As redes sociais podem ajudar à integração

No Espaço T - Associação de Apoio à Integração Social e Comunitária dá-se lugar ao desenvolvimento de blogues e à participação nas redes sociais.

A este espaço portuense chegam doentes com depressão profunda, esquizofrenia ou psicose maníaco-depressiva, muitas vezes com diagnósticos de doença crónica. Há também alunos com trissomia 21 e outras deficiências.

Os benefícios e os riscos das redes virtuais estiveram em debate no Espaço T na semana passada, numa conferência sob o título "Nas redes sociais nunca estamos sós". E, num ponto, os oradores de diferentes áreas se puseram de acordo: sim, as redes sociais virtuais facilitam o contacto entre as pessoas, sejam elas deficientes ou não, mas é preciso prudência.

"Para que a rede social virtual seja benéfica terá de ser construída na base de redes sociais reais muito estruturadas", salienta Jorge Oliveira, presidente do Espaço T, defendendo que "dar um anti-depressivo a estes doentes não resolve tudo, ao passo que proporcionar-lhes afecto e compreensão faz diferença: diminuem a medicação, recomeçam a socializar e alguns chegam a entrar bem nas redes sociais virtuais em complemento às redes físicas".

Segundo o bloguer do semanário Expresso Tiago Janela, orador na conferência, "se as redes sociais forem compostas apenas virtualmente não temos integração, e poderemos ter solidão".
O jornalista salienta que há comportamentos que podem ser prejudiciais: "há maior predisposição a aceitar como amigas pessoas que não o são, além de que as pessoas expõem muito a vida privada a quem na vida real nunca exporiam". Para o orador, a flagrante exposição pessoal mediada por um interface e um computador pode ser um problema para os doentes mais vulneráveis.

Mas as redes sociais também permitem a criatividade e a abertura em relação aos outros, destaca Jorge Oliveira.
O psiquiatra José Queirós, do hospital Magalhães de Lemos sublinha que não devemos temer as novidades, mas devemos estar preparados, exemplificando com a questão das dependências: "a internet pode gerar uma dependência grande à custa de amizades reais secundarizadas".

O médico destaca ainda a necessidade que os doentes têm de um olhar, da voz, da presença real para se sentirem integrados. No hospital Magalhães de Lemos não se descura, porém, a relação com as novas tecnologias. Há formação em informática a decorrer no serviço de reabilitação e promove-se o saber digital.
O Espaço T foi criado em 1994 como IPSS vocacionada para o apoio de indivíduos com dificuldades bio-psicossociais e a indivíduos ditos "normais".
Fonte: JN

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