A importância do desporto adaptado


Durante dois dias o Porto de Pesca figueirense recebeu uma prova de vela adaptada. Para além da competição, O Figueirense acompanhou uma “experiência” protagonizada por três atletas que pela primeira vez assumiram o leme da embarcação de vela.

A Figueira da Foz recebeu, no passado fim-de-semana, a primeira Prova de Apuramento Nacional da Classe Access (Vela adaptada).
Durante dois dias, cerca de 16 velejadores representantes de clubes do Funchal, Viana do Castelo, Póvoa do Varzim, Porto, Cascais e Escola Nacional de Vela Adaptada participaram nesta prova organizada pelo Clube Náutico da Figueira da Foz e Associação Portuguesa da Classe Access (APCA), com o apoio da autarquia local, Junta de Freguesia de São Julião, Administração do Porto da Figueira da Foz, Figueira Grande Turismo e Naval 1.º de Maio.
O atleta do Clube Náutico de Cascais, Bruno Pereira foi o vencedor da prova, preparando-se agora para disputar a próxima prova em Maio, em local ainda a definir.

“Experiência muito gratificante”
Inserido nesta prova, o CNAFF, em parceira com a APCA, proporcionou uma experiência diferente a três utentes do Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro – Rovisco Pais. Luís Vaz, Samuel Pina e José Carlos (cidadãos com deficiência física a diversos níveis) puderam praticar a modalidade de vela adaptada.
“Foi uma experiência muito gratificante, que gostava de repetir. Quando aqui cheguei tinha algum receio, mas rapidamente esse «medo» deixou de existir”, disse José Carlos a O Figueirense.
Esta opinião foi também partilhada por Luís Vaz, 24 anos, que confessou “preferir os desportos colectivos” porque, refere, “a interacção e contacto com as pessoas é muito positiva”. Por tal razão, este jovem é um dos atletas que integra a equipa de râguebi do Rovisco Pais, constituída há cerca de um ano.
Apesar de já praticar Remo indoor, Samuel Pina, 34 anos, aceitou de imediato o convite endereçado para esta nova experiência considerando-a “muito emocionante”.

Potenciar a prática desportiva
Joana Pires, professora responsável do sector de desporto adaptado terapêutico do Rovisco Pais, acompanhou de perto estes três atletas.
“É importante potenciar a prática da actividade desportiva para estes cidadãos”, disse a O Figueirense, porque “um novo sentido de vida, uma nova motivação é-lhes transmitido através do desporto adaptado”.
O Ciclismo, Remo, Ténis de Mesa, Boccia e Rugby são as modalidades praticadas actualmente neste Centro que integra, ainda, o “Bicas”, um programa da responsabilidade da secção desportiva da Associação dos Amigos do Rovisco Pais que adopta o projecto de inclusão social enquadrado na filosofia da Organização Mundial de Saúde. No entanto, o desenvolvimento da prática desportiva adaptada encontra no seu caminho algumas barreiras. “Estamos a desenvolver o desporto adaptado estabelecendo protocolos e parcerias com várias entidades públicas. Em 2009 realizamos duas visitas ao Clube Náutico da Figueira no sentido de incrementar a prática da vela adaptada”, explicou a representante da Associação dos Amigos do Rovisco Pais, realçando que nessas visitas foram detectados alguns impedimentos.
“Para esta prática é necessário assegurar algumas condições, nomeadamente, instalações adequadas á mobilidade dos cidadãos, rampas de acesso, quartos de banho adaptados e elevadores de água”, disse Marília Campos, sublinhando que, ainda no anterior executivo camarário, foi solicitada à autarquia “a colaboração na colocação destas infra-estruturas”.
Apesar de até à presente data ainda “não se encontrarem reunidas todas as condições para esta prática”, a responsável lembrou que a “o trabalho com estes cidadãos vai continuar a ser desenvolvido”.

“Parceria sólida”
Após as obras de remodelação da Doca de Recreio, foi requalificado um passadiço específico para cidadãos portadores de deficiência, assim como a foi instalado um guincho que permite colocar e retirar o atleta da embarcação. Actualmente, e segundo explicou o presidente do CNAFF, este Clube dispõe de duas embarcações para a prática da vela adaptada.
“Vamos adquirir o colete (Funda) que o atleta deverá vestir para que, através do guincho, possa ser colocado e retirado da embarcação”, frisou Miguel Amaral.
Para além desta aquisição, o CNAFF pretende, a curto prazo, estabelecer “uma parceria sólida com o Rovisco Pais” com o “objectivo de implementar a prática da vela adaptada”.

Fonte: O Figueirense

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