Social em Lisboa: https://tetraplegicos.blogspot.com/2014/10/3-e-ultima-parte-180-km-em-cadeira-de.html , que também não foi o suficiente para fazer acontecer.

Inicio de 2015 iniciei um estágio profissional remunerado, o que levou a Segurança Social a retirar-me o apoio que tinha de 350,00 mensais como apoio à contratação de Assistente Pessoal. Sem esse apoio fiquei sem meios financeiros para contratar quem me auxiliasse, e fui obrigado a sair da minha casa. Foi muito doloroso esse desenraizamento, como podem verificar através deste documentário do Jornal Público, da autoria da jornalista Vera Moutinho: https://www.publico.pt/2015/11/03/video/o-que-e-isso-de-vida-independente-20151013-170549

Felizmente tive a sorte de ser recebido por um excelente lar. O Centro de Apoio Social da Carregueira, a quem serei eternamente grato, além de me receber de braços abertos, e tudo fazer para me criar as condições para poder viver da melhor maneira possível, acreditou na minha capacidade profissional, e contratou-me como assistente social, um ano mais tarde atribui-me um cargo de diretor técnico.

Mas não deixa de ser um lar de idosos. Nunca pensei permanecer 3 anos num lugar assim. Sempre tive a esperança a Vida Independente surgisse como prometido pelos vários governos, mas a realidade é que 3 anos depois eu aqui continuo.

Em maio de 2017 foi apresentado finalmente o Modelo de Apoio á Vida Independente, e em outubro do mesmo ano publicado o Decreto Lei 129/2017 que institui o referido MAVI. Abriram as candidaturas aos Centros de Apoio á Vida Independente e os financiamentos desses CAVIS e ficou-se por aí. Estamos em novembro de 2018.

Mas pasme-se: pelo facto de me encontrar num lar não posso beneficiar deste apoio, porque o Estado não criou um período de transição para permitir a desinstitucionalização.

Daí mais uma vez optar por mostrar o meu descontentamento. Desta vez ficar: Numa gaiola em frente da Assembleia da República aos cuidados Presidente da República, Primeiro Ministro e Ministro Vieira da Silva.

VERBAS. NÃO É ESSE O PROBLEMA. A INSTITUCIONALIZAÇÃO FICA MAIS CARA AO ESTADO.

Custos da institucionalização ao Estado:

Por cada preso num lar o Estado atribui à Instituição: 1.027,00€ mensais. Para se manter no seu lar ao cuidado da família, o Estado oferece: 93,15€

Por 8 horas num Centro de Atividades Ocupacionais o Estado paga à Instituição: 520,72€ mensais. À sua família para o manter junto dos seus: 93,15€

Além dos valores pagos pelo Estado. Também nós somos obrigados a comparticipar pela nossa prisão. É-nos retirada uma grande percentagem dos nossos rendimentos.

E só tem direito aos fabulosos 93,15€ quem tiver rendimentos inferiores a 600,00€

Conclusão: o Estado paga para nos retirarem das nossas casas.

Sem comentários:

Publicar um comentário